Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

A certa altura o Jamor parecia o recreio da escola em que um grupo de miudos se preparava para mais um desses jogos de "muda aos cinco e acaba aos dez". Não se chegou a esse extremo e o jogo até esteve mais equilibrado do que possa imaginar pelos números frios do resultado final mas ficou evidente que o FC Porto em 2010/11 caminhou num mundo à parte. Na final da Taça de Portugal quiseram deixá-lo bem claro, esmagando outro rival minhoto sem pedalada para esta tremenda equipa azul e branca.

 

Nunca o FC Porto tinha ganho três Taças de Portugal de forma consecutiva.

Sempre contra rivais do Norte, sempre num estádio, como diz Villas-Boas, histórico mas a cair de velho. Mas nunca com tamanha superioridade. Depois das vitórias de Jesualdo Ferreira, a consagração de Villas-Boas e o broche perfeito a uma época inesquecível. Se em Dublin a exibição tinha sido pouco entusiasmante, muito por culpa do jogo cuidado e táctico do Braga, no Jamor foi o espelho perfeito da filosofia robsoniana a que Villas-Boas acude quando gosta de falar de origens. O FC Porto passou uma tarde solarenga em Oeiras com o pé constantemente no acelerador e saiu do estádio Nacional com mais do que um troféu nas mãos. Saiu com o sentimento do dever cumprido, de uma vitória que completa um "Poker" histórico que nem José Mourinho logrou conquistar. Uma época que começou na Supertaça de Aveiro frente ao Benfica e que terminou no abate ao Vitória de Guimarães que nunca soube por cordura num jogo eléctrico e de causa-efeito. Os vimaranenses chegavam com a esperança que os festejos europeus dos dragões passassem factura mas a verdade é que encontraram com uma equipa mais desperta e dinâmica do que nunca. Sem uma referência fixa no ataque, pela ausência por lesão de Falcao, o FC Porto destroçou o jogo defensivo do Vitória com as sucessivas trocas de posição entre Varela, Hulk e James Rodriguez. O colombiano não se limitou a marcar o hat-trick e a ser o homem do jogo. Foi também o espelho moral em que se mediu esta equipa, com uma fome tremenda de glória. Começou por ter poucos minutos mas foi encontrando o seu espaço na estrutura montada por Villas-Boas e é, inequivocamente, uma das figuras chave deste final de temporada confirmando tudo aquilo que deixava antever nos seus dias do Banfield.

 

O jogo começou frenético com um golo azul e branco aos 4 minutos.

James foi oportuno e abriu a contenda mas pouco depois o Vitória mostrou que não vinha a festa alheia e com a ajuda de Álvaro Pereira igualou o choque. A bola dançava nos pés dos azuis e brancos que evidenciavam pouco cansaço de uma semana histórica, talvez porque havia a consciência de que o último jogo era também um dos mais importantes do ano e que havia a forçosa necessidade de ir buscar forças onde fosse possível. Varela, fisicamente em baixo desde Março, levou a filosofia à prática e ampliou de novo a vantagem antes que um imenso Edgar, nos ares, voltasse a desfeitear Beto. Foi a última vez em que se ouviu falar do Vitória de Guimarães. A partir de aí o jogo passou a ser um monólogo azul e branco com Rolando e Hulk, este de canto directo com muitas culpas para Nilsson, a ampliarem a vantagem para os 4-2.

O jogo estava aparentemente decidido quando Edgar teve nos pés a oportunidade de levar para o balneário uma sensação de alivio para os vitorianos e de preocupação para os homens de Villas-Boas. Não só desperdiçou o penalty (na segunda parte falhou outros tantos golos) como na continuação o demoniaco James marcou o quinto. Como miudo deve ter-se lembrado dessas peladinhas de muda e troca e saiu para os balneários com o resto da equipa exultante. A final tinha acabado, a goleada não.

O segundo tempo deu para celebrar, para homenagear Mariano Gonzalez, um dos mais amados jogadores do balneário azul e branco, e também para marcar o sexto golo, de novo por James, deixando o Porto a apenas dois tentos de igualar o recorde histórico do Benfica de golos marcados numa só final (8, ao Estorial Praia). Os azuis e brancos confirmavam a sua 16º vitória na prova, superando aqui também os números do Sporting, e ao mesmo tempo igualavam (ou superavam, tendo em conta o que se possa pensar da Taça Latina) o eterno rival Benfica em titulos. Muitas razões para celebrar e o ambiente era de festa evidente, muito mais do que se podia antecipar com uma vitória na Taça depois de vencer Liga e Europe League nas semanas prévias. É essa sensação de fome de titutos que distingue este FC Porto de Villas-Boas do do seu antecessor (que venceu 3 ligas e 2 Taças em quatro anos) e dá sinais inequivocos de que, para o ano, o FC Porto continua a ser o máximo favorito nos troféus domésticos, por muito que se espera melhoras substanciais de Benfica e Sporting. No outro lado do campo, derrotados pela quinta vez em cinco finais, os adeptos do Vitória voltaram resignados à cidade-berço com o consolo de mais uma participação nas provas europeias e a sensação do dever cumprido.

Triunfal, o FC Porto soube esmagar o Vitória de Guimarães sem abdicar da sua filosofia de futebol cuidado mas tremendamente ofensivo. Soube ter a bola nos pés para pautar o ritmo e soube pisar o acelerador para moldar o jogo à sua medida. Mais do que os golos foi a avalanche ofensiva que diferenciou este Porto dos seus antecessores e que, de passo, serviu para confirmar a imensa superioridade do conjunto azul e branco face aos rivais directos. Bateu o Benfica na Liga, o Braga na Europa e o Vitória na Taça. Em todas as competições foi claramente superior em todos os momentos da época. E se muitos querem imaginar um segundo ano à Mourinho, com vitória na Champions League incluida, o mais sensato é pensar que a hegemonia doméstica, resgatada por um ano pelo Benfica de Jesus, é o objectivo prioritário e mais acessível para os dragões. Este ano já está escrito a letras de ouro na história do futebol português. O próximo promete ser ainda mais apaixonante!



Miguel Lourenço Pereira às 15:22 | link do post | comentar

 

Leiria


Esteve perto de regressar à Europa e acabou por sofrer com o estigma da despromoção.

 

A época da União de Leiria foi sempre em sentido descendente e o conjunto da cidade do Lis pagou o preço de uma excessiva ambição sem uma base sólida na qual por-se em bicos de pés. Se muitos aplaudiam de pé a labor inicial de Pedro Caixinha, o jogo fluido de Carlão e companhia, os sucessivos – e tantas vezes inexplicáveis – tropeções do conjunto leiriense voltaram a colocar dúvidas à volta de um clube incapaz de mobilizar as gentes da cidade e de manter um projecto sólido de uma temporada para a seguinte.

 

Se o Leiria das primeiras jornadas deixava antever uma luz ao fundo do tunel a equipa do final de ano revelou-se um verdadeiro deserto de ideias. Nesse clima de desconforto é dificil qualificar um trabalho que prometia tanto e entregou tão pouco. Leiria continua ser entender o seu clube – e a polémica do Municipal é apenas a ponta do icebergue – e o clube continua a sobreviver sem ter o futuro sob controlo, uma jogada que tem tanto de arriscada como de perigosa. E talvez de inevitável também!

 

Olhanense


Sem Jorge Costa e os fundamentais empréstimos dos grandes adivinhava-se um ano bastante complicado para a Olhanense.

 

A equipa algarvia enfrentava o seu segundo ano na elite com algum temor mas no final soube sofrer até ao fim sem deixar de dar a cara. Os olhanenses nem sempre jogaram bem, nem sempre foram eficazes mas nunca desistiram e nos duelos directos souberam retirar pontos preciosos que permitiu abrir uma pequena margem de conforto que foi gerida com normalidade até ao final do ano. Na odiosa comparação com o seu rival algarvio, o recém-promovido Portimonense, o Olhanense mostrou ser uma equipa mais preparada para os desafios da Liga Sagres, espelho natural da sua rápida adaptação.

 

A equipa técnica de Daúto Faquirá acabou por revelar-se a grande responsável pelo facto de que, pelo terceiro ano consecutivo, haverá futebol de primeira em Olhão.

 

 

 

Vitoria Setúbal

 


Os problemas financeiros do Vitória de Setúbal estão destinados a condenar qualquer possibilidade de crescimento do conjunto sadino.

 

Nesse contexto a luta pela salvação é o único objectivo a que a equipa pode ambicionar e, nesse sentido, a época 2010/11 foi um sucesso. Houve a habitual dose de sofrimento e não tivessem os sadinos batido o Sporting na penultima jornada e talvez a matemática tivesse criado um sério problema à equipa de Setúbal. Mas os adeptos já estão habituados e sabem que, com os constantes vai e vens de jogadores, técnicos e directivos, pouco mais se pode lograr.

 

O Vitória de Setúbal arrancou o ano com mais uma legião de jogadores contratados à última hora e viveu toda a temporada no fio da navalha. O trabalho de Manuel Fernandes, o habitual bombeiro do Bonfim, deu alguma estabilidade emocional ao conjunto verde e branco mas não resolveu os problemas mais graves da equipa. Nem a garra de Pittbull, nem o talento de Neca foram capazes de criar uma dinâmica colectiva ascendente e jornada após jornada as contas complicavam-se seriamente. Sem Manuel Fernandes, o clube não deu um salto qualitativo mas o curto mandato de Bruno Ribeiro permitiu conseguir pontos chave em jogos importantes. Essenciais para a soma final que permitiu uma salvação aparentemente tranquila mas profundamente enganadora. Este Setúbal sabe que, na sua realidade actual, brincar com o fogo pode provocar a curto prazo queimaduras dificeis de curar.

