Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

O Tetracampeonato conquistado devia supor um ano glorioso para os dragões. Mas 2008/2009 não entrará para a história como um dos melhores da entidade. Desde o atribulado inicio de época com o conflito com a UEFA que se previa que este seria um ano complexo. As saídas (esperadas) de Bosingwa, Paulo Assunção e Ricardo Quaresma não foram devidamente cobertas. Sapunaru, Benitez, Guarin, Pele e Tomas Costa nunca ultrapassaram a mediania e cedo demonstraram o imenso rombo que havia no plantel portista. Fernando, no meio campo, e Hulk e Rodriguez, a partir do Inverno, foram os únicos aspectos positivos que Jesualdo Ferreira encontrou numa equipa que perdeu o jogo pelas alas para encher o meio-campo onde Lucho e Raul Meireles estiveram em sub-rendimento a maior parte do ano. A fraca capacidade goleadora de Lisandro agudizou o problema que se chegou a estender à baliza, onde até Helton esteve perto de ser crucificado. Eram dias difíceis os das derrotas com Naval e Leixões em casa, e em Kiev para a Champions. Jesualdo pedia tempo mas as semanas passavam e os rivais afastavam-se.
Se há título azul e branco este ano, deve-se claramente à péssima época dos rivais. Até Dezembro o FC Porto pode recuperar a liderança donde não voltou a sair. A equipa não jogava bem, e apesar de Cissokho ter limado arestas à esquerda (abrindo a Fucile o lado direito), o futebol era previsível, lento e funcionava melhor no contra-golpe visitante do que no Dragão, onde penetrar defesas rivais se tornava num autentico quebra-cabeças. Os suplentes de Jesualdo foram resolvendo alguns jogos complicados e entre Janeiro e Março a equipa atravessou o seu melhor momento. Mas nos derbys nunca se impôs e na Europa não ganhou um único jogo desde a fase de grupos, apesar de ter feito suar o campeão em título nos Quartos. A vitória no campeonato foi natural a partir do momento em que Benfica e Sporting tropeçaram de vez. O Porto mostrou-se mais forte mentalmente e foi aguentando as últimas finais, para sagrar-se campeão a dois jogos do fim. Longe da equipa que venceu o primeiro Tetra – uma maquina de futebol de ataque – e até mesmo do futebol directo dos últimos anos, este Porto é claramente uma equipa de transição. Jesualdo ficará para o penta mas sabe que tem de mudar muita coisa. As contratações anunciadas (Orlando Sá, Varela, Miguel Lopes e o regressado Nuno Coelho) significam mais juventude, ou seja, mais trabalho de entronização. Os reforços de que se falam não são propriamente jogadores feitos e de nível, como aconteceu na época em que chegaram Lucho e Lisandro. O certo é que o FC Porto terá de procurar outro esquema de jogo e aumentar os níveis de eficácia. Parte como favorito e como sempre dependerá muito do nível dos rivais. A continuar assim tão baixo, o Penta pode mesmo ser uma realidade com um retoque de imagem. É o nível do nosso campeonato!

Pelo quarto ano consecutivo o FC Porto é campeão nacional. Pelo quarto ano consecutivo o Sporting contenta-se com o segundo posto. Se há dois anos ainda sonhou legitimamente com o título – resultado da péssima segunda volta azul e branca – a verdade é que está claro que esta é a posição máxima que este clube pode aspirar com a política desportiva adoptada. Paulo Bento tem sido alvo de várias criticas, mas sem ovos não se fazem omoletes, e o técnico sabe que está aí em cima mais graças ao seu trabalho como gestor de jovens talentos e, principalmente, aos golos de Liedson, do que propriamente ao investimento na equipa. A falta de estabilidade desportiva e de injecções financeiras importantes fazem do plantel leonino o mais débil do dos três grandes. Muitos jovens de formação, jogadores de nível médio e claro, o Levezinho. Não há mais. Daniel Carriço foi a grande revelação do onze leonino, empurrando Tonel para o banco de suplentes, enquanto que a Adrien, Pereirinha e Djalo, falta um pouco mais de traquejo para impor-se no onze. Miguel Veloso e João Moutinho foram casos à parte. Forçaram a saída e acabaram por ficar. O capitão aceitou tranquilamente e foi igual a si próprio todo o ano, um jogador pausado, tranquilo, equilibrador, mas sem um pingo de génio que justifique os números que pedem por ele. É um sucessor natural de Hugo Viana mas notam-se limitações claras. Já Miguel Veloso poderia ter um potencial superior, mas um jogador sem cabeça não é uma boa base para se esperar algo de grandioso. Passou o ano em polémicas, rendeu muito abaixo do esperado e foi a ovelha negra da equipa. Poderá ser vendido este ano, mas fica ele e o Sporting a perder, porque quem o viu este ano – o seu jogo e comportamento – sabe que não é um elemento de fiar.
Também a dupla servia provocou sarilhos e se Stoijkovic acabou por sair, Vuckcevic ainda ajudou a equipa em momentos complicados. Casos a mais para um só técnico resolver, especialmente só contra os leões. Derlei, Postiga e Liedson iam marcando os, poucos golos, que mantinham a racha vitoriosa dos leões, mas a equipa nunca pareceu em reais condições de discutir o titulo. O segundo lugar é mais demérito do rival da segunda circular que conquista em campo. Se a próxima direcção não traz outra ideia a Alvalade, da equipa verde e branca não se poderá esperar muito mais para o próximo ano.

À partida todos eram unânimes na qualidade acima da media do plantel do SL Benfica para esta época. Rui Costa tentou trazer Queiroz e Erikson e falhou em toda a linha e teve de se contentar com Quique Sanchez Flores, técnico sem títulos mas com reputação no pais vizinho. Para o novo mister trouxe reforços de luxo, os argentinos Aimar e Di Maria, o hondurenho Suazo (por empréstimo), Urreta e Balboa e ainda Ruben Amorim, autor de uma notável época no Restelo. Parecia um plantel bastante mais equilibrado do que em anos transactos e a equipa nem arrancou mal a época. Rapidamente se percebeu a ignorância do técnico face ao futebol português e a dificuldade de encontrar um onze tipo. Mudou-se de guarda-redes (jogaram os três do plantel), mudaram-se avançados, extremos, centrais, enfim, Luisao e Katsouranis acabaram por ser os jogadores mais utilizados numa equipa que parecia estar firme a princípio de época mas que se desmoronou à primeira. Chegou a liderar a prova mas não aguentou nem duas jornadas e a partir daí entrou em queda livre, oferecendo o segundo posto de bandeja ao rival lisboeta. A vitória em Braga foi como um murro na mesa, quando já se especulava sobre outra ausência do pódio, como no ano passado, mas 2008/2009 volta a ser uma desilusão na Luz. O presidente já perdeu todo o crédito, Rui Costa não mostrou destreza e no final de contas Quique também nunca ajudou verdadeiramente. A sua saída é inevitável, apesar de custosa, mas mais do que um técnico, o clube encarnado tem de ser mais ambicioso se quer lograr ir mais longe.