O tempo voa e estamos agora só a quinze dias do arranque do Mundial. As equipas começam a aterrar em solo africano, as convocatórias definem-se a conta gotas. Já não há volta atrás. A bola está prestes a rolar.

A Austrália foi a primeira a chegar. A Espanha, com o titulo de campeã europeia debaixo do braço, será a última.
Nesta próxima quinzena confirmam-se as aterragens esperadas de centenas de voos, repletos de equipas, bagagens, adeptos, jornalistas e, sobretudo, ilusões. As listas de favoritos versam sempre sobre os mesmos três nomes: Brasil, Espanha e Inglaterra.
Aos brasileiros vale, sobretudo, a tradição e a grande dose de experiência ganha em quatro anos por Dunga. Uma Copa America, uma Taça das Confederações e um apuramento impecável são uma carta de apresentação que nenhuma outra equipa brasileira soube apresentar nos últimos anos. Vem com a polémica das inevitáveis ausências e as esperadas criticas ao hermetismo táctico do seleccionador. E com Kaká, mais um, em algodões.
Do espectro europeu ninguém fala dos crónicos nomes a quem a história dá sempre razão.
A Espanha enterrou nos Alpes a "Furia" e ergueu-se como a selecção mais fascinante do planeta. Um estilo de jogo inspirado no modelo barcelonista (serão oito, nove com a possível incorporação de Cesc, os jogadores do campeão espanhol na selecção) que priveligia o toque, o jogo aberto e uma imensa fantasia que sai dos pés de alguns dos futebolistas mais em forma do planeta. Del Bosque, um dos poucos homens que conta com duas Champions League no bolso, é o técnico certo para esta geração que quer emular os feitos de Alemanha e França. Por outro lado, a Old Albion, nunca realmente favorita, beneficia do efeito Capello, um técnico sempre respeitado e raramente perdedor. Uma equipa com jogadores no ponto nuclear das suas carreiras, com um avançado de primeiro nível, que procura esconder as históricas debilidades com um pressing intenso e uma matreirice pouco britânica, para contornar uma inevitabilidade histórica.
Numa segunda fila surgem as dúvidas maiores do certame.
Por aí anda a Argentina, onde Maradona parece anular Messi (ou será vice-versa?) ou a Itália que ainda não entendeu que o "fado" histórico nos diz sempre que, depois de chegar a uma final, a prova seguinte é sempre um desaste. Por aí passeiam também a sempre frágil Holanda (este ano sem um killer para rematar o jogo rendilhado de Robben, van Persie, Sneijder, van der Vaart e companhia), a rejuvenescida Alemanha ou a geriátrica França. Também Cristiano Ronaldo, perdão, a selecção portuguesa. Ou a tropa de nações africanas que maldiz que, no seu Mundial, as suas principais armas tenham caído em grupos letais.

As vuvuzuelas já estão na mente dos adeptos e há ainda quem tente memorizar o nome esfingico da nova bola. Os estádios estão vazios, de momento, mas a FIFA garante enchentes, nem que seja à base de bilhetes gratuitos para os operários (que bem os merecem). E o país com maior taxa de criminalidade urbana do "continente negro" continua à espera de uma maré de adeptos que podem preferir trocar as ruas de Joannesburg por uma esplanada qualquer numa cidade europeia, cortesia dos jogos à hora de almoço. A quinze dias só falta mesmo arrancar o futebol, porque, quanto ao resto, a máquina já há muito está preparada para funcionar.