 

 

 

Beira-Mar

 


Durante as primeiras jornadas houve verdadeiro receio em Aveiro de que o regresso à elite do futebol português fosse um sonho com data de caducidade.

 

Os problemas financeiros, esse cancro que o futebol regional português não consegue resolver, pareciam condenar o projecto de Leonardo Jardim, um dos treinadores da moda que não teve problemas em sair do barco quando os rumores da sua transferência para o Braga se tornaram impossiveis de ignorar. Jardim, o homem que orquestrou a promoção com uma equipa sem muito talento mas a quem sobrava a alma, aguentou os primeiros golpes e endireitou o rumo do navio mas não ficou para recolher os louros. Coube a Rui Bento continuar o projecto, com várias dúvidas aqui e a li, mas sempre com a certeza que havia sempre equipas que acabavam por fazer pior que os aveirenses. Os jogos em casa tornaram-se fundamentais para o Beira-Mar e, no final o sufrimento não foi tanto quanto o esperado.

 

 

Académica

 


A equipa que arrancou com Jorge Costa a temporada 2010/2011 prometia muito. A que terminou a época, com Ulisses Morais ao leme, foi a grande desilusão do torneio.

 

Durante largos meses a Briosa sonhou com a Europa, com um regresso aos postos mais altos da tabela. Herdando a estrutura deixada por Domingos e Villas-Boas, o antigo capitão do FC Porto montou um conjunto ofensivo, atractivo e profundamente solidário que permitiu ao conjunto estudante manter-se nos primeiros postos durante o primeiro terço da época. A abrupta saída do técnico, por motivos pessoais nunca explicados, abriu um fosso do qual os conimbricenses nunca se recuperariam.

 

O conjunto perdeu a chama, a eficácia e foi entrando uma perigosa dinâmica que acabou por atirá-los da luta pela Europa ao desespero pela salvação, um fantasma que continua a rondar em Coimbra ano após ano. Valeu ao conjunto local a boa época de Peiser e Sougou, sempre prontos a remar contra a maré, e os desacertos dos rivais mais directos que nunca souberam aproveitar os tropeções da Briosa. Como o inicio da temporada deixou antever há muito que há estrutura suficiente para a Académica dar um salto qualitativo real mas por um motivo ou outro, o drama da despromoção continua a ser um problema que a histórica Académica parece incapaz de resolver. Em 2011/12 ficamos à espera de saber que rosto da Briosa acabaremos por encontrar no final do ano.



Miguel Lourenço Pereira às 14:42 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 22 de Maio de 2011

20.00 horas. 28 graus e um fim de tarde perfeito numa Madrid mergulhada em plena revolução silenciosa. A tribo mereungue reune-se no seu santuário para testemunhar mais um ritual histórico. Duas horas depois os 60 mil que encheram o Santiago Bernabeu voltam a casa com a sensação de ter presenciado, pela enésima vez, um momento histórico. 41 golos e ninguém fala de outra coisa. A brutalidade do Pichichi e Bota de Ouro é inquestionável. Cristiano Ronaldo desafiou a história e reescreveu-a a seu belo prazer.

Não foram precisos mais de 4 minutos.

Se antes do jogo o debate nas bancadas resumia-se á discussão sobre os golos reais que o número 7 do Real Madrid levava no torneio, o desvio súbtil ao segundo poste, depois de uma combinação estudada perfeita entre Xabi Alonso e Sérgio Ramos, matou a conversa. 22 anos depois os 38 golos logrados pelo mexicano Hugo Sanchez (tantos como o anterior recorde do vizcaino Zarra) foram ultrapassados. A verdade é que Ronaldo já sumava então 39 pelo simples facto de que o polémico golo marcado em Anoeta, desviado nas costas de Pepe, tinha sido atribuido ao português pela Marca. O jornal que instituiu e atribui o prémio Pichichi desde os anos 50.

Mas, nesse estilo habitual da imprensa espanhola em hostilizar o jogador mais caro da história, durante o ano todos se negaram a aceitar a evidência. Afinal, Ronaldo competia com Messi, e esse golo era importante para desatar uma polémica estéril em que nenhum dos jogadores entrou. Quando o argentino abrandou o ritmo, concentrando-se no seu designio europeu, Ronaldo ficou só. E decidiu superar a história, mais do que o seu eterno rival. Em quatro jogos apontou nove golos e estableceu a sua marca final em 41. Nunca em Espanha um só jogador tinha ultrapassado a barreira dos 40.

Quando se atirou ao chão, para celebrar o golo, Ronaldo sabia-o. Mas sabia, também, que os mesmos que não lhe davam o golo de San Sebastian iriam negar-lhe sempre esse direito histórico. A partir daí, e até ao minuto 78, passou todo o jogo á procura do golo que lhe confirmava, definitivamente, como um ser á parte. Foi insistente, irritante até. Quando Benzema marcou o terceiro golo (Adebayor já tinha feito o primeiro do seu hat-trick), Ronaldo não se lembrou. Estava sentado no relvado, ainda irritado com o árbitro por não ter marcado uma falta que ele tinha toda a intenção de transformar em golo. Foi assim todo o ano, Ronaldo contra o mundo. Um mundo que tem por ele um despeito especial. Desde que chegou, em Julho de 2009, que nenhum jogador foi tão criticado e atacado no país vizinho como CR7. "Ese português, hijo puta es..." é o cântico habitual em cada estádio que visita o Real Madrid. Algo inédito com qualquer outro jogador. A imprensa não lhe perdoa o seu estilo próprio e até este ano repetiam-se nas criticas sob a sua inoperância nos jogos a doer. Em 2010/11 só não marcou no Camp Nou. Marcou o empate em Madrid com o Barcelona, marcou a Valencia, Villareal, Sevilla, Bilbao e Atlético de Madrid. Decidiu a Copa del Rey e ajudou a levar o Real Madrid ás semi-finais da Champions League. Juntou a isso 41 golos. Nunca um atleta se exibiu de forma tão brutal nos relvados espanhóis.

 

O final de tarde quente não aqueceu demasiado os animos do imenso Bernabeu.

A goleada de 8-1 ao Almeria podia parecer um trâmite para muitos adeptos, mas não era. Mourinho, em silêncio desde que a UEFA decidiu declará-lo persona non grata, queria superar a linha dos 100 golos e confirmar-se como a equipa mais concretizadorada liga. Para isso o Real, que já sabia que o Barça vencera por 1-3 em Malaga, tinha de marcar 6 golos. Marcou dois, na primeira parte, e passou os segundos 45 minutos a desafiar o relógio.

O público sentiu o espirito ambicioso de uma equipa de tracção dianteira (Alonso, Kaká, Ozil, Adebayor, Benzema e Ronaldo) e fez-se ouvir. Não é normal. Habitualmente a tribo merengue é silenciosa e tranquila. Vai ao futebol para contemplar, não para animar. Por isso Ronaldo também se queixa de não ter atrás de si o mesmo apoio popular que tem Messi no seu Camp Nou. Talvez porque, sentado no último anfiteatro do estádio mais imponente de Espanha, ainda se houvem muitos adeptos que criticam a politica desportiva de Florentino Perez, o homem dos milhões. Mas nem esses tiveram razão para queixar-se. A 10 minutos do fim José Mourinho lançou o enésimo canterano (nenhum treinador fez estrear tantos jogadores do filial numa época desde o primeiro mandato de Del Bosque), o avançado Joselu. Dois minutos depois Ronaldo transformou o seu ego goleador, já aparentemente saciado, e assistiu primorosamente o jovem de 20 anos que não falhou. Correu para abraçar o seu idolo. A goleada estava completa e com um selo da casa para o contentamento dos mais veteranos.

Quando o jogo acabou o Real Madrid finalmente pôde olhar-se no espelho e sorrir. Não venceu o titulo - por culpa dos muitos pontos perdidos com os últimos, incluindo empates em Almeria e Coruña, dois dos despromovidos - mas jogou um futebol fluido, ofensivo e atractivo. Cristinao Ronaldo olhou para a história e sorriu, sabendo que quem quer que venha no futuro é a ele que terá de bater. Especialmente se esse alguém é Leo Messi. O futuro, leia-se a próxima época, pareceu mais risonho do que nunca. Muitos voltarão hoje, para ver o Real Madrid Castilla lutar pela promoção à Liga Adelante. Outros preferem ficar uns minutos mais para aplaudir José Mourinho. O setubalense não conseguiu quebrar a hegemonia do Barça. Mas começou a mexer com a mentalidade do Real Madrid, a despertar o monstro adormecido. E os adeptos mais fiéis sabem-no.

