Terça-feira, 26 de Maio de 2009

2008 foi um ano de sonho em Manchester e parecia irrepetível. Mas 2009 pode ser ainda maior. Prova de que a equipa de Alex Ferguson vive uma terceira juventude, depois do sucesso da equipa que venceu a Taça das Taças em 1991 com Mark Hughes, Brian Robson e Paul Ince e a de Schmeichel, Cantona, Beckham e Giggs que dominou o futebol britânico na segunda metade dos anos 90 e princípios do novo milénio. Agora o técnico escocês trabalha com uma nova geração, onde se alternam os veteranos Scholes, Neville e Giggs com uma nova geração sedenta de glória. E depois de vencer a Champions em Moscovo no ano passado – após conquistar também Liga e Taça – parecia que a sede de Cristiano Ronaldo, Anderson, Rooney, Carrick, Vidic e Ferdinand estava saciada. Nem de longe nem de perto!

 
Ferguson tem ás suas ordens um plantel completíssimo onde nada foi deixado ao acaso. Desde que começou a conquista deste tricampeonato, em 2006 que o técnico escocês foi variando de um 4-4-2 fixo para um 4-3-3 que muitas vezes se transforma em 4-2-3-1 com Cristiano Ronaldo a actuar até como um falso ponta de lança. O extremo português que já o ano passado venceu a Bota de Ouro, este ano voltou a chegar ao final do campeonato a lutar pelo titulo de melhor marcador, apesar de ter marcado menos 20 golos. A equipa do United 2008/2009 vive muito menos do génio individual do português e mais do colectivo. Van der Sar é um líder na baliza e a defesa dos red devils é das mais consistentes da Europa com Vidic e Ferdinand a dominar no centro (Evans revelou-se uma óptima alternativa) e Evra e Neville nos flancos, com o jovem Rafael a surgir como importante apoio, tal como O´Shea, esse todo terreno que o técnico tanto gosta.
 

O meio campo é também a zona nuclear para Ferguson. O técnico sempre gostou de jogar pelas alas mas com o passar do tempo foi entendendo que o equilíbrio no centro é chave. Antes contava sempre com jogadores como Ince ou Keane ao lado de criativos como Kanchelskis ou Scholes. Agora quem toma controlo do jogo – e Scholes ainda dá uma ajuda – são Michael Carrick e Anderson, com Hargreaves (lesionado há vários meses) e Fletcher (ausente da final por expulsão) como alternativas naturais. É um centro de terreno fortíssimo e móvel, com óptima transição entre o centro e os flancos. A equipa evita fazer o jogo directo pelo centro, buscando sempre os extremos para abrir espaços na defesa. É aí que entram em jogo Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney. São vagabundos em campo, essenciais nas suas galopadas, mas que costumam abrir à esquerda e direita para espraiar o jogo ao máximo. Os mesmos depois fecham à frente, onde habitualmente se encontra ou Carlos Tevez ou Dimitir Berbatov. Outra opção habitual é colocar Park Ji Sung pela direita, deslocando Cristiano para o meio e assim fazer um conjunto ainda mais elástico nas transições defesa-ataque. Com o apoio de Giggs, Nani e o sul-corenao nas alas e os jovens Wellbeck e Macheda na frente, a linha ofensiva dos Red Devils não é tal efectiva como a do rival de Roma, mas oferece muito mais opções de variar o registo de jogo. E esse é um trunfo que Ferguson irá certamente usar. 

 

A temporada mancuniana foi de menos a mais. Não venceu o Zenith no Mónaco mas confirmou-se como potência numero um mundial no Mundial de Clubes. Teve vários jogos adiados na Premier onde nunca deu ideia de estar ao mesmo nível que a época passada. Até que em Janeiro começou uma série louca de vitórias que culminou com a conquista da Premier a dois jogos do final da prova. Ferguson, de quem há muito se fala em reforma, está ansioso por fazer história. Já igualou o Liverpool em títulos e agora quer somar a sua terceira Champions e colocar o Man Utd a apenas cinco do Real. A equipa de Manchester – se vencer a final de Roma – torna-se no clube com mais conquistas desde que arrancou o formato da Champions ao lado do Real Madrid e AC Milan (3 cada uma), o que prova bem do seu domínio no futebol europeu dos últimos quinze anos. A vitória significa quebrar a maldição do AC Milan de Arrigo Sachi, o último clube a vencer duas Champions - ainda era a Taça dos Campeões - de forma consecutiva em 1989 e 1990. Uma derrota será sempre um golpe duro de roer, mas mesmo sem Tevez e Cristiano Ronaldo, para o ano arrancam como os máximos favoritos. É assim a vida em Old Trafford. Entra-se em campo sempre para ganhar. E para fazer história!


Miguel Lourenço Pereira às 20:54 | link do post | comentar

 

cinco anos que não celebrava um título. Ontem, depois de um largo interregno, voltou a celebrar. E com direito a golo. Um remate potente, marca da casa. A imprensa lembrou-se agora que existia, mas ele sempre esteve ali. Sangue, suor e lágrimas é com ele. Desta vez as lágrimas foram de alegria.
 
É um dos mais completos médios centros do nosso futebol. E também dos menos mediáticos. Campeão da Europa com o FC Porto de Mourinho, sempre foi um dos pilares da variação táctica do técnico setubalense que abandonou o 4-3-3 de Sevilla eplo 4-4-2 de Gelsenkirchen. Ao lado de Maniche, Costinha e Deco, ali estava o sucessor do russo Alenitchev. Tudo indicava que seria o patrão do Porto do futuro. Até que de Londres acenaram com um cheque e o presidente portista nem hesitou. Para que arriscar num português de talento se tenho aqui preparado um lote de argentinos e brasileiros? A ideia de um FC Porto português de Mourinho saiu com o técnico.
Para Londres, para norte de Londres foi esse craque. Pedro Mendes, nome próprio com direito a referencia. No Tottenham não foi feliz. É difícil se-lo num clube há anos perdido no seu próprio historial, com mil e um projectos aventureiros de final infeliz. O centro campista vimaranense era um deles. E depois de se comprovar o erro de casting – do clube, não do jogador – o herdeiro de Afonso Henriques marchou rumo ao sul, onde em Portsmouth o receberam de braços abertos. Com Muntari formou um meio campo de sonho que permitiu aos “pompeys” o milagre de estrear-se em provas europeias. Golos, desmarcações e desarmes invisíveis. Como aquele golo do meio campo que marcou um dia em Old Trafford e que só o arbitro não viu. Esse é Pedro Mendes. 

Mais uma vez os negócios entorpeceram a carreira e o recém-europeu Portsmouth teve de vender peças valiosas para manter-se de pé. Mourinho foi lá pescar mas trouxe o guerreiro negro e deixou que o rebelde Pedro rumasse a Norte, às Higlhands. Tal e qual novo William Wallace, cabelo largo ao vento, Pedro Mendes entrou de rompante em Ibrox Park e reinou de imediato sobre o condado protestante de Glasgow. A ferida da equipa, bem fundo no orgulho, depois de anos de derrotas diante dos católicos de verde, estava bem marcada. A derrota, meses antes, no City of Manchester frente aos russos de Arshavin e companhia ainda não sarara. Tranquilizar o mítico Ibrox era tarefa difícil. Mas Pedro Mendes logrou-o. Tornou-se na bússola deste Glasgow implacável que soube trepar pela classificação até se colar aos verdes católicos. Venceu e passou para o primeiro posto. Era esperar pela consagração. Em casa. Diante dos seus. Com um golo de Pedro Mendes. Levantou-se o estádio, levantaram-se os guerreiros. Com Queiroz a inventar em mil e uma convocatórias, Pedro continua a sonhar. O lugar de soldado invisível impediu-o de entrar na “família de Scolari” quando por lá andavam outros guerreiros bem menos valentes. 

