Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

está online mais uma crónica publicada no weblog Futebol Artte desta feita dedicada às recentes declarações de Arsene Wenger sobre uma eventual Superliga europeia de clubes e as consequências que poderá ter para a actual organização do futebol europeu. Continuem a ler clicando no primeiro parágrafo.

 

"Arsene Wenger lançou o aviso à navegação. O técnico francês que nunca foi de ter papas na língua confirmou que a esmagadora maioria dos grandes clubes europeus está em sérias conversações para criar uma Superliga Europeia milionário ao estilo da NBA. O poder financeiro de clubes como Real Madrid, AC Milan, Manchester United ou Bayern Munchen parece superar o interesse desportivo e esses clubes estão a um curto passo de deixar a UEFA para criarem o seu próprio comité, ressuscitando o conceito do G-14. Um passo que poderia significar a médio prazo a morte do futebol europeu."

 


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Miguel Lourenço Pereira às 03:07 | link do post | comentar

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

O Real Madrid é um clube sui generis.

Vive na eterna crença de ser o número um mundial e o centro do mundo futebolistico. Apoiado por uma imprensa fanático, adeptos incorrigiveis e um marketing com décadas de história, o clube merengue sempre quis ser o exemplo a seguir pelo resto do mundo. No entanto é também o exemplo perfeito de um autoritarismo futebolistico onde o que vale para mim não vale para os outros, e vice-versa. O mesmo clube que sempre andou atrás de jogadores de clubes rivais evocando o pretexto de que a vontade do jogador é soberana é o mesmo que agora está a realizar uma verdadeira limpeza como não se via desde os dias da outra senhora lá do sitio.

 

O imponente estádio Santiago Bernabeu, erguido no norte da zona chique de Madrid, vive dias conturbados. Depois de ter enchido a triplicar para as apresentações das novas estrelas contratadas pelo regressado Florentino Perez, agora a preocupação da direcção é a chamada "Operação Saída". Com a inestimável ajuda do jornal Marca - que já tinha feito a pré-campanha de Perez permitindo-o ser eleito sem ter de abrir sequer a boca - foi-se criando a sensação de que não bastava com a chegada da nova vaga dos Galácticos para o Real Madrid voltar à senda de sucessos. Era preciso limpar o balneário de forma clara expulsando todos aqueles que pudessem comprometer a nova marca Real Madrid. Apesar da presença como director desportivo de Jorge Valdano, provavelmente um dos melhores pensadores do desporto-rei vivos, as decisões tomadas são mais financeiras do que desportivas. Perez quer apenas jogadores que vendam na equipa, um nucleo que possa comercializar e conseguir recuperar os milionários investimentos realizados. Aí não cabe - como há uma década atrás - a classe média que se foi reunindo no mandato de Calderon e que até conquistou dois ceptros de campeão com o conjunto merengue. Mais, a operação de saída tem sido feita da forma mais brutal com imposições claras aos jogadores e mensagens de "se não assinas aqui, não treinas, não jogas, não existes..." E isso em ano de Mundial toca fundo na alma de atletas que estão a sofrer o tratamento inverso ao que o clube da capital espanhola sempre defendeu.

 

Desde os dias imemoriais de Santiago Bernabeu que o Real Madrid sempre defendeu que a vontade de um jogador é soberana. Um pretexto hábil utilizado nas chegadas de Di Stefano (que já tinha contrato com o Barcelona), Kopa e Puskas numa primeira fase, e mais tarde Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham na primeira era galáctica. Com os milhões do constructor civil o Real Madrid acossou literalmente todos os grandes clubes europeus com ofertas que não se poderiam recusar, como diria Mario Puzzo. E se antes já tinham apalavrado tudo com o jogador, tanto melhor. Resulta que agora a situação inverte-se. O clube acerta tudo com um outro clube pela fasquia certa e depois contrato à frente do dispensado e...assinar ou morrer. Uma politica infelizmente recorrente mas que as grandes instituições deveriam evitar, especialmente se enchem capas de jornais com o discurso contrário. E ainda mais se essa decisão é criticável do ponto de vista desportivo. Já tinha avisado Claude Makelele e companhia, os primeiros escorraçados do Bernabeu por não se enquadrem na politica de "Zidanes e Pavones" do presidente no primeiro mandato. Nessa mesma situação está hoje uma dezena de jogadores, alguns dos quais verdadeiros erros de casting, mas onde coabitam talentos de fazer inveja a qualquer grande clube europeu. Mas sem mercado mediático.

 

O mais polémico exemplo surgiu esta semana com o holandês Wesley Sneijder. Peça chave no Madrid de Schuster que há dois anos se sagrou campeão, o holandês baixou claramente o rendimento no ano passado e tornou-se de besta a bestial. Valdano e Pellegrini - homens do futebol - sempre afirmaram contar com ele, já que o Real Madrid conta ainda com um meio-campo onde a regularidade não é o seu forte. As chegadas de Granero e Xabi Alonso (duas bandeiras de Perez) e a proximidade de Valdano com Gago abriram-lhe as portas de saída. Que Sneijder não quis tomar. O jogador comunicou a decisão ao director técnico que lhe tinha prometido um lugar no projecto em várias entrevistas no inicio da pré-época e desde então tornou-se no alvo preferencial do mesmo que lhe disse que se não ia para o Inter - onde Mourinho o deseja ardentemente - nunca mais voltaria a jogar até acabar o contrato. O mesmo que disseram a Huntelaar (que conseguiu trocar o imposto Stuttgart pelo AC Milan), Gabriel Heinze (o amigo de Ronaldo que acabou por ter de viajar para Marseille), a Michel Salgado (despachado para o Blackburn Rovers) e que têm dito a Rafael van der Vaart, Mahamoud Diarra, Christoph Metzelder, Royston Drenthe, Ezequiel Garay, Miguel Torres, Alvaro Negredo (recém-contratado), Ruud van Nistelrooy e até Arjen Robben, que mesmo depois da genial exibição em Dortmund confessou à imprensa que não sabe se o vão mandar embora...Os adeptos prometem nos foruns dos principais jornais desportivos do país vizinho manifestar-se diante do estádio, mas o cenário parece inevitável e os erros do passado regressam com as promessas ainda por cumprir.

