Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Num país castigado pela grave crise politica e pelo impacto da Gripe AH1N1 que já causou cerca de meia centena de vitimas mortais, o futebol foi ontem o derradeiro escape para os argentinos. Muito em jogo a começar pelo titulo de campeão onde havia já um vencedor sentimental. O Huracan, modesto clube argentino que não saboreava um titulo desde 1973 (há 36 anos), tinha recebido durante a semana apoios de todos os quadrantes. Antigas estrelas como Di Stefano, Passarella, Maradona, apoio dos grandes de Buenos Aires, em grave crise economica e arredados da luta pelo titulo, e do povo em geral. No final, o destino foi-lhe madrasto e o pequeno Globito caiu aos pés do Veléz Sarsfield

 

A organização do campeonato argentino tinha ditado para a última jornada do Torneo de Clausura o jogo do titulo. Durante a época regular o pequeno Huracan tinha surpreendido - tal e qual como há um ano o tinha feito o Estudiantes de la Plata - e liderava a prova com autoridade. Veléz Sarsfield e Lanus pareciam ser os unicos capazes de acompanhar o ritmo de Bollati, Valeri e companhia. O onze orientado pelo jornalista Angel Cappa, um desses românticos do futebol argentino que de tempos a tempos lembra a origem daquela que foi uma das primeiras grandes potências mundiais, tinha fascinado tudo e todos ao longo da época. Futebol ofensivo, baseado no passe rápido, na velocidade do jogo ofensivo e numa tremenda capacidade goleadora tinha colocado o Huracan como lider à entrada do derradeiro e decisivo encontro. O Lanus tinha já ficado pelo caminho, apesar do notável campeonato do goleador José Sand (28 golos e trofeu de melhor marcador) e só o Velez do técnico mexicano Ricardo Gareca parecia ter argumentos para discutir o trofeu. No entanto, para muitos, o encontro decisivo seria apenas a confirmação da magia do pequeno conjunto de Buenos Aires, cidade que há muito vive orfã das suas grandes entidades, há mais de três temporadas em profunda crise financeira e desportiva, apesar das constantes promessas que saiem das suas fábricas de formação.

 

A ameaça da Gripe A e um temporal digno do Inverno argentino levantaram dúvidas sobre se o jogo se realizaria no monumental José Amalfitani. O encontro arrancou à hora prevista mas pouco depois foi interrompido por uma violenta granizada. Por essa altura já o Huracan mandava em campo até que subitamente, o árbitro assinalou um polémico penalty a favor do Vélez. Com frieza, o guardião Gastón Monzon deteve o remate e levantou a euforia dos adeptos mas o próprio acabaria por ser o infeliz protagonista do lance mais polémico da noite. Um centro para a grande área, a sete minutos do fim, parecia não ser um grande problema para o guardião mas este, ao fazer-se ao lance, é derrubado na sua zona de influência por Larrivye, um avançado do Veléz. O árbitro nada assinala e com a baliza vazia o jovem Angel Moralez apontava o golo do titulo. Na consequência da celebração o marcador foi expulso, houve cenas de violência nas bancadas e o jogo ficou parado mais 10 minutos. Um golo anulado anteriormente ao Huracan já tinha levantado todas as suspeitas e no final enquanto o Veléz celebrava euforicamente o titulo conquistado, o sétimo da sua história, os desanimados adeptos do Globito culpavam o árbitro da derrota.

 

Numa temporada em que Veléz e Huracan demonstram sobre o terreno de jogo as duas faces do futebol argentino (os azuis a mais violenta e fisica, os de Cappa a mais lirica e estudada), a vitória final da equipa de Gareca é também o espelho do estado actual do campeonato que se divide em duas etapas, o torneio de Apertura e Clausura. A vitória do Estudiantes de la Plata, no ano passado, demonstrou que havia vida para além dos chamados grandes de Buenos Aires e a edição este ano do Clausura demonstrou-o bem. Apesar das jovens promessas dos Milionarios e Xeneizes, foi o jogo bonito da equipa de Cappa e a efectividade do conjunto de Gareca, ambos sem grandes nomes individuais, que acabaram por fazer toda a diferença. No final a razão derrotou o coração.



Miguel Lourenço Pereira às 14:06 | link do post | comentar

Condicionar o sorteio da próxima edição da Liga Sagres é a proposta da Liga Portuguesa de Futebol para abanar a estrutura do futebol nacional. Depois de ver os clubes chumbar algumas das propostas mais precisas e necessárias na última Assembleia, e face à recusa em aprovar a proposta do SL Benfica relativamente aos empréstimos dentro dos campeonatos profissionais, este decisão final de Herminio Loureiro é como uma pequena pedra no oceano, mais um exemplo de que em Portugal o importante é anunciar medidas de poder mediático deixando debaixo do tapete os problemas verdadeiramente preocupantes.

