Terça-feira, 18 de Maio de 2010

Uma liga emocionante que espelhou bem a nova ordem do Calcio. A Vechia Signora e o envelhecido AC Milan voltaram a desiludir enquanto que a Roma se tornou rapidamente na grande sensação com uma recuperação espantosa. Sampdoria, Palermo e Genoa deram um toque de classe à luta europeia mas no final o rei manteve-se o mesmo. Pelo quinto ano consecutivo o titulo celebrou-se de neruazzuro no Dumo de Milão.

 

 

Júlio Sérgio

(AS Roma)

 

Foi uma das mais destacadas revelações da temporada. Começou a época como o suplente de Doni, habitual titular do conjunto giallorrosso nas últimas épocas. Com a chegada de Claudio Ranieri conquistou a confiança do técnico e tornou-se elemento chave no esteio defensivo romano que arrancou para uma recuperação prodigiosa. Eficaz debaixo da baliza, confiante a sair, apesar dos seus já 31 anos não se percebe que Dunga tenha chamado o seu...suplente.

 

Maicon

(Inter)

 

Confirmou, um ano mais, porque é o melhor defesa direito do Mundo. Gigante nas transições ofensivas, onde Mourinho lhe deu um protagonismo fora do habitual, convertendo as suas diagonais em arma perfeita, o lateral brasileiro foi um dos elementos fulcrais para a conquista do titulo neruazzurro, o quinto consecutivo. Nem as pequenas lesões o fizeram baixar de nivel ao longo da época e alguns dos melhores golos do Inter tiveram o seu selo único.

 

Lucio

(Inter)

 

Rejeitado por Louis van Gaal, o veterano brasileiro encontrou em Mourinho o seu novo messias. Adaptou-se como uma luva ao estilo de jogo do sadino e tornou-se no ferrolho perfeito para o quatro mais recuado do Inter. Seguro a defender, implacável na marcação, Lúcio foi um dos reforços chave para o upgrade qualitativo do Inter face à época passada.

 

Giorgio Chiellini

(Juventus)

 

Dentro da desastrosa temporada da Juventus destaca-se a afirmação definitiva de Chiellini. O central tomou o testemunho de Cannavaro, num ano para esquecer, e assumiu-se como o capitão da defesa da Vechia Signora. Rápido, ágil e com a frieza habitual dos centrais italianos, Chiellini é já uma imensa certeza e uma das boas noticias para Marcello Lippi.

 

Javier Zanetti

(Inter)

 

Incombustível, no minimo, é o que se pode dizer do lateral argentino. Contar as exibições de gala de Zanetti pode tornar-se um exercicio bastante monótono. A conta perde-se facilmente e bem depressa. Jogando pela direita, pela esquerda ou até no meio campo, Zanetti encarna como nenhum outro jogador o espirito do Inter. Um capitão em toda a linha, fulcral no jogo defensivo, chave nas movimentações tácticas ofensivas, o braço armado do treinador no terreno de jogo.

 

Daniele De Rossi

(AS Roma)

 

Não sentiu a perda do eterno parceiro, Alberto Aquilani, e soltou-se como nunca para uma época demoniaca. Ranieri deu-lhe a batuta do meio-campo e De Rossi respondeu com uma segunda volta demoniaca onde foi um dos grandes elementos da Roma. Potente disparo de meia distância, óptimo na troca de bola, o italiano é hoje em dia um dos médios mais quotados do futebol europeu. E com todo o mérito.

 

Angelo Palombo

(Sampdoria)

 

Há vários anos que Palombo tem andado debaixo do radar de muitas equipas. Nunca ninguém se convenceu definitivamente do seu génio a articular o jogo de meio campo, até que a Sampdoria de este ano voltou a colocar aos olhos do Mundo o fulcral que pode ser Palombo. Uma época memorável do conjunto genovês que acenta mais na inteligência de jogo do médio do que propriamente nos golpes de génio de Cassano, a sua grande estrela. A presença na Champions pode ser um aliciante para que o médio saia do Luigi Ferrari.

 

Wesley Sneijder

(Inter)

 

O jogador do ano em Itália e muito possivelmente na Europa. Irónico para um atleta praticamente dispensado pelo Real Madrid, que dele disse de tudo um pouco. Sneijder chegou, viu e venceu como nunca um jogador logrou no Giuseppe Meazza. O jogo do Inter saiu da sua mente antes de tocar na sua bota. Maestro como falso pivot ofensivo, determinante nas bolas paradas e nos longos remates, para os ressaltos oportunos de Milito, o holandês foi a arma secreta de Mourinho até ao fim. E funcionou à perfeição!

 

Antonio Di Natali

(Udinese)

 

Marcar tantos golos como os que logrou o dianteiro da Udinese não é para todos. O problema é que Di Natale é já um reincidente, um avançado com faro de golo compulsivo. Não é um virtuoso, nem um killer. Herdeiro da escola de Schillachi, é o tipico avançado com que ninguém conta até que a bola já entrou. Esta época entrou mais de 25 vezes, números altos para uma prova que continua a ser pouco apta aos amantes de golos de todas as cores e feitios. Na África do Sul é um dos nomes a seguir.

 

Diego Milito

(Inter)

 

Ganhou com Etoo e Pandev a trabalhar ao seu lado. Ganhou com a ajuda indispensável de Sneijder. Ganhou com a confiança que lhe deu Mourinho. Mas a patologia de Milito com o golo é antiga e vem desde os dias da Argentina. Na época passada já o tinha demonstrado no Genoa, mas este ano foi um pouco mais longe e transformou-se no homem determinante de um Inter há muito necessitado de um goleador fiável depois dos intermitentes mandatos de Ibrahimovic, Julio Cruz, Recoba e afins.

 

Giampaolo Pazzini

(Sampdoria)

 

Com os seus golos afundou a Roma. Com os seus golos ajudou a Samp a trepar na classificação. Com os seus golos deslumbrou e confirmou todas as suspeitas que há muito se formavam a seu respeito. Pazzini foi o goleador da moda na Serie A. Superou em mediatismo os populares Borriello, Iaquinta e Gillardino e convenceu até o exigente Lippi. 20 golos em 25 jogos são números de uma eficácia à italiana. À Pazzini. 

 

José Mourinho

(Inter)

 

O técnico português voltou a dar uma licção a um futebol que aprendeu a detestá-lo desde o principio. Criticado por tudo e todos, num país determinado em seguir a Roma de Ranieri, técnico local e ainda por consagrar, Mourinho aguentou a pressão ao seu estilo. Montou uma equipa repleta de jogadores descartados por tudo e todos e fez um verdadeiro upgrade do seu Inter 2008/2009. Continua a ter problemas em relacionar-se com as equipas de formação (em dois anos apenas lançou Santon à primeira equipa), mas os seus legionários acabaram por aguentar o acosso e venceram a dura guerra.



Miguel Lourenço Pereira às 20:56 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Desde que completou a sua etapa no FC Porto que José Mourinho criou uma lei inquebrantável. Ao português ninguém lhe ganha nos dois primeiros anos num novo projecto. Ontem bastou um golo do "Principe" Milito, uma das três contratações-chave do português, para confirmar a regra. Mourinho não gosta de Itália, Itália não gosta de Mourinho, mas para a história ficará mais uma dobradinha que pode ter um toque de história.

Parecia uma viagem no tempo o final do desafio em Siena com os jogadores no relvado e Mourinho ausente. Lembrança de Gelsenkirchen 2004.

O técnico português voltou a mostrar. à sua maneira, que maneja como ninguém os timings. Na hora dos festejos deixou o palco à equipa italiana e ele, português e mal amado na "bota", saiu de cena. Prelúdio do que se esperará em Junho quando cumpra a sua missão. Poderá ou não lograr um Tri histórico que lhe escapou nos dias do Dragão. Mas o "bicampeonato" e a "dobradinha" são gestas que já não se lhe escapam. Mas que para as lograr, em último analise, foi necessário sofrer de forma desnecessária. Este Inter, melhor equipa que qualquer uma das que conquistou os quatro titulos anteriores, perdeu demasiados pontos na sua corrida pelo scudetto. Falhou muito, e em locais onde não se esperava. Viveu a primeira parte da época a pensar na Serie A e a segunda na Champions League. E isso notou-se na prova que ficava em segundo plano. No que toca ao campeonato a segunda volta foi desastrosa e abriu portas ao sonho da Roma. Que não se concretizou por muito pouco apesar do mérito de Ranieri. O técnico pegou nas AS Roma a meio da tabela e chegou ao último jogo com legitimas esperanças de sagrar-se campebo. Voltou a perder para Mourinho. Um hábito com que tem de aprender a viver, coincidências do destino.

 

No ano em que o AC Milan de Leonardo foi um projecto falhado - a todos os niveis - e que a Juventus provou que um nome não faz uma equipa (apesar do bom plantel), as equipas de poder médio revoltaram-se e deram uma volta inesperada à tabela classificativa. Em Genova a genial Sampdoria, liderada por Luigi del Neri, conquistou um histórico 4 posto que abre as portas da Champions League, graças aos méritos de Cassano, Pazzini e Palombo. Atrás surgem Palermo, um conjunto que pratica bom futebol no oasis em que se tornou o Calcio, e o Napoli, equipa sensação na primeira volta, desilusionante na hora H. Só depois chegam Genoa (sofreu demasiado sem Motta e Milito) e a europeia Fiorentina, que se concentrou tanto na Champions que se esqueceu de que a maratona é mais complicada do que um curto sprint. E assim acabou o ano o conjunto de Florença, perdido no meio da classificação com Lazio, Udinese ou o Caglari, capazes de surpreender, aqui e ali, com bom futebol. Mas também com demasiadas dúvidas.