 

Para o futuro resta a esperança de que Portugal saiba que ainda há guerreiros nacionais por aí fora, escondidos. Mesmo que não vendam capas de jornais e apareçam numa pequena nota de rodapé, eles estão aí, à espera da hora em que serão chamados para cantar o hino bem alto, desembainhar espadas e partir para a luta…como fez Pedro Mendes uma vez mais neste domingo de festa protestante escocesa.


Miguel Lourenço Pereira às 14:20 | link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 
 
 
 
 
Depois de subir o ano passado o Rio Ave esteve quase todo o campeonato com um pé de novo na II Liga. A equipa orientada por Carlos Brito teve de agradecer á generosidade de Braga, Benfica e FC Porto que lhes emprestaram o trio atacante que salvou a equipa vila condense no final da temporada. Yazalde, Candeias e Coentrão foram o dinamo dos verde e brancos durante a segunda volta, de tal forma que o Rio Ave era o único clube que dependia verdadeiramente de si próprio. Salvou-se mas sem os jogadores emprestados para o ano a missão ameaça tornar-se espinhosa.

 

A equipa da Figueira é um caso raro de sobrevivência. Desde que foi promovido à Liga Sagres não voltou a cair de divisão e esteve sempre no limbo. E sempre se salvou. A Naval nunca pratica um grande futebol, não é uma equipa demasiadamente ofensiva. Mas é eficaz. Conquista pontos nas alturas e nos locais certos e tem um notável espírito de sobrevivência. Este ano voltaram a sofrer até ao final e durante varias jornadas houve mesmo a ideia de que este seria o ano da queda, mas o resultado final é positivo. Num clube com tão pouco apoio e com tão poucos recursos, a manutenção já é, em si, um grande mérito.

 

 
 
Mais um ano a sofrer até ao fim. Sem receber, com graves problemas financeiros que podem levar mesmo ao final do Bonfim, o Vitória de Setubal voltou a ter de rezar a todos os santos e arcanjos para não voltar a cair na segunda divisão. Carlos Cardoso fez o milagre inesperado com uma ultima parte de época sólida, especialmente em comparação com a tremideira inicial. Uma equipa que no ano passado venceu a Taça da Liga e que esta época voltou a mostrar carências em toda a linha e a falta de um projecto estructurante e ambicioso. A continuar assim não será surpresa se o milagre não se volte a repetir.


Miguel Lourenço Pereira às 10:17 | link do post | comentar

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Do purgatório ao céu.

Depois de dois anos de verdadeiro inferno o Barcelona renasceu das cinzas. E mais brilhante do que nunca. Da equipa que Frank Rijkaard levou ao bicampeonato e à conquista da Champions League em 2006 ao Pep Team liderado pelo jovem Guardiola a verdade é que não há grandes diferenças. Mas a atitude é distinta. E aí está a base do sucesso. Ronaldinho e Deco já não estão na nave e a verdade é que, desde o ano passado só Daniel Alves, Keita, Pique e Hleb são novos na armada. Mas, no entanto, neste Barça tudo é distinto. A começar pela atitude em campo, a pressão imediata à saída da baliza contrária a incapacidade em abrandar e acima de tudo, a eficácia goleadora. Vários foram os jogos, ao longo do ano, em todas as competições (e os catalães já venceram duas das três) que o resultado final foi por mais de quatro golos. O trio Messi, Henry e Etoo é o mais concretizador de toda a Europa, um verdadeiro perigo para qualquer defesa.
 
A verdadeira arma desta equipa é no entanto a sua facilidade no passe. Com uma defesa alta, onde Alves actua como falso extremo transformando o 4-3-3 muitas vezes em 3-4-3, o meio campo torna-se no pulmão chave do jogo de Guardiola. O trabalho musculado cabe habitualmente a Keita ou Touré, apesar do jovem Busquets ter sempre dado boa conta de si quando foi chamado, especialmente por ter outro toque de bola, mais fino que os dois portentos africanos. Depois está a magia de Andres Iniesta, capaz de romper pela direita, esquerda ou centro com sprints deliciosos e passes impressionantes. O seu golo em Stanford Bridge foi o justo prémio para um dos melhores futebolistas mundiais, pilar da vitória espanhola no último Europeu. Mas o cérebro de todo o jogo deste Barça é mesmo Xavi Hernandez. O centro-campista, a quem atribuíram o prémio de melhor jogador do ultimo Europeu, é hoje em dia o melhor jogador do Mundo. Longe do mediatismo de CR7, Messi ou Kaka, o catalão é um génio como o Camp Nou viu poucos. É ele quem pauta todo o jogo ofensivo, todas as corridas de Leo Messi, todas as desmarcações de Etoo. Uma autentica régua e esquadro no relvado que completa com uma técnica inusual capaz de fazer dele também um oportuno goleador.
 
Do ataque catalão há pouco a dizer. Messi começou a época de uma forma absolutamente extraordinária. Ritmo endiabrado, bola colada no pé, o argentino é um desequilibrador nata. Perde em jogar com o direito e por isso descai tanto para o centro onde pode puxar sempre a bola para o seu pé esquerdo. Não tem grande força física mas compensa essa fraqueza com velocidade e sentido de oportunidade. É o falso avançado do jogo do Barcelona, um vagabundo que combina com Xavi e Etoo na perfeição. Do outro lado o renascido Henry. Tal como Iniesta o veterano francês está em dúvida mas a sua presença é chave no esquema de Guardiola. Depois de um ano de estreia para esquecer, Titi Henry voltou ao seu melhor nível. Não tem o mesmo ritmo e velocidade dos dias de Highbury Park, mas a verdade é que continua a ser determinante, ele que teve o azar de viver à sombra de Zidane, o que o impediu de vencer os múltiplos prémios que a sua carreira merecia. No coração da área o leão indomável. Problemático, conflituoso, irascível. A E´too já lhe chamaram de tudo. Mas em campo ele é tremendamente eficaz. Líder da Bota de Ouro, o camaronês provocou a saída de Ronaldinho e Deco e esteve com um pé fora. Guardiola acabou por discipliná-lo como nenhum treinador tinha logrado e o avançado respondeu com golos. Antes queria partir, agora não quer sair de Camp Nou onde é tratado como o deus do golo.  
 
O calcanhar de Aquiles é mesmo a defesa. Puyol e Pique são óptimos jogadores mas Alves está sempre demasiado adiantado e nem Silvinho nem Abidal dão garantias. Valdês está na sua melhor forma mas é pouco e a falta de banco – outro problema crónico deste Barca – dá pouca margem de manobra. Em Roma não estarão Alves, Marquez e Abidal o que obrigara Guardiola a adoptar um falso lateral, ou dois, caso não confie em Silvinho. E os rivais sabem que este é o seu ponto mais débil.
  
A época do Barcelona foi fascinante. O pior arranque de sempre e a melhor primeira volta da história. Todos os recordes de golos e assistência batidos, goleadas a todos os rivais, incluído o Real Madrid no Bernabeu e o Sevilla no Pizjuan, e uma classe em campo inadjectivável. Do pior Barcelona dos últimos anos assistiu-se ao nascimento de uma equipa histórica, que a imprensa local já apelida de Pep Team. Isto obra de um técnico que está no seu primeiro ano na primeira divisão, depois de só ter treinado a equipa B que militava na III Divisão no ano passado. Guardiola é um génio, já o era há uns anos em campo e continua a sê-lo no banco. Passe o que passe em Roma está época é dourada para a história blaugrana. A vitória na Taça do Rei diante do Bilbao e na Liga são um feito inesquecível. Conseguir o trio perfeito seria inédito. Mas com este Barça tudo é possível.


