Segunda-feira, 3 de Maio de 2010

Parecia uma inevitabilidade. E no entanto tem traços de milagre. Depois do ano dos guerreiros de van Gaal, a Eredivise celebra o feito histórico dos legionários de McClaren. Uma equipa de estrelas de amanhã que brilham já hoje suplantou todos os obstáculos e bateu um dos melhores Ajax da história. Em Enschede poucos acreditam no milagre.

Os adeptos temiam que o destino lhes pregasse uma rasteira. Outra vez.

Na época passada os heróis de Enschede lutaram até ao fim com o intratável Louis van Gaal. E perderam. Quando ninguém esperava, voltaram à carga. E suplantaram todos os rivais. Do campeão em titulo AZ Alkmaar ao dominador das últimas edições da prova, o PSV. Faltava o grande Ajax. A equipa de Martin Jol que fez um campeonato em velocidade de cruzeiro para colmatar os erros de principiante. E que até ao fim acreditou num milagre particular. Nenhuma equipa marcou tantos golos como este conjunto ajaccied no que vamos de época. Um ataque demolidor com Luis Suarez como farol. Mas nem isso, nem a defesa de betão foi suficiente. Pura e simplesmente porque o Twente não tropeçava. Não cedia na corrida, taco a taco, pelo título. Na pequena localidade do norte dos Países Baixos a expectativa para este fim-de-semana era imensa. Ambas as equipas tinham de jogar fora do seu recinto. Uma vigilia de fiéis seguiu a equipa para o duelo final. O jogo mais importante da história do clube. Era proibido falhar porque os rivais de Amsterdam prometiam lutar até ao fim.

 

Bryan Ruiz e Miroslav Stoch.

São os dois nomes próprios do Twente 2009/2010. Os homens que fizeram esquecer a dupla Elia-Arnautovic que tão boa conta deu de si no ano passado. Claro que a equipa é mais do que isso. Mas essencialmente é esse duo-maravilhoso reflecte o estilo de jogo ofensivo e despreocupado do novo campeão holandês. Um minimo de justiça que tenham sido eles a decidir o titulo. À sua maneira.

Em Breda, frente ao modesto NAC, os soldados de McClaren entraram como as antigas hostes de Carlos V. Determinados a cercar com sucesso as redes do rival, os vermelhos começaram melhor o jogo. Com os ouvidos atentos. Um empate não era suficiente se os de Amsterdam batiam o igualmente pequeno NEC. A expulsão de Feher ajudou a dar o golpe de misericórdia. O inevitável Ruiz, que seria o jogador do ano não andasse por lá Suarez, abriu a contagem e anulou a vantagem que o Ajax já tinha no outro encontro. A tensão aumentava à medida que os minutos descorriam. Qualquer golpe de azar seria fatal porque os ajaccied continuavam a massacrar. Só o talento e calma do genial Stoch, que se espera que para o ano se afirme no Chelsea, souberam acalmar a tempestade. Um golo sublime que vale bem um título. Um pedaço de história.

Como bem apontou o The Guardian, o técnico Steve McClaren logrou o feito de ser o primeiro britânico a vencer uma liga europeia em 15 anos. O primeiro desde Bobby Robson e o seu FC Porto. Um mérito extra para um técnico maldito que demonstrou a superioridade de uma ideia, numa luta desigual contra moinhos gigantes. A épica vitória do modesto Twente prova bem que um projecto bem estruturado pode chegar a qualquer sitio. Até roubar o fogo aos deuses. Agora também o Twente faz parte da mitologia do desporto holandês.  



Miguel Lourenço Pereira às 20:37 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Praças reservadas, festas preparadas. Foguetes de pólvora seca. Na noite que tinha todos os condimentos para fechar as contas do titulo o SL Benfica, mais que provável campeão nacional, sofreu um severo correctivo do ainda campeão em titulo. Uma vitória do FC Porto com todos os condimentos que faltaram ao longo de uma época turbulenta e que deixou no ar várias dúvidas sobre como teria sido a edição deste ano da Liga Sagres se tivesse sido disputada em total igualdade de circunstâncias.

