Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Com o seu tecto dançante e auto-suficiente, o Ullevi Stadium parece mover-se ao som do vento. No coração do sul da Escandinávia, em Gotemburg, é um templo sagrado para os amantes do futebol. Um templo de gelo que conquistou por direito próprio o seu lugar na história do beautiful game...

 

Fundando para um Mundial, consagrado por um Europeu.

Podia começar por se definir assim a história de um recinto que cumpriu este ano 51 anos. Uma idade de respeito para um monumento de engenharia pura, obra do talento e persistência tipicamento suecos de Sten Samuelson e Fritz Jaeneck, que construiram o estádio sobre uma zona instável onde o gelo domina na maior parte do ano. De tal forma que em 1985 um concerto de Bruce Springsteen teve a ponto de destroçar a base do estádio. O Ullevi sobreviveu, foi reforçado e ainda hoje está orgulhosamente de pé como naquela tarde de Abril de 1958 quando foi inaugurado, a tempo do Mundial da Suécia. Foi construido com uma assistência de 60 mil espectadores e recebeu os jogos mais marcantes do Mundial que consagrou Pelé. Apesar da final ter sido disputada em Estocolmo, capital do reino, já então o recinto apelidado pelos locais de New Ullevi (o anterior, datado de 1920, tinha sido destruído antes da prova para dar lugar ao novo recinto) era o maior da Escandinávia. Titulo que mantém ainda hoje com um espaço reservado a 45 mil espectadores sentados que podem ser ampliados a 60 mil.

 

Durante os anos 60 e 70 recebeu os jogos da selecção sueca e do IFK Gotemburg.

A equipa tornou-se rapidamente numa das maiores da região com vários titulos de campeão. Nos anos 80 a cidade viveu a sua maior época de glória com o IFK a conquistar em seis anos duas Taças UEFA (vencendo os dois jogos em casa). Os azuis e brancos pareciam imbatíveis e tornaram-se presença regular nas primeiras edições da recém-criada Champions League. Por essa época o recinto tinha vivido o seu maior momento de glória. Foi escolhido como sede principal do Euro 1992 e recebeu a mitica final que garantiu o histórico triunfo da Dinamarca sobre a Alemanha. Curiosamente a cidade está ligada ao reino dinamarquês por uma das maiores pontes da Europa e a celebração dos dinamarqueses pintou de vermelho o céu habitualmente azul. O recinto albergou vários jogos que fizeram história, incluindo as finais da Taça das Taças de 1983 (vitória mitico do Abardeen de Alex Ferguson sobre o Real Madrid) e 1990 (triunfo da Sampdoria sobre o Anderlecth). O último grande encontro foi em 2004 quando o Valencia de Rafa Benitez bateu o Olympique Marseille para conquistar a sua Taça UEFA.

Hoje em dia o recinto vive tristemente as horas baixas do seu clube local, há muito afastado dos grandes palcos. O Ullevi a receber concertos e jogos de futebol americano entre formações americanas e europeias e possuiu um tecto completamente composto de paineis solares que garantem o abastecimento de energia de toda a localidade. É peça chave na candidatura nórdica aos próximos Europeus e Mundiais, um projecto que poderá devolver a glória perdida a um estádio de contornos miticos.


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Miguel Lourenço Pereira às 04:48 | link do post | comentar

Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Cumprem-se sete jornadas da Liga Sagres e temos já cinco destituições. Quase um terço dos técnicos que arrancaram a época entram agora na dinâmica do telefone que não toca. A substituição de técnicos nem sempre resulta num melhoramento classificativo mas espelha bem a falta de preparação dos projectos das equipas portuguesas, a começar pelos dirigentes. Despedir o treinador é sempre mais fácil do que montar um projecto com pés e cabeça. Assim é o país do chicote!

 

No arranque da época celebrou-se o técnico nacional. Pela primeira vez todos os técnicos dos clubes da Liga Sagres e Liga Vitalis eram portugueses. Celebrava-se o génio de uma profissão que teima em espelhar as debilidades do nosso futebol. A nível internacional José Mourinho é um caso à parte. O técnico português é visto fora de portas como defensivo, pouco preparado tacticamente e com uma incrivel incapacidade para pensar o jogo no banco. Dizia-se que não, que esta fornada de imensos talentos ia provar que não há área do futebol português que tenha melhorado tanto na última década. Sete jogos depois - apenas um mês e meio depois do arranque - há já cinco treinadores despedidos. Numa liga de 16 equipas é um número verdadeiramente significativo. Mais, há vários técnicos que já estão na corda bamba. Tão cedo, tão inevitável.

 

O despedimento é sempre a solução mais fácil num país que se habituou sempre à lei do chicote. Longe dos exemplos saxónicos onde um técnico logra ficar décadas à frente de um clube, por estes lados é a primeira (e única) opção. Os dirigentes - esse cancro sem salvação - nunca ponderam demitir-se eles próprios, por exemplo. Eles, que escolheram o técnico. Eles, que definiram o orçamento. Eles que contrataram ou deixaram de contratar. Eles que falam mais do que qualquer outro agente futebolistico em Portugal (salvo os comentadores especializados). Não, o técnico tem sempre a culpa. E agora há cinco técnicos que o sabem na pele. A magnifica geração destroçado à primeira brisa de vento em contra. O Setúbal goleado de Azenha, o técnico que pediu reforços e recebeu juniores. A Académica de Gonçalves, incapaz de chegar aos calcanhares da versão de Domingos, curiosamente o lider da prova. O Maritimo do salvador Carvalhal que no ano passado nem melhorou o registo do seu antecessor e que nesta época não acompanha os "grandes" como devia. A Naval de Ulisses Morais, um homem que manteve sólido um projecto instável desde o primeiro instante. E agora o Vitória de Vingada, entrado já a barca navegava no rio túrbio e que herda todos os problemas vimaranenses do presente e passado.

 

Olhando cruamente para o labor de cada um dos cinco técnicos fica a pergunta clara: o chicote é a solução?

Com planteis repletos de lacunas - algumas deles apontadas pelos próprios técnicos - e numa liga onde todos jogam primeiro para não perder, é dificil perspectivar uma mudança radical no destino de cada uma das equipas. Os sucessores terão a dificil missão de fazer melhor com a mesma matéria prima e com o fantasma da demissão desde o primeiro instante. Porque uma vez activado o chicote, raras são as vezes em que não se volta a manifestar. Uma mudança técnica devia operar uma mudança de postura, atitude e de dinamismo táctico. Sem isso é inconsequente. Os criticos de Paulo Bento no Sporting defendem isso mesmo para o clube de Alvalade, mas qualquer que seja o técnico elegido, caso Bento acabe o seu ciclo permaturamente, terá de lidar com o mesmo plantel que o técnico actual. E é aí que está o problema. Como quase sempre as equipas portuguesas planearam mal a época. Exceptuando o líder, Braga, e o directo perseguidor, Benfica, todos os planteamentos prévios estão repletos de erros. Uns mais grosseiros que outros, uns mais facilmente corrigidos que outros. Mas estão ai.

 

O chicote não faz milagre. Mas espelha bem a pobreza de espirito do futebol português e a falta de rigor e paciência de quem realmente detém o poder. O adepto comum limita-se a calar e comer porque se há país onde os dirigentes são eternos, acima de tudo e todos, esse país é Portugal.


