Sábado, 14 de Agosto de 2010

Com o esperado regresso do Newcastle United à Premier League os adeptos poderão voltar a ver com regularidade o imponente St. James´ Park. O estádio mais importante do norte de Inglaterra, é um verdadeiro farol desportivo que surge orgulhoso com a planicie de York a um lado e a vista da muralha de Adriano do outro. Um santuário britânico por excelência.

O Newcastle Utd nem é um dos mais antigos clubes ingleses. 

O clube que hoje domina a localidade mais importante do norte inglês é resultado da fusão de dois pequenos clubes locais, em 1892. Quando nasceu o clube, já existia o St. James´ Park. Mas a história de amor entre ambos forjou-se ao longo de mais de 100 anos de tal forma que hoje um e outro são, naturalmente, indissociáveis.

O quarto maior recinto desportivo em Inglaterra (apenas superado por Wembley, Old Trafford, Emirates e o Millenium), o estádio dos Magpies tem uma longa tradição desportiva e ainda hoje é visto como a jóia da coroa do norte inglês. Foi construido em 1880 como um pequeno recinto desportivo para os conjuntos locais num território comunitário, rodeado de parques e casas dos novos senhores ricos da cidade, bem junto do limite da cidade. A construção das primeiras bancadas levou a vários protestos dos locais, que acreditavam que o recinto manchava a imagem distinta da zona no espectro urbano de Newcastle. Mas o progresso desportivo falou mais alto e o nascimento da Gallowgate End, o celebre topo norte. Vinte anos depois, já com a equipa establecida na First Division, a capacidade do estádio foi ampliada para 60 mil lugares com o nascimento de mais duas bancadas, incluindo a Millburn Stand, local onde, desde então, se juntaram os adeptos mais fanáticos dos Toons. Ao seu lado foi construida uma piscina para os filhos dos adeptos passarem as horas em dias de jogos. O estádio começava a ganhar vida própria.

 

Durante a primeira metade do século o St James` Park emergiu como um dos mais importantes e bem construidos estádios de futebol em Inglaterra. Recebia jogos de rugby com regularidade e em 1930 o estádio foi coberto pelo engenhoso arquitecto Archibald Leitch, responsável pela construção de Craven Cottage, Old Trafford, Anfield Road ou Hampden Park. A evolução do recinto estagnou no pós-guerra e isso acabou por levar a FA a vetar o estádio para a lista do Mundial de 1966. Uma decisão que motivou várias disputas entre o clube e o mayor local. Foi mesmo equacionado abandonar St. Jame´s por um novo e multifuncional estádio conjunto com o eterno rival e vizinho Sunderland. A ideia foi abandonada em 1971 quando se começou a trabalhar na renovação do recinto. À medida que o histórico clube nortenho perdia importância dentro do espectro competitivo, mas complicada era a própria renovação do campo. Os topos foram demolidos, especialmente depois do estádio ter sido vetado em questões de segurança pelo relatório Taylor, e a chegada ao clube de John Hall, um milionário local que adquiriu o clube, significou uma lufada de ar fresco para o recinto dos Magpies. À medida que a equipa recuperava a sua importância desportiva, durante o primeiro mandato de Kevin Keegan, o estádio era totalmente renovado e aumentado até chegar a uma capacidade de 53 mil lugares. Suficientes para acertar contas com a história e receber três jogos do Euro 96. Mesmo assim a direcção do clube ponderou construir, pouco tempo depois, um estádio totalmente novo a 1 kms de distância. O projecto foi abandonado e desde então o recinto tornou-se num exemplo de renovação progressiva, algo que nem a súbita descida de divisão dos Magpies alterou.

Este fim de semana, com o arranque da Premier, a bola voltará a rodar num dos seus palcos mais fascinantes. Já utilizado em séries, filmes (a saga Goal) e estádio talismã da selecção inglesa (nunca perdeu sempre que jogou em Newcastle), o St. James´Park continua a ser um verdadeiro farol arquitectónico no tranquilo norte inglês. E um espelho perfeito da evolução de um dos mais antigos santuários do beautiful game.



Miguel Lourenço Pereira às 08:56 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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