Segunda-feira, 21.05.12

A partir de hoje e até ao próximo dia 1 de Junho o Em Jogo dedica a sua programação em exclusiva à análise das seis principais ligas do futebol europeu.

 

Um pequeno resumo, eleição do Melhor Jogador, Treinador, Onze e Revelação do Ano e as imagens que marcaram a temporada 2011/12 em Inglaterra, Espanha, Alemanha, França, Itália e Portugal.

 

Bem vindos, ao Em Jogo!

 




Miguel Lourenço Pereira às 15:29 | link do post | comentar

Quarta-feira, 08.06.11

 

Guarda Redes

Samir Handanovic

 

Não tem o carisma de Buffon nem a popularidade de Julio César, mas a época realizada pelo esloveno Samir Handanovic é uma das mais impactantes que a Serie A se recorda em muitos anos. Num país habituado à excelência dos seus guarda-redes, Handanovic sempre jogou com a suspeita de adeptos e rivais mas com o tempo tornou-se numa das figuras indiscutiveis da equipa de Guidolin. Igualou o recorde de penaltis parados numa só época (seis) com a frieza que o caracteriza e acabou por ser um dos guarda-redes menos batidos do ano, apenas batido por Abbiati.

 

Outros: Época de confirmação em Palermo para o jovem Salvatore Sirugu, um dos nomes mais fortes para o futuro da Azzura com a eminente retirada de Buffon. Já substituiu o mitico guardião no passado Mundial e depois de um ano ao mais alto nivel a sua mudança para um grande não está descartada. Em Napoli ressuscitou Morgan De Sanctis, grande promessa há meia dúzia de anos que passou desapercebido na sua estância em Sevilla e que se reencontrou com o futebol num ano para não esquecer à sombra do Vesuvio.

 

 

Defesas Laterais

Christian Maggio e Federico Balzaretti

 

Imenso na época surpreendente do Napoli, Christian Maggio foi um dos jogadores mais determinantes da última época. Fundamental no jogo de transição dos homens de Mazzari, Maggio assenhorou-se da ala direita, tornou-se no melhor sócio de Cavani e companhia no ataque e manteve-se seguro e fiável em tarefas defensivas. Um imenso salto de qualidade para o ex-jogador da Samdporia. Do outro lado da defesa trabalho superlativo de Federico Balzaretti que, aos 29 anos finalmente se consagrada como um dos grandes laterais do futebol europeu. Com Cassani formou duas alas demolidoras que ajudaram, e muito, a definir o estilo de jogo ofensivo do Palermo.

 

Outros: Mattia Cassani em Palermo e Maurico Isla ao serviço da Udinese foram dois dos jogadores mais regulares do torneio. O primeiro conseguiu finalmente chegar à azzura depois de realizar uma época superlativa ao serviço dos rosanero enquanto que o chileno foi um verdadeiro pesadelo no sector esquerdo do conjunto de Friuli. Por fim destaque especial para Sorensen, lateral direito da Juventus lançado por Del Neri e uma das revelações positivas do ano numa época para esquecer da Vechia Signora.

 

 

 

Defesas Centrais

Thiago Silva e André Dias

 

O titulo do AC Milan confirmou também a maturidade competitiva do brasileiro Thiago Silva. Aquele que há sete anos passou pela equipa B do FC Porto antes de rumar ao Dynamo Moscow graduou-se finalmente como lider da defesa rossonera. Foi o mais regular e determinante defesa dos campeões e ganhou também um lugar no eixo defensivo do escrete canarinho. Ao seu lado neste nosso onze outro brasileiro, André Dias, que ao serviço da AS Lazio confirmou todo o potencial que trazia desde a sua etapa no São Paulo. Uma época para relembrar do veterano central.

 

Outros: Continua o processo de maturação de Chiellini, erigido em novo lider espiritual da defesa da Juventus. O central cada vez mais assume o papel de herdeiro de Cannavaro e dentro dos erros individuais dos turineses, os seus foram uma imensa minoria. Em Friueli o colombiano Cristian Zapata foi um dos seguros de vida da Udinese, realizando uma época absolutamente espantosa e confirmando o olho de Guidolin para lançar jogadores desconheciso. Por fim, Walter Samuel continuou a demonstrar em Milão que é um dos duros do jogo, mas foi também a sua fortaleza psicológica que ajudou o Inter a encetar a sua quase milagrosa recuperação.

 

 

Médios

Danielle De Rossi, Antonio Nocerino e Javier Pastore

 

A dupla do miolo do Palermo, composta pelo italiano Antonio Nocerino e o argentino Javier Pastore, foi um dos grandes aliciantes da temporada. Nocerino explodiu finalmente depois de épocas perdidas entre Genoa e Juventus. Na Sicilia transformou-se no patrão de jogo que o Palermo necessitava e a sua associação com o superlativo Pastore foi determinante para a boa época dos insulares. Pastore, por outro lado, foi um dos nomes individuais próprios do torneio. O argentino é indiscutivelmente um dos melhores do mundo no seu posto e a titulo individual talvez só Alexis Sanchez e Edison Cavani tenham estado à sua altura na competição de este ano. Também em grande esteve o vice-capitão da AS Roma, Daniele De Rossi. Já não é novidade, mas De Rossi foi fundamental na recuperação dos romanos face à habitual intermitência de Totti à frente do conjunto da capital. Uma excelente temporada.

 

Outros: Parte da solidez defensiva do Napoli de Mazzari passou pelo trabalho de Walter Gargano. O uruguaio foi pedra angular na estratégia de jogo dos napolitanos, soltando Marek Hamsik – outro dos nomes próprios do ano - na transição ofensiva enquanto cobria as habituais subidas de Maggio. Em Parma a grande estrela jovem do Calcio, Sebastian Giovinco voltou a fazer das suas. Destroçou a “sua” Juventus e voltou a demonstrar aos mais cépticos que é um nome com um futuro tremendo. Por fim uma palavra para Kevin-Price Boateng. O titulo do AC Milan começou a ganhar forma quando Allegri apostou, definitivamente, no ganês como trequartistas rossonero, dando equlibrio e tranquilidade a uma equipa até então demasiado partida em dois.

 

 

Avançados

Edison Cavani, Antonio Di Natale e Alexis Sanchez

 

Tridente de luxo que define bem o poder dos clubes mais pequenos em recrutar jogadores de grande classe que passam debaixo do radar dos grandes da prova. O Napoli apostou forte em Edison Cavani e ganhou a aposta com juros. Juntamente com Hamski e Lavezzi, o uruguaio explodiu como goleador e homem chave na corrida dos napolitanos a um scudetto que acabou por não suceder. Foi um dos melhores marcadores do torneio, sobretudo com golos chave que mantiveram vivo o sonho do titulo até bem perto do fim da época. Também com bilhete para a Champions, a Udinese contou com um duo espantoso no ataque. O italiano Di Natale voltou a confirmar-se como um goleador nato, vencendo o prémio de Capocanonieri com 28 golos, apesar dos seus já 33 anos. Ao seu lado o jovem chileno Alexis Sanchez foi o parceiro perfeito desta dupla, tanto pelos golos como pelas assistências, transformando-se num dos nomes mais cobiçados do futebol mundial. Certamente que será uma baixa de luxo para a campanha do próximo ano em Friuli.

 

Outros: Solto dos espartilhos tácticos de José Mourinho, o camaronês Samuel Etoo foi mais decisivo do que nunca ao serviço do Inter. Durante largos meses marcou com espantosa regularidade e face às lesões de Milito e Pandev, emergiu como o único dianteiro dos neruazurri. Com a chegada de Pazzini, autor de uma boa primeira volta com a despromovida Sampdoria, perdeu em protagonismo e espaço que o italiano aproveitou para conseguir marcar algumas gestas impensáveis. Destaque também para Alessandro Matri que saltou do Cagliari para a Juventus sem deixar de fazer o que melhor sabe, marcar.

 

 

 

Treinador

Walter Mazzari

 

Pegar numa equipa tão modesta como o Napoli e fazer dela candidata ao titulo é algo quase impensável para a maioria dos técnicos. Mas Walter Mazzari superou as expectativas e confirmou o que já deixava antever desde os seus dias como técnico da Sampdoria. Ele é, provavelmente, um dos mais completos técnicos italianos e a forma como montou o esquema de jogo do Napoli, num falso 3-5-2, com Cavani e Lavezzi como elementos mais adiantados e Hamsik como pensador de jogo, surpreendeu pela agressividade do planteamento. Mazzari desafiou os grandes de Milão como nenhum clube modesto foi capaz nos últimos 20 anos e tarde ou cedo será campeão, possivelmente ao leme daqueles que esteve perto de bater.

