A vitória por 2-0 frente ao surpreendente Mainz confirma as grandes sensações dadas no arranque de época por um ressuscitado Borussia Dortmund. O campeão europeu de 1996 ainda está a anos-luz daquela fenomenal equipa orientada por Ottmar Hitzfeld, mas depois de ter descido aos abismos da crise financeira, é impactante ver a raiva que destila cada grito de golo no mágico Westfallenstadion. O Dortmund quer voltar a ser um grande.

A época passada já tinha aberto a perspectiva de um Dortmund renascido.
O conjunto histórico do Rhur superou as expectativas e logrou alcançar um posto europeu à frente de favoritos como Stuttgart, Hoffenheim ou Wolfsburg. Um regresso aos palcos europeus conquistado com um brilhante sprint final onde começou a ganhar forma a legião de jovens lobos que o técnico Jurgen Klopp preparou ao longo da época. Mario Gotze, Neven Subotic, Nuri Sahin, Matts Hummels, Kevin Grobkreutz, Sven Bender e Lucas Barrios começavam a encontrar o seu lugar na estratégia do flamante técnico germânico. O público entusiasta do Westfallenstadion voltou a rugir como antigamente. E os resultados apareceram.
O fantasma do final, que rondou o clube a mediados da década e que obrigou até à venda do estádio e do seu naming - hoje conhecido oficialmente como Signal Iduna Park - parece um pesadelo distante. A equipa joga bem, ganha e recupera a ilusão perdida. Aproveitando a onda de regeneração que vive a Bundesliga, Klopp aproveitou o exemplo da equipa nacional e lançou uma série de jovens promessas que começam a ser cada vez mais certezas. Sem dinheiro para gastar no mercado (o japonês Kagawa foi a única inclusão sonante), foi preciso usar a imaginação. E o futebol de formação. Daí surgiu o possante Gotze, o avançado da moda na liga germânica. Mas também a classe do genial Sahin, o jovem turco-germânico que muitos comparam já com Ozil (apesar de Nuri preferir actuar pela selecção otomana), e a rapidez de Grobkreutz. Repescado Hummels do Bayern Munchen e suficientemente amadurecidos os talentos de Subotic e Barrios e o cocktail de talentos ganha forma. E sentido.
O arranque de época do Borussia Dortmund tem superado a mais ambiciosas expectativas.
Relegado inicialmente para um segundo plano depois do espectacular começo do modestíssimo Mainz, a vitória no passado fim-de-semana sobre o conjunto liderado pelo jovem talento Lewis Holtby confirmou a superioridade dos amarelos. No estádio com melhor média de assistências do futebol europeu (superando inclusive Old Trafford ou o Camp Nou), a emoção está em alta. Um triunfo por 0-2 no terreno do rival mais directo pela liderança (os grandes nomes, este ano, estão bem mais longe), e com classe. Aos 25 minutos já Gotze tinha aberto a contagem. Aos 67 foi a vez do paraguaio Lucas Barrios, uma das revelações da época transacta, a fechar a contagem. A passe do inevitável Gotze está claro. Por essa altura já Weidenfeller tinha parado o frouxe penalty de Polanski e acabado com a frouxa reacção do até então lider. Pelo meio o jogo aberto e ofensivo de Klopp com Kagawa no apoio directo à dupla de dianteiros e com Bender e Sahin, a jovem dupla de moda, a pautar o ritmo do miolo. A velocidade fica a cargo de Grobkreutz, que deixou várias vezes em apuro a defesa do desastrado Bungert. Um 4-4-2 bastante móvel que está de moda na Bundesliga e que consagra Klopp como um dos treinadores do momento. O homem que perdeu nas duas últimas jornadas a possibilidade de devolver o Borussia à Champions League já afirmou várias vezes que há que ir passo a passo, relembrando o que sucedeu com o Wolfsburg ou o Sttuttgart, que pagaram bem caro o preço de tentar dar ums alto maior que as próprias pernas. Agora é esse o desafio máximo do clube do Rhur.
A liderança parece inquestionável e até que os favoritos decidam aplicar-se a fundo, com o Bayern Munchen à cabeça, a situação está totalmente sob controlo. Mas a equipa também milita na Europe League onde quer fazer boa figura, apesar do grupo complicado que o sorteio destinou aos germânicos. E há o receio do mercado de Inverno ser um verdadeiro pesadelo para uma equipa de jovens promessas mas ainda com buracos a tapar no orçamento. Muitas curvas no trajecto a precorrer até Maio, até ao suspiro final.

Sonhar com um regresso aos titulos não é impossível para a equipa de Klopp. O plantel é curto mas de qualidade e a explosão momentânea de várias das suas pérolas (o estado de forma de Gotze, Subotic e Bender é notável) tem ajudado a compensar as naturais debilidades do plantel, especialmente nas posições mais recuadas. Resta saber se o Dortmund tem estofo para aguentar a maratona até ao fim ou se o espantoso arranque acaba por se tornar em mais um passo seguro dado na dificil reestruturação de um gigante adormecido.

