Sábado, 28 de Maio de 2011

 

Guarda-Redes

Helton

 

Num ano em que os guarda-redes da Liga Sagres se erigiram, muitas vezes, nos grandes protagonistas, Helton confirmou-se definitivamente como um dos grandes com a sua melhor época desde que aterrou no Dragão. O sucessor de Vitor Baía sempre tinha deixado a impressão de insegurança e displicência em pontuais momentos das épocas anteriores mas com Villas-Boas ao leme mostrou-se um capitão em toda a linha e soube ser o pendulo perfeito para o equilibrio defensivo de uma equipa com profunda tracção dianteira. Olhando para como correm as coisas no Brasil, um regresso à selecção não seria de todo injusto.

 

Outros: Rafael Bracalli, Nilson e Artur foram nomes próprios numa época em que os guarda-redes estiveram em alta (podiamos também falar de Cássio e Patricio). O primeiro continua a mostrar o seu alto nivel ao serviço do Nacional que tem um historial curioso em acertar em cheio nas suas apostas para a baliza (de Hilário a Benaglio). O segundo confirmou em Guimarães o bom que tinha adiantado e é hoje um sério seguro de vida para uma equipa que precisa de dar um passo mais na sua aproximação às equipas do topo. Artur chegou da Roma, onde teve pouco espaço, e superou as expectativas, especialmente depois do fiasco em que se tornou o irregular Felipe. O brasileiro esteve nos grandes momentos do Braga e fez esquecer a sombra de Quim.

 

Defesa-Direito

Silvio

 

É verdade que jogou parte da época no lado esquerdo da defesa mas quando explodiu realmente, no inicio do ano, Silvio era o defesa direito com que contava Domingos. Logo o crescimento de Miguel Garcia e as sucessivas falhas de Elderson desviaram o jovem internacional para o lado esquerdo mas na retina ficaram alguns dos momentos mais entusiasmantes do Braga da primeira volta. O seu nome é já uma certeza no futebol português e uma transferência para o Atlético de Madrid o prémio de uma época imaculada.

 

Outros: Fucile e Sapunaru dividiram as honras no lado direito da defesa portista. Os problemas fisicos de ambos permitiram que fossem alternando no posto (aliado à passagem de Fucile para a esquerda com a lesão de Alvaro) mas sempre a um óptimo nivel. João Pereira mostrou em Alvalade que é um jogador regular e sério, capaz de salvar-se do naufrágio colectivo em que se tornou a temporada dos leões. O brasileiro Baiano foi a grande revelação, jogador com critério e segurança defensiva que ofereceu profundidade de campo ao futebol de ataque do Paços de Ferreira.

 

Defesa-Esquerdo

Fábio Coentrão

 

Se a época do Benfica se avalia-se apenas em critérios individuais a única nota elevada seria para Fábio Coentrão. O lateral-esquerdo ganha em regularidade e influência onde outros são apenas cumpridores. Coentrão desdobrou-se ao longo do ano entre a defesa e o ataque e, muitas vezes, foi o único a manter viva a esperança da revalidação do titulo nas hostes encarnadas. É, sem dúvida, um dos laterais mais em forma do futebol mundial e será complicado que o Benfica não seja forçado a vendê-lo na próxima época se não encontrar forma de melhorar o contrato a um jogador cobiçado por meio mundo. Veloz, goleador, influente, Coentrão salvou-se num oceano de mediania gritante.

 

Outros: Alvaro Pereira foi fundamental no jogo ofensivo do FC Porto mas as lesões deixaram muitas vezes o lado esquerdo dos azuis e brancos coxo no ataque. A sua velocidade e desborde permitiram as diagonais de Varela e a liberdade de Belluschi na primeira parte da época e só quando regressou no final do ano se voltou a ver um FC Porto aberto em todo o campo. Evaldo provou em Alvalade, como João Pereira, que a disciplina e regularidade ganhos em Braga sobreviveu ao caos de Alvalade.

 

 

Defesas Centrais

Paulão e Otamendi

 

Não foi o central que mais jogos disputou mas o seu estilo deixa adivinhar claramente um jogador com um potencial tremendo. Nicolas Otamendi chegou da Argentina para confirmar aquilo que Maradona já tinha adiantado sobre ele há uns meses. Sério, regular e profundamente disciplinado, o argentino foi pedra base nos momentos mais importantes da época do campeão e o seu establecimento definitivo como parceiro de Rolando uma óptima noticia face à inconstância de Maicon.

Paulão esteve para o Braga de Domingos da mesma forma que Moisés tinha estado na época passada. Um verdadeiro seguro de vida, seguro a defender, influente no jogo de transição rápido que o técnico leceiro pediu constantemente à sua linha defensiva, o brasileiro foi um dos jogadores mais em forma do Braga durante a segunda volta.

