Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

 

Foi a grande sensação da temporada e pagou cara a falta de preparação para aguentar voos tão altos. Uma equipa pequena com apenas o objectivo de não descer – e nisso José Mota e Vítor Oliveira foram sempre claros – acabou por poder sonhar com a Taça UEFA. Em outro anos o posto alcançado teria sido suficiente, mas a baixa do futebol português quebrou a segunda participação dos leixonenses em dez anos. A equipa arrancou de forma demoníaca graças à combinação Braga-Wesley e aos punhos de ferro de Beto e bateu os grandes candidatos ao título, isolando-se no primeiro posto. Aguentou-se nos primeiros lugares até ao Natal e depois foi forçado a vender os anéis (Wesley) para não perder os dedos. Chumbinho não explodiu como esperado e a capacidade ofensiva foi desaparecendo. O Leixões conseguiu o seu objectivo e depois pareceu desistir da prova deixando-se apanhar na classificação até terminar num honroso sexto posto. Muito para um clube tão pequeno, pouco para quem esteve tão alto.

 

Domingo Paciência confessou que, se a equipa jogasse fora como o fez no Municipal de Coimbra, os estudantes iriam à Europa pela primeira vez em muitos anos. E di-lo com razão. A campanha em casa da Briosa foi excelente, ao nível de um campeão, mas cada deslocação era um quebra-cabeças. Depois de ter passado metade da época perto dos lugares de descida, os estudantes arrancaram para um óptimo final de temporada ultrapassando mesmo rivais de maior potencial, ficando às portas das provas europeias. Numa equipa sem grandes figuras, onde o guarda-redes Peskovic e N`Doye foram os elementos chave, a Académica vai sentir falta de Domingos – previsivelmente a caminho de Braga – e para o ano terá de começar tudo de novo outra vez.

 

A desilusão numero um da temporada sem margem para dúvidas. Começou por ambicionar chegar à fase de grupos na Champions mas uma arbitragem desastrada atirou-os para a Taça UEFA onde acabou aos pés do Portsmouth, que mais tarde seria afastado pelos rivais de Braga. O planeamento da época de Manuel Cajuda foi decepcionante. Para os postos chave de Geromel e Ghilas nunca houve reais alternativas e a equipa jogou sempre com a sensação de estar partida. Fraca na defesa, ineficaz no ataque, o Vitória chegou a estar perto da linha de água e foi aos poucos recuperando, sem no entanto nunca ter dado ideia de poder voltar a disputar um lugar de topo. Cajuda poderá ficar uma época mais mas o plantel precisa de uma reviravolta se quer aspirar a um novo brilharete.

 

Ao contrário do Nacional o Marítimo é o exemplo perfeito de uma má gestão desportiva que, anos atrás ano, falha em conseguir a consistência para atacar voos mais altos. O despedimento de Lori Sandri, quando ainda lutava pela UEFA é incompreensível, especialmente porque o técnico brasileiro tinha delineado um plantel interessante, que apesar de estar uns furos abaixo do esperado, tinha sempre estado a meio da tabela. Carvalhal não trouxe nada de novo aos maritimistas e hipotecou qualquer hipótese de subir na tabela, acabando mesmo por ser ultrapassada pela Briosa. O Marítimo arrancou bem e a meio da época começou a cair na tabela e nunca mais se refez. Comparado com o rival do Funchal, os verde rubros voltam a sair a perder o que já se tornou numa constante nesta década e que demonstra que daquele Marítimo ganhador dos dias de Paulo Autuori pouco resta.

 

Para o próximo ano os castores estão na Taça UEFA graças à sua meritória prestação na Taça de Portugal onde conseguiram chegar até ao Jamor. No campeonato os da Mata Real foram sempre regulares sem nunca ultrapassar os mínimos exigidos. Brincaram com a descida em várias ocasiões mas foram conquistando pontos-chave para garantir a manutenção antes das últimas três jornadas. Paulo Sérgio herdou a equipa de José Mota e confirmou que é um bom discípulo. O 4-3-3 do Paços foi eficaz e a veia goleadora de William essencial. Com a lesão do então melhor marcador da prova, a equipa foi baixando de rendimento, mas mantiveram a cabeça alta e garantiram a manutenção sem problemas. Para o ano não se espera muito da presença europeia e fica a dúvida de se a participação poderá prejudicar a participação na liga.

 

O clube com mais mérito em toda a época 2008/2009. Desde o princípio se percebeu que algo estava mal na Reboleira. Às vitórias iniciais seguiram-se os problemas e Lito Vidigal foi o primeiro a abandonar o barco. A equipa deixou de receber os salários que lhes correspondiam e assim tiveram ao longo de todo o ano, sobrevivendo com ajudas do Sindicato e Federação. A direcção do clube multiplicou-se em promessas e mentiras e nunca resolveu verdadeiramente o caótico estado em que estava o clube. Em campo os jogadores pareciam de ferro. Estiveram semanas sem treinar e mesmo assim foram conquistando vitórias importantes e inesperadas, conseguindo desde cedo uma tranquilidade inesperada. Apesar de já ter perdido três pontos na secretaria e haver a ameaça de despromoção administrativas, a equipa da Amadora provou que a raça e o espírito de sacrifício são capazes de ultrapassar os mais graves dos problemas. Um aplauso! 



Miguel Lourenço Pereira às 10:27 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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