Sábado, 4 de Junho de 2011

 

 

Guarda Redes

Victor Valdés

 

Terceiro Zamora consecutivo (quarto na sua carreira) diz tudo sobre o ano de Victor Valdés. Apesar de ainda não ter chegado ao nivel de perfeccionismo de Iker Casillas, o guardião do Barcelona é cada vez mais uma peça nuclear na estrutura de Guardiola. É o primeiro avançado, instruido a começar os lances com atenção cirurgica à rapida movimentação do tridente da frente, Valdés começa a assimilar de forma definitiva os processos do “Futebol Total” que os anteriores guardiões no Camp Nou foram incapazes de compreender. Um salto de qualidade notório e uma frieza de aço fazem o resto.

 

Outros: Iker Casillas continua a ser o guardião espanhol mais completo naquela que é provavelmente a geração de ouro de uma escola que remonta aos dias do divino Zamora. Este ano o capitão dos merengues voltou às suas defesas habituais apesar do estilo de jogo da equipa de Mourinho ter garantido muito menos trabalho do que aquele a que estava habituado. Do outro lado da capital o jovem David De Gea confirmou tudo aquilo que deixara antever na época passada e foi, por direito próprio, um dos nomes mais em foco durante a temporada. O inicio de época foi melhor que o final mas, de qualquer forma, ficou a confirmação de que De Gea é um caso sério de precocidade desportiva.

 

 

Defesas Laterais

Andoni Iraola e Marcelo

 

Na notável época do Athletic Bilbao, de regresso às provas europeias, é forçoso relembrar a imensa temporada realizada por Andoni Iraola. O lateral basco é um dos valores mais seguros do futebol espanhol e foi um poço de regularidade durante toda a época. Fez dele o corredor direito de San Mamés, associou-se sempre bem com Martinez, Llorent e Toquero e marcou vários golos fundamentais na corrida europeia do histórico clube basco.

Marcelo foi provavelmente a grande revelação da temporada. Já tinha deixado vários destelhos do seu talento individual mas se algo marcou as suas primeiras épocas em Madrid foi a sua inconstância. Sob o comando de Mourinho, igualmente suspeito dos seus defeitos, o lateral cresceu e afirmou-se como o melhor lateral esquerdo do futebol actual. Determinante na manobra ofensiva, acertado na organização defensiva, Marcelo foi muitas vezes o desbloqueador, o sócio perfeito para Ozil, Di Maria e, sobretudo, Cristiano Ronaldo. Foi um dos jogadores do Real Madrid mais em forma durante toda a época e pela primeira vez o Brasil pode pensar na sucessão de Roberto Carlos.

 

Outros: Daniel Alves é um excelente lateral ofensivo mas em 2010/11 voltou a demonstrar sérios problemas nas tarefas puramente defensivas. Em mais de uma ocasião deixou a sua defesa em apuros e não fosse o habitual trabalho de limpeza de Piqué e os seus riscos calculados podiam ter deixado uma factura maior. Os seus habituais teatros no terreno de jogo começam igualmente a tornar-se repetitivos e a manchar a imagem de um dos melhores jogadores do futebol actual. No lado oposto ao comportamente de Alves está o seu colega de equipa, Eric Abidal. O francês viveu na primeira volta os melhores meses da sua carreira desportiva e transformou-se num seguro de vida útil mesmo quando deslocado para o miolo. O tumor que soube fintar em tempo recorde prejudicou a sua época mas demonstrou o estofo de um jogador profundamente infra-valorizado na estrutura culé.