 

Outros: Primeiro ano no banco do AC Milan e primeiro titulo. Massimiliano Allegri foi uma das revelações da época passada ao serviço do Cagliari e com um Milan montado e reestruturado em detalhe não teve grandes problemas em conquistar o scudetto. Mesmo assim ficou a sensação de que Allegri poderia ter sido campeão com mais solvência se tivesse apostado, desde o inicio, por um esquema de jogo mais coerente e menos mediático. Grande época a realizada por Francesco Guidolin que conseguiu o êxito histórico de qualificar a Udinese para a prévia da Champions League. Fica o aviso do que sucedeu à Sampdoria mas é de esperar que o técnico mantenha as suas grandes armas, com a inevitável excepção de Sanchez. No outro extremo de Itália, nota mais para Delio Rossi. Apesar de ter sido despedido em Fevereiro – inexplicavelmente – o técnico acabou por ser “recontratado” dois meses depois para garantir um final de época tranquila a uma das equipas que melhor joga em Itália, o Palermo de Pastore e companhia.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:27 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Segunda-feira, 06.06.11

 

Guarda Redes

Hugo Lloris

 

Apesar do Lyon ter estado, um ano mais, por debaixo das expectativas, o jovem Hugo Lloris, esteve, uma vez mais, ao seu máximo nivel. O guardião dos “Gonnes” confirmou o seu estatuto de referência dentro do Olympique e melhorou alguns dos seus defeitos por pulir, como o jogo com os pés e os cruzamentos para a área. Não foi ele, certamente, que o Lyon falhou o assalto ao ceptro.

 

Outros: Mickael Landreu foi o guardião do titulo, determinante a segurar muitos pontos para o Lille nos momentos mais apertados, numa especie de segunda juventude inesperada. Steve Mandanda continuou a exibir-se igualmente em boa forma ao serviço do Marseille mas ainda se nota que está um furo por debaixo de Lloris.

 

 

 

Defesas Laterais

Taiwo e Coulibaly

 

Dono e sonhor do corredor esquerdo do Velodrome, o nigeriano Taiwo foi um dos jogadores mais em forma durante toda a temporada. A sua transferência para o AC Milan espelha bem a forma como o lateral cresceu ao largo dos últimos anos ao serviço do conjunto da Cote D´Azur, com golos e assistências chave. Em Auxerre um dos nomes mais em forma durante o ano foi Adama Coulibaly. O jogador do Mali foi o único a salvar-se numa época deprimente de uma equipa que no ano passado sonhou até tarde com um titulo que poderia ter sido histórico.

 

Outros: Depois de brilhar ao serviço do Lorient o lateral Christophe Jallet continua a consagrar-se como um lateral de excepção ao serviço do PSG. Uma época regular e séria que lhe valeu também ser pré-convocado por Laurent Blanc. Do outro lado da defesa, Ali Cissokho voltou a ser um dos elementos mais constantes do Lyon, o mais seguro do sector defensivo e um dos poucos que se salvou de uma época cinzenta e atipica.

 

 

 

Defesas Centrais

Sakho e Varane

 

São o futuro do futebol francês e não é muito complicado imaginá-los nos próximos anos a liderar a defesa dos Bleus. Sakho confirmou este ano ao serviço do PSG todo o potencial que tinha feito dele um nome obrigatório a seguir. Entre lateral e central direito foi uma figura fixa no onze do conjunto parisino e um dos elementos mais jovens de uma equipa profundamente envelhecida. Varane despontou ao serviço do despromovido Lens mas a sua época extraordinária (onde actuou também a médio defensivo) não passará ao lado dos principais olheiros dos tubarões europeus.

 

Outros: Rodi Fanni arrancou a época ao serviço de Rennes mas em Dezembro mudou-se de armas e bagagens para Marselha onde acompanhou o argentino Gabriel Heinze no eixo da defesa. Ambos formaram uma dupla temivel reforçando a corrida – falhada – dos marselheses ao titulo. Adil Rami foi um dos elementos mais destacados da defesa do campeão Lille e aos 26 anos prepara-se para dar o salto para um grande da Europa, o Valencia espanhol.

 

 

 

Médios

Martin e Lucho

 

Se Lucho continua a ser o patrão, por excelência, do bom jogo do Marseille, o jovem Marvin Martin é, sem dúvida, a grande revelação da temporada. Ao serviço do modesto Sochaux, o médio criativo parisino demonstrou todo o seu potencial levando a equipa da fábrica Peugeot aos lugares europeus. O seu futuro está, certamente, bem longe de Sochaux. Ao seu lado neste onze um jogador insubstituivel, Lucho Gonzalez. O médio do Olympique voltou a execer de lider e general de um conjunto que faz da organização a sua melhor arma.

 

Outros: Em Lille vive um actor secundário de respeito, Yohann Cabaye. O médio é o sócio perfeito de Hazard e o fiel de balança no equilibrio defensivo dos nortenhos de Garcia. Em Rennes, o destaque foi para o trabalho criativo de Sylvan Marveaux e a tremenda solidez defensiva de Yann Mvilla. Ambos contribuiram para uma das melhores épocas do Stade Rennais e ajudaram a representar a solidez do projecto de formação do clube bretão.

 

 

 

Extremos

Gervinho e Mounier

 

A velocidade e explosão do costa-marfilense Gervinho foi uma das armas preferidas de Rudi Garcia para desatascar os jogos mais complicado. O extremo direito apontou 14 golos durante todo o torneio e foi um dos reis de assistências da competição realizando, talvez, a sua época mais completa de sempre desde que chegou ao Lille. No lado oposto a grande revelação do torneio foi Antoine Mounier. Só Martin deu mais passes para golo do que o jovem do Nice, filho das escolas de formação do Lyon. Rápido e profundamente vertical, o talento de Mounier há muito que estava detectado pelos principais scouts mas até agora nenhuma época tinha plasmado de forma tão evidente todo o seu potencial.

 

Outros: Em Sochaux mora também a rapidez e incisão de Ryan Boudebouz, hábil extremo que levantou imensa polémica quando anunciou que preferia representar a selecção da Argélia à francesa. Em Saint-Ettiene o destaque vai todo para Dimitri Payet que, depois de dois anos de muitas promessas, finalmente se converteu no extremo determinante que tanto anunciava na selecção sub-17 gaulesa. Nota final para a confirmação definitiva de Ayew, uma das surpresas do Mundial da África do Sul, que em Marselha encontrou o seu espaço para explorar o seu futebol em quinta velocidade.

 

 

 

Avançado

Hazard e Sow

 

A dupla que definiu toda a temporada na Ligue 1, uma associação que entrará para a história do torneio. Eden Hazard criou, Moussa Sow concretizou. O médio ofensivo belga e o dianteiro senegalês foram o esteio em que se montou a festa do titulo “lilleois” ao mesmo tempo que se afirmavam como as duas grandes invidiualidades da temporada. 25 golos para Sow, 15 assistências de Hazard, registos de primeiro nivel para uma dupla que vive já com a cobiça dos grandes da Europa, bem atentos à espantosa época do clube nortenho.

 

Outros: Em Marselha o Olympique continua a viver, e muito, da inspiração de um Mathieu Valbuena, que renasceu para o futebol com uma equipa bem montada à sua volta. O médio ofensivo gaulês encontrou em Ayew e Remy dois parceiros de luxo e manteve os azuis na corrida pelo titulo até ao fim. Em Lorient o luso-francês Kevin Gameiro confirmou as boas indicações deixadas na época passada voltando a marcar 22 golos, disputando até ao último dia o prémio de melhor marcador com Sow. A sua saída será um golpe duro para o modesto conjunto atlântico. Em Lyon, depois de um ano negro, as expectativas voltaram a não ser cumpridas mas não foi pelo notável trabalho do argentino Lisandro Lopez, que com os seus golos (17 em total) e assistências, manteve os “Gonnes” na rota da Champions League.

 

 

 

Treinador

Rudi Garcia

 

Desde há vários anos para cá que Rudi Garcia dava sinais de estar a preparar uma equipa em Lille disposta a desafiar os habituais senhores da Ligue 1. Durante três anos manteve-se sempre à porta dos lugares da frente, falhando o assalto por este ou aquele motivo. Mas Garcia encontrou, finalmente, a fórmula certa. Com os golos de Saw, o talento de Hazard, o trabalho cerebral de Cabaye e a segurança de Landreau e companhia, o Lille reconquistou um titulo histórico que não lograva desde os anos 50. Uma vitória surpreendente, depois do dinheiro investido por Marseille, PSG e Lyon, e que exemplifica bem o que sucede quando uma direcção mantém a confiança no seu treinador durante um largo periodo de tempo.

