Quarta-feira, 08.10.14

Fernando Santos iria sempre ser seleccionador português. Era uma questão de quando, não de se. Depois de passar pelos “3 Grandes” sem levantar demasiada polémica estava estabelecido o quórum necessário para estas situações. O jogo de interesses prevaleceu sobre o futebol e depois de largos anos a ver como a Grécia sobrevivia com gramos de futebol e quilos de luta, resta rezar para que o novo começo não dure demasiado.

 

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Há um treinador em Portugal que conseguiu não ser campeão nacional com Mário Jardel a marcar mais golos do que nunca. Esse mesmo treinador – o Engenheiro de um Penta desenhado no ano anterior – passou por Benfica e Sporting com mais pena que glória. Noutro contexto a sua carreira ter-se-ia afundado no esquecimento. Em Portugal, Fernando Santos acabou como seleccionador nacional. Homem de paz que esquiva sempre o confronto e a polémica, é a figura diametralmente oposta ao perfil de seleccionador que existe desde 2000. Tanto António Oliveira como depois Scolari, Queiroz e Bento procuraram sempre impor a sua imagem através de soundbyites fortes, decisões polémicas e altamente questionáveis e lutas paralelas com dirigentes e imprensa. Santos não é nada disso. Mais parecido a Humberto Coelho que a qualquer outro seleccionador português, tem a vantagem de não ser um homem associado historicamente a um clube. O engenheiro dos subúrbios de Lisboa que levou o Estoril e o Estrela de Amadora a serem equipas de moda nos anos noventa, sempre se assumiu como benfiquista mas, sobretudo, como profissional o que lhe permitiu ser aceite por Pinto da Costa como um dos treinadores em quem mais confiou. A sua passagem por Alvalade ajudou a fechar um ciclo histórico. Nunca saiu a mal com nenhum dos clubes que treinou, nunca teve más palavras para os seus dirigentes e isso, na diplomacia do futebol, vale ouro. Para Santos o premio de ser um low profile há muito que estava escrito. Todos sabiam que seria um dos próximos seleccionadores. Era uma questão de timing. O haraquiri de Paulo Bento e a ausência de opções de vulto por decisão própria como Mourinho, Vilas-Boas ou Jesus facilitou as contas. Nem a (ridícula) suspensão da FIFA fez a federação mudar de ideias. O perfil de Santos é único no mercado e a oportunidade era de ouro mesmo com o eventual prejuízo desportivo. Que pode não ser tão grande como isso. Santos é um homem popular no mundo do futebol mas não é, necessariamente, o homem certo no momento certo. Nem sequer um treinador de elite. É o que estava mais à mão num país que gosta sempre de soluções fáceis.

 

Analisando futebolisticamente o que foi Fernando Santos nos últimos vinte anos ficamos com a sensação de que acabou por ser muito menos do que dele se esperava. Um titulo de liga – em 1999 – e duas Taças de Portugal, tudo com uma equipa que valia o seu peso em ouro e que devia ter ganho mais, muito mais. Com ele começou em campo declive desportivo do FC Porto que só Mourinho conseguiu revitalizar. Santos sobreviveu à habitual política bianual de Pinto da Costa mas não à falta de resultados. O seu estilo de jogo aborrecia as Antas como poucas vezes se viu. Um 4-3-3 rochoso, lento e que beneficiava-se de ter um goleador genial como Jardel e, mais tarde, um génio no meio campo chamado Deco. Depois dos anos de azul e branco veio um vazio, uma passagem pelos grandes de Lisboa sem grande interesse desportivo e o seu exílio futebolístico para a liga grega onde foi escalando posições, sempre graças à sua imagem de gentleman. Acabou com o difícil posto de sucessor de “King Otto”, o homem que deu ao país o Euro 2004. Esteve à altura das expectativas. Muitos imaginavam uma Grécia decadente, futebolisticamente. Santos não conseguiu impedir essa quebra futebolística mas compensou-a com organização, trabalho e espírito colectivo – a base do sucesso original de Rehagel – aguentando a pressão de manter-se na elite, disputando Europeu e Mundial com resultados mais do que satisfatórios. Mas o seu catenaccio grego é tudo aquilo que este Portugal não precisa. Ao contrario do que sucedia com os helenos, aqui Santos vai encontrar uma nova geração de talentos. Um jogador único e uma legião de jogadores de muito bom nível. A disciplina defensiva já era o b-á-b-á do “bentismo”. Ao novo seleccionador pede-se algo mais. Espectáculo, acutilância, dinamismo ofensivo. Um jogo não exclusivamente de rápidas transições para Ronaldo completar mas um futebol mais pensado, fiel aos anos dourados do nosso futebol e possível quando entre os elegíveis estão Moutinho, André Gomes, João Mário, William, Tiago – felizmente recuperado – Adrien, Marcos Lopes, Bruno Fernandes ou Bernardo Silva. Jogadores de toque muito diferentes dos Meireles e Velosos dos anos cinzentos. Portugal continua com problemas graves. Não há avançados (e o ratio de golos de Ronaldo empalidece em comparação com o Real Madrid) e guarda-redes de elite e mesmo nas faixas laterais contar com Cedric, Eliseu, Antunes ou Ivo Pinto não é propriamente uma noticia entusiasmante. Mas a pouco e pouco pede-se um salto de qualidade adequado a um novo leque de opções. Sobretudo, pede-se um seleccionador que saiba que a esses jogadores não basta ensinar conceitos defensivos e que é necessário desenhar um modelo que permita fluir o seu estilo de jogo mais ofensivo e de posse. Fernando Santos nunca foi um treinador desse perfil e tendo em conta as chamadas de Danny, Tiago, Quaresma, Carvalho (os punidos por Bento) parece estar mais interessado no imediato do que no futuro. Precisamente o que Portugal não precisa. Para isso Bento servia perfeitamente.

