Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

Quando ninguém dava nada pelo histórico conjunto de Craven Cottage o Fulham irrompe na Europa como a grande sensação do ano. Uma campanha histórica que deve muito ao técnico veterano, o imprevisível Roy Hogdson, mas também ao seu dianteiro estelar. Depois de anos debaixo do radar, Bobby finalmente conseguiu explodir. Bobby quem?

 

Zamora, Bobby Zamora.

Poderia ser a carta de apresentação do único dianteiro inglês que poderia presumir este ano de estar em tão boa forma como o intratável Wayne Rooney. E no entanto ninguém dava nada por ele no arranque da temporada. Alguns continuam sem dar. O próprio Fabio Capello, técnico teimoso como poucos, não tem previsto levá-lo à África do Sul. Onde merece estar. Mais do que Peter Crouch, mais do que Jermaine Defoe, mais do que Emile Heskey, muito mais do que Owen ou Aghbonlahor. Este ano é de Bobby Zamora. Aos 29 anos, finalmente.

O dianteiro de origem tobaguenha formado no modesto Bristol Rovers demorou a encontrar o seu lugar na Premier League. Começou bem cedo a dar nas vistas West Ham Utd depois de três anos no Brighton and Albion Hove e um teste no Tottenham que não correu nada bem. Em 2004 o clube de White Hart Lane aceitou trocá-lo por Jermaine Defoe, uma das estrelas emergentes de Upton Park, que não estava disposto a jogar no Championship. Rapidamente Zamora encontrou o seu sitio no clube do seu coração e assumiu-se como titular desde o principio. A equipa subiu de novo à Premier na sua primeira época e no ano seguinte voltou a uma final da FA Cup. Em total Zamora actuou em 80 jogos e apontou 30 golos nessas duas temporadas. Aos 25 confirmava-se como um bom avançado. Mas parecia faltar algo mais.

 

Em 2008 Zamora trocou o West Ham pelo histórico Fulham.

Uma mudança acertada por muito que, a principio, os adeptos tivessem contestado a sua contratação. O seu primeiro ano foi para esquecer. Três golos, exibições pouco consistentes e uma série de pequenas lesões tornaram-no persona non grata para a exigente massa adepta de Craven Cottage. De tal forma que o clube esteve perto de o vender ao Hull. Mas o jogador rejeitou a proposta do modesto conjunto do norte. E aplicou-se a fundo na nova temporada. Roy Hogdson, técnico veterano, montou a nova época do conjunto londrino com cuidado. O apuramento para a Europa tinha-se revelado, noutros casos, prejudiciais para o sucesso de uma equipa. No caso do Fulham foi precisamente o contrário. A equipa resolveu cedo os seus confrontos europeus e conseguiu assim manter o nível na Premier, trepando tranquilamente para a primeira metade da tabela de onde nunca chegou a sair. E assim, tranquilamente, a equipa começou a mostrar o seu melhor futebol. E Bobby Zamora os seus mais belos golos. Os tentos mais determinantes chegaram na inesquecível campanha europeia. Eliminou o Shaktar Donetsk e foi peça chave no melhor jogo da década do clube, a vitória por 4-1 frente à Juventus, abrindo o marcador e deixando Fabio Cannavaro fora de combate. No duelo contra os alemães do Wolfsburg, máximo favorito, voltou a provar os seus dotes goleadores. E agora, com Hamburgo a dois jogos de distância, tudo pode acontecer. Hoje começa a corrida contra o tempo. E contra a história.

É indubitável que Bobby Zamora é um dos nomes próprios da época, talvez o rosto mais visivel de um colectivo de primeiro nível que surpreendeu o continente com o seu jogo ofensivo e certeiro. Fabio Capello tem um dilema. O avançado que chegou a capitanear a selecção inglesa de sub-21 nunca esteve na sua lista de avançados para acompanhar o intocável Rooney. Mas agora chega a sua hora. A notória baixa de forma de alguns habituais do seleccionador podem abrir-lhe as portas do Mundial. É a sua última oportunidade. É a sua merecida oportunidade!

 



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Quarta-feira, 21 de Abril de 2010

Não se enganava Guardiola. Não era um exercicio de falsa modéstia. O técnico blaugrana, a novidade mais refrescante do futebol europeu dos últimos cinco anos, sabia do que falava. O Inter é a equipa melhor treinada do Mundo. E, por uma vez, o futebol artistico de toque do Barça viu-se superado pela genialidade táctica do português. O Inter logrou o impossível. Quem disse que Mourinho era um técnico defensivo?

Num dos maiores recitais tácticos de que há memória, a aparente superioridade técnica do Barcelona foi suplantada pela exibição quase perfeita do conjunto neruazurri. Um exercico de controlo absoluto dos mandamentos chaves do beautiful game do professor Mourinho. Dois anos depois, e talvez pela única vez, Guardiola viu-se totalmente superado. Superado na preparação do choque. Superado no decorrer do jogo. Superado nos mais pequenos detalhes. O técnico catalão é muito provavelmente um dos mais geniais treinadores de que há memória. E só leva dois anos na alta competição. No entanto, e apesar de se ter mantido fiel á sua filosofia de futebol de toque, Guardiola não soube reagir á teia montada habilmente pelo setubalense. Se o Barcelona é a equipa de toque rápido por excelência, o Inter é a melhor formação táctica do Mundo. A que melhor controla o espaço. Sem bola não se pode jogar. Mas sem espaços também não. Venceria quem soubesse melhor roubar o que o outro tinha de vantagem. E foi o Inter. A equipa italiana exerceu durante todo o jogo uma constante pressão. Nunca marcou ao homem. Nunca foi preciso. Xavi e Messi, os dois génios do Barcelona, foram totalmente asfixiados pela ocupação do onze do Inter. Motta e Cambiasso cercavam filas e o apoio constante de Zanetti e Maicon, sem esquecer o incansável Sneijder, fizeram o resto. Durante 90 o Barcelona poucas vezes soube criar uma jogada de raiz. Teve oportunidades, marcou depois de um dos poucos erros defensivos italianos, mas foi totalmente anestesiado. Por uma equipa muito superior.

Com uma pressão vertical constante o Inter cortou a habitual táctica espanhola de começar cada lance no sector defensivo.