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Miguel Lourenço Pereira às 00:56 | link do post | comentar

Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Os avançados decidem finais, os defesas competições. A eficácia ofensiva e defensiva são os elementos nucleares de uma boa performance desportiva mas o fiel da balança está no coração de uma equipa. É no miolo que se pauta o ritmo e a dinâmica de jogo. Onde se articulam todas as peças do castelo de cartas. Portugal tem opções atrás e à frente. Debilidades históricas por resolver e jogadores deslocados pelo novo sistema táctico aplicado por Queiroz. Mas a questão aqui está no miolo. O grande problema da selecção.

 

Imaginemos um corpo sem coração. Move-se, gesticula, corre, cabeceia, grita...mas não sente o sangue a bombar pelas veias. Assim é Portugal, esta versão de Portugal. Há pernas para correr, há golpes de efeito (poucos é certo) para marcar. Mas o batimento cardíaco do coração é praticamente nulo. Inexistente. Irreal.

Apesar da falta do defesa esquerdo e do ponta-de-lança, do tremido guardião e dos extremos a mais numa táctica que opta pelos interiores para resolver, o grande quid da questão desloca-se dos vértices para o eixo central. Seguindo a filosofia queiroziana de que há que dinamizar o 4-4-2 em formato de losango (com um falso interior a extremo para os desiquilibrios de 4-4-2 a 4-3-3) podemos ver que o seleccionador tem à sua disposição um conjunto de dezasseis jogadores seleccionáveis para quatro postos. À primeira vista parece uma boa colheita, um bom leque de opções para fazer toda a diferença. Mas a situação é mais critica do que aparenta à primeira vista. Actualmente esse conjunto de opções dividem-se em três categorias (e excluímos desta análise os sub-21 mais promissores): os veteranos em final de carreira, os jogadores de classe média e as promessas que teimam em não consolidar-se. Não há elementos desiquilibrantes como no eixo ofensivo (o génio de Cristiano Ronaldo e o faro de Liedson) ou defensivo (a eficácia de Ricardo Carvalho e a velocidade de Bosingwa). Uma massa compacta e uniforme onde a diversidade de opções não espelha a diversidade do mecanismo de jogo.

 

Imaginemos, por um instante, que somos Carlos Queiroz. Sim, apenas por um instante.

Temos um onze para montar e as peças do puzzle vão-se fechando com maior ou menor naturalidade. Há escolhas teimosas e opções óbvias. E há o meio campo.

Lembramo-nos que a última vez que Portugal precisou da última jornada para assegurar um apuramento, em 1999, estavamos diante daquela que foi provavelmente a melhor versão da equipa das quinas. Humberto Coelho tinha à disposição uma série inesgotável de jogadores capazes de fazer a diferença. Vidigal e Paulo Bento, a conexão do Sporting emergente. Paulo Sousa, o veterano, Paulinho Santos, a alma do FC Porto, o desconhecido Costinha e as naturais opções de Rui Costa, Pedro Barbosa ou João Vieira Pinto para jogar atrás de Figo e Nuno Gomes. E num exércicio mais apurado lembramo-nos de Chainho, Rui Bento ou Hugo Leal, opções de emergência com grande utilidade. Qualquer semelhança com a situação actual é, portanto, pura e absoluta coincidência.

 

Hoje o seleccionador não sabe o que fazer em nenhuma das quatro posições à sua disposição e o principal problema está em articular jogadores de distintas caracteristicas que possam trabalhar a flexibilidade defensiva e a organização ofensiva de jogo. No primeiro apartado Queiroz tem optado por Pepe para o elemento mais recuado. O central do Real Madrid tem cumprido, trouxe eficácia ofensiva nos lances de bola parada e abriu as portas à sólida dupla Bruno Alves-R. Carvalho na defesa. É um elemento chave pela sua altura e facilidade de sair com a bola nos pés, mas criativamente não ajuda na criação de jogo desde o ponto fulcral do meio campo. Como alternativa - e a selecção precisa dela para o jogo com a Hungria - há o inconstante Miguel Veloso, que teima em acentar a cabeça de pseudo-vedeta e os ausentes Paulo Machado e Ruben Amorim. O primeiro tem feito uma série de óptimos jogos em França, tanto pelo St. Ettiene como pelo Toulouse, mas nunca deu o salto à equipa A. O segundo foi relegado por Jesus para o lado direito da defesa mas pode funcionar bem como elo de ligação entre o sector mais recuado e o resto do meio campo. No extremo oposto do losango há Deco e nada mais. O médio luso-brasileiro assumiu-se em 2003 como uma obrigatoriedade em Portugal mas desde então nunca viu nenhum jogador surgir como sucessor natural. Com menos vitalidade e imaginação do que há um bom par de anos, Deco é único e fundamental, mas quando está em baixo de forma a equipa ressente-se demais. Danny não é um criativo, é mais um dandy ao jeito de João Vieira Pinto enquanto que Nuno Assis, chamado por Queiroz, falhou sempre nos momentos decisivos. Sobra Ruben Micael, que não é (ainda) opção mas que a médio prazo pode muito bem ser uma peça chave no esquema da selecção.

 

Fica então a questão medular no coração da linha média. Dois postos e muita concorrência. O problema é que a Portugal falta o que as grandes selecções hoje em dia têm de sobra. Um pensador, dois até, que possam articular o jogo, dinamizar as alas e explorar as falhas da linha defensiva rival. Espanha tem Xavi, Cesc, Iniesta, Cazorla, Alonso. A França conta com o génio do pequeno Gourcouff, a Inglaterra com Lampard e Gerrard, os italianos podem chamar Pirlo, Aquilani ou Montolivo enquanto que o Brasil tem Kaká, Elano e ainda Diego. E Portugal? Pois, é!

Raul Meireles - com uma época que revela toda as suas limitações - e Tiago têm sido opção habitual. O jogador da Juventus era uma grande promessa mas estagnou na sua evolução natural e hoje nem desiquilibra nem construiu com a mesma clareza de há uns anos. Simão pode ser utilizado como falso interior mas o extremo do Atlético está na fase descendente da carreira e estorva mais do que ajuda. Há ainda a escola do Sporting com três versões da sua história. Há João Moutinho, cada vez mais vitima do jogo lento do Sporting de Paulo Bento. Há Carlos Martins, que na Luz revela o seu talento nas bolas paradas e que provou ser uma alternativa para desbloquear jogos dificeis. E há ainda Hugo Viana. O médio que renasceu com este novo Braga tem sido decisivo nos arsenalistas mas ainda é cedo para medir a sua forma em jogos a doer. Por fim podemos contar com Pedro Mendes, esse mal amado do futebol nacional que tem-se exibido nos últimos meses uns furos acima da concorrência, mas que é mais um controlador do que um organizador de jogo.

 

Com muitos jogadores e poucas opções válidas, assim está a medular nacional. A dependência do génio de Ronaldo nota-se quando não há uma orquestra que o acompanhe devidamente. Liedson resolve, mas precisa de alguém que lhe entregue a bola em condições e sabe abrir e pensar os espaços. A defesa não sofreria tanto se o pressing a meio campo fosse eficaz a todos os níveis. E os lances de bola parada poderiam ser decisivos se, de uma vez por todas, Portugal possuí-se um leque de especialistas para marcar cantos - Deco e Simão já provaram que o seu tempo passou - e assim aproveitar o óptimo jogo de cabeça de Pepe, Bruno Alves, Liedson e Ronaldo. O problema português é portanto central, nuclear e de dificil resolução. Colocar o meio campo das Quinas em competição directa com os grandes da Europa é utopia. Xavi, Gerrard, Pirlo, Ballack, Dzagoev, Jovetic e companhia são essenciais para as suas selecções. Por isso é que agora quem faz outra vez contas somos nós!