 

Um clube tem, como é óbvio, toda a legitimidade para redefinir o plantel para uma temporada. No entanto o Real Madrid tem três graves problemas que lhe retiram muita da legitimidade a que teria direito. O primeiro passa pela insaciável preferência do economico sobre o futebolistico, o que questiona quase todas as decisões tomadas pela equipa directiva para os amantes do desporto-rei. O segundo é o discurso utilizado e veiculado, o constante voltar atrás com a palavra (este verão no caso Ribery, já uma dezena de vezes foi dito e desdito que o clube queria e não queria o francês) e a subversão de uma ideia que Perez continua a defender e que leva a constantes conflitos entre os jogadores pretendidos e os clubes onde actuam. O terceiro é claramente marca da casa. O autoritarismo moral de um clube que até aos anos 40 estava a alguns degraus de Bilbao e Barcelona, erguido como porta-bandeira do regime franquista, e que se auto-proclama o primeiro entre os primeiros, um clube de senhores mas que, na realidade, não deixa de ter os mesmos podres e armários escondidos de uma qualquer pequena instituição desportiva, com a diferença de que estas provavelmente não vende capas de jornais a fazer querer parecer o que não são! 


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Miguel Lourenço Pereira às 18:02 | link do post | comentar

Samuel E´too

 

Mal amado na Catalunha, onde se tornou num dos maiores jogadores e goleadores do Barcelona, o avançado camaronês foi praticamente despejado por Pep Guardiola, depois de no ano passado ter respondido com (muitos e decisivos) golos à tentativa do técnico de o dispensar. Chega ao S. Siro para render Ibrahimovic e dele se espera muito em Milão. Jogador de raça e explosão, pode ser a arma ideal para melhorar a eficácia ofensiva do onze de José Mourinho. A sua participação na CAN no inicio do próximo ano será também um dos grandes desafios do ano para o campeão italiano.

 

Diego

 

A grande contratação do defeso italiano. Se o Calcio perde Kaká e Zlatan a verdade é que ganha em Diego um novo referente. O médio brasileiro é um dos jogadores mais apaixonantes do momento e depois da experiência falhada em Portugal tornou-se no craque principal da Bundesliga onde madureceu e muito. Chega agora para tomar a batuta de Nedved como maestro da Vechia Signora e dele se espera muito para ressuscitar o conjunto de Turim e devolve-lo aos titulos que escapam há vários anos do Dell Alpi.

 

Alexandre Pato

 

A saída de Kaká força o seu compatriota a crescer mais depressa que o previsto. O jovem avançado brasileiro teve pouco tempo para amadurecer o seu jogo e agora os adeptos vão exigir-lhes golos e espectáculo. Face ao fraco papel de Ronaldinho e ao envelhecimento acentuado do plantel, o jovem dianteiro tem de ser o novo porta-estandarte de um clube à deriva e à procura de reinventar-se uma vez mais.

 

Antonio Cassano

 

O mais polémico jogador do futebol italiano é um curioso caso de genialidade adormecida. Depois da má passagem pelo Real Madrid  Cassano reinventou-se na Sampdoria. Na época transacta foi um dos jogadores do campeonato e apesar da fraca performance do clube genovês sempre esteve em alta. O seu caracter conflictivo e a famosa falta de professionalismo podem tê-lo impedido de dar de novo o salto a um grande, após a sua explosão no Bari que o levou primeiro a Roma e depois a Madrid, mas um segundo ano ao mais alto nível podem ser o melhor remédio para voltar a colocá-lo na ribalta. 

 

Francesco Totti

 

Da velha guarda heroica dos dias dourados é o único que continua igual a si próprio. Com o adeus de Maldini e Nedved e a transformação de Del Piero, o capitão da AS Roma é o verdadeiro simbolo italiano da Serie A. Parte para mais uma época com a braçadeira e o coração devotos aos gialorrosso e este ano sabe que a sua Roma tem argumentos de peso para se intrometer na luta pelo titulo. É uma das equipas a ter mais em conta e depois de falhar o apuramento para a Champions League promete este ano voltar em grande. Com o seu rei bem à frente das tropas, está claro.



Miguel Lourenço Pereira às 14:42 | link do post | comentar

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

A cada ano que passa a tendência torna-se mais acentuada.

A Serie A, outrora a grande liga europeia, é uma sombra de si própria, eclipsada pelos rivais ingleses e espanhóis e ameaçada de morte pela emocionante dupla franco-germânica. Perder os seus dois jogadores mais emblemáticos (Kaká e Zlatan Ibrahimovic) num defeso onde poucas foram as entradas fora do mercado interno é o espelho de que o campeonato italiano precisa de algo mais que um simples balão de oxigénio.

 

À beira do abismo, o Calcio tem tentado diversas formas de se re-inventar, todas sem sucesso. A negociação colectiva das receitas televisivas é a última aposta numa série de ideias que acabaram por se revelar infrutiferas para animar uma prova que durante os anos 80 e 90 era a inveja do mundo. A falta de equilibrio e emoção na luta pelo titulo, o baixo nivel dos clubes médios da tabela e o jogo cada vez mais táctico e fisico onde já nem o mitico regista tem espaço, são as principais razões para que o público - sedento de grandes espectáculos - e os melhores jogadores procurem outras paragens. Se Espanha tem a Liga das Estrelas e a Premier o campeonato dos adeptos, aos italianos resta-lhes o cada vez mais duvidoso titulo de campeonato da táctica. Mas já nem aí a Serie A revela uma superioridade como se viu nas últimas décadas. O espelho está na participação das equipas transalpinas nas provas europeias. Exceptuando os dois titulos europeus do AC Milan (2003 e 2007), esta década tem virado as costas aos trofeus continentais para os conjuntos italianos. E as participações têm deixado muito que desejar, estando longe os dias de uma autoritária Juventus, um incisivo Inter ou das espectaculares armadas romanas. O "Moggigate"  abriu as portas à tirania neruazurri e desequilibrou ainda mais uma balança delicada, enquanto que as dividas, os problemas com falsos passaportes e uma notória falta de bases (hoje em dia Itália tem alguns dos estádios mais decrépritos do futebol europeu) baixaram o nivel do campeonato drásticamente. 