 

Nesta luta a LPFP comparte a culpa com os próprios clubes, na maioria dos casos avessos a qualquer mudança mais exigente que possa destapar o imenso buraco financeiro e estratégico que vive o futebol português. A verdade é que desta feita não haverá nenhum Plano Mateus para salvar o futebol em Portugal e que o destino do Estrela da Amadora (e do Boavista, e do Farense, e Salgueiros e tantos outros) pode rapidamente alargar-se a outras entidades que hoje em dia passam por pagantes, a tempo e horas, mas que vivem com uma mão à frente e outra atrás, desesperados por um negócio brilhante ou um encaixe surpresa que permite branquear as contas. Hoje em dia o futebol português (num fenómeno que está longe de ser nacional) está bem perto da bancarrota. Os chamados três grandes acumulam um passivo impressionante, que em nada condiz com a forma como vivem e encaram cada temporada. O FC Porto apesar dos brilhantes negócios vive com um fantasma de um passivo que ninguém consegue explicar. Os empréstimos, as comissões, os prémios aos directivos da SAD e outros negócios obscuros ajudam a explicar o aparentemente inexplicável. Que o único clube português desportivamente bem sucedido, autor de alguns dos melhores negócios da década, seja também o que possui o passivo mais significante. Já o SL Benfica acumula um passivo histórico, que vem desde os dias das presidências de Manuel Damásio e Vale e Azevedo e que parece não ter cura, apesar dos empréstimos e das iniciativas de marketing desportivo, que inclui até um canal próprio, bicho raro por estes lados. Quanto ao Sporting, vive ainda o peso do plano Roquette que se saldou por um falhanço em toda a linha e que condicionou a própria estratégia desportiva do clube na última década, relegado a ter de viver da formação e sem capacidade de investir no mercado.

 

Essa é a realidade dos chamados grandes e daí para baixo a situação piora. Sem a capacidade de gerar ingressos, os restantes clubes das duas ligas profissionais vivem constantemente com a corda na garganta. Dividas ao fisco, à segurança social, ordenados recorrentemente em atraso, prémios de jogo inexistentes...no futebol português há de tudo um pouco e quase nada que se aproveite. Bancadas vazias de estádios sem condições ou construções principescas sem equipas que as aproveitem. Jogos transmitidos a horas proibitivas e negócios obscuros de patrocinadores que controlam o mercado como um autêntico monopólio fazem o resto. O futebol em Portugal está gravemente doente e face a estes sintomas o cirurgião de serviço, Herminio Loureiro, decide sacar um coelho vistoso da cartola.

 

Sem derbys em jornadas consecutivas, equipas da mesma região impedidas de jogar em casa na mesma ronda, são as propostas da Liga. O presidente da instituição fala em dinamizar a indústria do futebol mas não se percebe realmente que impacto possam ter estas condicionantes ao sorteio de uma prova que pura e simplesmente não é rentável. Portugal vive hoje o mesmo problema que tiveram outras ligas em diferentes etapas. A mais celebre, a liga inglesa que em 1992 mudou radicalmente e tornou-se Premier League, lançando as bases para aquela que é hoje reconhecidamente a maior prova futebolistica nacional do mundo. A Bundesliga, que durante anos viveu uma grave crise financeira com estádios vazios e jogos com baixíssima audiência é hoje um dos mais atractivos e competitivos campeonatos da Europa, resultado igualmente da postura colectiva de clubes e federação que adoptaram uma série de medidas com vista a revitalizar um dos históricos campeonatos europeus. Por outro lado em Itália os clubes negoceiam de forma a devolver a Serie A ao seu lugar, depois de anos de total abandono desportivo e financeiro por parte das grandes instituições, patrocinadores e do Estado italiano que levaram à fuga em massa de talentos e à baixa qualitativa do futebol italiano. Em Portugal condiciona-se o sorteio e nada mais...absolutamente nada mais.

 

Por um lado é necessário apontar o dedo acusador aos clubes, que vivem as suas constantes guerrilhas individuais, incapazes de olhar mais longe do que o próprio umbigo e perceber que uma prova rentável é um beneficio para todos e não só para os mais pequenos. Mas a FC Porto, Sporting e SL Benfica não interessa perder o dominio, ou melhor, o falso dominio, que detêm de uma prova acabada. Os empréstimos fora do controla que permitem ao FC Porto controlar clubes, ou condicionar directamente as relações nas assembleias da Liga são a prova viva do que nasce torto não se endireita. Enquanto as instituições desportivas não perceberem que a inação é o primeiro passo para o fim, o cenário não mudará. Enquanto isso a própria Liga está de mãos atadas mas tem a função moral, como minimo, de denunciar a situação actual, a irresponsabilidade dos clubes e lançar propostas na mesa que não se fiquem pela superficie. Contratos televisivos colectivos são a pedra base para salvar um futebol moribundo.

 

Apostar na formação nacional, reavaliar as infra-estruturas desportivas, desenvolver o marketing institucional, penalizações imediatas e exemplares aos clubes não cumpridores e criar condições para ter os estádios cheios (mudar horários e preços de bilhetes e reduzir as transmissões televisivas) serão obrigatoriamente os próximos passos. Criar Taças da Liga que não interessam a ninguém, condicionar sorteios e lamentar a sorte de quem é apanhado (e não de quem pervarica) só servirão para enterrar ainda mais o futebol nacional. A Liga Portuguesa de Futebol Profissional tem de funcionar como o cirurgião do nosso futebol e não como o coveiro de uma competição que caminha a passos largos para o seu final.