 

Outros: Didier Deschamps falhou a revalidação do titulo mas, mesmo assim, voltou a montar uma equipa sólida e altamente competitiva em Marseille. O ataque ao titulo durou até às jornadas finais e só então o Olympique atirou a toalha ao chão. Em Paris começam a acreditar que o PSG de Antoine Kombouaré pode voltar, mais depressa do que se imagina, à luta pelos titulos. Final da Taça e qualificação europeia cedo confirmada avalam o trabalho do técnico gaulês.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:26 | link do post | comentar

Sábado, 04.06.11

 

 

Guarda Redes

Victor Valdés

 

Terceiro Zamora consecutivo (quarto na sua carreira) diz tudo sobre o ano de Victor Valdés. Apesar de ainda não ter chegado ao nivel de perfeccionismo de Iker Casillas, o guardião do Barcelona é cada vez mais uma peça nuclear na estrutura de Guardiola. É o primeiro avançado, instruido a começar os lances com atenção cirurgica à rapida movimentação do tridente da frente, Valdés começa a assimilar de forma definitiva os processos do “Futebol Total” que os anteriores guardiões no Camp Nou foram incapazes de compreender. Um salto de qualidade notório e uma frieza de aço fazem o resto.

 

Outros: Iker Casillas continua a ser o guardião espanhol mais completo naquela que é provavelmente a geração de ouro de uma escola que remonta aos dias do divino Zamora. Este ano o capitão dos merengues voltou às suas defesas habituais apesar do estilo de jogo da equipa de Mourinho ter garantido muito menos trabalho do que aquele a que estava habituado. Do outro lado da capital o jovem David De Gea confirmou tudo aquilo que deixara antever na época passada e foi, por direito próprio, um dos nomes mais em foco durante a temporada. O inicio de época foi melhor que o final mas, de qualquer forma, ficou a confirmação de que De Gea é um caso sério de precocidade desportiva.

 

 

Defesas Laterais

Andoni Iraola e Marcelo

 

Na notável época do Athletic Bilbao, de regresso às provas europeias, é forçoso relembrar a imensa temporada realizada por Andoni Iraola. O lateral basco é um dos valores mais seguros do futebol espanhol e foi um poço de regularidade durante toda a época. Fez dele o corredor direito de San Mamés, associou-se sempre bem com Martinez, Llorent e Toquero e marcou vários golos fundamentais na corrida europeia do histórico clube basco.

Marcelo foi provavelmente a grande revelação da temporada. Já tinha deixado vários destelhos do seu talento individual mas se algo marcou as suas primeiras épocas em Madrid foi a sua inconstância. Sob o comando de Mourinho, igualmente suspeito dos seus defeitos, o lateral cresceu e afirmou-se como o melhor lateral esquerdo do futebol actual. Determinante na manobra ofensiva, acertado na organização defensiva, Marcelo foi muitas vezes o desbloqueador, o sócio perfeito para Ozil, Di Maria e, sobretudo, Cristiano Ronaldo. Foi um dos jogadores do Real Madrid mais em forma durante toda a época e pela primeira vez o Brasil pode pensar na sucessão de Roberto Carlos.

 

Outros: Daniel Alves é um excelente lateral ofensivo mas em 2010/11 voltou a demonstrar sérios problemas nas tarefas puramente defensivas. Em mais de uma ocasião deixou a sua defesa em apuros e não fosse o habitual trabalho de limpeza de Piqué e os seus riscos calculados podiam ter deixado uma factura maior. Os seus habituais teatros no terreno de jogo começam igualmente a tornar-se repetitivos e a manchar a imagem de um dos melhores jogadores do futebol actual. No lado oposto ao comportamente de Alves está o seu colega de equipa, Eric Abidal. O francês viveu na primeira volta os melhores meses da sua carreira desportiva e transformou-se num seguro de vida útil mesmo quando deslocado para o miolo. O tumor que soube fintar em tempo recorde prejudicou a sua época mas demonstrou o estofo de um jogador profundamente infra-valorizado na estrutura culé.

 

 

Defesas Centrais

Ricardo Carvalho e Gerard Piqué

 

A aquisição de Ricardo Carvalho pelo Real Madrid demorou cinco anos mas finalmente concretizou-se. E trouxe ao clube merengue a estabilidade defensiva que de tanto careceram os projectos anteriores. Aos seus 32 anos Ricardo Carvalho realizou uma das suas melhores épocas individuais, não dando em nenhum momento ideia de que a sua melhor etapa já passou. Combinou bem com Pepe, Ramos e Albiol, foi o homem de confiança de Casillas e até marcou golos decisivos sem fazer muito ruido. Não foi ele que o Madrid perdeu o titulo mas também foi, e muito, por Gerard Pique que o Barcelona o ganhou. Sem o seu parceiro de sempre, tantas vezes afastado por lesão, e com a ala esquerda constantemente em remendos, Pique teve de ser mais do que nunca o patrão do quarteto defensivo blaugrana. Foi-o com classe, atitude e liderança sem nunca abdicar do seu habitual papel na primeira construção de jogo da equipa de Guardiola. Piqué assinou talvez a sua época mais completa porque, na adversidade, soube sempre crescer.

 

Outros: Pepe ficará para a história por ter sido o anti-Messi perfeito durante 280 minutos. Mas a sua época foi muito mais do que isso. Permitiu à defesa do Real Madrid jogar avançada, na antecipação e muitas vezes tornou-se no construtor de jogo dos merengues com as suas antecipações e cavalgadas pelo miolo do terreno. Mourinho fez fincapé na sua renovação e a verdade é que, com ele em campo, a equipa joga sempre melhor. Destaque igualmente para a grande revelação de Albert Botia. O jovem central que Guardiola não quis provou ao serviço do Sporting Gijon que tem nivel para equipas de primeira linha. É um dos jovens centrais espanhóis com maior margem de progressão e há em Can Barça quem pense já na possibilidade de o recuperar antes que o preço dispare.

 

 

 

Médios

Borja Valero, Xavi Hernandez e Mezut Ozil

 

Xavi Hernandez continua a ser o número um como constructor de jogo mas o posicionamento de Messi no desenho ofensivo blaugrana retirou parte do protagonismo do último passe ao génio de Terrasa. Mesmo assim Xavi continua a ser o santo e senha do jogo do Barça, o seu fiel de balança, e apesar dos problemas fisicos que foi sofrendo ao longo do ano, peça chave na conquista do titulo. Em Madrid a grande sensação do ano foi, sem dúvida, o génio imenso de Ozil. O turco-alemão deslumbrou com o seu toque de bola, passes precisos e golos repletos de magia que deram um toque de classe que os merengues não viam desde os dias de Zidane. Faltou-lhe mais consistência e regularidade, mas sem dúvida que é à volta dele que tem de girar o jogo do Real. Por fim, filho da “Fábrica”, Borja Valero foi um dos jogadores a seguir durante todo o ano. O médio do Villareal pautou o ritmo do jogo da equipa de Garrido e assume-se, cada vez mais, como o sucessor moral na Roja do número 6 do Barcelona.

 

Outros: Julio Baptista definiu o ritmo trepidante da segunda volta com golos, assistência e esperança. Resgatou o Malaga do poço e voltou a lembrar aquele médio possante que ajudou a redifinir o Sevilla moderno. En San Sebatin o talento de Xabi Prieto e Antoine Griezmann ajudaram a Real Sociedad a realizar uma época que superou as expectativas de muitos enquanto que em Barcelona o médio do Espanyol Javi Marquez confirmou-se como o sucessor do histórico de la Peña, que anunciou a sua retirada.

 

 

Extremos

Cristiano Ronaldo e Lionel Messi

 

Não havia outras escolhas possíveis. São os dois melhores jogadores individuais do mundo, os dois anuncios-vivos da Liga BBVA e as grandes figuras das equipas mais mediáticas do futebol actual. Messi foi decisivo no titulo do Barcelona, com o seu reposicionamento no coração do jogo de toque blaugrana, e brindou os adeptos com alguns dos grandes momentos do ano, desde o seu golpe de oportunidade em Mallorca à espantosa recuperação defensiva no duelo contra o Atletico de Madrid, no Camp Nou. Se muitos se queixam, e com razão, de que o Barcelona se messianisa cada vez mais, asfixiante outras possibilidades de jogo, a verdade é que o argentino respondeu como nunca. A sua nemésis, Cristiano Ronaldo, superou-o em golos mas não acabou por ser tão determinante na corrida pelo titulo. O português atingiu números escandalosos numa liga de top do futebol moderno. Marcar 41 golos, bater o recorde histórico de Zarra e Hugo Sanchez, não é para qualquer um e o posicionamento de CR7 no esquema de Mourinho potenciou, ao máximo, a fome de golos do português. Mas onde Cristiano ganhou com goleador, perdeu como assistente e canalizador de jogo, algo que tanta falta fez aos merengues em muitos dos jogos onde perdeu pontos. Ronaldo foi a figura individual por excelência da prova mas para o ano deverá crescer mais no seu jogo colectivo para, finalmente, re-ultrapassar Messi, menos goleador mas mais eficaz e solidário com os colegas de equipa.

