Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

É impossível nao associar este Mundial a Diego Armando Maradona. 24 anos depois o seu rosto volta a ser o elemento mais destacado do torneio. Maradona desfruta com cada lance como quando destroçava os rivais com os seus malabarismos impertinentes. A Argentina venceu os três jogos, mostrou ter debilidades mas tem um ataque temível, um Messi a que só lhe falta o golo e os festejos eufóricos de um mortal transformado em ser divino.

 

A Grécia foi a equipa dura que se esperava. A Argentina B o onze implacável que demonstrou ser a versao A albiceleste.

Maradona nao poupou Messi para dar-lhe o primeiro golo no torneio. Mas o poste e o guardiao grego adiaram o festejo da jovem pulga argentina que comandou a seu belo prazer o jogo ofensivo argentino. Há muito que Messi deixou de ser um extremo direito. É um avançado, um criativo, uma cópia de Maradona no terreno, rasteiro como as serpentes, impertinente como as águias. Falta-lhe o golo - já teve várias oportunidades - mas isso parece um detalhe. Como Cristiano Ronaldo, o jogador argentino vale pelo que faz a equipa jogar e nao só pelos golos que marca. Ontem apontou o canto do 1-0 de Demichellis e rematou para a defesa incompleta de Vyrzias que deu a Martin Palermo o segundo golo.

A Grécia fez o seu jogo, de ouvidos postos no embate dos seus verdadeiros rivais. O empate servia para as ambiçoes helénicas e os comandados de Otto Rehagel nunca ambicionaram mais. Genericamente, é esse o seu problema. A Grécia joga no erro e ontem a Argentina errou menos do que se supunha. E por isso venceu. No erro do rival.

 

A Nigéria é a terceira equipa africana a cair do torneio, mas deu uma réplica inesperada aos sul-coreanos.

Um golo madrugador devolvia a esperança às Águias Verdes, que jogaram mais com o coraçao do que com a cabeça. Talvez por isso tenham sido surpreendidos pela tranquilidade dos coreanos, que sabiam que precisavam de vencer se a Argentina nao desse uma ajuda. Dois bons golos deram a reviravolta no marcador mas, mesmo assim, a Nigéria quis cair de pé e arrancou um empate que se podia ter transformado em vitória, nao fosse Yakubu falhar um golo impossivel de nao ser concretizado. A noticia dos golos argentinos deu o sopro de ar fresco que a Coreia do Sul precisava, e nos instantes finais Park Ji Sung e companhia ralentizaram o jogo, poupando já forças para o próximo embate.

A Coreia do Sul defrontará o Uruguai num inesperado desafio que abrirá o primeiro quarto-finalista surpreendente de uma prova que promete mais novidades. Por outro lado, a Argentina repete o confronto com os mexicanos de há quatro anos. Na altura um golo de Maxi decidiu um jogo que os mexicanos mereciam ganhar. Agora basta olhar para o rosto de Maradona. Parece impossivel que esta felicidade possa chegar ao fim.


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Miguel Lourenço Pereira às 09:54 | link do post | comentar

Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Não houve o perigoso empate, mas também não foi preciso. A França naufragou, como esperado, e a África do Sul ainda tentou sonhar com o impossível. São, a partir de hoje, o pior anfitrião da história. Um Mundial negativo para o futebol africano, uma importante licção para a FIFA. Em frente a organização mexicana e o ritmo uruguaio. O continente americano domina o Mundial.

Á mesma hora decidiam-se as duas primeiras vagas nos Oitavos de Final.

Ao Uruguai e México até uma derrota servia, tal era o cenário que se punha no outro jogo. E para os mexicanos a derrota diante dos charruas foi a mais agradável da sua história. Não comprometeu o apuramento, ganho naquela categórica vitória sobre a França. A armada gaulesa caiu mais fundo do que se poderia imaginar com uma triste e infantil derrota contra os anfitriões. A África do Sul ainda sonhou com o apuramento, quando fez o 2-0, mas nem o Uruguai ajudou com mais golos, nem a França permitiu-se sair da prova sem golos marcados. Apontou 1, que não serviu para nada a não ser por um ponto final nas aspirações locais. Nunca um anfitrião tinha caido na primeira fase, nem mesmo o Japão ou os EUA. O futebol africano continua a dar uma péssima imagem de si e a FIFA deve ter a licção bem aprendida para a próxima "aventura".

A tarde começou com a emoção dos sul-africanos, que entraram em campo a acreditar no milagre. Do outro lado a França surgia, como se esperava, transfigurada. A revolta interna passou factrura, Abidal recusou-se a jogar, Evra foi afastado e Gourcouff conseguiu ser expulso á meia hora de jogo. O primeiro golo sul-africana chegou ao mesmo tempo que os mexicanos sofriam mais ás mãos dos uruguaios. O golo inaugural de Khumalo encontrou eco nas bancadas e logo seguiu-se o tento de Mphela. Ao marcar Luis Suarez, o Uruguai prestava um grande favor aos da casa e á FIFA. A diferença de 4 golos passara a 2 em 45 minutos.

 

No entanto esse foi o único momento em que houve a possibilidade de haver surpresa.

Na segunda parte a França equilibrou o jogo com os sul-africanos e o mesmo fez o México com os uruguaios. A equipa azteca ganhou a bola e passou a coordenar melhor os seus ataques com a associação Giovanni dos Santos-Javier Hernandez. Foi caindo sobre a área de Muslera mas o golo não chegava. Nem chegou. O Uruguai foi sólido na defesa, sempre eficaz nas transições, e controlou bem o jogo ofensivo mexicano. Do outro lado a África do Sul foi fraquejando e ao minuto 70 Malouda acaba uma jogada de associação com Ribery e marca o primeiro golo da França no Mundial. Um golo que destroçou as aspirações dos locais e matou os dois jogos. O México deixou de pressionar, a África do Sul perdeu a vontade e a questão ficou arrumada.