Miguel Lourenço Pereira às 12:01 | link do post | comentar

Domingo, 5 de Julho de 2009

Após a saída de Lucho Gonzalez o FC Porto prepara já o assalto á próxima época de novo com os olhos postos no futebol das "pampas". No preciso dia em que a época termina na Argentina, os dragões parecem estar prestes a atacar mais dois atletas argentinos que se juntem assim á imensa delegação que já vive no Dragão. A iminente saída de Lisandro - o outro argentino bem sucedido do Dragão - significará também que das várias apostas azuis e brancas, o clube perde os primeiros e únicos jogadores a chegarem via Buenos Aires ao Porto que realmente foram bem sucedidos. O exemplo de Bollati serve de precedente para os azuis e brancos. Nem sempre brilhar no futebol argentino significa brilhar na Europa.

 

E a comparação é evidente face ao baixissimo nivel exibido pela grande promessa que era Bollati no dia em que chegou ao Dragão. Catalogado como a nova grande promessas che, o jogador nunca se conseguiu impor ao lado do seu compatriota e Raul Meireles no miolo do meio campo azul e branco. Devolvido á procedência, o jogador tornou-se na chave do ataque ao titulo do surpreendente Huracan, treinado por Angel Cappa, que hoje pode voltar a sagrar-se campeão depois de um larguissimo jejum de titulos. Bollati é de tal forma uma das figuras do campeonato que Maradona está a preparar-se para leva-lo á selecção celeste. Nessa perspectiva os portistas nem imaginam em repescar o jogador. Pelo contrário, preparam-se para utiliza-lo de forma a abaratar mais uma investida num mercado que não lhe tem sido bem sucedido e que se tornou na grande mina de ouro, depois da era portuguesa de José Mourinho e as constantes viagens ao Brasil. Quer Tomás Costa, quer Nelson Benitez, quer Mariano Gonzalez (esse via Itália), quer Ernesto Farias foram apostas totalmente falhadas para o que se esperava realmente deles por parte dos adeptos azuis e brancos. Se a isso juntar-mos o uruguaio Fucile (acompanhado agora por Alvaro Pereira9 e o colombiano Guarin, torna-se mais evidente da excessiva dependência do tetracampeão nacional do mercado hispânico da América Latina.

E agora há toda uma nova geração de jogadores vindos directamente do campeonato argentino ou com nacionalidade argentina, que podem começar o ano de azul e branco. De Fernando Belluschi, promissor médio do River Plate que actua no Olympiakos grego, a Diego Valeri, médio igualmente promissor de 23 anos que actua no modesto Lanus mas já com um historial de lesões complicado que o impediu há dois anos de dar o salto á Europa, são vários os nomes na mesa. Sem esquecer a tentativa de contratar o colombiano Falcão, actualmente no River Plate, ou de roubar ao Palermo o médio Pastore, parceiro de Bollati no meio campo do Huracan. Uma autêntica legião de jogador, na maioria, promessas ainda por cumprir.

 

Depois da forte dependência do mercado brasileiro entre os anos 90 e o principio da última década, a direcção do FC Porto começou a olhar mais para baixo no mapa e trocou o sotaque português pelo castelhano argentino. Ibarra foi o primeiro falhanço mas a boa experiência com a dupla Lucho e Lisandro instigou os dragões a voltar a pescar no mesmo rio. Sem qualquer tipo de sucesso ou descoberta que indique que ali há uma real mina de ouro. Que há jogadores argentinos de grande futuro, isso não há dúvida. Mas aqueles que chegam ao Dragão, misteriosamente, perdem-se e deixam de exibir o mesmo futebol fluído e alegre que encontramos nos videos dos seus jogos mais aplaudidos no campeonato de origem.

Apesar desses constantes flops - e tem sido mais que um por temporada nos últimso anos - a direcção de Jorge Nuno Pinto da Costa continua a apostar misteriosamente no mercado argentino como se fosse um exclusivo mundial azul e branco, isto quando o grande rival no ataque ao titulo, já dispõem da própria conexão argentina para atacar o titulo. A confirmarem-se as duas ou três entradas de novos jogadores argentinos que a imprensa local e portuguesa avançam nas últimas edições, a equipa portista ficaria com um autêntico exército argentino no plantel. E como já dizia José Maria Pedroto em relação aos jogadores brasileiros, um é bom, dois são excelentes mas três já fazem uma escola de samba...será que no Dragão se pretende abrir uma escola de tango ou haverá algo de mais misterioso nestas constantes viagens ao rio de la Plata?