Se Atalanta, Siena e Livorno há muito que viviam condenados, fica pelo menos a consolação de que muito do melhor futebol vivido nas tardes de domingo veio, precisamente, de duas das equipas promovidas. O Bari foi uma das melhores equipas durante a primeira volta e, apesar de ter perdido gás, revelou-se um osso duro de roer. Já o Parma pode levar para casa o consolatório prémio estético de equipa revelação. Um regresso em grande de uma equipa que disputou vários titulos durante a década de 90 e que provou, por uma vez, que é possível jogar bem e ganhar com um orçamento infimo e sem estrelas. A Europa ficou à distância de um sonho.

Sneijder, Milito, Lucio, Julio César, Maicon, Zanetti, Etoo, Pandev, Cambiasso, Motta e companhia serão os rostos do Pentacampeonato neruazurro. Um titulo que permite ao conjunto de Moratti ultrapassar o eterno rival na perseguição histórica à Vechia Signora. Um titulo que ninguém disputará de um conjunto às portas da história. Um titulo desenhado a ferro e fogo pelo polémico e invencível "Speciale". Nunca soube tão bem o sentimento de missão cumprida.



Miguel Lourenço Pereira às 14:31 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Talvez o campeonato mais impressionante em largos anos. O Barcelona exibiu-se uns furos abaixo da época transacta. O Real Madrid uns furos acima. O choque de titãs tornou-se inevitável e os números a que ambas as equipas chegaram foram escandalosos. É normal, portanto, que o onze da época se divida entre uns e outros. Com algumas surpresas, como o jovem Felipe Luis, o veterano português Nunes e o surpreendente Banega. Uma equipa orientada pelo milagreiro Gregorio Manzano. O que fez este técnico andaluz ao longo do ano está para lá da razão.

 

Victor Valdés

(Barcelona)

 

Em Espanha vive-se o eterno debate sobre quem é melhor. Para Del Bosque o guardião catalão nem tem sido opção entre três, mas a verdade é que a vitória em mais um Zamora não deixa margem para dúvidas. Hoje por hoje, Valdés é o número um da La Liga. Uma época espantosa, com defesas prodigiosas que ajudaram o Pep Team 2.0 a manter o título de campeão nos momentos mais complicados. Um guarda-redes de excepção que cresceu muito nos últimos três anos.

 

Sergio Ramos

(Real Madrid)

 

Em Espanha é tarefa complicada encontrar um grande lateral direito. Estrangeiro ou local. Especialmente quando um jogador como Dani Alves passa a época em valores medianos. No meio de tudo isso destaca-se Sérgio Ramos. O andaluz até rende mais como central, mas na corrida pelo Real Madrid rumo ao titulo foi um elemento fulcral em muitos dos obstáculos. Perito em incorporações pelo flanco, Ramos tornou-se num falso extremo de grande utilidade para Pellegrini. Ao mesmo tempo comprometeu menos do que lhe vimos noutras épocas. Chega em boa forma ao Mundial.

 

Felipe Luis

(Deportivo la Coruña)

 

Jogou quase meia época, mas foi suficiente. Em Dezembro o Deportivo de la Coruña era a equipa sensação de Espanha e militava no terceiro posto de forma inesperada. Os méritos colectivos podiam reduzir-se à acção de um homem. Felipe Luis fez do carril esquerdo uma segunda casa. A defender e a atacar fez lembrar o melhor Roberto Carlos. Marcou, deu a marcar e evitou golos. Mais do que se lhe podia pedir. A gravíssima lesão que sofreu, num lance onde até marcou golo, ditou o final da época do Depor.

 

Gerard Pique

(Barcelona)

 

Se hoje Pique não é o melhor central do Mundo, não lhe faltará muito. Tem os traços de liderança que nos últimos quarenta anos só se apreciaram da mesma forma em Franz Beckanbauer e Franco Baresi. O que já é dizer muito sobre o espantoso rendimento do central que Guardiola repescou no Man Utd. Pique já o patrão da defesa e, ao mesmo tempo, acaba sempre por ser o primeiro jogador de toque do carrousell ofensivo blaugrana. Letal diante das redes rivais, já assumiu dotes de goleador surpresa. Um dos jogadores do ano, sem dúvida.

 

Nunes

(RCD Mallorca)

 

Aos 33 anos o central português é o exemplo perfeito de como um jogador pode passar debaixo de muitos radares e, mesmo assim, fazer uma época espantoso. No maravilhoso Mallorca, Nunes é o fiel da balança. Uma época de uma enorme segurança do central vimaranense, comandante em chefe de uma das defesas menos batidas da prova. A isso junta um faro de golo que poucos centrais cultivam. E acaba por ser um dos nomes próprios deste projecto que tinha tudo para acabar na II Liga e que acaba por saber de novo o que é viver a Europa.

 

Ever Banega

(Valencia)

 

Depois de uma época cinzenta no Atlético de Madrid o Valencia decidiu repescar o argentino Banega. Em boa hora. A equipa Che terminou a época no terceiro lugar e muito deve-o ao jogo do médio. Nem Villa, nem Silva, nem Mata, nem Pablo. Foi a destreza do seu pé esquerdo, a segurança do seu pé direito que permitiram à equipa de Emery manter-se num campeonato à parte de todas as outras 19 equipas ao longo da temporada. Uma temporada de luxo para Maradona ver.

 

Xavi Hernandez

(Barcelona)

 

Continua a ser o melhor jogador do Mundo. Um ano mais voltou a ser ele a alma do Barcelona de Guardiola. Com a baixa constante de Iniesta (em ano para esquecer), o trabalho de Xavi duplicou. A falta de apoio de Alves e a movimentação táctica de Messi também tiraram espaço de manobra ao número 6. E no entanto Xavi voltou a ser o rei das assistências, o rei do futebol de toque e o lider espiritual de uma equipa que continua a encadilar a Europa, apesar de se apresentar numa versão mais soft da que acompanhamos no ano passado. As capas dos jornais podem preferir o duelo Ronaldo-Messi, mas o argentino só é quem é porque tem o catalão atrás. E o português não é mais porque, não tem ninguém que faça o mesmo papel. Os três sabem isso. E o mundo?

 

Lionel Messi

(Barcelona)

 

A imprensa mundial empenhou-se em fazer de Messi a séptima maravilha da história. O argentino esteve, realmente, endiabrado. Guardiola moveu-o para o meio, criando-lhe o posto de falso número 10, e a sua faceta goleadora disparou a números históricos. O número 10 foi o interprete do futebol de toque de Xavi e companhia e ajudou a levar o Barça ás costas em duelos complicados. Mas continua a ser mais o espelho da filosofia de Can Barça do que um fenómeno isolado. Basta ver a sua performance com a albiceleste. É no entanto inevitável colocá-lo no top 3 do ano da Liga. Até porque aos 22 anos, Messi tem uma década para provar se aqueles que hoje querem dele fazer um Dios, têm realmente razão.

 

Cristiano Ronaldo

(Real Madrid)

 

O extremo português conseguiu o que muito poucos jogadores são capazes de lograr. Depois de cinco anos em Inglaterra, adaptar-se a um campeonato diametralmente oposto como o espanhol e emergir como um dos jogadores da liga foi algo que nem Zidane ou Ronaldinho lograram. Sem tempo para adaptar-se, a pressão dos 100 milhões de euros e do jogo de Messi começaram cedo a pesar nos ombros de Ronaldo. Notável até Outubro, a lesão cortou-lhe a margem de progressão. Depois demorou em encontrar-se numa equipa em eterna convulsão, sem modelo de jogo e sem espirito de iniciativa. Mas quando o sonho do titulo tornou-se real, Ronaldo emergiu como o lider que o Real Madrid não teve nos últimos anos e pegou literalmente na equipa às costas com assistências, golos e muita raiva acumulada. Merecia o título pelo esforço, apesar da equipa no seu todo ter sido sempre inferior ao rival de Barcelona. E mostrou que a diferença com Messi é apenas coisa de jornais. Só lhe falta o Xavi perfeito ao lado. 

 

Pedro Rodriguez

(Barcelona)

 

Foi a grande revelação do ano na Europa. Já na época passada tinha entrado, algumas vezes, como uma opção para Guardiola. Mas este ano, Pedro tornou-se na arma secreta perfeita do Barcelona. Tornou-se no único jogador da história em marcar em todas as competições em que participou. Deu a Supertaça Europeia no Monaco, ajudou a conquistar o Mundial de Clubes e marcou golos decisivos na Liga e na Champions. No campeonato espanhol rendeu definitivamente Henry e Iniesta no lado esquerdo do ataque. Determinado, vertical e ambidextro, Pedro Rodriguez foi a aposta mais certeira da Masia e um espelho perfeito de qual é a filosofia blaugrna.

 

Gonzalo Higuain

(Real Madrid)

 

Higuain foi decisivo nos titulos de Schuster e Capello. E no entanto sempre teve a imprensa de Madrid contra o seu estilo de jogo, bem argentino. Este ano, face ao flop que foi Benzema, o número 20 merengue tornou-se no novo santo e senha do ataque madridista. E respondeu com mais golos do que nunca. Nos dois meses em que Cristiano Ronaldo esteve fora, foi ele quem manteve a equipa no rumo certo com golos determinantes. Egoista em muitos lances, é um avançado de dificil convivência na área, mas não deixa de ser uma arma importante numa equipa que vive do futebol de choque, mais do que do jogo de associação.

 

Gregorio Manzano

(RCD Mallorca)

 

Foi o técnico milagreiro do ano. Em Espanha e qualquer liga europeia. O que conseguiu atingir com o Mallorca é algo que está ao alcance de muito poucos. A equipa das Baleares começou o ano com o espectro da descida. Sem dinheiro, com meses de salários em atraso e a iminência de fechar portas. A mudança de proprietários não melhorou a situação e há muito dinheiro ainda por pagar. A isso juntam-se os casos em tribunais por falta de liquidez e dividas. No meio de toda a tempestade, o andaluz montou uma equipa. Que sabe jogar futebol. Uma equipa sem estrelas, sem nomes sonantes. Mas com toda a ilusão do Mundo. E assim se manteve durante todo o ano, trepando na classificação até sonhar com a Europa. Falhou a Champions por segundos mas a viagem á Europe League é um prémio mais do que justo para os peregrinos do ano.