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Miguel Lourenço Pereira às 12:08 | link do post | comentar | ver comentários (1)

A areia move-se tranquilamente pelas dunas que rodeiam as velhas Pirâmides e explicam ao mundo que as fronteiras são tão voláteis como o vento que açoita os velhos túmulos de pedra. Para quem quer ouvir tentam explicar porque um jovem brasileiro se pode tornar num idolo uruguaio e futuro senhor de Itália. Num país de fábulas e lendas antigas pode-se sempre pensar que fica mais fácil adivinhar o futuro. O futuro de Aguirregaray por exemplo.

 

A nacionalidade é sentimento ou algo impresso num papel?

Perguntar isso a Matias Aguirregaray é um desafio complexo. Para um jovem de 20 anos nascido em Porto Alegre, essa capital gaúcha de gigantes caídos em desgraça, pode parecer estranho vê-lo percorrer veloz o flanco direito de uma equipa que leva colada ao corpo o azul celeste divino dos céus. O azul celeste maldito de uma final que um país inteiro teima em relembrar. Matias podia ser o sucessor desses deuses do samba, o futuro do lado direito da defesa canarinha. Mas é a estrela de maior projecção da nova fornada celeste do Uruguai. É o espelho desse mundo sem fronteiras que leva as pessoas para longe de casa e prega-lhes surpresas inesperadas. Oscar Aguirregaray trocou a sua Montevideo natal por Porto Alegre quando se mudou do Peñarol para o Internacional. Aí tornou-se numa estrela local e aí teve um filho. Nasceu em solo brasileiro e com o samba em fundo. Mas de coração uruguaio.

 

Depois de voltar com o país aonde tudo começou, ainda ele era apenas um projecto na mente de Óscar, o jovem Matias começou a singrar a pulso nas categorias do histórico Peñarol. Com 12 anos era já uma referência do futebol jovem uruguaio. e aos 16 anos deu o salto à equipa principal. Desde 2008 até agora disputou uma trintena de jogos de amarelo e preto ao peito e o número 13 nas costas, o mesmo do pai. Marcou, assistiu e deslumbrou. Numa equipa repleta de jovens promessas encontrou o seu espaço e inevitavelmente tornou-se na grande figura celeste do Campeonato Sul-Americano de sub20 no Inverno passado na Venezuela. Os uruguaios brilharam como nenhuma outra selecção e o nome longo e impronunciável começou a surgir em listas de olheiros atentos, um pouco por todo o Mundo. Em Itália levaram-no mais a sério e hoje a Juventus tem preparada uma proposta para garantir, já em Dezembro, a longa viagem que atravessa o "charco", de la Plata aos Alpes. As exibições neste mundial farónico só confirmam suspeitas. Os uruguaios seguem vivos e Aguirregaray emerge como o líder natural de uma escola de enorme futuro.

 

Quando era pequeno gostava marcar golos e com o passar do tempo foi recuando. Hoje é um desses demoniacos laterais que não sabem parar e emulam a Usain Bolt em cada lance. Explora a ala com velocidade e em perfeita sintonia com o colectivo. De tal forma que não é raro vê-lo deixar a defesa e assumir-se como um extremo puro. Tem um futuro imenso e no entanto meio mundo continua adormecido. Talvez perdido nessa fronteira que hoje se cruza neste duelo uruguaio-brasileiro. Uma fronteira hoje mais fictícia do que nunca...



Miguel Lourenço Pereira às 08:00 | link do post | comentar

Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

Apesar dos goleadores levarem prémios e dos médios criativos fazerem as capas de jornais, são os grandes cérebros do miolo quem realmente determina o como e o quando uma equipa joga. Na sua posição há dois jogadores (um mais que outro, é certo) que se exibem um degrau acima dos demais. E a partir de agora há dois técnicos que encarnam à perfeição essa máxima de secar a fonte para matar o rival à sede. Hugo Sanchez e o seu Almeria e Carlo Ancelloti e o seu Chelsea. Implacáveis pesadelos para dois génios que ficaram de pés atados.

 

Há duas formas de ganhar um jogo. Marcando mais um golo que o rival, procurar sempre a baliza contrária e tentar dominar do principio ao fim. Ou controlar as peças chave do rival e esperar que ele não consiga fazer o mesmo às nossas. Talvez esse discurso para muitos seja simplesmente anti-desportivo mas pode revelar-se tremendamente eficaz. Ou quase sempre. No passado fim de semana podemos assistir a essa fórmula aplicada ao extremo por dois técnicos com um glorioso passado como jogadores nos anos 80 e que têm carreiras diametralmente opostas como técnicos na actualidade. Mas que perceberam que atar o rival ás vezes é mais eficaz do que lutar de peito aberto. Só que nem sempre resulta.

 

O magnético Chelsea-Liverpool foi um jogo apaixonante mas desde o principio se percebeu que algo estava errada. Os reds pareciam presos, atados numa teia invisível que os deixava estranhamente paralisados enquanto que os blues corriam por todos os lados, desnorteando o mais atento dos seguidores. Uma olhada mais atenta descobre rapidamente o motivo da diferença abismal no jogo de dois candidatos ao título da maior liga do mundo. Por um lado o Liverpool de Rafa Benitez, consumado mestre da táctica. Solto, sem preocupações de marcar ao homem, à procura do jogo rápido de Fernando Torres. E do outro lado a velha raposa Ancelloti, determinado a vencer. E portanto, a secar a fonte rival: Steven Gerrard. O pulmão do Liverpool não existiu durante todo o jogo. Uma teia sedutora e letal de três cortou-lhe cada um dos seus movimentos. Cada tentativa de Gerrard morria à nascença. Essien, Ballack e Lampard formaram um cordão intransponível. Marcaram à zona mas anularam o homem. Ignoraram o resto do meio campo dos reds sabendo que o desiquilibrio só podia vir dos pés de um homem. Acertaram. A equipa de Liverpool sem o seu capitão fica orfão e Torres passou o encontro abandonado à sua sorte. Enquanto que o Chelsea fechou o centro e abriu as alas, puxou pelos laterais e deixou as avançados decidir. Ao meio campo estava reservada outra missão. Não foi espectacular. Mas funcionou às mil maravilhas.

 

No Camp Nou esperava-se nova goleada marca da casa mas Hugo Sanchez tinha outros planos. O antigo ariete do Real Madrid conhecia bem o espirito do rival, Pep Guardiola, e tinha no seu pequeno caderno de apontamentos a solução para os seus problemas. Enquanto que outros técnicos perdem horas de sono a tentar descobrir uma forma de parar Iniesta, Ibrahimovic ou Messi, o mexicano decidiu cortar o mal pela raíz. Pegou em Chico, um central formado nas camadas jovens do Barcelona, a actuar como médio defensivo. E a marcar homem a homem Xavi Hernandez. O motor do Barcelona, o melhor jogador de futebol do mundo, queixou-se no final do jogo que nunca lhe tinha passado nada assim. Habituado a viver na sombra, sempre encontrou o seu espaço. Chico não lhe deu nem um milimetro. Com ou sem bola lá estava ele, implacável. O número 6 não carburou a máquina e o Barcelona apresentou o seu pior rosto. Guardiola temia algo assim e até teve de recorrer a uma velha táctica de Cruyff que a aplicava quando alguém se lembrava de fazer o mesmo a...Guardiola. Xavi baixou para defesa direito e levou Chico com ele. O central nunca o largou e Xavi nunca tocou na bola. O técnico mexicano podia ter ganho o jogo se não fosse um golpe de génio de um jovem tenerifenho chamado Pedro. Destinado a outros voos quebrou a lógica que parecia pautar o encontro. E provou que até o espartilho mais ajustado se pode romper. Mas fica o aviso para o futuro. Este Barcelona é mortal porque Xavi também o é. Porque Messi, nem vê-lo está claro.

