Aos 22 anos é já um dos melhores jogadores do Velho Continente.
Nada surpreendente para quem o vê jogar desde novo, desde esses dias em Rennes onde, ainda adolescente, comandava com a firmeza de um general o onze do norte francês numa das suas temporadas mais memoráveis. Yohan Gourcuff nasceu para ser o lider da nova França. Sem o mediatismo de Frank Ribery e sem as capas de jornais vendidas de Samir Nasri, é dele que os gauleses esperam que surja a voz de comando no próximo mundial da África do Sul. Gourcuff é mais do que o novo Zidane, ele é já um nome próprio de respeito. Laurent Blanc agradece. Graças a ele o seu Girondins Bordeaux prepara-se para voltar a ser campeão.

O jovem centro campista começou muito novo - com 15 anos no Lorient - e a sua posterior explosão na Ligue 1 com o Rennes de Lazslo Boloni (em três anos fez 66 jogos e marcou 6 golos) foi de tal forma meteórica que de jovem promessa passou a clara certeza. O AC Milan antecipou-se aos rivais europeus, que já salivavam pelo novo Zizou e contratou o jovem enviando-o de imediato para Millanelo. Em Itália o médio bebeu pouco futebol e trabalhou em excesso o ginásio. Ancelloti não o viu preparado para a dureza da Serie A e em lugar de o convocar para trabalhar ao lado de Kaká, Pirlo, Gattuso e companhia, enviou-o para ganhar "corpo" de forma a estar apto fisicamente. O talento, já sabiam, tinha-o de sobra. O francês sofreu. Faltava-lhe o relvado, a bola a rolar, os espaços que criar. Durante dois anos penou em Milão até que fez um ultimato ao técnico. Queria uma oportunidade. O veterano Ancelloti, pouco crente na evolução do pequeno, decidiu enviá-lo de volta a casa. Emprestado ao Bordeaux, então a lutar por voltar às provas europeias. Truque de magia, de um momento para o outro, o destino voltou a piscar o olho a Gourcuff.

Na Gasconha o médio encontrou em Laurent Blanc um técnico que percebia o seu estilo de jogo e aplaudia o seu talento inato. Rapidamente percebeu que o médio era um lider nato, o lider que procurava para o seu meio campo. E colocou-o no eixo da forte defesa e do letal ataque girondês. Gourcuff voltou a sentir-se como peixe na água. Era o patrão de Rennes outra vez e com uma finura ainda mais aguçada. Escusado será dizer que as horas extras em Milão serviram para algo e fisicamente Gourcuff é hoje um portento. A época perfeita do clube do sudoeste francês está prestes a tornar-se histórica. Desde há muito que o clube não festeja nas ruas um titulo, algo que nem logrou nem nos dias de Zinedine Zidane, esse eterno mago a quem sempre comparam o jovem número 8.
A selecção francesa é cada vez mais uma realidade - por muita teimosia que tenha Raymond Domenech - para este jovem nascido no quente Verão de 1986 e que vai cumprir já a sua oitava época como profissional. Estreou-se finalmente com a camisola principal em 2008 e poucos acreditam que o polémico seleccionador não o vejo como elemento nuclear da sua equipa no Mundial. Vai receber o prémio de jogador do ano em França e o AC Milan suspira pelo seu regresso, agora que Kaka parece perdido de vez. Mas o Bordeaux tem uma cláusula de 15 milhões que já decidiu pagar para ficar com o pequeno astro. Na Bretanha ninguém duvida que será a melhor contratação para o próximo ano e o próprio médio sabe que precisa de brilhar para estar no Mundial e Milão já o desiludiu uma vez. Mas também sabe que para chegar ao nivel do seu idolo tem de se preparar para dar o salto definitivo e consagrar-se entre os maiores.