Miguel Lourenço Pereira às 20:38 | link do post | comentar

Depois da forma brutal com que o Barcelona dominou a edição passada da Liga Espanhola (com goleada por seis no terreno do eterno rival incluida) e dos milhões gastos por Florentino Perez no seu regresso à presidência do Real Madrid, não era dificil adivinhar que a edição de este ano seria um pulso apertado entre ambas as equipas. E foi-o, até ao final. Sem sprints, a liga de este ano foi ganha depois de uma longa e angustiante maratona que acabou no delirio culé em Canaletas. Com 99 razões para um titulo merecido do principio ao fim.

 

Foi um duelo único que prova que, no futebol, os números muitas vezes valem tanto como as exibições.

Um Real Madrid a anos-luz das suas melhores formações, com um futebol pobre e sem classe, soube manter sobre pressão o expoente máximo do futebol bonito, trave-mestre da organização táctica e da cultura de jogo ofensivo. Um duelo que terminou quando Duda marcou e Luis Prieto desviou para a sua baliza o remate mais inofensivo da carreira de Pedro. Em poucos minutos resolveu-se um dilema que tardou oito meses a chegar à sua conclusão. Nas bancadas do Camp Nou, um suspiro de alivio. Nas ruas de Madrid, uma resignação inevitável.

Guardiola tinha razão. Depois de 300 milhões de euros, o Real Madrid tinha obrigação de lutar pelo titulo. Mas só um terço do investimento saiu rentabilizado. O que correspondeu a Cristiano Ronaldo. No seu primeiro ano em Espanha, o luso marcou 26 golos, ficou a um de Di Stefano no seu primeiro ano de branco, e foi a alma da recuperação merengue. Ao seu lado, Higuain, o homem que ninguém queria, foi resgatando a equipa quando o português, por lesão ou castigo, ia vendo vários jogos desde as bancadas. E isso, no final, fez toda a diferença.

Depois de tanto dinheiro, tantas contratações, tanta expectativa, o Real nem foi melhor nem foi pior que a equipa que Juande Ramos orientou até ao final do ano passado. Chegou aos 96 pontos, um recorde. Mas insuficiente. Do outro lado estava a melhor equipa que o futebol espanhol recorda em muitos anos. Em versão light.

 

O Pep Team 2.0 foi um upgrade com vários bugs.

A troca de Etoo por Zlatan tirou aquela garra ofensiva que pautou o jogo blaugrana no ano passado. O sueco não encontrou o seu sitio e foi ofuscado pela mudança táctica de Messi. O número 10 deixou a banda, ergeu-se como falso avançado, e conquistou meritoriamente a Bota de Ouro com 34 golos. Muitos deles vieram com o selo de Xavi que, um ano mais, voltou a ser o melhor do bicampeão. No último jogo não esteve em campo e a equipa sofreu. Como sempre na sua ausência.

Xavi foi, junto com Pique, o único jogador que manteve o nivel com respeito à época anterior. A ausência de Iniesta, constantemente lesionado, o desaparecimento de Henry e a baixa de forma de Alves, Abidal, Keita e Touré foi-se notando. No meio de muitos jogos pautados por uma inusitada mediania, surgiu Pedro. O jovem em quem Guardiola confiava desde que o conheceu no Barcelona B explodiu e emergiu como uma das figuras da prova, onde houve menos espaço para as revelações da cantera (Pep deu poucos minutos aos mais jovens, exceptuando os já consagrados Pedro, Bojan e Busquets). Guardiola sabia que esta liga se ganhava por detalhes e assim foi. O mais significativo foi a dupla vitória diante do rival directo que deixou o Madrid sem moral para reclamar um titulo que dorme, justamente, um ano mais no Camp Nou.

 

No meio desta luta impressionante, parecia que os outros 18 clubes viviam uma liga à parte. 17, porque desde cedo o Valencia arrancou para um terceiro posto longe de tudo e todos, tanto dos perseguidores como do duo da frente. Meritória época de Unai Emery, ex do Almeria, com uma equipa repleta de estrelas com pouco cartaz. No entanto, foi a gesta épica do Mallorca que merece todo o destaque. Uma equipa sem dinheiro para salários, condenada a descer, foi trepando pela classificação para acabar o ano a lutar pela Champions. Perdeu, na última jornada, o sonho de voltar à prova rainha da Europa, mas ganhou a admiração de meio mundo. Obra e graça de Gregorio Manzano, a quem Guardiola apelidou de melhor técnico da prova. E com razão.

À frente dos maiorquinos ficou o Sevilla, depois de uma polémica mudança de técnico, e imediatamente atrás o Getafe de Michel e o recuperado Villarreal, que começou a época nos postos de descida. Por onde andou o Atlético de Madrid, antes de acabar a época na mediocridade doméstica mas com honras de glória europeia. Contra o relógio foram jogando até onze equipas. Na última jornada ainda eram cinco as que sonhavam em não cair no poço. A consagração do Barcelona condenou o Valladolid. A apatia do Real Madrid salvou o Malaga. O compadrio entre Sporting Gijon e Racing salvou os de Santander e Xerez e Tenerife sofreram com a falta de amigos, quando mais precisavam.

Numa liga de puras assimetrias, fica a sensação de que o duopólio Barcelona-Madrid tem todas as condições para seguir nos próximos anos. As diferenças de orçamentos, planteis e ritmo competitivo são, por demais, significativos. Por isso não é de espantar que a liga dos 2 e a liga dos 18 voltem a disputar-se simultanemante na próxima época. Guardiola já deixou a dica, a sua prioridade é a Champions League. O Real Madrid agradece. Para eles é mais um começar do zero.



Miguel Lourenço Pereira às 14:40 | link do post | comentar

muito tempo que a Taça de Portugal deixou de ser uma festa. A Federação Portuguesa de Futebol desvirtuou o trofeu com o novo formato de meias-finais. Ao permitir que o jogo se continue a disputar no semi-abandonado Jamor, deu-lhe o toque de finados. No meio de tanto vazio, o FC Porto apresentou um dos seus rostos habituais da época. Sem classe, sem atitude, sem chama, os dragões sofreram para bater os históricos flavienses. Resumo perfeito de uma época sem rumo.

A cara de alegria dos jogadores contrastava com a seriedade de alguns adeptos que se dispuseram a fazer a caravana Porto-Lisboa.

Natural. O FC Porto igualou o Sporting em Taças de Portugal com uma das vitórias mais cinzentas na história do torneio. De um lado o desmoralizado Chaves, recém-despromovido à...Segunda B. Do outro um clube marcado por um ano de hara-kiris e golpes no próprio pé, que procurava igualar o eterno rival em troféus conquistados no ano. 2 contra 2. Apenas, e só.

Talvez por isso o futebol se tenha abstido de aparecer no decrépito Jamor. O FC Porto atacou só numa parte. O Chaves existiu só noutra. Nunca houve um verdadeiro choque de equipas, tão dispares em qualidade e motivação. Os golos azuis e brancos de Guarin e Falcao premeiam os jogadores mais em forma do final de temporada azul e branco. A péssima exibição de Hulk dá razão aos que vêm no brasileiro apenas um producto de energia inesgotável. A inteligência de jogo, que consegue fazer de pequenos anões grandes génios, não vinha nesta poção mágica. Como um anti-herói Manga, o avançado brasileiro irrompeu por todos os lados. Mas os golpes não fizeram mossa. E assim descorreram 45 minutos, num jogo que foi ignorado por todos, desde a comunicação social ao público, passando pelas próprias equipas em campo.

 

O segundo tempo viu o melhor Chaves, fruto de um toque de reflectida revolta.

Os flavienses sabiam que tinham diante de si um rival adormecido em si mesmo e tentaram ripostar. Bruno Alves, igual a si mesmo, logrou ser expulso e facilitou as coisas. Um ano para esquecer de um capitão que passou toda a temporada a olhar para a Europa, tentando adivinhar onde poderá disputar os seus últimos anos de profissional de forma digna, como apontou. Sob a falta de presença da equipa, Jesualdo Ferreira pouco fez senão voltar a mexer no banco de forma oposta ao ritmo do jogo. O que o FC Porto tinha a menos, Jesualdo deu a mais. A apatia generalizou-se, os poucos rebeldes desapareceram do mapa. O Chaves, justamente, marcou. Um golo para a memória sem efeitos práticos nem nada que se lhe parece, talvez um último canto de finado de um clube histórico à beira da extinção. Como um tal Campomaiorense há uma década um o Estrela de Amadora, que há 20 anos apareceu no Jamor como um orgulhoso campeão. Dessa motivação ontem viu-se pouco. Mais eram as bancadas vazias e os corações sem chama.

O triunfo do FC Porto permitiu maquilhar em números o que não se conseguiu no terreno de jogo. Dois trofeus em cinco e a garantia de disputar com o eterno rival, o primeiro choque da próxima temporada. Com muitos rostos novos, espera-se. O próprio desencanto dos jogadores, taça na mão, espelham bem a falta de vida que há num balneário conhecido pela sua combatividade. O ano que vem adivinha-se duro e nenhum adepto dos dois grandes da liga portuguesa estará disposto a contentar-se com uma Taça. Talvez seja a final do próximo ano quem sai a ganhar! 



Miguel Lourenço Pereira às 12:08 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Domingo, 16 de Maio de 2010

No Mundial mais atipico de que há memória venceu o Brasil menos brasileiro da história. Pelo meio o espectáculo ficou a cargo das selecções convidadas, equipas por quem ninguém apostava que seguissem em frente na fase de grupos e que acabaram por ser os responsáveis pelos melhores momentos de um torneio feito à medida para o Tio Sam mas de que não se guardam saudades.

 

Jogos à tarde com um calor abrasivo para que a Europa seguisse o torneio feito pela FIFA para o mercado americano.

