Já está online mais uma crónica publicada no weblog Futebol Artte desta feita dedicada às recentes declarações de Arsene Wenger sobre uma eventual Superliga europeia de clubes e as consequências que poderá ter para a actual organização do futebol europeu. Continuem a ler clicando no primeiro parágrafo.
O Real Madrid é um clube sui generis.
Vive na eterna crença de ser o número um mundial e o centro do mundo futebolistico. Apoiado por uma imprensa fanático, adeptos incorrigiveis e um marketing com décadas de história, o clube merengue sempre quis ser o exemplo a seguir pelo resto do mundo. No entanto é também o exemplo perfeito de um autoritarismo futebolistico onde o que vale para mim não vale para os outros, e vice-versa. O mesmo clube que sempre andou atrás de jogadores de clubes rivais evocando o pretexto de que a vontade do jogador é soberana é o mesmo que agora está a realizar uma verdadeira limpeza como não se via desde os dias da outra senhora lá do sitio.

O imponente estádio Santiago Bernabeu, erguido no norte da zona chique de Madrid, vive dias conturbados. Depois de ter enchido a triplicar para as apresentações das novas estrelas contratadas pelo regressado Florentino Perez, agora a preocupação da direcção é a chamada "Operação Saída". Com a inestimável ajuda do jornal Marca - que já tinha feito a pré-campanha de Perez permitindo-o ser eleito sem ter de abrir sequer a boca - foi-se criando a sensação de que não bastava com a chegada da nova vaga dos Galácticos para o Real Madrid voltar à senda de sucessos. Era preciso limpar o balneário de forma clara expulsando todos aqueles que pudessem comprometer a nova marca Real Madrid. Apesar da presença como director desportivo de Jorge Valdano, provavelmente um dos melhores pensadores do desporto-rei vivos, as decisões tomadas são mais financeiras do que desportivas. Perez quer apenas jogadores que vendam na equipa, um nucleo que possa comercializar e conseguir recuperar os milionários investimentos realizados. Aí não cabe - como há uma década atrás - a classe média que se foi reunindo no mandato de Calderon e que até conquistou dois ceptros de campeão com o conjunto merengue. Mais, a operação de saída tem sido feita da forma mais brutal com imposições claras aos jogadores e mensagens de "se não assinas aqui, não treinas, não jogas, não existes..." E isso em ano de Mundial toca fundo na alma de atletas que estão a sofrer o tratamento inverso ao que o clube da capital espanhola sempre defendeu.
Desde os dias imemoriais de Santiago Bernabeu que o Real Madrid sempre defendeu que a vontade de um jogador é soberana. Um pretexto hábil utilizado nas chegadas de Di Stefano (que já tinha contrato com o Barcelona), Kopa e Puskas numa primeira fase, e mais tarde Figo, Zidane, Ronaldo e Beckham na primeira era galáctica. Com os milhões do constructor civil o Real Madrid acossou literalmente todos os grandes clubes europeus com ofertas que não se poderiam recusar, como diria Mario Puzzo. E se antes já tinham apalavrado tudo com o jogador, tanto melhor. Resulta que agora a situação inverte-se. O clube acerta tudo com um outro clube pela fasquia certa e depois contrato à frente do dispensado e...assinar ou morrer. Uma politica infelizmente recorrente mas que as grandes instituições deveriam evitar, especialmente se enchem capas de jornais com o discurso contrário. E ainda mais se essa decisão é criticável do ponto de vista desportivo. Já tinha avisado Claude Makelele e companhia, os primeiros escorraçados do Bernabeu por não se enquadrem na politica de "Zidanes e Pavones" do presidente no primeiro mandato. Nessa mesma situação está hoje uma dezena de jogadores, alguns dos quais verdadeiros erros de casting, mas onde coabitam talentos de fazer inveja a qualquer grande clube europeu. Mas sem mercado mediático.