 

 

Defesas Centrais

Ricardo Carvalho e Gerard Piqué

 

A aquisição de Ricardo Carvalho pelo Real Madrid demorou cinco anos mas finalmente concretizou-se. E trouxe ao clube merengue a estabilidade defensiva que de tanto careceram os projectos anteriores. Aos seus 32 anos Ricardo Carvalho realizou uma das suas melhores épocas individuais, não dando em nenhum momento ideia de que a sua melhor etapa já passou. Combinou bem com Pepe, Ramos e Albiol, foi o homem de confiança de Casillas e até marcou golos decisivos sem fazer muito ruido. Não foi ele que o Madrid perdeu o titulo mas também foi, e muito, por Gerard Pique que o Barcelona o ganhou. Sem o seu parceiro de sempre, tantas vezes afastado por lesão, e com a ala esquerda constantemente em remendos, Pique teve de ser mais do que nunca o patrão do quarteto defensivo blaugrana. Foi-o com classe, atitude e liderança sem nunca abdicar do seu habitual papel na primeira construção de jogo da equipa de Guardiola. Piqué assinou talvez a sua época mais completa porque, na adversidade, soube sempre crescer.

 

Outros: Pepe ficará para a história por ter sido o anti-Messi perfeito durante 280 minutos. Mas a sua época foi muito mais do que isso. Permitiu à defesa do Real Madrid jogar avançada, na antecipação e muitas vezes tornou-se no construtor de jogo dos merengues com as suas antecipações e cavalgadas pelo miolo do terreno. Mourinho fez fincapé na sua renovação e a verdade é que, com ele em campo, a equipa joga sempre melhor. Destaque igualmente para a grande revelação de Albert Botia. O jovem central que Guardiola não quis provou ao serviço do Sporting Gijon que tem nivel para equipas de primeira linha. É um dos jovens centrais espanhóis com maior margem de progressão e há em Can Barça quem pense já na possibilidade de o recuperar antes que o preço dispare.

 

 

 

Médios

Borja Valero, Xavi Hernandez e Mezut Ozil

 

Xavi Hernandez continua a ser o número um como constructor de jogo mas o posicionamento de Messi no desenho ofensivo blaugrana retirou parte do protagonismo do último passe ao génio de Terrasa. Mesmo assim Xavi continua a ser o santo e senha do jogo do Barça, o seu fiel de balança, e apesar dos problemas fisicos que foi sofrendo ao longo do ano, peça chave na conquista do titulo. Em Madrid a grande sensação do ano foi, sem dúvida, o génio imenso de Ozil. O turco-alemão deslumbrou com o seu toque de bola, passes precisos e golos repletos de magia que deram um toque de classe que os merengues não viam desde os dias de Zidane. Faltou-lhe mais consistência e regularidade, mas sem dúvida que é à volta dele que tem de girar o jogo do Real. Por fim, filho da “Fábrica”, Borja Valero foi um dos jogadores a seguir durante todo o ano. O médio do Villareal pautou o ritmo do jogo da equipa de Garrido e assume-se, cada vez mais, como o sucessor moral na Roja do número 6 do Barcelona.

 

Outros: Julio Baptista definiu o ritmo trepidante da segunda volta com golos, assistência e esperança. Resgatou o Malaga do poço e voltou a lembrar aquele médio possante que ajudou a redifinir o Sevilla moderno. En San Sebatin o talento de Xabi Prieto e Antoine Griezmann ajudaram a Real Sociedad a realizar uma época que superou as expectativas de muitos enquanto que em Barcelona o médio do Espanyol Javi Marquez confirmou-se como o sucessor do histórico de la Peña, que anunciou a sua retirada.

 

 

Extremos

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi

 

Não havia outras escolhas possíveis. São os dois melhores jogadores individuais do mundo, os dois anuncios-vivos da Liga BBVA e as grandes figuras das equipas mais mediáticas do futebol actual. Messi foi decisivo no titulo do Barcelona, com o seu reposicionamento no coração do jogo de toque blaugrana, e brindou os adeptos com alguns dos grandes momentos do ano, desde o seu golpe de oportunidade em Mallorca à espantosa recuperação defensiva no duelo contra o Atletico de Madrid, no Camp Nou. Se muitos se queixam, e com razão, de que o Barcelona se messianisa cada vez mais, asfixiante outras possibilidades de jogo, a verdade é que o argentino respondeu como nunca. A sua nemésis, Cristiano Ronaldo, superou-o em golos mas não acabou por ser tão determinante na corrida pelo titulo. O português atingiu números escandalosos numa liga de top do futebol moderno. Marcar 41 golos, bater o recorde histórico de Zarra e Hugo Sanchez, não é para qualquer um e o posicionamento de CR7 no esquema de Mourinho potenciou, ao máximo, a fome de golos do português. Mas onde Cristiano ganhou com goleador, perdeu como assistente e canalizador de jogo, algo que tanta falta fez aos merengues em muitos dos jogos onde perdeu pontos. Ronaldo foi a figura individual por excelência da prova mas para o ano deverá crescer mais no seu jogo colectivo para, finalmente, re-ultrapassar Messi, menos goleador mas mais eficaz e solidário com os colegas de equipa.