A entrega do Mundial aos Estados Unidos seguiu-se aos pedidos dos norte-americanos depois do sucesso do torneio mexicano. Os gigantes estádios de futebol americano foram adaptados para receber o soccer. Os hinos e as bandeiras encheram as ruas. O futebol ficou preso na alfândega e poucos imigrantes clandestinos conseguiram passar. Não veio do Brasil mais tristonho. Da Itália mais resultadista. Nem da sempre irreverente Holanda. Muito menos da Argentina do ET caído em desgraça. Ou da Alemanha destroçada. O futebol chegou dos pés das pequenas equipas europeias que foram rasgando a monotonia de jogos calculados ao mais minimo detalhe. Mas sem pingo de emoção. No final só o futebol de Bulgária, Roménia e Suécia soube encandilar os milhões de espectadores sedentos de uma prova à altura do torneio depois do magro sabor de boca do torneio anterior. E se no final a hipocrisia do jogo belo que o foi menos levou as duas selecções mais cansativas à primeira final decidida por penaltys, ninguém se esquecerá dos gritos de Hagi, Stoichkov e Ravelli, underdogs à americana.

 

A prova teve milhões dentro e fora dos estádios. Mas poucos jogos para lembrar.

Na fase inaugural houve poucas surpresas, salvo a eliminação precoce e trágica da ambiciosa Colombia. Os favoritos seguiram, a conta gotas, num torneio onde não havia França, Inglaterra, Portugal ou Dinamarca. Até que chegou o momento dos convidados. Num jogo inesquecível George Hagi, conhecido como o "Maradona dos Carpatos", mostrou que o titulo lhe acentava que nem uma luva. O verdadeiro 10 via o jogo da bancada, depois de mais uma suspensão, a última. A Roménia vulgarizou a favorita Argentina e o golo memorável do artista romeno foi um dos momentos mais altos do torneio. Os romenos seguiam em frente para defrontar o frio onze sueco, repleto de futebol alegre e despreocupado. Os golos de Thomas Brolin, o herói loiro que depois desapareceu tão rápido como irrompeu, tinham levado a Suécia a empatar com o Brasil e logo a bater a surpreendente Arábia Saudita. No confronto europeu que se seguiu os romenos começaram melhor mas os golos só chegaram no final. Brolin, inevitavelmente, abriu a contagem. Três minutos depois o empate do igualmente loiro e letal Raducioiu. O mesmo deu a volta ao marcador já bem entrado no prolongamento até que a cabeça de Kenneth Anderson levou o jogo para penaltys. Aí erigiu-se a figura mitica de Thomas Ravelli. O guardião fez defesas impossíveis e prolongou o sonho. Que terminaria aos pés do Brasil, cinco dias depois, do baixinho mortal chamado Romário.

 

No entanto o Mundial de 1994 será sempre da Bulgária de Stoichkov e companhia.

O dianteiro do Barcelona foi o melhor marcador do torneio (empatado com Salenko que marcou todos os seus cinco golos num jogo) e uma das mais espantosas figuras da prova. Os bulgaros sobreviveram a um grupo onde estavam também nigerianos, argentinos e gregos. Depois de baterem o México do florescente Jorge Campos a equipa de Kostadinov, Letchkov e Penev defrontou a titubeante Alemanha. Não houve história e apesar do golo inaugural germânico a superiordade bulgaro foi constante. Os golos de Stoichkov e Letchkov fizeram história. Pela primeira vez a Bulgária chegava às meias-finais de um Mundial. Subitamente a equipa de leste via-se a lutar pelo titulo. Mas faltava um último obstáculo. O sempre irritante degrau chamado Itália. Num encontro tenso, repleto de pequenas faltas a meio campo, outro génio decidiu o jogo. Os dois golos de Roberto Baggio em cinco minutos paralizaram o ataque bulgaro que tentou, sem sorte, remar contra a maré. No final a equipa ficou tão desanimada que acabou injustamente goleada pela Suécia no jogo do terceiro e quarto lugar.

Quando Baggio falhou o penalty, os bulgaros suspiraram pela ocasião perdida. E Stoickhov teve de ver o seu rival Romário levantar o trofeu. O quarto e mais penoso da história canarinha. Um trofeu ganho à americana.



Miguel Lourenço Pereira às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Foi uma das edições mais disputadas dos últimos anos. No entanto as principais equipas fizeram-se valer mais pelo valor dos colectivos do que pelas individualidades. Jogadores habitualmente desiquilibrantes como Bruno Alves, Liedson, Raul Meireles, Moutinho e companhia exibiram-se uns furos abaixo do esperado. Braga e Benfica dominam um onze onde há espaço para os dois revulsivos do FC Porto, numa equipa obrigatoriamente orientada por Jorge Jesus.

 

Quim

(SL Benfica)

 

Calou os criticos mais severos com a sua melhor época em largos anos. Jesus confiava pouco nele e pediu a contratação de Julio César mas o pequeno grande guarda-redes manteve-se constante durante toda a temporada. Muitas vezes foi a sua segurança e algum par de intervenções que salvaram a equipa virada para o ataque de algum que outro tropeção embaraçoso. Merecia o Mundial.

 

João Pereira

(SC Braga/Sporting)

 

Começou a época na máxima forma dando razão aos criticos do seleccionador que nunca o contemplava nas suas escolhas para render Bosingwa. Em Braga foi um dos nomes próprios da espantosa primeira volta e acabou por ser a única venda no mercado de Inverno. Chegou a Alvalade e rapidamente se impôs no onze titular. Perdeu espectacularidade (pela fragilidade da defesa leonina), mas continuou a dar muito boa conta do recado.

 

Evaldo

(SC Braga)

 

Tal como o colega do lado oposto, Evaldo arrancou a época montado numa moto. Com a subtil diferença de que nunca baixou o ritmo. Foi constante durante 30 jornadas, dando uma segurança a Domingos que nunca Jesus ou Jesualdo tiveram nesse lado do campo. Faltou-lhe talvez mais ambição nas subidas de flanco para colmatar uma época perfeita de um jogador dispensado pelo FC Porto há alguns anos.

 

David Luiz

(SL Benfica)

 

Época primorosa do central, actualmente um dos melhores a actuar no Velho Continente. David Luiz foi seguro, eficaz e soube assumir-se como lider quando necessário. Cada vez que Jesus o deslocou para a esquerda sofreu do mesmo mal a que lhe vetou Quique Flores na época passada. No eixo central foi imperial, apesar de ser ainda um central com alguma propensão para agressões infantis que acabaram por não lhe passar demasiada factura.

 

Moisés

(SC Braga)

 

A segurança do Braga começou na defesa e no eixo central a dupla Rodriguez-Moisés foi sublime. O brasileiro chegou, aos 30 anos, ao ponto mais alto da sua carreira. Uma época que começou discreta mas que foi ganhando força à medida que os jogos se lhe acumulavam nas pernas. Titular absoluto, fez parte do quarteto em grande parte responsável pela corrida ao titulo dos arcebispos.

 

Vandinho

(SC Braga)

 

A Liga Sagres ficou decidida em Janeiro quando o Conselho Disciplinar vetou Hulk e Vandinho para largos e tortuosos castigos, que mais tarde se revelariam, como se sabe, injustos. No caso do portista, o efeito pode ser discutido, já que não estava na sua melhor forma nessa fase da época. Mas com Vandinho não há dúvidas. O médio centro do Braga estava a ser o melhor dos arsenalistas e a sua baixa notou-se claramente no modelo de jogo de Domingos. Sem Vandinho a equipa perdeu equilibrio para a segunda volta. Imaginar como teria sido o campeonato com o brasileiro no onze durante a segunda volta é algo que forçosamente ficará como uma das manchas desta edição.

 

Ruben Micael

(Nacional/FC Porto)

 

Já o ano passado tinhamos alertado para o talento deste pensador da Madeira. O arranque do ano deu-nos a razão. O Nacional começou bem a época, partircularmente na Europe League, muito graças ao futebol incisivo e de toque rápido de Ruben Micael. Em Janeiro a sua chegada ao Dragão despertou um conjunto azul e branco adormecido e durante alguns jogos, o médio foi o revulsivo necessário para o Porto acalentar o sonho do título. Problemas fisicos e uma lesão inoportuna afastaram-no dos jogos finais e do Mundial. Para o ano espera-se a confirmação definitiva do melhor pensador português do tapete verde actual.

 

Alan

(SC Braga)

 

Descartado pelo FC Porto, o extremo brasileiro andou alguns anos por Guimarães até que acabou repescado pelo eterno rival. Em Braga o médio soltou-se dos medos e exibiu-se de uma forma absolutamente fantástica durante grande parte da época. Rápido, bom no toque, corajoso diante das redes, Alan foi o elemento do sector ofensivo que mais se destacou no conjunto bracarense. A chegada de Luis Aguiar potenciou ainda mais o seu estilo de jogo e ajudou a esquecer que os bracarenses passaram o ano sem um grande avançado no onze.

 

Javier Saviola

(SL Benfica)

 

Foi, a par de Vandinho, o melhor jogador da primeira volta. O argentino deu o toque de classe que o conjunto encarnado precisava. Depois de falhar em Espanha, o menos exigente campeonato português provou ser remédio santo. A associação com o amigo Aimar ajudou, mas foi o posicionamento táctico que Jesus lhe destinou quem fez de Saviola o mentor do bom jogo ofensivo do Benfica na primeira volta. Com a segunda parte do campeonato foi-se o fisico e a equipa da Luz perdeu fulgor e imaginação.

 

Angel Di Maria

(SL Benfica)

 

Nos últimos dois anos parecia que Di Maria seria mais um flop, dos muitos que têm chegado e partido da Luz sem pena nem glória. Mas com Jesus, o extremo argentino cresceu. Mentalmente ganhou outro estofo e isso percebeu-se de imediato no terreno de jogo. Fantasista, atrevido e pícaro, Di Maria foi a arma secreta do Benfica nos momentos mais complicados. A sua saída de Portugal é inevitável, resta saber se terá a fortaleza mental para desafios mais exigentes.