 

A edição deste ano adivinha-se mais equilibrada da que marcou as últimas três temporadas, onde o Inter cavalgou sozinho rumo a um Tetracampeonato inédito na história do clube milanês. Este ano o clube procura o histórico Penta enquanto que Mourinho aposta em conseguir a sua terceira dobradinha depois de FC Porto e Chelsea, clubes onde venceu por duas vezes consecutiva a liga. O técnico português sabe, no entanto, que a tarefa será bem mais dificil. O seu Inter nunca entusiasmou no ano passado. Equipa pesada, sem velocidade pelos flancos, demasiado pesado no eixo do terreno, o conjunto da serpente beneficiou do génio de Ibrahimovic para resolver uma prova que chegou a estar bastante complicada. Este ano o sueco não está e o clube perde um toque de magia extra. Em troca ganha golos. Etoo e Milito podem fazer uma dupla letal na frente do ataque mas o conjunto mais equilibrado no papel é mesmo a Juventus. Treinada pelo jovem Ciro Ferrara, a Vechia Signora parece estar de volta oficialmente de volta com as chegadas de DiegoFelipe Melo para equilibrar um meio campo que conta ainda com Tiago, Camoranesi, Giovinco e Poulsen. No ataque o trio Del Piero-Amauri-Iaquinta e ainda Trezeguet prometem fazer estragas enquanto que Buffon e Cannavaro são um claro seguro de vida.

 

A interrogação do ano chama-se AC Milan

Orientada pelo estreante Leonardo, a equipa perdeu Kaká e teima em não ganhar Ronaldinho, que continua um fantasma de si próprio. Com Pirlo, Gattuso, Seedorf e Inzaghi um ano mais velhos, a equipa dependerá em muito do génio de Alexandre Pato e da afirmação de Flamini e o novo eixo defensivo composto por Thiago e Onyewu. Mas a fraca pre-epoca e o desequilibrio no plantel não augura um bom futuro aos milaneses. A equipa parece relegada à luta pela Champions com o eixo romano - uma reforçada AS Roma e um optimista AS Lazio depois da vitória na Supertaça - e ainda a Fiorentina. O conjunto viola tem um dos melhores técnicos e um dos mais equilibrados planteis do campeonato e este ano pode ambicionar mais. Pode ser a grande surpresa do ano.

 

A partir daí tudo são incógnitas e espelhos da fraca qualidade do campeonato. As sempre inconstantes Genoa, Udinese, Napoli e Palermo, os recém-promovidos Bari, Parma e Livorno e ainda Cagliari, Sampdoria, Siena, Catania, Chievo, Bologna são os interrogantes principais de uma prova à procura de si mesma.

A vitória da Juventus sob o Inter não significa obrigatoriamente uma viragem no rumo da Serie A mas uma liga emocionante com várias equipas a disputar os lugares cimeiros até ao final podem ser suficientes para começar a atrair de novo a atenção a um campeonato mitico que vive dias bem negros.  


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Miguel Lourenço Pereira às 21:42 | link do post | comentar

No jogo em que, curiosamente, fica mais com um pé fora do que dentro da ansiada Champions League, o Sporting conseguiu a melhor exibição da (ainda curta) época e deixou no ar a ideia de que é algo mais do que a sonolenta formação dos primeiros três jogos oficiais. No entanto voltou a Alvalade o fantasma de Dr. Jekyll/Mr. Hyde que tanto tem assombrado os leões deixando uma vez mais a nú as duas caras da equipa e do seu técnico.

A Fiorentina até estava em ritmo de pré-época (o campeonato só arranca sábado e este foi o primeiro jogo oficial dos viola, uma equipa bem melhor do que se viu). O árbitro também voltou a provar que no mundo do apito há maus profissionais em todos os sitios. Mas mesmo assim o Sporting deu dois precisos tiros no pé que podem ter prejudicado as legitimas aspirações aos milhões da Champions que tanta falta fazem num clube asfixiado pelas dividas acumuladas desde o inicio do Plano Roquette. E no entanto, paradoxalmente, ontem viu-se o melhor Sporting do ano e uma das mais interessantes exibições em largos meses. A equipa sofreu duas contrariedades durante a primeira hora que, noutras circunstâncias, poderiam ter sido decisivas. E soube dar a volta a ambas. Mostrou atitude, garra e espirito de sacrificio. Abdicou dos golos afortunados e da dependência de Liedson e provou ser um conjunto coeso. Ontem viu-se em Alvalade um Moutinho esclarecido, um Carriço senhorial e um Miguel Veloso na sua melhor versão, que deixa antever que talvez o médio tenha ultrapassado a sua fase descendente, voltando a cotar-se como uma das grandes promessas do nosso futebol. Vimos esse Sporting ligeiro no contra-ataque e seguro a meio campo. Vimos tudo isso mas vimos também esse lado obscuro que muitos teimam em atribuir ao nosso fado mas que é retrato exacto da dualidade leonino dos últimos anos.

É impensável que numa prova da UEFA um árbitro actue como se viu ontem, mas também se tem de pedir mais a um jogador que, depois de ter um amarelo (escusado) festeja um golo tirando a camisola. Vuckcevic podia ter sido - uma vez mais - o heroi do dia e acabou vilão. A sua constante imaturidade, com a qual Paulo Bento pura e simplesmente não sabe lidar, foi um de muitos casos de uma equipa a quem lhe falta claramente um lider. Os erros defensivos (que já vêm do ano passado) de Pedro Silva e Anderson Polga nos golos italianos são indisculpáveis. E se para o lado direito o técnico tem opções (Abel ou Pereirinha), no centro a má forma do brasileiro é notória desde há muito e merecia um investimento do clube no mercado ou então, pura e simplesmente, a reabilitação de Tonel. Problemas graves que não podem existir numa equipa que quer ir longe e que já tinham sido deixados a nu nas goleadas do ano passado na Europa. No meio de tudo isso - e apesar do bom esforço do meio campo - está a figura de Paulo Bento. Depois de quatro campeonatos como vice-campeão, o técnico está na corda bamba. Ele é o espelho real desta dupla personalidade do Sporting. Por um lado soube ressuscitar o espirito colectivo do onze, apostou em várias promessas da formação seguindo o trabalho dos antecessores e voltou a colocar o clube na luta pelos principais trofeus desportivos. Agora o outro lado. A equipa joga de forma previsivel há anos, não existe nenhuma inovação táctica apreciável, há várias "vacas sagradas" em campo que prejudicam claramente o rendimento do colectivo e - a mais evidente - estamos perante um técnico que não se sabe mexer no banco.