O mais polémico exemplo surgiu esta semana com o holandês Wesley Sneijder. Peça chave no Madrid de Schuster que há dois anos se sagrou campeão, o holandês baixou claramente o rendimento no ano passado e tornou-se de besta a bestial. Valdano e Pellegrini - homens do futebol - sempre afirmaram contar com ele, já que o Real Madrid conta ainda com um meio-campo onde a regularidade não é o seu forte. As chegadas de Granero e Xabi Alonso (duas bandeiras de Perez) e a proximidade de Valdano com Gago abriram-lhe as portas de saída. Que Sneijder não quis tomar. O jogador comunicou a decisão ao director técnico que lhe tinha prometido um lugar no projecto em várias entrevistas no inicio da pré-época e desde então tornou-se no alvo preferencial do mesmo que lhe disse que se não ia para o Inter - onde Mourinho o deseja ardentemente - nunca mais voltaria a jogar até acabar o contrato. O mesmo que disseram a Huntelaar (que conseguiu trocar o imposto Stuttgart pelo AC Milan), Gabriel Heinze (o amigo de Ronaldo que acabou por ter de viajar para Marseille), a Michel Salgado (despachado para o Blackburn Rovers) e que têm dito a Rafael van der Vaart, Mahamoud Diarra, Christoph Metzelder, Royston Drenthe, Ezequiel Garay, Miguel Torres, Alvaro Negredo (recém-contratado), Ruud van Nistelrooy e até Arjen Robben, que mesmo depois da genial exibição em Dortmund confessou à imprensa que não sabe se o vão mandar embora...Os adeptos prometem nos foruns dos principais jornais desportivos do país vizinho manifestar-se diante do estádio, mas o cenário parece inevitável e os erros do passado regressam com as promessas ainda por cumprir.
Um clube tem, como é óbvio, toda a legitimidade para redefinir o plantel para uma temporada. No entanto o Real Madrid tem três graves problemas que lhe retiram muita da legitimidade a que teria direito. O primeiro passa pela insaciável preferência do economico sobre o futebolistico, o que questiona quase todas as decisões tomadas pela equipa directiva para os amantes do desporto-rei. O segundo é o discurso utilizado e veiculado, o constante voltar atrás com a palavra (este verão no caso Ribery, já uma dezena de vezes foi dito e desdito que o clube queria e não queria o francês) e a subversão de uma ideia que Perez continua a defender e que leva a constantes conflitos entre os jogadores pretendidos e os clubes onde actuam. O terceiro é claramente marca da casa. O autoritarismo moral de um clube que até aos anos 40 estava a alguns degraus de Bilbao e Barcelona, erguido como porta-bandeira do regime franquista, e que se auto-proclama o primeiro entre os primeiros, um clube de senhores mas que, na realidade, não deixa de ter os mesmos podres e armários escondidos de uma qualquer pequena instituição desportiva, com a diferença de que estas provavelmente não vende capas de jornais a fazer querer parecer o que não são!
Samuel E´too
Mal amado na Catalunha, onde se tornou num dos maiores jogadores e goleadores do Barcelona, o avançado camaronês foi praticamente despejado por Pep Guardiola, depois de no ano passado ter respondido com (muitos e decisivos) golos à tentativa do técnico de o dispensar. Chega ao S. Siro para render Ibrahimovic e dele se espera muito em Milão. Jogador de raça e explosão, pode ser a arma ideal para melhorar a eficácia ofensiva do onze de José Mourinho. A sua participação na CAN no inicio do próximo ano será também um dos grandes desafios do ano para o campeão italiano.

Diego
A grande contratação do defeso italiano. Se o Calcio perde Kaká e Zlatan a verdade é que ganha em Diego um novo referente. O médio brasileiro é um dos jogadores mais apaixonantes do momento e depois da experiência falhada em Portugal tornou-se no craque principal da Bundesliga onde madureceu e muito. Chega agora para tomar a batuta de Nedved como maestro da Vechia Signora e dele se espera muito para ressuscitar o conjunto de Turim e devolve-lo aos titulos que escapam há vários anos do Dell Alpi.

Alexandre Pato
A saída de Kaká força o seu compatriota a crescer mais depressa que o previsto. O jovem avançado brasileiro teve pouco tempo para amadurecer o seu jogo e agora os adeptos vão exigir-lhes golos e espectáculo. Face ao fraco papel de Ronaldinho e ao envelhecimento acentuado do plantel, o jovem dianteiro tem de ser o novo porta-estandarte de um clube à deriva e à procura de reinventar-se uma vez mais.