Miguel Lourenço Pereira às 20:49 | link do post | comentar | ver comentários (2)

 
O mau inicio de época lançou todos os alarmes no Restelo. A licção não foi bem estudada e depois de vários anos com a corta ao pescoço, o Belenenses enforcou-se. A culpa pode repartir-se por várias aldeias. A direcção instável que não aguentou a pressão. Uma equipa técnica mal preparada que não soube planear bem a época. Jogadores com pouca ambição e espirito de luta. E os graves problemas financeiros que asfixiam o clube. Visto este panorama, a descida é algo normal mas para um histórico, um dos poucos clubes a bater o pé aos grandes, descer de divisão desta forma é penoso. Resta saber quanto tempo durará o calvário.
 
 
 
Tulipa é um jovem e ambicioso técnico mas não havia condições para este Trofense ombrear com os grandes do nosso futebol. Um clube modesto e sem infra-estructuras preparadas ou um plantel suficientemente competitivo ditavam desde o inicio da prova esta dura realidade. E se a equipa pode sonhar até ao fim foi mais devido ao demérito rival do que a méritos próprios. Destaque para Helder Barbosa e Tiago Pinto, dois jovens de futuro numa equipa que volta assim para o seu habitat natural.


Miguel Lourenço Pereira às 19:10 | link do post | comentar

O técnico do Santa Clara não evitou nos últimos segundos desta Liga Vitalis em queixar-se, uma vez mais, do poder do "sistema" que impediram a subida do seu clube à Liga Sagres. No entanto deixou a nota aos seus: para o ano, se Deus quiser, há Açores na primeira divisão do nosso futebol.

 

Curioso. Apelar a Deus fica sempre bem, especialmente neste país de brandos costumes e tão devotos. Mas fica a impressão que se houve alguém que nunca teve fé este ano, esse alguém foi o onze açoriano. Teve várias oportunidades de rematar a prova, incluindo o titulo de campeão. Nos momentos decisivos falhou sempre. Tropeçou, choramingou, queixou-se e voltou para as ilhas a lamber as feridas. Ontem o Santa Clara tinha meio pé para acompanhar o Olhanense. Só faltava meter o outro. Tão simples como isso. Mas em 90 minutos, no estádio de Santa Maria da Feira, não houve fé, crença ou algo que lhes valê-se. A equipa que podia ter regressado ao convivio dos grandes foi inimiga de si própria. Baixa auto-estima, falta de convição. No relvado contra o Feirense viu-se isso e muito mais. Nenhum golo em 90 minutos quando a festa já estava preparada. O tento do Feirense foi um golpe letal nas aspirações açorianas. A falta de reacção foi a verdadeira causa da morte. Culpar o sistema é bem português, tal e como apelar ao apoio divino. Mas ter fé é mais do que pedir ajuda...é procurá-la. Nos Açores ainda devem estar agora a perceber como... 

 

 A fé não estava na Feira, mas sim uns quilómetros abaixo. No estádio de um desses históricos a passar um mau bocado, outro veterano da I Liga dos tempos modernos fazia a festa. Com direito a cabeça rapada e muito champagne.

 

No dia em que Manuel Fernandes chegou a Leiria, a União estava num desesperante 13 posto, depois de ter partido como o grande favorito à subida de divisão. Uma posição dramática que o técnico soube contornar. Imbuiu os jogadores de fé. O talento ele sabia que já lá estava. Faltava a atitude. A mesma que a partir de então se viu em cada desafio dos leirienses. Goleram o campeão, não perderam pontos vitais. Marcaram muitos e bons golos e desistir foi palavra riscada do dicionário. Em Aveiro chegaram a estar a vencer por 0-3, ainda o Santa Clara estava a festejar a subida. O Beira-Mar lá reduziu para 2-3 mas foi o golo de Cadete na Feira que despoletou a festa. A União de Leiria nunca desistiu, e apesar de nos Açores haver um aeroporto com nome de Papa, Leiria não fica longe de Fátima. Se calhar foi isso que fez a diferença...ou a promessa de Manuel Fernandes...quem sabe? O que se sabe bem é que a fé baixou a Leiria para beber um copo e gritar o nome da União que para o ano viaja com os grandes, por mérito próprio. Isto de ganhar tem muito que se lhe diga. Antes é preciso querer e só depois fazer. Pedir e esperar milagres não vale, para isso vai-se a outras freguesias.

 

 



Miguel Lourenço Pereira às 18:46 | link do post | comentar

Visitem os melhores sites e páginas web de imprensa desportiva nacional e internacional.

 

IMPRENSA PORTUGUESA DESPORTIVA
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Miguel Lourenço Pereira às 15:57 | link do post | comentar

 

oito anos as ruas do Porto enchiam-se para comemorar mais um título conquistado pela cidade. Tal e qual como ontem, havia champagne, festa e muita alegria nas ruas da Invicta. Só que quem festejava então, hoje chora amargamente. Há oito anos atrás, nessa mítica Primavera de 2001 os adeptos do Boavista finalmente puderam sair à rua para comemorar o primeiro campeonato. Parecia o início de uma nova era de sucesso para o eterno segundo do Porto. Foi o princípio do fim. Nunca um triunfo foi tão amargo. Inaugurando o novo Bessa XXI – esse estádio tão belo que acabaria por trazer tantos problemas no futuro – a equipa axadrezada conquistava um ceptro roubado a ferro e fogo ao gigante vizinho. Hoje esses dias parecem tão longínquos que se perdem na memória. Hoje os axadrezados choram…de raiva, de dor…aquela impotência que marcou toda a época de um clube que já impôs respeito na Europa e agora abandona as provas profissionais pela porta pequena.

 

O Boavista só dependia de si próprio, um cálculo pouco usual para uma equipa que passou o ano a sofrer. De más arbitragens, de más exibições, de uma má gestão…tantas coisas más num ano sem um único sorriso. Rui Bento tentou mas este técnico não é milagreiro. Um grupo de jovens juniores não é capaz de imitar, assim como assim, os Martelinhos, Doualas, Litos ou Ricardos do passado. E a equipa foi-se afogando, uma morte lenta que parecia um autêntico suplicio de Tântalo. A vitória na passada semana deu esperanças à Pantera. Ainda era possível evitar o pesadelo de voltar a cair, desta vez para um poço ainda mais fundo, onde há mais de quarenta anos não andavam. Só precisavam de ganhar ao Sporting da Covilhã. Contra o outro Sporting, o de Lisboa, este Bessa viveu noites inesquecíveis e gloriosas. Este parecia presa fácil desses fantasmas do passado. Mas a pantera fez-se gatinho e os leões da serra rugiram bem alto, alto demais para os jovens das camisolas esquisitas aguentarem. Veio o primeiro, o segundo, terceiro e quarto. Tiros secos, balas certeiras. Da rádio outro tiro, este, fatal. Os dois rivais directos empatavam e condenavam o boavisteiro a chorar. Outra vez. 

