
O Boavista só dependia de si próprio, um cálculo pouco usual para uma equipa que passou o ano a sofrer. De más arbitragens, de más exibições, de uma má gestão…tantas coisas más num ano sem um único sorriso. Rui Bento tentou mas este técnico não é milagreiro. Um grupo de jovens juniores não é capaz de imitar, assim como assim, os Martelinhos, Doualas, Litos ou Ricardos do passado. E a equipa foi-se afogando, uma morte lenta que parecia um autêntico suplicio de Tântalo. A vitória na passada semana deu esperanças à Pantera. Ainda era possível evitar o pesadelo de voltar a cair, desta vez para um poço ainda mais fundo, onde há mais de quarenta anos não andavam. Só precisavam de ganhar ao Sporting da Covilhã. Contra o outro Sporting, o de Lisboa, este Bessa viveu noites inesquecíveis e gloriosas. Este parecia presa fácil desses fantasmas do passado. Mas a pantera fez-se gatinho e os leões da serra rugiram bem alto, alto demais para os jovens das camisolas esquisitas aguentarem. Veio o primeiro, o segundo, terceiro e quarto. Tiros secos, balas certeiras. Da rádio outro tiro, este, fatal. Os dois rivais directos empatavam e condenavam o boavisteiro a chorar. Outra vez.

Pela primeira vez um campeão de futebol nacional vai estar fora do futebol profissional. Um sinal de que a vida para os lados do Bessa está dura. A descida do Belenenses e a queda do Boavista espelha hoje, mais que nunca, o fraco nível da nossa liga onde só os três grandes se mantêm aí em cima. Como sempre aliás. O Boavista até pode ainda beneficiar de um milagre – se na secretaria o Vizela for despromovido por um caso que remonta a 2003 – mas o mais certo é que para o ano a equipa caia na II Divisão B. A SAD pode ter os dias contados, o estádio pode estar ameaçado tantas são as dividas acumuladas pelos axadrezados. O plantel voltará a ser feito à base da prata da casa porque nem para salários há dinheiro. Nunca a vida da pantera foi tão negra.
E quiçás a noticia que chega do norte da Invicta, onde o antiguinho Salgueiros confirmou o titulo de campeão da II Distrital da AFP, e com goleada incluída, pode alimentar essa réstia de esperança. É verdade que, hoje, a segunda cidade do país conta com o campeão e nada mais na elite do nosso futebol. Mas esses dois grandes históricos terão de se aferrar à esperança, para um dia voltarem a pisar os grandes relvados de cabeça bem alta. Porque a hora da Alma e da Pantera chegará…até lá, sofrer e vencer!