 

Outros: Viver à sombra do duelo Ronaldo-Messi não é fácil mas a regularidade exemplar do espanhol Santiago Cazorla, o espirito “potrero” do argentino Angel Di Maria e o renascimento da eterna promessa mexicana Giovanni dos Santos – chave na recuperação do Racing - não podem passar desapercebidos.  

 

 

 

Avançado

Giuseppe Rossi

 

O dianteiro italiano do Villareal foi um dos must see do ano. Combinou à perfeição com Nilmar e companhia e soltou-se, definitivamente, dos rótulos que trazia de pouco eficaz. Foi o terceiro melhor marcador do torneio, a anos-luz dos numeros estratosféricos de Messi e Ronaldo, mas foi também o autor de alguns dos movimentos mais deliciosos da temporada. Um avançado italiano atipico para um projecto que continua a consolidar-se graças a descobertas como a do ex-Man Utd.

 

Outros: Felipe Caicedo foi, a par de Julio Baptista, o melhor jogador da segunda volta. Quase sozinho decidiu a permanência do modesto Levante, equipa que caminhava no ultimo lugar em Dezembro e que acabou o ano bem perto dos postos europeus. Ao serviço do Espanyol o argentino Osvaldo foi também uma das sensações da época, contribuindo para a óptima época dos “periquitos” e é mais do que certo que para o ano esteja noutras paragens. Por fim, uma palavra para Roberto Soldado. O avançado que ninguém quer, nem o Real Madrid nem a selecção espanhola, foi também o melhor marcador espanhol da prova, depois de Villa, e um dos abonos de familia do Valencia. Continua a surpreender pela sua regularidade goleadora.

 

 

Treinador

Josep Guardiola

 

Ganhar três ligas consecutivas não é para qualquer um. Josep Guardiola há muito que tem um lugar garantido na história do jogo. Esse êxito é só mais um pretexto para louvar, um ano mais, o imenso talento do técnico do Barcelona. Guardiola foi, este ano, mais fiel do que nunca à filosofia do Dream Team. Conseguiu com Villa o dinamismo ofensivo que perseguiu desde que decidiu abdicar de Etoo e voltou a apostar todas as fichas em Messi, oficializando a sua transformação táctica no coração do jogo blaugrana. Aguentou a pressão de Mourinho, montou uma equipa acente, sobretudo, na regularidade, e conquistou o titulo a três jogos do fim com imensa classe.

 

Outros: José Mourinho falhou, pela primeira vez na sua carreira, vencer a liga no seu primeiro ano ao serviço de um novo clube. Mas isso não esconde o imenso trabalho que realizou em Madrid. Até Dezembro os merengues eram, claramente, a equipa mais em forma da liga com um futebol ofensivo e atractivo. Depois chegou o desgaste da Copa del Rey e da Champions, os pontos perdidos com os pequenos e o fim das ilusões. Para Mourinho (e para o Real Madrid), o segundo lugar é um mau resultado, mas a época do português foi de primeirissimo nivel. O ano também deixou claro o talento de Juan Carlos Garrido, o treinador que confirmou o Villareal como a quarta potencia da liga espanhola com um modelo de jogo profundamente ofensivo mas também o labor indiscritivel de Luis Garcia técnico de um Levante que estava à beira da despromoção e que acabou perto do sonho europeu.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:25 | link do post | comentar | ver comentários (19)

Quinta-feira, 02.06.11

 

 

 

 

Guarda Redes

Manuel Neuer

 

Depois do Mundial o nome de Neuer começou a fazer parte do vocabulário habitual de qualquer seguidor da Bundesliga. A verdade é que há muito que o guardião era pedra angular no Schalke 04 e em 2010/11 voltou a sê-lo durante todo o ano. Mesmo quando a equipa caía no fundo da tabela. Defesas impossiveis, um espirito de liderança incontestado e um talento notorio e ineg+avel, o trabalho de Neuer durante todo o ano foi de primeiro nivel e não surpreenda ninguém que em Munique estejam desejosos de contar com um sucessor à altura de Kahn depois de várias experiências falhadas.

 

Outros: Até à sua lesão, a finais da época passada, Rene Adler era consensualmente o guarda-redes alemão mais aclamado. Mas o Mundial e a notável época de Neuer atiraram com o número 1 do Bayer Leverkusen para a sombra. Mesmo assim a sua temporada foi memorável e Adler foi sem dúvida peça chave em garantir o apuramento automatico do modesto clube de Leverkusen para a próxima Champions League. Nas redes do campeão um velho veterano. Weidenfeller foi imenso durante todo o ano e a sua experiência transformou-se num verdadeiro seguro de vida para os homens de Klopp que se sagraram nos campeões mais jovens da história da Bundesliga.

 

 

 

Defesas Laterais

Daniel Schwaab e Christoph Pogatetz

 

Rápido e certeiro, Daniel Schwaab foi um quebra cabeça para defesas, extremos e avançados durante toda a temporada. O lateral de 22 anos faz parte da geração campeã da Europa de sub-21 pela Alemanha em 2009 e parece finalmente estar a cumprir o muito que então já prometia. Rápido, certeiro na marcação individual, preciso nos cruzamentos, é o protótipo do lateral total que a Mannschafft certamente irá aproveitar para os próximos compromissos internacionais. Do lado oposto da defesa, o austriaco Pogatetz foi a personificação da preserverança e disciplina. Elemento chave da defesa do Hannover 96, uma das surpresas do ano, o lateral soube quando tinha de atacar, quando tinha de defender e quando subia no terreno permitindo uma maior profundidade de jogo ao meio-campo de Hannover, uma das equipas fetiche do torneio.

 

Outros: Anders Beck continua a ser um dos laterais de moda do futebol alemão e quem seguiu a temporada do defesa do Hoffenheim entende bem porquê. Rápido, bom sentido de colocação e determinado, Beck tem todas as condições para dar o salto a um grande e também, porque não, a aspirar a mais minutos na Manschaftt. Em Munique o histórico Philip Lahm continua a ser um caso à parte. No naufrágio colectivo do conjunto bávaro ele foi sempre um dos elementos mais regulares durante a época evitando, vezes sem fim, males maiores para o Bayern.

 

 

 

 

Defesas Centrais

Matt Hummells e Andreas Wolf

 

Alguém no Bayern Munchen deve perguntar-se diariamente o motivo da dispensa daquele que é já o mais promissor central do futebol alemão da última década. Hummels não vingou no Allianz Arena mas foi aproveitado, e de que maneira, pelo Dortmund de Kloop. Com boa saida de bola, precisão cirurgica no desarme e um espirito de liderança anormal para um central tão jovem, Matt Hummels foi peça nuclear na conquista do titulo. Joachin Low ainda não se viu totalmente convencido pelo estilo de jogo do central, às vezes demasiado directo, mas tarde ou cedo Hummels será uma presença segura na Mannschaft.

No Nuremberg o grande destaque do ano foi a época realizada por Andreas Wolf. O capitão do clube bávaro, o jovem de ascendência russa leva 10 anos ao serviço do clube. Esteve na 2. Bundesliga e foi fundamental na promoção do conjunto histórico. Este ano surpreendeu tudo e todos e realizou uma época quase perfeita lembrando que no jovem futebol alemão ainda há centrais da velha escola ao mais alto nível.

 

Outros: O sérvio Nenad Subotic consolidou-se como um dos melhores centrais do futebol europeu e a sua parceria com Hummels foi chave para a segurança defensiva do campeão alemão. Howedes confirmou no Schalke 04 todo o optimismo que rodeou os seus primeiros anos e é já uma figura de referência no futebol alemão. O ganês Isaach Vorsah foi uma das agradáveis surpresas da prova, sempre um degrau acima dos demais.

 

 

Médios

Arturo Vidal , Nuri Sahin e Shinji Kagawa

 

Não é por acaso que Jupp Heynckhes está a fazer de tudo para que o Bayern Munchen roube o chileno Arturo Vidal aos quadros do Leverkusen. O médio foi o pulmão e fiel de balança da modesta equipa vermelha e negra e um dos jogadores mais consistentes do torneio jornada após jornada. Depois de um ano de adaptação, Vidal finalmente explodiu e tornou-se num caso sério para seguir bem de perto. Algo que os adeptos do Borussia de Dortmund terão de fazer à distância com Nuri Sahin. O médio turco-alemão confirmou, cinco anos depois da sua estreia, com apenas 16 anos, que é um dos jogadores europeus com maior futuro. Foi a alma e coração dos campeões alemães e do seu magnifico pé esquerdo sairam alguns dos momentos mais inesqueciveis da temporada. Quem parece que fica, por enquanto, é o japonês Kagawa. Contratação surpresa, o médio avançado chegou da segunda divisão nipónica para impor-se com contundência no miolo do carrossel ofensivo da equipa de Kloop. Mais inconstante que Sahin, foi no entanto o seu melhor parceiro.