 

As entradas de Djalo (quando havia Caicedo) ou Caneira num jogo da natureza de ontem são mais um claro exemplo das limitações de Bento. A sua (in)tranquilidade consome-o de jogo para jogo e a equipa ressente-se. Bento é um treinador claramente mediano. Em quatro anos percebeu-se que não pode ir mais longe. Estagnou. No banco é lamentável a sua falta de inovação e dinamismo. Erra bastante ao tocar na equipa e é incapaz de conseguir, num mesmo desafio, alterar o esquema de jogo consoante as circunstâncias do encontro. Encontrou o seu losango, o seu onze tipo, e desde então apostou na politica de tocar o minimo e rezar para que alguém resolva. Por um lado sabe ser pesado para jogadores "insurrectos" e por outro é participe da péssima forma de alguns jogadores que poucos ainda entendem como podem andar pela titularidade (Polga, Rochemback, Postiga são os casos mais gritantes). A Bento falta-lhe caracter para liderar um projecto ganhador. Não deixa de ter tido um papel importante em estabilizar desportivamente a equipa, construindo um onze base com sucessivas (que nem sempre bem sucedidas) apostas na prata da casa. Mas isso não chega quando se quer der um passo mais e o comandante não sabe como.

A eliminação na Champions (é muito complicado vencer em Florença) é um grave problema financeiro mas que o clube já devia ter antecipado pelo nivel dos eventuais rivais. Mas poderá servir para que a equipa na Europe League compita com clubes correspondentes ao seu real valor em campo e ganhe a estaleca que precisa para dar um salto qualitativo. Mas enquanto se continuar a misturar com tamana assiduidade o génio e espirito do colectivo de ontem com os tamanhos erros individuais de técnico e jogadores, será dificil ao Sporting alcançar os objectivos do ano.



Miguel Lourenço Pereira às 12:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Já está online o novo texto semanal publicado no weblog Futebol Artte, dedicado á suspensão de Hulk, dianteiro do FC Porto expulso por duplo amarelo que logo se transformou em vermelho directo pelas palavras proferidas contra o árbitro Carlos Xistra.

 

Como sempre clicando no primeiro parágrafo podem ler o resto do texto.

 

"As explosões de raiva de McEnroe, a cabeçada de Zinedine Zidane, os toques nos rivais de Michael Schumacher, o olhar arrogante de Kobe Bryant…enfim, o desporto está repleto de grandes estrelas com sangue a ferver nas veias, capazes de perder o controlo e num segundo desperdiçar o trabalho de um ano inteiro. É algo que pode suceder a qualquer um de nós, no seu dia a dia, e a qualquer desportista. Bom, fraco, genial ou medíocre. Ninguém é santo muito menos quando sofre na pele, jogo após jogo, a dureza de um futebol medíocre onde a patada ainda vale mais que o drible. Mas chega um ponto onde a maturidade tem de vir ao de cima. De tornar o desportista capaz de gerir essa raiva interior e, se possível, transformá-la a seu favor numa arma letal. Hulk está ainda longe desse nível e a sua imaturidade pode ser um dos elementos fulcrais desta nova edição da Liga Sagres."


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Miguel Lourenço Pereira às 00:01 | link do post | comentar

Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

A partir de hoje o Em Jogo passa a colaborar directamente com o weblog Jogo de Área. Uma colaboração regular que passará pela publicação no projecto coordenado por Rui Zamith de textos já publicados neste espaço e ainda de textos inéditos.

 

Esta colaboração segue-se às já existentes com o weblog Futebol Artte e ainda o projecto Futebol Magazine do qual - para além da colaboração - o Em Jogo é ainda parte da equipa editorial e que voltará em Setembro com cara renovada e várias novidades.


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Miguel Lourenço Pereira às 23:46 | link do post | comentar

Terminou a primeira ronda da Liga Sagres 2009/2010 e os piores augúrios voltaram a confirmar-se. Depois de uma larga pré-época repleta de amigáveis, trofeus a feijões e muitos milhões, o futebol português apresenta-se tal e qual o deixamos. Pesado, lento, vagaroso...sem ritmo.

 

Foi a liga europeia que melhor soube vender (fruto obviamente dos muitos milhões que os franceses deixaram nos cofres do FC Porto) mas também das que mais importou, inevitavalmente da América do Sul. Continua a ser a única que segue de perto a Premier League com relação aos estrangeiros a actuar nos relvados nacionais mas, por outro lado, é também a única que conta com 32 técnicos nacionais nas duas divisões de futebol profissional. Houve a maquilhagem dos sorteios, o ano de transição para a perda de pontos por dividas, as descidas e subidas administrativas e a euforia benfiquista. Tudo o que sempre nos habituou o nosso defeso nos últimos anos. Mas em nenhum momento se notou uma melhoria do nosso futebol, a nivel individual ou colectivo. Em Portugal a primeira jornada espelhou o que fomos acompanhando nas últimas edições da prova e o que podemos antever do que veremos até Maio. É claro que mudanças drásticas nunca aconteceriam da noite para o dia e a mentalidade portuguesa continua a ser bastante pequena em muitas coisas. Mas havia a esperança de uma pequena mudança de atitude. E de ritmo. 

 

O ritmo do futebol português não está ao nivel do futebol praticado no resto do continente. E já não nas grandes ligas (Espanha, Itália ou Inglaterra). Apesar da eliminação (milagrosa) do Twente ás mãos do Sporting, é invejável acompanhar uma jornada na Eredivise e comparar com o que temos por cá. Em Portugal abrimos o campeonato com oito jogos para adormecer. Sete empates, sem chama nem glória. Sete jogos onde ninguém conseguiu destoar da imensa e pobre mediania. Pode-se elogiar a audácia de Paulo Sérgio, a inteligencia de Manuel Machado ou o chico-espertismo do autocarro bem luso de Carlos Carvalhal, mas os grandes não têm desculpa para exibir-se de forma tão pouco competitiva quando começam os jogos a doer. Voltamos ao cenário onde a liga portuguesa se nivela cada vez mais por baixo. Um único ganhador (o sonolento SC Braga que nem pedalada teve para o actual lider do campeonato sueco) e muitos empatas. Muitos pontinhos que é o que se preza verdadeiramente em Portugal, onde país onde todos ganham e ninguém perde. Olhanense-Naval? O empate satisfaz a ambos. Leiria-Rio Ave? Um ponto é bom para arrancar. Vitória Setubal-Vitória Guimarães? Estamos contentes. Belenenses-Leixões? É importate arrancar sem perder. Enfim, sempre o mesmo discurso.