Miguel Lourenço Pereira às 19:08 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Sábado, 4 de Julho de 2009

Depois de ter sido o wonderboy da Kop agora Michael Owen quer ser o rei de Old Trafford. Explicar ao mundo que o passado se pode transformar facilmente em futuro e que os últimos anos foram um vazio inexplicável e sem sentido na carreira de um dos mais geniais avançados britânicos da história. Depois do notável percurso em Liverpool e da experiência falhada em Madrid, as lesões tornaram a carreira de Owen um inferno. Aos 29 anos esta é a sua última oportunidade, e ele (e todos) sabe bem disso.

 

Foi a noticia mais surpreendente do mercado de Verão e o truque na manga de Alex Ferguson, técnico habituado a apanhar de surpresa o mais escéptico, face à saída de Cristiano Ronaldo e Carlos Tevez. Criticado na gestão do caso do argentino e aplaudido pela forma como aguentou até ao limite (e 96 milhões é um limite respeitável), Ferguson sabia que precisava de um golpe de efeito para voltar a colocar o nome do Manchester United na capa dos jornais. E que melhor do que contratar um dos mais miticos avançados da história do eterno rival e um simbolo do futebol inglês? E a custo zero?

A verdade é que este é o golpe mais arriscado na carreira do escocês. Se não funcionar, se Owen vir-se traído de novo pelas lesões, não haverá ninguém que não poupe Ferguson e ataque com um "eu bem que avisei". Mas, e se funcionar? E se Owen operar o mesmo inesperado regresso que se verificou com Ronaldo? Não estava o avançado brasileiro morto e enterrado nas vésperas do Mundial de 2002, depois de várias lesões e operações que tinham-no apagado por completo do mapa? E não voltou em grande o "Fenómeno" para mais uma etapa de glória que lhe durou uma meia dúzia de temporadas mais?

 

Michael Owen sabe que esta é a última oportunidade para a sua carreira.

Com 30 anos o avançado tem consciência de que está na última etapa da sua carreira e precisa de que o corpo não lhe falhe. Após a falhada experiência no Real Madrid o dianteiro decidiu voltar á Premier League mas a má forma na liga espanhola fez com que os grandes clubes hesitassem em apostar nele. O Newcastle viu em Owen a figura perfeita para o seu projecto mas foi aí que surgiram as primeiras lesões que o atiraram para fora dos relvados durante quase dois anos. A descida de divisão dos "geordies" consumou a queda em desgraça do jovem prodigio que em 1996 se estreou com 17 anos pelo Liverpool e que dois anos depois surpreendeu meio mundo pela sua performance no Mundial de França, onde apontou um golo de antologia nos oitavos de final. Desde então Owen foi perdendo protagonismo na equipa dos Pross e Fabio Capello nunca o considerou como real opção. Mas tudo pode mudar. O seleccionador já disse estar esperançado num comeback verdadeiro e em Inglaterra fala-se já numa dupla Rooney-Owen em Old Trafford que se translade para o ataque da equipa da rosa. Ferguson procura um complemento perfeito em velocidade e pericia para o seu avançado titular, agora que sabe que sem Tevez e Ronaldo, jogadores mais versáteis, terá de voltar ao clássico 4-4-2. O último inglês em conseguir o Ballon D´Or chega quando o último jogador do Man Utd a ganhar o prestigiado galardão acaba de partir.

 

Em Old Trafford os adeptos esfregam as mãos. Esperam que o antigo idolo dos maiores rivais se torne na sua nova bandeira ao mesmo tempo que acreditam que Michael Owen ainda tem muito para dar. O passado recente parece dizer todo o contrário mas o futebol está repleto de jogadores marcados pelas lesões que tiveram direito a uma segunda oportunidade. Para os amantes do futebol o regresso aos grandes palcos de um jogador de génio como Owen é mais uma oportunidade para acreditar na velha crença da eterna juventude. 



Miguel Lourenço Pereira às 22:10 | link do post | comentar

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Numa liga onde os recursos são escassos e onde o dinheiro flui com dificuldade, os clubes que não na castradora categoria de "grandes" vêm-se aflitos por manter-se à superficie e disputar de igual para uma igual uma prova quase viciada à partida. Entre todos a última década viu destacar dois modelos de gestão de resultados distintos. Por um lado está o Nacional da Madeira, habilmente gerido por Rui Alves que encontra nas suas frequentes viagens ao Brasil, pequenas pérolas atlânticas que logo se tornam em negócios da China. Desta forma os alvinegros têm-se afirmado nos patamares superiores da Liga depois de décadas a viver na sombra dos rivais União e Martimo.

 

Já no continente e bem a norte está a politica seguida pelo Sporting de Braga. O clube da cidade dos arcebispos tem feito, ano após ano, uma forte aposta desportiva que o consagre no tal "quarto grande" que lhe permita disputar titulos, adeptos...e rendimentos que a condição actual não consegue gerar. Apesar de época após época a aposta ser cada vez maior, a verdade é que à parte da vitória na Taça Intertoto (tornando os bracarenses o quarto clube português...a vencer uma prova oficial da UEFA) e a boa campanha na Taça UEFA da passada época, a nivel interno o Braga nunca conseguiu realmente disputar os primeiros postos até ao fim da temporada regular, tendo mesmo sido surpreendido, há dois anos, pelo eterno rival de Guimarães que, chegando direitinho da Liga de Honra, passou a maior parte do ano no segundo posto acabando por ficar com o posto mais baixo do pódio. Um lugar que os bracarense ainda não lograram alcançar. A equipa do Sporting Braga tem sido, ano após ano, das que melhor futebol tem praticado no terreno de jogo, mas as falhas em jogos decisivos têm impedido sempre de sonhar com algo mais. A falta de resultados desportivos obrigou António Salvador a abrir o plantel para realizar um encaixe que permite evitar que o clube entre numa espiral que destroçou outros projectos ambiciosos para lograr esse mitico titulo de "grande".