 

Outros: Apesar do sofrimetno até ao final, o Borussia de Monchenlagdbach contou nas suas fileiras com alguns dos jogadores jovens mais excitantes do ano. Destaque especial para Marco Reus, um médio formado na cantera do Dortmund e que encontrou no outro Borussia o espaço necessário para explodir. No Schalke 04 a reviravolta começou, em parte, quando Alexander Baumjohann, um médio incisivo e dinâmico que funcionou perfeitamente como escudeiro de Raul e Farfan. Em Leverkusen o outro grande destaque do ano foi o jovem médio Lars Bender, irmão gémeo de Sven Bender, jogador do Dortmund. Herdou o lugar de Michael Ballack quando o capitão se lesionou e tornou-se no parceiro perfeito de Vidal na temporização do jogo do Bayer.

 

 

 

Extremos

Thomas Muller e Mario Gotze

 

O jovem Muller passou a prova do primeiro ano e confirmou tudo aquilo que podia esperar dele. Foi um dos reis de assistências da Bundesliga, o segundo melhor marcador do Bayern (à frente de Ribery, Robben e Olic) e revelou-se fundamental na conexão ofensiva com Gomez. Descaído pela ala direita, sempre com propensão a apostar em diagonais rumo à baliza, Muller foi um dos grandes atractivos individuais do torneio. Do outro lado da barricada, Gotze foi a grande revelação. Apenas 19 anos e já uma confiança para comer o mundo, o extremo esquerdo do Borussia Dortmund representou tudo aquilo que fez do clube de Kloop campeão alemão. Uma época para encadernar.

 

Outros: Kevin Grosskreutz é um dos rostos por excelência deste novo Borussia Dortmund. Jovem, atrevido, rápido, hábil com ambos pés, o seu jogo lateral foi uma das armas preferidas do conjunto vestfaliano para driblar as defesas rivais. Sem dúvida um dos jogadores alemães a seguir com máxima atenção. Tal como o pequeno Lewis Holtby. Sem espaço, aparente, no seu Schalke 04, foi em Mainz que se encontrou mais cómodo do que nunca e ajudou, com os seus passes de golo e tentos decisivos, a levar o modesto clube saxão a um posto europeu depois de ter sido, durante largas jornadas, o único rival do Borussia.

 

 

Avançado

Mario Gomez

 

Em 2010 ficou a sensação de que os 30 milhões que o Bayern Munchen tinha pago por Mario Gomez tinham sido mal gastos. Ivica Olic tinha sido o homem de confiança de van Gaal e até o veterano Klose tinha mais minutos nas pernas que o dianteiro. Este ano tudo foi diferente. Gomez soltou-se e começou a fazer o que sabe melhor. Começou a marcar em Setembro e não parou até Maio, confirmando o seu titulo de melhor marcador do ano com uma solvência inusitada. Foi um dos poucos jogadores do Bayern que sobreviveram à péssima gestão desportiva dos bávaros e a sua imagem saiu reforçada dentro da selecção alemã.

 

Outros: Notável época de Cissé, um verdadeiro goleador que disputou cada lance como se fosse o último da sua vida. Os seus registos, com uma equipa modesto como o Freiburg, agrandam ainda mais a sua lenda. O espanhol Raúl decidiu trocar a comodidade da Castellana pelo duro mundo do Veltins Arena. Brilhou mais na Europa e na Taça Alemã do que na Bundesliga, mas deixou também detalhes de enorme classe e talento que o avalam como um dos grandes dianteiros da história. Ao serviço do campeão, Lucas Barrios voltou a demonstrar que é um predador de área de alto nível. Com os seus golos o titulo do Borussia ficou mais fácil.

 

 

Treinador

Jurgen Kloop

 

O futebol alemão deve muito a este jovem técnico que decidiu desafiar o establishment com um mecanismo de jogo electrizante. Kloop recebeu o desafio de pegar no clube com maior apoio popular da Bundesliga, sem dinheiro para investir, e voltar a encontrar o caminho da vitória. E fê-lo com um estilo muito próprio, descomplexado, atractivo e profundamente atacante. O Borussia de Kloop é uma máquina de ataque afinada, apoiada numa média de idades tremendamente jovem para a alta competição, e que entrará certamente na galeria das grandes equipas que venceram a Bundesliga. O grande desafio passa por sobreviver ao saque que já começou no Westfallenstadion dos seus melhores craques.

 

Outros: Jupp Heynckhes voltou a mostrar que é um técnico que sabe fazer funcionar um projecto. O modesto Bayer Leverkusen começou o ano sem a sua referência, o regressado Michael Ballack, mas ninguém notou. O técnico que para o ano estará, uma vez mais, no Allianz Arena, montou um bloco equilibrado, sólido e foi o único que aguentou o ritmo do Borussia de Dortmund até perto do fim. Thomas Tuchel, técnico do Mainz, e Mirko Slomka do Hannover 96, foram rostos dessa nova vaga de jovens técnicos que com poucos meios e muita imaginação são capazes de desafiar, sem piedade, o status quo da ocmpetição.

 



Miguel Lourenço Pereira às 10:24 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Terça-feira, 31.05.11

 

Guarda Redes

Edwin van der Saar

 

Aos 40 anos esta pode bem ter sido a sua última época se num desespero de causa Alex Ferguson não convence o gigante holandês a adiar o inevitável. Uma carreira maravilhosa daquele que é, talvez, o melhor guarda-redes do Mundo e que vive actualmente uma segunda juventude depois da sua passagem por Itália. Van der Saar soube dizer presente quando a equipa necessitava e transmitiu uma imensa dose de confiança à defesa dos Red Devils mesmo quando Ferdinand e Vidic, por problemas fisicos, davam lugar aos mais novos.

 

Outros: Joe Hart contou com o apoio de Roberto Mancini e deu provas de uma maturidade fora do normal para um guardião inglês. Importante em manter os citizens na corrida pela Champions League, Hart foi melhorando com o passar da época e acabou por mandar um sério sinal a Capello. Em Liverpool o espanhol Pepe Reina sobreviveu ao final da armada espanhola com estoicidade e tornou-se numa peça nuclear para a recperação do conjunto Red com Dalglish à cabeça. O escocês fará de tudo para não o perder.

 

 

Defesas Laterais

Micah Richards e Gareth Bale

 

Depois de muito prometer, Richards finalmente cumpriu. O lateral do Manchester City jogou no eixo central e no flanco direito da defesa e sempre com nota alta. Com um fisico portentoso e um poder de antecipação assinalável, o jovem inglês deu razão àqueles que o vêm como uma das grandes promessas do futebol europeu. Quanto a Bale há muito pouco que dizer, excepto que as melhores exibições do galês foram na Champions League e não na Premier, onde muitas vezes jogou como falso extremo. Mesmo assim o impacto de Bale é indismentivel e estão reunidas todas as condições para que rapidamente se torne no mais completo lateral europeu.

 

Outros: No lado directo da defesa nota muito positiva para a época de Glenn Johnson, sempre em crescendo numa defesa feita em estilhaços. O lateral do Liverpool continua a dar sinais de progressão e maturidade, a mesma que lhe faltou nos seus dias de azul. No lado oposto a grande confirmação do ano foi a de Leighton Baines. O lateral do Everton já tinha terminado a época passada em grande estilo e com as suas corridas pelo flanco, assistências e cortes providenciais, ajudou o Everton a lutar pela Europa até ao último suspiro.

 

 

Defesas Centrais

Gary Cahill e Nemanja Vidic

 

Vidic sobreviveu ás lesões de Rio Ferdinand e confirmou o seu estatuto de defesa de top a um nível tal que hoje talvez só Piqué possa realmente emular. O sérvio foi um seguro de vida constante para o Man Utd e não só pela sua labor defensiva. Os seus golos, decisivos, ajudaram a desbloquear muitos jogos marcados pela tensão no marcador e o seu espirito de combate contagiu os seus parceiros de defesa, este ano, mais jovens do que nunca. No Reebok Stadium a época confirmou também todas as boas sensações que o inglês Gary Cahill tinha dado nos últimos anos. Duro, mas leal, certeiro, mas pontual, o central do Bolton soube medir melhor os seus tempos e acabou por dar a Fabio Capello mais opções para o centro da defesa dos Pross.