 

No final dos 90 minutos parecia que se celebrava um titulo no tapete verde do Dragão. Um titulo do FC Porto.

Mas não, na fria noite do dia da Mãe, confirmou-se que matematicamente o clube portuense perderá o recorde de números de presenças na Champions League, agora pertença do Manchester United. Um destino que pouco pareceu importar aos 45 mil adeptos azuis e brancos que, por uma vez em largos anos, fizeram o novo Dragão parecer-se com antigo estádio das Antas. O Benfica mostrou-se incómodo num cenário onde queria celebrar o segundo título da década. Os nervos dos jogadores encarnados e a antevisão do que seria a actuação arbitral deram sinais de si logo nos primeiros minutos. Jesus tinha apresentado o seu onze de gala enquanto que Jesualdo Ferreira lidava, uma constante de toda a época, com várias baixas, dos lesionados Micael e Varela ao suspenso Falcao. Apostou nos argentinos Belluschi e Farias e em Guarin no miolo, uma combinação que tinha dado boas indicações nos jogos anteriores. O colombiano foi fucral na manobra de contenção do meio-campo encarnado, anulando por completo o jogo de Javi Garcia.

Empolgados pelos adeptos, os azuis e brancos entraram melhores no jogo. Os incidentes prévios ao jogo e o clima infernal que se montou no estádio foi diminuindo a audácia habitual no onze encarnado, muitas vezes reduzido ao seu sector defensivo. Ao minuto 42 um canto de Belluschi encontra a cabeça de Bruno Alves. O capitão, um dos jogadores mais criticados do ano, cabeceou sem hipóteses para Quim e abriu uma corrente de emoções com que os encarnados estão poucos habituados a lidar. Com esse fantasma as equipas voltavam para o balneário e regressavam sem que o túnel do Dragão tivesse os mesmos efeitos nefastos que o túnel da Luz, meia volta antes.

 

A segunda parte revelou-se ainda mais quente do que a primeira, cortesia de mais uma arbitragem tendenciosa de Olegário Benquerança.

O segundo amarelo a Jorge Fucile, inexplicável já que o uruguaio está em queda sem simular portanto um penalty que não existe, mudou o ritmo do jogo. O Benfica voltou a encontrar-se numa situação cómoda - foram várias as vitórias ao longo do ano contra rivais reduzidos a 10 unidades - e soltou-se. Maxi Pereira colocou Beto à prova mas o jovem guardião mostrou-se seguro. No lance seguinte, já com Miguel Lopes em campo, Luisão empata num lance fortuito onde a defesa do FC Porto mostrou uma velha passividade que lhe custou muitos pontos ao longo do ano. Um empate celebrado euforicamente pelos poucos adeptos encarnados, até porque por essa altura já o Braga vencia o Paços de Ferreira e mostrava vontade de manter o braço de ferro até ao fim.

Contra toda a lógica, a reviravolta nos acontecimentos significou uma mudança no ritmo do jogo. Ferido no orgulho, o campeão nacional reagiu como poucas vezes se lhe viu esta época. Farias voltou a colocar a vantagem do lado dos azuis e brancos, cinco minutos depois do empate para dar lugar ao combativo Rodriguez pouco depois. Foi o último movimento táctico de Jesualdo Ferreira, expulso pela segunda semana consecutiva depois de uma carreira imaculada. Cortesia de Benquerança, que se esqueceu de aplicar o mesmo padrão de exigência a Luisão e Di Maria nos minutos seguintes, permitindo o Benfica acabar o jogo com onze. Desesperado, como só se vira em Liverpool, Jesus lançou Aimar, Kardec e Weldon. O titulo, tantas vezes celebrado durante a semana, parecia adiadado uma vez mais. Os encarnados procuraram o empate, mas o meio-campo azul e branco soube temporizar o jogo. E controlar a movimentação de uma equipa em superioridade número mas em inferioridade psicologica. O peso da responsabilidade notou-se com o passar dos minutos. Até que Belluschi, num remate de bandeira, fechou as contas. O Benfica saiu vergado, com a mais pesada derrota doméstica da época de um estádio que rugiu de raiva e orgulho ferido. Uma semana mais - a última - de espera ansiosa por um titulo há muito anunciado mas dificil de materializar.