 

Mudamos de canal, seguimos agora a liga holandesa. Não há grandes estrelas mas há o cuidado de apostar na formação e em pescar pérolas em todo o mundo. Não há grandes estádios vazios. Não há três diários desportivos nem o sindrome dos grandes. Mas há paixão futebolistica. Ali o jogo disputa-se a outro ritmo. Duelo entro dois gigantes do futebol das tulipas. Ajax e PSV, equipas campeãs europeias mas afastadas do titulo no ano transacto muito cedo. Querem vencer, não contam um ponto quando sabem que há três em disputa. Jogo disputado, dinâmico...resultado final: 4-3 a favor dos de Eindhoven. Espectáculo, emoção, golos, futebol ofensivo. Duas equipas sem medo. Outro ritmo, outra mentalidade. Imaginar um jogo assim entre os nossos "grandes" é utopia. Na Holanda é normal, repete-se ano após ano. Grandes vencem por 6-2 e depois perdem por 5-2. Entre eles não desistem nunca dos três pontos. A nivel histórico está abaixo da liga portuguesa. Apesar de contar com 6 Champions League (4 do Ajax, 1 do Feyennord e 1 do PSV) tem tido presenças discretas na Europa. Mas, no entanto, é um constante viveiro de talentos, um campeonato ofensivo e atractivo. Com audiências em casa e público no estádio. Ali nunca se está contente a não ser que haja golos e espectáculo. Os pontos somam-se no fim. Aqui começam a contar-se desde o primeiro dia. É por isso que - apesar de modesta - a liga holandesa tem todas as caracteristicas das ligas europeias menos os milhões que a poderiam agigantar. Nós por cá, mesmo com os milhões a entrar e sair, somos cada vez mais uma liga parada, estática e triste. Sem vida e sem ritmo. Sem a magia do futebol!



Miguel Lourenço Pereira às 12:41 | link do post | comentar

Sábado, 15 de Agosto de 2009

Depois de três anos consecutivos a derrotar Arsenal, Chelsea e Liverpool, os Red Devils preparam-se para atacar um feito histórico no clube: o Tetracampeonato. Mas a equipa de Alex Ferguson está ferida e tem atrás de si três caçadores implacáveis. Será, muito provavelmente, o ano mais duro para os Red Devils que nunca conseguiram perpetuar durante tanto tempo o seu domínio na prova rainha do futebol europeu.

 
Para os adeptos portugueses este é o ano 1 pós CR7. Para os adeptos do United também mas a perda do craque português – já prevista desde que começaram as birras de Ronaldo em 2008 – dói mais se juntarmos à saída de Carlos Tevez e à falta de reforços de renome. O campeão em título (por três anos consecutivos, convém relembrar) mantém a estrutura das últimas épocas mas perde os sois dois elementos mais versáteis do ataque, que permitiam a Ferguson jogar constantemente entre o 4-4-2, 4-3-3 e 4-2-3-1 conforme o rival que se lhe apresentava. Apesar do bloque defensivo e o meio campo se manterem inalterados – com o problema de que van der Saar, Scholes, Neville e Giggs devem arrancar para o último ano, o ataque torna-se agora no ponto mais frágil de uma equipa conhecida pela sua eficácia ofensiva. Berbatov não vingou e Michael Owen é uma incógnita enquanto que os extremos estão entregues a jogadores com um futuro promissor como Obertan, Valência, Nani e Tosic, mas sem grande experiência para levar a equipa aos ombros. Wayne Rooney passará a ser o centro das atenções e este pode muito bem ser o ano da sua definitiva consagração.
 
O principal rival do United voltará a ser o Liverpool. O treinador Rafa Benitez manteve a estrutura que lhe permitiu disputar até ao fim o título com o United na época transacta contando com a dupla Steven Gerrard e Fernando Torres como setas bem apontadas às defesas rivais. A falta de reforços de renome deve-se ao facto de o clube atravessar uma forte crise mas Mavinga (do PSG) e a entrada de Glen Johnson para o lado direito equilibrará ainda mais um compacto eixo defensivo com Skrtl e Carragher em boa forma.
 
Por outro lado o Chelsea começa um novo ciclo. Carlo Ancelloti chega a um clube em descrença depois de três anos de seca. Com um plantel altamente envelhecido e descontente (Ricardo Carvalho, Deco, Drogba, Lampard, Anelka, Terry), o técnico italiano não começa com bom pé já que o eixo que deveria ser a base do seu onze pretende deixar Stanford Bridge. O russo Zhirkov e o jovem Sturridge são as únicas entradas de realçar numa equipa que pode também ela estar num ano de transição. Dos candidatos crónicos ao ceptro resta falar do Arsenal, mas sem dinheiro para investir (apesar dos 50 milhões conseguidos com Adebayor e Touré), a Arsene Wenger pouco lhe resta do que sacar o máximo proveito de Arshavin – já plenamente integrado – van Persie e Fabregas, e continuar a sua hábil politica de aproveitar jovens promessas. Este ano veremos mais Wallcott, Wilshire, Ramsey, Gibbs e companhia no onze dos gunners
 
O grande ponto de interrogação da temporada chama-se Manchester City. Na época passada ficou atrás dos europeus Everton e Aston Villa mas tanto os toffes como os villains parecem mais débeis este ano enquanto que os citizens chegam em força. Adebayor, Tevez e Santa Cruz juntam-se a Robinho para formar um dos melhores eixos ofensivos dos campeonatos europeus. Mark Hughes terá de ser um maestro em gerir um plantel com alguns desequilíbrios mas com um potencial imenso. Na baliza conta com Taylor e Given, na defesa há Richards, Toure, Kompany, Zabaleta e Bridge. No meio campo os jovens Johnson, de JongGareth Barry com Wright-Philips e Ireland pelas alas. Uma equipa com potencial para lutar pelo titulo mas que não deixa de ser uma incógnita.
 
No resto da tabela pouco ou nada muda. West Ham United e Tottenham arrancam com projectos ambiciosos enquanto que Blackburn Rovers, Fulham e Bolton estão em contenção. Sunderland, Portsmouth, Hull, Birmingham e Stoke também sabem que vão passar um ano complicado enquanto que os recém-promovidos Burnley, Wigan e Wolverampton Wanderers chegam com a ilusão de fazer história. As últimas temporadas ensinam-nos que raramente descem os mesmos que sobem pelo que por aí o optimismo está em alta.
 
O arranque da época deixa algumas questões em aberto. Podemos estar num período de mudança de ciclo – com os clubes londrinos em queda e os novos-ricos a subir na tabela – e a Premier até pode ter vendido a sua principal estrela para a liga rival, mas o principal problema continua a ser o endividamento dos clubes e o facto da esmagadora maioria ser detida por empresários estrangeiros. Os adeptos e os puristas da magia da Premier reivindicam um regresso ás origens de um modelo que há quinze anos foi totalmente inovador mas que agora começa a deixar alguns pontos complexos por resolver. Mas no campo tudo isso torna-se supérfluo. Arranca uma nova época e começa a caça ao diabo.