 

Outros: Branislav Ivanovic passou a temporada entre o lado direito e a companhia de Terry no miolo da defesa e foi aí onde se deu melhor. Seguro, rápido e determinado, o sérvio deu sinais de estar a pulir alguns dos seus particulares defeitos. A chegada de David Luiz atirou-o, definitivamente, para o flanco e o Chelsea perdeu em segurança defensiva. No City of Manchester o belga Vincent Kompany fez, igualmente, uma época brilhante, qual torre intransponível que foi fundamental para a corrida rumo à prova dos milhões.

 

 

 

 

Médios

Jack Wilshere e Scott Parker

 

Se os media se deixaram levar pelo efeito Bale a verdade é que o grande achado do ano em Inglaterra foi Wilshere. O médio centro já deixava antever que tinha algo especial, mas a forma como carregou com o Arsenal aos ombros, especialmente quando Fabregas baixou gritantemente de forma, é o melhor elogio que se poderia fazer a um jovem que passou num ano de jogar pelas reservas dos gunners a ser internacional. Wenger sabe que tem um jogador especial, com critério na hora do manejo da bola, e que os próximos anos serão fundamentais na sua consolidação desportiva.

Por outro lado, e apesar da lamentável época dos hammers, 2011 foi também o ano de Scott Parker. O médio que Mourinho utilizou a espaços no seu Chelsea demorou largos anos até se encontrar cómodo para explorar todo o seu talento de construção e com o apagar da chama das estrelas dos Pross, Gerrard e Lampard, a sua oportunidade está ao virar da esquina.

 

Outros: Raul Meireles foi o mais regular dos jogadores do Liverpool e a chegada de Dalglish, aliada à lesão de Gerrard, deu-lhe a confiança para se tornar no patrão de Anfield Road. Em Londres, o brasileiro Sandro também precisou de tempo para convencer Harry Redknapp que era o melhor escudeiro para o croata Modric e desde então os adeptos dos Spurs perceberam porque o médio está altamente quotado no futebol brasileiro. Por fim, e no modesto Blackpool, despontou o imenso talento de Charlie Adam, um médio tipicamente britânico box-to-box que seguramente que para o ano viajará rumo ao sul. 

 

 

 

Extremos

Carlos Tevez e Wayne Rooney

 

Se houve um jogador individual que por si só levou, durante todo o ano, a sua equipa às costas até cumprir o objectivo minimo establecido, esse foi Carlos Tevez. O argentino voltou a ser o salvador do Manchester City, tanto com os golos como com as assistências que foi dando ao leque de jogador que Mancini ia fazendo circular à sua volta. O seu caracter continuou a provocar-lhe problemas mas no relvado “El Apache” foi um verdadeiro abono de familia para os citizens que lamentarão, e muito, uma eventual saída no final da época. Olhando para os 10 meses de prova é impossível não eleger Tevez como o Jogador do Ano.

Rooney terminou muito bem a época mas o seu braço-de-ferro com a direcção do clube e as suas ameaças em trocar de bando mancharam uma época que não atingiu os números do ano passado mas que confirmaram o inglês como um dos grandes do futebol actual. Rooney destacou-se em criar espaços e oferecer golos ao duo da frente e sentiu-se mais cómodo do que nunca com uma referência ofensiva ao lado. Para alivio dos Red Devils, o internacional inglês despertou a tempo!

 

Outros: O portugués Nani terminou o reino como o rei das assistências na prova mas Ferguson continua a não confiar nele para os jogos mais importantes o que acabou por lhe retirar protagonismo individual. Mesmo assim foi, claramente, a sua melhor época na Premier League. Uma das grandes surpresas foi a rápida adaptação de Asamoah Gyan. O extremo ganês foi peça chave no jogo extremamente ofensivo demonstrado, essencialmente no inicio do ano, pela equipa do Sunderland, contribuindo com assistências e golos.

 

 

Avançados

Luka Modric e Dimitar Berbatov

 

O croata foi o pendulo perfeito do acordeão ofensivo montado por Harry Redknapp. No miolo, descaído para a esquerda, aproveitando os espaços deixados por Bale, o talento de Modric renasceu das cinzas e deu um plus de qualidade ao futebol do Tottenham. Foi  talvez uma das individualidades mais determinantes no jogo do colectivo e o que surpreende realmente é que nenhum dos milionários do futebol tenha percebido o imenso talento que emana dos seus pés. Ao seu lado outra estrela do leste europeu. Berbatov não teve o protagonismo de Chicharito nem a regularidade de Rooney mas, fiel ao seu estilo sóbrio, confirmou finalmente o porquê da aposta pessoal de Ferguson e sagrou-se melhor marcador da Premier League (empatado em golos com Tevez). Um trofeu que lhe faltava e que salvou o Manchester United de uma época mediana quando Rooney andava entretido a renovar contratos e a estrela mexicana ainda via os jogos da bancada.

 

Outros: O uruguaio Luis Suarez só chegou em Janeiro, mas foi a tempo de revolucionar a temporada. Pegou no Liverpool literalmente às costas e levou a equipa do meio da tabela até às provas europeias com golos, passes e momentos que entrarão em qualquer recopilatório da temporada. Destaque especial também para outra jovem estrela do outro lado do Atlântico. O mexicano Javier Hernandez roubou o protagonismo ao mais fiável Berbatov com os seus golos decisivos e a sua sede de glória. El Chicharrito ganhou por direito próprio um lugar nos melhores do ano e deixa antever que podemos estar diante de um dos mais espantosos pontas de lança dos próximos anos.

 

 

Treinador

Alex Ferguson

 

Prometeu em 1986 acabar com a hegemonia do Liverpool. Cumpriu. Prometeu em 1986 superar os titulos conquistados pelo Liverpool. E conseguiu. 25 anos depois de chegar a Old Trafford, Alex Ferguson pode finalmente celebrar. A sua enésima transformação levou o Manchester United a conquistar a sua 19º liga, uma mais que o Liverpool, e isso sem estrelas no onze e com um plantel que foi gerido à perfeição. Houve espaço para os veteranos, para os operários, para as jovens estrelas emergentes e para os criativos, tudo num estilo conciso, eficaz e imbatível. Sem atingir o nivel de qualidade de outras eras, de outros titulos, poucas vitórias na prova rainha do futebol inglês devem ter sabido tão bem ao técnico escocês como esta. Uma vez mais, Ferguson fez história.

 

Outros: Kenny Dalglish foi para o Liverpool dos anos 80 o que Guardiola é para o Barcelona actual. E foi a sua intempestiva saída que iniciou o hiato de 20 anos sem um único titulo de Liga. O seu regresso permitiu vislumbrar um pouco desse espirito de conquista há tanto tempo distante de Anfield e depois de por a ordem na casa resta saber se o mitico “King Kenny” tem força para devolver a glória ao seu Liverpool. Steve Bruce e Ian Holloway não venceram prémios nem sequer conquistaram um bilhete para a Europa mas o estilo de jogo atractivo de Sunderland e Blackpool garantiram-lhe um lugar nos nomes mais destacados do ano. Enquanto os mais quotados Ancelloti, Wenger e Mancini falhavam os objectivos, muitas vezes por culpa própria, estes dois técnicos britânicos demonstraram que a ideia dos Managers ingleses de ideias antiquadas é, cada vez mais, um mito que vai perdendo força e sentido.

 

 

 



Miguel Lourenço Pereira às 19:23 | link do post | comentar | ver comentários (6)

Sábado, 28.05.11

 

Guarda-Redes

Helton

 

Num ano em que os guarda-redes da Liga Sagres se erigiram, muitas vezes, nos grandes protagonistas, Helton confirmou-se definitivamente como um dos grandes com a sua melhor época desde que aterrou no Dragão. O sucessor de Vitor Baía sempre tinha deixado a impressão de insegurança e displicência em pontuais momentos das épocas anteriores mas com Villas-Boas ao leme mostrou-se um capitão em toda a linha e soube ser o pendulo perfeito para o equilibrio defensivo de uma equipa com profunda tracção dianteira. Olhando para como correm as coisas no Brasil, um regresso à selecção não seria de todo injusto.

 

Outros: Rafael Bracalli, Nilson e Artur foram nomes próprios numa época em que os guarda-redes estiveram em alta (podiamos também falar de Cássio e Patricio). O primeiro continua a mostrar o seu alto nivel ao serviço do Nacional que tem um historial curioso em acertar em cheio nas suas apostas para a baliza (de Hilário a Benaglio). O segundo confirmou em Guimarães o bom que tinha adiantado e é hoje um sério seguro de vida para uma equipa que precisa de dar um passo mais na sua aproximação às equipas do topo. Artur chegou da Roma, onde teve pouco espaço, e superou as expectativas, especialmente depois do fiasco em que se tornou o irregular Felipe. O brasileiro esteve nos grandes momentos do Braga e fez esquecer a sombra de Quim.