 

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Está claro que o adepto português continua a pensar que o momento em que José Mourinho seja apresentado como seleccionador todos os males do mundo desaparecerão. O sadino terá a sua oportunidade, seguramente, mas até lá falta tempo, muito tempo. E ter alguém como Fernando Santos – alguém com o perfil de Fernando Santos, melhor dito – não parece ser a melhor solução. O processo de estabelecimento de uma nação futebolística com identidade própria é largo. Portugal pensa sempre no amanhã. A Alemanha começou a ser campeã do Mundo de 2014 em 2004 com a contratação de Klinsmann e Low. O mesmo sucedeu com a Espanha de Aragonés ou, em 1994, com a França de Jacquet. Portugal joga em ciclos de dois anos, nunca vai mais além. Ter Vítor Pereira disponível e não pensar nele como o homem que podia estar seis, oito anos a preparar um modelo de jogo português moderno com espaço para o talento que aí vem é um dos maiores erros de gestão que a FPF podia cometer. Não que a solução encontrada não fosse óbvia, todo o contrario. Fernando Santos é o homem do consenso porque assim funcionam as coisas. Com ele há quem pense que Portugal vai começar um novo ciclo. Em determinados aspectos de gestão, será seguramente um perfil diferente, menos estridente. Futebolisticamente o vazio continuará. Até que venha o D. Sebastião, não o treinador mas o dirigente que tenha a coragem de comportar-se como a importância do cargo lhe exige. O de pensar no futebol português em primeiro lugar e nos resultados da selecção depois. Sonhos difíceis de concretizar. 

 

PS: Aos leitores habituais do Em Jogo lamento a ausência de posts. Uma inevitabilidade tendo em conta um projecto profissional dentro do universo da escrita futebolistica que farei publico brevemente e me manteve afastado do ritmo habitual do blog que será retomado a partir de agora. Obrigado por esperarem!



Miguel Lourenço Pereira às 19:57 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Segunda-feira, 15.09.14

O futebol português permanece igual a ele próprio. Perdido numa espiral circular que ameaça repetir-se até ao fim dos tempos. Não há motivos para pensar que alguma vez será diferente. O circo montado à volta da renovação da selecção acabou com a cabeça de Paulo Bento numa bandeja e um cheiro a podre que chega dos bastidores. Onde sempre esteve a origem do mal.

A participação de Portugal no Mundial 2014 foi um desastre. Não há outra forma de o dizer que seja mais directa e verdadeira. Também o tinha sido a fase de qualificação tal como o apuramento para o Euro 2012. Muitos, muitos erros somados e somados que foram varridos para debaixo do tapete. Com a imprensa controlada, as vozes criticas silenciadas, questionar o evidente tornava-se tão paradoxal como necessário. Um grito no meio do silêncio. Ninguém o deu. Os resultados no Brasil estavam escritos nas estrelas e não nas fichas médicas. Mas foram esses, os culpados. Eles e apenas só a julgar pela renovação institucional, pomposa – como tudo o que mete a FPF – e incipiente que se seguiu após ao relatório que demorou o tempo necessário para que todos pudessem ir de férias, tranquilos, com os seus. Nessa metamorfose kafkiana, a selecção saía aparentemente reforçada debaixo da liderança de um seleccionador a quem os resultados não causavam mácula, um líder com mais poder e influencia que nunca a quem a Alemanha nunca goleou, os Estados Unidos nunca vulgarizaram e o Gana nunca assustou. Depois veio o caos, em forma de guerreiros albaneses, veio o circo, em forma de reuniões para fumar charuto, e a decisão de despedir o novo líder depois do primeiro round. A congruência sempre foi uma característica muito do adn português. Bento sai com três meses de atraso e atrás de si deixa nada de que se possa orgulhar. O staff médico, renovado a gosto de quem realmente manda, está ilibado de culpas, pelo menos por ano e meio. E Portugal, num momento crucial da vida da sua selecção nacional, continua entregue aos de sempre.