Antonio Cassano
O mais polémico jogador do futebol italiano é um curioso caso de genialidade adormecida. Depois da má passagem pelo Real Madrid Cassano reinventou-se na Sampdoria. Na época transacta foi um dos jogadores do campeonato e apesar da fraca performance do clube genovês sempre esteve em alta. O seu caracter conflictivo e a famosa falta de professionalismo podem tê-lo impedido de dar de novo o salto a um grande, após a sua explosão no Bari que o levou primeiro a Roma e depois a Madrid, mas um segundo ano ao mais alto nível podem ser o melhor remédio para voltar a colocá-lo na ribalta.

Francesco Totti
Da velha guarda heroica dos dias dourados é o único que continua igual a si próprio. Com o adeus de Maldini e Nedved e a transformação de Del Piero, o capitão da AS Roma é o verdadeiro simbolo italiano da Serie A. Parte para mais uma época com a braçadeira e o coração devotos aos gialorrosso e este ano sabe que a sua Roma tem argumentos de peso para se intrometer na luta pelo titulo. É uma das equipas a ter mais em conta e depois de falhar o apuramento para a Champions League promete este ano voltar em grande. Com o seu rei bem à frente das tropas, está claro.

A cada ano que passa a tendência torna-se mais acentuada.
A Serie A, outrora a grande liga europeia, é uma sombra de si própria, eclipsada pelos rivais ingleses e espanhóis e ameaçada de morte pela emocionante dupla franco-germânica. Perder os seus dois jogadores mais emblemáticos (Kaká e Zlatan Ibrahimovic) num defeso onde poucas foram as entradas fora do mercado interno é o espelho de que o campeonato italiano precisa de algo mais que um simples balão de oxigénio.

À beira do abismo, o Calcio tem tentado diversas formas de se re-inventar, todas sem sucesso. A negociação colectiva das receitas televisivas é a última aposta numa série de ideias que acabaram por se revelar infrutiferas para animar uma prova que durante os anos 80 e 90 era a inveja do mundo. A falta de equilibrio e emoção na luta pelo titulo, o baixo nivel dos clubes médios da tabela e o jogo cada vez mais táctico e fisico onde já nem o mitico regista tem espaço, são as principais razões para que o público - sedento de grandes espectáculos - e os melhores jogadores procurem outras paragens. Se Espanha tem a Liga das Estrelas e a Premier o campeonato dos adeptos, aos italianos resta-lhes o cada vez mais duvidoso titulo de campeonato da táctica. Mas já nem aí a Serie A revela uma superioridade como se viu nas últimas décadas. O espelho está na participação das equipas transalpinas nas provas europeias. Exceptuando os dois titulos europeus do AC Milan (2003 e 2007), esta década tem virado as costas aos trofeus continentais para os conjuntos italianos. E as participações têm deixado muito que desejar, estando longe os dias de uma autoritária Juventus, um incisivo Inter ou das espectaculares armadas romanas. O "Moggigate" abriu as portas à tirania neruazurri e desequilibrou ainda mais uma balança delicada, enquanto que as dividas, os problemas com falsos passaportes e uma notória falta de bases (hoje em dia Itália tem alguns dos estádios mais decrépritos do futebol europeu) baixaram o nivel do campeonato drásticamente.