 

Defesa-Direito

Silvio

 

É verdade que jogou parte da época no lado esquerdo da defesa mas quando explodiu realmente, no inicio do ano, Silvio era o defesa direito com que contava Domingos. Logo o crescimento de Miguel Garcia e as sucessivas falhas de Elderson desviaram o jovem internacional para o lado esquerdo mas na retina ficaram alguns dos momentos mais entusiasmantes do Braga da primeira volta. O seu nome é já uma certeza no futebol português e uma transferência para o Atlético de Madrid o prémio de uma época imaculada.

 

Outros: Fucile e Sapunaru dividiram as honras no lado direito da defesa portista. Os problemas fisicos de ambos permitiram que fossem alternando no posto (aliado à passagem de Fucile para a esquerda com a lesão de Alvaro) mas sempre a um óptimo nivel. João Pereira mostrou em Alvalade que é um jogador regular e sério, capaz de salvar-se do naufrágio colectivo em que se tornou a temporada dos leões. O brasileiro Baiano foi a grande revelação, jogador com critério e segurança defensiva que ofereceu profundidade de campo ao futebol de ataque do Paços de Ferreira.

 

Defesa-Esquerdo

Fábio Coentrão

 

Se a época do Benfica se avalia-se apenas em critérios individuais a única nota elevada seria para Fábio Coentrão. O lateral-esquerdo ganha em regularidade e influência onde outros são apenas cumpridores. Coentrão desdobrou-se ao longo do ano entre a defesa e o ataque e, muitas vezes, foi o único a manter viva a esperança da revalidação do titulo nas hostes encarnadas. É, sem dúvida, um dos laterais mais em forma do futebol mundial e será complicado que o Benfica não seja forçado a vendê-lo na próxima época se não encontrar forma de melhorar o contrato a um jogador cobiçado por meio mundo. Veloz, goleador, influente, Coentrão salvou-se num oceano de mediania gritante.

 

Outros: Alvaro Pereira foi fundamental no jogo ofensivo do FC Porto mas as lesões deixaram muitas vezes o lado esquerdo dos azuis e brancos coxo no ataque. A sua velocidade e desborde permitiram as diagonais de Varela e a liberdade de Belluschi na primeira parte da época e só quando regressou no final do ano se voltou a ver um FC Porto aberto em todo o campo. Evaldo provou em Alvalade, como João Pereira, que a disciplina e regularidade ganhos em Braga sobreviveu ao caos de Alvalade.

 

 

Defesas Centrais

Paulão e Otamendi

 

Não foi o central que mais jogos disputou mas o seu estilo deixa adivinhar claramente um jogador com um potencial tremendo. Nicolas Otamendi chegou da Argentina para confirmar aquilo que Maradona já tinha adiantado sobre ele há uns meses. Sério, regular e profundamente disciplinado, o argentino foi pedra base nos momentos mais importantes da época do campeão e o seu establecimento definitivo como parceiro de Rolando uma óptima noticia face à inconstância de Maicon.

Paulão esteve para o Braga de Domingos da mesma forma que Moisés tinha estado na época passada. Um verdadeiro seguro de vida, seguro a defender, influente no jogo de transição rápido que o técnico leceiro pediu constantemente à sua linha defensiva, o brasileiro foi um dos jogadores mais em forma do Braga durante a segunda volta.

 

Outros: Rodriguez foi outro eixo fulcral na muralha defensiva bracarense. Um jogador determinante na estratégia de Domingos que certamente seguirá o técnico na sua próxima aventura. O internacional português Rolando foi a figura mais regular da defesa portista mas teve uma época com luzes e sombras que continua a deixar alguma insegurança sobre a sua concentração em momentos chave. O brasileiro Luisão e o português Daniel Carriço foram figuras mais em defesas em constantes problemas. No Benfica pela irregularidade dos restantes elementos do sector defensivo e em Alvalade pela profunda desorganização estrutural que deixaram muitas vezes o jovem central sozinho contra o Mundo.

 

 

Médio Defensivo

Vandinho

 

Voltou a ser o grande pendulo que definiu o inicio de época do Braga 2009/10 e Domingos soube rodea-lo de um leque de grandes interpretes (Salino, Matheus, Mossoro e Viana) que lhe permitiram respirar e fazer jogar com o critério que tão bem sabe. Fundamental a tapar os espaços, determinante a soltar as rédeas do jogo, a excelente recuperação do onze bracarense e a eficácia defensiva dos arsenalistas fica muito a dever ao renascimento de Vandinho.

 

Outros: Enquanto o médio brasileiro não atingiu a sua melhor forma o Braga pode contar com o imenso pulmão de Leandro Salino, uma descoberta de Domingos que foi fundamental em manter o Braga vivo, especialmente nos palcos europeus. Fernando foi também peça nuclear no jogo do FC Porto. O brasileiro deu um salto qualitativo face a 2010 e jogou com mais critério mas continua ainda a ser um jogador excessivamente stopper e com alguma dificuldade em associar-se em tarefas mais ofensivas. A revelação do ano foi, inequivocamente, o jovem André Santos. Num meio-campo repleto de internacionais europeus ele foi o mais regular e constante dos médios leoninos e as suas boas exibições garantiram-lhe, merecidamente, a sua primeira estrela de internacional. Mais um bom producto de Alcochete.

 

Interior Direito

João Moutinho

 

Trocou o Sporting pelo FC Porto porque queria ganhar titulos e conseguiu todos na sua primeira aventura no norte. O jovem algarvio foi uma peça chave no novo rosto apresentado pelo FC Porto e confirmou todo o potencial que fez dele, há três anos, o médio jovem mais cobiçado do futebol europeu. Uma compra por valores pouco habituais para o mercado interno mas que compensou o investimento desde o primeiro momento. A Moutinho faltou apenas aumentar os seus indices de eficácia ofensiva para redondear um ano perfeito em que o seu estilo de jogo combativo e eficaz acentou como uma luva na filosofia futebolistica de Villas-Boas.

 

Outros: O brasileiro Mossoró continua a ser um dos homens mais entusiasmantes do Sporting de Braga e um ano mais voltou a ser um seguro de vida, especialmente quando Matheus se rendeu aos milhões do leste europeu. Joao Alves continua a ser o patrão de jogo em Guimarães e foi peça chave para que a máquina de Machado funcionasse no seu regresso à Europa. O croata Skolnik foi uma das agradáveis surpresas do ano, exibindo-se a um óptimo nivel no Funchal e oferecendo, dessa forma, um herdeiro ao jogo de Ruben Micael no onze do Nacional.

 

 

Interior Esquerdo

Freddy Guarin

 

Só jogou a titular no final da época mas o seu impacto no FC Porto foi de tal forma tremendo que é impossível ignorar o ano que protagonizou Freddy Guarin. O colombiano soltou-se, finalmente, do estigma que carregava de ser uma eterna promessa e ajudou a decidir o titulo com os seus golos certeiros em deslocações complicadas e os seus passes exactos nas combinações com Falcao e Hulk. Herdou o lugar do argentino Bellushi e não o voltou a perder até ao final do ano dando razão aqueles que ainda se lembram dele quando era só uma jovem promessa sul-americana.

 

Outros: Hugo Viana voltou a ser ele mesmo, sóbrio, discreto mas profundamente eficaz. À medida que foi entrando no jogo do Braga foi conquistando o espaço que lhe pertenceu na época transacta e no final da temporada afirmou-se como o pensador por excelência do futebol bracarense. Os argentinos Aimar e Bellushi voltaram a entusiasmar com os seus golpes de classe mas ambos foram vitimas de problemas fisicos e acabaram por sofrer com uma certa irregularidade que só não afectou mais o colectivo, no caso do portista, pela aparição de Guarin. O Benfica pagou o preço de não ter tido uma alternativa à altura do seu criativo. Destaque igualmente para o batalhador Andre Leão, outro nome próprio do Paços de Ferreira de Rui Vitória.

 

 

Extremo Direito

Hulk

 

Foi o jogador do Campeonato, olhe por onde se olhe. Golos, assistências, espirito de liderança, Hulk encarnou o renascimento do FC Porto depois de dois anos onde dava já indicações de ser um jogador diferente. Utiliza o corpo como poucos, explora as transições com segurança mas também sabe aparecer nos espaços certos para definir. Marcou um terço dos seus golos de penalty mas quase todas as faltas sofreu-as ele também o que explica, de certa forma, a sua omnipresença no jogo dos dragões. O espirito do brasileiro, um dos mais agraviados pelos problemas disciplinários que marcaram 2010, ajudaram a liderar o projecto de Villas-Boas e deram ao FC Porto um plus de qualidade dificil de encontrar em todas as restantes ligas de topo do futebol europeu.

