Apesar de ser, justamente, uma das máximas potências do futebol mundial, os dois titulos mundiais conquistados pela Argentina ficaram marcados pela mão de Videla, o lider da Junta Militar de 1978, e pela mão de Diego Armando Maradona em 1986. Esta noite os argentinos têm mais uma mão "divina" a juntar á sua particular colecção. O México volta para casa com um bilhete carimbado directamente por Sepp Blatter, organizador de uma prova que teve de tudo até agora, menos futebol.

Estava a ser, na primeira ronda, o Mundial dos erros dos guarda-redes, da bola indomável e das irritantes vuvuzuelas.
Passou a ser o Mundial dos Europeus em desgraça e agora é, como em 2002, o Mundial da Arbitragens. Das más, subentenda-se. Depois do erro da tarde, no vibrante Inglaterra vs Alemanha (talvez o único jogo bom de toda a prova) foi a vez do italiano Rosseti decidir entrar na prova em grande. Um erro imenso da equipa de arbitragem ofereceu a uma pobre, muito pobre, Argentina, o golo inaugural. Um golo que custaria a chegar frente a um onze mexicano que estava a demonstrar ser um osso bem duro de roer. Três potentes remates, com Salcido como protagonista, deixaram Romero em suspenso e Maradona em desespero. O meio-campo sul-americano não encontrava o seu espaço e o jogo rápido dos mexicanos deixava nervoso o combinado celeste. E chegou Rosseti.
Um lance confuso na área, falta de Tevez sobre Perez não assinalada, e a bola nos pés de Leo Messi. O número 10, ausente de todo o jogo uma vez mais, pica a bola sobre a defesa para o golo mas Tevez desvia-a para as redes. Sozinho, com dois defesas atónicos atrás de si, espantados com a clara posição de off-side do argentino. Rossetti validou o golo, depois consultou o quarto árbitro e o fiscal de linha, enquanto o estádio via nos ecras gigantes a repetição do claro fora de jogo. Nem assim a equipa de arbitragem mudou de ideias. FIFA obliges.
Depois do erro imenso do arbitro chegou o erro da defesa mexicana.
Osorio, nervoso do primeiro ao ultimo instante, falhou um toque simples e entregou a bola a Gonzalo Higuain. O dianteiro do Real Madrid, totalmente ausente do jogo, driblou bem o guardião e não desperdiçou a oferta. Em cinco minutos, o árbitro e a inocência defensiva azteca tinham escancarado o apuramento dos argentinos para um quente duelo com a Alemanha. A mesma a quem Maradona ganhou um Mundial. A mesma que lhe devolveu, orgulhosa, o golpe, quatro anos depois.
O segundo tempo surgiu, como um pesadelo para os desalentados mexicanos. O golo, imenso esse sim, de Carlos Tevez, parecia ter morto de vez a eliminatória. Um remate estratosférico, fruto da insistência do jogador mais em forma do conjunto albiceleste. Depois foi substituido e saiu furioso com o seu técnico, sabendo que tinha o hat-trick a um golo. Tudo porque Messi, um fantasma, ficava em campo para marcar o seu primeiro golo na prova. E se Messi não marcava - nem jogava - já a jovem promessa mexicano, Javier Hernandez, rasgava, finalmente, as redes de Romero com um belo remate que deixava os sul-americanos em suspense. Teriam de sofrer, vinte minutos, da pressão mexicana. Que nunca chegou.

Com este resultado final a FIFA volta a ficar na mira dos mais criticos que vêm, e com razão, demasiadas semelhanças entre este Mundial e o de 2002, tristemente marcado pelas decisões arbitrais. Começa a parecer claro que o futebol continuará a ser prato ausente, e que a ideia de uma final Brasil vs Argentina ou Espanha, começa a forjar-se. A Alemanha, o Chile e Portugal têm a próxima palavra.