O Uruguai espera agora o segundo do grupo da Argentina que será a provável rival do México, tal como há quatro anos atrás. Num Mundial claramente dominado pelo continente americano, o naufrágio europeu e africano é bem exemplificado pelo desastre que significou a eliminação precoce da vice-campeã mundial e da equipa anfitriã. Um Mundial para tirar licções para o futuro.    


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Miguel Lourenço Pereira às 21:36 | link do post | comentar

 

12: 30 - Primeiro dia a eliminar. A partir de hoje há quatro equipas infelizes por dia que terão de voltar mais cedo para casa. Hoje o duelo é a sério para todos já que não há nenhuma equipa apurada automaticamente. Uruguai e México podem jogar para o empate mas irão certamente preferir um jogo contra qualquer um menos a Argentina. A equipa de Maradona, com as reservas (mesmo não estando apurada) mais Messi, mede-se à Grécia que precisa de ganhar e marcar dois golos para superar a Coreia do Sul (caso estes ganhem à Nigéria). Contam apuradas até ao último instante.

 

12: 21 - Terminada a segunda jornada é hora de eleger o onze em destaque. O Em Jogo aposta na seguinte equipa:

GR - Mark Paston (Nova Zelândia); DD - Gregory van der Wiel (Holanda) ; DC - Carlos Salcido (México) e Bougherra (Argélia); DE - Fábio Coentrão (Portugal); MDF - Raul Meireles (Portugal) ; MAD - Milan Krasic (Sérvia); MAC - Tiago (Portugal); MAE - Cristiano Ronaldo (Portugal) ; AV - Diego Fórlan (Uruguai) e Gonzalo Higuain (Argentina).



Miguel Lourenço Pereira às 11:30 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Num jogo em que a campeã europeia poderia ter goleado, a curta vitória frente ao onze hondurenho deixou a nu as debilidades das duas equipas. As Honduras, apesar da valentia em querer jogar com a bola nos pés, mostrou ter pouco futebol para estas andanças. Mas a Espanha não pode estar satisfeita. O jogo de toque do último Europeu vai-se perdendo numa selecção que se vê nervosa, trapalhona e sem contundência.

Um penalty falhado, muitos remates ao lado, um tiro à barra e muitos nervos à mistura.

Por muito que a imprensa espanhola queira vender o hiper-favoritismo do conjunto espanhol, está claro que esta equipa parece-se cada vez menos ao onze montado por Luis Aragonés que vergou a Europa ao seu bom futebol. Um futebol que era aplicado no toque e eficaz na concretização. O toque continua lá, mais atabalhoado e sem a mesma limpeza, mas continua. O tal tiki-taka que um falecido jornalista espanhol utilizou para baptizar o jogo do...Barcelona. Mas a contundência vai-se esvaindo à medida que os jogos da Roja passam. Contra equipas bem fechadas, esta Espanha não sabe como jogar. Ontem, as Honduras ajudaram. Quiseram, em alguns momentos chave do encontro, jogar de igual para igual. Mas não podiam. Não sabiam. E a Espanha agradeceu as ofertas. Dois golos de David Villa, o primeiro uma genialidade do avançado, foram suficientes para tirar a equipa espanhola do poço. Um empate e os europeus estavam praticamente eliminados. Assim, com uma vitória, podem até sonhar com ser primeiros de grupo. Graças aos curtos triunfos chilenos frente a hondurenhos e suiços. A sorte esteve ontem com Del Bosque, que mesmo assim viu do banco uma versão frouxa de uma equipa que chegou como o porta-estandarte das ambições europeias.

 

O antigo técnico do Real Madrid continua a querer afastar-se do 4-5-1 que Aragonés utilizou na Áustria.

Iniesta, lesionado, e Silva e Fabregas, por opção, foram remitidos ao banco. A equipa continua a utilzar dois médios de contenção (Busquets e Xabi Alonso), mesmo com rivais que seriam facilmente controlados com apenas um, como acontecia com Senna na equipa que venceu o Europeu. No jogo de ontem a Espanha apostou no 4-3-3 aberto, com Villa pela esquerda, Torres no eixo central e Jesus Navas aberto na direita. O jovem sevillista esteve uns furos abaixo do resto dos companheiros, enquanto que Torres viu-se demasiado perdulário. No eixo central, Xavi, sem ninguém com quem associar-se, nesse celebre modelo de jogo espanhol, uma verdadeira sombra. Só Villa, raçudo, se salvava da mediania. Foi dele que saiu o primeiro golo a meio da primeira parte, quando já se percebia que estas Honduras em 4-4-2, queriam jogar futebol e não, como fizeram os suiços, aguentar as estocadas espanholas. No arranque do segundo tempo, um remate do recém-contratado pelo Barcelona, bateu nas costas de um defesa e enganou Valladares. Era o golo da confiança, o golo que escondia os suores dos adeptos espanhóis que temiam uma fatalidade em forma de empate. De um momento para o outro, um golo fortuito foi suficiente para voltar a colocar Espanha entre os favoritos. Assim se vivem as coisas no país vizinho.

Villa ainda teve tempo de falhar um penalty e acertar com o poste. Fabregas entrou para render Xavi, mas o resto dos colegas, como quase todos os jogadores europeus, estavam já de rastos. Particularmente Piqué, sempre genial, sempre sacrificado. O resultado final é justo, pela imensa diferença entre ambas as equipas, mas curto para uma selecção que aspira a tudo.

Para a Espanha apurar-se basta com uma vitória por 1-0 frente ao Chile. Depois começa a matemática. Os espanhóis têm uma diferença de goal-average de 1 golo positivo com os suiços. Mas perdem no confronto directo. Se os helvéticos bateram as Honduras, deverão fazê-lo sempre por mais de um golo do que faça Espanha contra os sul-americanos, para vencer o grupo. Já os chilenos têm duas opções. Ganhar, e vencer o grupo. Ou empatar, e esperar pelo resultado suiço. A derrota não vale a Bielsa. Outra vez no fio da navalha.