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Miguel Lourenço Pereira às 15:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)

O futebol francês tem uma longa tradição em criar médios geométricos, verdadeiros craques em ler o jogo e traçar, a régua e esquadro, todo o jogo da sua equipa. Colocados no eixo mais defensivo, sabem antecipar os lances dos adversários ao mesmo tempo que já desenham o contra-golpe perfeito. Uma tradição que já elevou à glória nomes como Jean Tigana, o príncipe Negro, ou Didier Deschamps. Em Paris, cidade iluminada, forja-se mais um digno sucessor desta escola única.

 

Clement Chantome é um producto da formação parisina. Chegou muito cedo ao Paris Saint-Germain e desde aí se assumiu como uma das mais valiosas pérolas do Sena. Aos 21 anos (nasceu a 11 de Setembro de 1987), o médio é hoje peça chave do projecto do PSG mas também alvo de grande cobiça de vários grandes europeus, com o inevitável Arsenal de Arsene Wenger à cabeça. O técnico francês procura um jogador capaz de fazer inteligentemente a ponte entre o seu bloco defensivo e o rápido ataque assente em Arshavin e van Persie face à provável saída de Cesc Fabregas. E para ele o seu jovem compatriota é a opção ideal. Chantome estreou-se na equipa profissional do PSG em 2006, então com 19 anos, e desde então se revelou peça chave na estrutura da equipa. O seu físico (mede 1m84) permite-lhe controlar o jogo defensivo mas é a sua visão de jogo que faz a verdadeira diferença no seu estilo. Presença regular nas selecções jovens dos Bleus, de Chantome esperam-se grandes feitos, mas Raymond Domenech, o polémico seleccionador gaulês ainda não se arriscou a entregar-lhe a batuta do meio campo. 

 

No último ano Chantome foi prejudicado pela chegada do veterano Claude Makelele, que trouxe mais experiência ao meio campo francês e tornou-se no braço direito do técnico Paul Le Guen. Com a saída do treinador e a chegada de Antoine Kombouaré, anterior técnico do Vallenciennes, o médio centro espera ter de novo a possibilidade de fazer, junto a Jeremy Clement, um bloco intransponível de forma a devolver o clube parisino à elite do futebol francês depois de mais uma temporada decepcionante. Em ano de Mundial será fulcral para o jovem Chantome tornar-se numa opção regular e assim persuadir Domenech que aqueles que dizem que o futuro meio campo da selecção gaulesa deve assentar na associação Chantome-Gourcouff, têm de facto razão.


Miguel Lourenço Pereira às 10:54 | link do post | comentar

Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Gabriel Obertan

Manchester United
 
Com a saída de Cristiano Ronaldo abre-se um imenso buraco no eixo ofensivo dos Red Devils. Para colmantar a saída do português, Sir Alex Ferguson viajou até França e resgatou aqueles que muitos tratam já como novo Henry. O jovem Gabriel Obertan - terá, como o português - tempo para encontrar o seu espaço em Old Trafford, mas espera-se que já esta época comece a mostrar porque é que o técnico confia tanto nele de forma a entregar-lhe nas mãos a sucessão de um dos melhores jogadores da história do clube.
 
Jack Whilshere
Arsenal
 
Já surgiu na época passada como a mais nova pérola do futebol de formação dos gunners. Apesar da tenra idade o técnico Arsene Wenger volta a contar com ele para dar mais profundidade e magia ao ataque do onze londrino. Whilshere há muito que é visto como o futuro do futebol inglês, e o Arsenal tem, pela primeira vez em muitos anos, um producto made in Britain para exibir. Espera-se dele destelos de pura magia e uma afirmação tão precoce como o seu talento natural. 
 
Michael Johnson
Manchester City
 
O ano passado foi um dos poucos jogadores a escapar da mediania. Este ano com Gareth Barry ao seu lado pode ser o da definitiva afirmação de Michael Johnson. Médio box-to-box como poucos da sua geração, o jovem Johnson é um dos mais cintilantes productos de formação da casa que inclui ainda a Richards, outra magnifica promessa. Sem dúvida este ano pode ser o mesmo o ano dos citizens.
 
Gabriel Agbonlahor
Aston Villa
 
Com a explosão espantosa de Ashley Young pouco se falou na época passada do jovem Agbonlahor. Mas hoje ele continua a ser a máxima promessa do futebol do Aston Villa. Avançado com grande reportório técnico e facilidade diante dos postes, o dianteiro de origem indiana é a principal arma para o técnico Martin O´Neill voltar a tentar o ataque à Champions. Fabio Capello já conta com ele para o próximo Mundial e com golos e exibições mágicas como se viu na época passada, o bilhete pode estar praticamente carimbado.
 
Marouane Fellaini
Everton
 
O jovem médio belga Marouane Fellaini é uma das grandes promessas do futebol europeu. Membro chave de uma geração de grandes talentos (Witsel, Defour, Kompany, van den Borre, Baylon, Dembelé, Hazard), o centrocampista é uma das armas de David Moyes para fazer parceria com o brilhante Mikel Arteta no meio campo dos toffes. Já nos últimos meses tem conquistado com regularidade um lugar no onze e se mantiver ao mesmo nível há muitos que suspeitam que já em Dezembro pode dar o salto a um dos grandes da tabela classificativa.


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Miguel Lourenço Pereira às 15:07 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Depois do histórico feito de 1999 poucos julgavam que, uma década depois, o FC Porto tivesse à beira de repetir o Pentacampeonato. Mas os números não mentem. A liga portuguesa é cada vez a liga do dragão e apesar dos projectos desportivos dos rivais, no final a festa faz-se nos Aliados. Os azuis e brancos são os reis indisputados de uma prova que, de ano para ano, tem vindo a perder estatuto na Europa. Mas os rivais esfregam as mãos e acreditam que 2010 pode ser um ano diferente.