 

Paulo Bento era um dos grandes problemas da selecção. Mas nunca foi o problema.

A sua inépcia táctica, evidente, a sua dificuldade em distinguir o melhor do amigo, clara. Com Bento ao comando vários jogadores bateram com a porta, outros seguramente desejávamos que o tivessem feito. As suas convocatórias eram tão previsíveis como uma telenovela brasileira e os protagonistas os mesmos, como o cardápio da Globo. Mas da novela das sete, não do prime time. Enquanto houve um Ronaldo física e mentalmente em condições (vide Euro 2012, vide play-off com a Suécia) todos os outros problemas técnicos, tácticos e liderança foram sendo escondidos dentro de um baú de coisas proibidas. Mas sem o CR7 – porque o CR7 só está quando quer, não quando se necessita, que para isso é capitão – não há mais créditos que gastar. Bento sai porque é um mau treinador, um fraco seleccionador e um péssimo gestor. Mas nada disso difere do que era quando foi eleito no cargo, quando sobreviveu a uma penosa fase de qualificação para o Brasil ou quando foi reconfirmado e viu reforçado o seu estatuto interno. Só alguém muito deslocado da realidade poderia estar por detrás de algo assim. Felizmente para Portugal, há muitos personagens de esse nível e curiosamente estão todos em cargos de poder.

Bento perdeu com a Albânia depois de ter feito o que muitos pediam – começar a integrar novas caras – de ter feito aquilo que lhe obrigam a fazer – dar carta branca ao capitão – e com uma lista de convocados que pertence à carteira de um só homem, o seu. Quem vier a seguir, se seguir a mesma directriz, encontrará o mesmo fim. Sabendo que quem o vai eleger – e quem quer ser eleito? – pertence ao mesmo grupo de pessoas que tomou a decisão em Agosto de deixar tudo na mesma, a esperança é nula. Portugal tem melhores futebolistas do que nos querem fazer crer. Não há uma Geração Dourada. Já não a há desde o fiasco da Coreia e do Japão. Desde o fiasco do Euro 2004. Desde então que tem havido outros jogadores, outras referências. Para o amanhã também os há, especialmente havendo a clara consciência de que o apuramento para o Europeu é quase uma formalidade. Sem Bento haverá espaço para recuperar Tiago, Danny, Manuel Fernandes ou Ricardo Carvalho, transformados em párias. Sem Bento haverá coragem para abdicar de Veloso, Meireles, Ricardo Costa, Bruno Alves ou Hugo Almeida? Sem Bento haverá quem decida que o amanhã é mais importante que o hoje e que está na hora de Bruma, de João Mário, de Adrien, de Marcos Lopes (Espanha, que tem muito mais por onde escolher, não quis perder Munir como nos estamos a preparar para perder Ronny), Anthony Lopes e companhia e procurar um esquema de jogo que beneficie a 10 e não a 1 individualidade? Ou vamos ter de esperar algumas debacles mais para entender que nem grandes jogadores sós fazem uma grande equipa nem um só jogador faz milagres.

 

Portugal teria um futuro brilhante nos palcos internacionais. Brilhante. Só precisava de ter dirigentes de nível e treinadores sem ataduras, que pusessem em prática o que parece ser o b-á-b-á da profissão, aproveitando alguns dos melhores jogadores da Europa, presentes e futuros, nas suas posições. Portugal não é, nunca foi nem nunca será França, Espanha, Itália, Inglaterra ou Alemanha com os seus mais de 50 milhões de habitantes e mercados potentes. Mas não há nada que não tivéssemos já feito que pudesse voltar a ser repetido. Falta apenas trocar as peças mais importantes, as que não se vêem e esperar que ao homem do leme que venha a seguir não lhe escolham por ser vizinho do amigo do terceiro direito. E que não lhe entreguem em mãos uma rota que está destinada a encalhar num baixio com terra à vista lá ao longe.



Miguel Lourenço Pereira às 21:11 | link do post | comentar

Segunda-feira, 23.06.14

Portugal está a noventa minutos de realizar a sua pior campanha internacional da história. É a primeira que disputa com um Ballon D´Or vigente no onze titular. Essa é a realidade do futebol português. Um génio individual, um pobre colectivo. A equação só poderia funcionar se, a unir os dois extremos, houvesse um treinador competente e uma federação profissional. Sem uma ponte sólida o naufrágio para quem quer atravessar um rio tão largo como o Amazonas é inevitável.

 

Ronaldo é uma bênção para o futebol mundial e um karma para o futebol português.