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Miguel Lourenço Pereira às 08:30 | link do post | comentar | ver comentários (5)

A maldição europeia parece continuar. Hoje partimos para a terceira e decisiva ronda e tudo leva a crer que o Hemisfério Sul continuará o seu dominio sobre este Campeonato do Mundo. Enquanto as favoritas perdem gás, emergem as equipas sul-americanas como as principais candidatas a vencer a competição. O clima, a altitude, a preparação e atitude são as chaves de uma realidade que nem as grandes potências europeias parecem ser capazes de contrariar.

No arranque do torneio, exceptuando o omnipresente Brasil, todos os analistas pareciam claros e elegiam as equipas europeias como as grandes favoritas para o primeiro torneio disputado em África.

Desde a campeã da Europa Espanha até à actual campeã do Mundo, passando pela Inglaterra de Capello, a Alemanha de Low ou a sempre perigosa Holanda, parecia claro que o torneio estava feito à sua medida. Impossível ter-se estado mais longe da verdade. Um torneio disputado no inverno austral feito à medida das equipas do hemisfério sul. Que se têm revelado intratáveis.

O frio austral faz-se há muito sentir, com temperaturas negativas em muitos dos casos. O vento, a chuva e a altitude são outros elementos que jogam directamente a favor do exército austral. Quando a França defrontou o México, a 1300 kms de altitude, os jogadores gauleses estavam a jogar a uma altitude que era de 1000 kms maior do que a actual altitude Paris. Os mexicanos, por sua vez, jogavam a menos 1000 kms de altitude do que encontram habitualmente na sua capital. A mais rápida adaptação dos americanos à estrutura geográfica sul-africana é inevitável. E isso tem-se visto à medida que as duas primeiras rondas vão decorrendo. As equipas europeias, tecnicamente superiores, têm muita dificuldade em aguentar o ritmo dos encontros. O cansaço fisico é notório cada vez que entram para a segunda parte. E se a Alemanha disfarçou bem essa realidade no jogo inaugural (resultado da habitual preparação fisica germânica), já a Inglaterra, Itália, França, Portugal e até mesmo a Holanda, a única equipa europeia já qualificada para a próxima fase, parecem ser incapazes de reagir. Olhando para o jogo argentino, chileno, paraguaio ou mexicano é inevitável não ver a abrumadora diferença. O fisico está a jogar contra as equipas do Velho Continente.

 

Outro elemento que se tem revelado fulcral é a hora dos desafios.

Os europeus, com maior cartel mediático, têm jogado habitualmente no horário nocturno, já a sofrer temperaturas que muitas vezes roçam o grau zero. É o peso de terem o melhor horário televisivo. Um preço que têm de ser os jogadores a pagar, como se vê, com luvas, camisolas interiores e meias-altas para disfarçar o tiritante frio que sente na África do Sul.

Gratos, os sul-americanos e asiáticos, têm aproveitado o menor cartel mediático e disputado os jogos pela tarde, quando o sol ainda disfarça o frio e o ar é menos rarefeito. A Argentina, por exemplo, não teve ainda de jogar um único jogo pela noite, ao contrário da Inglaterra, por exemplo, que tem sofrido, e bem, com o frio austral. Um frio que, aliado ao clima tropical, com chuva e vento, se torna um autêntico pesadelo para os jogadores mais técnicos, que muitas vezes encontram também relvados que não estão nas melhores condições. Tudo somado, parece claro o significativo atraso dos onzes europeus face aos restantes rivais.

E no entanto, e isso também é significativo, África tem sido madrasta com os seus filhos. Os Camarões foram a primeira equipa oficialmente eliminada, mas o destino parece ser negro para as equipas africanas. A África do Sul, a Argélia e a Nigéria precisam de um milagre, já que partem como últimos da seu grupo para a ronda final. E mesmo as equipas com maior cartel, Gana e Costa do Marfim, precisam de fazer muitas contas para seguir em frente. Os ganeses terão de, pelo menos, empatar com a Alemanha. Os marfilenhos disputarão com Portugal o posto final. Um duelo Europa-África, que tem marcado a prova. Que pode passar para a última fase sem uma única equipa "da casa".

No meio disto a surpresa está nos onzes do hemisfério sul, que vão desde as combativas Austrália e Nova Zelândia (ainda com opcções de apuramento) aos conjuntos sul-americanos. O bom futebol do Chile, a força e resistência de Paraguai e Uruguai e o ressuscitar da Argentina transformam as equipas austrais nas grandes favoritas em seguir em frente. Os cálculos podem inclusive fazer com que a América do Sul seja o único com todos os conjuntos apurados para a última ronda. A Europa pode perder até a um máximo de dez equipas, se bem que o mais provável é que na próxima ronda se igualem os números. Cinco sul-americanos para oito europeus. Um torneio muito mais nivelado do que muitos previam. Mas com o centro de gravidade a deslocar-se, rapidamente, para sul.


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Miguel Lourenço Pereira às 02:57 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

Com esta vitória o Chile confirma a supremacia sul-americana neste Mundial sul-africano. Um triunfo justo da equipa que mais e melhor soube atacar mas que agora terá de disputar o apuramento com a Espanha e os suiços, que terão à priori o jogo mais fácil. O goal-average decidirá quem siga em frente e todos ainda podem vir a ganhar o grupo que parecia feito à medida dos espanhóis.

Um golo ilegal (como tantos outros nesta segunda jornada, que ameaça tornar-se na dos árbitros) valeu o triunfo ao Chile que sonha cada vez mais com o apuramento. Uma não vitória da Espanha confirma até, matematicamente, a qualificação chilena que precisa apenas de um empate no duelo final com os espanhóis para vencer o grupo e assim evitar o mais que provável Brasil.