 
As perdas de elementos nucleares têm sido uma constante no plantel portista desde a chegada de Jesualdo Ferreira. Desde Anderson a Pepe, passando por Bosingwa, Quaresma ou Paulo Assunção, os azuis e brancos estão condenados a reconstruir, a cada ano, uma nova equipa. Para muitos as saídas de Lucho Gonzalez e Lisandro Lopez entram neste espírito de reconstrução estruturada de uma equipa que não parece perder, mas o problema é mais complexo do que parece. Desde que começou a perder jogadores chave, o FC Porto não tem sabido encontrar suplentes à altura. Se exceptuarmos os casos de Rolando, que soube fazer esquecer Pepe, e Fernando que provou ser uma boa alternativa a Assunção, as contratações de Jesualdo e Pinto da Costa não tem sido felizes. Sapunaru e Fucile nunca renderam ao nível de Bosingwa, o uruguaio Rodriguez esteve longe de ser tão decisivo como o era Quaresma e desde que Anderson saiu que o FC Porto nunca mais teve um constructor de jogo desequilibrante. O nível médio do plantel foi decaindo com apostas claramente infelizes (Gonzalez, Tomas Costa, Benitez, Sapunaru, Stepanov, Guarin, Farias) e se deixarmos Hulk num caso à parte, render jogadores que fazem entrar milhões não tem sido o forte dos dragões. E ao arrancar uma nova época nota-se que nem Lucho nem Lisandro parecem ter substitutos à altura. O ataque azul e branco notará a eficácia de Lisandro – que até veio de uma época pouco espectacular – e o meio campo não tem nenhum pensador como Lucho. E a tarefa de Jesualdo é ainda mais titânica.
 
Benfica e Sporting partem com a legítima esperança de quem vê o rei ferido – que não moribundo – e lançam-se à carga, mas enquanto que os leões parecem ter poucos argumentos para mostrar algo mais do que a repetida cassete das últimas temporadas já o Benfica volta a gastar milhões num projecto que o seu técnico não hesitaria em descrever como histórico. O Benfica tem nomes mas falta ver se tem conjunto. O Sporting tem conjunto mas carece de alguém capaz de resolver, quando Liedson não aparece. E talvez por isso Nacional e Braga possam sonhar em ir mais longe, ou talvez por isso Vitória, Académica ou Marítimo tenham legitimidade para imitar a primeira volta do Leixões do ano passado que este ano sofrerá para não se ver na outra ponta da tabela. Num ano critico para o futebol português, a liga volta a ameaçar-se em partir-se em três, com demasiados candidatos para dois lugares, precisamente os que ninguém quer.
 
Em Maio, em vésperas de um Mundial onde Portugal pode, pela primeira vez em doze anos, não estar presente, todos estarão pendentes de confirmar se os piores medos dos portistas se confirmam ou se, de facto, este Dragão é invencível, passe o que passe. Até que se prove o contrário os azuis e brancos defendem não um, mas quatro títulos consecutivos, e os rivais são apenas pretendentes que viverão mais das falhas do crónico campeão do que propriamente de um projecto já sólido e consolidado. Da mesma forma que se disse durante os últimos anos que os títulos dos dragões se deviam à falta de projectos sólidos dos grandes de Lisboa, a Liga Sagres 2009/2010 está destinada a entrar para a história como a Liga 5.0. Tudo o que não soe a Penta será inesperado porque favorito, favorito, só há realmente um. 

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Miguel Lourenço Pereira às 12:54 | link do post | comentar

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Rodrigo Possebom

Sporting Braga
 
Mais uma aposta de Carlos Queiroz para o Manchester United, o jovem Rodrigo Possebom é a coqueluche do novo Braga. No AXA sabem que será apenas um ano mas os admiradores do futebol vertical e elegante do jovem italo-brasileiro já catalogam a sua chegada de histórica. Apesar da juventude já tem experiência na Premier e o seu sentido de organização pode ser fulcral para as ambições de Domingos. Pelo talento inato será dos jogadores da Liga, resta saber se consegue sobreviver às expectativas.
 
Keirisson
SL Benfica
 
Contratado por cerca de 14 milhões pelo Barcelona, o jovem avançado brasileiro chega emprestado por uma temporada ao Benfica. O técnico catalão Pep Guardiola decidiu que precisava de um ano de rodagem na Europa e depois da indecisão entre Benfica, FC Porto e Ajax, o avançado acaba na Luz. Tem concorrência de peso (dos veteranos Nuno Gomes e Mantorras aos titulares Cardozo e Saviola), mas o registo goleador de Keirisson deixa antever que será um dos elementos mais importantes para Jorge Jesus. O jovem vai ter tempo para adaptar-se e sabe que em Barcelona estão atentos á sua progressão pelo que terá um longo ano para provar que é um dos futuros craques do futebol europeu.
 
Yazalde
Sp. Braga
 
Despontou no Varzim e foi imediatamente fisgado pelo Sporting de Braga que não hesitou em empresta-lo ao Rio Ave para ganhar ritmo. Em Vila de Conde mostrou-se endiabrado e com Candeias e Fábio Coentrão protagonizou uma linha avançada demoníaca. De volta a Braga está agora ás ordens de um dos melhores avançados portugueses dos últimos vinte anos que certamente saberá sacar do jovem mais eficácia à hora do frente a frente com o guardião contrário. É uma das grandes esperanças do ataque nacional e uma arma secreta para o Braga 2009/2010.
 
Nuno A. Coelho
FC Porto
 
Herdeiro de uma escola intemporal de centrais imensos, Nuno André Coelho chega ao Dragão depois de seguir a velha escola azul e branca de “comer o pão que o diabo amassou” pelos pequenos clubes dos nossos campeonatos. Apos uma excelente época na Amadora, aos 23 anos  o central quer agora assumir-se como o defesa de futuro dos campeões nacionais. Face à possível saída de Bruno Alves e à juventude de Rolando e Maicon, o jovem tem todas as possibilidades de dar finalmente o salto.
 
Ruben Micael

Nacional 

 

Manuel Machado lançou-o na passada época e rapidamente se tornou num dos jogadores chave do seu Nacional com selo europeu. Esta época Ruben Micael quer dar o salto e face ás saídas no clube madeirense, o certo é que terá de assumir cada vez mais protagonismo. Médio de excelente toque e com uma visão de jogo deliciosa, Ruben Micael tem todas as condições físicas e desportivas para se tornar num dos jogadores chave da época. E quem sabe, dar o salto à selecção nacional.


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Miguel Lourenço Pereira às 18:52 | link do post | comentar

Wayne Rooney

Manchester United
 
Com a saída de Cristiano Ronaldo ele sabe que este pode ser o seu ano. Pela primeira vez arranca uma época como lider indiscutível do ataque. Seja pelo centro - onde se senta mais cómodo - ou descaído nas alas, Rooney é o protótipo do falso avançado do futebol moderno. Rápido, possante, de fácil disparo e com capacidade de funcionar como primeiro elemento de bloqueio, Rooney é um jogador completo. Ferguson sabe que é o lider natural de mais uma nova etapa e o craque também tem consciente de que todos os olhos em Old Trafford vão estar agora centrados em si. 
 