Pela primeira vez um campeão de futebol nacional vai estar fora do futebol profissional. Um sinal de que a vida para os lados do Bessa está dura. A descida do Belenenses e a queda do Boavista espelha hoje, mais que nunca, o fraco nível da nossa liga onde só os três grandes se mantêm aí em cima. Como sempre aliás. O Boavista até pode ainda beneficiar de um milagre – se na secretaria o Vizela for despromovido por um caso que remonta a 2003 – mas o mais certo é que para o ano a equipa caia na II Divisão B. A SAD pode ter os dias contados, o estádio pode estar ameaçado tantas são as dividas acumuladas pelos axadrezados. O plantel voltará a ser feito à base da prata da casa porque nem para salários há dinheiro. Nunca a vida da pantera foi tão negra.

 

E quiçás a noticia que chega do norte da Invicta, onde o antiguinho Salgueiros confirmou o titulo de campeão da II Distrital da AFP, e com goleada incluída, pode alimentar essa réstia de esperança. É verdade que, hoje, a segunda cidade do país conta com o campeão e nada mais na elite do nosso futebol. Mas esses dois grandes históricos terão de se aferrar à esperança, para um dia voltarem a pisar os grandes relvados de cabeça bem alta. Porque a hora da Alma e da Pantera chegará…até lá, sofrer e vencer!  



Miguel Lourenço Pereira às 12:41 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Tudo termina e mesmo que a nostalgia impeça o esquecimento, a verdade é que vai ficar pouco para recordar com gosto desta Liga Sagres 2008/2009. Uma temporada apagada, morna, onde a grande sensação foi mesmo a campanha do Leixões na primeira volta e a cavalgada final dos tetracampeões. O FC Porto esteve muitos furos abaixo do que nos habituou, especialmente no arranque da temporada, mas acabou por se impor com naturalidade numa prova sem nível competitivo e onde, de ano para ano, se notam cada vez mais as diferenças entres os clubes com projectos bem definidos (FC Porto, Nacional, SC Braga, Sporting, Paços de Ferreira), os clubes à deriva de ideias (SL Benfica, Vitoria Guimarães, Marítimo) e aqueles que, pura e simplesmente, se limitam a esperar que a sorte os salve de um destino pior.

 
Contas feitas o FC Porto voltou a fazer história – primeiro clube português a repetir quatro títulos consecutivos – e apesar do atraso com que começou deu para celebrar o titulo a três jogos do fim. O Sporting prova que não pode mais, ao continuar com esta politica de contenção salarial que lhe impede de montar um onze verdadeiramente competitivo, por muito boa que seja a Academia de Alcochete. Mais do que Paulo Bento e companhia, em Alvalade o grande calcanhar de Aquiles é a debilidade institucional e a clara falta de ambição e nível competitivo. Que o diga o Bayern ou o Barcelona que humilharam uma equipa que até soube bater, duas vezes, o vencedor da Taça UEFA. Por sua vez o SL Benfica continua igual a si próprio. Independentemente do clube, ver o Benfica à deriva é um espelho da falta de interesse que desperta o próprio campeonato. Os próprios rivais já se deram conta de que, por muitos anúncios pomposos, contratações sonantes e técnicos de renome, a equipa encarnada nunca consegue ser verdadeiramente competitiva. Tropeça nos momentos chave, falha sobre pressão e vive em constante conflito interno. O plantel deste ano das águias era dos melhores da década mas no sprint final viu-se ultrapassado pelo rival da segunda circular e chegou a estar ameaçado por Braga e Nacional. Muito pouco para quem continua sem ganhar uma prova – Taça da Liga à margem – há cinco anos.
 
Fora do pódio que voltou à normalidade dos grandes depois do brilharete vimaranense do ano passado, os postos da UEFA vão direitinhos para os clubes mais regulares e com os projectos desportivos melhor trabalhados. Por um lado o SC Braga de Jorge Jesus, é um exemplo de austeridade e ambição. Será difícil ver os arsenalistas a lutar pelo título, porque se nota a diferença de plantel, mas a equipa de Braga provou, tanto na Europa como na Liga, ter argumentos para sonhar com mais. Tropeções em momentos chaves, lesões incómodas e uma longa época que arrancou com a Intertoto em Julho justificam a baixa de forma final. Mas a verdade é que o clube pode aspirar a mais no próximo ano. É necessário um título para confirmar esta afirmação como quarto grande, na ausência de Boavista e na irregularidade dos rivais de Guimarães. Por sua vez o Nacional tem um projecto bem distinto, mais volátil, mas igualmente bem definido. Sabendo que é inevitável vender, o mérito dos madeirenses está em saber reforçar-se bem. Maicon e Nene, que chegaram de uma digressão da equipa de reservas do Cruzeiro, ou os jovens Ruben Micael e João Aurélio, são a prova de que Manuel Machado é um perito em construir onzes equilibrados e com forte vocação ofensiva. O regresso à Europa é um prémio justo para um clube bem estruturado.
 
Ás portas da glória uefeira e com um campeonato razoavelmente tranquilo, Leixões, Marítimo e Vitória de Guimarães espelham bem a realidade do futebol nacional. Os primeiros começaram bem, chegaram mesmo a liderar a prova, mas a venda de Wesley e a baixa de forma física arrebentou com as aspirações europeias dos bebés de Matosinhos. Quanto a Marítimo e Vitória, partiam com claras ambições. Os primeiros chegaram a estar bem dentro da luta até ao tiro no pé que foi a substituição do técnico Lori Sandri a sete jornadas do final. A entrada de Carvalhal não melhorou em nada as prestações da equipa que acabou por perder ritmo. Caso grave é o do Vitória. A equipa caiu na pré-eliminatória da Champions e logo na da Taça UEFA, acabando abruptamente as aspirações europeias. Os pilares da boa época passada saíram e nunca tiveram substitutos à altura e a equipa baixou de forma brutalmente em relação ao brilhante ano passando, tendo andado por lugares na parte baixa da tabela. No final da temporada recuperou para um sprint final rápido mas ineficaz. Para o ano terá de fazer muito melhor.
 
Na eterna luta pela despromoção encontramos as restantes oito equipas, o que demonstra bem como é o campeonato português. Três lutam pelo título, cinco pela Europa e o resto para não descer. Só mudam os rostos dos dois últimos grupos. Mas costumam ser os suspeitos do costume. Os primeiros a salvarem-se da despromoção foram os surpreendentes jogadores do Estrela da Amadora. Mesmo sem receber regularmente desde o início da época, mesmo sem o treinador inicial e com menos três pontos retirados na secretaria, o Estrela da Amadora merece um especial louvor. Não tinha condições para competir e mesmo assim ficou à frente de clubes com outros orçamentos e expectativas. Salvou-se cedo e bem e apesar de correr o riso de descer na secretaria, pelos salários em atraso, em campo mostrou ter jogadores de carácter. O mesmo que a Académica. Os de Domingos Paciência foram uns autênticos sofredores. Óptimos resultados no Municipal de Coimbra e péssimas exibições fora de casa impediram que a equipa mais sólida dos estudantes dos últimos anos pudesse aspirar a mais. O técnico deverá estar de saída, um golpe duro para um clube histórico que ainda não se habituou ao ritmo da primeira divisão. Por fim sobra o excelente Paços de Ferreira, que por méritos de Taça estará na próxima Taça UEFA. A equipa de Paulo Sérgio mostrou sempre bom futebol e até perdeu o seu melhor goleador bem cedo, mas apesar de alguns altos e baixos mostrou uma interessante regularidade na Mata Real.
Sofredores até ao fim, Naval 1 de Maio, Vitória de Setúbal e Rio Ave tiveram de fazer das tripas coração para garantir a permanência. Os da Figueira sofreram sempre pelo plantel pouco competitivo e a falta de um real apoio dos seus adeptos mas dos aflitos foram os primeiros a garantir a permanência. Foi aliás na Figueira que o Setúbal também evitou a descida, resultado essencialmente de um bom final de época de Carlos Cardoso, um técnico perito já em salvar o seu Vitória de momentos de aflição. A grave crise financeira e institucional do clube do Sado não garante a sobrevivência a curto prazo mas, pelo menos, evita que os setubalenses caiam esta temporada no poço da II. Por sua vez em Vila do Conde fez-se a festa também no último dia. Carlos Brito, salvador da casa sempre, juntou uma equipa de jovens ambiciosos e com Yazalde e Coentrão desenhou um bom final de época que acabou por evitar uma descida de divisão que parecia inevitável a meio da temporada.
 