Mais uma vez o "louco" técnico chileno voltou a apresentar uma equipa super-ofensiva, virada para o golo. Mas, ao contrário de Del Bosque, o argentino Bielsa soube como explorar a rigida defesa europeia. Um jogo mais aberto nas alas, menos congestionado no centro, e com mais espaços. No entanto ficou claro que, apesar de atacar muito, este Chile tem um problema com o golo. Muitos remates, poucos no alvo, um dentro (em off-side) foram o resume final do encontro, dando aos chilenos um curto goal-average de 2-0 para o duelo final com os espanhóis (que, sem jogar com as Honduras partem com um -1, enquanto os suiços têm um 0). A equipa Suiça manteve na primeira parte a organização que a caracteriza mas um garrafal erro da equipa de arbitragem (mais um), acabou com as expectativas suiças de repetir o feito da passada sexta-feira.

 

Com este resultado - o jogo em si foi emotivo, mas pobre futebolisticamente - tudo pode suceder. A Espanha terá a última palavra já que, com duas vitórias (e um minimo de quatro golos em dois jogos), os campeões da Europa vencem o grupo. Qualquer resultado hoje que não seja uma vitória deixa os espanhóis em muitos maus lençóis. Uma goleada hoje é meio caminho andado. Só faltaria bater este sério candidato a revelação da prova.  


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Miguel Lourenço Pereira às 17:45 | link do post | comentar

Queiroz acertou em toda a linha. Cristiano Ronaldo chamou a si a responsabilidade e esqueceu-se da pressão de marcar. A equipa voltou às origens e o resultado foi uma surpreendente e merecida goleada à Coreia do Norte. Mesmo perdendo com o Brasil, Portugal fica apurado caso os marfilhenhos não consigam repetir a goleada portuguesa. Boa esperança à vista!

Portugal é um país de 8 e 80´s por isso não é normal que a sua selecção de futebol o seja também?

A equipa saiu com um novo ar. Voltou ao equipamento totalmente vermelho, o mesmo que vestiu nos últimos seis anos, e às grandes exibições. Este foi, talvez, o mais conseguido jogo na fase de grupos de Portugal desde 1966. Não só pelos golos, que também os houve no passado (Portugal vs Polónia), mas pela coerência do jogo luso e pela soltura com que a equipa se exibiu. Sem os espartilhos defensivos que Carlos Queiroz obrigou os seus jogadores a vestir no duelo contra a Costa do Marfim, a equipa portuguesa foi ela própria. Desinibida, ofensiva e directa. Apesar dos quatro golos, falhou outros tantos que poderiam ter dado um resultado mais aproximado do que houve no terreno de jogo. Resultado das mudanças inicias de um seleccionador que leva a palma, por emendar a mão. Tiago trouxe ao meio-campo o que nunca se viu em Deco. Simão foi o extremo que Danny nunca soube ser e Hugo Almeida a referência de ataque que o meio-campo luso necessita para esmagar o rival. Até a entrada de Miguel, longe dos seus melhores dias, foi chave para abrir um campo onde Fábio Coentrão continua a ser um grande destaque. Excelente exibição do defesa-esquerdo que, junto com Raul Meireles no miolo, foram a chave da vitória. E claro, Cristiano Ronaldo. O número 7 vestiu hoje, finalmente, os galões de capitão. Esteve sempre perto do maldito golo que se lhe escapa há 16 meses. Se há algo que fica claro é que a dificuldade de Cristiano Ronaldo em marcar com a camisola lusa está no facto de que é habitualmente ele quem está na genese das jogadas de golo. Ora abrindo espaços chave nas marcações defensivas, como sucedeu no primeiro tento, ora com assistências primorosas como se viu nos golos de Hugo Almeida e Tiago. Se alguém merecia hoje um golo, era o número 1 do Mundo. Lá chegaria!

 

Portugal aplicou a goleada do Mundial mas começou titubeante.

A equipa queria encontrar o seu espaço neste novo modelo de jogo, um 4-3-3 mais claro e directo, e os coreanos revelaram-se rapidamente mais ambiciosos do que no jogo com o Brasil. Durante um quarto de hora as oportunidades dividiram-se, a mais clara de Ricardo Carvalho ao travessão. Depois a equipa lusa pegou no jogo. Debaixo de um imenso charco, os navegadores começaram a dobrar o seu particular cabo tormentoso num excelente lance de futebol a meio-campo com um bom passe de Tiago e melhor finalização de Raul Meireles. O golo que dava a vantagem ao intervalo já parecia pouco, até que a equipa ganhou o plus de confiança necessário para puxar pela tão ansiada goleada. Cristiano Ronaldo liderou pela esquerda a rebelião, mas foi Simão Sabrosa, depois de um lance onde se percebeu a vital importância de Hugo Almeida nesta equipa, quem marcou. Pouco depois foi Fábio Coentrão a procurar o espaço que lhe ofereceu Ronaldo para dar a Hugo Almeida o terceiro tento. Os coreanos estavam desorientados e o extremo do Real Madrid, num lance de máxima inteligência, ofereceu o golo a Tiago. O seu rosto sério dizia tudo. Sacrificou o seu ego pessoal e a ânsia de marcar, pelo jogo colectivo. Teria a sua recompensa.

Com a goleada garantida, Queiroz foi hábil nas substituições. Lançou Veloso para o meio, Duda para abrir o jogo pela esquerda e Liedson para rematar. E assim nasceram os últimos três golos. Com a sua dose de sorte. Liedson, por fim Tiago e no meio, o merecido tento de Cristiano Ronaldo. Um golo cheio de sorte mas que termina essa longa seca. Finalmente.

Com esta goleada Portugal está com pé e meio nos oitavos de final. E pela porta grande, com uma goleada das maiores da história recente dos Mundiais, que acaba de uma vez com a fama de equipa incapaz de ser eficaz diante das redes contrárias. No meio da autêntica travessia das tormentas, emerge-se a figura de liderança de Cristiano Ronaldo, a quem só faltou mais um par de golos para alegrar o sorriso. Portugal está vivo, muito mais do que se pensaria, quando soube respeitar a sua essência. E terminar em segundo do grupo até pode dar um bónus inesperado. Ver para crer.


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Miguel Lourenço Pereira às 14:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)

 

15: 54 - Notas sobre a vitória histórica de Portugal:

- Fábio Coentrão corre o sério risco de entrar no onze tipo da prova se continua a jogar a este nível.