Quando a proclamada Geração de Ouro – que só o trabalho de Mourinho no FC Porto conseguiu prolongar com a incorporação a uma equipa caduca a jogadores por ele forjados – chegou ao fim, o destino de Portugal parecía traçado. Como nos anos sessenta ou oitenta esperava-se outro oásis. Foi o que passou com belgas, húngaros, austríacos, jugoslavos (na versão sérvia) ou dinamarqueses, países dessa segunda divisão europeia onde, historicamente, podíamos encaixar Portugal. Mas o deserto não apareceu. Fruto de um bom ranking acumulado, do bom envelhecimento de jogadores presentes no Euro 2004, a saga prolongou-se até 2010 com resultados aceitáveis. Portugal não deslumbrava, não ia longe mas, também, não era uma chacota internacional. Conseguiu-se o apuramento (in extremis) para o Euro 2008 e o Mundial 2010 e uma vez lá uma eliminação honrosa contra futuros finalistas de ambos torneios. Nada a dizer para um país pequeno com uma liga a perder qualidade e onde o grosso da cavalaria envelhecia sem opções de futuro à vista. Parte dessa transição deveu-se a Cristiano Ronaldo.

Ícone mediático, melhor jogador do Mundo entre 2007 e 2009 e um digno segundo no anos seguintes, CR7 manteve Portugal no mapa internacional. As suas exibições, golos e influencia foram balizas emocionais importantes enquanto os Rui Costa, Figo, Simão Sabrosa ou Nuno Gomes iam dizendo adeus. À sua volta deixaram de estar as primeiras espadas e começaram a aparecer as suas sombras, os suplentes. Não havia Ricardo Carvalho, passou a haver Bruno Alves. No lugar de Simão, surgiu Nani. No de Deco, Maniche e Costinha apareceram Veloso, Moutinho e Meireles. A qualidade, naturalmente, ia piorando mas Ronaldo ia disfarçando e as segundas filas, numa primeira versão, davam conta do recado tendo em vista as suas naturais limitações. Nem Scolari nem Queiroz eram treinadores de topo mas encontraram um certo equilíbrio emocional entre o passado e o presente. Depois veio Paulo Bento e os velhos fantasmas de desnorte da Federação Portuguesa de Futebol e o fim tornou-se trágico e inevitável. Tal como em Saltillo 86 e a Coreia do Sul em 2002 ficou claro que, fora da Europa, Portugal está condenado a sofrer os favores, tráficos de influencias, a corrupção, amadorismo puro e genuína incompetência dos seus dirigentes desportivos. A necessidade de adaptar-se a outros climas, realidades, a distancia de casa, os compromissos publicitários para encher bolsos alheios primam sobre o trabalho desportivo.

Não é coincidência que nos três casos a prestação portuguesa tenha sido acompanhada dos mesmos males, desde uma má preparação prévia, um penoso estado físico, uma eleição de jogadores desacertada e um treinador que é tudo menos o homem indicado para o lugar. Tropeçar numa pedra passa a todos, em duas aos distraídos, na terceira…já conhecem o refrão…

 

Ronaldo, que é sem duvida um dos mais brilhantes jogadores da história, foi um bálsamo emocional mas também a fonte de novos e perigosos problemas. O seu egoísmo, habitual em estrelas do seu calibre, aliada à gestão de fraca gente e a penosa influencia do seu omnipresente agente, condicionaram os últimos cinco anos da selecção. Portugal joga apenas e só em função de Ronaldo.

Deixou de ser uma equipa – como era nos días de Scolari - para ser um veiculo promocional. Deixou de ter uma ideia de jogo, para actuar sempre na mesma linha. Deixou de ser um espaço onde vêm os melhores e os mais aptos para ser um grupo de amigos que se juntam para uma churrascada em casa do dono da bola. Ronaldo, um génio quase sem precedentes no futebol português, nunca conseguiu ter a humildade de Eusébio, Futre ou Figo e de procurar o melhor para si tendo o melhor dos outros. Ajudou, com a sua influencia (sua, a dos seus melhor dito) perpetuar um estado de coisas em que a função de dirigir se tornou um trabalho fácil e sem exigência porque a margem de escolha era nula. Portugal, o mesmo país que já teve a Ballon D´Or (e outros que o podiam ter sido) no passado, passou a ser o Ronaldo Futebol Clube. Nesse mundo não existiam problemas porque o “melhor do mundo”, como cansativamente os jogadores, técnicos e dirigentes repetem não vá alguém esquecer-se, resolve. E muitas vezes resolveu. Contra a Holanda, em 2012. Contra a Suécia, em 2013, Ronaldo foi de facto o jogador que todos esperam que seja. Mas essas exibições, nos momentos chave, estão condicionadas exclusivamente ao seu estado de forma, física e anímica. E Ronaldo chegou ao Brasil destruído, por culpa própria.