O jogo italiano anulou por completo as subidas de Pique no apoio a um Busquets sempre muito só nos duelos com os mais raçudos centro-campistas italianos. E se Alves foi tentando subir pela direita, a verdade é que do brasileiro veio pouco perigo. Ao contrário de Maxwell, que se revelou mais certeiro abrindo as linhas para o lance que, injustamente, colocou o conjunto catalão á frente do marcador. Um golo importante mas que não abalou o conjunto do português. Os soldados do general Mourinho fecharam filas. Juntaram-se na linha de meio-campo, exploraram o contra-golpe certeiro, enquanto iam secando todas as tentativas de Xavi em pautar o ritmo de jogo. Messi, pela primeira vez em largos jogos, foi travado de forma certeira. E sem eles a equipa de Barcelona vulgarizou-se. Ibrahimovic foi engolido pela imensa dupla de centrais, Lucio e Samuel, enquanto que Sneijder pautava, ele sim, a forma como o campo se encurtava e extendia no terreno de jogo. Num dos seus lances tipicos ajudou a desiquilibrar o contra-golpe surgindo depois para finalizar. O empate era um resultado injusto no intervalo e rapidamente o tento de Maicon colocou a justiça no marcador. Um golo depois de mais um lance tipico da cartilha Mourinho. A perder o Barcelona tentou lançar bolas para as alas. Guardiola preparava Abidal, para adiantar Maxwell como falso extremo, quando o conjunto italiano deu o golpe de graça. Milito não perdoou e garantiu que, pela primeira vez em dois anos, Guardiola fosse derrotado por mais de um golo de diferença. Uma realidade que espelha bem a superioridade no terreno de jogo do Inter. E que deixa muitas dúvidas para o duelo no Camp Nou.

Se Guardiola nunca quis abdicar do principio de jogar a partir do meio campo em constantes triangulações - bem gesticulou a Xavi para que pautasse o jogo - a verdade é que o Barcelona esteve constantemente incómodo. Sneijder explorou sempre as transições laterais e os rápidos lançamentos para os sprints de Milito, Pandev e Etoo. Se o camaronês teve (mais um) dia não, já o argentino e o macedónio foram um autêntico pesadelo para Alves e Maxwell, descaindo sempre para os flancos e permitindo a chegada da segunda linha. O jogo começou com um campo largo mas á medida que o controlo italiano ia aumentando Mourinho dava ordem para reduzir o espaço de jogo. E as linhas fundiam-se quase numa só. E anulavam todas as transições catalãs. A basculação lateral de Sneijder determinou a forma como o jogo ia saltando de um lado ao outro a seu belo prazer. Algo que Guardiola nunca soube anular, já que nem Busquets, nem Keita conseguiram tapar o veloz e imenso holandês. É indubitável pensar que Wesley Sneijder, um descartado do Real Madrid como o é também Arjen Robben, seja um dos máximos candidatos a MVP da Champions League. Uma vez mais o jogo decidiu-se na sua mente antes da bola pousar no relvado. E no entanto, nunca houve um número 10, um pensador, que ao mesmo tempo fosse o mais pressionante, o mais lutador de todos os jogadores em campo. Mourinho encontrou na sua estrela uma arma gémea.

No futebol pode suceder um pouco de tudo. 2-0 é o resultado do que o Barcelona necessita. Foi o que logrou há meses no duelo da fase de grupos. Mas Mourinho já avisou que este Inter  é outro Inter. E que na próxima Quarta-Feira a equipa estará, como um escorpião, á espera de infligir o golpe mais letal. Tal como em Londres. Tal como em Moscovo. Com golos venenosos. Com exibições personalizadas. Com um general que se prepara para a sua maior batalha.   

 



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Terça-feira, 20 de Abril de 2010

vários anos que não se assistia a tantos sprints emocionantes no final de uma larga maratona. Espalham-se pelo mapa deitado do continente com forma de mulher e colocam frente a frente alguns dos colossos desportivos do futebol actual. As principais ligas da Europa vivem em suspenso. O futebol europeu arranca para as últimas quatro semanas sem reis e com muitos pretendentes para as coroas vazias.

Enquanto as pequenas ligas do continente como Portugal, Escócia, Bélgica ou Grécia já têm (ou estão prestes a ter) o campeão consagrado, pela primeira em largas temporadas não há ainda um vencedor anunciado entre o top 5 das principais ligas futebolisticas da Europa. Nem uma tem um rei coroado à falta de um mês para o final oficial de uma temporada que para muitos acaba antes. Entre as 3 jornadas (que faltam em Inglaterra e Alemanha ) e as cinco (casos de Espanha e França), há ainda mais dúvidas do que certezas. Mais candidatos do que coroados. E ao contrário da última temporada, onde só Bordeaux em França, o Wolfsburg alemão e o Manchester United tiveram, efectivamente, de sofrer até ao fim, para já ninguém pode sair à rua para celebrar. Exceptuando o caso francês, as restantes ligas pautam-se por um equilibrio inusual, com vantagens que não ultrapassam os três pontos. Uma jornada, portanto. A emoção está garantida e desmente a teoria daquelas que atacavam os principais campeonatos europeus pela falta de emoção que transpareciam. São as pequenas ligas que, cada vez mais, vivem de vencedores antecipados. Em Portugal o cenário repete-se este ano com o SL Benfica que segue os passos do FC Porto e prepara-se para festejar bem antes do fim da prova. Na Escócia o Glasgow Rangers está a apenas um jogo do titulo, enquanto que Anderlecth na Bélgica e Panatinaikhos na Grécia, já celebram o trofeu conquistado sem grandes problemas. Neste grupo só a Holanda, sempre a contra-corrente, espera uma decisão de última hora. São 90 minutos de infarto que separam os adeptos do Twente da história. E os da Ajax da esperança.

Em Espanha o improvável duelo entre Barcelona e Real Madrid continua depois do correctivo aplicado pelos azulgrana ao eterno rival no clasico de há quinze dias. O actual campeão tropeçou no duelo com o rival local, o Espanyol, e viu o clube merengue reduzir a desvantagem com que saiu do clássico para apenas um ponto. Tolerância zero para os comandados de Guardiola, mais pendentes de revalidar o ceptro europeu, e que poderão sofrer como poucos as consequências do vulcão islandês que deixou a Europa em suspenso. Sem pressão e kilometros nas pernas, os jogadores blancos vão atacar até ao final sabendo que o calendários os benificia duplamente. Nos rivais internos e na ausência de Quartas-Feiras europeias. Afinal de contas, Cristiano Ronaldo pode acabar mesmo por ultrapassar Messi.