- Queiroz deu um golpe na mesa e aplicou um onze perfeito, onde Tiago e Meireles tiveram a liberdade merecida, impossível quando está Deco em campo. O número 20 não tem lugar nesta equipa, esperemos que continue assim.

- A segurança defensiva continua a ser uma nota positiva, mas a profundidade dos laterais foi uma noticia ainda melhor. Sem Bosingwa foi bem ver em Miguel alguém menos contido do que Paulo Ferreira. Pela esquerda nada a dizer, um autêntico festival Coentrão.

- Pedro Mendes foi o elemento menos no meio-campo. Se Pepe estivesse em forma este meio-campo podia ser temível. Meireles cresce a olhos vistos e vê-lo a discutir com Ronaldo a forma de jogar prova que está solto e com vontade de comer o Mundo. Fazia falta este espirito na medular.

- Hugo Almeida merece a titularidade, não só pelo golo, mas pelo que lutou e porque é o único avançado português que pode jogar com o colectivo, de costas para a baliza, como se viu no segundo golo. Que Queiroz não volte atrás neste aspecto.

- Por fim, Cristiano Ronaldo voltou e emergir como o lider da equipa. Apostou no jogo colectivo, assistiu, correu, esforçou-se e teve a merecida recompensa. 

 

13: 03 - Hugo Almeida no onze, no lugar de Liedson. Também Miguel, Simão Sabrosa e Tiago entram como novidades.

Novos rostos, resta saber se a mecânica da equipa é a mesma ou o eterno problema de Portugal em marcar contra equipas fechadas e de menor gabarito se acentua no jogo onde os lusos mais precisam de marcar, sob pena de ficar de fora da prova por uma questão de golos!

 

11: 59 - Há 44 anos um rapaz decidiu que melhor do que ir ver o jogo da tarde do Mundial de Inglaterra, era ir ao cinema ver uma reposição do "The Man Who Shot Liberty Valance" com os amigos, num cinema no Porto. Quando saiu da sessão descobriu que tinha perdido o maior jogo da história da seleção. Hoje esse rapaz não vai poder ver o jogo contra os coreanos outra vez.

Não te preocupes! Onde quer que estejas, desta vez este jogo vamos vê-lo juntos!

 

 

11: 00 - Hoje Portugal reencontra-se com o seu passado.

Ainda de luto, o país olha para a tarde mais bela do futebol português, quando os "Magriços" protagonizaram talvez a mais histórica reviravolta dos Mundiais de Futebol. Que ninguém espere um novo 5-3, nem quatro golos de Cristiano Ronaldo. O mundo mudou desde então e este Mundial espelha bem a pobreza do futebol contemporâneo onde já não há lugar para a épica desses tempos. Portugal precisa obrigatoriamente de ganhar, marcar muitos e sofrer poucos, para garantir o apuramento para os Oitavos de Final. A tarde é deles. Como foi há 44 anos de todos nós!



Miguel Lourenço Pereira às 14:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Num quarto de hora o Brasil mudou a mudança, colocou o pé no acelerador, e destroçou uma Costa do Marfim bem mais frágil do que no encontro inaugural. Uma vitória categórica, pouco suada e polémica que garante o escrete canarinho nos Oitavos de Final e deixa aos marfilhenhos uma ligeira esperança de poder disputar o apuramento no último jogo contra Portugal.

Um golo divino e uma expulsão demoníaca.

O Brasil viveu entre o mais alto e o mais vulgar durante 90 minutos. Soube ser a equipa do primeiro jogo, atascada, previsivel e lenta, particularmente na primeira meia-hora de jogo. Depois marcou, com contundência, aproveitando as mil e uma debilidades que, desta vez, a Costa do Marfim não conseguiu esconder. Talvez porque, ao contrário de Portugal, este Brasil sabe como medir os tempos e atacar no momento certo. E com a dose minima para suar pouco que a prova é mais longa do que muitos suspeitam. O golo inaugural de Luis Fabiano resultou de uma das poucas combinações, na primeira parte, de Robinho e Kaká. O jogador emprestado ao Santos voltou a estar endiabrado, eléctrico, apesar de menos determinante. O médio avançado do Real Madrid, um fantasma no jogo inaugural frente aos coreanos, começou a mostrar lampejos do seu talento. Um passe demoníaco para o golo do "Fabuloso" que espelhava bem as diferentes ligas onde jogam estas duas selecções. O Grupo da Morte é bem menos letal do que muitos previam e este Brasil, como no ano passado, está vacinado contra o meio. E os rivais. E com isso vai sobrevivendo a uma verdadeira razia de equipas favoritas. Europeias, claro está. Como se podia prever.

 

A segunda parte viu o melhor Brasil do torneio.

Uma equipa mais solta, rápida nas triangulações, e que imprimiu ao jogo aquela dose de velocidade obrigatória para resolver um jogo que poderia ter-se tornado problemático se a Costa do Marfim tivesse tido metade da acutilância que revelou no jogo contra os lusos. Ao minuto 50 decidiu-se o jogo com a polémica que sempre acompanha os "campeões". Por duas vezes Luis Fabiano domina a bola com a mão, como inevitavelmente iria reconhecer à posteriori, e por duas vezes livra-se pelos ares de uma marcação displicente. No final o dianteiro brasileiro assina (também) um dos golos mais belos do Mundial e mata o jogo e o apuramento. Como Dunga gosta.

O golo teve a virtude de despertar o melhor Kaká, que pouco tempo depois serviu Elano para o seu segundo golo na prova, num gesto hábil de antecipação que, uma vez mais, deixou a nu as debilidades ofensivas de Portugal e defensivas da Costa do Marfim. Um Brasil sábio a gerir o jogo que teve ainda mais duas boas oportunidades de ampliar o resultado mas que acabou por sofrer um golo inesperado. A defesa em linha reagiu tarde e Didier Drogba lá apareceu para fazer o seu primeiro golo do Mundial. Um gesto técnico de cabeça de belo efeito e que pode ajudar nas contas finais. Que não contarão com Kaká. Era previsivel que Dunga desse descanso ao brasileiro mas o árbitro (mais uma péssima arbitragem num torneio nivelado por baixo em tudo) antecipou-se e expulsou de forma incompreensível o número 10 depois de uma simulação de agressão de Keita. Algo a corrigir, forçosamente, pela FIFA.

