Leiria
Esteve perto de regressar à Europa e acabou por sofrer com o estigma da despromoção.
A época da União de Leiria foi sempre em sentido descendente e o conjunto da cidade do Lis pagou o preço de uma excessiva ambição sem uma base sólida na qual por-se em bicos de pés. Se muitos aplaudiam de pé a labor inicial de Pedro Caixinha, o jogo fluido de Carlão e companhia, os sucessivos – e tantas vezes inexplicáveis – tropeções do conjunto leiriense voltaram a colocar dúvidas à volta de um clube incapaz de mobilizar as gentes da cidade e de manter um projecto sólido de uma temporada para a seguinte.
Se o Leiria das primeiras jornadas deixava antever uma luz ao fundo do tunel a equipa do final de ano revelou-se um verdadeiro deserto de ideias. Nesse clima de desconforto é dificil qualificar um trabalho que prometia tanto e entregou tão pouco. Leiria continua ser entender o seu clube – e a polémica do Municipal é apenas a ponta do icebergue – e o clube continua a sobreviver sem ter o futuro sob controlo, uma jogada que tem tanto de arriscada como de perigosa. E talvez de inevitável também!
Olhanense
Sem Jorge Costa e os fundamentais empréstimos dos grandes adivinhava-se um ano bastante complicado para a Olhanense.
A equipa algarvia enfrentava o seu segundo ano na elite com algum temor mas no final soube sofrer até ao fim sem deixar de dar a cara. Os olhanenses nem sempre jogaram bem, nem sempre foram eficazes mas nunca desistiram e nos duelos directos souberam retirar pontos preciosos que permitiu abrir uma pequena margem de conforto que foi gerida com normalidade até ao final do ano. Na odiosa comparação com o seu rival algarvio, o recém-promovido Portimonense, o Olhanense mostrou ser uma equipa mais preparada para os desafios da Liga Sagres, espelho natural da sua rápida adaptação.
A equipa técnica de Daúto Faquirá acabou por revelar-se a grande responsável pelo facto de que, pelo terceiro ano consecutivo, haverá futebol de primeira em Olhão.
Vitoria Setúbal
Os problemas financeiros do Vitória de Setúbal estão destinados a condenar qualquer possibilidade de crescimento do conjunto sadino.
Nesse contexto a luta pela salvação é o único objectivo a que a equipa pode ambicionar e, nesse sentido, a época 2010/11 foi um sucesso. Houve a habitual dose de sofrimento e não tivessem os sadinos batido o Sporting na penultima jornada e talvez a matemática tivesse criado um sério problema à equipa de Setúbal. Mas os adeptos já estão habituados e sabem que, com os constantes vai e vens de jogadores, técnicos e directivos, pouco mais se pode lograr.
O Vitória de Setúbal arrancou o ano com mais uma legião de jogadores contratados à última hora e viveu toda a temporada no fio da navalha. O trabalho de Manuel Fernandes, o habitual bombeiro do Bonfim, deu alguma estabilidade emocional ao conjunto verde e branco mas não resolveu os problemas mais graves da equipa. Nem a garra de Pittbull, nem o talento de Neca foram capazes de criar uma dinâmica colectiva ascendente e jornada após jornada as contas complicavam-se seriamente. Sem Manuel Fernandes, o clube não deu um salto qualitativo mas o curto mandato de Bruno Ribeiro permitiu conseguir pontos chave em jogos importantes. Essenciais para a soma final que permitiu uma salvação aparentemente tranquila mas profundamente enganadora. Este Setúbal sabe que, na sua realidade actual, brincar com o fogo pode provocar a curto prazo queimaduras dificeis de curar.
Beira-Mar
Durante as primeiras jornadas houve verdadeiro receio em Aveiro de que o regresso à elite do futebol português fosse um sonho com data de caducidade.
Os problemas financeiros, esse cancro que o futebol regional português não consegue resolver, pareciam condenar o projecto de Leonardo Jardim, um dos treinadores da moda que não teve problemas em sair do barco quando os rumores da sua transferência para o Braga se tornaram impossiveis de ignorar. Jardim, o homem que orquestrou a promoção com uma equipa sem muito talento mas a quem sobrava a alma, aguentou os primeiros golpes e endireitou o rumo do navio mas não ficou para recolher os louros. Coube a Rui Bento continuar o projecto, com várias dúvidas aqui e a li, mas sempre com a certeza que havia sempre equipas que acabavam por fazer pior que os aveirenses. Os jogos em casa tornaram-se fundamentais para o Beira-Mar e, no final o sufrimento não foi tanto quanto o esperado.
Académica
A equipa que arrancou com Jorge Costa a temporada 2010/2011 prometia muito. A que terminou a época, com Ulisses Morais ao leme, foi a grande desilusão do torneio.
Durante largos meses a Briosa sonhou com a Europa, com um regresso aos postos mais altos da tabela. Herdando a estrutura deixada por Domingos e Villas-Boas, o antigo capitão do FC Porto montou um conjunto ofensivo, atractivo e profundamente solidário que permitiu ao conjunto estudante manter-se nos primeiros postos durante o primeiro terço da época. A abrupta saída do técnico, por motivos pessoais nunca explicados, abriu um fosso do qual os conimbricenses nunca se recuperariam.
O conjunto perdeu a chama, a eficácia e foi entrando uma perigosa dinâmica que acabou por atirá-los da luta pela Europa ao desespero pela salvação, um fantasma que continua a rondar em Coimbra ano após ano. Valeu ao conjunto local a boa época de Peiser e Sougou, sempre prontos a remar contra a maré, e os desacertos dos rivais mais directos que nunca souberam aproveitar os tropeções da Briosa. Como o inicio da temporada deixou antever há muito que há estrutura suficiente para a Académica dar um salto qualitativo real mas por um motivo ou outro, o drama da despromoção continua a ser um problema que a histórica Académica parece incapaz de resolver. Em 2011/12 ficamos à espera de saber que rosto da Briosa acabaremos por encontrar no final do ano.

