Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Com todos os focos colocados num duelo que parece deslocado do calendário, numa gélida segunda-feira, há palpites e apostas para todos os gostos. Mas, como é hábito, Mourinho volta a ter razão. Longe do excitamento que provoca um duelo a eliminar, este confronto ligueiro pouco deixa antecipar sobre o final da liga. Afinal, passe o que passar, amanhã é sempre terça-feira...

Vendam-no como quiserem (Guardiola vs Mourinho, Messi vs Ronaldo, Valdés vs Casillas, cantera vs milhões, Catalunha vs Espanha, etc...).

Não há nunca um pretexto suficiente para escapar ao ritmo vertiginoso de um "Clásico" à espanhola. O duelo mais mediático da história do futebol arranca hoje com as vistas postas em Maio. Falta muito, demasiado talvez, mais de 25 jogos. E no entanto todos olham para o primeiro encontro entre o Real Madrid de José Mourinho, líder e invicta, com o Barcelona de Josep Guardiola, perseguidor directo e favorito da critica e público, como se fosse o fim do Mundo. Porque nestes confrontos mediáticos o que importa mesmo é a fatalidade dos duelos, o ritmo dos vencedores e o desalento dos vencidos. Um empate, resultado sensaborão, agradára mais aos técnicos do que à imprensa. Mourinho quer sair do Camp Nou invicto, líder e com a moral alta. Para isso não precisa de ganhar, apesar de ser um tónico único para um projecto que funciona de forma acelerada face ao previsto. O empate seria uma demonstração de igualdade impensável para muitos desde o arranque da sua aventura. Significava manter-se, uma semana mais, líder. E manter-se, uma semana mais, invencivel. Calculista como poucos, o portugês sabe que nesta liga espanhola tão bipolar, perder pontos é algo muito menos comum do que sucede em Inglaterra ou Itália. E por isso os duelos directos contam, e muito. No ano transacto o Real Madrid perdeu o titulo por 4 pontos porque perdeu os dois duelos com o rival de Barcelona. Equação simples portanto para o português resolver. Não perder é tão importante como ganhar. Porque amanhã é terça-feira e há tempo para recuperar (pelo menos um clássico para recuperar lá para Março).

 

Do outro lado da barricada o stress começa a deixar sequelas na imaculada equipa de Josep Guardiola.

Este Barcelona perdeu a eficácia e estética da equipa do primeiro ano de Pep e nota-se mais cansada do que na época transacta. Também é verdade que apresenta números imelhoráveis e está a apenas um ponto da liderança. Tal como há um ano, liderança ganha para não voltar a ser perdida num duelo contra o próprio Madrid. Valeu um golo tardio de Zlatan Ibrahimovic que hoje não está. Messi liderará o ataque contra um técnico a quem nunca marcou. Villa e Pedro seriam a aposta mais ofensiva, Iniesta e Villa a mais provável. Para asfixiar o meio-campo rival, Guardiola pode deixar espaço a Keita para ajudar Xavi no trabalho sujo e permitir a Busquets uma marcação mais cerrada a Ozil, o artifice do conjunto madrileño que oscila entre noites perfeitas e apagões inexplicáveis. Secar Ozil para o Madrid é quase tão grave como secar Xavi para o Barça. Aí movem-se as principais peças do jogo apesar dos médios concentrarem-se, uma vez mais, no duelo Messi e Cristiano, os dois rivais eternos por tudo o que é prémio individual, por muito que tentem não aparentá-lo.

Guardiola tem de ganhar porque isso significa dar um murro na mesa, recuperar a liderança e por o Madrid intocável em sentido. Se há um ano a equipa merengue já tinha vivido o "alconcornazo", o sofrimento na Champions e a primeira derrota na Liga, este ano a equipa do português transpira a confiança que o Barça quer para si. Vencer é defender o status quo. Empatar é o mal menor de não cair em casa com o eterno rival e manter as distâncias sabendo sempre que o Real Madrid ainda tem de defrontar os grandes da comunidade Valenciana e que há outro duelo, no Bernabeu, no mês de todas decisões. Por muito que a imprensa queira vender, também em Can Barça, o fim do Mundo, Pep sabe melhor que ninguém que ao contrário do duelo contra o Inter, onde foi subjugado até à medula pela estratégia de Mourinho, agora a margem de manobra é infinitamente maior. E que todos perderão pontos. Poucos, é certo, mas pontos perdidos ao fim e ao cabo. Que podem valer mais do que um duelo, cara a cara.

 

A história ensinou-nos que o Barça-Madrid é mais do que um jogo. Uma luta histórica entre filosofias, culturas, nações e mentalidades bem distintas. À parte do aspecto sócio-cultural, o caracter desportivo do confronto teve os seus altos e baixos. Este ano viverá, provavelmente, um dos seus pontos mais altos. A melhor equipa do Mundo contra a grande rival para usurpar-lhe o título em questão. Os melhores do Planeta nas suas posições (Casillas-Valdés, Marcelo-Alves, Pique-Pepe, Carvalho-Puyol, Xavi-Ozil, Ronaldo-Messi), onze campeões do Mundo em titulo, os últimos dois Ballon´s D´Or e os técnicos que fazem com que valha a pena deixar de lado as estrelas para concentarmo-nos nos cadernos de notas. Apetecível sem dúvida. Mas amanhã será sempre terça-feira.



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 08:31 | link do post | comentar

4 comentários:
De Joao K. a 29 de Novembro de 2010 às 22:22
Então o Marcelo com o super Mouriho não tinha sofrido uma metamorfose? LOL


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Novembro de 2010 às 08:14
João,

O Marcelo, como toda a equipa, ontem à noite esteve lastimável. Querer reduzir uma clara evolução técnico-táctica de um jogador, que na sua posição este ano só pode ser comparado a Gareth Bale (que até tem jogado mais avnçado), a um só jogo, por muito mau que tenha sido, é um raciocínio tão rudimentar como a Idade da Pedra.

Um abraço


De Joao K. a 30 de Novembro de 2010 às 12:45
O Marcelo continua o mesmo lateral vulgar que chegou a Madrid há uns 4 anos anos. Não lhe noto evolução nenhuma, essa da metamorfose foi mais uma invenção criada pelos jornalistas portugueses para dar ênfase ao trabalho do Mourinho. O Marcelo tal como o Di Maria são jogadores sem capacidade para estas andanças, mas claro que contra as equipas falidas do futebol espanhol conseguem disfarçar as suas limitações e até brilhar.

Abraço.


De Miguel Lourenço Pereira a 30 de Novembro de 2010 às 12:51
João,

São opiniões claro, das quais discordo. O Marcelo que chegou há quatro anos era um lateral totalmente por pulir mas tem umas condições muito similares à do Dani Alves. Nestes meses tem subido de produção de forma constante, tanto a defender como a atacar. Ontem foi o pior da defesa, culpado directo em pelo menos, metade dos golos. É uma licção para o futuro.

Quanto ao Di Maria, ontem empequenou-se, tens toda a razão. Como toda a equipa. Mas tem sido uma peça importante neste novo RM. Claro que se comparamos com Pedro sai a perder, o espanhol é mais incisivo. Este Barcelona é muito mais equipa e ganha a nivel individual em quase todos os duelos. Mas continuo a acreditar que ambos têm muito potencial e que no final do ano a tua opinião seja mais optimista ;-)

um abraço


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