A edição deste ano adivinha-se mais equilibrada da que marcou as últimas três temporadas, onde o Inter cavalgou sozinho rumo a um Tetracampeonato inédito na história do clube milanês. Este ano o clube procura o histórico Penta enquanto que Mourinho aposta em conseguir a sua terceira dobradinha depois de FC Porto e Chelsea, clubes onde venceu por duas vezes consecutiva a liga. O técnico português sabe, no entanto, que a tarefa será bem mais dificil. O seu Inter nunca entusiasmou no ano passado. Equipa pesada, sem velocidade pelos flancos, demasiado pesado no eixo do terreno, o conjunto da serpente beneficiou do génio de Ibrahimovic para resolver uma prova que chegou a estar bastante complicada. Este ano o sueco não está e o clube perde um toque de magia extra. Em troca ganha golos. Etoo e Milito podem fazer uma dupla letal na frente do ataque mas o conjunto mais equilibrado no papel é mesmo a Juventus. Treinada pelo jovem Ciro Ferrara, a Vechia Signora parece estar de volta oficialmente de volta com as chegadas de Diego e Felipe Melo para equilibrar um meio campo que conta ainda com Tiago, Camoranesi, Giovinco e Poulsen. No ataque o trio Del Piero-Amauri-Iaquinta e ainda Trezeguet prometem fazer estragas enquanto que Buffon e Cannavaro são um claro seguro de vida.
A interrogação do ano chama-se AC Milan.
Orientada pelo estreante Leonardo, a equipa perdeu Kaká e teima em não ganhar Ronaldinho, que continua um fantasma de si próprio. Com Pirlo, Gattuso, Seedorf e Inzaghi um ano mais velhos, a equipa dependerá em muito do génio de Alexandre Pato e da afirmação de Flamini e o novo eixo defensivo composto por Thiago e Onyewu. Mas a fraca pre-epoca e o desequilibrio no plantel não augura um bom futuro aos milaneses. A equipa parece relegada à luta pela Champions com o eixo romano - uma reforçada AS Roma e um optimista AS Lazio depois da vitória na Supertaça - e ainda a Fiorentina. O conjunto viola tem um dos melhores técnicos e um dos mais equilibrados planteis do campeonato e este ano pode ambicionar mais. Pode ser a grande surpresa do ano.

A partir daí tudo são incógnitas e espelhos da fraca qualidade do campeonato. As sempre inconstantes Genoa, Udinese, Napoli e Palermo, os recém-promovidos Bari, Parma e Livorno e ainda Cagliari, Sampdoria, Siena, Catania, Chievo, Bologna são os interrogantes principais de uma prova à procura de si mesma.
A vitória da Juventus sob o Inter não significa obrigatoriamente uma viragem no rumo da Serie A mas uma liga emocionante com várias equipas a disputar os lugares cimeiros até ao final podem ser suficientes para começar a atrair de novo a atenção a um campeonato mitico que vive dias bem negros.
No jogo em que, curiosamente, fica mais com um pé fora do que dentro da ansiada Champions League, o Sporting conseguiu a melhor exibição da (ainda curta) época e deixou no ar a ideia de que é algo mais do que a sonolenta formação dos primeiros três jogos oficiais. No entanto voltou a Alvalade o fantasma de Dr. Jekyll/Mr. Hyde que tanto tem assombrado os leões deixando uma vez mais a nú as duas caras da equipa e do seu técnico.

A Fiorentina até estava em ritmo de pré-época (o campeonato só arranca sábado e este foi o primeiro jogo oficial dos viola, uma equipa bem melhor do que se viu). O árbitro também voltou a provar que no mundo do apito há maus profissionais em todos os sitios. Mas mesmo assim o Sporting deu dois precisos tiros no pé que podem ter prejudicado as legitimas aspirações aos milhões da Champions que tanta falta fazem num clube asfixiado pelas dividas acumuladas desde o inicio do Plano Roquette. E no entanto, paradoxalmente, ontem viu-se o melhor Sporting do ano e uma das mais interessantes exibições em largos meses. A equipa sofreu duas contrariedades durante a primeira hora que, noutras circunstâncias, poderiam ter sido decisivas. E soube dar a volta a ambas. Mostrou atitude, garra e espirito de sacrificio. Abdicou dos golos afortunados e da dependência de Liedson e provou ser um conjunto coeso. Ontem viu-se em Alvalade um Moutinho esclarecido, um Carriço senhorial e um Miguel Veloso na sua melhor versão, que deixa antever que talvez o médio tenha ultrapassado a sua fase descendente, voltando a cotar-se como uma das grandes promessas do nosso futebol. Vimos esse Sporting ligeiro no contra-ataque e seguro a meio campo. Vimos tudo isso mas vimos também esse lado obscuro que muitos teimam em atribuir ao nosso fado mas que é retrato exacto da dualidade leonino dos últimos anos.

