A história do futebol holandês sempre se construiu à base de virtuosos. A defesa foi sempre deixada para segundo plano. Talvez essa tenha sido o calcanhar de Aquiles que os fez soçobrar tantas vezes. E se pela esquerda sempre se encontraram opções, pela direita é dificil fazer memória de um jogador inesquecível. O futuro, no entanto, já está aí. Esse é o corredor de van der Wiel.

O Ajax continua - apesar da gravíssima crise desportiva - a ser uma das melhores escolas de formação do mundo. Só que mudou de vocação. Nos últimos anos dedicou-se ao sector defensivo e tem lançado verdadeiras pérolas. Poucas brilham já de forma tão intensa como o jovem holandês de 22 anos que um dia ousou dizer ao seu treinador que seria o melhor do mundo. Esse espirito de rebelde com causa tornou imediatamente van der Wiel num case-study.
Nascido em Amesterdão em 1988, mais um producto dessa multiculturalidade que dá cor à cidade que ganhou ao mar, o lateral demorou 20 anos a fazer-se notar. E agora o futuro está pendente do próximo passo. Desde pequeno começou a fazer parte da formação ajaccied. E apesar do seu 1m82 nunca perdeu o toque da velocidade que fazem das suas explosões uma arma absolutamente desequilibrante. Aos 8 anos já andava pelos infantis do Ajax. Aos 15 os pais mudaram-se e ele teve de transferir-se para o modesto Haarlem. Mas dois anos depois o Ajax foi repescá-lo de forma definitiva. Com 19 anos passou a treinar habitualmente com a equipa principal e estreou-se como titular em Março de 2007.
Foi Marco van Basten, impressionado com o seu carisma, que lhe deu no ano seguinte a titularidade e o número 2. Não voltou a largar ambos. As suas arrancadas tornaram-se fulcrais na manobra de jogo da equipa e van der Wiel começou a mostrar a sua faceta ofensiva com golos e assistências. No final da época já somava mais de 40 jogos pela primeira equipa e a sua primeira internacional. O ex-adjunto do seu treinador em Amesterdão, van der Maarjwick, seguiu o conselho de van Basten e chamou o jovem lateral. O número 2 não desiludiu e rapidamente deu entender que o lugar é seu para a viagem à África do Sul. Depois de ter já brilhado com os sub-20 em Toulon disputou três jogos pelos seniores. Todos com nota máxima.
Na equipa holandesa van der Wiel continua, agora sob o mandato de Martin Jol, a ser determinante. Com Verthoygen, Alderweild e Emanuelson forma um quarteto defensivo de luxo. Ofensivo, jovem e desequilibrante. A equipa perdeu pontos importantes e já está longe do primeiro posto mas a sua qualidade futebolistica emerge jornada após jornada. Polémico como poucos - um incidente com o Twitter quase causou o seu afastamento do Orange - e com um caracter dificil, van der Wiel já sabe que tem meia Europa atrás de si.

Veloz, com bom posicionamento e extremamente ofensivo, o holandês parece ser o herdeiro natural do brasileiro Daniel Alves como melhor lateral direito ofensivo do futebol europeu. Mostra caracteristicas já de grande maturidade e em Amesterdão sabem que dificilmente ficará no Arena durante mais tempo. Pode ser que uma arrancada veloz pelo seu corredor num qualquer estádio da África do Sul seja o suficiente para o levar às estrelas.