 

Jogar como faz o Barcelona é corajoso mas nem todas as equipas possuem a mesma arma. O FC Porto perdeu em Londres porque deixou o Chelsea jogar demasiado. Quando no ano passado o meio campo azul e branco asfixiou o centro do terreno do Manchester United o cenário foi bem diferente. Marcar ao homem ou à zona é indiferente sempre que se saiba quem marcar. É fácil apostar nos desiquilibradores individuais, nos reis da finta e do toque súbtil. Mas marcar Messi, Ronaldo e companhia não mata o jogo da equipa. Só o ego da estrela. Acertar na marcação com o pulmão do rival é meio caminho andado para a vitória. Uma licção que até o Barcelona tem de aprender para sobreviver neste mundo de tubarões...



Miguel Lourenço Pereira às 16:50 | link do post | comentar

Enquanto o Braga caminha orgulho no primeiro posto, invencível e intocável, por onde anda o eterno rival? A derrota no Funchal voltou a deixar a nu as debilidades dos guerreiros de Guimarães que cada vez mais se distância da equipa que um dia sonhou ser o 4 grande de Portugal.

 

Nelo Vingada até pode ter as horas contadas como técnico do Vitória de Guimarães mas no D. Afonso Henriques os problemas não são técnico-tácticos para que o principal responsável seja o técnico. Vingada herdou um projecto repleto de deficiências e buracos negros. Meteu-se num buraco negro do qual dificilmente à luz ao fundo do túnel e que transformou o sonho de uma cidade num pesadelo repetido. O fantasma da despromoção está demasiado presente para ser ignorado e o péssimo arranque do conjunto vimaranense não convida a optimismo. A derrota de ontem ante o Nacional da Madeira deixou a nu as infantilidades defensivas e a ineficácia do sector ofensivo. A incapacidade do técnico de encontrar no banco uma arma secreta, digna desse titulo. E na bancada a presidência sacode a poeira, olha para o lado, e assobia a ver a caravana passar. A curta diferença entre o Rio Ave e o Vitória de Guimarães é suficiente para manter vivo o sonho europeu - o objectivo claro e obrigatório da época. Mas com sete jogos cumpridos fica claro que este está muito longe de ser o temível Vitória de outras eras.

 

Durante os anos 80 e 90 o Vitória de Guimarães irrompeu do nada. Historicamente um clube de segundo nível, a equipa vimaranense foi o espelho visível da revolução do futebol português dos anos 80 que deslocou o seu eixo central da margem sul do Tejo para a zona industrial do Ave. Com muito dinheiro à volta Pimenta Machado pôde ressuscitar uma entidade histórica mas com um passado complexo. Reformulou o velho estádio, contratou óptimos jogadores, começou com José Maria Pedroto e Artur Jorge uma escola de bem jogar e lançou as bases da formação vimaranense com a criação de um moderno centro de estágio. Foi uma larga e polémica gestão que terminou de forma abrupta e natural face ao passado de corrupção que marcou o dirigente vimaranense e os seus rivais/amigos de então, Valentim Loureiro e Pinto da Costa. Ora aproximando-se ao SL Benfica, ora ao FC Porto, o presidente vimaranense foi conseguindo o seu lugar no futebol português e a sua fama acompanhava o crescimento da equipa. Sem titulos logrados mas com óptimas prestações a nível interno, o Vitória passou a ser presença regular no topo da classificação, deu o salto consolidado para as provas europeias e o D. Afonso Henriques tornou-se num dos estádios mais temíveis a visitar. Daí sairam jogadores de primeiro nível para os grandes, de Vitor Paneira a Zahovic, de Capucho a Pedro Barbosa, de Dimas a Pedro Mendes. Até que chegou 2001.

 

Durante quase vinte anos o futebol nacional tinha vivido o intenso duelo entre Vitória e Boavista. Com o Sporting em crise, o Benfica a entrar na sua pior etapa e com um FC Porto autoritário, era nesses dois conjuntos que residia a luta pelo tal lugar de 4 grande que Belenenses há muito tinha abandonado e que mais nenhuma equipa parecia estar em condições de reinvindicar (por muito que Alberto João Jardim tentasse empurrar o seu Maritimo e o tal projecto do grande clube madeirense). Só que em 2001 o fiel da balança finalmente desiquilibrou-se. O Boavista sagrou-se campeão nacional imitando o feito do Belenenses, enquanto que o Vitória começava uma descida aos infernos. A equipa foi perdendo importância e depois de uma excelente época (2004/2005), onde terminou no 5 posto a perdeu o norte. O ano seguinte foi um verdadeiro via crucis que levou os vimaranenses à segunda divisão pela primeira vez em mais de vinte anos. Depois de um ano na segunda liga, sofrendo até ao fim para subir de divisão, Manuel Cajuda montou a equipa ideal para passar um ano tranquilo. As péssimas épocas de Sporting e SL Benfica e o final desportivo do antigo rival Boavista permitiram ao conjunto vimaranense um surpreendente terceiro posto, a sua melhor classificação da história. Parecia que o velho Vitória tinha regressado. Só que o ano passado trouxe velhos fantasmas também. Mau planeamento, problemas com a direcção e equipa técnica, e um fraquíssimo plantel deram lugar a uma época miserável onde a equipa se perdia no meio da tabela. Prometeu-se muito. Cumpriu-se quase nada.

 

Este novo Vitória é demasiado parecido com o seu herdeiro. Como um carro de F1 que não evoluciona, os problemas continuam lá. A saída de Manuel Cajuda em pleno defeso não ajudou e Nelo Vingada acabou por montar um plantel repleto de remendos. Sem uma defesa sólida e um ataque eficaz o onze vimaranense vive do talento criativo de Nuno Assis e Rui Miguel e de um conjunto combativo mas sem imaginação. A esperada explosão de Tiago Targino e Diogo Lamelas, as maiores promessas da fábrica vimaranense, estão longe de se confirmar e enquanto o Braga prova ser um modelo de organização, ambição e profissionalismo, o Vitória de Guimarães mantém os defeitos da era Pimenta Machado mas sem os resultados desportivos que o polémico presidente logrou. Num dos piores campeonatos da história da liga portuguesa seria de esperar um Vitória melhor posicionado, mas a equipa não ata nem desata na classificação. Ainda há tempo mas ficam claras as diferenças entre dois projectos vizinhos e rivais mas separados por uma imensidão de detalhes que fazem toda a diferença.

