Terça-feira, 31 de Maio de 2011

 

Guarda Redes

Edwin van der Saar

 

Aos 40 anos esta pode bem ter sido a sua última época se num desespero de causa Alex Ferguson não convence o gigante holandês a adiar o inevitável. Uma carreira maravilhosa daquele que é, talvez, o melhor guarda-redes do Mundo e que vive actualmente uma segunda juventude depois da sua passagem por Itália. Van der Saar soube dizer presente quando a equipa necessitava e transmitiu uma imensa dose de confiança à defesa dos Red Devils mesmo quando Ferdinand e Vidic, por problemas fisicos, davam lugar aos mais novos.

 

Outros: Joe Hart contou com o apoio de Roberto Mancini e deu provas de uma maturidade fora do normal para um guardião inglês. Importante em manter os citizens na corrida pela Champions League, Hart foi melhorando com o passar da época e acabou por mandar um sério sinal a Capello. Em Liverpool o espanhol Pepe Reina sobreviveu ao final da armada espanhola com estoicidade e tornou-se numa peça nuclear para a recperação do conjunto Red com Dalglish à cabeça. O escocês fará de tudo para não o perder.

 

 

Defesas Laterais

Micah Richards e Gareth Bale

 

Depois de muito prometer, Richards finalmente cumpriu. O lateral do Manchester City jogou no eixo central e no flanco direito da defesa e sempre com nota alta. Com um fisico portentoso e um poder de antecipação assinalável, o jovem inglês deu razão àqueles que o vêm como uma das grandes promessas do futebol europeu. Quanto a Bale há muito pouco que dizer, excepto que as melhores exibições do galês foram na Champions League e não na Premier, onde muitas vezes jogou como falso extremo. Mesmo assim o impacto de Bale é indismentivel e estão reunidas todas as condições para que rapidamente se torne no mais completo lateral europeu.

 

Outros: No lado directo da defesa nota muito positiva para a época de Glenn Johnson, sempre em crescendo numa defesa feita em estilhaços. O lateral do Liverpool continua a dar sinais de progressão e maturidade, a mesma que lhe faltou nos seus dias de azul. No lado oposto a grande confirmação do ano foi a de Leighton Baines. O lateral do Everton já tinha terminado a época passada em grande estilo e com as suas corridas pelo flanco, assistências e cortes providenciais, ajudou o Everton a lutar pela Europa até ao último suspiro.

 

 

Defesas Centrais

Gary Cahill e Nemanja Vidic

 

Vidic sobreviveu ás lesões de Rio Ferdinand e confirmou o seu estatuto de defesa de top a um nível tal que hoje talvez só Piqué possa realmente emular. O sérvio foi um seguro de vida constante para o Man Utd e não só pela sua labor defensiva. Os seus golos, decisivos, ajudaram a desbloquear muitos jogos marcados pela tensão no marcador e o seu espirito de combate contagiu os seus parceiros de defesa, este ano, mais jovens do que nunca. No Reebok Stadium a época confirmou também todas as boas sensações que o inglês Gary Cahill tinha dado nos últimos anos. Duro, mas leal, certeiro, mas pontual, o central do Bolton soube medir melhor os seus tempos e acabou por dar a Fabio Capello mais opções para o centro da defesa dos Pross.

 

Outros: Branislav Ivanovic passou a temporada entre o lado direito e a companhia de Terry no miolo da defesa e foi aí onde se deu melhor. Seguro, rápido e determinado, o sérvio deu sinais de estar a pulir alguns dos seus particulares defeitos. A chegada de David Luiz atirou-o, definitivamente, para o flanco e o Chelsea perdeu em segurança defensiva. No City of Manchester o belga Vincent Kompany fez, igualmente, uma época brilhante, qual torre intransponível que foi fundamental para a corrida rumo à prova dos milhões.

 

 

 

 

Médios

Jack Wilshere e Scott Parker

 

Se os media se deixaram levar pelo efeito Bale a verdade é que o grande achado do ano em Inglaterra foi Wilshere. O médio centro já deixava antever que tinha algo especial, mas a forma como carregou com o Arsenal aos ombros, especialmente quando Fabregas baixou gritantemente de forma, é o melhor elogio que se poderia fazer a um jovem que passou num ano de jogar pelas reservas dos gunners a ser internacional. Wenger sabe que tem um jogador especial, com critério na hora do manejo da bola, e que os próximos anos serão fundamentais na sua consolidação desportiva.