 

Outros: Rodriguez foi outro eixo fulcral na muralha defensiva bracarense. Um jogador determinante na estratégia de Domingos que certamente seguirá o técnico na sua próxima aventura. O internacional português Rolando foi a figura mais regular da defesa portista mas teve uma época com luzes e sombras que continua a deixar alguma insegurança sobre a sua concentração em momentos chave. O brasileiro Luisão e o português Daniel Carriço foram figuras mais em defesas em constantes problemas. No Benfica pela irregularidade dos restantes elementos do sector defensivo e em Alvalade pela profunda desorganização estrutural que deixaram muitas vezes o jovem central sozinho contra o Mundo.

 

 

Médio Defensivo

Vandinho

 

Voltou a ser o grande pendulo que definiu o inicio de época do Braga 2009/10 e Domingos soube rodea-lo de um leque de grandes interpretes (Salino, Matheus, Mossoro e Viana) que lhe permitiram respirar e fazer jogar com o critério que tão bem sabe. Fundamental a tapar os espaços, determinante a soltar as rédeas do jogo, a excelente recuperação do onze bracarense e a eficácia defensiva dos arsenalistas fica muito a dever ao renascimento de Vandinho.

 

Outros: Enquanto o médio brasileiro não atingiu a sua melhor forma o Braga pode contar com o imenso pulmão de Leandro Salino, uma descoberta de Domingos que foi fundamental em manter o Braga vivo, especialmente nos palcos europeus. Fernando foi também peça nuclear no jogo do FC Porto. O brasileiro deu um salto qualitativo face a 2010 e jogou com mais critério mas continua ainda a ser um jogador excessivamente stopper e com alguma dificuldade em associar-se em tarefas mais ofensivas. A revelação do ano foi, inequivocamente, o jovem André Santos. Num meio-campo repleto de internacionais europeus ele foi o mais regular e constante dos médios leoninos e as suas boas exibições garantiram-lhe, merecidamente, a sua primeira estrela de internacional. Mais um bom producto de Alcochete.

 

Interior Direito

João Moutinho

 

Trocou o Sporting pelo FC Porto porque queria ganhar titulos e conseguiu todos na sua primeira aventura no norte. O jovem algarvio foi uma peça chave no novo rosto apresentado pelo FC Porto e confirmou todo o potencial que fez dele, há três anos, o médio jovem mais cobiçado do futebol europeu. Uma compra por valores pouco habituais para o mercado interno mas que compensou o investimento desde o primeiro momento. A Moutinho faltou apenas aumentar os seus indices de eficácia ofensiva para redondear um ano perfeito em que o seu estilo de jogo combativo e eficaz acentou como uma luva na filosofia futebolistica de Villas-Boas.

 

Outros: O brasileiro Mossoró continua a ser um dos homens mais entusiasmantes do Sporting de Braga e um ano mais voltou a ser um seguro de vida, especialmente quando Matheus se rendeu aos milhões do leste europeu. Joao Alves continua a ser o patrão de jogo em Guimarães e foi peça chave para que a máquina de Machado funcionasse no seu regresso à Europa. O croata Skolnik foi uma das agradáveis surpresas do ano, exibindo-se a um óptimo nivel no Funchal e oferecendo, dessa forma, um herdeiro ao jogo de Ruben Micael no onze do Nacional.

 

 

Interior Esquerdo

Freddy Guarin

 

Só jogou a titular no final da época mas o seu impacto no FC Porto foi de tal forma tremendo que é impossível ignorar o ano que protagonizou Freddy Guarin. O colombiano soltou-se, finalmente, do estigma que carregava de ser uma eterna promessa e ajudou a decidir o titulo com os seus golos certeiros em deslocações complicadas e os seus passes exactos nas combinações com Falcao e Hulk. Herdou o lugar do argentino Bellushi e não o voltou a perder até ao final do ano dando razão aqueles que ainda se lembram dele quando era só uma jovem promessa sul-americana.

 

Outros: Hugo Viana voltou a ser ele mesmo, sóbrio, discreto mas profundamente eficaz. À medida que foi entrando no jogo do Braga foi conquistando o espaço que lhe pertenceu na época transacta e no final da temporada afirmou-se como o pensador por excelência do futebol bracarense. Os argentinos Aimar e Bellushi voltaram a entusiasmar com os seus golpes de classe mas ambos foram vitimas de problemas fisicos e acabaram por sofrer com uma certa irregularidade que só não afectou mais o colectivo, no caso do portista, pela aparição de Guarin. O Benfica pagou o preço de não ter tido uma alternativa à altura do seu criativo. Destaque igualmente para o batalhador Andre Leão, outro nome próprio do Paços de Ferreira de Rui Vitória.

 

 

Extremo Direito

Hulk

 

Foi o jogador do Campeonato, olhe por onde se olhe. Golos, assistências, espirito de liderança, Hulk encarnou o renascimento do FC Porto depois de dois anos onde dava já indicações de ser um jogador diferente. Utiliza o corpo como poucos, explora as transições com segurança mas também sabe aparecer nos espaços certos para definir. Marcou um terço dos seus golos de penalty mas quase todas as faltas sofreu-as ele também o que explica, de certa forma, a sua omnipresença no jogo dos dragões. O espirito do brasileiro, um dos mais agraviados pelos problemas disciplinários que marcaram 2010, ajudaram a liderar o projecto de Villas-Boas e deram ao FC Porto um plus de qualidade dificil de encontrar em todas as restantes ligas de topo do futebol europeu.