Em ano de Mundial os jogadores de topo sabem o que devem fazer. É uma regra não escrita que Messi, Neymar ou Robben, figuras individuais de destaque até agora, interpretaram bem. Os seus países agradecem. Ronaldo preferiu ir por outro caminho. Conhecedor do estado do seu joelho, preferiu gastar todas as balas cedo. Desgastou-se em jogos intranscendentes na liga espanhola contra os avisos dos médicos do próprio clube. Falhou jogos importantes – Copa del Rey, jogo em Dortmund da segunda-mão dos quartos-de-final – e foi figura de corpo presente na final da Champions League e no final de época. Mas nunca parou para descansar. Forçou e fê-lo com a consciência de quem sabe o que vem depois. Para quê? Uma terceira Bota de Ouro (partilhada com um jogador que jogou menos minutos, jogos e numa equipa inferior à sua) e pouco mais. Quando chegou ao Brasil, Ronaldo vinha destroçado e Portugal não tinha plano B. Teria sido melhor para ele fazer como Falcao e dar um passo ao lado. Teria forçado Paulo Bento a ser treinador, por uma vez na vida, e organizar um sistema colectivo capaz de sacar o melhor de cada jogador para o bem comum. Enquanto mentia ao Mundo (e talvez a ele próprio) sobre a sua condição física, o ego daquele que foi, talvez, o pior capitão que Portugal já teve, fez uma cruz ao destino do seu próprio país. Ele tinha de jogar – num estado físico lamentável por si provocado – e sabendo que a sua presença só ia piorar as coisas, não usou a sua influencia para exigir uma convocatória de jogadores fisicamente preparados para suprir a sua falha. Não, vieram os amigos do costume e com eles jogadores em estado tão mau ou pior que o seu.

Bento, a FPF e Ronaldo alienaram da selecção a vários jogadores (Tiago, Carvalho, Danny, Duda, Antunes) e taparam a porta a novos ao contrário do que fizeram franceses, holandeses e ingleses. Ao Brasil - depois de épocas péssimas na sua esmagadora maioria - vieram futebolistas caducados, como os yogurtes, impróprios para consumo e indigestos. Jogadores que, noutro país, tinham há muito dado o lugar à geração seguinte mas que em Portugal se perpetuam para lá do imaginável. Basta ter um amigo ou o agente certo. Bento preferiu ter a Eder, Postiga, Almeida, Veloso, Meireles, Bruno Alves, Nani e Patricio a contar com os Cavaleiro, Gomes, João Mario, Bruno Fernandes, Adrien e Antunes. Pagou o preço quando os jogadores se foram tornando cadáveres em campo ao menor sopro de vento. Ronaldo tentou ser El Cid mas acabou por transformar-se em zombie durante 180 minutos. Todos os génios individuais que viajaram ao Brasil disseram presente. Todos menos o que vinha com o titulo mais pomposo.

 

Portugal está destinado, naturalmente, a sofrer mais derrotas, não qualificações e eliminações precoces. O sol continuará a nascer. Esse não é o problema num torneio onde até a campeã do Mundo caiu. A questão grave no meio deste drama digno de telenovela é a repetição histórica dos mesmos erros. Era um grupo complicado e cair cedo uma possibilidade. É a forma como Portugal cai, a falta de espírito critico de adeptos, jornalistas e dirigentes e a forma, previsível, como tudo continuará na mesma que preocupa. Daqui a dois anos Paulo Bento ou outro do seu perfil hermético continuará a obedecer a Ronaldo e ao seu agente, a esquecer-se que a selecção é de todos e não de dois e a eleger os nomes errados para o desenho táctico errado nas circunstancias erradas. Portugal dificilmente será campeão mundial alguma vez. No “Sonhos Dourados” explico o porquê. O que podia poupar era a constante humilhação de comportar-se como um clube de bairro quando o dono de bola se chateia com o mundo e decide pegar nela e voltar para casa deixando dez milhões de pessoas a perguntar-se…”e agora quê?”      

 

PS: Depois de escrever este artigo li as declarações dadas pelo capitão da selecção de futebol. Apenas confirmam o que disse antes. Para Ronaldo, a selecção portuguesa é um brinquedo nas suas mãos. Os adeptos portugueses têm de agradecer que não tivesse ido de férias depois de ganhar a Champions (como se calhar devia ter feito), tem de suportar as suas mentiras sobre a sua penosa condição fisica para só no último suspiro se render á realidade e. ainda para mais, têm de ouvir o seu capitão dizer que há equipas melhores (os EUA são mais organizados, não melhores) e que nunca se imaginou a vencer o Mundial. Nós, também não. O que se pedia era uma exibição á altura do escudo. O que Ronaldo entendeu foi um torneio á altura do ego.



Miguel Lourenço Pereira às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (21)

Segunda-feira, 16.06.14

Portugal não perdia por mais de três golos há muito, muito tempo. 1983 foi, realmente, noutra vida. Na história, a equipa das Quinas nunca tinha caído por 4-0 em Europeus e Mundiais. Pode juntar o novo recorde á lista na primeira investida em Vera Cruz. Paulo Bento armou uma equipa incapaz de jogar futebol, mentalizada para uma derrota que nasceu de um cúmulo de erros em todas as linhas. A Alemanha nem teve de ser ela mesma para colocar Portugal numa posição humilhante. Se tantas vezes a selecção deu motivos de orgulho a um país cinzento, na Bahia a equipa das quinas envergonhou todos os que gritaram por ela.