Se em Espanha a diferença é de um ponto, a situação não é diferente em Itália e Inglaterra. Com a particularidade de que, aqui, os campeões seguem na segunda posição. Na Premier League, quando tudo parecia decidido, o último fim-de-semana voltou a revelar o lado mais emocionante da prova por excelência do Velho Continente. A superioridade do Tottenham (que dias antes tinha também ganho ao Arsenal) frente ao Chelsea, e a sorte dos Red Devils de Ferguson no duelo com o eterno rival reduziram para 1 ponto a diferença de quatro. À falta de três jornadas o clube de Londres tem tudo para vencer e um plantel na máxima força. Só que terá ainda de ir a Anfield Road. E ninguém esquece que o Manchester United já provou várias vezes saber apertar até ao último suspiro e em Old Trafford continuam a sonhar com o histórico Tetra.

No país da bota a situação é bem distinta. A AS Roma fez história ao voltar à liderança de uma prova que desde 2001 tem sido dominado pelas equipas do norte, especialmente de Milão. O Inter de José Mourinho, actual Tetracampeão, tropeçou demasiadas vezes e desperdiçou uma imensa vantagem. Agora tem três encontros para recuperar o ponto de atraso para o conjunto giallorrosso. E um duelo europeu que será a sua máxima prioridade. Todo o país está, indubitavelmente, ao lado do clube da capital. Mas isso nunca foi um problema para o técnico sadino.

 

Se as grandes ligas se decidem por um ponto, as duas provas mais emotivas dos últimos anos continuam a dar um particular ar da sua graça. Alemanha e França, que entre si vão, merecidamente, decidir um dos finalistas da próxima Champions, vivem os seus particulares e confusos duelos. No caso germânico a luta pelo titulo pode reduzir-se a dois, mas realmente há quatro equipas com possibilidades de levar o troféu para casa. O Bayern Munchen lidera a prova com mais três pontos que o Schalke 04, que por sua vez tem Werder Bremen e Bayer Leverkusen muito próximos. Uma luta onde já não entram Wolfsburg e Sttutgart, que por estas alturas na época passada partilhavam a liderança. O conjunto bávaro tem tudo para se sagrar, uma vez mais, campeão. Mas as ambições europeias podem complicar, e muito, a luta pelo titulo da Bundesliga. Situação similar vive o Olympique Lyon, que depois de sete titulos consecutivos, parece de novo afastado da vitória na Ligue 1. O clube lionês segue no terceiro posto mas corre mesmo o risco de estar fora da máxima prova europeia, dez anos depois. Culpa do notável Montpelier, que continua a aguentar o segundo posto e, acima de tudo, da época excepcional do Olympique Marseille de Didier Deschamps. O conjunto da Cote D´Azur está bem perto de voltar a celebrar um título, 17 anos depois do escândalo Tapie. São cinco pontos de avanço para cinco jogos por disputar. Uma luta onde ainda está o actual campeão, o Girondins de Bordeaux, que depois de apostar tudo na prova rainha da Europa percebeu que deixou demasiados pontos pelo caminho. A vitória no jogo em atraso com o Vallenciennes atira o conjunto gascão para o terceiro posto. Mas o Bicampeonato parece já, missão impossível.

As ligas europeias caminham apressadamente para o seu final. A última semana de provas domésticas do Velho Continente é a de 16 de Maio. Mas na semana anterior já se conhecerão vários campeões. Nas próximas quatro semanas vão-se revelar, a pouco e pouco, os novos reis da Europa. Duelos demasiado apertados para deixar pistas sobre os eventuais campeões. E que demonstram que, em ano de Mundial, ninguém quis abdicar de lutar até ao final. Afinal, as grandes Ligas continuam a ser as que deixam o futebol europeu em suspenso até ao final. Como num filme de Alfred Hitchcock.



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Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

O olhar atento do Ajax na Bélgica tem apresentado os seus resultados. A parceria com o Germinal Beerschot tem dado ao clube holandês alguns dos melhores centrais dos últimos anos. A mais jovem pérola ajaccied também atravessou cedo a fronteira e agora é peça chave no renascimento do Ajax. Toby Alderweireld é o futuro, agora!

Quando no Verão passado o clube de Amesterdam soltou uma das suas maiores pérolas, o belga Thomas Vermaelen, muitos criticaram a gestão da directiva de um clube que está há demasiado tempo afastado da ribalta. Não só o PSV se tornou no clube hegemónico da década, como o historico Tetracampeão europeu se viu agora superado pelos modestos AZ Alkmaar e Twente. Vender os melhores jogadores significava ser cada vez menos competitivo. Mas poucos sabiam que o futuro estava garantido.

Desde há dez anos para cá que o clube com a politica de formação mais celebre do Mundo, a que realmente fez escola, tem estado bem mais atenta ao país vizinho. E apesar do futebol belga estar longe da sua época dourada, a sua formação vive um periodo de excelente colheita. E nota-se. Depois de Thomas Vermaelen, o clube recuperou da sua filial em Beerschot também o notável Jan Verthonghen. E como não há duas sem três, com a venda do primeiro ao Arsenal, aproveitou para lançar definitivamente o terceiro da escola de centrais belga: Alderweireld.

 

O jovem central de 20 anos e 1m86 é uma das revelações do ano.

Estreou-se a titular sob o mandato de Marcon van Basten em Janeiro da época passada. Depois de estar desde os 11 aos 16 no clube belga, foi finalmente transferido para a equipa de juvenis do Ajax. Aí começou a sua formação no onze ajaccied. Quatro anos depois o trabalho estava completo, era a hora de dar o salto. Jogou numa semana num jogo decisivo da liga, frente ao AZ Alkmaar, e numa eliminatória da Taça UEFA. Baptismo de fogo europeu incluído, o central aprovou ambos os exames. O regresso de Vermaelen, por lesão, afastou-o da titularidade. Mas deu uma garantia à equipa técnica. Com a benção do novo treinador, Martin Jol, o jovem belga afirmou-se como titular absoluto já na nova época. As suas exibições foram de tal ordem que tanto o seleccionador belga demissionário, Frank Vercaunteren, como o novo técnico dos Diabos Vermelhos, o holandês Dick Advocaat, já o convocaram para a equipa principal, onde faz parte de um quarteto que inclui os seus colegas do Ajax e o veterano Daniel van Buyten. Mesmo com tamanha concorrência em seis jogos, Alderweireld actuou já em quatro. E com nota muito positiva.