 

Outros: David Simão foi uma das mais agradáveis surpresas da Liga Sagres. No Paços de Ferreira passou do meio ao lado direito do ataque com finura e critério e dá a impressão de ser um jogador com um futuro muito interessante. Em Braga o brasileiro Alan continua a mostrar que a sua passagem pelo Dragão foi um lapsus numa carreira em Portugal verdadeiramente admirável. O argentino Jara teve menos tempo do que se imaginaria mas quando apareceu em boa forma deu um plus de qualidade ao ataque do Benfica que Jesus não aproveitou sempre da melhor forma.

 

Extremo Esquerdo

Varela

 

Apagou-se no final da época (deixando muitas vezes o lugar ao jovem James Rodriguez) mas na primeira parte da época foi o rei das assistências e dos golos importantes. O “Drogba” da Caparica revelou-se fundamental na estratégia desenhada por Villas-Boas e ofereceu a velocidade e descaro que faltava a um ataque estelar dos azuis e brancos. Sofreu um abaixamento de forma, alguns problemas musculares e foi-se tornando uma peça menos importante à medida que a prova avançava mas, mesmo assim, deixou bem marcada a sua marca na prova.

 

Outros: Pizzi chegou a Paços de Ferreira emprestado pelo Sporting de Braga e esta época fez méritos suficientes para conquistar um lugar ao sol na formação bracarense em 2011/12. Por outro lado o argentino Salvio mostrou finalmente aquilo que em Madrid tinha ficado por ver e foi importante nas sucessivas reviravoltas do Benfica na etapa mais quente do ano. Faltou-lhe mais regularidade nos momentos decisivos.  

 

 

Avançado

Falcao

 

Foi provavelmente o jogador mais importante do ano para o FC Porto e hoje é dificil olhar para Falcao e não ver nele um dos melhores pontas-de-lança do Mundo. O dianteiro colombiano já supera os números de todos os dianteiros portistas pós-Jardel e ninguém duvida que o seu estilo e influência no jogo supera inclusive o instinto assassino do brasileiro. Falcao marcou, deu a marcar e foi decisivo nos momentos mais importantes do ano. A sua lesão inoportuna e a sua espectacular recuperação, mérito inequivoco do trabalho do departamento médico azul e branco, deram pulmão para o final de temporada onde se começou a aproximar da série goleadora do brasileiro Hulk.

 

Outros: João Tomás continua a ser o melhor goleador português e os seus número no Rio Ave não enganam. Apesar da idade, apesar da falta de cartel, o dianteiro continua a falar a linguagem do golo como nenhum outro e afirma-se como o único português concretizador nos primeiros lugares da lista de melhores marcadores. Carlão, da União de Leiria, foi até à sua saida em Janeiro uma das peças mais concretizadores da Liga enquanto que o pacense Rondon mostrou uma maior regularidade aliada a uma profunda capacidade de marcar nos momentos decisivos. Cardozo, Bota de Prata em 2010, e o vimaranense Edgar, foram também nomes escritos na história da edição 2011 à base de golos.

 

Treinador

André Villas-Boas

 

Inevitavel reconhecimento para o brilhante trabalho de um técnico de 33 anos com poquissima experiência como técnico principal que no primeiro ano venceu tudo o que havia para ganhar, dentro e fora de portas, e de uma forma autoritária que, por muito que não o queira, transformam as comparações com José Mourinho em algo absolutamente inevitável. O FC Porto de Villas-Boas manteve o desenho e a estrutura mas mudou o sistema e a mentalidade e com isso devolveu os portuenses de volta ao topo. O futuro é seu e está claro que tem todas as condições para establecer uma nova tirania azul e branca antes da sua inevitável emigração

 

Outros: Rui Vitória merece uma menção especial já que o seu Paços de Ferreira foi, provavelmente uma das equipas que melhor jogou durante toda a época com os poucos recursos que dispunha. Domingos Paciência confirmou todo o seu talento como treinador mantendo o Braga na elite, ao mesmo tempo que apostava forte na Europa, e agora espera-se com curiosidade o seu próximo desafio em Alvalade. Manuel Machado continua a ser um treinador cumpridor. Depois da desilusão vivida em Guimarães no final da época passada o técnico prometeu devolver o Vitória à Europa e logrou-o pela posição na Liga Sagres mas também pela brilhante campanha na Taça de Portugal, a primeira final em 20 anos do clube.

 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 14:59 | link do post | comentar

2 comentários:
De DC a 28 de Maio de 2011 às 18:59
Silvio já tem transferência confirmada para o Atlético de Madrid e não para o Porto...


De Miguel Lourenço Pereira a 28 de Maio de 2011 às 19:04
DC,

É verdade, é o que dá ter as analises preparadas com antecipação quando os rumores indicavam como segura a mudança para o Dragão. Teria sido um negócio util para os campeões.

um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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