A escolha foi feita à medida do ressuscitado projecto merengue de Florentino Perez. Mas o clube das "9 Copas" ficou pelo caminho na etapa de sempre e agora servirá de anfitrião de uma final que nem o mais arriscado dos analistas seria capaz de prever há oito meses atrás. Um palco de luxo para uma final com suspense até ao fim.

No ano em que UEFA decide estrear o formato de finais europeias ao sábado, o jogo do ano muda-se para Madrid.
Aproveitando o solarengo clima da capital espanhola, a escolha não é inocente. Contrariamente ao mau tempo que se viveu em Hamburgo, há semana e meia, só se espera calor e luz em Madrid. A Puerta de Alcála recebe o desfile de comitivas que deambularão entre os paseos tipicos de Madrid, do eterno verdejante Prado até à urbana e imponente Castellana. E se nem por acaso a Gran Via madrileña está de festa, o facto é que Madrid consegue ter o condão de agradar a gregos e troianos. No culminar desse dia, recheado de eventos e festivais com o futebol como tónica única, há o Santiago Bernabeu.
O antigo estádio Chamartin, eregido pelo visionário presidente numa altura em que aquela zona norte de Madrid era um imenso baldio, ganhou o nome do homem que definiu a história do futebol europeu a meados dos anos 50. E foi crescendo. Com os anos aumentou de tamanho e de estrelas UEFA. Hoje é um estádio de nota máxima sem um ponto negativo em contra. Repleto de simbolismo, a verdade é que o Bernabeu só viu três finais europeias no seu longo historial. Números muito por debaixo de outros grandes palcos europeus. Desde o triunfo do Nottingham em 1980 que o palco espera consagrar um novo ás. Um ás que pode ser bem familiar.
Com 80 mil lugares o estádio Santiago Bernabeu é um dos maiores recintos desportivos europeus.
Foi inaugurado em 1947, num jogo entre os locais e o Belenenses, depois de várias polémicas à volta do local ideal para assentar os cimentos que seriam a base da grandeza de um clube quase anónimo até aos ano 40 e que explodiu verdadeiramente na década seguinte graças à politica de contratações do seu longevo presidente, Santiago Bernabeu.
Depois da sua primeira etapa de vida, onde o estádio chegou a ter uma capacidade de 75 mil lugares (dos quais 25 mil eram sentados mas apenas 7 mil estavam por debaixo de uma cobertura), os triunfos em Espanha e na Europa do clube levaram a direcção a ponderar um reestruturamento que permitiu ampliar para 120 mil, os lugares disponiveis. Foi a época da mudança de nome - para agradar ao próprio Bernabeu - da instalação de luz artificial e dos titulos. Muitos titulos. O problema foi que o estádio literalmente estagnou. Durante vinte anos não recebeu nenhuma obra de melhoramento e foi perdendo prestigio face a outros grandes recintos europeus. A entrega à Espanha do Mundial de 1982 foi o pretexto para limpar a casa. O recinto acudiu a final já com um novo rosto, com a capacidade reduzida a 90 mil. Isso, sim, pela primeira vez se cubriu dois terços do estádio. A última mudança foi em 1992, quando a UEFA obrigou os clubes a eliminar qualquer lugar sem acento sentado. As obras demoraram e significaram uma profunda revolução que fez baixar a 75 mil lugares a capacidade do recinto. Só quinze anos depois a UEFA concedeu as 5 estrelas necessárias para receber grandes desafios. Como prémio prometeu uma final europeia de prestigio. Aí está ela.

Num relvado onde desfilaram alguns dos nomes fulcrais da história do futebol europeu, a história pode ajustar contas com um dos seus mais imponentes recintos. Num estádio que já viu dezenas de campeões europeus, chega a hora de ver a consagração final. De um antigo rival ou de um futuro amigo? As noites em Madrid são quentes e longas. E 90 minutos no Bernabeu também!

