Passamos de um extremo ao outro. Um Mundial em África com cinco equipas eliminadas na primeira fase é um fracasso? Claro que sim. Mas uma equipa africana, uma vez mais, ás portas das meias-finais é um sucesso? Também. O Gana salva in extremis a FIFA de uma humilhação total e bate uma formação norte-americana mais débil que há um ano. O presente do continente negro defronta o mais glorioso passado da América Latina num jogo apaixonante.

O golo de Asamoah Gyan decidiu, já no prolongamento (o primeiro de alguns,espera-se), o apuramento da equipa que conta agora com o apoio de todo um continente. O Gana entrou na máxima força, com vontade de fazer história e superar o seu registo do último Mundial. Se já na CAN tinha ficado a ideia de que os ganeses eram - a par do Egipto - a única equipa africana organizada e com pedigree para brilhar no Mundial, o jogo de hoje foi o exemplo perfeito de como um conjunto que vale essencialmente pelo colectivo é capaz de aguentar duas horas de máxima tensão e carimbar um apuramento histórico.
E isto que os EUA, como sempre, foram um osso muito duro de roer, particularmente depois de Bob Bradley repetir a sua jogada táctica preferida. Ao intervalo, a perder por 1-0 (golo de Kevin Price-Boateng, o polémico causante da lesão de Michael Ballack), o técnico americano lançou um médio centro para o lugar de um ponta de lança. O conjunto venceu o duelo no meio campo no inicio da segunda parte e tomou controlo de um desafio que parecia decantado totalmente para o lado africano. Foi nesse momento que Mensah rasteirou Dempsey na grande área e ofereceu ao herói Donovan a oportunidade de marcar. E Lance não falhou. Uma vez mais.
Com esse tento, há muito merecido, os americanos encostaram o Gana ás cordas. Mas não foi suficiente para quebrar o espirito ganês. No prolongamento, a velocidade de Ayew e a alma de Gyan encontraram o golo certeiro que permitia ao Gana sonhar, um pouco mais.
Com este resultado os ganeses estão a 90 minutos de tornar-se a primeira formação do continente negro a chegar ás meias-finais de um Mundial. O duelo contra o Uruguai será um dos pratos-fortes dos quartos de final. Sem estrelas sonantes mas com quatro dos melhores dianteiros da prova e com um continente atento. Como diz Shakira, "it´s time for Africa". Is it?

