Ninguém marcou mais golos do que ele nesta época europeia, mas o renome de Forlan deixou-o reduzido a parceiro de luxo. Até hoje. Dois soberbos tentos de Luis Suarez decidiram o primeiro duelo dos Oitavos de Final deste Mundial e abriu as portas a um regresso dos uruguaios às meias-finais, 40 anos depois.

Era, à partida, um duelo equilibrado. E foi-o, até que Suarez apareceu pela primeira vez no Mundial.
O avançado do Ajax, destinado a ser um dos nomes próprios desta próxima década, apontou os dois golos dos charruas e fechou, com chave de ouro, uma semana histórica para o futebol uruguaio. Afinal, a equipa bicampea do Mundo desde 1970 que nao chegava tao longe. Nessa altura ficaram-se pelas meias-finais, derrotados pelo Brasil. Um duelo que se pode repetir. Para os uruguaios, pelo menos, falta apenas um jogo.
O conjunto orientado por Tabarez, assinou um jogo de qualidade, demonstrando maior eficácia e maturidade que os coreanos. A equipa capitaneada por Park Ji Sung esteve à altura das circunstâncias, mas perdeu na eficácia ofensiva onde há, actualmente, poucas equipas com a capacidade goleadores dos azuis celestes.
Se a Coreia até começou bem, com Chu-Young como lider de orquestra, a equipa do Uruguai soube sempre controlar o jogo.
Aos 8 minutos o primeiro golo de Suarez deixou os sul-americanos mais relaxados. Afinal, este Mundial tem sido deles, que serao também os protagonistas daqui a quatro anos. A FIFA claramente deixa um sinal à Europa. O futebol quer deixar de ser eurocêntrico.
A Coreia do Sul tinha ainda na memória a épica caminhada de 2002 e nao desistiu. Young acertou na barra, Park Ji Sung e Ki controlavam o jogo no miolo, mas faltava sempre algo. E se a equipa uruguaia tinha chegado aqui sem sofrer golos (tal como Portugal), Muslera acabou por ser batido num lance em que os orientais se têm revelado especialistas. As bolas paradas. Um golpe mal defendido e um ressalto que o guardiao da Lazio nao soube como travar. O empate de Yong deixava o jogo em suspenso. E com a Coreia a acreditar no impossível. As oportunidades foram-se sucedendo até que surgiu, uma segunda vez, o génio do jovem Suarez. Um remate impossível que encontrou do outro lado a história. O Uruguai quer recuperar o passado. Já.

Com este triunfo, o futebol sul-americano continua a demonstrar a sua total superioridade (pode colocar quatro equipas nos quartos de final, mais do que os europeus, que neste ronda jogam sempre entre si) e o Uruguai sabe que tem o caminho relativamente facilitado até às meias-finais. Depois é só sonhar. Afinal, nao foram eles que calaram o Maracana?