 

Conhecido por possuir uma das mais ferranhas massas associativas do país (apesar da fama de dúbios nos jogos contra o Benfica) e das mais mobilizadoras, o Vitória de Guimarães falhou no objectivo de se tornar no clube mais importante a norte do Porto. Teve nas mãos a oportunidade e perdeu-a por uma série de erros somados ano após ano sem emenda aparente. Hoje em dia é um fantasma do que foi - e do que ambicionava ser - e transformou-se num clube de meio da tabela com as mesmas aspirações que outros grandes passados caídos em desgraça (Académica, Setúbal, Belenenses). E apesar de ainda estar a tempo de melhorar na tabela classificativa, é claramente uma equipa sem um projecto e uma ideia. O futuro é negro na cidade do Fundador.


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Miguel Lourenço Pereira às 12:31 | link do post | comentar

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Para os sportinguistas pode ser preocupante que a sua equipa esteja neste momento a 11 pontos do líder do campeonato, o intocável Sporting de Braga. Mas para os seguidores da liga portuguesa a situação é bem mais escalofriante. Esses 11 pontos de atraso quando se cumpre o primeiro quarto da prova não impedem os leões de caminharem sós no 4 posto. Portugal é a única liga europeia onde se abre um fosso tão grande entre os primeiros e os outros. Entre o líder e o último qualificado para a Europa. E entre o líder e o último da prova. Tendo em conta as especificidades de cada liga (as grandes provas europeias contam com 20 clubes) fica cada vez mais clara a falta de nível da prova portuguesa que está a ponto de cair do top 10 das ligas europeias. Um espelho de mais um fraquíssimo campeonato a que estamos a assistir.

 

Em quinto lugar na classificação deste Liga Sagres 2009/2010 - e último posto europeu - surge o surpreendente Rio Ave com 10 pontos. menos 12 que o líder da prova. Há ainda a incógnita Nacional da Madeira, que tem 5 pontos mas menos dois jogos (pode igualar os leões). Mas os dados são inatacáveis. Do sexto posto (já fora da Europa) ocupado pelo Maritimo ao último lugar da classificação há uma simples diferença de cinco pontos. Com sete jogos disputados. A redução de equipas na prova, de 18 para 16, teve o condão de espelhar melhor o nivelamente por baixo do futebol nacional. Este ano comprova-o mais do que nunca. Os clubes que sobem de divisão - União de Leiria e Olhanense - conquistam uns miseros 7 e 6 pontos, em tantos jogos disputados. Noutra prova estariam nos lugares de despromoção. Na Liga Sagres estão a meio da tabela classificativa que deixou os históricos para o final da linha (Académica, Setúbal, Vitória de Guimarães e Belenenses confirmam, uma vez mais, que estatuto histórico e sucesso presente em Portugal não andam de mãos dadas) e lançou uma imensa confusão no coração da classificação. De todos os clubes em prova a Académica foi o único que ainda não venceu. O que poderia ser preocupante com sete jogos é-o menos, tendo em conta que os estudantes estão apenas a...sete pontos de um posto europeu, o tal ocupado pelo Rio Ave que lidera o pelotão da mediocridade.

 

Na primeira metade da tabela, reduzida a três equipas - o Sporting anda no limbo este ano mais do que nunca e nem ata nem desata - espelham-se as diferenças. O Braga assume um projecto ganhador que está a exibir números impressionantes. Domingos Paciência tem a lição bem estudada e leva sete jogos vitoriosos, incluindo uma vitória sobre FC Porto e outra em Alvalade. Falta o duelo com as águias de Jesus para confirmar, definitivamente, se este conjunto arsenalista é todo terreno como aparenta ser. Vitórias sofridas, já as houve. Mas futebolisticamente o conjunto bracarense mostra uma grande solidez e organização. Sem estrelas mas com coerência, o Braga prova estar numa forma imbatível e resta ver até onde poderá ir. À espera do tropeção estão SL Benfica e FC Porto. A diferença entre ambos neste momento é nula, mas se as águias vencerem o jogo de hoje amplia-se a três pontos. O tal jogo com o Braga que falta aos encarnados e que leões e dragões já sofreram na pele.

O Benfica apresenta um bom jogo, trabalhado e estudado, mas a realidade é que ainda não se deparou com um rival ao mesmo nível. E na Europa já colecciona duas derrotas. Os azuis e brancos apresentam, pelo contrário, um futebol sem chama e interesse, mas nas provas europeias deram um golpe de autoridade ao bater o rival directo ao apuramento. No entanto nem Benfica nem Porto apresentam o mesmo indice de eficácia e organização que os arsenalistas. E daí a diferença na tabela classificativa.

 

Olhando um pouco para o resto das ligas europeias fica claramente no ar a diferença de atitude e competitividade. Em Espanha o Barcelona já lidera só, com um registo impressionante de eficácia (18 pontos em 6 jogos) mas tem apenas seis pontos de avanço para o quarto classificado (o Deportivo), oito para o sétimo (último posto europeu, o Mallorca) e 16 para o último (o vigésimo, Xerez). Em Itália a Sampdoria e o Inter partilham a liderança com 16 pontos em sete encontros. Têm dois pontos de avanço do quarto (Fiorentina), cinco do sétimo (último europeu) e 13 do último (vigésimo, o Livorno). Na Premier League o líder Chelsea conta com 21 pontos em 8 encontros e leva seis de avanço do Arsenal, que segue em quarto. Do Manchester City, no último posto europeu, são seis os pontos de avanço e do último em prova, o Portsmouth, são 18.

 

E se estas são as três ligas maiores do futebol europeu, e por isso inalcançáveis para a pobre realidade portuguesa, basta olhar para provas ao mesmo nível - segundo o ranking da UEFA - e seguir as classificações das ligas holandesa, ucraniana ou romena (já que França, Alemanha e Rússia são também de outro planeta) para confirmar que os números são bastantes similares. Na Roménia o Rapid Bucaresti lidera com 18 pontos em 9 jogos. O quarto está apenas a dois e o sexto a 4. O último e 18 está a 15. Na Holanda o Twente lidera com 23 pontos em 9 jogos e o 4 segue a três pontos, o sexto a 8 e o último a 20. E na Ucrania, com 9 jornadas disputadas, há um lider (Dynamo Kiev) com 25 pontos que tem oito de avanço do quarto, 10 de avanço do sexto e 24 de avanço do último. De todas as provas esta é a única que conta com as mesmas equipas que a Liga Sagres. E que espelha bem que o futebol português está, hoje em dia, cada vez mais similar com a segunda e terceira divisão europeia e cada vez mais longe do equilibrio e interesse que despertam as grandes ligas.

 

Face à postura habitual do futebol português a queda no ranking UEFA é inevitável. Portugal - que já foi a primeira liga europeia depois das cinco grandes - hoje corre o grave risco de cair do top 10. Rússia, Ucrânia, Roménia e Holanda já estão um degrau acima e Grecia, Turquia, Escócia e Bélgica, por exemplo, surgem ao virar da esquina. Sem mudanças de fundo e estrutura na mecânica profissional da liga e com um controlo asfixiante da organização desportiva e de distribuição de lucros pela ditadura dos chamados grandes e de um par de empresas que enfeudaram por completo o futebol portuguës, o destino de Portugal é ir caíndo a tropeções na classificação. E por muito que o FC Porto continue a ganhar triunfos na Champions League, o futebol nacional está cada vez mais perto do abismo. E sente-se no ar um profundo sentimento suicída...



Miguel Lourenço Pereira às 14:21 | link do post | comentar

Católicos e protestantes. Pobres e ricos. Operários e patrões. Azuis e verdes. É impossível passear-se por Glasgow e não viver uma eterna dualidade que se transforme em rivalidade quando as quatro linhas ganham vida. Um duelo ancestral e que até tem nome próprio. Contam muito os vencedores e os vencidos mas conta mais o charme da tradição do maior derby do Velho Continente.

