Voltou um rival de renome, voltou o lado negro da equipa portuguesa. Uma equipa estupenda a defender (já vao 8 jogos e só o Uruguai e o Chile, de momento, podem apurar-se sem sofrer golos na primeira fase), mas terrivel no processo ofensivo. Um seleccionador sem vontade de ganhar e um capitao sem vontade de jogar foram suficientes para que Portugal se tenha de contentar com o segundo posto. Com as consequências futuras inevitáveis.

Portugal qualificou-se para os Oitavos de Final com um triste empate a zero com o já qualificado Brasil.
A equipa de Dunga ofereceu o seu pior rosto, para desespero do próprio técnico, e mostrou que este escrete canarinho é tudo menos elegante e entusiasmante. Uma equipa sem capacidade de superar defesas bem organizadas. Foi isso o que Portugal fez durante todo o jogo. Defender. E bem.
Eduardo teve três boas intervençoes (tem transmitido segurança a cada jogo) e a defesa cometeu poucos erros. Ricardo Costa foi uma surpresa pela direita, mas nao fez um grande jogo, sem comprometer em demasia. Por outro lado Coentrao continua a sua carreira ascendente com um jogo notável em que teve o importante apoio de Duda, uma aposta ganha por Carlos Queiroz. No miolo, Carvalho e Bruno Alves, foram igualmente seguros mas trapalhoes à hora de sair com a bola nos pés. Para resolver esse problema, Pepe demonstrou que está de volta, com uma imensa exibiçao que deixa boas indicaçoes para a próxima ronda. Meireles e Tiago, mais preocupados em concentrar esforços em anular o jogo ofensivo do miolo brasileiro, tiveram pouco tempo e espaço para atacar. Acabou, no entanto, por ser o médio do FC Porto quem teve nos pés a melhor oportunidade de golo, num lance em que um corte trapalhao de Lucio ofereceu a Portugal o golo da vitória. Julio César defendeu e garantiu um empate embaraçoso para os dois conjuntos. Muito por culpa da ausência de um real jogo ofensivo.
Cristiano Ronaldo foi o espelho dessa razia de ideias.
O capitao da selecçao fez um dos seus piores jogos com a camisola de Portugal. A pressao de jogar contra uma grande equipa pôde com ele, egoista em cada lance, cada drible, cada livre, cada momento. Foi tudo, menos um capitao. Nao ajudou no processo defensivo e revelou-se sempre trapalhao no processo ofensivo. Com ele em campo, e sem nenhum avançado, num desses lances tácticos que revelam as grandes debilidades de Carlos Queiroz à hora de armar uma equipa ganhadora, Portugal viu-se amputado de golo. Simao Sabrosa, quando entrou, ainda teve a capacidade de mostrar que, se Portugal quisesse, podia ter ganho. Mas nunca o quis, prova de que Danny aguentou até ao fim, mais um péssimo jogo com a camisola das quinas. Ao lançar Veloso a 10 minutos do fim, quando já sabiam que a Costa do Marfim levava apenas um 3-0 de vantagem, Portugal abdicou de vencer. E condenou-se a ter de sofrer se quer ir longe neste Mundial pouco amigo das equipas europeias.
No final Portugal mereceu o apuramento, o Brasil continua a oferecer um lado triste do seu melhor jogo e agora todos os olhos estao postos no duelo entre Chile e Espanha. Portugal sabe que tem um caminho de sofrimento pela frente, o Brasil tem apenas um rival complicado até chegar à final. Portugal voltou a ser uma equipa triste e medrosa. Que passará quando for mesmo a doer?