 

A assinatura do protocolo de cooperação estratégica com o Manchester United é a primeira etapa para a nova vida dos bracarenses. O clube que curiosamente até equipa à Arsenal, um dos rivais históricos dos Red Devils, vai tornar-se no novo parceiro estratégico no continente do tricampeão inglês depois de vários anos a trabalhar directamente com o Antwerp belga. A equipa de Sir Alex Ferguson sempre apostou em ter um clube a disputar um campeonato competitivo na Europa dentro da sua esfera de influência. A aposta no Braga resulta da boa campanha europeia dos bracarenses mas também do crescente interesse do técnico e do seu staff em relação ao mercado português (e sul-americano principalmente), uma relação que não surpreende face à passage de Carlos Queiroz por Old Trafford num periodo onde os Red Devils contrataram três jogadores a actuar em Portugal (Cristiano Ronaldo, Nani e Anderson) e se voltaram claramente para o mercado brasileiro. Sabendo bem que Portugal é a ponte priveligiada para os jovens brasileiros darem o salto ao futebol europeu, ter uma parceria estratégica com um clube da Liga Sagres é o ideal. Por outro lado, para o Braga, é fundamental ter um parceiro forte capaz de emprestar jogadores de alto nivel e margem de progressão sem ter necessariamente de depender de um rival directo (Benfica ou Porto) dentro de portas. Um novo modelo de parceria estratégica que pode ser a solução para muitos clubes a nível mundial que não lograram ainda dar o salto à elite desportiva. Um núcleo onde o Braga se encontra há já meia década.

 

Rodrigo Possebom é o primeiro exemplo de como o clube arsenalista pode crescer com esta relação. O médio brasileiro mas com passaporte italiano  (já actuou pela selecção sub20 da azzurra), é um dos jogadores com mais potencial do plantel do Manchester United. Com excelente visão de jogo e fino recorte, tem uma imensa margem de progressão tendo mesmo sido estreado já na equipa titular do United na época transacta. Uma estreia contra o Newcastle onde actuou no posto de médio box-to-box. No entanto poucas semanas depois, num jogo contra o Midlesborough, sofreu uma selvagem entrada do austriaco Pogatetz que lhe provocou a fractura da perna e o abandono da competição até ao final do ano. Contratado em 2007 (no mesmo ano que chegaram a Manchester os gémeos Fábio e Rafael da Silva e o portista Anderson, a primeira vez na história do clube que o United contou com 4 brasileiros) ao Internacional de Porto Alegre onde já destacava, o jovem jogador foi uma aposta pessoal de Queiroz que chegou a tê-lo na lista dos futuros "nacionalizáveis" para a equipa portuguesa. O médio de 20 anos não é o primeiro jogar do United a chegar ao AXA Estádio (a distinção cabe ao angolano Evandro Brandão, outro avançado jovem de grande potencial do United) mas será  um elemento fundamental na estratégia de Domingos Paciência

 

Uma nova etapa na vida do clube que encontrou um excelente desvio para contornar os problemas financeiros sem perder a competitividade do seu plantel mantendo-se assim como um dos sérios candidatos a disputar os primeiros postos da Liga Sagres 2009/2010. 



Miguel Lourenço Pereira às 09:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

É uma das maiores pérolas a actuar na Europa e é surpreendente como um jogador do seu calibre ainda não deu o salto para um dos grandes Europeus. Há muito tempo que a Arena de Amsterdam se tornou pequena para a magia do jovem uruguaio de 22 anos, que depois de dois anos a levar ás costas a histórica equipa holandesa, procura um novo desafio de forma a consagrar-se como uma estrela planetária. Luis Suaréz tem apelido de grande e é o jogador sul-americano não argentino ou brasileiro com maior projecção de futuro.

 

Em 1998, com onze anos, abriu uma das mais mediáticas novelas do futebol uruguaio quando se noticiou que um jovem prodigio da pequena localidade de Salto estava a despertar a cobiça dos grandes do país. Depois de muita polémica o jovem acabou por assinar contrato pelo Nacional de Montevideo, em detrimento do histórico Peñarol. Sete anos depois, com 18 recém-cumpridos, estreou-se pelo então campeão na Copa dos Libertadores. E nunca mais parou. Três meses depois apontou o seu primeiro golo oficial e tornou-se em titular absoluto, tanto no seu clube como na selecção jovem uruguaia. O Groningen holandês, repleto de olheiros no mercado sul-americano, apanhou-o de imediato e tratou de o levar para a Europa. Com 19 anos cumpridos dava ao salto ao "grande charco" e não defraudou. O jovem avançado apontou 11 golos em 33 jogos no primeiro ano na Europa, tornando-se na estrela da equipa. O seu sucesso despoletou nova polémica entre os grandes da Holanda, acabando o Ajax de Amesterdam por levar a melhor a PSV, Feyennord e ao próprio Gronnigen que não o queria perder. Por 7,5 milhões de euros tornou-se numa das mais caras transferências de sempre do futebol holandês. 