Por outro lado, e apesar da lamentável época dos hammers, 2011 foi também o ano de Scott Parker. O médio que Mourinho utilizou a espaços no seu Chelsea demorou largos anos até se encontrar cómodo para explorar todo o seu talento de construção e com o apagar da chama das estrelas dos Pross, Gerrard e Lampard, a sua oportunidade está ao virar da esquina.

 

Outros: Raul Meireles foi o mais regular dos jogadores do Liverpool e a chegada de Dalglish, aliada à lesão de Gerrard, deu-lhe a confiança para se tornar no patrão de Anfield Road. Em Londres, o brasileiro Sandro também precisou de tempo para convencer Harry Redknapp que era o melhor escudeiro para o croata Modric e desde então os adeptos dos Spurs perceberam porque o médio está altamente quotado no futebol brasileiro. Por fim, e no modesto Blackpool, despontou o imenso talento de Charlie Adam, um médio tipicamente britânico box-to-box que seguramente que para o ano viajará rumo ao sul. 

 

 

 

Extremos

Carlos Tevez e Wayne Rooney

 

Se houve um jogador individual que por si só levou, durante todo o ano, a sua equipa às costas até cumprir o objectivo minimo establecido, esse foi Carlos Tevez. O argentino voltou a ser o salvador do Manchester City, tanto com os golos como com as assistências que foi dando ao leque de jogador que Mancini ia fazendo circular à sua volta. O seu caracter continuou a provocar-lhe problemas mas no relvado “El Apache” foi um verdadeiro abono de familia para os citizens que lamentarão, e muito, uma eventual saída no final da época. Olhando para os 10 meses de prova é impossível não eleger Tevez como o Jogador do Ano.

Rooney terminou muito bem a época mas o seu braço-de-ferro com a direcção do clube e as suas ameaças em trocar de bando mancharam uma época que não atingiu os números do ano passado mas que confirmaram o inglês como um dos grandes do futebol actual. Rooney destacou-se em criar espaços e oferecer golos ao duo da frente e sentiu-se mais cómodo do que nunca com uma referência ofensiva ao lado. Para alivio dos Red Devils, o internacional inglês despertou a tempo!

 

Outros: O portugués Nani terminou o reino como o rei das assistências na prova mas Ferguson continua a não confiar nele para os jogos mais importantes o que acabou por lhe retirar protagonismo individual. Mesmo assim foi, claramente, a sua melhor época na Premier League. Uma das grandes surpresas foi a rápida adaptação de Asamoah Gyan. O extremo ganês foi peça chave no jogo extremamente ofensivo demonstrado, essencialmente no inicio do ano, pela equipa do Sunderland, contribuindo com assistências e golos.

 

 

Avançados

Luka Modric e Dimitar Berbatov

 

O croata foi o pendulo perfeito do acordeão ofensivo montado por Harry Redknapp. No miolo, descaído para a esquerda, aproveitando os espaços deixados por Bale, o talento de Modric renasceu das cinzas e deu um plus de qualidade ao futebol do Tottenham. Foi  talvez uma das individualidades mais determinantes no jogo do colectivo e o que surpreende realmente é que nenhum dos milionários do futebol tenha percebido o imenso talento que emana dos seus pés. Ao seu lado outra estrela do leste europeu. Berbatov não teve o protagonismo de Chicharito nem a regularidade de Rooney mas, fiel ao seu estilo sóbrio, confirmou finalmente o porquê da aposta pessoal de Ferguson e sagrou-se melhor marcador da Premier League (empatado em golos com Tevez). Um trofeu que lhe faltava e que salvou o Manchester United de uma época mediana quando Rooney andava entretido a renovar contratos e a estrela mexicana ainda via os jogos da bancada.

 

Outros: O uruguaio Luis Suarez só chegou em Janeiro, mas foi a tempo de revolucionar a temporada. Pegou no Liverpool literalmente às costas e levou a equipa do meio da tabela até às provas europeias com golos, passes e momentos que entrarão em qualquer recopilatório da temporada. Destaque especial também para outra jovem estrela do outro lado do Atlântico. O mexicano Javier Hernandez roubou o protagonismo ao mais fiável Berbatov com os seus golos decisivos e a sua sede de glória. El Chicharrito ganhou por direito próprio um lugar nos melhores do ano e deixa antever que podemos estar diante de um dos mais espantosos pontas de lança dos próximos anos.