Fernando Torres
Liverpool
 
Surpreendeu tudo e todos no seu primeiro ano na Premier League ao disputar até ao fim o titulo de melhor marcador com a estrela da prova, Cristiano Ronaldo. Depois de vários anos no Atlético de Madrid, onde já ameaçava tornar-se numa promessa por cumprir, El Niño confirmou no ano passado que é decisivo no Liverpool de Rafa Benitez e que é um dos mais espectaculares avançados do futebol europeu da actualidade. Qualquer pretensão ao titulo dos Reds vai sempre depender dos golos apontados pela máquina espanhola.
 
Andrei Arshavin
Arsenal
 
O ano passado chegou em Dezembro e o pouco tempo que esteve em campo mostrou logo que podia ser um jogador capaz de fazer a diferença num Arsenal cada vez mais baseado no compacto colectivo. O magnifico jogo com o Liverpool (4-4) entrou para a história do clube e os gunners sabem que este ano Arshavin será o elemento preponderante da equipa, apesar de que o russo já mostrou interesse em sair do Emirates Stadium. Um extremo habilidoso e com sede de golo em quem Wenger aposta muito. 
 
Frank Lampard
Chelsea
 
Apesar da remodelação que se avizinha com a chegada de Ancelloti, parece claro que a grande referência do jogo dos blues será, uma vez mais, Frank Lampard. O médio viveu uma época apagadíssima no ano transacto, primeiro pela variação táctica de Scolari e mais tarde por uma série de problemas físicos. Este ano quer regressar em força e ser o fiel da balança do novo Chelsea. Com o seu potente disparo e a sua inquebrantável resistência que fazem dele o mais completo médio box-to-box do futebol inglês, Lampard fará na equipa inglesa o papel que o técnico deu a Kaká no AC Milan. Em ano de Mundial e com um Chelsea ambicioso e reorganizado, Lampard é absolutamente uma das figuras chave da Premier.
 
Gareth Barry
Manchester City
 

Foi a equipa mais mexida no mercado mas mais do que as sonantes contratações para o ataque, o golpe mestre do Manchester City foi conseguir os serviços de Gareth Barry. O médio foi a grande estrela do Aston Villa 2008/2009 e há muito que era pretendido por Liverpool e Chelsea. Acaba no City of Manchester onde terá por missão equilibrar uma equipa que quer ser a surpresa do ano. Sem competições europeias para distrair, o City espera que o jogador mais em forma da Premier, capaz de conseguir um lugar cativo no onze dos Pross de Cappello, seja a alavanca necessária para subir um bom par de degraus e levar o clube à luta pelo titulo.


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Miguel Lourenço Pereira às 15:08 | link do post | comentar

Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Hulk

FC Porto
 
No ano passado surgiu do nada e arrancou aplausos dos quatro cantos da Europa. Acabado de chegar do Japão surpreendeu pelo seu físico e espírito de luta. Apesar de pouco eficaz – marcou poucos golos e realizou ainda menos assistências – foi uma das armas para a reviravolta operada pelo FC Porto de Jesualdo Ferreira. Este ano a Hulk pede-se muito mais. Com a partida de Lisandro cabe ao jovem avançado brasileiro a responsabilidade de assumir as despesas ofensivas. Mais do que luta, sprints e raça, a Hulk este ano pede-se liderança e golos, muitos golos. Com Varela, Rodriguez, Orlando ou Falcão, o “tanque” azul e branco não tem desculpas se quer definitivamente afirmar-se como futebolística de excepção.
 
Raul Meireles
FC Porto
 
Sem o seu parceiro dos últimos quatro anos, 2009/2010 poderá ser o ano da afirmação definitiva de Raul Meireles. O FC Porto precisa dele mais do que nunca para por ordem num meio campo desorganizado e descompensado com a partida de Lucho e a chegada de Belluschi. Solto das manobras mais defensivas – a cargo do fiável Fernando – o internacional português terá de ser agora mais eficaz a construir jogo. Passa para primeiro plano e com o peso de ser um dos elementos mais antigos do plantel numa época de profunda renovação em face à equipa que venceu as últimas quatro ligas. Dono de um portentoso disparo e com um elevado espírito de sacrifício, o rendimento de Meireles poderá ser o fiel da balança da época portista.
 
Javier Saviola
SL Benfica
 
Foi a mais sonante contratação do defeso desportivo. Nome maior do futebol argentino do inicio da década, assinou com o seu agora colega de ataque, Pablo Aimar, uma das duplas mais letais do futebol sul-americano. No Barcelona viveu uma época convulsa e nunca se afirmação. Nos empréstimos a Mónaco e Sevilla mostrou de novo o seu valor mas acabou por ser colocado de parte em Can Barca. Assinou pelo Real Madrid mas também ai não teve oportunidades e chega agora à Luz com vontade de carimbar o bilhete para a África do Sul impressionando Maradona com garra e eficácia, precisamente o que ataque encarnado mais precisa para atacar o titulo.
 
Liedson
Sporting
 
O “levezinho” não precisa de apresentações. Melhor jogador estrangeiro a alinhar na liga portuguesa na última meia década, o avançado brasileiro tem sido a principal razão para os quatro segundos lugares consecutivos do Sporting. Eficaz e letal, o número 31 arranca a época com um novo contrato e sob o fantasma da eventual chamada à equipa das quinas. Os adeptos leoninos sabem que é a principal arma de ataque ao reino do Dragão, mas a ausência de um parceiro mais físico como Derlei pode baixar o rendimento do avançado número da liga.
 
Eduardo

Sporting Braga 

 
Aposta pessoal de Queiroz para a baliza da selecção, há dois anos que Eduardo se tem assumido como o melhor guardião a actuar na liga portuguesa. Primeiro no Setúbal e na época transacta no reino dos Arcebispos, o guardião é dono de uma regularidade que relembra o anterior dono das redes nacionais, Ricardo, na sua etapa axadrezada. Alguns problemas no jogo aéreo e talvez o desencanto por ter falhado o salto a um grande podem jogar contra si, mas Domingos Paciência sabe que se o Braga quer subir mais um patamar esta época, dependerá em muito da eficácia defensiva do seu número 1.


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Miguel Lourenço Pereira às 17:49 | link do post | comentar

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