
Guarda Redes
Manuel Neuer
Depois do Mundial o nome de Neuer começou a fazer parte do vocabulário habitual de qualquer seguidor da Bundesliga. A verdade é que há muito que o guardião era pedra angular no Schalke 04 e em 2010/11 voltou a sê-lo durante todo o ano. Mesmo quando a equipa caía no fundo da tabela. Defesas impossiveis, um espirito de liderança incontestado e um talento notorio e ineg+avel, o trabalho de Neuer durante todo o ano foi de primeiro nivel e não surpreenda ninguém que em Munique estejam desejosos de contar com um sucessor à altura de Kahn depois de várias experiências falhadas.
Outros: Até à sua lesão, a finais da época passada, Rene Adler era consensualmente o guarda-redes alemão mais aclamado. Mas o Mundial e a notável época de Neuer atiraram com o número 1 do Bayer Leverkusen para a sombra. Mesmo assim a sua temporada foi memorável e Adler foi sem dúvida peça chave em garantir o apuramento automatico do modesto clube de Leverkusen para a próxima Champions League. Nas redes do campeão um velho veterano. Weidenfeller foi imenso durante todo o ano e a sua experiência transformou-se num verdadeiro seguro de vida para os homens de Klopp que se sagraram nos campeões mais jovens da história da Bundesliga.
Defesas Laterais
Daniel Schwaab e Christoph Pogatetz
Rápido e certeiro, Daniel Schwaab foi um quebra cabeça para defesas, extremos e avançados durante toda a temporada. O lateral de 22 anos faz parte da geração campeã da Europa de sub-21 pela Alemanha em 2009 e parece finalmente estar a cumprir o muito que então já prometia. Rápido, certeiro na marcação individual, preciso nos cruzamentos, é o protótipo do lateral total que a Mannschafft certamente irá aproveitar para os próximos compromissos internacionais. Do lado oposto da defesa, o austriaco Pogatetz foi a personificação da preserverança e disciplina. Elemento chave da defesa do Hannover 96, uma das surpresas do ano, o lateral soube quando tinha de atacar, quando tinha de defender e quando subia no terreno permitindo uma maior profundidade de jogo ao meio-campo de Hannover, uma das equipas fetiche do torneio.
Outros: Anders Beck continua a ser um dos laterais de moda do futebol alemão e quem seguiu a temporada do defesa do Hoffenheim entende bem porquê. Rápido, bom sentido de colocação e determinado, Beck tem todas as condições para dar o salto a um grande e também, porque não, a aspirar a mais minutos na Manschaftt. Em Munique o histórico Philip Lahm continua a ser um caso à parte. No naufrágio colectivo do conjunto bávaro ele foi sempre um dos elementos mais regulares durante a época evitando, vezes sem fim, males maiores para o Bayern.
Defesas Centrais
Matt Hummells e Andreas Wolf
Alguém no Bayern Munchen deve perguntar-se diariamente o motivo da dispensa daquele que é já o mais promissor central do futebol alemão da última década. Hummels não vingou no Allianz Arena mas foi aproveitado, e de que maneira, pelo Dortmund de Kloop. Com boa saida de bola, precisão cirurgica no desarme e um espirito de liderança anormal para um central tão jovem, Matt Hummels foi peça nuclear na conquista do titulo. Joachin Low ainda não se viu totalmente convencido pelo estilo de jogo do central, às vezes demasiado directo, mas tarde ou cedo Hummels será uma presença segura na Mannschaft.
No Nuremberg o grande destaque do ano foi a época realizada por Andreas Wolf. O capitão do clube bávaro, o jovem de ascendência russa leva 10 anos ao serviço do clube. Esteve na 2. Bundesliga e foi fundamental na promoção do conjunto histórico. Este ano surpreendeu tudo e todos e realizou uma época quase perfeita lembrando que no jovem futebol alemão ainda há centrais da velha escola ao mais alto nível.