 

Entre a brutalidade dos números do Real Madrid e a imensidão do recorde de Cristiano Ronaldo, o Barcelona pode sentir ainda mais orgulho da sua época. Mas ao sair do Bernabeu, já noite dentro, calor intenso e com todos os ouvidos no que se passa na não muito longinqua Puerta del Sol, há quem sinta que o ciclo blaugrana pode estar a terminar. Não surpreende ninguém que, no meio das camisolas blancas, haja alguns atrevidos com o equipamento do português dos dias de Old Trafford. Porque, como dizia um dos muitos vendedores ambulantes que rodeiam o estádio, hoje o cachecol mais vendido foi o do Manchester United. Os últimos a sentirem na pele o que é desfrutar da febre goleadora de um homem que só se olha a si mesmo no espelho quando pensa em bater todos os recordes da história.

 



Miguel Lourenço Pereira às 15:01 | link do post | comentar | ver comentários (44)

 

Portimonense

 

Houve muita ilusão à volta do regresso do Portimonense à Liga Sagres.

Depois de muitos anos sem conjuntos algarvios a prova ia viver o seu primeiro derby regional em muitos, muitos anos. Mas as conhecidas fragilidades do clube de Portimão foram sempre evidentes e a permanência revelou-se um desafio talvez demasiado dificil para um projecto que está a crescer mas que ainda necessita de mais estruturação para triunfar.

 

Jogar quase toda a primeira volta longe de casa, do calor e força dos fervorosos adeptos locais, foi um duro handicap que teve o seu preço. Em lugar de fazer de Portimão o seu bastião os pontos perdidos em casa revelaram-se decisivos nos duelos com as restantes equipas da parte baixa da tabela. Sem dinheiro, o conjunto algarvio viveu da bondade de estranhos, neste caso do FC Porto que emprestou vários atletas à entidade alvinegra sem que nenhum deles, com a excepção de Ventura, tenha deixado um impacto significativo, todo o contrário do que pode presumir o Olhanense na época anterior. Sem essa estrutura dentro e fora do terreno de jogo a falta de fluidez de jogo e de golos tornaram inevitavel o estatuto de lanterna vermelha que o Portimonense manteve ao largo de grande parte da época.

 

Nem o honroso sprint final lhes serviu porque os rivais directos, Setúbal e Académica, souberam fazer os trabalhos de casa a tempo e evitaram assim, pela primeira vez em muito tempo, a agonia da última jornada para fazer contas. O projecto algarvio tem pernas para andar, resta saber se como a despromoção será recibida numa cidade que pode voltar a respirar futebol de primeira depois de vinte anos de longos suspiros de nostalgia.

 

Naval 1º de Maio

 

Ano após ano o clube figueirense entrava directamente nas listas dos principais candidatos à despromoção.

 

Ano após ano encontrava forma de salvar-se comodamente. Há cinco anos, quando aterrou pela primeira vez na Liga Sagres, a Naval 1º de Maio era um alienigena no futebol português. Um clube sem história, sem grande apoio popular, sem dinheiro para gastar e sem um estilo de jogo convincente. Durante este periodo de tempo foi talvez uma das equipas mais cinzentas do país. Talvez por isso poucos sintam a sua falta entre o top 16 do futebol luso.

 

O conjunto que arrancou, um ano mais, com muitas incorporações estrangeiras, não demorou a dar uma profunda sensação de fragilizado. Muitos erros atrás, demasiada ineficácia à frente. Sem um desiquilibrador no onze, os figueirenses foram vivendo do colectivo até onde este lhes permitia chegar. Nem a vitória com o Benfica e o empate com o Sporting serão recordados como um grande feito de um clube que acabou nas mãos de Carlos Mozer, incapaz de dar a volta à situação, depois dos desastrosos mandatos de anteriores. Teme-se que para um clube tão sui generis como a Naval a despromoção seja mais um longo adeus que um breve até já. 



Miguel Lourenço Pereira às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sábado, 21 de Maio de 2011

Nunca uma liga portuguesa tinha sido ganha com tamanha autoridade. A vitória do FC Porto significou um regresso às origens para um clube habituado a mandar com autoridade no torneio. Na sombra do campeão invicto, um Benfica que só tem a si mesmo que culpar-se e um Sporting e Sporting de Braga ziguezagueantes que rapidamente mostraram que a liga deles é outra.

 

O simbolismo do triunfo na escuridão do FC Porto em pleno estádio da Luz resume bem o espirito da temporada.

Depois de uma época em que o Benfica venceu o trofeu e acreditou que podia interromper, de forma definitiva, o dominio autoritário do FC Porto na liga portuguesa (17 titulos em 30 anos), os azuis e brancos restauraram a normalidade com uma superioridade insultante que arrancou no primeiro jogo oficial da época e só terminou com a consagração europeia. Pelo meio a Liga Sagres foi o tapete perfeito para a equipa de André Villas-Boas demonstram que caminhava num mundo à parte. O FC Porto venceu 27 jogos, empatou três, um dos quais já depois de confirmar o titulo de campeão. Numa liga com 30 jornadas, o clube do Dragão foi campeão a cinco jogos do fim e no terreno do eterno rival a quem sacou uma vantagem de 21 pontos. Uma diferença abismal em comparação com o ano anterior em que o Benfica perdeu a hipótese de carimbar o titulo no Dragão e acabou por ter de sofrer até à última jornada para fazer a festa. Benfica que contribuiu, e muito, para que a corrida ao titulo do novo campeão fosse mais fácil. As derrotas surpreendentes nas jornadas inaugurais, o pior arranque de que há memória, deram ao FC Porto um colchão confortável, ampliado pela histórica goleada de 5-0 no Dragão. A partir daí o clube da Invicta geriu a vantagem sem pressão e concentrou-se noutros objectivos. O Benfica passou toda a época num sprint louco e desesperado que arrasou fisicamente com uma equipa já de si mal planificada. Quando as pernas começaram a faltar o rival deu a estocada final. Sem contestação.

 

No meio deste triunfo histórico pouco espaço houve para os outros.

No quadro europeu, Sporting e Braga mantiveram um pulso durante todo o ano pelo último lugar do pódio. O Sporting realizou a sua pior época de sempre em percentagem pontual mas na última jornada venceu o rival directo e evitou o descalabro de terminar dois anos consecutivos no quarto lugar. A instabilidade directiva, a venda de Liedson, o plantel mas planificado e os péssimos registos goleadores da equipa permitiram ao Braga, que arrancou a época com a cabeça na Europa, recuperar um grande atraso pontual para chegar a sonhar com o 3º lugar, perdido quando a equipa já tinha a cabeça na final de Dublin. Não muito longe pontualmente, mas num outro campeonato, o Nacional da Madeira garantiu o regresso à Europa batendo a concorrência directa de Maritimo, Rio Ave e União de Leiria. No entanto a grande sensação da metade de tabela pertenceu ao Paços de Ferreira. Os minhotos nem se inscreveram na Europa mas mereciam ter-se qualificado para a Europe League pela qualidade do seu jogo – muito bem orientado por Rui Vitória, com um grupo de jogadores jovem que foi premiado com a final da Taça da Liga – e pela gestão directiva dos pacenses. No quinto posto, com a tranquilidade de ter carimbado o seu lugar europeu através da Taça de Portugal, o Vitória de Guimarães soltou-se dos fantasmas recentes e realizou um ano sóbrio, sem entusiasmar, mas também sem desiludir o exigente público do D. Afonso Henriques.

 

A diferença abismal entre o FC Porto e os outros acentuou ainda mais o nivelamento por baixo que vai tomando conta do futebol luso.

Naval 1º de Maio e Portimonense foram despromovidos mesmo antes da última ronda, mas o pobre futebol de Olhanense, Académica, Beira-Mar e Vitória de Setubal leva seriamente a questionar a realidade competitiva de um torneio que viveu o seu ano de ouro na Europa mas que continua a ser mal gerido dentro das fronteiras. O fosso entre candidatos ao titulo, candidatos europeus e os demais é cada vez maior e não há nenhuma indicação de que a situação se possa vir a alterar. O FC Porto tem condições para restaurar a sua hegemonia e o Benfica continua a ser o rival a abater. Braga, Sporting e Vitória terão anos complicados pela frente e os demais procurarão sobreviver e recolher as migalhas pelo caminho. Triste sina para uma liga que continua com estádios vazios, preços proibitivos, horários televisivos anedócticos e uma federação que não sabem a que joga.

 

No meio de todo este pesadelo freudiano, o FC Porto foi igual a si próprio, o SL Benfica pagou o preço de uma ambição desmedida e o futebol português ficou pouco a ganhar com o asfixiante dominio dos clubes que mais investem no mercado. A sustentabilidade financeira da Liga Sagres está, cada vez mais, em cheque e a politica quase suicida dos grandes clubes só contribuiu para empequenecer os demais ao mesmo tempo que, lamentavelmente, mata o futebol de formação português. Em 2010/11 voltou a não haver um goleador luso (salvo o veterano João Tomás) nem sequer uma jovem estrela a despontar verdadeiramente (se excluirmos o promissor André Santos). A Liga enfraquece-se ano após ano e continua sem se dar conta. Na Invicta poucos se importam. O clube voltou a impor a sua lei. Com total naturalidade.  



Miguel Lourenço Pereira às 13:04 | link do post | comentar

Foi uma das máximas revelações do ano na Ligue 1 e tem todas as condições para ser o patrão da defesa que a França há tantos anos procura. Raphael Varane não evitou a despromoção do seu Lens mas deixou destelhos de um talento imenso que relembra, e muito, a classe de um tal Marcel Desailly.