Com a vitória de ontem o FC Porto garantiu a emoção até ao final da Liga mas perdeu a oportunidade de continuar a disputar um lugar na Champions League, cenário que só se verificou por uma vez nos últimos quinze anos. No entanto, a atitude dos azuis e brancos, com várias baixas importantes, voltou a deixar a nu as reais debilidades de um conjunto encarnado que há muito perdeu o entusiasmo das primeiras endiabradas jornadas. O titulo dificilmente escapará da Luz mas Jorge Jesus terá de entender que o nível de exigência da próxima temporada será bastante diferente. A não ser claro, que a Liga se volte a decidir em Janeiro nos escritórios da LPF em vez dos tapetes verdes onde a bola rola apaixonadamente.



Miguel Lourenço Pereira às 08:40 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Domingo, 2 de Maio de 2010

Em 2002 a FIFA deu um imenso passo em frente e acabou com o duopólio Europa - América que regia os destinos do futebol mundial.  Ao organizar o maior evento desportivo Mundial no continente asiático, Sepp Blatter ajudou a acabar com um tabu de mais de 70 anos. Ficou prometido mais. África vê agora cumprir um velho sonho. 50 anos depois de darem um murro na mesa, os africanos têm o seu primeiro Mundial.

 

Quando a CAF se constituiu, a finais dos anos 50, poucos imaginavam que algum dia o "Continente Negro" acabaria por receber um Mundial.

Por essa época a esmagadora maioria do continente ainda era ocupado pelas grandes potências europeias. E dos poucos estados independentes, a África do Sul era posta de parte pelo seu regime racista de "Apartheid". Um cenário inimaginável o que estamos prestes a presenciar. Mas os sonhos são longos e como o horizonte, não têm fim. A primeira luta das nações africanas chamou-se CAN. Lograram-na ainda antes que a recém-criada UEFA tivesse tido oportunidade de populizar o "Euro". Depois chegou a luta por um lugar no Mundial. E dois, e três...a épica dos Camarões em 1990, a desilusão nigeriana oito anos depois e os irredutiveis guerreiros do Senegal em 2002. Os africanos tinham passado a transição da África do Magrebe, com os países da costa mediterrânea a ditar a ordem, para ser definitivamente a "África Negra". E apesar do domínio do Egipto na prova continental, o Mundo passou a olhar com outro respeito para as nações do centro-sul africano. Em 2006 poderia ter começado a festa mas as pressões europeias foram maiores e o sonho acabou adiado. Por quatro anos. Até agora.

 

Muitos criticaram a FIFA por escolher África para este Mundial.

Longe de tudo e de todos, com um sociedade instável, uma criminalidade elevada e vários problemas logisticos que se adivinham dificeis de ultrapassar, foi uma escolha arriscada. A Taça das Confederações, o habitual balão de ensaio da FIFA para estas provas, não foi um sucesso retumbante. A falta de adesão popular, a questão hoteleira, as largas viagens e, sobretudo, o clima, assustam os mais precavidos. Quatro tipos de climas diferentes, o confronto entre o frio e chuvoso ocidente e o tropical leste, o vento, a altitude...tudo entra numa dificil equação que as selecções, particularmente as europeias, terão de saber confrontar. Mas por ser uma aposta arriscada, o Mundial de 2010 tem tudo para funcionar. As expectativas estão em baixo. No ponto ideal para surpreender. Um pouco à semelhança do que se viveu em Portugal, em vésperas do Europeu de 2004. A resposta popular, o sucesso das infra-estruturas, os problemas logisticos. Tudo isso desapareceu sob um manto de espectáculo e vida. O mesmo se espera desta aventura imensa de um continente que se abraçará de forma efusiva. África sabe que, faça bem ou mal as coisas, em 2026 terá outro Mundial. Quando se cumprir a nova volta ao Mundo que promete passar por Brasil, uma nação europeia (Inglaterra provavelmente) e uma asiática (Russia e Austrália como favoritos), o Mundial voltará à savana. Aí muitos evocarão a lembrança do Mundial de Messi. Ou de Ronaldo. Ou de Xavi. Ou de Rooney. Ou de Kaká. Ou de Drogba. Ou de Ballack. Ou de...