A caminho da II Liga estão Trofense e Belenenses. Os primeiros subiram este ano e nunca deram a real sensação de ter um projecto sólido que lhes garantisse a permanência apesar do futuro brilhante que parece ter o seu jovem técnico, Tulipa. Uma descida natural e esperada ao contrário da do Belenenses. Os da Cruz de Cristo há anos que brincavam com o fogo e este ano queimaram-se por completo. Três treinadores, direção demissionária, problemas financeiros e um plantel altamente desiquilibrado foram condenando o histórico clube á descida de divisão. Uma descida consumada em pleno relvado da Luz e que prova, mais uma vez, que os históricos já não conseguem a manutenção pelo seu estatuto se não têm um projecto sólido para apresentar ao longo de uma larga temporada. Resta saber se para o ano a equipa terá forças para voltar ou se cairá no mesmo ritual auto-destructivo de outros clubes do seu nivel.


Miguel Lourenço Pereira às 00:12 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Domingo, 24 de Maio de 2009

Depois da emoção da época passada, onde se teve de esperar pelo último apito do árbitro para se tirar as teimas entre Manchester United e Chelsea, a Premier League 2008/2009 pareceu sempre estar sob controlo por parte dos Red Devils. Mesmo quando o arranque foi frouxo e permitiu a fuga dos londrinos e do Liverpool. Mesmo com os tropeções finais, em particular a humilhante derrota face aos de Mersey. A conquista do Tri a dois jogos do fim mantém essa sensação de segurança, mas para lá das aparências, a Premier League mostrou, uma vez mais, ser a prova mais difícil e disputada do Velho Continente. Enfim, a melhor!

 
Durante largos meses a Premier League viveu em suspenso. A presença do Man Utd no Mundial de Clubes obrigou ao adiar de dois jogos que enganavam na tabela. Durante o mês de Janeiro, já consagrados campeões do Mundo, os diabos vermelhos começaram uma série diabólica de vitórias pela mínima margem que os fazia trepar pela tabela classificativa. Mas parecia sempre que Liverpool e Chelsea estavam demasiado longe. A equipa londrina começou a época orientada por Luíz Filipe Scolari e alcançou mesmo a melhor série de vitórias fora de portas. Mas Stanford Bridge, antes um forte, tornou-se num pesadelo, e a consecutiva perda de pontos diante de adversários menores – aliado aos problemas no balneário que o brasileiro nunca soube resolver – fizeram com que Abramovich o trocasse pelo amigo Hiddink. Mas em Janeiro os blues ainda lutavam pelo título lado a lado com o Liverpool. A equipa de Benitez arrancou bem e foi ganhando pontos que antes perdia em terrenos alheios. Chegou à liderança – a primeira vez no consulado do espanhol – e suspeitou-se que este poderia ser o ano que ia terminar com a travessia no deserto. Mas claro, ainda só estávamos em Janeiro.
 
A partir daí começou o domínio dos campeões. Sem Cristiano Ronaldo ao nível do ano anterior, mas com um colectivo fortíssimo assente na defesa com van de Sar, Vidic e Ferdinand e um meio campo de combate (Carrick, Anderson, Fletcher, Scholes e até Rooney) a equipa do Manchester foi superando todos os obstáculos e colou-se à liderança. Com os tais dois jogos em atraso. O Chelsea foi o primeiro a tropeçar e a saída de Scolari após a derrota em Liverpool tornou-se inevitável. Já o Liverpool manteve-se à tona, mas os jogos atrasados do Manchester foram desaparecendo e a equipa de Ferguson colocou-se em primeiro para não mais cair. Mesmo a derrota com os rivais por uns expressivos 4-1 não lograram mudar a tendência. O Manchester sagrou-se campeão diante do Arsenal, autor de uma época discretíssima, em casa e confirmou assim o domínio absoluto do futebol britânico actual.
 
A equipa de Wenger foi a grande desilusão do ano. Se o Liverpool pela primeira vez saltou para a disputa real pelo troféu até ao fim – deixando muito boas indicações para o próximo ano – já os gunners nunca foram uma ameaça e durante meses suspeitou-se até que poderiam falhar o apuramento para a Champions. Salvou-se a recuperação de Cesc e a chegada de Arshavin, estrela do jogo loco do ano em Anfield Road onde o empate a 4 foi lisonjeiro para Arsenal e Liverpool. A culpa foi da grande sensação da prova, o Aston Villa de Martin O´Neill que apoiado na juventude de Ahsley Young e Aghbongalor e a veterania de Barry arrancou fulminante em Outubro e só começou a tropeçar em Março. Um final de época desastroso afastou-os mesmo do 5 posto perdido para o Everton de David Moyes, outro grande técnico local capaz de fazer com um onze sólido, liderado pelo espanhol Arteta, uma equipa altamente competitiva. Depois do trio de líderes estas foram as equipas que melhor foram exibindo ao longo do ano e representam a nata do futebol da Premier.
 
Grandes desilusões foram Tottenham e Manchester City. Ambos arrancavam com milionários projectos ambiciosos e apesar de terminar nos lugares imediatamente abaixo dos europeus, viveram mais momentos de aflição do que de celebração. Os de Londres despediram o seu técnico Juande Ramos logo ao início face ao péssimo arranque dos spurs que chegaram a andar pelo último posto várias semanas. A equipa recuperou sob o comando de Harry Redknapp mas mesmo assim nunca apresentou o futebol que se esperava para quem contava com tão ilustres nomes no plantel. Já o Manchester City foi um engodo para Robinho, que até não se exibiu mal neste seu primeiro ano de Premier, mas saiu-lhe furada a ideia de rivalizar com o craque português de Manchester. Treinado por Hughes, a equipa de Manchester andou mais pela segunda metade do que propriamente pelos postos europeus, isto apesar de uma armada de talentos como o City of Manchester nunca tinha visto.
 
No meio da tabela estiveram sempre West Ham Utd, Wigan, Fulham, Portsmouth, Blackburn Rovers, Stoke City, Bolton e Sunderland equipas que alternaram boas partes da época com sequências complicadas. A UEFA pareceu sempre demasiado longe e a despromoção nunca realmente perto. Um pelotão formado por equipas que partilham as mesmas características técnico-tácticas e que estão já a preparar a próxima época onde algumas como Fulham ou Blackburn têm legitimas aspirações. De todos o Fulham – muito regular – e o histórico West Ham com Zola no comando, foram as verdadeiras sensações da segunda volta, enquanto que Wigan e Portsmouth começaram bem e logo caíram na classificação. Nota especial para o Hull City. Os tigres começaram o campeonato de forma espectacular, andando mesmo por lugares de Champions, mas a pouco e pouco a equipa foi caindo na tabela até chegar à última jornada a lutar pela sobrevivência.
 
