Portimonense
Houve muita ilusão à volta do regresso do Portimonense à Liga Sagres.
Depois de muitos anos sem conjuntos algarvios a prova ia viver o seu primeiro derby regional em muitos, muitos anos. Mas as conhecidas fragilidades do clube de Portimão foram sempre evidentes e a permanência revelou-se um desafio talvez demasiado dificil para um projecto que está a crescer mas que ainda necessita de mais estruturação para triunfar.
Jogar quase toda a primeira volta longe de casa, do calor e força dos fervorosos adeptos locais, foi um duro handicap que teve o seu preço. Em lugar de fazer de Portimão o seu bastião os pontos perdidos em casa revelaram-se decisivos nos duelos com as restantes equipas da parte baixa da tabela. Sem dinheiro, o conjunto algarvio viveu da bondade de estranhos, neste caso do FC Porto que emprestou vários atletas à entidade alvinegra sem que nenhum deles, com a excepção de Ventura, tenha deixado um impacto significativo, todo o contrário do que pode presumir o Olhanense na época anterior. Sem essa estrutura dentro e fora do terreno de jogo a falta de fluidez de jogo e de golos tornaram inevitavel o estatuto de lanterna vermelha que o Portimonense manteve ao largo de grande parte da época.
Nem o honroso sprint final lhes serviu porque os rivais directos, Setúbal e Académica, souberam fazer os trabalhos de casa a tempo e evitaram assim, pela primeira vez em muito tempo, a agonia da última jornada para fazer contas. O projecto algarvio tem pernas para andar, resta saber se como a despromoção será recibida numa cidade que pode voltar a respirar futebol de primeira depois de vinte anos de longos suspiros de nostalgia.
Naval 1º de Maio
Ano após ano o clube figueirense entrava directamente nas listas dos principais candidatos à despromoção.
Ano após ano encontrava forma de salvar-se comodamente. Há cinco anos, quando aterrou pela primeira vez na Liga Sagres, a Naval 1º de Maio era um alienigena no futebol português. Um clube sem história, sem grande apoio popular, sem dinheiro para gastar e sem um estilo de jogo convincente. Durante este periodo de tempo foi talvez uma das equipas mais cinzentas do país. Talvez por isso poucos sintam a sua falta entre o top 16 do futebol luso.
O conjunto que arrancou, um ano mais, com muitas incorporações estrangeiras, não demorou a dar uma profunda sensação de fragilizado. Muitos erros atrás, demasiada ineficácia à frente. Sem um desiquilibrador no onze, os figueirenses foram vivendo do colectivo até onde este lhes permitia chegar. Nem a vitória com o Benfica e o empate com o Sporting serão recordados como um grande feito de um clube que acabou nas mãos de Carlos Mozer, incapaz de dar a volta à situação, depois dos desastrosos mandatos de anteriores. Teme-se que para um clube tão sui generis como a Naval a despromoção seja mais um longo adeus que um breve até já.