 

Faltam 40 dias para arrancar a bola. Para que as suposições, dúvidas e criticas dêm um respiro ao jogo mais belo. Os relvados ganharão vida e transformarão cada desafio numa épica batalha sem vencedores nem vencidos. E com a eternidade como prémio mais apetecido. Para os africanos desta vez as imagens não vêm de um postal longinquo. Estão ali ao lado. Pela primeira vez! 



Miguel Lourenço Pereira às 21:19 | link do post | comentar

O Mundo percebeu que havia um alienigena à solta no quente Verão mexicano de 1986. Sozinho Maradona ganhou um Mundial. Um dos mais espectaculares de que há memória. Entre os muitos heróis ofuscados pelo endiabrado argentino, destacou-se um abutre solitário que numa tarde inesquecível em Queretaro destroçou a melhor selecção europeia. Chamavam-lhe El Buitre e os dinamarqueses perceberam porquê.

Quem se lembra daquele mês de Junho tórrido de 1986 talvez não saiba que o Mundial esteve para ser disputado na Colombia.

Problemas financeiros levaram a prova pela segunda vez ao México. Havia dúvidas. Viveram-se certezas. Foi o mais espectacular torneio em largos anos. Repleto de heróis improváveis e momentos históricos. Portugal voltou à ribalta e começou em grande. Saiu pela porta pequena, espelho da mentalidade infantil e egoista bem lusa de Saltillo. A campeã em titulo, a Itália, não aguentou o peso do troféu. O mágico Brasil de 82 estava cansado. Passou pela prova sem pena nem glória, tal como a França, que mostrou ser incapaz de derrotar a sua besta negra. As grandes referências do Mundial acabaram por cair mais cedo do que o desenrolar do torneio parecia antever. Se Maradona estava num Mundial à parte, as três grandes selecções foram tropeçando pelo caminho. E facilitaram o resultado final. A explosiva URSS de Igor Belanov, um dos jogadores mais completos do futebol europeu, dominou um grupo onde estava a França de Platini. Depois, numa luta desigual contra a séria Bélgica de Ceulemans e Scifo, a surpresa. O mágico dianteiro do Dynamo Kiev apontou um hat-trick. De nada lhe valeu. Os belgas apontaram 4 golos ao imbatível Dassaev. Chegariam longe. Bem longe. Noutro jogo, em Queretaro, definiu-se o maravilho Mundial azteca. Duas das melhores formações europeias, que tinham precisamente sido rivais dois anos antes em França, mediram forças. Com um resultado inesquecível.

 

A Danish Dynamite foi a sensação da primeira fase.

Mantendo o ritmo endiabrado do Euro 84, os comandados de Sepp Piotnek arrasaram como poucos nas jornadas inaugurais. Bateram o Uruguai por seis golos, derrotaram a Escócia e vergaram a temida Alemanha. O mago Elkjaer Larsen e o jovem Michael Laudrup combinavam à perfeição no ataque, mas era o meio campo com Lerby, Olsen e Arnesen quem fazia o trabalho duro. Considerados como favoritos para a segunda fase, os dinamarqueses teriam de medir forças com La Furia. A selecção espanhola, vencida do Europeu de França, tinha uma das melhores gerações da sua história. Chamaram-lhe Quinta del Buitre. Pelo magro, sério abutre madrileño chamado Emilio Butrageño. O avançado do Real Madrid liderava uma equipa por onde passeavam classe homens como Martin Vazquez, Camacho, Señor, Gallego, Chendo, Salinas, Zubizarretta, Michel ou Goikotxea. A 18 de Junho os rivais mediam forças. Arnesen estava suspeno mas o seu velho amigo, Jesper Olsen, abriu cedo o marcador. De penalty. Confirmava-se o favoritismo dinamarquês e Larssen e Laudrup moviam-se à vontade. Dois minutos antes do intervalo surgiu nos céus o abutre. O empate de Butrageño mudou o ritmo do jogo. A Espanha voltou mais furiosa que nunca para o segundo tempo e aos 56 o avançado deu a volta ao marcador. Os dinamarqueses perderam a confiança em si mesmos e abriram espaços que o médio Goikotxea aproveitou para ampliar a vantagem. A Danish Dynamite lançou-se desesperadamente ao ataque e Butrageño agradeceu. Em oito minutos voltou a bisar apontando o seu quarto golo no jogo. E na prova. Seria também o seu último. Mas a favorita Dinamarca ia para casa. Os espanhois temiam a URSS mas acabaram por defrontar a Bélgica. Pensando já no duelo com Maradona, foram perdulários. E cairam nos penaltys. Sina que está ainda por mudar. E este foi mais o Mundial do alienigena e menos do abutre.