Apesar do genial Luis Suarez e a espantosa linha ofensiva levarem o crédito da recuperação do conjunto de Amesterdam, é a eficácia defensiva da dupla Verthongen-Alderweireld, auxiliados por van der Wiel Emanuelson nas laterais, que tem garantido que este é o melhor Ajax dos últimos sete anos. O titulo ainda é possível e a pouco e pouco vai-se formando um onze capaz de devolver o conjunto tulipa de novo à ribalta. Onde certamente estará durante os próximos anos o novo gigante belga.



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Domingo, 18 de Abril de 2010

Poucos eventos desportivos foram tão politizados como o Mundial de 1978. Um Mundial desenhado, desde as profundezas, à medida da selecção argentina. Uma equipa em descrédito, muito longe da elite, que foi ultrapassando timidamente cada obstáculo para chegar à final dos papeis brancos e derrotar, uma vez mais, a amaldiçoada Holanda.

 

Para a história fica o sorriso sinistro de Videla, o homem que ajudou a dar forma ao Mundial da sua Argentina.

Uma prova repleta de polémica mesmo antes da bola ter arrancado. E que ainda hoje perdura. Goleadas inexplicáveis, estádios repletas de agentes especiais destacados para fazer prisões selectivas e um astro mundial que se recusou a viajar por não querer jogar num país onde pessoas desapareciam. Provavelmente só o Mundial de 1934, sob o signo de Mussolini, foi tão politizado como este. Em ambos os casos a estratégia funcionou. Mas ao contrário daquela squadra azzura, a Argentina não era no terreno de jogo favorita. Ganhou o favoritismo a pulso, entre bons jogos, um público fanático e uma série de erros alheios. Ou talvez não. Em todos os seis jogos que antecederam a final os argentinos beneficiaram de jogar depois dos rivais, sabendo precisamente do que necessitavam para seguir em frente. Naquela tarde em Buenos Aires, com o Mundo em suspenso, a sorte esteve sempre do seu lado. O remate no ferro de Filol a poucos segundos do fim evitou a desgraça. A maior frescura fisica e a falta de crença de uns holandeses abandonados ao seu próprio desespero fizeram o resto. Um 3-1 que espelha pouco o que se passou nos longos 120 minutos de jogo. Pela segunda vez uma final ia a prolongamento. Pela segunda vez o tempo extra deu o titulo ao onze anfitrião. Kempes entrou na galeria dos goleadores. O jogo fisico de Passarella e Houseman, o talento de Villa e Ortiz e a classe de Ardilles fizeram o resto.

 

Foi o Mundial das surpresas na primeira fase. Nos quatro grupos os favoritos apuraram-se no segundo posto. A Polónia confirmou a boa forma e superou uma pálida RF Alemanha, bem longe dos seus melhores dias. A favorita Holanda caiu aos pés da Escócia, nessa noite histórica, para acabar atrás do Peru de Cubillas. O mesmo superior Peru que cairá, pouco depois, por seis golos, diante de uma Argentina a quem tinha ganho os confrontos anteriores com folgadez. A Áustria bateu Espanha e Suécia para passar à frente do desorganizado Brasil que depois de dois empates acabou por passar graças a uma vitória sobre uma equipa austriaco cheia de reservas. Quatro depois um cenário similar voltaria a ter a Áustria como triste protagonista. Por fim a Argentina, que tinha o beneficio de jogar em casa, não soube bater uma renascida Itália e viu-se relegada para o segundo posto. O conjunto albiceleste tinha batido uma tenra França e uma frágil Hungria. Mas sempre a sofrer mais do que esperado. Mas evitou os tubarões europeus. Os que se foram degladiando entre si entre jogos adormecidos e golos espantosos. O remate de Arie Haan decidiu uma mano a mano entre holandeses e italianos. A mesma Holanda que tinha trucidado por 5-1 a Áustria acabava por adormecer num empate a zero com a RF Alemanha. E só esse triunfo sofrido decidiu o passaporte para a grande final. Do outro lado, nada mais do que polémica a pautar cada jogo do onze argentino. A equipa orientada por Cesar Luis Menotti começou por vencer a Polónia por 2-0 com dois polémicos golos de Mario Kempes. Horas antes o Brasil tinha marcado mais um golo ao Peru. Ambos empataram a zero no confronto directo e na noite do jogo decisivo, em Rosário, o onze celeste entrou em campo a saber que o Brasil tinha marcado outros três golos à Polónia. Era simples. A Argentina tinha de vencer por cinco golos de diferença. Ou não havia final.

 

A história tratou de contar o resto. Os defesas peruanos não reagiam aos lançamentos rápidos de Ardilles e Luque. O guardião peruano não se estirou ás bolas. O mago Cubillas, desapareceu. Tudo parecia fácil demais. Os brasileiros desesperavam com a marcha do marcador. Depois do 2-0 ao intervalo, os argentinos conseguem três golos em 15 minutos. Para não deixar dúvidas apontam um sexto, já desnecessário. O Brasil caía, por dois golos. Dois polémicos golos. Por isso quando a bola de Resenbrink esbateu com o poste de Fillol, o general Videla sorriu. Kempes e Bertoni fizeram a festa depois. Os papelinhos voltaram a voar, os desaparecidos ficaram no esquecimento. O futebol saiu corado de vergonha do Monumental. Seria a última vez.



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Sábado, 17 de Abril de 2010

Faltam menos de dois meses para o arranque do primeiro Mundial africano e a dura realidade é que a cada dia que passa se questiona com mais razão a popular escolha da FIFA. Problemas logisticos graves e uma autêntica revolução na venda de entradas deixam a sempre exigente FIFA em cheque. O profissionalismo da organização-mãe do jogo contraste com os constantes tropeções de um país pouco habituado ao mais alto nível.