O triunfo sem contestação deste Brasil confirma o grande Mundial das equipas sul-americanas (zero derrotas até agora) e o imenso espirito competitivo do escrete canarinho. Um empate basta aos brasileiros para ganhar o grupo, ou nem isso, caso Portugal não vença hoje o duelo com a Coreia do Norte. Para os lusos esse é o jogo do tudo ou nada. Um triunfo deixa o apuramento muito perto. Mas é preciso marcar. Algo que Portugal tem graves dificuldades em fazer. Ao contrário de este Brasil de serviços minimos. Duas equipas em  ligas distintas num grupo praticamente resolvido.  


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Miguel Lourenço Pereira às 08:38 | link do post | comentar

Domingo, 20 de Junho de 2010

A Itália confirma medos ancestrais. Essa velha lenda de que a azzurra desilude sempre depois de ser campea do mundo nao podia ser mais verdadeira. Um empate patético ante uma lutadora Nova Zelandia transforma a qualificaçao dos campeoes do mundo num assunto muito complicado. Num Mundial de pernas para o ar.

Nao é só curiosidade que as equipas do hemisfério sul se estejam a dar francamente bem, como já demonstraram os onzes sul-americanos.

Em dois jogos a Nova Zelandia sumou dois empates que ninguém seria capaz de imaginar, transfomando as contas do apuramento num autentico quebra-cabeças onde os kiwis entram por direito proprio. Uma vitória face ao Paraguai atira a Nova Zelandia para o primeiro posto do grupo. Uma derrota ou empate entrega esse mesmo posto aos sul-americanos. Num grupo onde está a campea do Mundo. O pior lado da campea do Mundo.

A Italia voltou a desiludir, demonstrando que nem o regresso de Lippi é suficiente para apagar a pessima imagem deixada há 2 anos na Áustria. Tal como em 1982, os italianos voltam a nao conseguir honrar um titulo mundial. Jogo pobre, sem ideias e sem ritmo com uma geraçao de jogadores perto do final da carreira ou sem nivel para vestir a camisola azul mais celebre do futebol mundial.

O golo madrugador dos neo-zelandeses deixou o severo aviso. Smeltz desviou para golo e deixou boquiaberta uma equipa habituada a sofrer. Foram precisos vinte minutos, muitos disparates pelo meio e uma decisao polémica da equipa de arbitragem para a Itália marcar o seu segundo golo na prova. Iaquinta apontou de penalty o que ninguém era capaz de fazer com a bola a rolar. Nem seria.

 

Durante 60 minutos o jogo esteve atascado no meio-campo, sem soluçoes à vista.

A Nova Zelandia teve boas oportunidades para voltar a colocar-se na dianteira do marcador mas a inocencia (ou falta de experiencia) de muitos dos seus jogadores ajudaram ao estreante Marcheti, primeiro jogo como titular num Mundial. No ataque a Itália desperdiçava oportunidade atrás de oportunidade e nem os recém-entrados Camoranesi e Pazzini eram capazes de emendar os erros dos colegas. Uma Itália fantasmagórica, eternamente ausente, incapaz de aguentar o rumo do encontro. Durante 45 minutos os adeptos italianos viveram uma agonia sem fim que acabou por terminar em pesadelo. A campea mundial era incapaz de bater a equipa menos quotada no ranking de todas as seleçoes mundialistas. Uma equipa onde ainda há jogadores amadores que tiveram de gastar os seus dias de férias para vir ao Mundial de Futebol. Inimaginável.

Feitas as contas a Itália parte com os mesmos pontos que os neo-zelandeses para a ultima ronda. Terao de vencer a Eslováquia, que também luta por um lugar, e esperar um empate dos paraguaios para sonhar com o primeiro posto. Que parece cada vez mais impossível. Adivinha-se um Holanda vs Itália nos oitavos de final. Se a azzurra lá chegar claro.


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Miguel Lourenço Pereira às 16:46 | link do post | comentar

Apesar da Eslováquia ter dado bons sinais no jogo inaugural, o Paraguai demonstrou o que vale o traquejo nas grandes provas internacionais. Uma vitória por 2-0 categórica que abre as portas da próxima fase aos sul-americanos e deixa mais um duelo europeu para decidir o lugar que falta nas contas do apuramento.

Dois golos, um em cada parte, foi suficiente para confirmar o favoritismo dos sul-americanos.

O Paraguai, depois de uma excelente fase de qualificação, soube fazer o seu jogo. Controlou os espaços, esticou o jogo a meio campo e aplicou a velocidade quando lhe interessava. Com Lucas Barrios como elemento chave na estratégia de jogo, os guarani foram sempre superiores apesar de Hamsik e Weiss terem tentado por diversas vezes pegar no jogo. Nunca conseguiram. Aos 27 minutos, um lance supersónico do dianteiro do Borussia de Dortmund foi suficiente para destroçar a defesa eslovaca. A bola acabou nos pés de Vera que não falhou. Estava confirmado no marcador a superioridade que se via no relvado.

A segunda parte trouxe mais do mesmo com o Paraguai sempre por cima de uma débil Eslováquia.

Os europeus perdiam várias bolas a meio-campo, e a sempre organizada defesa paraguaia asfixiava o jogo dos seus mais talentosos criativos. O resultado eram rápidos contra-golpes que acabavam quase sempre a causar perigo ás redes de Mucha. Num desses lances, Riveros ampliou a vantagem e matou o jogo. Como há muito se mereciam os paraguaios.

 

O Paraguai precisa apenas de um empate para confirmar automaticamente o apuramento, se bem que uma vitória italiana face á Nova Zelândia praticamente garante que as duas equipas seguem em frente. Se a Itália terá de confirmar a passagem contra esta Eslováquia, a quem só a vitória vale, já os guarani sabem que levam vantagem no duelo contra os kiwi. E isso é muito!