Paulo Bento é um seleccionador com tantas limitações que é extremamente difícil partir para cada jogo de Portugal sem temer o pior.

Apesar do brilharete no Euro 2012 - duas derrotas, três vitórias, duas in extremis e uma muito bem lograda - a sua versão de Portugal é talvez a mais triste que alguma vez subiu a um tapete verde. Muitas vezes pré-histórica na forma como entende o jogo, a fase de qualificação num grupo totalmente acessível lançou os velhos sinais de alarme. Se não fosse por um Cristiano Ronaldo em momento estelar - quando ainda sonhava com o Ballon D´Or que acabou por ganhar - contra a Suécia e esta crónica seria apenas fruto da nossa imaginação. Portugal, que durante uma década fez parte da primeira divisão europeia, com Bento transformou-se em chacota internacional. Só faltava um jogo que o confirmasse de forma oficial. Não foi preciso esperar muito. O primeiro desembarque no Brasil chegou em forma de naufrágio.

Bento é limitado como treinador mas é ainda pior como seleccionador. A sua convocatória trazia um cheiro a mofo evidente. Ao contrário de Roy Hogdson, preferiu ignorar a juventude portuguesa para dar minutos e minutos a jogadores que já demonstrarem em inúmeras ocasiões serem verdadeiros yogurtes caducados. Homens da sua confiança - e com o sargento Bento isso é palavra de ordem - e também da mais influente agência de futebolistas do Mundo, os vinte e três resumiam-se a três grupos de jogadores. Os que jamais teriam nível para estar no torneio, a meia dúzia de jogadores de bom nível que Portugal ainda tem e Cristiano Ronaldo.

Se a convocatória já de por si previsível, anunciava que tipo de selecção íamos ver no Brasil, o primeiro onze deixou clara a mensagem final. Miguel Veloso, dono de uma época para esquecer perdida na Ucrânia, foi eleito no lugar de William Carvalho. Bruno Alves suplantou Luis Neto ainda que o seu colega no Zenit tenha sido muito mais eficaz ao longo do ano. Rui Patrício suplantou Beto por capricho puro do seleccionador e tanto Raul Meireles como Nani deixaram claro que nem a forma física nem o estado actual são critérios para o treinador. Portugal estava a caminho de um cabo das tormentas com um capitão com vontade de beijar as rochas.

 

O jogo começou da forma previsível.

Os alemães cómodos com a bola, os portugueses sem saber o que fazer quando algum ressalto lhes fazia cair o esférico nos pés. Ronaldo, dedicado a conquistar a Bota de Ouro, jogava mas visivelmente fora de forma. É o preço de todos os minutos supérfluos acumulados na liga que lhe agravaram uma lesão identificada - mas ignorada pelo jogador - em Janeiro. Do outro lado Nani perdia cada esférico que recebia. Moutinho, em péssima forma física, era engolido pela combinação entre Khedira, Lahm e Kroos. E não havia mais ninguém para jogar á bola com critério. Previa-se um encontro de máximo sofrimento mas esperava-se que a defesa - o baluarte em 2012 - aguentasse a carga de uma equipa teutónica sem avançado fixo mas com um Muller endiabrado. A equação teve resolução rápida.

João Pereira, o perfeito sinal de que o nível de exigência para chegar a internacional A tem recuado aos níveis dos anos setenta, cometeu um penalty infantil que o número 13 alemão não falhou. Foi o primeiro de três golos para Muller, ele que ainda teve tempo de deixar a sua marca no jogo de outra forma. As suas movimentações foram destroçando uma defesa desnorteada onde se notava que nem Pepe nem Alves tinham capacidade para a exigência do momento. De um erro da dupla de centrais surgiu o canto que Hummels aproveitou para ampliar a vantagem. O guião estava lançado. Do outro lado Portugal resumia a sua exibição a dois remates, o primeiro um esforço ridículo de Hugo Almeida - talvez o pior avançado da história da selecção portuguesa - e o segundo um tiro cruzado de Ronaldo que deixou claro que o número 7 não tem capacidade física para cair em cima do rival como é capaz de fazer. Depois apareceu Pepe e o navio afundou.