Não é por acaso que os europeus esfregam as mãos de contentes. Depois do choque que significou a perda da organização do Mundial 2010 (e 2014) para África do Sul e Brasil, agora começam a apontar o dedo à FIFA pela sua escolha populista. Precipitada para muitos. Irreflectida para outros. Optimista em excesso para a maioria. Na ânsia de levar o Mundial a África (a partir de Julho só a Oceânia constará na lista dos continentes sem um Mundial organizado), a FIFA deixou de lado o seu elevado padrão de exigência. Mudou posturas que elevaram o profissionalismo da organização ao seu nível actual. E colocou em risco a realização de um torneio que tinha todos os condimentos para tornar-se memorável. Se a prova se revelar um fiasco a FIFA perderá toda a credibilidade para organizar uma nova aventura e deixar de lado as sempre sólidas candidaturas europeias. Um piscar de olhos também à UEFA que preferiu arriscar com a Polónia e Ucrânia e agora vive na incerteza de que se há realmente condições para que o Euro 2012 seja o primeiro na Europa de Leste desde a queda do Muro de Berlim. Porque uma coisa é a democracia institucional e o optimismo. Outra é a crua realidade.

 

A FIFA (e por arrastro, a UEFA) especializou-se na última década em eliminar a venda de bilhetes para grandes eventos fora do circuito electrónico.

Qualquer final de prova da FIFA, qualquer competição europeia de clubes e claro, qualquer Mundial, desde 2002, só pode ser visto se o espectador comprar o bilhete através da página oficial da organização. Isso garante, segundo a FIFA, uma dupla segurança. Por um lado permite filtrar a entrada de hooligans e controlar o número de adeptos afectos a cada nação em todos os encontros. Por outro permite centralizar de forma eficaz todas as receitas, prende o espectador ao bilhete e controla o mercado de revenda. Manobras úteis que se tornaram prática corrente. Até agora. Se a FIFA manteve a sua politica de venda até esta semana os números assustadoramente baixos de gente interessada em atravessar o Mundo até um dos países mais perigosos do hemisfério sul fizeram a direcção reflectir. Os europeus - mesmo os alemães e ingleses, as maiores hostes de adeptos migrantes - pensarão duas vezes nos gastos e na segurança. A situação economica mundial servirá também para reduzir o impacto das equipas da América Latina ou Ásia. E claro, para os adeptos locais, a compra online ainda é uma doce ilusão. Até ao dia de hoje só a final tinha já todos os bilhetes vendidos. Muito pouco comparada com 2006 mas que faz lembrar o fenómeno de 2002, onde na distante Coreia do Sul, os organizadores foram obrigados a vestir locais com as cores de cada equipa para dar a ilusão de estádios cheios de adeptos quando as vendas andaram muito por baixo da média. É um facto, os adeptos que realmente vão a provas como esta concentram-se na Europa Ocidental. A ausência de grandes equipas ou as longas distâncias colocam em xeque a alfuência de público. Foi um choque para muitos ver pessoas a comprar bilhetes para o Mundial em supermercados. Mas esse é o modelo sul-africano. E a FIFA teve de ceder. Abdicar dos seus principios para garantir que os estádios têm uma moldura humana significativa. Mesmo que isso comprometa todos os ideias. Money obliges.

 

No entanto não é só a polémica questão dos bilhetes (o elevado preço e a inevitável revenda faz esperar que muitos jogos tenham uma assistência a roçar minimos históricos, até porque estima-se que não superem os 30 mil, os visitantes estrangeiros) que tem colocado a FIFA num embróglio complicado. A organização presidida por Sepp Blatter concentrou-se largos meses nos estádios, muitos deles construidos sem motivo e apenas para dar negócio a empresas de construção civil locais. E esqueceu-se, muitas vezes, nas infra-estruturas fundamentais num país onde muitas selecções terão de fazer largas horas de avião, experimentar climas distintos no espaço de dias e cuja massa de adeptos terá de os acompanhar nas mais incriveis condições. Não é só a problemática hoteleira que assusta a FIFA. A confissão de um iminente médico que colabora com a organização de que nenhum hospital da África do Sul está preparado para uma circunstância excepcional deixa o aviso. Serão só os hospitais. Haverá algum plano B? Haverá sequer, a preocupação em que existam planos de contingência para proteger adeptos, equipas, organização e autoctones de um problema que pode ir de um atentado terrorista a uma larga intempérie de Inverno frio e chuvoso sul-africano? Afinal, em 2001 morreram 40 pessoas em Joanesburgo ao sair precipitadamente de um jogo. Não é assim tanto tempo.

A questão ganha um contorno especial se atentarmos à dualidade de critérios. A países como Inglaterra, Alemanha, Espanha, França ou Itália a FIFA nunca permitiria esta politica desastrosa. Pelo contrário, seria motivo suficiente para multar ou até mesmo, alterar o organizador. Mas estamos em África e voltar atrás agora é impossível. Não só por problemas logisticos. Porque estes existem há muito. Acima de tudo, é um braço de ferro entre a FIFA e o Mundo. Um braço de ferro que coloca em entre-dito a própria essência desportiva e gestora da milionário organização.

 

Tudo pode ainda suceder e a organização do Mundial pode passar por um mês imaculado e entrar na história como um caso de sucesso. Mas as probabilidades jogam em contra da FIFA e dos sul-africanos. Inverno, problemas logisticos, falta de organização, ausência de público, problemas de segurança, longas distâncias, horários complexos. Ingredientes pouco atractivos para uma prova que faz parar o relógio do Mundo de quatro em quatro anos.



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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

"O meu som favorito é o de ouvir o osso a estalar". Frases como esta definiram o verdadeiro bad-boy do futebol inglês. Durante dez anos não houve um jogador tão duro, mal-intencionado e violento sobre os relvados de um futebol em mutação. Hoje Vinnie Jones é o espelho de um estilo de jogo que começa a entrar em extinção mas que ainda tem suficientes adeptos para fazerem dele uma estrela.

Não é só que tenha o recorde mais rápido de uma expulsão do futebol britânico. É que soube melhorar o seu inigualável registo duas semanas depois de ter sido amarelado aos sete segundos. E tudo pelo puro prazer de provocar. Assim é, assim sempre foi Vinnie Jones. Hoje estrela pop underground, actor de filmes de acção, inspirador de heróis de BD e personagem por direito próprio de vários videos do You Tube. Na década de 80, o pesadelo do futebol inglês.