Nesse Verão de toda a polémica foi o lider da sua selecção de sub-20 no Mundial do Canada, onde apontou dois golos e realizou outras duas assistências. Por então já era presença regular na equipa nacional. No seu primeiro jogo oficial, contra a Bolivia, marcou um dos 5 golos que deram a vitoria aos celestes. Hoje já conta com 21 internacionalizações e 7 golos apontados. Em Amesterdam o jovem Suarez viveu o pior periodo das últimas décadas dos "ajacied". Sob a batuta de Marco van Basten foi elemento fulcral no ataque, apontando 19 golos, mas isso revelou-se insuficiente para garantir ao clube da capital o regresso à Champions League. A rapidez e verticalidade do futebol de Suarez não deixa ninguém indiferente e é de estranhar que o uruguaio continue uma época mais na Arena. Hoje em dia é um dos alvos mais apetecidos dos grandes do futebol europeu. A sua hora está prestes a chegar.



Miguel Lourenço Pereira às 13:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Está já disponível online a crónica de futebol internacional publicada semanalmente no weblog Futebol Artte que podem ler ao clicar no texto abaixo.

 

" O mercado de transferências é um fenómeno típico do relativismo no mundo do futebol. Nada é igual de um ano para o outro e o que parece simples e claro rapidamente se torna rebuscado e confuso. Os valores e os nomes em liça variam com uma velocidade alucinante como se um leilão de mestres se tratasse. Como na arte (não fosse o desporto rei uma das mais belas artes do mundo contemporâneo) também os leiloes de pré-temporada são um espectáculo a que muito poucos têm acesso. Aos leilões que importa, subentenda-se. O “marchand” Real Madrid disparou os valores do mercado e como aqueles milionários que compram dois van Gogh por um valor desorbitado, também Florentino Perez quebrou as tácticas de mais de meia Europa."

 


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Miguel Lourenço Pereira às 10:08 | link do post | comentar

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Ontem poderá ter sido mais desses dias históricos que o futebol português teima constantemente em desaproveitar. Depois de uma época repleta de polémicas administrativas, de dividas, de ameaças de fecho de portas e despromoções forçadas, a Liga de Clubes (e paralelamente o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol) deram um murro na mesa para por um pouco de ordem na casa e credibilizar um campeonato que anda pelas ruas da amargura.

 

Num país de cegos quem tem um olho é rei, e a máxima aplica-se ao futebol português.Num meio onde as dividas, os salários em atraso, as comissões debaixo da mesa e a ineficácia administrativa são o prato forte, o primeiro passo é voltar a colocar as instituições em sentido para que percebem que no futebol português não vale tudo e que há regras que é preciso respeitar. Nem que para isso seja preciso chegar ao extremo. Como acabou por suceder... 

Depois de toda a polémica chega a verdade desportiva à liga portuguesa.

O Estrela da Amadora, autor de uma época verdadeiramente lamentável que manchou o nome do futebol português como poucos, foi relegado para a II Divisão pela Liga de Clubes. Em causa estão os sucessivos atrasos nos pagamentos dos salários aos jogadores verde e rubros durante toda a época, mais as dividas do clube da Amadora ao Fisco e Segurança Social que à última hora tentou criar do nada uma SAD de forma a escapar à punição. A verdade desportiva implicava uma punição exemplar para um clube que falhou irresponsávelmente todos os pagamentos a que estava sujeito e a sua inscrição nos campeonatos profissionais vetada.

 

Face à descida administrativa do histórico clube da Amadora (um dos mais regulares no escalão máximo do nosso futebol nos últimos 20 anos), o Belenenses foi convidado pela Liga a ocupar a vaga, conseguindo assim, uma vez mais, a manutenção pela secretaria. Uma decisão que segue à letra os estatutos da Liga, ao contrário dos defensores da subida do Santa Clara (terceiro da Liga Vitalis) e que beneficia uma equipa que voltou a conseguir administrativamente o que falhou no terreno de jogo. Felicidade para os do Restelo que, no entanto, terão de se esforçar bastante mais para repetir o 15 lugar conseguido esta época. A Liga de Futebol Profissional emitiu ainda pareceres sobre LeixõesEstoril, clubes que têm a respectiva inscrição condicionada pela apresentação dos seus relatórios de pagos, e que de momento estão proibidos de inscrever novos jogadores, algo que, infelizmente, não é novo no clube de Matosinhos.   