Despromovidos à Coca-Cola Championship os dois gigantes do nordeste britânico. O Newcastle voltou a montar um projecto confuso e nem Michael Owen nem Martins conseguiram dar a volta ao péssimo arranque dos geordies. A chegada de Alan Shearer ao banco devolveu a esperança a St. James Park mas foi sol de pouco dura. O Newcastle – vice-campeão em 1995 – junta-se a outros históricos e leva consigo o seu rival Midllesborough, que depois de anos a militar na Premier acabou por cair numa época irregular onde teve momentos de bom futebol alternados com tropeções inexplicáveis. Já o West Bromwich Albion desde cedo parecia condenado e foi o primeiro a confirmar a despromoção, resultado de um plantel fraco e pouco equilibrado que mostrou ser insuficiente para entrar na melhor liga do Mundo.


Miguel Lourenço Pereira às 21:03 | link do post | comentar

nomes maiores na história deste desporto. Nomes que preenchem sonhos, vendem jornais, abrem programas e fazem milhões. E depois há aqueles verdadeiros mitos que se engrandecem com o passar dos anos, que encostam as chuteiras sem grandes bolas douradas mas com o sentimento do dever cumprido. Anos e anos de serviço e dedicação, admiração inevitável nos quatro cantos do Mundo. E um lugar garantido no panteão das estrelas. Este domingo um desses nomes deixa o tapete verde e entra automaticamente para a história. Onde já está à muito ano. Hoje despede-se do S. Siro Paolo Maldini…pede-se um minuto de aplauso.

 
É provavelmente o maior defesa esquerdo da história do desporto-rei. Desde a sua estreia, com apenas 16 anos, até ao jogo de hoje, Paolo Maldini viveu, respirou e sentiu cada segundo da sua vida com a camisola do AC Milan ao peito. O clube de uma vida, uma vida inteira de sucessos e fracassos, de lágrimas e euforia. Como o seu amigo Baresi antes dele, Maldini é um dos nomes obrigatórios quando se fala no clube milanês. São mais de vinte e quatro anos ao serviço do mesmo clube. Com praticamente 41 anos cumpridos, Paolo decidiu dizer basta. O corpo já não aguenta a exigência deste nível. Mas a mente continua jovem, como sempre, e se pudesse certamente que faria uma perninha mais. Desde a sua estreia, ainda juvenil, na equipa que se preparava para dominar o futebol europeu, até hoje passou muita coisa. Esteve presente nas cinco Taças dos Campeões que o clube ganhou nas últimas duas décadas. As últimas duas levantou-as ele, consagrado capitão de múltiplas gerações de sonho. Pertenceu à equipa de Sacchi e Capello com Baresi, Costacurta, Donadoni, Gullit, Rijkaard, van Basten e o seu próprio treinador hoje, Ancelloti. Depois esteve ao lado de Weah, Bieroffh, Inzaghi, Rui Costa mas também Shevchenko, Pirlo, Gattuso, Kaka, Pato e companhia. Ele próprio é o mosaico da história do ACM.
 
Muitos escreveram, ano após ano, na tremenda injustiça que significava que um monstro como Maldini nunca tivesse recebido um prémio individual. A vitória de Cannavarro nos prémios em 2006 acentuou ainda mais a discussão face à imensa superioridade do milanista em relação ao então capitão transalpino. Resultado da falta de mediatismo da linha defensiva, Maldini foi sempre o herói invisível. Os títulos do AC Milan eram sempre da linha avançada, dos criativos de meio campo. E ele era o primeiro em erguer a cimento e tijolo a muralha defensiva no S. Siro. Desde cedo se impôs na lateral esquerda e só nos últimos anos, culpa da idade, foi descaindo para o centro do eixo defensivo. Sempre no melhor nível. Disputou com Roberto Carlos na última década um curioso duelo que ambos sempre negaram. Duelo injusto, até porque o brasileiro estava na flor da idade e Maldini era já um veteraníssimo. E mesmo assim é quase unânime que nunca houve um maestro tão perfeito da ala esquerda como o jovem filho de Cesare Maldini, antigo avançado milanista de má memória para o Benfica que fez questão de levar o filho Paolo, muito novo, a Milanello para treinar. Poucos anos depois já era pedra basilar. Hoje é o jogador com mais jogos com a camisola do Milan e com presenças na Seria A. É história.
 
A única espinha atravessada será sempre a squadra azzura. Retirou-se depois do Mundial de 2002 e perdeu a vitória na prova seguinte, ele que tinha sido terceiro em 1990 e segundo em 1994 com a azzura e também finalista vencido no Euro 2000. Liderou uma geração talentosa mas que falhou em dar à Itália um título que só na Alemanha conseguiria depois de um jejum de 24 anos.
Apenas recebeu um vermelho directo em toda a carreira, e foi expulso por três vezes por acumulação de amarelos. Números únicos num defesa que atestam bem a qualidade e profissionalismo do eterno numero 3. Numero que será retirado a partir do próximo ano ficando guardado para um dos seus dois filhos, que hoje actuam nos juvenis da equipa. Se algum deles chegar á equipa principal herdará a camisola do pai. Depois esta será retirada, para sempre. Eterno. Il Capitano será sempre um desses jogadores. Eterno.


Miguel Lourenço Pereira às 12:35 | link do post | comentar

Sábado, 23 de Maio de 2009

Depois de na época passada o Boavista ter sido despromovido na secretaria hoje o estádio da Luz confirmou a descida do outro grande real, o outro clube a vencer um campeonato de I Divisão para além do trio Porto, Benfica e Sporting.

 

Não é a primeira vez que o Belenenses cai na segunda divisão, mas há muitos anos que nos tinham habituado a circular pelo meio da tabela da Primeira Liga e este ano a equipa de Belem partia com mais um projecto ambicioso para tentar voltar á Europa. Orfãos de Jorge Jesus, os do Restelo apostaram em -----. O técnico montou uma equipa quase de raiz e não teve sucesso e o seu substituto, Jaime Pacheco, o tal técnico que quebrou a hegemonia dos grandes no Boavista, tomou controlo da situação mas não soube dar a volta. O Belenenses foi caindo pouco a pouco na classificação e chegou á penultima jornada praticamente condenado. O treinador foi-se embora e o jovem Rui Jorge, vindo dos juniores, tentou o milagre. Á primeira funcionou á segunda não. Diante dos encarnados, desejosos de limpar a imagem de uma péssima época diante dos seus adeptos, o Belenenses provou não ter futebol para estar na divisão maior do futebol nacional. Foram derrotados por 3-1, sem apelo nem agravo, apesar do golo inicial, e os resultados de Setubal e Rio Ave selaram o destino dos azuis. Para o ano a equipa da Cruz de Cristo vai disputar a Liga Vitalis. E onde já foram cinco equipas campeãs a disputar a I Liga Portuguesa, agora são apenas três...as de sempre. Os históricos continuam a cair no futebol nacional. Resta saber se para não mais voltar...

 

 

O projecto da Trofa

 

Pequena localidade, até há bem pouco tempo parte de Santo Tirso (onde anda o histórico Tirsense?), a Trofa festejou eufórica o ano passado a estreia na primeira divsão portuguesa. O Trofense era uma equipa quase desconhecida para a maioria dos portugueses e a subida foi resultado de uma excelente época na II Liga, quando ninguém apostava um centimo pelo clube dos suburbios do Porto.