 

Falcao

(FC Porto)

 

Foi o melhor jogador da época. O mais regular. O mais atrevido. O eterno contra-corrente. Quando o FC Porto viveu os seus piores meses, Falcao respondeu com golos. Quando a equipa encarrilou na sua melhor série, o colombiano disse presente. Fustigado por uma táctica que não terminava de encaixar com o seu modelo de jogo, Falcao provou ser mais completo do que o rival na lista de goleadores, o paraguaio Cardozo. Se este foi o producto do sistema encarnado, Falcao existiu contra o modelo portista. Ao contrário de Saviola, Vandinho e Di Maria, manteve-se constante ao largo de todo o ano e merecia outra recompensa depois de um primeiro ano que não se via desde a chegada de Liedson a Portugal. Merecia, como minimo, que Shakira não fosse a única voz colombiana a ouvir-se na África do Sul.

 

Jorge Jesus

(SL Benfica)

 

O mérito de Domingos Paciência é espantoso. Montou uma equipa pequena mas repleta de ambição. E lutou até ao fim. Poderia ser dele o banco. Mas Jorge Jesus aproveitou este ano para calar os criticos que o destinavam eternamente a equipas pequenas. Acabou por ser o estratega da Amadora a fazer grande o Benfica, e não o contrário. Prometeu muito e cumpriu quase tudo. Fez esquecer os erros de casting de Koeman, Fernando Santos e Quique e tornou-se no único técnico em cinco anos a rentabilizar um plantel de muitos milhões que passou os últimos anos a sofrer até ao fim para lograr objectivos minimos. Defensor de um futebol ofensivo, montou um esquema táctico equilibrado, suficiente para o campeonato luso. Soube onde apertar com os mais pequenos, mas deixa no ar a ideia de que nos confrontos contra os rivais directos precisa de algo mais de punch. Viu-se em Braga, em Alvalade, em Liverpool e no Dragão. O próximo ano demonstrará se este é o principio de um ciclo ou só um parentesis de uma longa doença.



Miguel Lourenço Pereira às 03:27 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Sábado, 15 de Maio de 2010

A lembrança ainda dos dias da outra senhora ecoam sob o designio de estádio "Nacional", nos terrenos erguidos no Jamor por um país que queria afirmar-se pelas obras públicas. Tal e qual como hoje. Mas se há anos que a selecção, essa sim, nacional, não põe lá os pés, que futuro tem um estádio reformado por fora mas destroçado nas suas entranhas. Receber um jogo ao ano é o justificante da sua quase não-existência. E o espelho de um país mais centralista do que nos dias em que o Jamor se enchia semana sim, semana também.

Na época passada o FC Porto e o Paços de Ferreira surgiram como finalistas da Taça de Portugal.

Ao contrário da Taça da Liga, ancorada ao igualmente vazio e sem sentido estádio do Algarve, a Taça de Portugal é uma prova organizada pela Federação Portuguesa de Futebol. E como tal, por representantes de todos os clubes e associações. Esperar-se-ia, portanto, alguma sensibilidade face a uma situação que, apesar de não ser inédita, teria de ser tratada de forma distinta. Duas equipas a norte do Douro, que coexistem num espaço de 50 kms, eram forçados a carregar armas e bagagens para mergulhar no betão e cimento da A1 rumo à capital do reino imperial. Houve pouca contestação, que nisto de fazer finca pé os portugueses têm muito ainda que aprender com o país vizinho, e o jogo lá se disputou com muitos lugares vazios nas bancadas. Ninguém se lembrou, por exemplo, que utilizar recintos como o estádio de Braga, Coimbra ou Aveiro, bem mais próximos da sede de cada equipa - e do seu nucleo de adeptos - teria feito mais sentido. Não, o regime exige que, uma vez ao ano, quem quer que seja - e aqui incluimos as ilhas, os transmontanos, os das beiras, os alentajanos, algarvios, minhotos e durienses - se desloque ao estádio "nacional". Um estádio onde nem a selecção treina, quanto mais joga. Um estádio onde nem a equipa nacional de rugby diz ter condições para trabalhar. Mas essa imagem da tribuna de pedra, com o presidente de Taça na mão, é estampa obrigatória no curto calendário desportivo luso. Podem-se mudar sedes de Supertaças, Taças da Liga e afins. Mas no Jamor ninguém toca.

 

Este ano, com a eterna cumplicidade das equipas do centro-sul-ilhas do país, a final lá se volta a disputar entre duas equipas lá bem do Norte.

O FC Porto, ferido no orgulho, volta a marcar presença para revalidar um trofeu que é cada vez mais seu. O Chaves chega com a tristeza da despromoção e o espectro do fim. É um clube modesto, de uma cidade pequena, que está mais perto do suspiro final do que da imensa vitalidade que significaria uma final que, em última analise, até lhes daria um posto europeu. Os flavienses mereceram chegar ao Jamor mas não sabem como lá ir. Auto-estradas não faltam, os sucessivos governos trataram disso. Mas as suas gentes poderão não suficiente, e ainda não há SCUTS, para pegar no lanche, almoço e jantar e partir rumo a Oeiras.

Sabendo que flavienses em Lisboa haverá bem poucos (portistas são cada vez mais segundo se consta) a FPF poderia ter tido o detalhe, importante em questões como estas, de dizer que o Jamor poderia descansar um pouco. Um ano, dois, para sempre...e realizar o encontro num estádio neutro, mas mais perto das duas formações. Das suas gentes. Da festa, que deveria significar, da taça. O Chaves protestou, voz baixa que sabe ser pequena. O Porto nem se imutou, habituado a pregar aos peixes. No final Madail e a sua prole foram inflexiveis. E lá a Brisa ganhará uns cobres, os cafés à volta do estádio "nacional", outros tantos, e as gasolineiras temem a invasão da horda bárbara do norte. Pelo menos os da capital podem passar a tarde alegremente a ver um "match", como antigamente, nos tempos em que o Jamor se enchia com os grandes duelos Belenenses-Benfica, Sporting-Benfica ou Belenenses-Sporting. Antes da febre do estádio e a paixão pelo cimento levassem o país a construir os seus coliseus de lés a lés.

 

Jamor, espelho de uma realidade fantasma, já ninguém te quer.

Um recinto velho, abandonado por dentro - por muito que as camaras continuem a focar as suas bancadas acinzentadas - e sem alma dentro. Um estádio sem vida, marcado apenas uma história que tem tanto de imposta como de meritória. Jamor, espelho da atitude autista de um centralismo enojante, verás um jogo murcho, com um público ausente e equipas que não te dizem respeito. Receberás a final, mas não a festa. A tua hora chegou à muito. Mas as cartas às vezes chegam tarde. Algum dia receberás a nota de defunção.



Miguel Lourenço Pereira às 15:58 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Entre eles debateu-se o título. Uma luta aparentemente equilibrada até ao Benfica-Porto que levou a decisão da competição dos relvados para os túneis e daí directamente para a secretaria. A partir de então o duelo passou a ser a dois e acabou por coroar a equipa que mais investiu para arrebatar o segundo Penta da história azul e branca. Um trio de ases que definiu a época futebolistica lusa.

 

 

Mais um ano de investimento. E finalmente o título.

Depois de quatro projectos falhados o Benfica consegue arrebatar o título ao FC Porto. Um ano de altos e baixos de uma equipa que ganhou, e muito, com a chegada de Jorge Jesus. O técnico finalmente sagrou-se campeão, depois de anos perdido na metade da tabela. Chegou a uma equipa repleta de "estrelas" e de mão beijada recebeu de Rui Costa um trio mais. Saviola, Javi GarciaRamires chegaram para dar equilibrio ao meio-campo. Fábio Coentrão foi repescado enquanto que Patric e Schaffer foram apostas falhadas, de que poucos se lembraram. O técnico montou um 4-4-2 com Aimar no apoio a Saviola e Cardozo. Atrás Di Maria, Ramires e Garcia num trio de combate e magia. O Benfica começou em alta voltagem, jogando bem e marcando muito. A derrota em Braga começou a mostrar os pequenos defeitos do conjunto encarnado. Repetidas vezes as águias acabaram por jogar contra rivais reduzidos a 10 e 9 unidades. As suspeitas arbitrais ganharam forma e o caso dos tuneis, de Braga e da Luz contra o FC Porto, surgiram em Janeiro como uma autêntica bomba. Com os rivais directos debilitados o Benfica continuou a sumar pontos. Mas já sem convencer. De tal forma que os sucessivos tropeções, aqui e ali, foram adiando o sonho do titulo. A vitória face ao Braga deixou meia porta aberta. Foi preciso esperar aos últimos minutos da época para escancará-la por completo. O nervosismo de um colectivo que viveu muito da inteligencia táctica do seu técnico (muitos foram os suplentes a resolver situações de aperto) e de decisões administrativas que acabaram por tingir o mérito desportivo de uma equipa que poderia ter-se bastado a si própria no terreno de jogo. Algo que nunca se saberá verdadeiramente. Fica a próxima época para confirmar a voltagem dos novos campeões.

 

 

Se havia equipa que merecia o título de campeão esta época, era sem dúvida o Sporting de Braga.

Com um plantel de remendos, um treinador sem um grande background e alguns obstáculos inesperados, o Braga lutou até ao último minuto. Algo que só Boavista e Belenenses tinham logrado em toda a história do futebol português. Ao contrário de axadrezados e azuis, os bracarenses não tiveram a mesma sorte. Por um fio.

A pré-época começou cedo e cheia de dúvidas depois da precoce eliminação da Europe League. Mas esse foi o tónico que Domingos precisava. O técnico montou um onze à sua medida, com um meio campo inspirado em Vandinho, Mossoró e Hugo Viana e uma defesa de betão. Vitória frente aos três grandes na primeira volta e vários sustos levaram o Braga a sonhar. Todos pensavam que o conjunto arsenalista perderia o ritmo mas nem a suspensão de Vandinho e Mossoró pela Liga de Clubes baixaram o ritmo do Braga. As derrotas no Dragão e na Luz pareciam ditar a sua sentença, mas sem desanimar o Braga voltou à luta, aproveitou tropeções e chegou ao último dia com a legitimidade de sonhar. O título perdeu-se por pouco mas a hipótese de se estrear na Champions League foi um justo prémio a uma equipa sem estrelas e sem dinheiro que soube bater-se de igual para igual com os orçamentos muito superiores de Benfica e Porto. Afinal a época foi deles!

