Domingo, 9 de Maio de 2010

Muitas bancadas vazias, um calor inesquecível. No meio dos gritos de alegria dos estreantes irlandeses e da euforia dos locais, o futebol desenrolou-se a conta-gotas. No final ganhou a melhor equipa mas a grande sensação tinha caído dez dias antes do violento encontro final. Em Itália os Camarões demonstraram, pela primeira vez, a força da raça africana.

A imagem de Roger Milla a dançar sobre a bandeirola de canto ficou para a história.

No entanto, o mitico avançado não era titular. Não havia pernas para tanto. Tinha estado na mitica formação do Espanha 82 e voltaria a despedir-se no Mundial dos EUA 94. Mas aquele foi o seu Campeonato do Mundo. O primeiro em que África hipnotizou. Apesar da boa campanha de Argélia e Marrocos nas duas provas anteriores, a magia da África Negra ganhou uma legião de fãs que ainda se mantém e que justificou, e muito, que tarde ou cedo o continente tivesse o seu próprio Mundial. Estamos a menos de um mês desse feito histórico. Nessa aventura italiana os Camarões deslumbraram do principio ao fim. No jogo de abertura defrontavam os campeões em titulo liderados por um "Deus" em pessoa. O jogo foi duro e acabou com os africanos com menos um jogador. A Argentina, muito inferior à equipa de 86, viu-se superada várias vezes. Até que, perto do fim, Oman-Byik subiu às nuvens e baixou com um golpe de cabeça indefensável. Pumpido, que dias depois partiria o braço num choque involuntário com um colega, largou a bola para dentro das redes. Estava consumada a surpresa. Os Camarões seguiam em frente como primeiros do grupo e na fase seguinte cruzavam-se com outra equipa sensação, o exército de Rene Higuita. O guardião da Colombia esteve irrequieto do principio ao fim e perdeu o controlo depois do golo inaugural, já no tempo extra, dos Camarões. A meio campo tentou fintar Milla, que, uma vez mais, tinha saído do banco de suplentes. O avançado foi mais esperto, driblou dois defesas e não perdoou. A Inglaterra era o obstáculo para lograr um feito ainda mais histórico para África. Era a melhor selecção Pross dos últimos anos. Talvez a melhor até hoje desde 1970. E jogava como tal. E no entanto os Camarões souberam dar a volta a um golo inaugural de David Platt. E deixaram os ingleses do bad-boy Gascoine em desespero. Até que este inventou um lance de génio e Liniker converteu o inevitável penalty. No prolongamento outro golpe seco do avançado acabou com o sonho. Milla aplaudia, camisola branca no corpo. Esta tinha sido a sua festa.

 

A prova italiana deveria ter consagrado o futebol que melhor identificava então o desporto-rei na Europa. Mas não o logrou.

Holanda dos milaneses Van Basten, Rijkaard e Gullit foi um fantasma, empatando os jogos da fase de grupos e saindo pela porta pequena frente à Alemanha depois da cuspidela do central do AC Milan a Rudi Voeller. Espelho da falta de mentalidade dos campeões de Europa que voltavam a falhar na hora H. O Brasil de Careca com o 3-5-2 de Lazzaroni nunca entusiasmou e acabou por cair no engano argentino de beber uma água pouco misteriosa. Um golo, do loiro Cannigia, confirmou a falta de competitividade do pior escrete de que há memória. E quanto à Itália, a jogar em casa, foi saltando etapas graças aos atrevidos golos do desconhecido siciliano Toto Schilacchi. Um jogador que não existiu antes nem depois daquele Junho. A prova nunca se esquecerá dos simpáticos irlandeses, capazes de vergar os rivais britânicos e a poderosa Orange antes de bater a seca Roménia de Hagi nos penaltys. Onde cairiam face aos anfitriões. Ou da dinâmica Chescolosváquia, que voltava a uns Quartos de Final, 28 anos depois de 1962, liderados por Thomas Skurhavy. Uma prova de equipas pequenas onde o futebol acabou quase sempre por cair em segundo plano face a um jogo calculado, faltoso e pouco ambicioso da maioria dos candidatos ao titulo.

No jogo final consumou-se tudo aquilo que foi o Itália 90. A Argentina de Maradona confiou demasiado no seu génio, mas este não apareceu. Depois, como fez ao longo de toda a prova, recorreu à violência. Pela primeira vez um jogador foi expulso numa final. A Argentina teve dois defesas a caminhar, desesperados, mais cedo para os balneários. Do outro lado Beckhambauer sorria. Ninguém acreditava nele. Mas a sua armada com Moeller, Hassler e Mathaeus no eixo central tinha coração, talento e espirito de grupo. No ano em que a Alemanha voltou a falar a uma voz o Mundo uniu-se para aplaudir a sua taça. Mereceram-na por isso e por muito mais. 



publicado por Miguel Lourenço Pereira às 03:48 | link do post

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