 

Não é por mero acaso que os muitos rumores sobre o futuro de Varane têm inundado a imprensa gaulesa nas últimas semanas. Com o RCD Lens despromovido, todos sabem que o melhor central jovem do futebol francês não irá acompanhar a equipa no inferno da 2º Divisão. Depois de se falar nas possibilidades de ficar na Ligue 1, ao serviço dos parisinos do PSG, os rumores apontam agora para um futuro ainda mais brilhante: em Old Trafford.

Varane é a escolha natural para suceder a um Rio Ferdinand a quem as lesões, aos 32 anos, não lhe permitem ambicionar por um regresso à sua máxima forma. O jovem central francês tem apenas 18 anos mas a equipa de olheiros do Man Utd, a mesma que tem provocado uma significativa revolução no plantel de Ferguson na última década, está confiante nas suas capacidades. E têm razão. Quem seguiu a evolução do jovem central, desde a sua estreia profissional com 17 anos, sabe que ali mora um talento muito especial. Varane é já uma peça chave da selecção sub-21 gaulesa e ninguém duvida que será ele o nome a seguir nos próximos anos para tapar um buraco que tem permanecido visivelmente aberto desde que a dupla Blanc-Desailly colocou um fim à sua carreira internacional. Nem Gallas, nem Squillaci, nem Givet, nem Abidal convenceram nos últimos anos os adeptos galos e apesar do crescimento notório de outro jovem de futuro, Mohamed Sakho, falta um toque de classe nessa defesa de futuro dos homens liderados por Blanc, um técnico que sabe tudo sobre a arte de bem defender.

 

Mas Varane é um jogador que aposta por um estilo de jogo mais similar ao de Desailly.

O antigo internacional foi certamente um modelo em que se inspirou na sua infância num bairro social da cidade nortenha e operária de Lille. Como o defesa que despontou no Olympique Marseille (antes da brilhante carreira ao serviço do AC Milan e Chelsea) é um excelente central de marcação mas tem também a abilidade de actuar como médio mais recuado. Notável na recuperação de bolas, Varane sabe jogar com critério e já demonstrou, mais de uma vez, que lida bem com a pressão.

Fez a sua carreira de formação num clube local de Lille mas o clube treinado por Rudy Garcia não lhe prestou a devida atenção e foi o vizinho Lens que fez tudo para o captar para o seu sistema de formação. Tinha nove anos apenas quando chegou ao Felix-Bollaert e desde então tornou-se num dos simbolos da excelente cantera do clube que há dois venceu o campeonato nacional de sub-16, ao lado de Aurier, Situ, Monnet-Paquet, Sow e do igualmente promissor Thorgan Hazard, irmão mais novo do genial Eden.

Depois foi sempre a subir nos escalões de formação até que no passado mês de Novembro chegou a esperada estreia pela equipa titular do Lens. Aposta pessoal do técnico Eric Assadourian, o central estreou-se contra o Montepellier e deixou rapidamente a sua marca. A chegada de Boloni, em Janeiro, levou-o a passar a actuar como médio mais defensivo e aí também voltou a não desiludir. A titularidade, aos 18 anos, estava confirmada e no final da temporada Varane surpreendeu igualmente com o seu bom jogo de cabeça nos lances de bola parada marcando dois golos que acabaram por servir de pouco às aspirações do clube. Clube resignado já em perder a sua maior jóia. Varane tem as malas feitas e um bilhete para Manchester praticamente na mão. Terá de passar pelo habitual periodo de adaptação mas é fácil antecipar uma carreira brilhante para um central com um toque de distinção com a bola cada vez mais inusual.

 

Exemplo perfeito do excelente trabalho de formação do futebol gaulês, o jovem de origem caribenha terá de saber lidar com a pressão de quem já vê nele a esperança para a renovação do quarteto defensivo gaulês. Ao serviço de Alex Ferguson, pastor de homens por excelência, terá tempo e espaço para crescer. O futuro pertence-lhe por completo.



Miguel Lourenço Pereira às 06:56 | link do post | comentar

A partir de hoje o Em Jogo começa a sua análise da temporada 2010/11 da Liga Sagres.

 

Uma semana de textos sobre a performances das 16 equipas da Liga, análise sobre o titulo logrado pelo FC Porto e a eleição do Onze do Ano escolhido pelo EJ.

 

Sejam bem vindos a uma última viagem à temporada lusa de futebol!

 



Miguel Lourenço Pereira às 00:38 | link do post | comentar

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Nunca tantas equipas estiveram pendentes até ao útlimo dia da calculadora na Liga Espanhola. As últimas duas semanas foram marcados pela tensão, pelo drama, pela esperança mas, também, pelos pactos de não-agressão. É o outro lado da realidade do futebol espanhol que poucos querem reconhecer mas que se torna evidente a cada ano que passa. A Liga dos "maletines" de última hora volta a ser o fantasma do último capitulo da liga das estrelas.

 

Não é, nem de longe nem de perto, um fenómeno espanhol. Não, é um cancro generalizado no mundo do futebol contra o qual ainda não houve, realmente, nenhuma instituição preparada para agir com prontidão e sem piedade.

As “luvas” debaixo da mesa fazem parte da linguagem comum do submundo do futebol. Em Espanha chamam-lhe "maletines".

Pagamentos para ganhar a um rival, pagamentos para perder quando não há nada em jogo, transferências submetidas a um critério de camaradagem directiva, adeptos que pressionam os próprios clubes para não entrar em campo com o profissionalismo que se lhes exige... Há de tudo e não só na La Liga.

Mas aqui, num país habituado a varrer para debaixo do tapete os grandes problemas do seu desporto mais popular (dos outros nem vale a pena falar), começa a ser complicado tapar uma realidade evidente e, até mesmo, popular. Da mesma forma que os adeptos do Betis assobiavam os seus jogadores quando estes pareciam não estar a facilitar num duelo directo da última jornada contra uma equipa que podia condenar o seu eterno rival, o Sevilla, à Segunda Divisão, hoje são muitos os adeptos que piscam os olhos aos rivais à procura de um olhar cumplice. As últimas três jornadas da Liga BBVA foram tudo menos jornadas transparantes. Há quem não se atreva a chamar-lhe corrupção, jogos viciados, como se o titulo mais ou menos duro fizesse a diferença. Não o faz. Há, realmente, resultados combinados que deixam as equipas do fundo da tabela em constante suspense. A situação está de tal forma establecida dentro do establishment que nem os rivais afectados se queixam. Sabem que, no passado ou no futuro, actuarão da mesma forma. O campeonato mais mediático das ligas europeias transforma-se, por um par de jornadas, num leilão perigoso, um verdadeira roleta russa desportiva onde as amizades podem valer uma salvação.

 

Não surpreende que o presidente da Cantabria, o omnipresente Miguel Angel Revilla, também presidente de honra do Racing, venha a público elogiar os seus jogadores por perderem. Se o rival é o Sporting Gijón, de Manuel Preciado, ex-jogador dos cantabros, não surpreende mesmo ninguém. Racing e Sporting são quase vizinhos e têm um bom historial no passado. Além do mais, na época passada, o Gijon ajudou com uma derrota inocente o clube cantábro a salvar-se da despromoção. Um ano depois os papeis inverteram-se e era o Sporting que necessitava carimbar matematicamente a salvação antes do último dia. O Racing não deu luta, o Sporting venceu por 2-1, e todos ficaram contentes. Todos menos o Deportivo de La Coruña que se queixou imediatamente do pacto porque, resulta, é a equipa mais prejudicada. Mas o “Depor”, que está à beira do precipicio, tem também o seu historial de ajudas de ultima hora.

Como o Levante, equipa que já por várias vezes salvou equipas rivais da despromoção deixando-se gentilmente ganhar quando não havia nada em jogo. O empate com o vizinho Valencia, um 0-0 soporifero, deu a ambos os pontos que necessitavam para cumprir com os seus objectivos. E agora o Levante recebe o Zaragoza, ultima equipa debaixo da linha de água, e muitos imaginam já o que irá suceder. O Getafe até pode ser o mais prejudicado por este jogo de amizades. Não que a sua vitória frente ao Osasuna não fosse suspeita (os navarros tinham dado a reviravolta a um 0-2 contra o Sevilla dias antes e estão a um ponto da salvação) mas foi o jogo com o Real Madrid que selou o seu destino. Os “azulones” funcionam quase como uma filial do clube merengue. Jogadores vendidos com preço de recompra de saldo, presidente com cartão de sócio do Real Madrid, o histórico Michel como treinador (depois de Quique Sanchez Flores, Schuster e Laudrup, outros ilustres ex-merengues terem passado pelo cargo). Todos pensavam que um Real Madrid sem nada em jogo podia dar “o jeito” no Bernabeu. Mas a fome de golos de Cristiano Ronaldo não deu hipóteses ao Getafe, frente a um conjunto de adeptos madridistas visivelmente contrariados com o seu goleador.

 

Amanhã a Liga BBVA conhece o seu desenlance. Todos os clubes afectados jogam às 22h00 e todos terão os ouvidos nos campos rivais. A matemática é fácil. Quem ganha está salvo, quem perde depende sempre de outro e se se é adepto do Zaragoza a derrota não é uma opção. A suspeita está servida, como todos os anos, e no domingo os jogos serão analisados com lupa. Mas ninguém levantará realmente o dedo. Culturalmente os resultados combinados estão demasiado enraizados e a "liga de los maletines" faz parte da mentalidade do futebol espanhol. Num país ultra-tradicionalista, ninguém espere nunca que a situação mude. Jogue quem jogue.