 

A época mais decepcionante da história azul e branca da última década.

Não é só o facto dos campeões em titulo falharem o apuramento para a Champions League pela primeira vez desde 2002. Foi a forma como a época se desenrolou. Entre os problemas administrativos que mantiveram Hulk fora de combate largos meses, as sucessivas lesões em jogadores chave, fruto de uma péssima pré-época na Andalucia, e uma clara má preparação do plantel viveu o dragão. O ano começou com perigosos tropeções e uma equipa que não entusiasmava. As perdas de Cissokho, Lucho e Lisandro não tinham remendo à altura e em Dezembro, nas vésperas do duelo da Luz, o FC Porto seguia a 4 pontos do lider. A derrota, a má exibição e os problemas seguintes marcaram a época. Hulk suspenso, Rodriguez em algodões, os capitães Alves e Meireles em péssima forma, e um Jesualdo desorientado, pautaram o comportamente ziguezaguente dos azuis em Janeiro. A chegada de Ruben Micael trouxe algum equilibrio a um meio-campo partido. Com a goleada ao Braga parecia chegar o tónico "à Porto", mas a surpreendente derrota em Alvalade acabou com as esperanças de chegar ao título. Já com Hulk absolvido e Falcao em estado de graça, a equipa arrancou para uma notável parte final de época, incluida uma vitória esmagadora face ao Benfica. Não chegou. E ficaram muitas licções por tirar para o futuro.



Miguel Lourenço Pereira às 15:24 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

Num ano em que Portugal viveu uma das suas temporadas mais atipicas, o Sporting CP foi o espelho do desnorte. O conjunto leonino falhou o pódio depois de quatro anos sucessivos como vice-campeão. Muitas mudanças que no final acabaram por condenar a equipa a um lugar na Europe League. O Maritimo, por outro lado, cumpriu o objectivo e superou os rivais directos na última jornada para voltar, dois anos depois, aos palcos europeus.

 

 

Não há adjectivos para qualificar a época desastrosa do Sporting.

Com o presidente reeleito confortavelmente, parecia que a estabilidade administrativa dava a Paulo Bento os mecanismos necessáiros para tentar contrariar a hegemonia azul e branca. Mas o técnico que era eterno acabou por ser finito. Um péssimo arranque de época - com eliminação europeia precoce incluida - e uma série de maus resultados abriram a porta da rua a Bento. Para o seu lugar chegou Carlos Carvalhal, treinador sem provas dadas e mal visto pelos adeptos. Com ele chegava também Sá Pinto, como director desportivo. A equipa que via o dia a dia do balneário exposto na imprensa queria reforçar o poder do colectivo mas o conflituoso ex-internacional acabou por despoletar nova crise com socos incluidos. Pelo caminho Carvalhal foi conseguindo uma série de jogos sem perder, apesar dos constantes empates, e manteve o Sporting perto dos postos europeus mas já com o titulo como miragem. A chegada de Costinha como novo manager técnico coincidiu com mais problemas de balneário, desta feita com Izmailov, depois de Paulo Bento ter-se enfrentado com Vukcevic e Sá Pinto ter esgrimido argumentos com Liedson.

No meio de tantos conflitos parecia incrivel que o Sporting conseguisse sobreviver. Duas derrotas, por goleada, diante dos eternos rivais nas provas a eliminar mostravam a imensa diferença entre um conjunto e outro. Só que a vitória convincente sobre o FC Porto e o bom desempenho com o Atlético de Madrid deram a Carvalhal um prestigio que nunca tinha conseguido. Veloso, Moutinho, Pedro Mendes e companhia iam entrosando o jogo e parecia que o Sporting do final de época era um bom prenuncio para o ano seguinte. A decisão da direcção em não-renovar com Carvalhal, abrindo as portas a Paulo Sérgio, foi o último hara-kiri do ano mostrando uma equipa apática e com vontade de acelarar o fim da prova. Provavelmente 2009/2010 ficará na história como um dos mais lamentáveis desempenhos desportivos de um clube que está de novo a entrar numa espiral perigosa. E já lá vão oito anos sem um titulo.

 

 

Os últimos anos têm-se tornado num pequeno grande pesadelo para os adeptos do Maritimo. Talvez por isso esta redenção in extremis saiba melhor.

Depois da explosão desportiva nos anos 90 que transformaram o conjunto insular num dos habituais europeus do nosso futebol, o Maritimo de hoje vive claramente em sub-rendimento. Época atrás de época nascem projectos com claras ambições europeias mas que vão esbarrando em sucessivos e inexplicáveis tropeções. Este ano a equipa parecia que iria ficar atrás do eterno rival, o Nacional da Madeira. Mas soube acreditar no milagre. E logrou-o quando ninguém o esperava. Mérito do veterano central holandês Mitchell van der Gaag, que rendeu com sucesso Lori Sandri. Mérito também de um duo ofensivo composto por Kléber e Djalma, o espelho de uma equipa que soube crescer no momento exacto. O Maritimo, que viveu viveu largas jornadas na mediania da classificação, vai voltar à Europa. Resta saber com que rosto estarão os insulares numa luta utópica contra o Continente.

 


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Miguel Lourenço Pereira às 05:50 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13 de Maio de 2010

HabituadA a ver a vizinha Cibeles celebrar às duas por três, há dezasseis anos que a fonte de Neptuno adormecia silenciosa cada noite, contendo a impotência de um clube perdido em questões existenciais. Ontem rugiu. À distância de 2170 km sentiu o remate certeiro de Forlan e abriu os braços para receber uma nação orfã de momentos de glória. Momentos como ontem.

Aguero correu pela esquerda, mais com o coração do que com a cabeça. Esperou, apontou o dedo para Forlan e disse-lhe, com aquele sotaque charrua "Ahí". O uruguaio deu três passos, penteou a bola, arrancou a camisola e levou os adeptos colchoneros à histeria. Faltavam quatro minutos e todos sabiam que o sofrimento tinha acabado.

O mais contestado dos jogadores atléticos, assobiado pela própria afficion depois de, na época passada, ter sido decisivo com a Bota de Ouro no apuramento para a Champions do conjunto madrileño, foi o herói da final. A segunda ganha pelo Atlético de Madrid depois de, em 1962, ter vencido a Taça das Taças. Pelo meio poucas finais, todas marcadas por copiosas derrotas e um trauma profundo na mente dos adeptos. O "Pupas" espanhol ontem esqueceu-se dos medos e atirou-se para o abismo sem olhar para trás. Foi suficiente para amedrontar um heróico Fulham, mais pela presença numa final europeia do que pelo futebol apresentado. Ontem e nos jogos prévios.

Roy Hogdson, que voltou a perder uma final da UEFA depois do seu Inter ter caído com Schalke 04 há treze anos, tem de estar orgulhoso. A sua equipa nunca deveria ter chegado a Hamburgo. Mas aí estava, contra todos aqueles que até eram optimistas. Dominou a segunda parte, soube reagir à adversidade e quase conseguiu chegar aos penaltys, o seu objectivo claro a partir do momento em que se soube que haveria um prolongamento. O Fulham, com Duff e Zamora debilitados, é menos equipa ainda do que se supõe. Não levou o correctivo do Middlesborough, outro modesto britânico derrotado por outro espanhol, mas ficou claro que esta oportunidade é uma vez na vida.

 

Muitos não deixaram de olhar para o Atlético de Madrid como um vencedor feliz.

O conjunto espanhol entrou na Champions League depois de um play-off sofrido. Foi humilhado pelo FC Porto e Chelsea e sofreu até ao fim para superar o modesto Apoel do Chipre. Caiu na fase a eliminar da Europe League com um novo técnico - Quique Sanchez Flores - e sem Maxi Rodriguez, um dos seus capitães. Foi ganhando por tropeção os duelos com Galatassaray, Sporting e Valencia, com empates consecutivos que lhes valiam o apuramento por golos fora. Golos, muitas vezes, com o oportunista selo de Forlan. À medida que os favoritos iam caindo por todos os lados, os colchoneros chegaram às meias-finais para defrontar o Liverpool. O mais débil dos conjuntos Reds da década. Mesmo assim sofreram até ao último segundo para marcar o lugar na final. Onde, apesar de tecnica e tacticamente superiores, não se livraram de um bom justo. Um campeão sim, mas um campeão que emerge entre uma mediania gritante que pautou a primeira edição da prova.

Com Reyes Simão apagados (e bem substituidos por Jurado e Salvio), coube a De Gea nas redes, Dominguez na defesa e Aguero no ataque, carregar com a equipa. À frente, o "uruguayo", esperava. Marcou o primeiro. Marcou o segundo. Dois golos de oportunismo. Dois golos com o selo de fome. De titulos, de glória, de história, de raiva.

Com Neptuno acordada toda a noite, Madrid descubriu que tem em si uma equipa ganhadora para lá do histórico Real, algo que o tempo deixou esquecido depois de 16 anos de vazio. A UEFA consagrou a Champions como a prova do glamour, mas há algo nesta Europe League que continua a soar de forma gritante a segunda divisão europeia. Uma década de poucas noites entusiasmantes e ainda menos equipas fascinantes que ganha mais um nome para o seu historial. Um nome que há muito o céu sem estrelas de Madrid queria gritar. 



Miguel Lourenço Pereira às 11:18 | link do post | comentar

Muitos sonhavam com a Europa. Terão de contentar-se com uma tranquilidade precoce. Outros partiam com o coração nas mãos e conseguiram chegar cedo a porto de abrigo. São a classe média do nosso futebol entre projectos destroçados por sonhos de ambição e tábuas de salvação que aguentam a náufragos sem vontade de afogar-se. Uma época não necessariamente para recordar.

 

 

A Europa era o objectivo minimo. A desilusão não podia ter sido maior.

