Durante anos e anos viajar ao Algarve era um quebra cabeças para qualquer equipa portuguesa. Do fortim de Portimão ao mitico São Luis em Faro, muitos campeonatos se decidiram nessas longas viagens rumo ao extremo sul do país. Depois da queda financeira do Farense - hoje a agonizar nas divisões inferiores - o futebol deixão orfão uma das regiões mais pobres e, ao mesmo tempo, mais mediáticas de Portugal. Até agora. Graças ao trabalho de um homem do Norte, o extremo Sul de Portugal volta a ter futebol de primeira. Bem vindo Olhanense, bem vindo Algarve.
A equipa de Jorge Costa sagrou-se oficialmente campeã da Liga Vitalis, a uma jornada do fim. Um feito se olhar-mos para o orçamentos dos olhanenses e para o plantel ás ordens do jovem técnico portuense. Depois da experiência em Braga o antigo capitão azul e branco provou que é um técnico de primeira e pegou num grupo de jovens, muitos deles emprestados pelos grandes, e de jogadores com sede de vitória, e montou um onze forte e capaz de puxar a equipa aos limites. O público esteve sempre ao lado do seu clube e as deslocações do Olhanense pelos campos dos quatro cantos do país eram sempre acompanhados de um oceano de gente, como as que estiveram hoje em Gondomar, bem perto da casa do seu treinador, a coroar a subida de divisão.

O Olhanense pode não ser uma equipa de grande glamour, mas é de uma eficácia a toda a prova. Apesar dos tropeções que foi sofrendo, normais numa liga tão equilibrada, a equipa algarvia esteve sempre á frente de rivais com orçamentos e ambições maiores como o Santa Clara, União de Leiria, Gil Vicente ou Beira-Mar. O onze onde destacam jovens como Toy, Ukra, Djalmir ou Andre Castro. O técnico já deixou bem claro que para continuar á frente da equipa precisa de garantias de que esta não é uma aventura com bilhete de ida e volta. Desde 1975 que Olhão não sabe o que é estar entre os mais grandes e Jorge Costa sabe o dificil que é aguentar estar no mais alto. Mais do que renovar contratos e persuadir os grandes a continuar a emprestar as suas joias, o técnico quer uma garantia de motivação e profissionalismo, fundamental para evitar problemas como os que habitualmente passam quando o salto não é dado com os pés bem acentes no chão. No entanto hoje o dia é de festa e a emoção está garantida. Para o ano Olhão voltar a pertencer á elite, para o ano o futebol de primeira está de volta ao Algarve.