 

Este ano o Trofense terminou em último. Treinado pelo jovem Tulipa, a equipa da Trofa até conseguiu roubar pontos aos grandes e exibir bom futebol. Mas ficou claro, desde a primeira jornada, que o projecto do clube trofense era pouco para a exigência da I Liga. Um pequeno estádio com pouco público, uma equipa pouco ambiciosa com um Hugo Leal em final acentuado de carreira e onde o único ponto de destaque acabou por ser o jovem Tiago Pinto, um nome a ter em atenção para a defesa esquerda de Portugal do futuro. O Trofense desceu naturalmente e isso é um aviso á navegaçao a equipas da II Liga, como o Olhanense. Subir de divisão é muitas vezes um choque muito forte para equipas que não estão preparadas a nivel económico e competitivo para lutar entre os grandes. Não me admirararia que este clube não voltasse a por os pés na Liga Sagres, como aconteceu com tantos clubes da zona Norte (Famalicão, Aves, Vizela, Fafe, Moreirense, Tirsense) que resultam em projectos pouco sólidos e inviáveis. Fica o aviso á navegação!

 



Miguel Lourenço Pereira às 22:20 | link do post | comentar

Durante anos foi um dos grandes desconhecidos na Bundesliga. Sobrevivia graças ao financiamento da Volkswagen, cujos emrpegados fundaram a cidade no final do século XIX. Hoje conseguiu, pela primeira vez, ultrapassar por um dia a fama do seu patrono. Hoje a empresa do povo está de parabens. Pela primeira vez o VL Wolfsburg conquistou a liga. A vitória que o povo alemão queria.

Não há clube com mais adeptos em terras teutónicas do que o Bayern Munchen. Mas, por uma vez, hoje todo o país esperava ansioso por um desfecho diferente do habitual. Um David contra Golias a centena de kilometros de distância com espectadores de luxo. Até quatro equipas podiam sagrar-se campeãs hoje. Mas só uma o merecia verdadeiramente. Os verde e brancos começaram a temporada timidamente, ofuscados pelo brilhante arranque do Hoffenheim. A pouco e pouco, os golos do jovem Dzeko (de quem já falamos) e do brasileiro Grafite, a viver uma segunda juventude, foram levando o Wolfsburg trepar pela tabela. Até que chegou aquele jogo contra o Bayern. A equipa de Munique liderava a prova, depois de ultrapassar o campeão de inverno, e podia ter rematado o campeonato. Mas Felix Magath - que já logrou o titulo na capital da Baviera e foi posteriomente despedido sem apelo nem agravo - tinha um trunfo na manga. A equipa do povo saiu derrotada por 5-1 com aquele golo inesquecivel de Grafite. O momento de ousadia que definiu a temporada.

 

Com o coração nas mãos a equipa do Wolfsburg chegou á última jornada apenas a depender de si própria. Mas na Alemanha já viram este filme com um destino trágico para os que se atreviam a desafiar os baváros. O Bayern tinha de defrontar o Sttutgart - em terceiro e com opções de ser campeão - e o Hertha de Berlin também tinha opções. E o pior era que or rival era nem mais nem menos que o Werder Bremen, ferido no orgulho pela derrota de quarta-feira em Istambul, e com Diego a querer despedir-se em grande. Havia muito em jogo e a pressão era total. Os outros não tinham nada a perder. O pequeno clube de Wolfsburg tinha de dar o tudo por tudo.

Os contos de fada, ainda existem. Em Munique o Bayern fez o seu papel e bateu o rival directo. Tudo dependia do que estivesse a passar nesse momento no Volkswagen Arena. Doze anos depois de subir de divisão o públicou finalmente pode explodir de alegria. O golo de Diego foi indiferente. Tal como tinha acontecido em tantas ocasiões, o duo atacante da equipa da casa resolveu o jogo e o titulo. O brasileiro Grafite apontou mais dois golos, e com 28 sagrou-se melhor marcador da prova. O seu inseprável companheiro bósnio, Edin Dzeko, também marcou e desatou a eurofia nas bancadas. Magath sorria no banco. O apito final nem era necessário já que o marcador gritava 5-1 a favor dos da casa. Fez-se história no futebol alemão e voltou a provar-se de que um projecto sólido vale muito mais que um orçamento milionário. Josué, Dzeko, Grafite, Barzagli, Benaglio, Zaccardo, Misimovic ou Ricardo Costa, não são grandes estrelas com salários milionários. Mas Magath - que já anunciou que para o próximo ano será o técnico do Schalke 04, soube montar um plantel equilibrado e trabalhador. Nunca abdicou do futebol de ataque e recebeu o justo prémio final.

 

É apenas o primeiro titulo e perante a debandada de alguns dos seus nomes mais ilustres, a começar pelo técnico, pode até bem ser o único da história deste pequeno clube. Longe continua o Bayern com os seus 20 campeonatos em 50 anos de prova. Mas se algo aprendemos este ano é que o valor dos sonhos fazem milagres. Em Wolfsburg os mais novos já têm uma história para contar aos seus netos...."Lembro-me bem daquele dia em que a cidade se vestiu de verde...foi a 23 de Maio de 2009 que fomos campeões da Alemnha...naquele dia todos sentimos que era a vitória que o povo queria". 



Miguel Lourenço Pereira às 19:58 | link do post | comentar

O futebol brasileiro continua a formar talentos a um ritmo endiabrado. A velha anedota de que o Brasil podia apresentar quatro ou cinco selecções diferentes continua a ser válida, apesar dos dias difíceis de Dunga e companhia. Com o presente em clara crise os brasileiros já olham para o que baptizaram como “Geração 2014”. O nome é fácil de perceber. Daqui a cinco anos o Mundial regressão as terras de Vera Cruz e os brasileiros não perdoaram nova derrota depois do escândalo de 1950. Para tal já preparam uma selecção de futuro sem os cancros do presente. E o homem que está chamado a liderar o ataque dessa equipa tem deixado toda a Europa a salivar…afinal, quem não queria contratar Keirrison?

 

O seu grande rival Alexandre Pato já reina em Milão. Aproveitara as saídas de Shevchenko e Ronaldinho e a idade de Inzaghi para afirmar-se como o futuro avançado de Millanelo. O consagrar de uma carreira de um menino-prodígio, desde os dias de juvenil, o que obrigou o próprio Internacional de Porto Alegre, seu clube de origem, a blindar o seu contracto. De pouco valeu. Aos seis meses de estrear-se já vinha a caminho de Milão, onde sucederá ao seu amigo Kaka como rei entre os adeptos.

Keririson é o oposto de Pato. Menos no talento. Não é menino rico, não foi tratado como estrela desde pequeno. Suou para chegar onde anda. Equiparado varias vezes a Romario pela facilidade com que domina o jogo na grande área, o jovem avançado é um matador perfeito. Joga bem com os dois pés, tem bom golpe de cabeça, sabe jogar de costas para a baliza mas é diante desta que é letal. No primeiro ano como profissional apontou 60 golos. Jogava no Curitiba, um cube pequeno e sem grande mediatismo, e rapidamente se fez estrela. Estava emprestado pelo Palmeiras que rapidamente o quis recuperar, mas o problema de Keirison é o mesmo da maioria dos jovens prodígios brasileiros que assinam contractos não com clubes mas agencias. E a sua está desejosa de o levar por uns bons milhões para o Velho Continente. 

O avançado brasileiro já afirmou varias vezes que queria seguir os seus ídolos e entrar no Camp Nou com a camisola do Barcelona. A relação de amor entre o Brasil e a Catalunha começou nos anos 70 com Marinho Peres e prosseguiu nos anos 90 com Romario, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Keirisson quer ser o próximo na lista estelar desta versão caipira do Barca. Mas a verdade é que os agentes que detém controlo do seu contracto querem mais dinheiro do que os blaugrana estão dispostos a oferecer e é aí onde entram os outros tubarões.