O Vitória de Guimarães foi, provavelmente, uma das equipas que pior se preparou no defeso. Um plantel repleto de vazios, um treinador sem perfil ganhador. Muitas dúvidas e nenhuma certeza. Quando a bola começou a rolar o resultado tornou-se óbvio. Algo estava mal no D. Afonso Henriques. Os primeiros tropeções ditaram a sentença a Vingada, técnico incapaz de mostrar o seu valor na liga portuguesa. Para o seu lugar Emilio Macedo olhou para os vizinhos de Paços de Ferreira e resgatou Paulo Sérgio. O técnico seguiu um percurso similar ao de Manuel Machado, anos antes, e tornou-se numa das sensações da época. Em meio ano passou dos Castores a ser o novo técnico do Sporting. Pelo meio o Vitória foi o veículo perfeito para a sua afirmação. Utilizando um 4-3-2-1 com Nuno Assis e Rui Miguel em grande forma, o treinador montou um onze coeso capaz de eliminar o SL Benfica na Taça de Portugal e de transformar o estádio vimaranense num dos fortes mais dificeis de assaltar da prova. As boas exibições de Desmarets, Andrezinho, Nilsson ou Custódio foram garantindo uma consistência que há muito o onze vimaranense não via. A equipa foi trepando na classificação e a um terço do final do campeonato parecia claro que o ambicionado lugar europeu era viável. Até ao duplo tropeção das últimas rondas. Cair diante dos próprios adeptos espelhou bem o desnorte de uma equipa que teima em viver do 8 ao 80. E para o ano, projecto novo. Dúvidas antigas!

 

 

 

Sobreviver ao drama vivido por Manuel Machado foi o grande mérito do Nacional.

Sobreviver à perda de três dos seus jogadores-chave em meio ano, à medida que a equipa saí-a com a cabeça bem levantada da Europe League, tem um valor superlativo. No entanto fica o sabor agridoce de perder no sprint final o bilhete europeu. O Nacional começou bem uma época que se antevia dificil depois das vendas de Nené e Maicon. Sem um goleador capaz de substituir o eficaz brasileiro (o jovem português Edgar Costa foi uma das excepções), a equipa insular foi perdendo pontos importantes no inicio do ano, enquanto ia eliminando o Zenith St Petersburg para logo ter a infelicidade de cair num dos grupos mais dificeis da Europe League. A grave doença de Manuel Machado, o mentor do projecto, e a posterior venda em Janeiro de Ruben Micael, reconhecidamente o maestro da equipa, deitaram abaixo os alvi-negros. Meses de incerteza eram acompanhados de resultados titubeantes e uma derrota em Guimarães parecia selar o destino final da época. No entanto, e já com Machado de volta, a equipa reorganizou-se e lançou-se numa corrida final na caça à Europa. O objectivo falhou-se por pouco mas no ar ficou a clara sensação de que uma época mais tranquila será suficiente para devolver o Nacional à Europa.

 

Tem muito mérito a campanha da Naval 1 de Maio.

Uma equipa sem infra-estruturas, sem uma sólida base de adeptos, superou futebolisticamente rivais directos e manteve-se durante quase todo o ano no equador da classificação. A isso junta-se a excelente campanha na Taça de Portugal, algo sempre complicado para um conjunto de poucos recursos. Se o futebol do onze de Augusto Inácio não encanta, a verdade é que não desilude. Um conjunto lutador e equilibrado com um espirito colectivo de primeira ordem que torna capaz de superar as deficiências técnicas da maioria dos seus jogadores. Exemplo perfeito de superação, esta Naval espelha bem a ordem do futbebol nacional. É uma equipa com méritos para não ter de lutar até ao fim pela manutenção mas, ao mesmo tempo, é claramente incapaz de acompanhar o ritmo dos candidatos à Europa. No final o posto tranquilo no meio da tabela é um fato que serve à perfeição. Mas que não deixa de manter sérias dúvidas para o futuro.

 

 

Foi uma das mais interessantes formações do ano, exemplo claro de superação por parte de uma equipa que lutou até ao último segundo da passada época para voltar à máxima prova profissional. 

A União de Leiria sobreviveu a Manuel Fernandes depois do veterano técnico ter garantido um bom plantel e um excelente arranque de temporada. O onze do Lis mostrou um bom futebol ofensivo e voltou a dar a sensação de que algo não funciona numa cidade incapaz de se deslocar a um dos mais bem preparados recintos portugueses para ver um conjunto que não engana. A fornada de brasileiros que ajudou a completar o plantel trouxe um ar de magia a um onze disciplinado. Lito Vidigal, que já o ano passado tinha feito milagres na Amadora, soube voltar a repetir a fórmula e não deixou os leirienses perder a magia depois da saída do técnico que os devolveu à ribalta. Desde Outubro o conjunto de Leiria manteve-se sempre na parte alta, a lutar por um posto europeu. No final o objectivo da manutenção foi logrado sem sobressaltos e fica a sensação de que há matéria prima e vontade de parar o ano tentar chegar mais alto.


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Miguel Lourenço Pereira às 04:08 | link do post | comentar

Quarta-feira, 12 de Maio de 2010

Quem alguma vez perder alguns minutos do seu tempo para ver a lista das finais europeias dos anos 70 e 80 certamente encontrará alguma similitudes com a noite de festa que nos espera hoje em Hamburgo. Equipas ambiciosas, pequenas, à beira do abismo que se reinventam numa noite onde só o futebol conta. Atlético de Madrid e Fulham narram em uníssono o último capitulo de um sonho inverosímel.

No inicio do ano havia poucos que se lembravam de que o Fulham era mais que um clube de um milionário.

E que o Atlético de Madrid, que vive na eterna sombra do vizinho, já tinha sido um grande da Europa. A ponto de ser o único caso de uma equipa a vencer uma Taça Intercontinental sem antes ter ganho o trofeu continental. Mas isso foi há muito tempo numa equipa que há 14 anos que não vencia um trofeu.

Agora, esta noite, na cidade que acolheu os Beatles antes da fama, na cidade em que Wim Wenders decidiu adaptar um dos mais belos secos relatos de Patricia Highsmith, ambas as equipas se enfrentam para definir a sua própria definição de sonho. Os ingleses, modesto clube de bairro que sobrevive graças aos milhões de Mohamed Al-Fayed, seguiram gesta atrás de gesta até chegar aqui. Bateram o campeão em titulo (Shaktar Donetsk), golearam a Juventus por 5-1 no Craven Cottage, aguentaram a força do campeão alemão e cometeram o crime de lesa-majestade de bater o anfitrião da final no último suspiro. Talvez por isso hoje a cidade esteja com o Atleti, um conjunto que até começou o ano na Champions, mas que depois dos correctivos aplicados por Chelsea e FC Porto, teve de se contentar com a Europe League. Um novo técnico, uma nova atitude, um novo esquema. A mudança funcionou e a equipa superou Galatassaray, Sporting e Valencia antes de se medir com o Liverpool do seu antigo menino bonito. Agora em Hamburgo querem repetir um feito que não logram desde os anos 60. Ganhar alguma coisa na Europa.

 

Quique Sanchez Flores e Roy Hogdson são espelhos de duas escolas bem diferentes.

O espanhol, bem falante, não é um génio táctico mas gosta da harmonia que o seu quarteto ofensivo lhe apresenta. Sabe que conta com Simão, Reyes, Aguero e Forlan na máxima forma. Estão há muito a guardar-se para esta noite. O não poder contar com Tiago é um handicap que Raul Garcia, que será o parceiro de Paulo Assunção, terá de saber contornar. E se a defesa é o maior pesadelo dos colchoneros, a presença do jovem De Gea é um seguro de vida. Estreante nestas lides europeias no calor do estádio do Dragão, o jovem guardião espanhol está destinado a fazer história. Uma história que pode começar esta longa noite de Primavera.

Do outro lado está uma equipa que poucos conhecem e menos ainda viram jogar. O Fulham não gosta de ter a bola nos pés. É herdeiro do velho futebol inglês com um toque subtil de requinte. Uma defesa em linha adiantada, um meio-campo de combate com DempseyMurphy no coração da batalha. E um trio ofensivo que acenta, antes de mais, na velocidade. Na rapidez de Duff, no oportunismo de Davies e no faro de golo Bobby Zamora. O dianteiro, um dos nomes próprios do ano, ontem soube que não conta para Capello. Terá uma oportunidade única para provar que o seleccionador se enganou. A noite pode ser sua.

Será um jogo animado pelo sonho de vencer um trofeu que parecia destinado a outros tubarões. A noite de Londres contra a Movida madrileña. O futebol de toque rápido contra a organização pausada. O Mediterrâneo e o Atlântico. Tantas dicotomias para um só trofeu. No final não haverá perdedores. Nenhuma desta história pode deixar de ter o seu final feliz. 



Miguel Lourenço Pereira às 17:47 | link do post | comentar

No último dia imposto pela FIFA lá foram saindo as listas de 30 atletas que cada selecção vai estudar até eleger os 23 finais. De todos, só o Brasil apresentou já a sua lista definitiva, deixando sete nomes em suspenso por questões de força maior. Dunga mantém-se fiel à sua filosofia e principios. Do outro lado da planicie, Diego Maradona continua com as suas eternas experiências. Deixou de fora uma autêntica coluna vertebral e confia unicamente naqueles que não lhe podem fazer sombra. Duas formas bem sul-americanas de ver a viagem que se segue.

Taxativamente, com o habitual ar de gladiador de favela que já se lhe conhecia dos relvados, irrompe Dunga na sala da CBF.

Voz tranquila, sem qualquer pingo de emoção pelo momento que paraliza o Mundo - que continua a ver o seu "escrete" como o máximo favorito ao Hexa - o seleccionador canarinho anuncia a sua lista. Não são nem 30 nem 24. São os definitivos 23.