Maradona tinha saído pela porta pequena no Mundial de Espanha. Jurou a si mesmo que não voltaria a passar pela mesma humilhação. Billardo não era Menotti e Valdano, Pascuali, Burruchaga, Pumpido e Brown não eram provavelmente os melhores jogadores da história argentina. Mas isso importava pouco. O número 10 decidiu ganhar o Mundial sozinho e ninguém soube travá-lo. Empatou com a Itália, bateu a Coreia do Sul e Bulgária. Aguentou as violentas entradas dos defesas uruguaios, enganou meio-mundo contra a Inglaterra por duas vezes e deixou pregado ao solo o guardião belga. Na final, frente à sufrível RF Alemanha, não precisou de tanto. Ao sétimo jogo descansou. O Mundial era seu.



Miguel Lourenço Pereira às 09:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sábado, 1 de Maio de 2010

Bem vindos à viagem África do Sul 2010.

 

Até ao próximo 20 de Julho o Em Jogo vai embarcar numa viagem única até ao evento desportivo que culmina a última década e abre as portas aos dez anos que aí vêm. Entre as estrelas que marcarão as futuras edições e alguns dos rostos mais inesquecíveis das últimas duas provas, mergulhamos num oceano repleto de dúvidas e incertezas. Mas com emoção garantida.

 

A caravela zarpa para uma aventura nova para o Mundo. Pela primeira vez, África recebe o maior espectáculo desportivo do planeta.

Uma velha luta que termina no dia 11 de Junho. A partir daí o sonho acaba. Arranca a realidade.

O violento som das vuvuzuelas rasgam as almas. Os fantasmas de tribos antigos cercam os novos santuários. O triste outono do hemisfério sul ganha luz e arrebata a bola redonda das sombras e das dúvidas. O Mundial chega ao fim do Mundo, ao cabo que uma vez dobramos. Porque não uma segunda?

 

Jogadores, Passado, Presente, Tácticas, Seleccionadores, Estádios, Grupos, Encontros, Futuro, Vencedores e Vencidos...nos próximos dois meses e meio o Mundial 2010 será o prato forte diário do Em Jogo. Até ao dia 11 teremos uma exaustiva cobertura do certame. Durante a prova uma actualização diária de todas as emoções que nos chegam lá de bem longe. E depois a inevitável e necessária retrospectiva de um passado que há bem pouco foi futuro.

 

Bem vindos a esta viagem. Bem vindos ao Em Jogo. Bem vindos ao Mundial.

 

A festa começa antes. Agora. Esta casa é vossa!

 

 



Miguel Lourenço Pereira às 11:23 | link do post | comentar | ver comentários (2)

David e Golias? Nem tanto. Uma equipa renascida dos mortos, como qualquer relato de Stephen King. O tipico underdog, menosprezado até ser impossível de apanhar. Dois rivais de circunstância que nunca pertenceram ao mesmo escalão. Mas que a histórica coloca, frente a frente, num duelo indirecto para a eternidade. A Holanda prepara-se para inspirar e aguentar a respiração por 90 minutos.

O Twente nunca foi campeão. O Ajax tem mais títulos que qualquer outro conjunto do futebol holandês.

