Não bastava já o Grupo G do Mundial ser um duelo entre três dos melhores jogadores do Mundo (Kaká-Drogba-Cristiano Ronaldo), como agora se pode juntar à lista o ambicioso extremo coreano. Jong Tae-Se é um dos nomes obrigatórios de seguir no próximo mês. Um rebelde inesperado que renegou dois países para poder levar ao peito o simbolo da Coreia do Norte.

Os dois golos apontados no amigável de ontem frente à Grécia confirmaram o que se vinha dizendo, à boca pequena, entre aqueles que seguiam regularmente o futebol asiático. Sem mediatismo mas com muito talento, Tae-Se emerge naturalmente como uma das figuras que há que ter em atenção no próximo Campeonato do Mundo. Foram dois golos que espelham o estilo de jogo do extremo. Rápido, directo, habilidoso e repleto de oportunismo, Tae-Se é a grande figura da J-League japonesa, onde brilha há já quatro anos. Já tem 25 anos e só uma série de atrasos burocráticos atrasou o arranque da sua carreira internacional. Que agora é uma inevitável realidade.
Jong foi o grande artifice individual de uma equipa que vale pelo colectivo. Chave no apuramento surpresa da Coreia do Norte na fase de qualificação asiática, é o jogador mais temivel de uma selecção que a maioria dos analistas desconhece por completo.
A história de Tae-Se é o espelho do seu estilo de jogo. Repleto de pequenas inesperadas habilidades.
O jovem nasceu no Japão filho de pais sul-coreanos. Cresceu com dupla-nacionalidade mas quando entrou na Universidade, aos 18 anos, começou a simpatizar com a causa comunista. A paixão pelo regime da Coreia do Norte foi imediata. Durante dois anos ingressou em vários grupos de apoio ao regime de Pyongiang no Japão, e quando a sua carreira futebolistica despontou no Kawasaki Frontale, o extremo decidiu que queria representar o país que admirava.
Renegou à dupla nacionalidade dos pais e do país onde nasceu e depois de dois anos repletos de burocracia e problemas legais, conseguiu a almejada cidadania norte-coreana. A tempo de disputar a Taça das Nações Asiáticas onde foi, inevitavelmente, uma das figuras da prova. Continuou a ganhar a pulso o seu lugar no coração dos adeptos norte-coreanos com golos chave no apuramento para o Mundial, ao mesmo tempo que brilhava no Japão com o seu estilo de jogo incisivo e veloz, do alto do seu 1m81, uma raridade para aquelas bandas.

A Coreia do Norte é a grande incógnita do torneio e arranque a perder por começar num grupo de nomes já consagrados. Mas, tal como em 1966, é preciso ter atenção a uma realidade desconhecida. A exibição contra a matura Grécia deixa antever uma equipa mais sólida do que se esperava. E se Jong Tae-Se se lembra na África do Sul de repetir os trovões de magia que destroçaram os helénicos, as outras equipas que se cuidem. Este homem tem talha de herói!

