Paços de Ferreira
Quando a equipa decidiu não inscrever-se nas provas europeias os jogadores baixaram o pé do acelarador. Mas mesmo assim tiveram a ousadia de estragar, nem que fosse um pouco, a consagração do campeão. Espelho de uma excelente época para o último sobrevivente do tecido do vale do Ave, um clube sem dinheiro para gastar mas que continua a ser um oásis numa crua realidade desportiva made in Portugal.
Uma equipa com um orçamento diminuto e com tendência a jogar bom futebol é sempre uma lufada de ar fresco. David Simão, Pizzi, Cássio, Rondon, André Leão e Baiano foram os rostos que se destacaram no projecto de Rui Vitória, que se consolida como um dos técnicos mais promissores da competição. Vitória transformou a Mata Real num fortim, apostou numa táctica de posse de bola e pendor ofensivo e acabou por manter-se sempre na primeira metade da tabela. Os gastos que uma pré-eliminatória na Europe League significam para um clube sempre contra as cordas influenciaram a decisão final da direcção, mas o mérito da época do Paços de Ferreira merecia essa recompensa com perfume europeu.
Rio Ave
Carlos Brito é um sobrevivente e um dos rostos mais consensuais do futebol em Portugal.
Durante a última década e meia, e salvo momentos pontuais, transformou o seu Rio Ave numa equipa popular, atrevida e ofensiva que sempre acaba por surpreender o mais céptico dos adeptos. Os golos de João Tomás e as brilhantes exibições de Vitor Gomes e Bruno Gama, foram o corolário de um ano em que os vila condenses voltaram a ser um dos conjuntos que melhor futebol praticou sobre os relvados da Liga Sagres.
Os resultados nem sempre acompanharam a equipa do Rio Ave mas com um orçamento minusculo e um lote de jogadores novos contratados à última hora pouco mais se podia pedir de uma equipa que acabou, merecidamente, por entrar na luta pela Europa, um dos objectivos pendentes de Brito.
Marítimo
Depois de naufragar cedo na Europa o Maritimo passou um ano relativamente tranquilo. Perdeu-se a vontade de voltar aos postos europeus e apostou-se pela tranquilidade que mesmo assim não foi uma constante. Mitchell van der Gaag viveu momentos muito complicados nos Barreiros e acabou por ser vitima dos resultados quando a situação se começou a complicar em demasia e os postos de despromoção estavam já ao virar da esquina.
A partir daí a equipa de Pedro Martins, onde se destacou Diawara, respirou fundo e meteu a quinta velocidade benificiando também da súbita baixa de forma de Leiria e Beira-Mar, equipas que prometeram mais do que puderam cumprir. Sem nunca ter chegado perto da luta pela Europa, ganha na última jornada em 2010 em terreno “inimigo”, e sem ter sido capazes de bater o seu rival insular, ao Maritimo resta o consolo de ter andado sempre longe dos lugares perigosos da tabela.