Uma boa história para os mais distraidos, que certamente pensarão no pequeno e humilde conjunto contra o gigante de Amesterdam. Mas a realidade é bem, bem distinta. O gigante, por assim dizer, que até é Tetracampeão europeu e conta com 29 ligas caseiras não ganha a Eredevise há 6 épocas. Mas no entanto, desde 1965 que só uma equipa ousou desafiar o poder establecido do trio dominante do futebol orange. Essa equipa é o actual campeão em titulo, que na época passada acabou com os sonhos dos adeptos do Twente. 365 dias depois os de Alkmaar vivem angustiados numa luta por um lugar europeu, cientes de que a forte aposta na Europa não funcionou. Enquanto isso, o pequeno conjunto de Twente segue orgulhoso no primeiro posto. Onde está há várias jornadas numa temporada que dominou em vários momentos. E que está prestes a vencer. Afinal, que são 90 minutos?

O conjunto orientado pelo inglês Steve McClaren prepara-se para fazer mais do que história. É uma das equipas que melhor futebol pratica nos relvados europeus. Uma verdadeira máquina de ataque que, no entanto, começou mal a época. Caiu diante do Sporting na primeira pré-eliminatória da Champions League. Na Europe League também não se exibiu ao melhor nível. Mas na Eredivise a conversa foi outra. Entrou de rompante e até ao Natal liderou o torneio. Depois viu-se desafiado pelo PSV, a grande força holandesa da década, e foi trocando de posições com o conjunto da Philips. Até que ganhou o braço de ferro e se viu isolado diante do oásis. Do sonho que ninguém arriscava a transformar em acto. Mas que está aí, bem perto de se fazer real. Os golos de Bryan Ruiz, a grande revelação da época, e o brilhante jogo do eslovaco Miroslav Stoch, pautam o futebol ofensivo da equipa. E alimentam sonhos.

 

A Liga Holandesa é das mais antigas da Europa mas até aos anos 60 manteve-se totalmente amadora. Essa foi a época da explosão do Ajax Amsterdam. O conjunto que em 1917 venceu o primeiro titulo de Liga conseguiu também a primeira vitória da Eredivise profissional. Desde então são incontáveis os titulos domésticos e internacionais das gerações de Cruyff, van Basten, Bergkamp, Litmanen e companhia. Mas há uma década que em Amesterdam se perdeu a magia do triunfo. A escola de formação, outrora a mais invejada do Mundo, entrou em declinio. E o futebol profissional ressentiu-se. A última liga ganha remonta a 2004. Depois disso a hegemonia do PSV. E a inesperada vitória do AZ Alkmaar de Louis van Gaal. Em todas essas edições o Ajax manteve-se fora da luta pelo titulo. Até agora.

Martin Jol substituiu o polémico van Basten e moldou uma equipa à sua medida. Um onze ofensivo, repleto de jovens e com vontade de comer o Mundo. A equipa que até começou bastante mal a liga foi trepando posições e ganhando duelos importantes. A um ponto do Twente o sonho continua aí e muitos lamentam-se agora de tropeções insuspeitos nas primeiras rondas. Os golos de Pantelic, Suljemani e Suarez mantiveram a esperança viva enquanto que a defesa de van der Wiel, Atouba, Verthogen e Alderweireld foi-se aperfeiçoando a cada jogo disputado. A pouco e pouco o conjunto ajaccied voltou a ser um espelho dos seus melhores momentos. Mas será tarde demais?

Hoje de tarde o futebol holandês pára. Um duelo a dois que se transforma numa disputa a quatro. Ao Ajax espera só lhe pode valer o NAC Breda, uma equipa modesta como poucas. O Twente depende si próprio mas não se importava de receber uma ajuda do NEC. Ambas as equipas jogam fora. Ambas esperam. Ambas sonham. Só uma poderá respirar tranquila. Só uma poderá vencer. Mas ambas mereciam-no. O futebol é assim, injusto por natureza.



Miguel Lourenço Pereira às 00:32 | link do post | comentar | ver comentários (2)

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