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Miguel Lourenço Pereira às 14:17 | link do post | comentar

Sábado, 19 de Junho de 2010

Num Mundial africano que não está a ser nada bom para as equipas da "casa", os Camarões levam o duvidoso titulo de primeiros eliminados. Sem qualquer hipótese de seguir em frente, a equipa de Samuel Etoo foi um verdadeiro desastre nos dois jogos que disputou. Contra a Dinamarca ainda esteve a vencer, mas acabou por ver os nórdicos darem facilmente a volta ao marcador. A Dinamarca disputará o apuramento contra o Japão num duelo de vida ou morte.

O golo inaugural de Samuel Etoo parecia dar um novo folego ao jogo dos Camarões.

A equipa africana tinha passado ao lado do jogo inaugural contra os japoneses e precisava desesperadamente de pontos como ar. Um empate, minimo, senão a eliminação era automática. Não havia outra opção. Outra escapatória. E por isso, esse golo, resultado de um imenso erro defensivo dinamarquês parecia ser a chave que a equipa orientada por Paul Le Guen necessitava. Mas não foi. Nunca foi. O jogo dos Camarões não melhorou uma virgula da jornada inaugural e a pouco e pouco as perdas de bola do meio campo africano acabaram nos pés dos rápidos dinamarqueses. Os contra-golpes foram-se sumando até que surgiu o inevitável golo do empate. Uma desmarcação, um centro perfeito e o pé de Niklas Bendtner foi tudo o que era preciso para demonstrar todas as debilidades do jogo camaronês.

 

O segundo tempo entrou com uns Camarões mais aguerridos mas pouco esclarecidos. Como sempre a bola durava pouco nos pés dos africanos e as tentativas de ataque continuado esbarravam com a sólida defesa dinamarquesa. Estes há muito que tinham apostado no contra-ataque e num desses lances Rommedhal entrou de forma demolidora pela direita, flectiu para o centro e aplicou um disparo perfeito ao poste mais longinquo. Estava consumada a reviravolta, algo esperado depois de tanto desperdicio do ataque camaronês.

Com tudo isto os Camarões foram, uma vez mais, incapazes de reagir. Tinham mais posse de bola, causavam mais perigo, mas sempre sem realmente assustar Thomas Sorensen. O guardião dinamarques exibiu-se sempre seguro mas contou com um quarteto concentrado e um ataque rival verdadeiramente desinspirado.

Com a eliminação dos Camarões, fica a clara sensação de que as equipas africanas correm o risco de cair na primeira fase. Sem excepção. A complicada situação de Africa do Sul, Nigéria, Argélia, Gana e até mesmo Costa do Marfim dão um péssimo sinal da saúde do futebol do continente negro. Que uma equipa se serviços minimos como a Dinamarca tenha sobrevivo esta noite é um claro exemplo de que algo está bastante mal no futebol camaronês. Nem Etoo é suficiente. Há muito que já não o é!


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Miguel Lourenço Pereira às 21:22 | link do post | comentar

O grupo da morte revela-se como tal de forma definitiva. Quando o Gana teve a oportunidade de praticamente carimbar o apuramento, os golos desapareceram. A Austrália entra na luta final e a 90 minutos do fim todos podem ainda sonhar em seguir em frente. Equilibrio puro.

O golo inaugural de Austrália no Mundial voltou a lembrar que este é o Campeonato do Mundo dos guarda-redes. Pelos piores motivos.

Já o tinhamos visto no duelo anterior do dia e tantas outras vezes que, confessamos, já perdemos a conta. Kingson não ajudou a esquecer o maldito Jabulani. Um livre simples que o guarda-redes não soube segurar e que acabou nos pés de Hollman que não teve problemas em aceitar a oferenda. A Austrália, em quem ninguém confiava, particularmente depois do correctivo aplicado pela Alemanha, colocava-se em vantagem contra a mais sólida formação africana do torneio. Um triunfo que continuou a justificar durante meia-hora, com um bom jogo a meio-campo, organizado, e com várias iniciativas de ataque. Até que Harry Kewell, num acto de desespero, meteu a mão no sitio errado e virou o jogo por completo. Um penalty desnecessário que Gyan, pela segunda vez na prova, não desaproveitou. A Austrália iria jogar uma hora com menos um. Os ganeses tinham o caminho dos Oitavos abertos.

 

Mas não. Nada aconteceu.

Nem a Austrália parecia reduzida a 10, nem o Gana soube controlar o jogo a seu belo prazer.

Os africanos tentaram, por diversas ocasiões, mas nunca estiveram realmente perto de dar a volta ao marcador. Por outro lado, os Socerroos souberam explorar as falhas defensivas dos africanos, mas faltava-lhes pulmão e força no ataque para rematar o jogo. Com este resultado estão as quatro equipas do grupo na luta pelo apuramento. Os ganeses terão de vencer a Alemanha ou empatar, caso a Austrália ganhe á Sérvia. Tudo ainda é possível, até os alemães podem ficar de fora. Quem diria.


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Miguel Lourenço Pereira às 20:39 | link do post | comentar

Este Mundial começa a ameaçar tornar-se num verdadeiro caso de sonolência compulsiva. Especialmente quando em campo estão equipas europeias com os galões de favoritos a escorregar do ombro. A Holanda junta-se a todas as outras equipas (com a excepção moral de uma Alemanha em sarilhos) que apresentam um jogo pobre, pouco eficaz e demasiado lento para este tipo de provas. Serviços minimos parece ser a palavra de ordem.