Galês de nascimento, de origem cigana, começou a jogar futebol profissional com 19 anos no modesto clube local Wealdstone. O seu estilo fisico e altamente competitivo chamou a atenção de um conjunto sueco, o Holmsund, que o contratou de imediato. Depois de um ano, onde se sagrou campeão da segunda liga sueca, as suas exibições começaram a chamar a atenção de clubes da First Division. Foi o modesto Wimbledon, conjunto dos subúrbios de Londres, quem avançou para a sua contratação. Nem imaginavam que por 10 mil libras tinham acabado de contratar um dos icones do clube para o resto da sua história. Jones estreou-se em 1986 e rapidamente conquistou os adeptos. Violento como poucos, a sua especialidade era de cortar qualquer lance de ataque quando ainda estava na imaginação do rival. Formou parte do Crazy Gang, junto com o jovem Dennis Wise, o irreverente John Fashanu e Lawrie Sanchez. Em dois anos formou a equipa tornou-se num icone do futebol duro, que já começava a cair em desuso num país ainda assustado com os efeitos de Heysel e Hillsborough. A vitória histórica sobre o Liverpool na FA Cup de 1988 confirmou a popularidade de Jones. No ano seguinte os adeptos desesperaram com a venda Jones ao Leeds. Em Yorkshire, Jones fez escola com o seu futebol duro. Mas os problemas perseguiam-no e depois de dois anos onde andou pelo Sheffield Utd e Chelsea, o central, então já capitão da selecção de Gales, voltou ao seu Wimbledon.

 

Foi nesse regresso que o seu perfil de bad-boy ganhou outra dimensão.

Tráfico de drogas, alcool, mulheres, acidentes de carro, agressões a colegas e rivais. Expulsões aos 3 segundos por entradas violentas. Tudo isso passou a fazer parte do seu catálogo. Durante seis anos era o rosto do futebol que a Inglaterra queria esquecer. Apesar do seu estilo de jogo ter permanecido em figuras como Wise, Batty ou Keane, o simbolo do que representava tornou-se odiado pelo establishment da Premier League. Provocou uma lesão que destroçou a carreira de Gary Stevens, notoriamente trocou "mimos" com Paul Gascoine e acabou por ser finalmente suspenso pela FA durante meio ano por apresentar o polémico video Soccer´s Hard Men, onde recopilava algumas das entradas mais violentas do futebol inglês. Era suficiente. Mas à medida que a sua carreira desportiva ia caindo, a sua fama no meio underground londrino crescia. Jones era uma estrela sem o saber e quando o cineasta Guy Ritchie o chamou para o seu primeiro filme, Lock and Stock, abriu ao central as portas de Hollywood.

O seu perfil de duro voltou a ver-se em várias produções, desde o seguinte trabalho de Ritchie, Snatch, a várias produções norte-americanas como She´s the Man, Gone in 60 Seconds, Swordfish, Mean Machine ou X-Men. Pelo meio vários anuncios, muitos programas de televisão e livros polémicos pelo meio. Um denominador comum: o lado mais violento do intratável central.

Hoje Vinnie Jones continua a ser uma das figuras de culto para a juventude suburbana inglesa apesar da maioria já nem se lembrar de ter visto as suas entradas violentas no terreno de jogo. A viver há anos em Los Angeles, a sua figura continua a pairar sobre o futebol britânico sempre que uma entrada violenta rasga a rotina de um futebol que aprendeu a controlar-se. Depois de 386 jogos oficiais, 33 golos e 12 vermelhos, o seu cadastro é tão impactante dentro e fora das esquadras policiais. Mas o seu nome não deixa ninguém indiferente. Ainda hoje ele é o "Duro" por excelência. 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:13 | link do post | comentar

Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

Hoje partilha o feito com outro nome mágico da história do futebol, Lothar Mathaus. Mas durante largas décadas o mexicano Antiono Felix Carbajal fez história ao marcar presença em nada menos do que cinco Mundiais. Cinco aventuras com o mesmo triste final. E que não lhe permitiram despedir-se diante dos seus.

La Tota é história viva do futebol mundial.

Hoje, com 80 anos, ainda vive tranquilo na Cidade do México e espera um novo Mundial. Ele, mais do que ninguém, sabe o emocionante que é uma aventura mundialistica. Afinal ele foi o primeiro jogador a disputar uma mão cheia de edições. Um feito que, durante 32 anos se manteve inigualável. Até que o alemão Mathaus disputou em França a sua quinta prova. E quebrou uma das hegemonias mais originais da história dos Mundiais. Uma aventura que começou no inesquecível Mundial de 1950 no quente Brasil e acabou em terras de sua Majestade, dezasseis anos depois. Do Maracana ao Wembley. Sempre sob o triste signo da derrota.

Carbajal nasceu na Cidade do México a 7 de Junho de 1929. O mundo estava prestes a entrar num pesadelo mas na capital azteca ainda não havia noticias dos problemas de futuro. Durante dezanove anos Carbajal foi mais um rapaz de bairro, jogando na rua com os amigos, frequentando a escola até completar o ensino obrigatório e procurando fazer da sua paixão um oficio. A sua afirmação definitiva ocorreu em 1948 quando foi escalado para viajar até Londres com a seleção olimpica de futebol do México. Precisamente onde terminaria a sua aventura, Carbajal mostrou-se ao mundo. Os mexicanos não foram propriamente a maior sensação do torneio mas dois anos depois voltaram a marcar presença entre a elite, no seu primeiro Mundial. Que também foi o primeiro da aventura de La Tota.

 

No Brasil 1950 o guardião do Real Club España teve uma performance para esquecer. O conjunto azteca estreou-se a 24 de Junho com uma derrota por goleada (4-0), diante do favorito Brasil. Até ao final da performance no torneio o guardião sofreria mais seis golos (quatro da Jugoslávia e dois do México). E, sina sua, o México ficaria em último na primeira fase. Em terras brasileiras Carbajal começou também um recorde que preferia esquecer: o de guarda-redes com mais golos sofridos na história do torneio. No total acabariam por ser 32.