Inter, Chelsea, Man Utd, Real Madrid, Liverpool, Juventus, não houve nenhum que não tivesse feito uma proposta para contratar o jovem jogador que ainda nem logrou ser internacional apesar de já ser apontado como o ponta de lança a ter em atenção para a próxima década. Dunga é teimoso, já se viu, e tem dado poucas opções a novos rostos mas Keirisson é paciente e sabe que a sua hora chegará. Este Verão parece inevitável que deixe o Brasileirao por uma qualquer liga europeia. Como ele há uma autêntica ninhada de futuros craques. Nem todos sobreviverão no difícil mundo do futebol europeu. Mas este avançado é especial. Nota-se no porte, nos movimentos na área, no celebrar. O futuro do futebol brasileiro é incerto porque há sempre tanto por onde escolher. Mas imaginar o Maracanã cheio para a final do Mundial 2014 e não imaginar Keirisson a liderar o ataque do escrete que sonha com o Hexacampeonato.


Miguel Lourenço Pereira às 16:25 | link do post | comentar

A vida é feita de altos e baixos. O futebol não poderia ser diferente. Mas há casos e casos e a época 2008/2009 vai certamente ficar para a história. Nunca se tinha vivido um arranque de época tão entusiasmante, com equipas vindas praticamente do nada a tomar de assalto os primeiros postos. E agora, a um dia do final da época na maioria das ligas europeias, podemos constatar que foi sol de pouca dura, que a realidade é crua e que quanto mais alto se sobe, mais alta é a queda. O que é novidade é que tenha sido um fenómeno simultâneo em quase todas as ligas. De todas as equipas sensações da primeira volta – e houve-as para todos os gostos e feitios – nenhuma sobreviveu ao dobrar de ano e algumas quantas acabam a época com a corda na garganta. Quem disse que o futebol era imprevisível? 

Comecemos por este pequeno país à beira mar plantado.

Face ao arranque penoso do tricampeão e dos pontos perdidos, aqui e ali, pelos crónicos candidatos, do nada emergiu um líder surpreendente, que fez eco por toda a Europa. Na época anterior o estádio do Mar tinha vivido a ilusão da subida de divisão e o drama da permanência até ao fim. As expectativas para esta temporada não eram diferentes, mas de repente aí estavam, os bebés de Matosinhos, a vencer a grandes e a pequenos, em casa e fora. E o Leixões era líder. Pela primeira vez na sua história. Liderava a Superliga com uma equipa super-eficaz. Braga era o maestro de um onze orquestrado com a eficácia e simplicidade de José Mota, que desde Beto nas redes ao avançado Wesley, tinha uma equipa de ganhadores. Durante o frio e chuvoso Outono o Leixões pôde mais que os outros e manteve-se firme. Vergou o campeão em casa e fez sofrer águias e leões. Até que chegou o Natal. Começou o marcador a ficar vazio, de golos, de emoção, de esperança. A liderança perdeu-se, o segundo lugar também. Começou a queda livre. A venda do elemento chave não ajudou, mas isto de ser pequeno tem destas coisas. E agora aí está, depois de derrotas surpreendentes, o ambicioso Leixões, no sexto lugar, que nem é má posição para quem temia descer, mas que em nada tem a ver – em ponto e jogo – com a equipa que arrancou o sonho aos milhares de adeptos que inundavam o Mar…
 
Aqui ao lado fenómeno similar. Enquanto Barcelona e Madrid enchiam capas, duas pequenas equipas, Valladolid e Málaga, começavam a trepar timidamente na classificação até estar em lugares de glória, improváveis a principio. Sonhou-se com o hino da Champions em Pucela e La Rosaleda. No final a época é larga e carrasca e a Europa, e não só a dos milionários, ficou de fora das contas. Os empates e derrotas foram atrapalhando os sonhos, e no fim de contas serão os mesmos a beber da fonte do dinheiro uefeiro. Aos pequenos restam-lhe as pequenas referencias nesse livro esquecido que é a história. 

Em Itália e Inglaterra o fenómeno foi ainda mais acentuado, já que as grande sensações da época começaram a sonhar alto e terminam o ano com um pé no poço.

O regresso da Napoli era algo que milhares de fãs nostálgicos do beautiful game ansiavam. O clube de Careca, Alemão e Maradona, o símbolo do sul de Itália contra o norte industrial e os clubes da capital, tinha descido aos infernos, mudado de nome e subido a pulso. Na primeira época na Série A regressou à UEFA e tinha criado um projecto ambicioso que o levasse a outros palcos. Os mesmos de há vinte anos atrás. A época começou de bom augúrio, e com as quedas de AC Milan, AS Roma e Juventus, os napolitanos subiam na classificação, lado a lado com Fiorentina, AS Lazio e Genoa no ataque ao intocável Inter. Da magia napolitana rapidamente se passou ao desespero. No espaço de três meses a equipa caiu mais de dez posições na tabela e está agora a apenas três postos da linha de água. Será salva, mais tarde ou cedo, mas no limite. Algo impensável para os que já sonhavam com o regresso do Scudetto.
 
Em Inglaterra os tigres de Hull tinham chegado directamente da Coca Cola Championship e ninguém apostava um cêntimo por eles. Parecia terem já carimbado o bilhete de volta, até que começaram a ganhar em tudo o que é campo, e do nada viam-se em lugar de Champions. Muita fruta para uma terra e um clube tão verde ainda nestas histórias. O Hull ainda se aguentou nos postos europeus um bom par de meses, sabendo que os cães que lhe mordiam os pés tinham mais poder de fogo para estas coisas. Quando a realidade desceu à terra os jogadores perderam a aura mágica e começaram a fazer o que se esperava: perder em tudo o que é campo. Hoje o Hull City tem meio pé fora da Premier. Disputa com Newcastle e Middlesborough a descida de divisão. Joga com o Man Utd e tem sorte que a equipa de Ferguson esteja com a cabeça em Roma. Mas pode não ser suficiente. E o conto de fadas terminaria como uma história de terror.

 

Resta-nos nesta história o caso mais singular entre todos. E também o mais elucidativo, que disto de brincar aos campeões não é para todos. Devia, mas não é. Na Alemanha surgiu do nada um clube de uma cidade minúscula, que com o dinheiro do seu presidente, um milionário antigo jogador da entidade, foi subindo a pulso de divisão. Contratando jogadores desconhecidos, o TSG 1899 Hoffenheim irrompeu na Bundesliga como um trovão. Os golos de Vedad Ibisevic e os passes de Carlos Eduardo foram rasgando as defesas contrárias, e depressa o pequeno clube subiu ao primeiro lugar. E foi mesmo campeão de Inverno, feito histórico nestas terras e ainda para mais com esta concorrência. Quando voltou o campeonato, já sem a estrela da casa, os adeptos azuis voltaram à realidade. A equipa durante uns dois meses ainda lutou por estrear-se na Europa, mas foi caindo na classificação à medida que outros iam trepando. Como o Wolfsburgo, que percebeu que o importante não é começar bem, é acabar melhor. A equipa do oeste alemão dificilmente irá à próxima Taça UEFA. Mas pelo menos deixou o aviso. Para o ano não se surpreendam.

 

 Depois do que vimos este ano ficam duas coisas claras. Começar bem não significa terminar lá em cima e que ser pequeno, para algumas coisas, ainda conta. Especialmente se há que correr dez meses sem parar.



Miguel Lourenço Pereira às 00:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)

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