O central luso-brasileiro é capaz do melhor e do pior. Um dos melhores jogadores a nível mundial na sua posição, Pepe é também dotado de uma capacidade crónica de cometer erros infantis. Num lance com Muller, depois de fazer falta, ignorou o piscar de olhos do árbitro em deixar o jogo seguir e decidiu voltar para trás para encarar o alemão, deitado no chão. Encostou-lhe a cabeça e foi suficiente. Muller não fez teatro, pelo contrário, mas o árbitro, consciente de quem é Pepe num campo de futebol, não teve meias medidas. Podia ter resolvido tudo com um amarelo mas o acto irreflectido e estúpido de um jogador que até então só tinha cometido disparates foi punido merecidamente com o vermelho. Portugal rendeu-se e esperou o pior. Que veio. Dois golos mais de Muller, ambos com a preciosa colaboração de um cumulo de erros defensivos que não deixaram ninguém bem na fotografia. Nem Patricio - autor de passes inexplicáveis e de uma total insegurança nos cruzamentos - nem André Almeida se livraram. O lateral do Benfica rendeu Coentrão, o único que esteve ao seu nível mas que acabou por cair vitima de uma lesão muscular. Como Almeida está fora de combate. Provavelmente até ao fim do torneio, ou melhor dito, da participação portuguesa em prova. Vai fazer falta, até porque Ronaldo continua desinspirado e mais preocupado com o número de golos de Messi - os seus livres a distâncias impossíveis demonstram-no bem - e Nani é uma sombra do que podia ter sido e nunca chegou a ser. A Alemanha podia ter feito mais sangue. Podia até ter lançado Klose. Preferiu guardar energias para duelos mais á frente. Sabem que podem ir longe e que há que ter cabeça fria. Tudo aquilo que faltou a Portugal.

 

Bento podia ter tranquilizado a equipa. Perder com a Alemanha era um cenário previsível e são os duelos com o Gana e os Estados Unidos que vão decidir o futuro de Portugal. Perdeu ele próprio a cabeça, durante o jogo e nas declarações posteriores atirando areia para os olhos como lhe é habitual. A péssima preparação fisica realizada pelos portugueses e uma convocatória repleta de lesionados em vez de jogadores em forma e mais jovens também tem as suas consequências. Em 2012 jogaram apenas quinze dos vinte e três. Essa legião pretoriana tem mais dois anos em cima e dois anos decepcionantes. Mas para o seleccionador essa realidade foi ignorada em prole de outros interesses. Agora, nos 180 minutos mais importantes da história recente de Portugal, é com Ricardo Costa, André Almeida, Éder e Varela que Bento terá de evitar repetir a debacle de 2002. Nesse torneio asiático - onde tantas coisas parecidas com este aconteceram (lesão de Figo/Ronaldo, estágio mal preparado, jogadores em más condições físicas, legião de eleitos preferida a jogadores em forma) - as derrotas com os Estados Unidos e Coreia doeram aos adeptos mas vinham em consonância com o historial recente de Portugal no torneio, onde não participava há dezasseis anos. O desastre de Bahia, contra a Alemanha, é algo pior. Em tempos de crise, em tempos de angústia, o futebol tornou-se numa tábua de salvação emocional para um país que gosta de presumir de algo onde sente que tem alguns dos melhores do Mundo. Perder por 4-0 e a forma como se perdeu foi talvez a maior humilhação possível para os adeptos lusos. As limitações de Bento, do seu modelo e da omnipotência do Ronaldo tiveram finalmente factura a pagar. E não é barata.



Miguel Lourenço Pereira às 21:43 | link do post | comentar | ver comentários (9)

Sábado, 07.12.13

Ficar satisfeito com um sorteio meio ano antes de ele ganhar forma no relvado é complicado. A insatisfação é sempre um sentimento mais proclive nestes momentos. Fazem-se contas, julgam-se potenciais, especula-se com a forma alheia e cruzam-se os dedos. Portugal é um puzzle nas grandes competições. Historicamente rende mais em grupos complicados mas cada torneio é algo concreto e no Brasil a equipa das quinas voltará a confrontar-se com fantasmas do seu passado. Todos sabemos que Portugal não é candidata ao título mas, até onde pode ir esta geração?

Na cabeça de Paulo Bento provavelmente não esteja agora mesmo Ozil, Bradley ou Ayew.

O seleccionador português estará, seguramente, a pensar nos mais de 5000 kms que a sua equipa terá de fazer em duas semanas. Talvez o grande inimigo de Portugal seja, a esta altura, o destino a que foi vetado por cair num grupo que se move pelas cidades que a maioria das selecções queria evitar. Portugal não passará pelo Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo, os pontos fortes deste torneio. A equipa lusa jogará na Bahia o primeiro jogo e depois passará por dois infernos particulares, o coração da Amazónia - Manaus - e a capital brasileira, a árida Brasília. Pelo meio três viagens largas desde a base até aos recintos. Cansaço antes e depois dos jogos que pode passar factura. Não é por acaso que as equipas europeias se dão mal nos Mundiais fora do seu continente.

No Brasil Portugal terá vários rivais. O Outono tropical - húmido, asfixiante, imprevisível - será talvez o maior deles. Ao contrário de outro dos possíveis "Grupos da Morte", o B, onde os jogos serão disputados na costa sul, Portugal jogará a norte. Até aí perde uma das poucas bases de apoio a que podia acudir. As colónias de emigrantes portugueses estão nas grandes urbes. Jogar no meio do Amazonas, no coração de Goiás é jogar longe de qualquer apoio sentimental dos locais. A selecção vai ser estranha num país que viu nascer das suas entranhas. Ironias do destino.