É impensável que numa prova da UEFA um árbitro actue como se viu ontem, mas também se tem de pedir mais a um jogador que, depois de ter um amarelo (escusado) festeja um golo tirando a camisola. Vuckcevic podia ter sido - uma vez mais - o heroi do dia e acabou vilão. A sua constante imaturidade, com a qual Paulo Bento pura e simplesmente não sabe lidar, foi um de muitos casos de uma equipa a quem lhe falta claramente um lider. Os erros defensivos (que já vêm do ano passado) de Pedro Silva e Anderson Polga nos golos italianos são indisculpáveis. E se para o lado direito o técnico tem opções (Abel ou Pereirinha), no centro a má forma do brasileiro é notória desde há muito e merecia um investimento do clube no mercado ou então, pura e simplesmente, a reabilitação de Tonel. Problemas graves que não podem existir numa equipa que quer ir longe e que já tinham sido deixados a nu nas goleadas do ano passado na Europa. No meio de tudo isso - e apesar do bom esforço do meio campo - está a figura de Paulo Bento. Depois de quatro campeonatos como vice-campeão, o técnico está na corda bamba. Ele é o espelho real desta dupla personalidade do Sporting. Por um lado soube ressuscitar o espirito colectivo do onze, apostou em várias promessas da formação seguindo o trabalho dos antecessores e voltou a colocar o clube na luta pelos principais trofeus desportivos. Agora o outro lado. A equipa joga de forma previsivel há anos, não existe nenhuma inovação táctica apreciável, há várias "vacas sagradas" em campo que prejudicam claramente o rendimento do colectivo e - a mais evidente - estamos perante um técnico que não se sabe mexer no banco.
As entradas de Djalo (quando havia Caicedo) ou Caneira num jogo da natureza de ontem são mais um claro exemplo das limitações de Bento. A sua (in)tranquilidade consome-o de jogo para jogo e a equipa ressente-se. Bento é um treinador claramente mediano. Em quatro anos percebeu-se que não pode ir mais longe. Estagnou. No banco é lamentável a sua falta de inovação e dinamismo. Erra bastante ao tocar na equipa e é incapaz de conseguir, num mesmo desafio, alterar o esquema de jogo consoante as circunstâncias do encontro. Encontrou o seu losango, o seu onze tipo, e desde então apostou na politica de tocar o minimo e rezar para que alguém resolva. Por um lado sabe ser pesado para jogadores "insurrectos" e por outro é participe da péssima forma de alguns jogadores que poucos ainda entendem como podem andar pela titularidade (Polga, Rochemback, Postiga são os casos mais gritantes). A Bento falta-lhe caracter para liderar um projecto ganhador. Não deixa de ter tido um papel importante em estabilizar desportivamente a equipa, construindo um onze base com sucessivas (que nem sempre bem sucedidas) apostas na prata da casa. Mas isso não chega quando se quer der um passo mais e o comandante não sabe como.

A eliminação na Champions (é muito complicado vencer em Florença) é um grave problema financeiro mas que o clube já devia ter antecipado pelo nivel dos eventuais rivais. Mas poderá servir para que a equipa na Europe League compita com clubes correspondentes ao seu real valor em campo e ganhe a estaleca que precisa para dar um salto qualitativo. Mas enquanto se continuar a misturar com tamana assiduidade o génio e espirito do colectivo de ontem com os tamanhos erros individuais de técnico e jogadores, será dificil ao Sporting alcançar os objectivos do ano.
Já está online o novo texto semanal publicado no weblog Futebol Artte, dedicado á suspensão de Hulk, dianteiro do FC Porto expulso por duplo amarelo que logo se transformou em vermelho directo pelas palavras proferidas contra o árbitro Carlos Xistra.
Como sempre clicando no primeiro parágrafo podem ler o resto do texto.
A partir de hoje o Em Jogo passa a colaborar directamente com o weblog Jogo de Área. Uma colaboração regular que passará pela publicação no projecto coordenado por Rui Zamith de textos já publicados neste espaço e ainda de textos inéditos.
Esta colaboração segue-se às já existentes com o weblog Futebol Artte e ainda o projecto Futebol Magazine do qual - para além da colaboração - o Em Jogo é ainda parte da equipa editorial e que voltará em Setembro com cara renovada e várias novidades.
Terminou a primeira ronda da Liga Sagres 2009/2010 e os piores augúrios voltaram a confirmar-se. Depois de uma larga pré-época repleta de amigáveis, trofeus a feijões e muitos milhões, o futebol português apresenta-se tal e qual o deixamos. Pesado, lento, vagaroso...sem ritmo.