 

Se por um lado a Liga Sagres volta a conhecer uma reviravolta face à sua classificação final (repetindo o sucedido com o "caso Mateus" em 2006 e a descida administrativa do Boavista em 2008) o mesmo volta a suceder com a Liga Vitalis. O segundo campeonato profissional português corre o risco administrativo de baixar de 16 a 14 clubes face à decisão do Conselho Judicial da FPF que deu por bom o parecer que condena o Vizela e o Gondomar, este já despromovido, à II Divisão, no seguimento do caso de corrupção desportiva onde os dois clubes foram acusados. Com esta situação desclassificação, a Liga Vitalis está actualmente reduzida a 14 equipas (o Belenenses sobe e o Vizela junta-se a Boavista e Gondomar como despromovidos) e esse pode ser mesmo o número final de participantes.

 

Coloca-se a possibilidade do último clube da edição passada - tal como sucedeu com o Belenenses - ser convidado a ficar com a vaga do Vizela, mas o Boavista ainda não conseguiu demostrar ter solvência financeira suficiente para competir nos campeonatos profissionais e corre o risco de ter mesmo de jogar na II Divisão. Por outra parte o cenário de promover as duas equipas que não lograram a promoção nos play-offs de acesso - Penafiel e Carregado - está a ser equacionado, e poderá mesmo ser reavaliado, até porque a entrada do Boavista obrigaria a que fosse promovido mais um clube já que ficariam 15 clubes inscritos na prova. 

 

O importante nesta dupla decisão administrativa é a necessidade de restaurar a verdade desportiva do nosso futebol. Haverá certamente vários casos encobertos noutros clubes que vivem diariamente no limbo e a corrupção no futebol não desaparecerá por magia. Mas é necessáiro fazer ver que há caminhos que têm obrigatoriamente de ser seguidos, sem o minimo desvio. Independentemente do clube em questão, independentemente de isso obrigar a uma alteração do próprio formato da competição. Seja a II Liga disputada com 14, 15 ou 16 equipas, o importante é evitar que o futebol português continue a ser um cancro em vez de ser a alegria e o orgulho dos milhares de adeptos que todos os fins de semana se deslocam ao estádio do seu clube para assistir a 90 minutos de emoção do beautiful game



Miguel Lourenço Pereira às 19:48 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quando cerca de 50 mil pessoas se dirigem numa tórrida tarde de Verão para ver pela primeira a um desportista subir ao relvado com um equipamento oficial vestido, sem bola sequer nos pés, deixa-se de estar na dimensão desportiva para passar directamente ao mundo do espectáculo e entretenimento. Como desporto de massas há muito que o futebol vive nessa ponte entre o desporto jogado e o negócio que rende milhões. Milhões foi o que custou Ricardo Izecson dos Santos Leite ao Real Madrid. Concretamente 65 milhões de euros. Mas ontem, quando Florentino Perez anunciava a sua chegada à "Casa Branca" a uma multidão em delírio, ninguém se lembrou do dinheiro gasto. A euforia tomou conta da capital espanhola. Kaká provou ontem o verdadeiro poder da ilusão. 

 

No campo, já agastado pelos anos, o maior jogador da história do Real Madrid, o homem que desportou um dos muitos polémicos negócios merengues, Alfredo di Stefano, olhava ao seu redor. No seu tempo o estádio construido por Santiago Bernabeu enchia-se para vê-lo jogar. Agora enche-se simplesmente para dar as boas vindas a mais uma das estrelas galácticas madridistas. Na bancada, outro gigante do futebol, Pelé, aplaudia o jovem compatriota. Ele que foi dos primeiros a provar o futebol-negócio (anuncios, passagem pela MSL) sabe bem que a bola a rolar é cada vez mais um pormenor no meio de tanto rebuliço.

 

Os jornais não se entendem. Uns falam em 40 mil outros (sempre exagerados quando está o clube merengue em causa) estendem a lista de admiradores de Kaká presentes no sua apresentação oficial até aos 60 mil espectadores. Todo o espectáculo - como se prevê que passe com Cristiano Ronaldo - foi montado ao minimo detalhe. Uma tarde tórrida na capital de Espanha, numa hora ideal para entrar em directo em todos os telejornais, portas abertas a todos os jovens e jovens que vivem a primeira semana oficial de férias de Verão, as principais lojas da cidade já com a camisola do jogador à venda...a apresentação cronometada, o discurso emocional, os videos, as velhas glórias e por fim, o artista. Timido, como sempre, Kaká subiu ao relvado visivelmente impressionado. É por estas e por outras que sempre se houve que os jogadores querem actuar no Bernabeu. Porque o Real Madrid é e sempre foi um clube que preferiu o espectáculo mediático ao espectáculo no terreno de jogo. Clubes como o Barcelona, Manchester United, Juventus, Bayern, gigantes do futebol mundial, seriam incapazes de preparar uma cerimónia de consagração como estas. Para essas entidades o futebol está, primeiro, no relvado e é aí que se fazem as estrelas. Em Madrid apostam por começar a rentabilizar desde que arranca a pré-época, sem sequer ver a bola rolar na relva.