Miguel Lourenço Pereira às 08:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

André Villas-Boas tem motivos para lamentar-se numa noite histórica para o FC Porto. Foi a quarta vitória europeia, a sétima conquista internacional do clube português. Mas foi também a exibição mais cinzenta, nervosa e calculista de toda a temporada. Pouco para uma equipa que deixou a Europa com mel na boca e que na grande noite desiludiu os que imaginavam uma equipa de tracção dianteira com fome de golos pronta a romper todos os recordes. O Braga não estava pela labor mas a verdade é que o justo vencedor da Europe League também não procurou esforçar-se em demasia. O titulo é mais do que justo mas, na ressaca da vitória, fica a ideia de uma final que teve mais de jogo da Liga Sagres do que a glória de uma noite europeia. 

No final dos 90 minutos o delírio apoderou-se dos adeptos do FC Porto.

Mas foi um delírio contido de uma equipa que tem consciência de que a imagem dada não tinha sido a esperada. O técnico confirmou-o por palavras mas não era preciso. A falta de inspiração foi evidente.

Depois de uma campanha espantosa, com goleadas históricas e pouco habituais, o FC Porto mostrou-se em Dublin não como uma banda nova capaz de entusiasmar os fãs em concertos históricos. Foi antes um desses grupos de veteranos que sobe ao palco para tocar os greatest hits com pouca vontade e menos engenho. Ao contrário de Gelsenkirchen e Sevilla - nisto Viena foi um caso à parte - nunca houve essa sensação de superioridade que se podia esperar. Entre a comitiva azul e branca, adeptos incluidos, havia uma sensação de superioridade natural depois de um campeonato perfeito e um apuramento categórico para Dublin. Muitos imaginavam outro FC Porto alegre, vistoso, ofensivo e asfixiante no palco irlandês. Uma exibição para o mundo ver. Porque se muitos não viram como o campeão português desfez o Spartak ou o Villareal, muitos seriam os que acompanhariam com interesse a consagração dos homens de Villas-Boas.

No final, por mérito do Braga também, ficou uma imagem pálida de uma equipa que rematou uma vez à baliza. Bastou-lhe para vencer o troféu, mérito de Falcao, mas não para convencer os amantes do futebol de ataque que o jovem técnico tão bem soube explorar durante o ano. Villas-Boas estava nervoso. Os jogadores mais. Normal numa grande final. Caíram na teia táctica montada pelo Braga, que preferiu não deixar jogar a encarar o rival e assim tornou o jogo mais monótono e contido. O golpe de Falcao evitou uma mudança profunda ao intervalo que certamente já deveria andar pela cabeça do técnico. Poupou o risco que o FC Porto nunca teve no segundo tempo. Quando entrou Belluschi, foi para o lugar de Guarin, o melhor de um miolo sem espaço para pensar. Quando lançou James foi para render Varela, apagadíssimo, mas o jovem colombiano foi incapaz de acelerar com critério e dar mais largura ao terreno de jogo.

 

Villas-Boas perdeu o jogo táctico mas ganhou o duelo no terreno de jogo.

Não soube como responder ao previsível planteamento recuado de Domingos, reforçando o seu jogo a meio-campo desde o inicio (a equipa azul e branca esteve em constante inferioridade numérica) onde lhe faltou sempre um homem. Onde sobrava um inconsequente Varela fazia falta um Belluschi ou Micael com critério. Fiel ao seu ideário táctico o portuense esperou por um golpe de génio dos seus jogadores, a classe que os homens do Braga não tinham. Sabia à partida que sofrer um golo era difícil e que marcar tornar-se-ia mais provável à medida que o tempo fosse discorrendo. Mas sofreu na espera e sem corrigir o posicionamento no terreno de jogo. Hulk nunca soube aproveitar o pouco espaço que teve e perdeu-se, demasiadas vezes, em lances individuais. Abdicou de lances de bola parada estudados por remates sem sentido e foi o espelho da falta de alegria e classe desde FC Porto campeão comparado com a equipa que chegou até à final.

Mas no meio de todo este cinzentismo - e o FC Porto sabia-se superior e jogava com isso, sem procurar nunca o risco - o Braga nunca soube reagir à altura e deixou os azuis e brancos ainda mais cómodos. Villas-Boas foi mais Mourinho e menos Robson do que nunca e com a entrada do médio argentino deu um claro sinal de estar satisfeito com o rumo do jogo. Um segundo golo não era, nem ia ser, uma prioridade.

Depois do susto de Mossóro, com um Helton imenso (na sua melhor época em Portugal), o Braga demonstrou que o quarteto defensivo do Porto (especialmente Otamendi e Sapunaru, os mais desastrados) joga mal sob pressão. Mas os poucos erros individuais não tiveram continuidade e sempre que a bola chegava a Moutinho ou Fernando o jogo adormecia outra vez. Os médios do FC Porto nunca procuraram as diagonais a rasgar, a velocidade dos flancos e contribuíram, e muito, no afunilar do jogo ofensivo. A certa altura dava quase a sensação de haver um pacto de não-agressão entre todos, evidenciado várias vezes pela atitude de Helton, aplaudindo os rivais efusivamente. Ao clube do Porto não interessou nunca procurar uma vitória expressiva, o Braga nunca lhe deu demasiados espaços mesmo quando perdia e o golo de Falcao poupou a Villas-Boas exercer mais como táctico e menos como psicólogo.

 

No final, a sua desilusão, é algo que só pode atribuir a si mesmo e aos seus homens. Pouco incomodados é certo, para eles - e para muitos adeptos - as finais são só para ganhar. Mas depois de ter surpreendido os adeptos neutrais e ter ganho uma considerável legião de adeptos fora de Portugal (como sucedeu com o Dortmund alemão), fica a sensação de que vencer era quase um trâmite e era a imagem de uma equipa descomplexada e atacante que o clube deveria ter procurado dar. Optou pelo cinismo calculista de quem se contenta com a glória do sucesso e talvez com razão. Mas ninguém dúvida também que o clube do Dragão perdeu uma oportunidade de ouro para deixar ainda mais vincada a sua marca no seu impressionante historial europeu.



Miguel Lourenço Pereira às 10:15 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Em Dublin o Sporting de Braga apresentou a sua cara mais cinzenta. Foi uma equipa sem recursos e incapaz de dar a volta a um FC Porto muito nervoso e sem a solvência habitual. Domingos Paciência tentou vencer o jogo no tabuleiro de xadrez com Villas-Boas mas o golo de Falcao obrigou a sua equipa a fazer o que pior sabe e em 90 minutos o Braga nunca deu a sensação de poder ir mais longe. Uma carreira europeia com um mérito colectivo tremendo que terminou com a exibição mais pequena do ano.

Será fácil num futuro próximo catalogar esta final da Europe League como uma das mais pobres dos últimos tempos.

Faltou-lhe, quiçá, a emoção do prolongamento a que o Fulham obrigou o Atletico de Madrid na época passada ou a solvência das vitórias de Zenith St. Petersburg, Shaktar Donetsk ou Sevilla nas edições anteriores. Para muito contribuiu a postura do Braga.

O conjunto minhoto sabe quais são as suas limitações. No passado sábado não teve pulmão e know-how para dar a volta a um Sporting que foi tudo, menos entusiasmante. Ontem voltou a defrontar-se com os seus próprios fantasmas.

Uma equipa perfeita na organização defensiva (só cometeu um erro, mas para Falcao isso é suficiente) mas que depois tem muitas dificuldades no processo criativo. Domingos Paciência tentou prolongar ao máximo o marcador a zero, deixar os jogadores mais nervosos do que já estavam e tentar aproveitar um lance fortuito para ganhar. Não quis dar espectáculo, quis ser efectivo. Essa é a sua imagem de marca mas essa é também a realidade do seu plantel, especialmente depois da perda de Matheus, o único talento individual que podia ter destroçado a defesa azul e branca só com o movimento de corpo. Foi uma postura extremamente eficaz e para a qual André Villas-Boas nunca teve resposta. Guarin, Fernando e Moutinho estavam cercados por um quarteto asfixiante (Vandinho, Custódio, Viana e Lima) e a bola nunca chegava com regularidade ao tridente da frente. Silvio forçou Hulk a jogar sem os espaços que tanto gosta de explorar e do outro lado do terreno Varela nunca soube ganhar os duelos a Miguel Garcia. Um posicionamento táctico perfeito que deixou de funcionar ao minuto 44. Falcao fugiu a Rodriguez, olhou para Guarin e pediu a bola. A conexão colombiana destroçou com três toques toda a estratégia bracarense e Domingos percebeu então que a vitória seria quase impossível.

 

Mesmo a perder o técnico nunca arriscou muito, faz parte do seu carácter.

