Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

É um verdadeiro globetrotter do futebol português. Aos 28 anos prepara-se para dar inicio a novo ciclo. Em seis anos marcou presença nas principais ligas europeias, sempre em clubes de topo. Mas nunca deu verdadeiramente o salto para o patamar que prometia quando ainda deambulava pelo meio-campo do Braga. Terá ainda um final feliz a história de Tiago?

A neve em Madrid congelou o Vicente Calderon.

No meio do manto branco que cobre a capital espanhola chega Tiago. Depois de um negócio surreal, como só o Atlético é capaz - o jogador assinou, voltou a Turim para disputar o derby e acabou por ser apenas apresentado ontem pelo temporal que cancelou a sua viagem inicial na segunda-feira - finalmente o português aterrou no estádio madrileño. Um estádio habituado a grandes jogadores e com uma profunda relação com o futebol português. Desde os dias de Lourenço. Hoje o atleta, que continua ligado à Vechia Signora, procura uma nova oportunidade. Porque à quinta liga distinta que prova continua a ideia de que Tiago pode sempre dar algo mais. Será aqui?

Em Braga deslumbrou com o seu estilo de jogo elegante. Certeiro no passe, atrevido no remate, foi uma das grandes revelações do inicio da década. A Luz foi o patamar seguinte e aí confirmou o que se suspeitava. Mais do que potencial, ali havia um toque de classe distinto que fazia de Tiago um médio com um futuro de excepção. Se fosse na direcção certa.

 

A forma como liderou um Benfica destroçado por constantes hara-kiris trouxe-lhe a maturidade que em Braga não tinha ainda provado. Na cidade dos Arcebispos era a jovem promessa. Em Lisboa tinha de ser um lider à força. Conseguiu-o de tal forma que José Mourinho, recém-chegado a Londres, não hesitou em convocá-lo para o seu projecto ganhador com o Chelsea. Muitos se surpreenderam com a escolha do técnico. Em lugar de Maniche, que conhecia bem melhor desde os dias da Luz, o técnico preferiu o jovem bracarense. A principio parecia que Tiago destoava naquela equipa repleta de estrelas e operários puros. Makelele e Lampard dominavam o meio-campo e fechavam-lhe as portas à titularidade. Teve de sofrer. No banco. Na bancada. Em casa. Parecia ver o tempo passar e as oportunidades a escaparem-se-lhe das mãos. Foi paciente e acabou recompensado. Começou a jogar. A cumprir as missões delineadas no caderninho do Special One. E fez-se notar. Mas o mundo das estrelas de Londres nunca o entendeu verdadeiramente e depois de dois anos preferiram o musculo de Essien à classe de Tiago. A viagem de troca acabou por ser a lufada de ar fresco que o médio necessitava. Em Lyon foi feliz. Foi um pêndulo. Foi o sócio perfeito do brasileiro Juninho. E voltou a um meio mais de acordo consigo. Pequeno, modesto mas repleto de ambições. Em França Tiago foi verdadeiramente Tiago.

Sem espaço na selecção - e quando o tinha nunca o aproveitava verdadeiramente - e com o Lyon a precisar de fazer dinheiro pensou que viajar a Turim e afirmar-se no meio campo da Juventus. Seria o salto mediático que faltava numa carreira ascendente. A principio parecia que as coisas corriam bem. Mas o futebol pensado e repleto de preciosismo de Tiago não parecia quadrar com a escola mais musculada do Dell Alpi onde Zanetti, Poulsen, Camoranesi, Sissoko eram mais apreciados. E do campo passou ao banco. À bancada. A ter de ter paciência uma vez mais. Aos 28 anos. Pensou que não. Pensou que era a oportunidade ideal de sair bem. Sem dar um passo atrás. Surgiu o Atlético de Madrid. Um clube desesperado, sem identidade e que vive num mundo surreal. Mas onde encontra um velho amigo. E um estilo de jogo que mais se adequa ao seu. Tem seis meses para convencer uma afficion triste e desperada. Tem todas as condições para o lograr. E dar finalmente aquela imagem prometida há largos anos de um jogador que tinha o mesmo perfume de jogo de Rui Costa e a insolência de João Vieira Pinto

Com o 5 às costas Tiago quer ser um dos nomes próprios desta La Liga. Quer voltar a ser um dos nomes próprios do futebol português. Durante meia década foi mais promessa do que realidade. Agora o tempo escapa-se-lhe das mãos. É hora de reencontrar-se consigo mesmo! 



Miguel Lourenço Pereira às 09:18 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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