Para lá das estrelas que Roman Abramovich foi juntando em Stanford Bridge os leões de Londres esforçaram-se nos últimos anos em conseguir juntar aos seus quadros jovens promessas do futebol europeu. Entre elas há um jovem eslovaco que tem feito a diferença do outro lado do mar do Norte. Miroslav Stoch é já um dos nomes próprios da Eredevise.

"É rápido com a bola nos pés e talvez mais rápido sem ela. Pensa o jogo tranquilamente e mostra uma maturidade fora do normal." Assim se rendeu Steve McClaren, o técnico do Twente, ao jovem eslovaco que se tornou num dos nomes mais sonantes do futebol europeu actual. Uma ascensão rápida de um jogador com 21 anos mas já com a presença garantida no próximo Mundial. E quem sabe, no onze do Chelsea da época que se segue.
Miroslav Stoch é o exemplo perfeito do falso extremo que abunda hoje no futebol europeu. Rápido pela ala, gosta de descair para zonas mais centrais e procurar o remate à entrada da área. Tem um bom registo goleador - 10 já apontados esta época - mas também sabe assistir os colegas com classe. McClaren usa-o como falso apoio a Bryan Ruiz, o dianteiro titular do Twente, e os dois jovens combinam perfeitamente. O último a provar o sabor do perfume eslovaco foi o Werder Bremen na passada noite europeia de Quinta-Feira. Mas a lista é longa.
Stoch faz parte de um quarteto de luxo que catapultou para a ribalta o futebol eslovaco. Eternamente na sombra dos vizinhos checos, os eslovacos sabem que no próximo Mundial são olhados com curiosidade e algum desdém. Mas querem fazer mossa. E para tal contam com Marek Hamsik, médio da Lazio pretendido por meia Europa, o jovem Vladimir Weiss que o Manchester City emprestou ao Bolton, o defesa do Chelsea Latkovic. E claro, o amigo Stoch.

Nascido em Nitra, uma pequena cidade eslovaca quando o país ainda se chamava Checoslováquia, Stoch cedo começou a despontar no modesto clube local. Aos 16 anos já era titular da equipa e começou a chamar a atenção de vários olheiros europeus. Depois de falhar uma prova no Nice, foi o Chelsea quem se fez com os seus serviços. Com 17 anos, sem saber inglês, mudou-se para a Academia dos Blues em Londres onde passou dois anos a aperfeiçoar o seu jogo, disputando vários jogos pela equipa de juvenis, tornando-se no seu mais eficaz goleador. Rapidamente passou ao conjunto de reservas mas Avram Grant não o fez estrear-se pela equipa principal. Teve de esperar por 2008, e pelo apoio de Scolari para ouvir pela primeira vez o speaker de Stanford Bridge dizer o seu nome. Substituiu Deco - de quem se diz que renderá este Verão - numa amarga derrota contra o Arsenal. Teriam de passar quatro meses até voltar a jogar, já com Guus Hiddink no leme. Fez o passe para o golo da vitória Blue frente ao Stoke City. Mas a conturbada situação do clube fechou-lhe as portas.
Para continuar o seu desenvolvimento desportivo a direcção do Chelsea decidiu-se por um empréstimo. Steve McClaren, técnico do Twente holandês, segundo classificado na Eredevise, confessou-se fã do seu jogo e logrou uma cedência por um ano. Ancelloti, ainda à procura do seu melhor onze, não se opôs e Stoch atravessou o Mar do Norte. A sua estreia pelos holandeses ocorreu ante o Sporting num empate a 0 que acabaria por beneficiar o conjunto português. Dois dias depois estreou-se na Eredevise numa vitória frente ao Sparta de Roterdam. Com facilidade Stoch impôs o seu jogo e tornou-se em titular chave do Twente. A precoce eliminação europeia não desanimou o modesto conjunto holandês que arrancou para um final de ano espantoso. Em Dezembro lideravam a liga com uma vantagem invejável e já Stoch surgia na lista dos melhores marcadores da prova. A boa campanha desportiva abriu-lhe as portas da selecção. Habitual titular dos sub-21, Stoch conseguiu a sua primeira internacionalização na vitória por 7-0 contra San Marino, tendo marcado também o seu primeiro golo. Apurados para o Mundial, os eslovacos contam com o jovem para liderar o ataque de uma equipa bastante jovem.

O Twente continua na corrida a um titulo histórico muito graças ao talento de Stoch. O técnico do Chelsea já deixou antever que o eslovaco é o substituto natural de Deco, que deixará Londres no Verão com quase toda a certeza. O Mundial está à porta. Por isso é fácil concluir que a vida corre bem a Stoch, o amigo eslovaco.