 

Não são grandes como um Inter-AC Milan, Liverpool-Everton, Arsenal-Tottenham ou Real-Atlético. Mas é impossível olhar para um Old Firm e duvidar que estamos diante de um duelo inesquecível. Não move milhões e habitualmente repete-se quatro vezes ao ano - na Escócia existem quatro voltas - mas deixa momentos de loucura únicas num desporto que é tudo menos racional. O primeiro Old Firm remonta ao longinquo ano de 1888 e desde então tem definido a própria essência do futebol escocês que salvo raras excepções tem órbitado à volta dos dois grandes clubes da cidade portuária, o Celtic e o Rangers. Os protestantes azuis do Rangers levam vantagem em triunfos (153), incluído o de ontem contra um equipa católica e verde (a cor e a religião vem da origem dos emigrantes irlandeses na cidade) que partia como favorita. O Celtic vive outro período de glória na sua história, depois de uma era onde o Glasgow Rangers dominava a seu belo prazer o futebol escocês. Nas últimas épocas o equilibrio tem sido maior do que nos períodos em que ambos os conjuntos conseguiam estar mais de uma década consecutiva a ganhar. Agora a rivalidade é mais dura.

 

Pedro Mendes, esse incompreendido maestro do meio campo do conjunto protestante, foi o arquitecto de sólida mas sofrida exibição do Rangers. Manteve sob controlo o perigoso meio-campo do Celtic  que liderava a prova com autoridade. Ao contrário do Rangers que vinha de uma humilhação caseira na Champions League - caiu aos pés do Sevilla por 4-1 - e precisava de mostrar aos adeptos que a derrota europeia tinha sido apenas um acidente de percurso. E que melhor rival do que o eterno inimigo para levantar a moral? Os católicos começaram melhor e souberam impor o seu jogo nos primeiros minutos mas depois cometeram dois graves erros defensivos que destruiram as ambições do técnico Tony Mowbray. Coube a um ex dos verdes católicos, o letal Kenny Miller, a honra de abrir a contagem aos 8 minutos e ampliá-la, dez minutos depois. Em quinze minutos o jogo do Rangers destroçava o rival, irrequieto na defesa e ineficaz no ataque. O trio Novo, Mendes e Naismith exibia-se ao seu melhor nível e parecia que os protestantes tinham o jogo controlado.

 

Só que o Celtic renasceu das cinzas. McGedy reduziu de penalty aos 25 minutos e a partir daí a equipa atirou o Rangers às cordas durante uma larga hora massacrando a baliza do guardião uma e outra vez. A equipa azul e branca controlava a exibição mas era incapaz de criar lances de perigo enquanto que os católicos limitavam-se a desperdiçar cada uma das oportunidades que tinha. Uma sessão de tiro ao alvo onde McGregor assumia-se como o homem do jogo parando o impossível. Os adeptos do Celtic ainda se queixaram de um penalty não assinalado mas foi a fraca pontaria da linha ofensiva que custou a vitória aos ainda lideres da SPL. Uma derrota amarga e que relança a luta pelo titulo na Escócia depois dos tropeções do Rangers com três empates consecutivos. Um ponto separa agora o campeão do lider com sete jogos disputados e muitos mais a caminho. As pobres exibições de Hibernians e Dundee, únicos capazes de incomodar os históricos rivais, deixam antever que este primeiro Old Firm do ano volta a evidenciar as imensas disparidades do futebol escocês. E a lançar de novo a questão que mais tem levantado celeuma nas bancadas dos estádios das Highlands.

 

Nos finais do século XIX o duelo apaixonante entre os dois clubes fez história e afirmou a diferença entre o futebol escocês e britânico. Mas muitos dizem que a Premier League só teria a ganhar com a inclusão dos dois gigantes do Old Firm. Um negócio financeiramente apetecível para ambas as partes mas que divide os adeptos locais, já que estes sabem que futebolisticamente estariam condenados a lutar a meio da tabela da liga do país rival. Porque, seja em Ibrox Park ou Celtic Park, é a magia de um duelo ancestral que dá relevância e charme a 90 minutos que são muito mais do que um simples jogo de futebol.


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Miguel Lourenço Pereira às 10:45 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

A mais recente pérola mágica do Brasil tem um perfil bastante distinto às eternas promessas do futebol brasileiro que muitas vezes ficam pelo caminho. Giuliano é o espelho do novo Brasil de Dunga. Um médio centro com um talento inato mas com uma disciplina táctica invulgar num jovem de 19 anos. Preparado para conquistar o mundo...

 

Giuliano Victor de Paula é o rosto do atrevimento. Baixo e veloz, como se pede aos "volantes" de eleição do Brasileirão, o jovem quer suceder a Kaká e Diego e assumir a batuta de maestro brasileiro. Já o é nas camadas jovens da canarinha há mais de dois anos. No seu novo clube, o Internacional de Porto Alegre, tornou-se em poucos meses na referência da equipa gaúcha. Uma ascensão meteórica deste filho do Paraná, que em 1990, pouco antes da selecção de Sebastian Lazzaroni ser afastada pela matreira Argentina do Mundial de Itália, via o Mundo pela primeira vez. Durante dez anos cresceu na sua Curitiba natal tornando-se numa das revelações locais do universo de futsal. Precoce como poucos da sua geração, aos 13 anos o médio criativo decidiu trocar o ringue, onde já era uma jovem estrela, pelos relvados e assinou pelo Curitiba.

 

Depois de três anos nos escalões de formação do clube deu o salto à primeira equipa com um sucesso imediato. Rapidamente chamado à selecção sub-17 brasileira, Giuliano tornou-se em 2007 a grande estrela do Mundial de sub-17. Liderou uma geração composta por Alex, Maicon, Lulinha, Fabinho e Tales e apontou dois golos decisivos para o apuramento do escrete para a fase seguinte onde foi derrotado pelo subtil Gana. Promovido de imediato aos sub-20, hoje o médio é a figura chave do jogo brasileiro que encanta o Egipto onde se disputa o Mundial. Pelo caminho ficaram mais uma época excelente no seu clube natal e a celebre transferência para o Internacional que se antecipou aos grandes do Rio e São Paulo e juntou o jovem a outros talentos que emergem das camadas jovens locais como Alan Kardec, Talles, Walter, Taison e Glaydson para atacar a época 2009. Depois de uma progressiva incorporação ao onze titular, onde alterna com o argentino D´Alessandro, o médio centro começou a espalhar o perfume do seu futebol. Dunga já o tem debaixo de olho como o eventual sucessor de Kaká na canarinha mas a critica sabe que é cedo para ver o jovem de 19 anos com a camisola principal canarinha.

 

No final do Mundial o regresso de Giuliano ao Internacional pode ser de curta duração. Meia Europa suspira por ele e há vários clubes do Velho Continente dispostos a avançar para a sua contratação em Janeiro, mesmo que seja apenas para garantir que esta pérola não se escapa. Resta saber se o talentoso médio, capaz de romper num curto espaço de terreno graças às suas habilidades recolhidas no futsal, consegue dar o salto e afirmar-se como o futuro desse Brasil que hoje representa Kaká, o Brasil técnico-táctico que cada vez mais começa a ganhar peso na formação canarinha.   