Outros: O sérvio Nenad Subotic consolidou-se como um dos melhores centrais do futebol europeu e a sua parceria com Hummels foi chave para a segurança defensiva do campeão alemão. Howedes confirmou no Schalke 04 todo o optimismo que rodeou os seus primeiros anos e é já uma figura de referência no futebol alemão. O ganês Isaach Vorsah foi uma das agradáveis surpresas da prova, sempre um degrau acima dos demais.
Médios
Arturo Vidal , Nuri Sahin e Shinji Kagawa
Não é por acaso que Jupp Heynckhes está a fazer de tudo para que o Bayern Munchen roube o chileno Arturo Vidal aos quadros do Leverkusen. O médio foi o pulmão e fiel de balança da modesta equipa vermelha e negra e um dos jogadores mais consistentes do torneio jornada após jornada. Depois de um ano de adaptação, Vidal finalmente explodiu e tornou-se num caso sério para seguir bem de perto. Algo que os adeptos do Borussia de Dortmund terão de fazer à distância com Nuri Sahin. O médio turco-alemão confirmou, cinco anos depois da sua estreia, com apenas 16 anos, que é um dos jogadores europeus com maior futuro. Foi a alma e coração dos campeões alemães e do seu magnifico pé esquerdo sairam alguns dos momentos mais inesqueciveis da temporada. Quem parece que fica, por enquanto, é o japonês Kagawa. Contratação surpresa, o médio avançado chegou da segunda divisão nipónica para impor-se com contundência no miolo do carrossel ofensivo da equipa de Kloop. Mais inconstante que Sahin, foi no entanto o seu melhor parceiro.
Outros: Apesar do sofrimetno até ao final, o Borussia de Monchenlagdbach contou nas suas fileiras com alguns dos jogadores jovens mais excitantes do ano. Destaque especial para Marco Reus, um médio formado na cantera do Dortmund e que encontrou no outro Borussia o espaço necessário para explodir. No Schalke 04 a reviravolta começou, em parte, quando Alexander Baumjohann, um médio incisivo e dinâmico que funcionou perfeitamente como escudeiro de Raul e Farfan. Em Leverkusen o outro grande destaque do ano foi o jovem médio Lars Bender, irmão gémeo de Sven Bender, jogador do Dortmund. Herdou o lugar de Michael Ballack quando o capitão se lesionou e tornou-se no parceiro perfeito de Vidal na temporização do jogo do Bayer.
Extremos
Thomas Muller e Mario Gotze
O jovem Muller passou a prova do primeiro ano e confirmou tudo aquilo que podia esperar dele. Foi um dos reis de assistências da Bundesliga, o segundo melhor marcador do Bayern (à frente de Ribery, Robben e Olic) e revelou-se fundamental na conexão ofensiva com Gomez. Descaído pela ala direita, sempre com propensão a apostar em diagonais rumo à baliza, Muller foi um dos grandes atractivos individuais do torneio. Do outro lado da barricada, Gotze foi a grande revelação. Apenas 19 anos e já uma confiança para comer o mundo, o extremo esquerdo do Borussia Dortmund representou tudo aquilo que fez do clube de Kloop campeão alemão. Uma época para encadernar.
Outros: Kevin Grosskreutz é um dos rostos por excelência deste novo Borussia Dortmund. Jovem, atrevido, rápido, hábil com ambos pés, o seu jogo lateral foi uma das armas preferidas do conjunto vestfaliano para driblar as defesas rivais. Sem dúvida um dos jogadores alemães a seguir com máxima atenção. Tal como o pequeno Lewis Holtby. Sem espaço, aparente, no seu Schalke 04, foi em Mainz que se encontrou mais cómodo do que nunca e ajudou, com os seus passes de golo e tentos decisivos, a levar o modesto clube saxão a um posto europeu depois de ter sido, durante largas jornadas, o único rival do Borussia.
Avançado
Mario Gomez
Em 2010 ficou a sensação de que os 30 milhões que o Bayern Munchen tinha pago por Mario Gomez tinham sido mal gastos. Ivica Olic tinha sido o homem de confiança de van Gaal e até o veterano Klose tinha mais minutos nas pernas que o dianteiro. Este ano tudo foi diferente. Gomez soltou-se e começou a fazer o que sabe melhor. Começou a marcar em Setembro e não parou até Maio, confirmando o seu titulo de melhor marcador do ano com uma solvência inusitada. Foi um dos poucos jogadores do Bayern que sobreviveram à péssima gestão desportiva dos bávaros e a sua imagem saiu reforçada dentro da selecção alemã.