A lesão do central peruano, que deu lugar a Kaká, também não lhe deu a margem de manobra necessária. Mossoró, outro que entrou ao intervalo, teve a única oportunidade clara do Braga em todo o jogo mas os nervos encolheram a baliza e agigantaram Helton. A final acabou aí, depois veio a agonia de 40 minutos soporíferos. O Braga procurou mais a baliza do Porto mas sem critério, sem calma e sem uma única jogada com pés e cabeça. Nem nas bolas paradas, e foram várias, conseguiu ser eficaz. Cantos mal marcados, lançamentos laterais mal calculados, livres desperdiçados e Domingos desesperado. Na inoperância do tridente ofensivo preferiu abdicar de Lima em vez de Paulo César, sem ritmo de jogo. Errou e Meyong não trouxe nada de novo ao jogo do Braga. A equipa continuou a defender bem e a não dar espaços ao rival, mas ao mesmo tempo acabou por adormecer o jogo. Precisamente o que pretendia o rival.

No final dos 90 minutos o Braga pode queixar-se de uma expulsão perdoada a Sapunaru - por segundo amarelo - mas também pode olhar para o jogo bastante duro dos seus defesas (Paulão, Silvio e até Hugo Viana, substituído ao intervalo mais pelo cartão do que pelo seu papel no terreno de jogo) e perceber que o árbitro espanhol podia ter sido mais exigente nos critérios de penalização. Mas, acima de tudo, tem de queixar-se de si mesmo e das incapacidades que revelou durante todo o jogo. Se é verdade que em toda a campanha europeia na Europe League - precisamente depois do adeus de Matheus - o Braga só marcou 2 golos num jogo, também é verdade que em nenhum dos restantes encontros deu tanto a sensação de ser incapaz de incomodar minimamente o rival. Foi um jogo de equipa pequena, pelo menos no panorama europeu, que também não deve surpreender porque as limitações financeiras estão à vista de todos. Sem o técnico, Arthur, Vandinho, Silvio, Rodriguez e algum mais, o próximo ano revelar-se-á um verdadeiro desafio para António Salvador e Leonardo Jardim, o previsível herdeiro de Domingos Paciência. O que os adeptos do clube minhoto não se podem esquecer, apesar da fraca imagem deixada em Dublin, é que a campanha europeia foi, por si só, um pequeno grande milagre, talvez irrepetível, pelo menos nestas condições financeiras e desportivas.

 

Numa final que foi, pela primeira vez na história, 100% portuguesa, o Sporting de Braga ajudou a contribuir para um jogo muito ao estilo de Liga Sagres. Sem emoção, sem golpes directos, sem um ritmo intenso e com muito calculismo táctico à mistura. Espelho do futebol português actual, o Braga representa essa madurez táctica que começa a chegar aos clubes portugueses mas também esse cinismo que retira a componente espectáculo ao futebol luso. No final o conjunto bracarense tem de sair de cabeça erguida. A eles não se podia pedir mais.



Miguel Lourenço Pereira às 08:20 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

A conexão colombiana voltou a funcionar e serviu para o FC Porto vencer, com serviços mínimos e muitos nervos á mistura, a sua segunda Europe League. Num jogo mais disputado do que emotivo, os azuis e brancos marcaram numa das poucas ocasiões criadas e depois geriram o resultado frente a um Braga combativo mas sem ideias. Numa final muito morna, os dragões entraram para a elite das poucas equipas europeias com quatro vitórias nas provas europeias. 

Um remate á baliza em oito ocasiões dizem muito de como o FC Porto esteve longe da imagem que deixou ao longo do ano.

A equipa com instinto assassino que fez uma campanha imaculada - e que asfixiou os rivais na prova nacional - mostrou o seu lado mais inofensivo e nervoso numa final em que o Braga nunca soube aproveitar o futebol macio e pouco esclarecido dos azuis e brancos. Até ao remate de Falcao, ao minuto 44, não tinha existido nenhuma ocasião de perigo em ambas as balizas. O Braga lutava muito - e bem - mas depois, com a bola nos pés, não sabia como coordenar os movimentos ofensivos e rapidamente perdia a possessão. O Porto, que tinha mais posse de bola, não sabia o que fazer com ela quando se encontrava com uma muralha defensiva de 4+1 (um excelente Vandinho) que não dava margem de manobra ao jogo em velocidade de Hulk e Varela. O avançado Falcao asfixiava-se no miolo sem poder conectar com Guarin e o jogo adormecia a cada minuto que passava.

Era esse o plano de Domingos, especializado em adormecer o rival e aproveitar as poucas ocasiões que a sua equipa habitualmente dispõe. E parecia estar a funcionar, plenamente, quando surgiu Guarin, com um recorte sublime e um centro milimétrico que entrou o avançado mais em forma do futebol mundial. A conexão colombiana funcionou em conjunto no momento certo. E deu o único ar de classe a um jogo que esteve longe dos pergaminhos de uma final europeia.

 

Com a necessidade de arriscar o Braga não se sente cómodo mas curiosamente foi Mossoró,ao minuto 46, que teve a única oportunidade de golo do segundo tempo. Falhou, clamorosamente, e deixou a nu todas as debilidades ofensivas de uma equipa construida detrás para a frente de tal forma que a qualidade do quarteto defensivo está ainda a anos-luz da qualidade do seu tridente da frente.

O Braga tentou tudo mas com uma ineficácia assustadora. O Porto preferiu não arriscar, não acelerar, sentindo-se cómodo com a curta vantagem que tinha. Só Bellushi, que entrou de forma surpreendente para o lugar de Guarin, o melhor do Porto até então, rematou á baliza. Os demais perderam a dose de pragmatismo que deu bom nome á equipa em toda a Europa e perdeu-se em lances individuais que podiam ter tido piores consequências não fosse a inoperância atacante do Braga.No único momento em que os bracarenses podiam ter dado um passo em frente no jogo, o árbitro Velasco Carballo, autor de uma arbitragem também longe do nível máximo europeu, errou ao não expulsarSapunaru. Poderia ter oferecido um jogo diferente. Acabou por nem sequer espicaçar o orgulho dos arsenalistas. Domingos não tinha margem de manobra no banco. André Villas-Boas, suplantado tacticamente na primeira parte, preferiu não gastar todas as armas que tinha no banco. Foi tão pragmático como os jogadores e no final conseguiu o objectivo. É o mais novo treinador a vencer uma prova europeia. Está muito perto de emular a histórica tripla de Mourinho. E mostrou, talvez pela primeira vez neste ano, que também sabe ganhar sem dar espectáculo com um futebol mais cínico e calculista. Um futebol que dá, de qualquer forma, títulos. O FC Portonão esteve ao seu nivel da época 2010/11 nem sequer ao nível das três anteriores finais que ganhou. Mas não precisou de mais face a um rival que, depois de uma temporada absolutamente fantástico, se viu sem recursos para ferir um rival mais débil do que nunca.

 

O FC Porto foi um merecido vencedor da Europe League 2010/11 mais pela grande épcoa europeia que realizou do que, propriamente, pela qualidade do jogo exibido durante a final. Para o próximo ano está no lote de candidatos a surpreender na Champions League mas Villas Boas sabe, melhor do que ninguém, que a equipa tem de dar ainda muitos aspectos a melhorar. Em Bragaa festa é justa e merecida. Uma noite histórica que possivelmente nunca mais se volte a repetir mas que, pelo menos, avala um excelente projecto desportivo que ainda pode dar mais de si. Numa festa absolutamente portuguesa não houve a emoção das grandes finais europeias mas no final para vencedores e vencidos isso acabou por importar pouco. Assim é, também, o futebol! 

 



Miguel Lourenço Pereira às 22:23 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Michel Platini instaurou um novo modelo de distribuição de finais europeias e Dublin foi uma das primeiras cidades satélite beneficiadas pela politica da UEFA de levar os grandes eventos a estádios de elite fora do circulo habitual de anfiteatros escolhidos. A capital irlandesa tem pouquíssima tradição futebolística e isso nota-se no ambiente. No relvado do Aviva Stadium estão as memórias passadas do mitico Lansdowne Road e os versos soltos perdidos de uma harpa que se ouve lá ao longe...

 

Apesar do relativo sucesso recente do futebol irlandês, que atingiu o seu pico entre 1988 e 2002, se há um país das ilhas britânicas onde o beautiful game continua a perder, claramente, para o rugby, é a Irlanda. Nenhum clube irlandês de futebol tem, sequer, a mínima tradição na competição. Ao contrário da Escócia, com um papel fundamental na definição do jogo, ou até mesmo o Pais de Gales, sempre pronto a recorrer ao velho estilo britânico em pleno século XXI, os irlandeses preferem o estoicismo do desporto que durante tantos anos partilhou tudo, menos o nome, com o futebol. Não é por acaso, aliás, que o clube com mais adeptos na ilha seja...o Celtic de Glasgow, primeiro conjunto derrotado pelo Braga na sua campanha deste ano. E clube derrotado, igualmente, pelo FC Porto na sua primeira final da Taça UEFA. Ironias do destino.

Talvez por isso não se viva um ambiente puramente futebolístico à volta do duelo derradeiro do torneio. Michel Platini, na sua guerra aos colossos do jogo, está determinado em levar as grandes finais europeias a países periféricos e sem grande tradição neste tipo de eventos. Foi assim com a Turquia, por exemplo, e volta a sê-lo com os irlandeses, país que nunca teve um clube numa eliminatória dos oitavos de final de qualquer prova europeia. No entanto o Aviva Stadium, construído por cima das cinzas do mítico Lansdowne Road, é um estádio de elite, cinco estrelas, construído para o competitivo mundo do rugby. Mas com o certificado de qualidade da UEFA. Aliás, a final disputa-se no terreno do Wanderers FC muito por culpa do estádio do Wembley. Tudo porque o rival do Aviva na disputa pela final da Europe League era o londrino Emirates Stadium. Quando a UEFA decidiu que o estádio de maior nomeada do futebol internacional, reconstruído de raiz, acolhesse a sua primeira final europeia, o recinto do Arsenal ficou automaticamente excluído por estar igualmente na capital inglesa. Sem rival, Dublin ficou com a festa.