Foi a liga europeia que melhor soube vender (fruto obviamente dos muitos milhões que os franceses deixaram nos cofres do FC Porto) mas também das que mais importou, inevitavalmente da América do Sul. Continua a ser a única que segue de perto a Premier League com relação aos estrangeiros a actuar nos relvados nacionais mas, por outro lado, é também a única que conta com 32 técnicos nacionais nas duas divisões de futebol profissional. Houve a maquilhagem dos sorteios, o ano de transição para a perda de pontos por dividas, as descidas e subidas administrativas e a euforia benfiquista. Tudo o que sempre nos habituou o nosso defeso nos últimos anos. Mas em nenhum momento se notou uma melhoria do nosso futebol, a nivel individual ou colectivo. Em Portugal a primeira jornada espelhou o que fomos acompanhando nas últimas edições da prova e o que podemos antever do que veremos até Maio. É claro que mudanças drásticas nunca aconteceriam da noite para o dia e a mentalidade portuguesa continua a ser bastante pequena em muitas coisas. Mas havia a esperança de uma pequena mudança de atitude. E de ritmo.

O ritmo do futebol português não está ao nivel do futebol praticado no resto do continente. E já não nas grandes ligas (Espanha, Itália ou Inglaterra). Apesar da eliminação (milagrosa) do Twente ás mãos do Sporting, é invejável acompanhar uma jornada na Eredivise e comparar com o que temos por cá. Em Portugal abrimos o campeonato com oito jogos para adormecer. Sete empates, sem chama nem glória. Sete jogos onde ninguém conseguiu destoar da imensa e pobre mediania. Pode-se elogiar a audácia de Paulo Sérgio, a inteligencia de Manuel Machado ou o chico-espertismo do autocarro bem luso de Carlos Carvalhal, mas os grandes não têm desculpa para exibir-se de forma tão pouco competitiva quando começam os jogos a doer. Voltamos ao cenário onde a liga portuguesa se nivela cada vez mais por baixo. Um único ganhador (o sonolento SC Braga que nem pedalada teve para o actual lider do campeonato sueco) e muitos empatas. Muitos pontinhos que é o que se preza verdadeiramente em Portugal, onde país onde todos ganham e ninguém perde. Olhanense-Naval? O empate satisfaz a ambos. Leiria-Rio Ave? Um ponto é bom para arrancar. Vitória Setubal-Vitória Guimarães? Estamos contentes. Belenenses-Leixões? É importate arrancar sem perder. Enfim, sempre o mesmo discurso.