Outros: Notável época de Cissé, um verdadeiro goleador que disputou cada lance como se fosse o último da sua vida. Os seus registos, com uma equipa modesto como o Freiburg, agrandam ainda mais a sua lenda. O espanhol Raúl decidiu trocar a comodidade da Castellana pelo duro mundo do Veltins Arena. Brilhou mais na Europa e na Taça Alemã do que na Bundesliga, mas deixou também detalhes de enorme classe e talento que o avalam como um dos grandes dianteiros da história. Ao serviço do campeão, Lucas Barrios voltou a demonstrar que é um predador de área de alto nível. Com os seus golos o titulo do Borussia ficou mais fácil.
Treinador
Jurgen Kloop
O futebol alemão deve muito a este jovem técnico que decidiu desafiar o establishment com um mecanismo de jogo electrizante. Kloop recebeu o desafio de pegar no clube com maior apoio popular da Bundesliga, sem dinheiro para investir, e voltar a encontrar o caminho da vitória. E fê-lo com um estilo muito próprio, descomplexado, atractivo e profundamente atacante. O Borussia de Kloop é uma máquina de ataque afinada, apoiada numa média de idades tremendamente jovem para a alta competição, e que entrará certamente na galeria das grandes equipas que venceram a Bundesliga. O grande desafio passa por sobreviver ao saque que já começou no Westfallenstadion dos seus melhores craques.
Outros: Jupp Heynckhes voltou a mostrar que é um técnico que sabe fazer funcionar um projecto. O modesto Bayer Leverkusen começou o ano sem a sua referência, o regressado Michael Ballack, mas ninguém notou. O técnico que para o ano estará, uma vez mais, no Allianz Arena, montou um bloco equilibrado, sólido e foi o único que aguentou o ritmo do Borussia de Dortmund até perto do fim. Thomas Tuchel, técnico do Mainz, e Mirko Slomka do Hannover 96, foram rostos dessa nova vaga de jovens técnicos que com poucos meios e muita imaginação são capazes de desafiar, sem piedade, o status quo da ocmpetição.
A revolução amarela deu nova cor ao espectáculo da Bundesliga.
No ano em que o campeonato alemão superou, finalmente, a Serie A e entrou no pódio das ligas mais importantes do Velho Continente, uma velha glória mostrou o seu melhor rosto e revolucionou por completo a hierarquia do futebol teutónico. O triunfo esmagador do Borussia de Dortmund é o espelho perfeito deste novo futebol alemão.
Mais do que nunca a Bundesliga assemelha-se à realidade dos anos 70, a década gloriosa do futebol germânico. Futebol de ataque, futebol que aposta na juventude local, futebol com as contas controladas ao máximo. Futebol para todos.
No estádio mais emblemático do torneio a festa foi amarela e durou todo o ano. Contra as expectativas o Borussia de Dortmund, uma equipa que há um par de anos esteve bem perto da falência, ressuscitou. Sob o mandato de Jurgen Kloop, o técnico de moda da Bundesliga, o equivalente clubistico a Joachin Low – até no estilo de gentleman alternativo e descomplexado que desafia os velhos canones alemães - a vitória do Dortmund foi inequivoca. Uma equipa profundamente ofensiva, insultantemente jovem e com os pés no chão, o Borussia foi tudo o que o seu histórico rival, o Bayern Munchen não conseguiu ser. Kloop apostou, como tem sido hábito, na prata da casa e a maturidade ganha nos últimos anos começou a dar os seus frutos. Hummels e Subotic foram os patrões da defesa, Sahin, Bender os pendulos do miolo, Gotze e Grossekreutz as asas do ataque e Kagawa e Barrios os implacáveis goleadores. O Borussia não só se assenhoreou da Bundesliga como manteve o ritmo durante todo o ano chegando rapidamente à liderança da prova para não mais a perder. Vitórias complicadas em Munique, Bremen, Gelsenkirchen ou Leverkusen foram suficientes para abrir um fosso que Kloop soube gerir até ao fim. O titulo foi talvez o mais saboroso da história do clube porque, pela primeira vez, foi ganho com a prata da casa e não com os milhões gastos em formar as equipas de 1995 e 2002. Até nisso o Borussia soube encarnar na perfeição os novos tempos.