 

52 mil lugares, um design inovador e distribuído de forma desigual – o que pode supor alguns problemas logísticos curiosos – o Aviva Stadium é detido pela federação de rugby irlandesa que compartilha o recinto com a selecção de futebol do país. Um modesto clube, o Wanderers, joga ocasionalmente os seus jogos mais significativos no estádio, mas são os duelos dos clubes mais importantes de rugby do país – bem como os confrontos do torneio das VI Nações – que dão colorido às bancadas. Com apenas um ano de vida, é um recinto sem história e magia particular, sem lembranças que envolvem os adeptos na mística do momento. Filho da politica de renovação de estádios, transformados em centros comerciais desportivos, com naming garantido para os próximos dez anos, é um estádio que não permite evocar o passado. Só a imagem da linha de comboio próximo transforma a memória e devolve, nem que por momentos, à vida, o primeiro grande ícone desportivo do desporto irlandês. Em Lansdowne Road os irlandeses viveram as suas noites mais intensas, mais apaixonantes e mais imprevisíveis.

Mais de 100 anos de duelos contra os rivais ingleses escondem muitas histórias, desde a marcha solidária de um grupo de jogadores do clube de rugby local com o exército dos Aliados durante a 1 Guerra Mundial às celebrações durante um Irlanda-Inglaterra transformadas em batalha campal dias depois do anuncio do desarmamento do IRA. Pequenos retalhos que definem a memória de um tapete tão verde com as terras da árida Irlanda e que os adeptos portugueses poderão relembrar na tensão dos momentos decisivos da primeira final da Europe League da nova década.

 

Em Dublin acabará por escrever-se, a ouro, mais uma página histórica do futebol português. Um estádio que relembra outras noites, as noites em que a selecção portuguesa superava os seus fantasmas e transformava-se numa potência europeia por direito próprio. Seja o Braga, seja o FC Porto, a festa será portuguesa, com certeza. Mas não faltará uma harpa, uma Guinness e um delírio de Samuel Beckett perdido no ar, perdido entre a eterna melancolia da bola que está prestes a entrar e que se suspende, no ar, até ao fim dos dias...



Miguel Lourenço Pereira às 13:00 | link do post | comentar | ver comentários (2)

As equipas conhecem-se à perfeição e repetem em Dublin os duelos mais equilibrados que viveu a Liga Sagres na época que agora chega ao fim. Domingos e Villas-Boas nutrem uma longa admiração mútua. E sabem perfeitamente como passar-se a perna. Talvez por isso o duelo de hoje no Aviva Stadium seja muito mais equilibrado do que o cartel pode deixar antever.

 

Poucas vezes teve de suar tanto o FC Porto de Villas-Boas como nos duelos contra o Braga durante esta temporada.

O triunfo na cidade dos arcebispos deu o mote para o sprint rápido rumo ao titulo, antes que a época se tornasse numa longa maratona. A vitória no jogo do Dragão cimentou uma liderança intocável desde o primeiro dia. Mas os resultados em ambos os jogos enganam. Foram duelos muito mais tensos, equilibrados e disputados que pode parecer à primeira vista. Sem uma chispa de superioridade clara, os campeões nacionais sabem que vão encontrar uma equipa que se organiza como ninguém e que deixa poucos espaços para os matadores azuis e brancos. Mais do que nunca a luta a meio-campo vai determinar o rumo do encontro mas é nos espaços que se vai decidir a final. Nos poucos que deixe o Braga e que aproveite o FC Porto e nos muitos que os bracarenses encontrarão entre a linha de meio campo e a baliza de Helton.

 

 

Defesa adiantada, armadilha preparada

 

Villas-Boas já deixou claro que jogará como sempre e isso significa arriscar.

Especialmente com uma equipa que se desdobra com rapidez e precisão cirúrgica quando tem relva para correr. A adiantada defesa de quatro já deixou mais do que um arrepio nos duelos com Sevilla e Villareal, as equipas que melhor souberam aproveitar o adiantamento do quarteto defensivo azul e branco. Mas essa defesa adiantada é, de certa forma, um risco em formato de armadilha. Villas-Boas é um técnico que prefere jogar com a bola do que explorar os espaços. Mas também tem consciência que equipas bem organizadas no seu meio-campo, como é o caso do Braga de Domingos, precisam de um incentivo para abrir brechas na muralha. Ao adiantar o quarteto defensivo o FC Porto não ganha só em pressão alta e bolas recuperadas. Como o canto da sereia, atraia os lançamentos do rival e procura descolocar as suas peças chave no miolo para depois explorar esse posicionamento ofensivo. Foi assim que começaram as vitórias contra Sevilla e Villareal e foi dessa forma que as duas equipas russas foram massacradas pelo ataque liderado por Falcao e Hulk. O brasileiro é perito em explorar esse espaço mas é o colombiano quem melhor entende esta espécie de maré defensiva, penetrando nas brechas rivais quando menos se espera. Se o Braga opta por uma defesa zonal, como é o mais provável, Falcao terá certamente mais de uma possibilidade de apanhar a defesa em contra-pé e fazer o que sabe melhor. Mas os seus golos começam onde o trabalho defensivo acaba. Rolando, Otamendi, Sapunaru e Alvaro Pereira são os principais artífices do ataque porque, como a defesa de Sacchi no AC Milan, determinam o acordeão ofensivo do FC Porto.

 

Jogo de xadrez

 

O Aviva Stadium não viverá um desses jogos que tanto apaixona os adeptos britânicos de contragolpes.

Será, sobretudo, um jogo pausado, com um ritmo próprio, o que dicte quem tem a bola. E prevê-se que será o FC Porto. Moutinho e Guarin pautaram as velocidades a que se dispute o encontro e obrigarão Mossoró e Hugo Viana a correr, mais do que a pensar o jogo de ataque do Braga. É nesse carrossel, nesse jogo de circulação, que se começará a decidir o ritmo do encontro. Varela e Hulk terão, como principal missão, abrir ao máximo a largura do campo, emulando os princípios de jogo do Barcelona de Guardiola. Não só conseguem tapar o jogo lateral do Braga, sempre perigoso nas subidas de Silvio e Miguel Garcia, mas também forçarão a defesa de quatro do Braga (que será sempre de 4+1, porque se espera um Vandinho muito recuado) a abrir-se e deixar espaços para as diagonais de Falcao. Ter a bola no pé permitirá ao FC Porto explorar as suas armas sem deixar a sua baliza demasiado exposta. Ter a bola, para o Braga, significará, sobretudo, poder respirar. Uma necessidade que certamente Domingos passará aos seus jogadores. Explorar os contra-golpes mas, sobretudo, adormecer o jogo, respirar e não correr riscos desnecessários. Afinal o Braga chegou a Dublin sem nunca marcar mais de um golo por jogo desde o duelo com o Lech Poznan. Por isso não sofrer será sempre a primeira prioridade dos minhotos que sabem que têm pela frente a dupla de ataque mais eficaz do futebol europeu.

 

Em última análise o jogo poderá ser decidido no banco de suplentes. Se houve algo que André Villas-Boas já demonstrou é a sua capacidade de mudar radicalmente um jogo pelos seus ajustes da linha de fundo. O Braga, fruto da natureza épica da sua campanha, não tem as mesmas armas e Domingos Paciência tem poucas possibilidades de acrescentar mais ao que coloque em campo desde o inicio. Mas num duelo tão equilibrado como o que se prevê, as substituições funcionarão mais na dimensão colectiva (pela reorganização táctica na terreno) do que propriamente pelos desequilíbrios individuais que possam deixar a sua marca no marcador. Mas uma final é, inevitavelmente, uma final e todos os detalhes serão fundamentais.



Miguel Lourenço Pereira às 02:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 17 de Maio de 2011

O FC Porto tem, na última década, tantas finais europeias como qualquer outro. Como AC Milan, Liverpool, Barcelona e Manchester United. José Maria Pedroto talvez nunca o tivesse imaginado mas os seus dragões já são, há muito, parte da elite europeia. Dublin não é novidade. É a confirmação de um estatuto que há dez anos atrás era uma utopia.

 

Quando o FC Porto terminou uma longa seca de 19 anos sem títulos o jovem André Villas-Boas tinha acabado de nascer.

Ele simboliza, nos seus flamantes 33 anos, o domínio avassalador que o FC Porto impôs ao futebol português durante essas três décadas. E é também o rosto ideal para confirmar o estatuto de grande da Europa que começa a ser uma profunda inevitabilidade. Apesar de continuar a ser um clube vendedor, um clube com um passivo considerável e um clube incapaz que produzir, da sua formação, uma geração que suceda à anterior, este clube é uma referência na classe média alta das ligas europeias. Num país periférico, sem expressão na elite do futebol, os azuis e brancos são um oásis que gregos, holandeses, escoceses, belgas, ucranianos, russos, turcos e até mesmo franceses não conseguem criar. Em dez anos Dublin será a terceira final europeia do FC Porto, a quinta da sua história em 26 temporadas. Uma média só ao alcance dos grandes mitos do futebol mundial.