 

No aspecto meramente desportivo, a sorte é um conceito difícil de julgar.

Claro que Portugal não é a França ou a Argentina - com as vantagens que isso habitualmente inclui - e não teve a oportunidade de jogar a meio gás contra rivais como Equador, Suíça, Honduras ou Irão, Nigéria e Bósnia-Herzegovina. São os grupos mais débeis do torneio e propiciaram a criação de três super-grupos. Portugal pode sentir-se parte de um deles. Afinal terá de jogar contra a grande favorita europeia - a Alemanha - a campeã da CONCACAF, os Estados Unidos, e talvez a mais organizada das selecções africanas, o Gana.

São três rivais de respeito, a níveis distintos. Da Alemanha pouco se pode dizer que não se tem visto nos últimos cinco anos. São a sombra dos espanhóis e procuram desesperadamente o momento de tornarem-se protagonistas. Contam com o melhor plantel europeu - entre Bayern e Borussia podiam montar dois onzes ultra-competitivos - têm um excelente treinador e conhecem bem as fraquezas portuguesas, que exploraram no último Europeu. Como aí será o primeiro jogo e não decidirá absolutamente nada. Há margem de manobra para um arranque tremido.

Os jogos a sério vêm depois. Contra o Gana decide-se tudo e a vitória parece ser o único resultado possível equaciando um possível triunfo dos africanos aliado a uma vitória dos germânicos na ronda inaugural. O Gana não tem as figuras individuais de costa-marfilenses e camaroneses, mas prima pela sua excelente organização táctica. Num jogo no meio do Amazonas, com um clima parecido ao que os ganeses têm na "costa do ouro", à uma da tarde, será um choque de titãs. Quando aos Estados Unidos, uma icnógnita constante nestes torneios, nunca se sabe bem o que se esperar. Não têm grandes figuras mas são uma selecção organizada - que para Portugal habitualmente é um problema - e nos últimos três torneios só por uma vez falhou a passagem à fase a eliminar. Sabem competir.

No entanto, como é normal, que se pode esperar de selecções a quem lhes espera meio ano de temporada? Muito pouco. Uma praga de lesões dificilmente faria a Alemanha uma selecção mais acessível mas Low falhou o assalto à final do último Europeu talvez porque confiou em excesso em jogadores fisicamente desgastados por uma época difícil (os do Real Madrid e do Bayern Munchen). Quanto aos africanos e norte-americanos, como vivem mais do colectivo que das individualidades, dificilmente se poderá prever como estão sem saber como a época passará factura aos seus onzes-tipos. Um raciocínio que se pode adaptar perfeitamente à realidade portuguesa, não fosse por Cristiano Ronaldo. O capitão das quinas colocou a selecção no Mundial no play-off e é a única esperança credível de Portugal para dar um salto qualitativo fundamental para não ser outra vez a equipa da fase de apuramento. O desgaste de Ronaldo durante a época - ao contrário de um Messi que chegará muito mais fresco e poupado - pode ser um handicaap difícil de gerir por Paulo Bento. Talvez o maior de todos.

 

Olhando para os restantes grupos, aplica-se o mesmo raciocínio. Até Maio tudo são incógnitas. É certo que entre o grupo B (Espanha, Chile e Holanda) e D (Itália, Uruguai, Inglaterra) um candidato aos quartos-de-final ficará cedo pelo caminho, e que há grupos equilibrados como o C (Costa do Marfim, Colombia e Japão), o H (Bélgica, Rússia, Coreia do Sul) e A (Brasil, Cróacia, Camarões e México) onde tudo pode suceder. Mas nada muito diferente do que se poderia esperar com tantos condicionantes inventados pela FIFA para controlar o sorteio. Isso sim, mais curioso e talvez, mais importante, do que os grupos são, sem dúvidas, os cruzamentos seguintes. Entre Brasil, Espanha e Holanda - três candidatos - pelo menos uma das equipas ficará pelo caminho nos oitavos-de-final. Portugal, se passar em segundo lugar, poderá ter de medir-se aos já conhecidos russos, à sensação Bélgica ou aos imprevisíveis sul-coreanos. E um passo mais, a argentinos primeiro e (hipoteticamente) a brasileiros/holandeses/espanhóis ou italianos/ingleses/colombianos. Ganhando o grupo ganha, portanto, outra importância porque permite desbloquear um caminho mais tranquilo até a umas hipotéticas meias-finais com o Brasil. Mas quem acredita, verdadeiramente, que poderemos lá chegar? O futebol, esse, tratará de nos contar a verdade...daqui a meio-ano!



Miguel Lourenço Pereira às 11:54 | link do post | comentar | ver comentários (29)

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