Se com a Dinamarca a Holanda beneficiou de um erro da defesa nos dois tentos, com o Japão só um remate de Sneijder pode travar os nipónicos de garantir o seu quarto ponto do torneio. Para lá se encaminhava um jogo lento, sem ritmo, e profundamente táctico. Nesse capitulo a culpa teve-a a equipa japonesa, bem colocada no terreno, organizada e sacrificada. Os japoneses pautaram o ritmo holandês com uma pressão a meio campo interessante que secou o jogo de passe entre os suspeitos de costume. Van Maarjwick não teve a coragem necessária para fazer as mudanças que se lhe pediam no final do encontro anterior, com Elia e Afellay abertos nas alas. Voltou a atulhar o jogo pelo eixo central e a organizada defesa japonesa fez o resto. Do outro lado Keisuke Honda dava alguns sustos á defesa Orange, mas nem assim parecia ser capaz de repetir o brilharete da jornada inaugural do torneio.

 

Com o segundo tempo repetiu-se o cenário e os artistas.

O Japão atacava pouco e sem muito critério e a Holanda perdia muitas bolas a meio e mostrava ter pouca garra á hora de atacar as redes de Kawashima. Van Persie continua a ser um erro de casting como o único avançado da equipa, e Kuyt e van der Vaart foram os grandes responsáveis pela falta de apoio no remate final. Dessa forma sabia-se que só um golpe de sorte, como no jogo inaugural, um um momento de génio, seria capaz de salvar esta Holanda. E assim foi.

Um remate espantoso de Wesley Sneijder, incoformista, mas sem ninguém com que se associar em rápidas transições, quebrou o gelo do encontro. O golo holandês não despertou o melhor rosto do Japão mas fez o seleccionador holandês refrescar a equipa com os homens certos. Elia, primeiro, e Afellay, foram dar outro ar ao jogo ofensivo holandês que reiquilibrou o jogo. No final os japoneses tentaram dar um ar da sua graça, mas o jogo estava decidido. A favor dos de sempre.

Com seis pontos a Holanda está praticamente qualificada para a próxima fase, sempre exibindo uns alarmantes serviços minimos. Já o Japão voltou a dar bons sinais e certamente irá disputar o apuramento com a Dinamarca no último encontro. Uma progressiva melhora dos nipónicos graças á organização do meio-campo e á rapidez de Honda pelo flanco. Um jogador com tudo para romper com os velhos esteriótipos que continuam a olhar para os orientais como personagem de banda desenhada.


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Miguel Lourenço Pereira às 14:47 | link do post | comentar

Sexta-feira, 18 de Junho de 2010

Portugal teve o seu pior jogo dos últimos 10 face á Costa do Marfim. França teve mais um de uma série interminável de jogos lamentáveis frente ao México. Mas ninguém certamente se lembra de um jogo tão mau da selecção inglesa. Capello, de quem se esperava meio mundo, conseguiu destroçar uma das melhores seleções da Europa. Esta Inglaterra está ao nível da terceira divisão europeia.

Depois do Eslovénia vs Argélia, parecia impossível que o Mundial tivesse um jogo mais aborrecido ainda. Mas houve.

De novo com a Argélia presente, uma equipa com lamentáveis lacunas que teve toda a sorte do Mundo ao estar presente neste Mundial. E com a surpreendente Inglaterra, como candidato inesperado a equipa desilusão do Mundial. Com uma semana de prova completada.

Capello destroçou o ADN de jogo inglês. Não resolveu o problema Gerrard-Lampard e adicionou a isso um novo problema: Wayne Rooney.

O avançado inglês, depois de um ano imenso ao serviço do Man Utd, desapareceu do radar. Capello colocou-o ao lado de Emile Heskey, a má versão de um bom jogador que surgiu a finais dos anos 90 no Leicester e que desde há mais de cinco anos é um lamentável erro de casting internacional. Heskey destroi tudo aquilo de bom que faz Rooney. E afasta-o da baliza. E do golo. Que continua a escapar-lhe.

Na incapacidade de desenhar uma táctica coerente, Capello joga com um 4-3-1-1-1, com Lennon solto pela direita, mas sem qualquer chispa de ilusão á frente de um tridente que se atrapalha, se engana e se envergonha a cada jogo que passa. Mas se faltasse pouco, Glenn Johnson, um dos melhores laterais direitos da actualidade, falha mais passes que um jogador do Notts County e David "Calamity" James volta a ter um "wild card" para as redes inglesas. Com total desprezo para um jogador que cometeu um erro. Como todos os outros.

 

O jogo de Cape Town não tem história.

Será um desses desafios que ninguém quererá recordar para o resto das suas vidas. A não ser que sejam argelinos, que assim ganham o seu primeiro ponto do Mundial o que lhes dá, hellas, possibilidades de apuramento para os Oitavos de Final. Para tal teriam os ingleses de vencer a Eslovénia, por dois golos, e os magrebinos bater os Estados Unidos. Porque, neste momento, é a Eslovénia que (continua) lidera o grupo.

A Argélia esteve sempre melhor na defesa do que o ataque inglês, trapalhão como poucos neste Mundial. A Argélia esteve sempre mais competente no meio campo. E só faltou a pontaria no ataque. O pouco que faltou para uma surpresa maiuscula. E merecida.

A Inglaterra não dispôs em 90 minutos de uma só ocasião flagrante de golo. Não construiu um lance de ataque com cabeça, tronco e membros. E até os adeptos, fieis como poucos, não hesitaram em assobiar Capello e os jogadores. Merecido até ao fim. Um jogo que entra nos anais da história como um sério candidato a um dos piores da história do futebol inglês. Certamente o pior em Mundiais de Futebol. E que elimina, de uma vez por todoas, a equipa Pross da lista de candidatos ao ceptro mundial. Quando tudo parecia indicar o contrário. Puro engano.

A Inglaterra pode ainda ganhar o grupo e fazer um Mundial á italiana, como certamente quer Fabio Capello. Uma vitória face á aborrecida Eslovénia garante o apuramento. E se os americanos vencerem as "raposas do deserto", a diferença de golos variará sempre com o resultado do jogo final. Tudo é possível. Mas ninguém quererá lembrar-se de uma equipa que humilha um passado de uma selecção com eliminações precoces mas uma tradição de bom jogo.  


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Miguel Lourenço Pereira às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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