Mais tarde a FIFA receberá, por fax como é devido, os restantes sete nomes. Os tais que têm, forçosamente, de ficar em alertar até ao 1 de Junho. Mas desses o técnico não fala. Aliás, fala. E explica porque não os escolhe. De peito feito, sem os medos que fizeram tremer os seus antecessores, é directo. Demasiado novos uns (Neymar, Paulo Henriques), demasiado instáveis outros (Adriano, Ronaldinho). Voltamos atrás no tempo e lembramo-nos da ante-camara do último Mundial, quando o jogador-samba dos dentes largos ainda era tido como o maior do Mundo. Quatro anos depois ninguém imaginaria, nesse quente 2006, que Ronaldinho seria uma reserva, ao nível de Tardelli, Sandro ou Alex. Ninguém.

A auto-destruição desportiva do criativo, determinante no Penta de 2002, apagado na pobre campanha da Alemanha, consumou-se ontem. Sem contemplações Dunga colocou-o de fora, quando o Brasil gritava pela sua inclusão. Mais do que o caso Romário, o ocaso de Ronaldinho é uma declaração de intenções. O Brasil será, antes de tudo, uma equipa. O colectivismo prima pela sua ausência.

Dos oito médios convocados por Dunga, só um é manifestamente criativo: Kaká.

Felipe Melo, Josué, Ramires, Elano e os veteranos Kleberson, Gilberto Silva e Julio Baptista. Jogadores combativos, de espirito de equipa. Darão a mesma solidez que Dunga procura desde que tomou controlo da equipa em 2006. Pelo caminho ficou a vitória na Copa America e na Taça das Condeferações. Sem magia, mas com tremenda eficácia. O seu 4-4-2 fisico e rigido lembra muito ao do seu mentor, Parreira. Fabiano e Robinho serão os avançados, com o veterano Grafite e Nilmar no banco. Na defesa apenas uma dúvida, de lateral esquerdo.

Dunga é um homem de certezas. Sabe que é meio caminho para o êxito.

 

Do outro lado, nas pampas, a loucura continua.

Como um cientista de um filme de terror, Diego Maradona segue, como um autista, com as suas experiências.

Conta com uma das melhores gerações do futebol argentino e continua a procurar, onde ninguém vê, a próxima estrela. Ignorando as últimas campanhas, Maradona quer repetir a fórmula utilizada por Carlos Billardo. Um artista e dez obreiros. E ele, como mestre de cerimónias.

Maradona ignora uma lista de jogadores suficientes para fazer o esqueleto de um real candidato ao titulo. De fora ficaram Garay, Gabriel Milito, Zanetti, Lucho Gonzalez, Esteban Cambiasso, Ansaldi, Fernando Gago e Lisandro Lopez. Nomes consensuais, na sua maioria, substituidos por ilustres desconhecidos, até para muitos argentinos.

Há, na lista, um total de 9 jogadores a actuar na liga argentina. Um record que não se via desde antes da Ley Bosman ter sido aplicada. A esses juntam-se dois jogadores da First Division Inglesa, um suplente do campeão alemão e outro suplente de uma equipa de metade de tabela italiana. Escolhas muito criticas que não seguem um critério uniforme. Um mixto de veterania (Veron, Palermo, Burdisso, Heinze) com juventude (Di Maria, Andujar, Aguero, Sosa e Pastore). Nenhum lateral de raiz, cumprindo a promessa de actuar com uma defesa de quatro centrais, e apenas dois extremos. Maradona está confuso. Há largos anos. A sua paranoia interna transpirou para as suas decisões finais. A sua Argentina parece querer jogar em 4-2-2-2, deixando de lado o futebol rompedor dos seus extremos mais dotados, Messi à cabeça, e apostando em desconhecidos operários, prontos a morrer pelo seu "Dios". A cultura do idolo transportada ao terreno de jogo. Uma lista de 30 nomes que assustam os próprios "ches".

É perfeitamente possível que o calendário obrigue brasileiros e argentinos a cruzarem-se antes da grande final. Para lá é preciso ir subindo etapas. A Argentina foi colocada num dos grupos (e séries de oitavos) mais acessíveis do torneio. O Brasil tem de se medir, imediatamente, com equipas bem cotadas na luta pelo titulo. Dunga está seguro que o seu projecto começará a funcionar desde o minuto um. Maradona continuará a provar e espera olear a máquina para os jogos finais. Duas filosofias bem diferentes. O resultado, só quando a bola começar a rolar.

 



Miguel Lourenço Pereira às 11:08 | link do post | comentar

São os principais responsáveis da teoria de que uma liga como a portuguesa funcionaria tão bem com 16 como com 10 equipas. Pouca qualidade futebolistica, muitos jogos absurdamente maçadoras e um final de época com o coração sempre a palpitar. São a classe média baixa do futebol luso, as equipas que sobrevivem não existindo.

 

 

O Paços de Ferreira começou o ano com o fantasma da notável época que levou o conjunto pacense à Europe League.

Um feito que levou a equipa a arrancar cedo a temporada. Depois da esperada eliminação chegaram as primeiras boas noticias, com o empate frente ao campeão. Paulo Sérgio, a caminho de um ano atribulado, manteve o conjunto fiel aos seus principios atacantes com um 4-3-3 por base. E até Novembro a equipa manteve-se em alta. A saida do técnico, que optou por abraçar um novo projecto em Guimarães, começou a deixar mossa e o novo técnico, Ulisses Morais, teve dificuldades em tomar as rédeas da equipa que foi tropeçando lugares na classificação. Quando finalmente conseguiu montar uma equipa à sua imagem o Paços foi recuperando pontos e posições acabando o ano tranquilamente na metade da tabela, posição que tem vindo a ser habitual nos últimos anos e que prova a validade do projecto desportivo de Fernando Sequeira, um presidente que está de saída mas que demonstrou que é possível gerir um projecto desportivo em Portugal sem hipotecar o futuro do clube.

  

 

A herança de Domingos Paciência era pesada.

O técnico portuense não tinha deslumbrado com o seu futebol mas tinha levado o conjunto dos estudantes à sua melhor época da década. E isso era muito para um conjunto habituado a lutar para não descer. Talvez por isso se esperasse algo mais desta Académica. Só que Rogério Gonçalves, o insuspeito sucessor, foi incapaz de dar luta desde o principio e as péssimas exibições da equipa de Coimbra nas primeiras jornadas ditaram sentença. A direcção apostou então em André Vilas-Boas. O ex-adjunto de Mourinho tornou-se no espelho da pequenez nacional. Sem perfil e sem curriculum passou de três jornadas no banco da Académica a técnico fetiche dos grandes. A verdade é que a época foi longa em Coimbra e nunca Vilas-Boas soube exibir um futebol do mesmo nível do actual técnico do Braga. Subiu algumas posições mas mesmo assim sempre esteve mais com os olhos na linha de água do que na luta europeia que durante grande parte da época se abriu a seis equipas. Um ano pouco tranquilo com um final pacato que espelham bem a transição desportiva de outro histórico sem recursos e imaginação para fazer melhor.

 

 

Foi uma das equipas sensações da época, algo a que Carlos Brito já nos tem habituado.

O técnico provou que nos Arcos sente-se à vontade e montou um onze de aptidões ofensivas e capaz de jogar bom futebol. Como pequeno conjunto que é, o Rio Ave viveu altos e baixos contra rivais directos que impediram o conjunto vilacondense de ambicionar a uma posição mais respeitável na classificação. Mas não foi por acaso que durante a primeira volta a equipa tenha andado sempre a rondar os postos europeus, caminhando largos jornadas à frente do Sporting. A boa campanha na Taça de Portugal teve consequência na liga e as goleadas sofridas contra os grandes desanimaram um conjunto habitualmente alegre no qual se destacou Fabio Faria na defesa e o excelente Vitor Gomes no meio-campo, um dos bons achados da temporada.

 

 

O conjunto de Jorge Costa podia ter sido uma agradável surpresa caso a sua fidelidade a um estilo de jogo ofensivo e fluente tivesse sido acompanhado de resultados. Nunca o foi. Ao contrário da maioria das equipas deste escalão, o Olhanense pecou muitas vezes pelo atrevimento que nesta liga nunca se valoriza. No entanto foi uma equipa de vislumbres, incapaz de dois bons jogos consecutivos. Incapaz de aliar o futebol de ataque à eficácia ofensiva. De aliar a solidez defensiva aos jogos sem sofrer golos. Pelo meio demasiados empates, demasiadas trapalhadas. Demasiado sofrimento. Com uma equipa composta por jogadores emprestados, na maioria pelo FC Porto, e guerreiros da equipa que obrou o "milagre" da promoção, sempre pareceu que o jogo da Olhanense era um mixto de querer e não poder. Rabiola, Castro e Ukra foram as notas mais destacadas, enquanto Djalmir, goleador da equipa na passada temporada, viveu apagado quase todo o ano. Jorge Costa tentou mudar várias vezes a atitude do onze mas quase nunca o conseguiu. O prémio de ter mais uma época para provar o que vale é justo, mas pode revelar-se um presente envenenado.

 

 

 

 

A meio da época parecia que o Vitória de Setúbal ia voltar a cair de divisão, espelhando no relvado os imensos problemas admnistrativos que têm arrasado a reputação do conjunto sadino. Futebolisticamente a equipa parecia um manto de retalhos. Animicamente, nunca existiu. A chegada de Manuel Fernandes, depois de um bom inicio de época na União de Leiria, mudou a mentalidade. Mas não foi capaz de mudar a estrutura do plantel, mas planeado desde o principio. Uma equipa sem defesa dificilmente sobrevive num campeonato tão pobre como o português. As constantes improvisações do sector defensivo sadino espelhavam bem esse desespero. A clarividência de Manuel Fernandes soube equilibrar a balança e permitir uma segunda volta onde houve boas sensações. No entanto sofrer até ao final da prova tornou-se sina. E em mais um aviso. Tal como na época passada parece que a corda continua aí, nas margens do Sado. Resta saber quanto tempo demorará o clube a enforcar-se com ela.


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Miguel Lourenço Pereira às 04:18 | link do post | comentar

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