 

Esse trato de glorificação do individuo por cima do colectivo (e que permitiu o nascimento de várias gerações de galácticos, de Di Stefano e Puskas a Butrageño e Hugo Sanchez passando por Zidane e Figo) torna o clube atractivo para os jogadores e rentavel para os presidentes. Florentino Perez sabe como ninguém manejar o marketing de um clube. É um presidente desastrado para o apartado desportivo mas a nível de negócios é um gestor hábil. A escolha do número 8 (já utilizado por mitos como Amancio, Schuster e Michel) é cirúrgica e hoje as novas camisolas com o número de jogador já estão esgotadas. Sinal de que os muitos milhões pagam começam a rentabilizar depressa. A máxima do Real Madrid é essa mesma. Se, como sucedeu com a primeira etapa de Florentino Perez, os jogadores em campo não renderem como os nomes no universo empresarial do clube, procuram-se alternativas. Para o Madrid os craques que contrata a peso de ouro são negócios antes que elementos chave para a equipa.

 

"Contratar os melhores do mundo não significa que se ganhem jogos e titulos", comentou no outro dia o seleccionador espanhol, Vicente del Bosque, primeiro técnico do Madrid de Perez. E com razão. O clube espanhol é, ao contrário de outros gigantes como o Manchester United e o eterno rival Barcelona, um clube que vive em constante ilusão. Ilusão que vende ao seguidor com a mensagem de grandeza. De nomes, de investimentos, de retornos financeiros, de titulos ganhos. Enquanto os outros clubes preparam-se para realizar contratações cirurgicas para melhorar a equipa, o Real Madrid quer relançar a sua marca oficial no mundo. É negócio antes de ser futebol puro. A máxima que se vive, ano atrás ano, no Bernabeu. Esta época não será distinta, ganhe-se ou não titulos, a ilusão tratará de tapar os buracos que possam vir a surgir nesta nau à conquista da Europa.


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Miguel Lourenço Pereira às 10:29 | link do post | comentar

A grande lição aprendida directamente da última edição da Taça das Confederações tem pouco a ver com a debacle europeia ou mais um titulo para as vitrines brasileiras. O aviso de que o "soccer" está em grande forma é para ser tomado a sério, apesar de ainda haver uma série de criticos que continua a insistir que o futebol nos Estados Unidos não tem futuro. É certo que a popularidade do "soccer" é infinitamente inferior aos desportos made in USA. Mas também está claro que é não é preciso que seja um desporto de multidões para poder ter uma selecção de primeiro nivel. A equipa de Bob Bradley provou-o este mês na África do Sul. 

As condições naturais dos jogadores norte-americanos - desportistas por excelência, muito mais que os outros gigantes económicos adormecidos como a China, India, Japão ou Australia - e a fortissima influência de jogadores de origem latina e europeia provam que o poder do melting pot que tanto sucesso deu ao desporto americano em geral parece finalmente estar a fazer efeito no futebol. Da equipa orientada por Bradley há jogador de origem latina, africana e europeia. Há uma mistura perfeita de distintos estilos, de poderio fisico e capacidade técnica. E acima de tudo uma fomração e disciplina táctica que os americanos nunca tinham demonstrado até hoje.

 

Depois de terem roubado o protagonismo das provas da CONCAF ao México os Estados Unidos querem dar um passo em frente. Da equipa que em 1994 chegou aos Oitavos de Final no seu Mundial nada sobra. Apesar do campeonato local continuar a ser um negócio mais do que uma verdadeira prova competitiva, a verdade é que a esmagadora maioria dos jogadores actua na Europa onde conseguiram desenvolver uma apuradíssima consciência técnico-táctica. Mesmo os que ainda actuam nos States são já altamente cobiçados por clubes europeus que vêm no mercado norte-americano um potencial filão. O Villareal, por exemplo, apostou na contratação de Jozy Altidore, acabando-o por emprestar ao Xerez, mas para a próxima época sabe que conta com um jogador que depois da sua magnética performance contra (ironia do destino) a Espanha, vale o dobro no mercado. O mesmo se poderá dizer de Spector, Onyewu, Clark os os jovens Bradley ou Beasley, as futuras grandes promessas da equipa do Tio Sam. 

 

Apesar de faltar ao Estados Unidos calibre nas grandes provas, a excelente prestação na Taça das Confederações lançou o primeiro alarme. Na África do Sul os americanos serão um rival duro de roer. Dependerão em muito do grupo em que ficarem colocados, mas sabe-se que fora da Europa as equipas do Velho Continente perdem fulgor e abrem espaço a agradáveis surpresas. Há sete anos os próprios americanos lograram chegar até aos Quartos de Final, só batidos pela finalista Alemanha. Depois da precoce eliminação na fase de grupos do Mundial 2006 os americanos voltam com a ambição redobrada de plantar cara aos grandes do desporto rei e provar que são uma potência mundial em todos os desportos, mesmo quando estes não enchem estádios e dão audiências de milhões. 



Miguel Lourenço Pereira às 08:15 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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