Miguel Lourenço Pereira às 11:40 | link do post | comentar

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Numa das mais movimentadas ruas de Sliema encontramos a sede do clube com mais história da paradisíaca ilha de Malta. A porta abre-nos para um mundo de recordações, com equipamentos de outras eras expostos e um convite a provar alguns dos pratos tipicos. Com os olhos postos no porto de La Valleta, os adeptos suspiram. Depois de uma década gloriosa o mitico Sliema Wanderers atravessa uma grave crise desportiva. aGORA espera ter dado o golpe de efeito necessário para voltar aos melhores dias.

 

Para os mais despistados o futebol maltês é um misterio. O pequeno país mediterrânico é, no entanto, pela sua influência anglo-italiana, um dos primeiros países europeus a regularizar aquele que viria a ser o desporto do século. A Federação Maltesa e a liga de clubes, hoje conhecida como BOV Premier League (pelo patrocinio do Bank of Valleta) é das mais antigas da Europa e data de 1901. Uma prova mais do que centenária e que, no entanto, nunca teve repercursão internacional. Os clubes locais contam com poucos jogadores estrangeiros e as suas perfomances nas provas europeias saldam-se por eliminações precoces. Apesar de ser um campeonato longe do nível de muitas das ligas do continente, o futebol em Malta é vivido com paixão. A antiga colónia inglesa segue com paixão o futebol britânico mas também o Calcio da vizinha Itália. Pelo meio estão os clubes locais. Pequenos, humildes e sem grandes estrelas. Mas que também levantam paixões.

 

O mais marcante dos clubes da ilha é sem dúvida o Sliema Wanderers.

Conjunto fundado em 1909, celebra este ano o seu centenário. Mas sem grandes motivos para festejos. Na cidade hoteleira por excelência da ilha, de olhos voltados para a histórica capital, vivem-se dias angustiosos. A bela cidade portuária celebrou já 26 titulos de campeã da ilha. O clube é um dos grandes orgulhos locais especialmente por ser o conjunto maltês com mais trofeus, entre liga e taça. A primeira vitória remonta a 1920. A última a 2005. No novo século o Sliema mandou na Premier League de Malta com autoridade quase ditatorial. Um tricampeonato sem hipóteses para os rivais históricos de La Valleta e Floriana, as duas cidades vizinhas. Mas desde 2005 a equipa caiu em picado. Mudaram-se os técnicos, renovou-se o plantel mas os resultados continuam sem chegar. Hoje a equipa logrou o seu primeiro triunfo da época, já lá vão quatro jornadas. Num jogo contra o modesto Msida, o conjunto venceu por 2-0 mas continua na parte baixa da tabela da classificação. Numa liga composta por 10 clubes (no total há 50 clubes na ilha, incluida a vizinha Gozo que tem uma liga própria e uma selecção dos melhores jogadores que disputa a liga de Malta) que se disputa em duas rondas. A primeira, a duas mãos, define quem se apura para a pool de campeões, onde só participam os seis primeiros. Os restantes conjuntos lutam para evitar a despromoção. O histórico Sliema sempre lutou pelo titulo. Agora luta para não descer.

 

A liga maltesa este ano voltou à ribalta pela chegada de Jordi Cruyff, filho do mitico técnico e ex-jogador do Barcelona e Manchester United, que trabalha como jogador-treinador do rival La Valleta. A presença da selecção no grupo de Portugal (com quem fecha a fase de apuramento em Guimarães) despertou também a curiosidade de alguns adeptos. Na ilha a qualificação para o Mundial é um tema secundário, estão habituados a sofrer dissabores. Na prova interna a questão é bem distinta. O Birkirkara FC, clube da cidade mais populosa da ilha, é a nova sensação da liga. O Hibernians FC conquistou o décimo trofeu mas parece ter dificuldades em revalidar o titulo. O Sliema sofre e os seus rivais históricos, Floriana (25 ligas) e La Valleta (19) sonham em alcançar a cifra mágica de lider do futebol da ilha. Todos os fins de semana a emoção desperta os adeptos locais que têm de deslocar-se habitualmente ao Ta´Qali, o estádio nacional. Exceptuando o Hibernians, todos os clubes malteses disputam os seus jogos no Estadio Nacional, disputando dois jogos ao dia. Localizado no coração da ilha, o recinto recebe todos os encontros e é a casa de devoção dos adeptos locais. Incluindo os do Sliema que hoje celebram o regresso aos triunfos.

 

O conjunto azul e branco quer terminar o seu ano centenário da melhor forma. Os adeptos ainda acreditam que o conjunto de Stephen Azzopardi pode dar a volta por cima. Nas suas filas só há quatro jogador estrangeiros. O costa-riquenho Victor Coto, o australiano Daniel Severino, o italiano Valerio Mottola e a estrela, o sérvio Kosta Bedjov. Mas nesta vitória histórica os golos tiveram a marca da casa. Depois de um auto-golo rival após um centro do capitão, coube ao substituto John Mintoff a honra de confirmar o triunfo. Jogador da formação do clube, como a esmagadora maioria das apostas do técnico para esta ronda vitoriosa. A eles coube o papel de heróis. Os adeptos do centenário maltês esperam que esta vitória não seja um oásis. E sonham de novo com as marchas de vitória num dos passeios maritimos mais hipnotizantes do globo terrestre.



Miguel Lourenço Pereira às 20:15 | link do post | comentar

O resultado foi o ideal. Uma vitória sem sofrer golos, clara e sem contestação nos números. Cumpriu-se a obrigação de derrotar o rival directo em casa e agora dois triunfos diante do Apoel Nicosia escancaram as portas dos Oitavos de Final. Um cenário que podia parecer dourado. Mas o FC Porto que ontem dobrou o Atlético de Madrid continua a ser o espelho do vazio de ideias e ambição do seu técnico. E no terreno de jogo voltou a mostrar desorganização, falta de iniciativa ofensiva e uma extrema dependência das falhas dos rivais. Continua a ser um Porto muito pouco vintage.

 
Dois erros defensivos de uma defesa improvisada e a dormir. O primeiro, depois de remate de Hulk, ressalto para a frente e passividade dos centrais. O segundo num lance que ninguém consegue cortar até que Rolando, mais rápido que os outros, pica o ponto. Para a história fica a vitória que tira o amargo de boca do empate a dobrar da época passado com os colchoneros. E a tranquilidade para enfrentar os jogos decisivos com o perigoso Apoel. E pouco mais. Jesualdo Ferreira voltou a dar uma lição de como não preparar um encontro. Ressentido de importantes ausências (as lesões de Rodriguez e Varela e suspensão de Fernando), o técnico português decidiu montar a mesma estrutura do 4-3-3 à qual continua fiel - apesar das caracteristicas dos jogadores disponíveis - repleta de remendos. Que se notaram mal o árbitro apitou para o arranque do encontro. Tomas Costa surgiu no eixo mais recuado do meio campo mas revelou-se sempre lento para acompanhas as rápidas transições ofensivas do quinteto ofensivo do Atlético de Madrid. Com os extremos Maxi Rodriguez e Simão Sabrosa totalmente apagados pelo bom jogo de Fucile e Alvaro Pereira, coube a Jurado servir de elo de ligação com Forlan e Aguero. O espanhol ganhou a maioria dos lances ao médio argentino do FC Porto mas a inexplicável ineficácia ofensiva do duo letal do Atlético aliado à boa exibição de Helton com um punhado de grandes defesas (uma vez mais), evitou o pior.
 