 

Outros: Viver à sombra do duelo Ronaldo-Messi não é fácil mas a regularidade exemplar do espanhol Santiago Cazorla, o espirito “potrero” do argentino Angel Di Maria e o renascimento da eterna promessa mexicana Giovanni dos Santos – chave na recuperação do Racing - não podem passar desapercebidos.  

 

 

 

Avançado

Giuseppe Rossi

 

O dianteiro italiano do Villareal foi um dos must see do ano. Combinou à perfeição com Nilmar e companhia e soltou-se, definitivamente, dos rótulos que trazia de pouco eficaz. Foi o terceiro melhor marcador do torneio, a anos-luz dos numeros estratosféricos de Messi e Ronaldo, mas foi também o autor de alguns dos movimentos mais deliciosos da temporada. Um avançado italiano atipico para um projecto que continua a consolidar-se graças a descobertas como a do ex-Man Utd.

 

Outros: Felipe Caicedo foi, a par de Julio Baptista, o melhor jogador da segunda volta. Quase sozinho decidiu a permanência do modesto Levante, equipa que caminhava no ultimo lugar em Dezembro e que acabou o ano bem perto dos postos europeus. Ao serviço do Espanyol o argentino Osvaldo foi também uma das sensações da época, contribuindo para a óptima época dos “periquitos” e é mais do que certo que para o ano esteja noutras paragens. Por fim, uma palavra para Roberto Soldado. O avançado que ninguém quer, nem o Real Madrid nem a selecção espanhola, foi também o melhor marcador espanhol da prova, depois de Villa, e um dos abonos de familia do Valencia. Continua a surpreender pela sua regularidade goleadora.

 

 

Treinador

Josep Guardiola

 

Ganhar três ligas consecutivas não é para qualquer um. Josep Guardiola há muito que tem um lugar garantido na história do jogo. Esse êxito é só mais um pretexto para louvar, um ano mais, o imenso talento do técnico do Barcelona. Guardiola foi, este ano, mais fiel do que nunca à filosofia do Dream Team. Conseguiu com Villa o dinamismo ofensivo que perseguiu desde que decidiu abdicar de Etoo e voltou a apostar todas as fichas em Messi, oficializando a sua transformação táctica no coração do jogo blaugrana. Aguentou a pressão de Mourinho, montou uma equipa acente, sobretudo, na regularidade, e conquistou o titulo a três jogos do fim com imensa classe.

 

Outros: José Mourinho falhou, pela primeira vez na sua carreira, vencer a liga no seu primeiro ano ao serviço de um novo clube. Mas isso não esconde o imenso trabalho que realizou em Madrid. Até Dezembro os merengues eram, claramente, a equipa mais em forma da liga com um futebol ofensivo e atractivo. Depois chegou o desgaste da Copa del Rey e da Champions, os pontos perdidos com os pequenos e o fim das ilusões. Para Mourinho (e para o Real Madrid), o segundo lugar é um mau resultado, mas a época do português foi de primeirissimo nivel. O ano também deixou claro o talento de Juan Carlos Garrido, o treinador que confirmou o Villareal como a quarta potencia da liga espanhola com um modelo de jogo profundamente ofensivo mas também o labor indiscritivel de Luis Garcia técnico de um Levante que estava à beira da despromoção e que acabou perto do sonho europeu.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:25 | link do post

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