Mudamos de canal, seguimos agora a liga holandesa. Não há grandes estrelas mas há o cuidado de apostar na formação e em pescar pérolas em todo o mundo. Não há grandes estádios vazios. Não há três diários desportivos nem o sindrome dos grandes. Mas há paixão futebolistica. Ali o jogo disputa-se a outro ritmo. Duelo entro dois gigantes do futebol das tulipas. Ajax e PSV, equipas campeãs europeias mas afastadas do titulo no ano transacto muito cedo. Querem vencer, não contam um ponto quando sabem que há três em disputa. Jogo disputado, dinâmico...resultado final: 4-3 a favor dos de Eindhoven. Espectáculo, emoção, golos, futebol ofensivo. Duas equipas sem medo. Outro ritmo, outra mentalidade. Imaginar um jogo assim entre os nossos "grandes" é utopia. Na Holanda é normal, repete-se ano após ano. Grandes vencem por 6-2 e depois perdem por 5-2. Entre eles não desistem nunca dos três pontos. A nivel histórico está abaixo da liga portuguesa. Apesar de contar com 6 Champions League (4 do Ajax, 1 do Feyennord e 1 do PSV) tem tido presenças discretas na Europa. Mas, no entanto, é um constante viveiro de talentos, um campeonato ofensivo e atractivo. Com audiências em casa e público no estádio. Ali nunca se está contente a não ser que haja golos e espectáculo. Os pontos somam-se no fim. Aqui começam a contar-se desde o primeiro dia. É por isso que - apesar de modesta - a liga holandesa tem todas as caracteristicas das ligas europeias menos os milhões que a poderiam agigantar. Nós por cá, mesmo com os milhões a entrar e sair, somos cada vez mais uma liga parada, estática e triste. Sem vida e sem ritmo. Sem a magia do futebol!
Depois de três anos consecutivos a derrotar Arsenal, Chelsea e Liverpool, os Red Devils preparam-se para atacar um feito histórico no clube: o Tetracampeonato. Mas a equipa de Alex Ferguson está ferida e tem atrás de si três caçadores implacáveis. Será, muito provavelmente, o ano mais duro para os Red Devils que nunca conseguiram perpetuar durante tanto tempo o seu domínio na prova rainha do futebol europeu.



O futebol francês tem uma longa tradição em criar médios geométricos, verdadeiros craques em ler o jogo e traçar, a régua e esquadro, todo o jogo da sua equipa. Colocados no eixo mais defensivo, sabem antecipar os lances dos adversários ao mesmo tempo que já desenham o contra-golpe perfeito. Uma tradição que já elevou à glória nomes como Jean Tigana, o príncipe Negro, ou Didier Deschamps. Em Paris, cidade iluminada, forja-se mais um digno sucessor desta escola única.

Clement Chantome é um producto da formação parisina. Chegou muito cedo ao Paris Saint-Germain e desde aí se assumiu como uma das mais valiosas pérolas do Sena. Aos 21 anos (nasceu a 11 de Setembro de 1987), o médio é hoje peça chave do projecto do PSG mas também alvo de grande cobiça de vários grandes europeus, com o inevitável Arsenal de Arsene Wenger à cabeça. O técnico francês procura um jogador capaz de fazer inteligentemente a ponte entre o seu bloco defensivo e o rápido ataque assente em Arshavin e van Persie face à provável saída de Cesc Fabregas. E para ele o seu jovem compatriota é a opção ideal. Chantome estreou-se na equipa profissional do PSG em 2006, então com 19 anos, e desde então se revelou peça chave na estrutura da equipa. O seu físico (mede 1m84) permite-lhe controlar o jogo defensivo mas é a sua visão de jogo que faz a verdadeira diferença no seu estilo. Presença regular nas selecções jovens dos Bleus, de Chantome esperam-se grandes feitos, mas Raymond Domenech, o polémico seleccionador gaulês ainda não se arriscou a entregar-lhe a batuta do meio campo.

Gabriel Obertan





Depois do histórico feito de 1999 poucos julgavam que, uma década depois, o FC Porto tivesse à beira de repetir o Pentacampeonato. Mas os números não mentem. A liga portuguesa é cada vez a liga do dragão e apesar dos projectos desportivos dos rivais, no final a festa faz-se nos Aliados. Os azuis e brancos são os reis indisputados de uma prova que, de ano para ano, tem vindo a perder estatuto na Europa. Mas os rivais esfregam as mãos e acreditam que 2010 pode ser um ano diferente.


Rodrigo Possebom




Nacional

Wayne Rooney



Foi a equipa mais mexida no mercado mas mais do que as sonantes contratações para o ataque, o golpe mestre do Manchester City foi conseguir os serviços de Gareth Barry. O médio foi a grande estrela do Aston Villa 2008/2009 e há muito que era pretendido por Liverpool e Chelsea. Acaba no City of Manchester onde terá por missão equilibrar uma equipa que quer ser a surpresa do ano. Sem competições europeias para distrair, o City espera que o jogador mais em forma da Premier, capaz de conseguir um lugar cativo no onze dos Pross de Cappello, seja a alavanca necessária para subir um bom par de degraus e levar o clube à luta pelo titulo.

Hulk




Sporting Braga