Triunfar em Dublin já não tem a mesma magia de Sevilla. Naquela tarde noite de asfixiante calor os azuis e brancos eram rookies, lembrando-se apenas os mais velhos da glória de Viena. O triunfo de Mourinho abriu uma nova era. Desde então, só por duas vezes os dragões falharam os Oitavos de Final da Champions League. Esta foi uma delas. E terminou em final europeia. Agora do FC Porto espera-se tudo, o favoritismo caminhou do seu lado durante todo o torneio. Na pré-eliminatória, na confortável fase de grupos e nos jogos a eliminar. Nunca o FC Porto deixou de ser o grande candidato e isso explica, em parte, a maturidade competitiva que alcançou o clube. Num ano financeiramente complicado, e com o fantasma do titulo do Benfica presente, os azuis e brancos assinaram a sua época mais completa. E na Europa ditaram lei. Por isso sentem, com legitimidade, que Dublin é só um trâmite mais. Mas enganam-se. Não só porque sabem bem – afinal não foi assim há tanto tempo – o que é chegar a uma final europeia sem o estatuto de favorito. Também devem entender que uma vitória significa, sobretudo, lograr um objectivo moral importante: o respeito do futebol europeu.

 

Quando arranque a próxima Champions League o FC Porto será cabeça-de-serie.

É algo que não logrou em 2004, quando vinha de triunfar em Sevilla. Espelho dos pontos acumulados nos últimos anos nas provas europeias mas também do pedigree desta equipa. Os dragões preferiram investir em lugar de vender para recuperar a hegemonia interna (o que lograram facilmente e com um registo histórico) e de surpresa encontraram-se com a cereja no topo do bolo. Falcao, Hulk, Moutinho, Varela, Guarin, Helton e companhia mostraram o seu melhor rosto nas noites europeias e a filosofia de ataque de Villas-Boas tornou os azuis e brancos no ex-líbris da prova. A equipa que todos queriam evitar. E que chegou, previsivelmente, aonde todos queriam chegar. Sem atalhos.

Se em 2003 já se antecipava uma possível final 100% portuguesa, que afinal não acabou por ser, agora os portuenses encontram-se com o seu destino. Pode enganar o rival – e os benfiquistas sabem isso melhor que ninguém – e o adepto mais distraído pode pensar que se trata de um jogo nacional sem grande importância. Longe disso, será um duelo ainda mais difícil porque supõe estar num patamar a que os dragões são novos: a elite dos favoritos. Ninguém espera um cenário distinto à vitória dos homens de Villas-Boas e esse será o seu duelo. Jogar contra si mesmos, contra a displicência que já condenou tantas equipas grandes no passado. Ao FC Porto exige-se, nada mais e nada menos, que uma superioridade que esteja de acordo com os registos logrados em toda a temporada nas três competições onde chegou até ao fim. Chegados a esse ponto, os portistas encontram-se com os níveis de exigência que estão habituados a ver reflectidos nos rivais. Talvez por isso Dublin, menos mediática que Sevilla e menos pomposa que Gelsenkirchen, seja a final mais importante do clube. Porque supõe, definitivamente, olhar a Europa de olhos nos olhos e ser recebido com honras nesse clube exclusivo europeu.

 

Numa prova por onde andaram os recém-consagrados campeões de Alemanha, Holanda, Rússia, Escócia e alguns dos clubes já com bilhete marcado para a prova dos milhões da próxima temporada, é um erro pensar que uma final 100% portuguesa transforma a competição numa vitória menor. Para o FC Porto, pelo menos, é uma oportunidade única de dar um salto institucional significativo. De lograr o dobro dos títulos europeus conseguidos pelo maior rival interno. De atingir números que superam os registos de Real Madrid, Inter, Chelsea, Arsenal, Bayern Munchen ou Ajax na última década futebolística. De ultrapassar, definitivamente, esse medo antigo. Se com Pedroto era a ponte D. Maria, com o FC Porto moderno era o aeroporto Sá Carneiro. Hoje por hoje, o medo é uma palavra que deixou de ter sentido. Até porque se os homens do “Zé do Boné” mataram a fome de títulos domésticos contra o Braga, os legionários de Villas-Boas querem dar esse passo rumo à glória continental contra os guerreiros bracarenses. A história, inevitavelmente, sempre se repete.



Miguel Lourenço Pereira às 16:42 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Guerreiros. Sem dúvida. A campanha europeia do histórico Sporting de Braga de Domingos Paciência foi certamente uma pequena guerra para os minhotos. Uma longa guerra que arrancou no Verão, com a suspeita de muitos, e que termina agora em Dublin onde 194 equipas queriam chegar. E nenhuma deles mereceu tanto o bilhete para terras irlandeses do que uma equipa que desafiou todas as probabilidades e no final saiu com as fichas no bolso.

 

Não se trata apenas da primeira final europeia de um clube pequeno como é, realmente, o Sporting de Braga.

Até na liga portuguesa, bem longe dos potentados europeus, o conjunto arsenalista era uma equipa pequena até há uma década atrás. Vivia na sombra da ascensão do seu vizinho mais próximo, o Vitória de Guimarães liderado por Pimenta Machado, e as aspirações dos adeptos locais passavam apenas por uma época sem muitos altos e baixos. Com a chegada de Manuel Cajuda, a princípios da década passada, o Braga começou o seu percurso. Depois passaram Jesualdo Ferreira, Jorge Costa e Jorge Jesus, dois técnicos que se sagrariam campeões nacionais à posteriori e um que deixou de lado uma carreira promissora. O projecto era desportivamente estável e economicamente viável. Mas, ainda assim, pequeno. Até mesmo para Portugal. Só que havia algo na pedreira bracarense que começava a mudar. Sem rivais no meio da tabela à altura, com a queda do Boavista e as habituais crises existenciais de Vitória de Guimarães e dos clubes madeirenses, o Braga foi delimitando o seu espaço. E com Domingos Pacicência começou a escrever a história.

Não terá sido mais importante o golo de Miguel Garcia do que aquele que apontou Paulo César na pré-eliminatória diante do Celtic de Glasgow. Naquele quente dia de Agosto o Braga ainda não era ninguém. Um mês depois, esmagado o poderoso Sevilla, os bracarenses eram já a equipa de moda na Europa. Foi um ano complicado e cheio de obstáculos difíceis pela frente. Celtic, Sevilla, Arsenal, Shaktar Donetsk, Partizan, Lech Poznan, Liverpool, Dynamo Kiev, Benfica...dez equipas de nível, três campeões nacionais, equipas de top das principais ligas, históricos do futebol, lembranças da Champions League. A nenhum lhes valeu os pergaminhos passados. No presente a onda de euforia de Braga podia mais. Muito mais.

 

Em 2003 o Boavista esteve perto de selar o seu destino com o apuramento para a final de Sevilla onde estava, também, o FC Porto. Falhou.

Na altura percebeu-se o quão difícil era a um clube português, pequeno ou grande, chegar a uma final europeia. Afinal foram três presenças na última década, uma na década de 90, quatro na de oitenta, nenhuma na de setenta e seis na de sessenta. 14 finais com sabor português. E sempre com os chamados “grandes”. O Braga rompe uma lança a favor dos outros, dos que também podem.

Sem estrelas, com essa discrição financeira que obrigou a deixar partir jogadores determinantes como Matheus em Janeiro, e com um caminho complicado, o mérito do Braga é tremendo. Mais do que um 4-3-3 ou um 4-5-1, mais do que a capacidade de Vandinho de ocupar espaços. Do pulmão de Leandro Salino. Das correrias de Silvio e Miguel Garcia. Dos golos de Meyong ou Lima. Do olhar cerebral de Hugo Viana ou da fantasia de Mossoró. Das defesas acrobáticas de Arthur ou dos cortes de última hora de Rodriguez ou Paulão. Mais do que tudo isso, o fenómeno do Braga é mais social do que desportivo. Mais moral do que táctico. Mais humano do que puramente futebolístico. É o grito de guerra de uma pequena urbe, de um clube modesto num espaço que se supõe que é exclusivo dos grandes. Grandes em nome, grandes em dinheiro. Mas também grandes em coração.

Há dez anos atrás, precisamente, a final da UEFA, como ainda se chamava, viveu uma noite louca entre um histórico como o Liverpool e um modesto como Deportivo Alavés. O Braga não vive no extremos dos vitorianos, um breve mas cintilante cometa do futebol espanhol, mas sabem bem o que é ter a desconfiança do mundo em cima de si. Desde então, todas as finais foram disputadas por clubes com um passado, com pedigree, mesmo que longínquo como o do Midlesborough ou Espanyol. Nenhuma teve um convidado tão discreto como este Braga.

 

Talvez por isso Dublin seja mais do que uma festa portuguesa. É uma festa de um tipo de clubes que tenta sobreviver entre os milhões, os critérios da UEFA, a corrupção, os tubarões do mercado e os naufrágios económicos. A festa de um clube que sabe qual é o seu limite mas que teima em tentar ir um pouco mais longe. Talvez por isso Dublin já seja arsenalista. Só que ainda não o sabe muito bem...



Miguel Lourenço Pereira às 07:38 | link do post | comentar | ver comentários (8)

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