Mas se Costa estava completamente às aranhas no eixo do terreno continua a ser inexplicável o jogo de Raul Meireles. O médio tinha nesta época a oportunidade de ouro para confirmar o seu valor, sem a sombra de Lucho ao lado. Mas o médio português tem-se revelado a desilusão da época. Cansado, sem ideais, fartou-se de falhar passes fáceis e nunca ajudou na construção ofensiva do jogo da sua equipa. Incapaz de conectar com Belluschi, mais dinâmico mas pouco eficaz, Raul Meireles é hoje o espelho da desorganização do jogo portista. Olhar ao mesmo tempo para dois ecrãs e apreciar a claridez de Lucho Gonzalez no Bernabeu e a trapalhada sucessiva do trio escolhido por Jesualdo ajuda a explicar a falta de nivel deste conjunto azul e branco. Se Meireles e Belluschi fora ineficazes a criar, a verdade é que permitiram que o jogo se disputasse em constantes perdas e recuperações de bola no eixo do terreno. Falcao estava demasiado só, Mariano era demasiadamente ele próprio (o que nunca é bom) e Hulk continuava a tentar com a força o que claramente não consegue com a cabeça. Um par de sprints velozes mas sem a clarividência necessária. Quanto aos remates de longe, um perfeito disparate.
 
E contudo o Atlético de Madrid provou que está realmente em crise. Dispôs de óptimas ocasiões, particularmente em lances de bola parada, mas nunca deu a sensação de um real perigo para as redes azuis e brancas. Só que o FC Porto não queria (ou podia) controlar o jogo e tudo ficava num encontro morno e sem chama. Como quase todos os jogos dos campeões nacionais esta época. Até que chegou Falcao e a importância de contar com um goleador de raiz. O jovem David De Gea - a maior promessa das redes espanholas em dia de estreia pela lesão de Roberto - lá foi parando o possível, especialmente depois da entrada de Guarin, que trouxe alguma clarividência ao jogo no miolo. Hulk rematou e o guardião defendeu, mas para a frente. Perea adormecido deixou que o brasileiro ensaiasse um segundo remate e logo visse Falcao só. O toque de calcanhar do avançado foi mágico e quebrou a monotonia. Um toque que talvez Lisandro fosse incapaz de se lembrar e que prova a boa opção de mercado num avançado que tem sido a nota mais positiva deste arranque morno de época. Poucos minutos depois, empolgados pelo golo, um canto para a área do Atletico. Bruno Alves ganha nas alturas, a defesa espanhola parada e no ressalto surge Rolando. É o golpe de misericórdia.
 
Feitas as contas o FC Porto apresenta melhores números que na época passada, tanto na prova doméstica como na Europa. Mas as dúvidas que assaltam Jesualdo Ferreira são gritantes. Aposta num sistema táctica que não potencia o plantel (especialmente se estão ausente os únicos extremos puros, Rodriguez e Varela) e continua com um déficit gritante de criatividade no miolo. Fernando, provou-se, não tem substituto à altura e a tropa argentina recrutada no defesa continua a deixar pouco impressionados os adeptos do Dragão. Nem Belluschi, apesar do esforço, nem Valeri, nem o inexistente Prediguer parecem opções válidas. A juntar isso à baixa de forma de Meireles - que tem sob os ombros o peso de liderar a equipa no terreno de jogo - e aos problemas de maturidade de Hulk, provavelmente o jogador mais sobrevaloriado do futebol europeu actual, e é claro que os dragões têm um grave problema.
 
A nivel interno a máquina ofensiva bem oleada do Benfica e a organização bracarense serão ossos duros de roer. E cuidado com o Apoel. Dois jogos, um golo sofrido e muitos momentos complicados para as defesas rivais. E o historial dos azuis e brancos com as equipas pequenas na Europa nem sempre é o melhor. Quem avisa...


Miguel Lourenço Pereira às 11:18 | link do post | comentar | ver comentários (3)

resultados que enganam. A goleada aplicada pelo Real Madrid de Cristiano Ronaldo há quinze dias em Zurique é, claramente, um deles. Hoje meio mundo parece surpreso com a vitória do Zurich FC em pleno San Siro. Mas o conjunto suiço há muito que deu provas de estar longe de ser o bombo da festa que muitos esperavam encontrar.

O futebol suiço de clubes sempre foi menos incisivo que a equipa nacional helvética. Mas depois das eras do Grashoppers, Young Boys e Basel FC, agora chega a vez do Zurich tentar provar que no futebol, como na vida, não há inevitabilidades. Depois de chegar pela primeira vez à prova rainha do futebol europeu, o conjunto estreou-se contra o todo favorito Real Madrid. Num grupo onde também andavam os campeões europeus AC Milan e Olympique Marseille parecia que a chapa cinco aplicada pelos merengues ia ser uma constante ao longo dos seis encontros. Mas o jogo contra o conjunto de Pellegrini foi enganador. Os suiços mostraram-se sólidos e solicitos e não fosse a noite infeliz do guardião e a eficácia letal do ataque madrileño, e as coisas podiam ter sido diferentes. Até porque marcar dois golos a Casillas, a esta altura, é tarefa digna de relevo. Ficou o aviso.

Ontem em Milão vimos outro Zurich. Uma equipa mais solta no terreno de jogo e com a lição bem aprendida. A maturidade que faltou no jogo inicial foi largamento compensada com um jogo cerebral do principio ao fim. Sabendo que perdia em individualidades (apagadíssimas como tem vindo a ser a tónica), os suiços souberam valer-se pelo conjunto. Uma defesa sólida e impenetrável que Pato e Ronaldinho nunca souberam quebrar as redes de Johnny Leoni. O guardião soube emendar a fraca exibição da jornada inaugural com um punhado de boas defesas capazes de enervar qualquer dianteiro. Eric Hassli - o habitual goleador, lesionado - o ataque ficou entregue à eterna promessa Johan Vonlanthen que soube mexer-se bem entre os centrais. Mas foi no eixo nuclear do terreno que a batalha foi ganha. A equipa não está a exibir-se ao seu melhor nível na prova doméstica (perdeu contra o Neuxatel Xamax na última jornada e já está a 13 pontos do lider Young Boys) e por isso aposta forte numa boa prestação europeia.

No meio da eficácia defensiva, um toque de génio. O canto bem apontado ao coração da área e um toque de calcanhar subtil e eficaz do capitão Hannu Tihinen desfez as redes do suplente Storari. Uma desatenção de uma defesa rossenera ainda incapaz de encontrar um quarteto sólido e que deixou Leonardo à beira de um ataque de nervos. O péssimo arranque do conjunto milanista na Serie A e as fracas exibições europeias abrem as portas as pessimismo. Seguem-se dois jogos de vida ou morte contra o letal Real Madrid e as contas começam a complicar-se.

Na Suiça o dia é de festa. O Zurich assume-se como uma alternativa série e nos duelos com os franceses do Olympique de Marseille poderá estar a chave do apuramento. O veterano técnico Bernard Challande sabe que não deve criar falsas expectativas, mas nem o conjunto de Deschamps parece tão ameaçador nem o AC Milan se apresenta ao nível de outros anos. Sabendo disso, os suiços, esperam. Tranquilamente. Sabem que a sua oportunidade pode estar ao virar da esquina. E a oportunidade de fazer história também.



Miguel Lourenço Pereira às 09:40 | link do post | comentar

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