 

 

Treinador

Alex Ferguson

 

Prometeu em 1986 acabar com a hegemonia do Liverpool. Cumpriu. Prometeu em 1986 superar os titulos conquistados pelo Liverpool. E conseguiu. 25 anos depois de chegar a Old Trafford, Alex Ferguson pode finalmente celebrar. A sua enésima transformação levou o Manchester United a conquistar a sua 19º liga, uma mais que o Liverpool, e isso sem estrelas no onze e com um plantel que foi gerido à perfeição. Houve espaço para os veteranos, para os operários, para as jovens estrelas emergentes e para os criativos, tudo num estilo conciso, eficaz e imbatível. Sem atingir o nivel de qualidade de outras eras, de outros titulos, poucas vitórias na prova rainha do futebol inglês devem ter sabido tão bem ao técnico escocês como esta. Uma vez mais, Ferguson fez história.

 

Outros: Kenny Dalglish foi para o Liverpool dos anos 80 o que Guardiola é para o Barcelona actual. E foi a sua intempestiva saída que iniciou o hiato de 20 anos sem um único titulo de Liga. O seu regresso permitiu vislumbrar um pouco desse espirito de conquista há tanto tempo distante de Anfield e depois de por a ordem na casa resta saber se o mitico “King Kenny” tem força para devolver a glória ao seu Liverpool. Steve Bruce e Ian Holloway não venceram prémios nem sequer conquistaram um bilhete para a Europa mas o estilo de jogo atractivo de Sunderland e Blackpool garantiram-lhe um lugar nos nomes mais destacados do ano. Enquanto os mais quotados Ancelloti, Wenger e Mancini falhavam os objectivos, muitas vezes por culpa própria, estes dois técnicos britânicos demonstraram que a ideia dos Managers ingleses de ideias antiquadas é, cada vez mais, um mito que vai perdendo força e sentido.

 

 

 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 19:23 | link do post | comentar

6 comentários:
De DC a 31 de Maio de 2011 às 21:44
Acho que devia rever o texto...
Cahill a central? Rooney a extremo? parece-me que tem alguns erros por corrigir.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Junho de 2011 às 08:42
DC,

Coloco o Rooney a extremo por uma questão prática de posicionamento e porque, muitas vezes, ele acaba por bascular para lá para deixar o miolo a Berbatov ou Chicharito com quem combina em diagonais até flectir para o corredor central. Naturalmente que a posição natural é a de avançado mas foi preciso essa "batota" para o poder incluir, um nome obrigatório no onze.

Quanto ao Cahill o João relembrou bem que acabei por fazer confusão, queria falar do Cahill do Bolton e não do Everton, que realizou este ano uma época estupenda. Peço desculpa a ambos, está corregido!

um abraço


De filomeno a 31 de Maio de 2011 às 23:42
Ferguson y Van de Sar, deben jubilarse, de forma inmediata......


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Junho de 2011 às 08:42
Filomeno,

van der Saar ya lo a hecho, a Ferguson le quedan algunos telediarios todavia.

un abrazo


De Joao K. a 1 de Junho de 2011 às 01:32
Discordo em muitos nomes. Deixo aqui o meu 11:

van der Sar

Ivanovic
Vidic
Kompany
Baines

Nasri
Modric
van der Vaart
Nani

Tevez
van Persie(meia época 19 golos)

PS: Estás a confundir os Cahill's, o Cahil que tu queres pôr é o Gary Cahil do Bolton não o Tim Cahil do Everon pois esse é médio ofensivo.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Junho de 2011 às 08:48
João,

O Baines é um jogador tremendo e extremamente regular mas o Bale foi uma das revelações do ano (apesar de melhor na Champions do que na Premier). O Ivanovic, para central adaptado, esteve muito bem. O Nani foi o rei das assistências mas também um dos jogadores mais irregulares do torneio e o Nasri, apesar da excelente época, teve uma baixa de forma impressionante a partir de Fevereiro enquanto que o Rooney, pelo contrário, teve um ano em crescendo e foi extremamente influente no titulo do United.

Entre van Persie e Berbatov, está claro que o holandês é mais jogador, mas o bulgaro pela primeira vez respondeu e marcou, tendo estado muitos jogos na bancada, as diferenças. E um onze sem Whilsere, num ano em que foi o jogador mais entusiasmante do Arsenal, soa-me estranho.

um abraço

PS: Obrigado pela correcção, fazer mil coisas ao mesmo tempo dá nessas coisas ;-)


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