Quatro anos depois, já consagrado como o grande guardião centro-americano, Carbajal voltou com a sua selecção à liça. Na Suiça era já o capitão de equipa, tinha-se mudado para o Club León, onde ficaria até ao final da carreira e pelo qual seria bicampeão do México, mas o destino acabou por ser o mesmo. O México jogou contra Brasil e França e saiu vergado de ambos os jogos com oito golos sofridos e apenas dois marcados. O mais triste da carreira de Carbajal seria apontado por Raimond Kopa, que aos 89 minutos do duelo decisivo entre franceses e mexicanos disparou para as redes do número 1 sem que este pudesse deter o remate. Um tento que significou o apuramento dos gauleses e o regresso a casa, uma vez mais, cedo dos mexicanos. Quatro anos depois, na Suécia, o primeiro motivo de festejo. Após o correctivo inicial frente aos anfitriões, o México logrou o seu primeiro empate na história do torneio num duelo contra Gales com um golo no último minuto. No desafio final voltou a sonhar-se com o apuramento. Pura ilusão. Quatro golos sem resposta da Hungria ditaram mais uma eliminação. E eram já 26 golos sofridos em três mundiais.

 

Chegado aos anos 60 Antonio Carbajal já era um icone do futebol mexicano.

Com 33 anos chegou ao Chile como uma estrela. A sua rivalidade com Lev Yashin era um dos pratos fortes da primeira fase do certame. Mas quando muitos esperavam que a hora dos mexicanos tinha chegado, depois de ter estado perto do apuramento por duas vezes, uma nova desilusão tomou conta das hostes. Após a derrota inicial com o Brasil (onde Pelé marcou o seu único golo do torneio), o México caiu diante da Espanha no último segundo de jogo alargando uma maldição que parecia não ter fim. Peiró cabeceou e Carbajal não chegou. Apesar do afastamento o México provou que era uma equipa diferente ao bater por 3-1 a Checoslováquia, equipa que, curiosamente, chegaria à final com o Brasil. Depois de ter passado dois anos de calvário com lesões, Carbajal surpreendeu tudo e todos a recuperar a tempo para viajar até Londres. Antes do torneio começar o guarda-redes mexicano confirmou que esse seria o seu último Mundial. Um recorde de longevidade que não passou desapercebido num país que valoriza como poucos a história do jogo. Foi tratado como uma estrela. No empate a 1 com a França mostrou umas mãos prodigiosas. Mas acabou por sofrer o seu 30 golo em Mundiais, um feito que superaria frente à Inglaterra, que venceria os mexicanos por 2-0. No encontro em Wembley os adeptos locais aplaudiram o mexicano no final dos 90 minutos. O jogo final, frente ao Uruguai, seria o último. 14 jogos e 32 golos depois, era o final de uma longa aventura. La Tota passou então a ser conhecido, simplesmente, como "El Cinco Copas".

Carbajal terminou a carreira dois anos depois, com 39 anos de idade e 20 de carreira. Pela selecção sumou 48 jogos oficiais. 

O seu grande desgosto foi não ter aguentado até 1970. No Mundial disputado diante dos seus adeptos o México fez história e finalmente passou da primeira-fase. Alguns comentaram que era o veterano guardião quem tinha estado a trazer azar ao exército azteca. Verdade ou não, depois da sua saída o conjunto mexicano tornou-se um candidato habitual a passar à fase seguinte, tendo chegado por uma vez (2002) até aos Quartos de Final. E Carbajal seria o pai de uma longa escola de guardiões excêntricos que o México daria a conhecer ao Mundo. Apesar de já não ser o único na lista, o seu feito continua a ser especial e a própria FIFA confirmou-o como um dos 100 Jogadores do Século XX. Afinal, La Tota é pura história viva do jogo.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 09:09 | link do post | comentar

Quarta-feira, 14 de Abril de 2010

Roma será sempre eterna mas a sua equipa de futebol há muito que se debate com um problema existencial bem mais complicado. Já lá vai quase uma década desde que Fabio Capello montou uma equipa de luxo que soube devolver aos gialorosso a alegria de sair à rua e festejar um titulo. Agora o tempo parece estar em suspenso, em contagem decrescente. Nunca o scudetto esteve tão perto.

 

Medo e ilusão. Dois sentimentos que caminham lado a lado na mente de cada adepto do clube da loba.

Depois de anos a tentar desafiar a hegemonia do Norte, pela primeira vez a AS Roma está no primeiro posto. A apenas cinco jogos do fim. O sonho do titulo está perto mas agora a pressão começa a ocupar as mentes embrigadas pela vitória frente à Atalanta. Que só funcionou porque o Inter de José Mourinho voltou, uma vez mais, a tropeçar quando menos se esperava. O conjunto de Milão há muito que parece estar desconcentrado da prova ligueira. De olhos postos no sonho de todos os neruazurri: a Champions.

Dessa obsessão vive também a recuperação do historico conjunto romano. No inicio do ano perdeu o técnico e a esperança. A equipa adormecia na parte baixa da tabela e havia sérias dúvidas sobre o futuro de figuras chave na estrutura da equipa. Totti, eterno capitão, à cabeça. A chegada de Claudio Ranieri, o eterno número dois, o homem que sempre falha na hora H, assustou os adeptos de um clube que viveu estes últimos anos sempre à sombra da eficácia do Inter. Mas com tempo e paciência as hostes voltaram a reunir-se debaixo do Coliseu. E a impossível recuperação ganhou forma. A ponto de assaltar uma liderança que nem AC Milan nem Juventus conseguiram roubar ao Il Speciale nos seus quase dois anos de mandato. Pela primeira vez desde a sua última etapa no Chelsea o português não depende de si mesmo. A euforia em Itália está ao rubro.

 

Ranieri apostou numa AS Roma rejuvenescida e com um espirito claramente ofensivo. E no entanto, a equipa vale pelo colectivo. Nenhum goleador no top 10. Mas muitos golos apontados nos últimos meses entre todos. Coisa rara.