Do outro lado do espelho, o Hollywood FC, como é conhecido jocosamente o Bayern Munchen, voltou a demonstrar a sua tremenda irregularidade. Depois de um ano histórico, van Gaal perdeu o controlo do balneário e a sua equipa, marcada pelas lesões de Robben e Ribery e os afastamentos de Demichelis e van Bommell (que sairiam em Janeiro), andou durante grande parte do ano perdida no meio da tabela. Os golos de Gomez e o imenso trabalho de Muller foram os catalizadores da recuperação dos bávaros mas ficou claro que o projecto do Allianz Arena precisa de definir as suas prioridades futuras. Heynckhes será o encarregado de recomeçar do zero deixando atrás de si um Bayer Leverkusen mais forte do que nunca. Depois de três anos o pequeno clube de Leverkusen assumiu-se definitivamente como equipa da parte alta da tabela. Muito material jovem bem trabalhado, uma gestão financeira e desportiva impecável e algumas contratações círurgicas, e este Bayer terá todas as condições para sobreviver à saída do seu treinador.
O mesmo não se pode dizer, de antemão, dos grandes candidatos ao titulo que foram ficando pelo caminho e que acabaram, vergonhosamente, por limitar-se a lutar pela salvação até ao fim. Schalke 04, Werder Bremen, Stuttgart e, sobretudo, Wolfsburg, foram as máximas decepções do ano. Se os de Gelsenkirchen salvaram a época com as performances na Taça e Champions League, os restantes não tiveram forma de limpar uma péssima imagem. O Wolfsburg teve mesmo de sofrer até ao último dia e sem Diego e Dzeko, para a próxima época, reeditar o titulo de 2009 transforma-se ainda mais numa utopia.
Longe do descontrolo deste quarteto, a Bundesliga voltou a demonstrar que é provavelmente o torneio mais equilibrado e bem organizado das grandes provas europeias. Clubes sem um grande orçamento mas muitissimo bem geridas, souberam carimbar o seu bilhete europeu com solvência e determinação. O caso perfeito encontra-se em Mainz, onde o modesto clube local pareceu ser a sombra do campeão Dortmund durante meia época. O trabalho de Thomas Tuchel, o talento da dupla Holtby-Szalai e o espirito colectivo de uma equipa que muitos condenavam à despromoção transformaram o Mainz na sensação do torneio. Em menor medida, mas utilizando a mesma receita, o Hannover 96 passou de ser uma equipa sem ambição a um claro candidato europeu sem grandes nomes no plantel mas com uma gestão humana absolutamente exemplar. E que dizer, igualmente de Hoffenheim, Nuremberg e o recém-promovido Kaiserlautern, equipas que souberam superar constantemente as expectativas. No lado oposto o sofrimento do modesto St. Pauli, o clube alternativo de Hamburgo, e do histórico Eintracht Frankfurt (despromovido na última jornada depois de ter passado grande parte do ano em postos de salvação), numa das lutas pela manutenção mais equilibradas dos últimos anos, falam bem da competitividade do torneio que para o ano voltará a ter um representante da capital.
A Bundesliga é, claramente, a liga mais rejuvenescida e dinâmica dos campeonatos europeus. Ao contrário dos seus rivais directos as assistências aumentaram, os contratos televisivos repartem de forma equitativa os lucros e os clubes estão, pela primeira vez em muito tempo, a aproveitar ao máximo os productos da sua formação, a melhor da Europa actualmente. A habitual indecisão que pauta o futuro do torneio garante que um Dortmund envolvido na Champions League e sem algumas figuras terá uma labor complicada para repetir o titulo. Por tudo isso, e muito mais, a nova época já aquece e ninguém é capaz de antever quem celebrará o titulo daqui a um ano.