Retirou a confiança a Doni nas redes e entregou-a a Julio Sérgio, um desconhecido brasileiro que hoje é o grande simbolo da estabilidade defensiva do conjunto do Olimpico. Numa linha defensiva alta brilham o jovem Marco Motta, o francês Philip Mexes, o argentino Burdisso e o noruguês Riise e a jovem promessa Andreoli. O meio campo, que perdeu o influente Aquilani no Verão, voltou a encontrar estabilidade sob o futebol directo e raçudo de De Rossi, Baptista, Perroti e Cassetti. As alas bem abertas com Brighi, Pizarro, Menez, Cerci e Taddei alargam o campo e cercam a defesa rival. Para a estocada final a dupla de gladiadores, os inevitáveis Totti-Vucinic. Uma dupla especial que conta, desde Janeiro, com a ajuda extra de Luca Toni, um goleador tardio que chegou para ficar. Uma equação simples de resultados imediatos. Imbatido desde o 28 de Outubro, o conjunto romano recuperou 14 pontos de atraso para o Inter. Uma vantagem histórica que estimula ainda mais uma massa adepta que há nove anos não sabe o que é ser campeã. Um feito que só logrou três vezes na sua centenária história. Da dúvida à adoração, Ranieri é o homem do momento em Itália. Depois de ter falhado com a Juventus, ataca agora o titulo que há muitos anos se lhe escapa com a improvável formação da capital. O técnico pede calma. Sabe que joga com uma velha raposa, uma equipa que reage melhor quando ferida no orgulho. Nos cinco encontros que faltam tudo pode suceder. O ponto de vantagem (mais a vantagem no confronto directo) é infima. Para já. Sabendo que Mourinho estará a 100% no duelo contra o Barcelona, a esperança dos gialorosso é precisamente que o clube do norte volte a tropeçar. Uma e outra vez. Para então poder festejar de novo na fonte de Trevi.

 

Há nove anos atrás Capello, o homem então caído em desgraça, provou que ninguém entendia melhor o calcio do que ele. Numa equipa em muito similar a esta, com os seus obreiros e carismáticos lideres, a AS Roma foi ultrapassando a imensa concorrência (AS Lazio, AC Milan, Juventus, Inter) e quando chegou ao topo não voltou a cair. Tinham passado 18 anos desde a última vez. Demasiado tempo. Agora os adeptos romanos têm cinco semanas de máxima tensão. A cidade imortal vive em suspenso. E cada minuto será, mais do que nunca, eterno.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 10:49 | link do post | comentar

Terça-feira, 13 de Abril de 2010

A noticia caiu para segundo plano com a inesperada eliminação dos Red Devils às mãos do Bayern Munchen. Mas espelha bem a nova politica de prospeção do clube de Manchester. Tal como há uma década fez com um uruguaio praticamente desconhecido, Ferguson volta a procurar na Améria Latina um novo goleador. A caminho do Teatro dos Sonhos vem o jovem Chicharito.

Com quatro internacionalizações o jovem Javier Hernandéz Balcázar é a nova sensação do futebol mexicano.

Não é fácil. Há uma imensa geração de talentos azteca a caminho. Mas poucos têm dado um salto qualitativo tão rápido como Hernandez. O avançado irrompeu no seu clube actual, o Chivas Guadalajara, em 2006, quando ainda tinha 17 anos. A pouco e pouco foi ocupando o seu espaço na equipa e começou a mostrar os seus dotes goleadores. Filho de um internacional mexicano que fez parte da geração de 86 ao lado de Hugo Sanchez, o diminutivo da alcunha paternal ficou: el Chicarito.

Aos 9 anos o jovem já brilhava nas equipas de infantis do clube onde o pai tinha feito carreira. Fez uma progressão constante, sempre com um óptimo registo goleador. Começou a ser presença regular nas selecções jovens desde tenra idade. Aos 17 anos falhou a presença no Mundial da categoria por uma inoportuna lesão. Mas dois anos depois não falhou e juntou-se a Giovanni dos Santos e companhia marcando presença no Mundial do Canada, onde chegou a apontar um golo. Daí à equipa principal, agora orientada por Javier Aguirre, foi um salto. A 30 de Setembro do passado ano, já consagrado como uma das estrelas máximas da liga mexicana, foi finalmente chamado à equipa A. Um jogo contra a Colombia marcado por uma assistência sua para golo. Dias depois surgiu o primeiro golo, frente à Bolivia. Até hoje, em quatro jogos apontou quatro golos. Uma média excelente que Aguirre confirmou colocando-o na pré-lista de mundialistas. Se estiver na África do Sul herdará o passado internacional do pai, mas também do seu avô que esteve nas equipas mexicanas dos Mundiais de 54 e 66.

 

Foi aos 19 anos que Javier Hernandez se estreou pela equipa principal do Chivas.

Como só acontece aos mais dotados, a sua primeira noite foi inesquecível. Numa vitória por 4-0 ao Necaxa apontou o ultimo golo e estreou-se como goleador profissional. Entretanto as lesões e a juventude foram jogando em contra a sua afirmação e Hernandez passou dois anos complicados no banco do Chivas. Até que em 2009 explodiu definitivamente no ataque do conjunto mexicano. Marcou 11 golos em 17 jogos no torneo de Apertura desse ano e nove mais no Clausura, confirmando-se com o mais eficaz goleador do futebol mexicano. A sua facilidade para marcar lembrou imediatamente o ritmo goleador de um jovem Hugo Sanchez e os grandes do futebol europeus começaram a olhar para a sua progressão com outros jogos. Depois de vários emissários, chegou a vez de Alex Ferguson lançar as cartas na mesa. O avançado nem hesitou e o contrato foi fechado. O jovem fica até ao Verão no México, incorporando-se ao conjunto do Man Utd para a próxima época, colocando-se desde já a hipotese de ser emprestado aos belgas do Standard Liege para adaptar-se ao futebol europeu. Este negócio, que a todos apanhou de surpresa, fez lembrar o de Diego Forlan, que o técnico escocês resgatou em 2002 ao Independiente por petição expressa do técnico. Nunca se impôs num Manchester de transição, mas acabou por converter-se em Espanha num dos melhores avançados do Mundo. Talvez o futebol inglês não seja o ideal para o jovem Chicarito. Mas poucos duvidam hoje em dia que será um dos goleadores mais explosivos dos próximos anos.

Com a chegada do jovem mexicano, Ferguson continua a provar que a nova politica do Manchester United é definitivamente uma aposta clara na juventude. Depois de Macheda, Tosic, os irmãos da Silva, Possebom, Smalling, Diouf, agora é a vez do jovem mexicano procurar emular os passos dos grandes que



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 15:06 | link do post | comentar

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