 

Outros: David Simão foi uma das mais agradáveis surpresas da Liga Sagres. No Paços de Ferreira passou do meio ao lado direito do ataque com finura e critério e dá a impressão de ser um jogador com um futuro muito interessante. Em Braga o brasileiro Alan continua a mostrar que a sua passagem pelo Dragão foi um lapsus numa carreira em Portugal verdadeiramente admirável. O argentino Jara teve menos tempo do que se imaginaria mas quando apareceu em boa forma deu um plus de qualidade ao ataque do Benfica que Jesus não aproveitou sempre da melhor forma.

 

Extremo Esquerdo

Varela

 

Apagou-se no final da época (deixando muitas vezes o lugar ao jovem James Rodriguez) mas na primeira parte da época foi o rei das assistências e dos golos importantes. O “Drogba” da Caparica revelou-se fundamental na estratégia desenhada por Villas-Boas e ofereceu a velocidade e descaro que faltava a um ataque estelar dos azuis e brancos. Sofreu um abaixamento de forma, alguns problemas musculares e foi-se tornando uma peça menos importante à medida que a prova avançava mas, mesmo assim, deixou bem marcada a sua marca na prova.

 

Outros: Pizzi chegou a Paços de Ferreira emprestado pelo Sporting de Braga e esta época fez méritos suficientes para conquistar um lugar ao sol na formação bracarense em 2011/12. Por outro lado o argentino Salvio mostrou finalmente aquilo que em Madrid tinha ficado por ver e foi importante nas sucessivas reviravoltas do Benfica na etapa mais quente do ano. Faltou-lhe mais regularidade nos momentos decisivos.  

 

 

Avançado

Falcao

 

Foi provavelmente o jogador mais importante do ano para o FC Porto e hoje é dificil olhar para Falcao e não ver nele um dos melhores pontas-de-lança do Mundo. O dianteiro colombiano já supera os números de todos os dianteiros portistas pós-Jardel e ninguém duvida que o seu estilo e influência no jogo supera inclusive o instinto assassino do brasileiro. Falcao marcou, deu a marcar e foi decisivo nos momentos mais importantes do ano. A sua lesão inoportuna e a sua espectacular recuperação, mérito inequivoco do trabalho do departamento médico azul e branco, deram pulmão para o final de temporada onde se começou a aproximar da série goleadora do brasileiro Hulk.

 

Outros: João Tomás continua a ser o melhor goleador português e os seus número no Rio Ave não enganam. Apesar da idade, apesar da falta de cartel, o dianteiro continua a falar a linguagem do golo como nenhum outro e afirma-se como o único português concretizador nos primeiros lugares da lista de melhores marcadores. Carlão, da União de Leiria, foi até à sua saida em Janeiro uma das peças mais concretizadores da Liga enquanto que o pacense Rondon mostrou uma maior regularidade aliada a uma profunda capacidade de marcar nos momentos decisivos. Cardozo, Bota de Prata em 2010, e o vimaranense Edgar, foram também nomes escritos na história da edição 2011 à base de golos.

 

Treinador

André Villas-Boas

 

Inevitavel reconhecimento para o brilhante trabalho de um técnico de 33 anos com poquissima experiência como técnico principal que no primeiro ano venceu tudo o que havia para ganhar, dentro e fora de portas, e de uma forma autoritária que, por muito que não o queira, transformam as comparações com José Mourinho em algo absolutamente inevitável. O FC Porto de Villas-Boas manteve o desenho e a estrutura mas mudou o sistema e a mentalidade e com isso devolveu os portuenses de volta ao topo. O futuro é seu e está claro que tem todas as condições para establecer uma nova tirania azul e branca antes da sua inevitável emigração

 

Outros: Rui Vitória merece uma menção especial já que o seu Paços de Ferreira foi, provavelmente uma das equipas que melhor jogou durante toda a época com os poucos recursos que dispunha. Domingos Paciência confirmou todo o seu talento como treinador mantendo o Braga na elite, ao mesmo tempo que apostava forte na Europa, e agora espera-se com curiosidade o seu próximo desafio em Alvalade. Manuel Machado continua a ser um treinador cumpridor. Depois da desilusão vivida em Guimarães no final da época passada o técnico prometeu devolver o Vitória à Europa e logrou-o pela posição na Liga Sagres mas também pela brilhante campanha na Taça de Portugal, a primeira final em 20 anos do clube.

 



Miguel Lourenço Pereira às 14:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 18.05.10

Uma liga emocionante que espelhou bem a nova ordem do Calcio. A Vechia Signora e o envelhecido AC Milan voltaram a desiludir enquanto que a Roma se tornou rapidamente na grande sensação com uma recuperação espantosa. Sampdoria, Palermo e Genoa deram um toque de classe à luta europeia mas no final o rei manteve-se o mesmo. Pelo quinto ano consecutivo o titulo celebrou-se de neruazzuro no Dumo de Milão.

 

 

Júlio Sérgio

(AS Roma)

 

Foi uma das mais destacadas revelações da temporada. Começou a época como o suplente de Doni, habitual titular do conjunto giallorrosso nas últimas épocas. Com a chegada de Claudio Ranieri conquistou a confiança do técnico e tornou-se elemento chave no esteio defensivo romano que arrancou para uma recuperação prodigiosa. Eficaz debaixo da baliza, confiante a sair, apesar dos seus já 31 anos não se percebe que Dunga tenha chamado o seu...suplente.

 

Maicon

(Inter)

 

Confirmou, um ano mais, porque é o melhor defesa direito do Mundo. Gigante nas transições ofensivas, onde Mourinho lhe deu um protagonismo fora do habitual, convertendo as suas diagonais em arma perfeita, o lateral brasileiro foi um dos elementos fulcrais para a conquista do titulo neruazzurro, o quinto consecutivo. Nem as pequenas lesões o fizeram baixar de nivel ao longo da época e alguns dos melhores golos do Inter tiveram o seu selo único.

 

Lucio

(Inter)

 

Rejeitado por Louis van Gaal, o veterano brasileiro encontrou em Mourinho o seu novo messias. Adaptou-se como uma luva ao estilo de jogo do sadino e tornou-se no ferrolho perfeito para o quatro mais recuado do Inter. Seguro a defender, implacável na marcação, Lúcio foi um dos reforços chave para o upgrade qualitativo do Inter face à época passada.

 

Giorgio Chiellini

(Juventus)

 

Dentro da desastrosa temporada da Juventus destaca-se a afirmação definitiva de Chiellini. O central tomou o testemunho de Cannavaro, num ano para esquecer, e assumiu-se como o capitão da defesa da Vechia Signora. Rápido, ágil e com a frieza habitual dos centrais italianos, Chiellini é já uma imensa certeza e uma das boas noticias para Marcello Lippi.

 

Javier Zanetti

(Inter)

 

Incombustível, no minimo, é o que se pode dizer do lateral argentino. Contar as exibições de gala de Zanetti pode tornar-se um exercicio bastante monótono. A conta perde-se facilmente e bem depressa. Jogando pela direita, pela esquerda ou até no meio campo, Zanetti encarna como nenhum outro jogador o espirito do Inter. Um capitão em toda a linha, fulcral no jogo defensivo, chave nas movimentações tácticas ofensivas, o braço armado do treinador no terreno de jogo.

 

Daniele De Rossi

(AS Roma)

 

Não sentiu a perda do eterno parceiro, Alberto Aquilani, e soltou-se como nunca para uma época demoniaca. Ranieri deu-lhe a batuta do meio-campo e De Rossi respondeu com uma segunda volta demoniaca onde foi um dos grandes elementos da Roma. Potente disparo de meia distância, óptimo na troca de bola, o italiano é hoje em dia um dos médios mais quotados do futebol europeu. E com todo o mérito.

 

Angelo Palombo

(Sampdoria)

 

Há vários anos que Palombo tem andado debaixo do radar de muitas equipas. Nunca ninguém se convenceu definitivamente do seu génio a articular o jogo de meio campo, até que a Sampdoria de este ano voltou a colocar aos olhos do Mundo o fulcral que pode ser Palombo. Uma época memorável do conjunto genovês que acenta mais na inteligência de jogo do médio do que propriamente nos golpes de génio de Cassano, a sua grande estrela. A presença na Champions pode ser um aliciante para que o médio saia do Luigi Ferrari.

 

Wesley Sneijder

(Inter)

 

O jogador do ano em Itália e muito possivelmente na Europa. Irónico para um atleta praticamente dispensado pelo Real Madrid, que dele disse de tudo um pouco. Sneijder chegou, viu e venceu como nunca um jogador logrou no Giuseppe Meazza. O jogo do Inter saiu da sua mente antes de tocar na sua bota. Maestro como falso pivot ofensivo, determinante nas bolas paradas e nos longos remates, para os ressaltos oportunos de Milito, o holandês foi a arma secreta de Mourinho até ao fim. E funcionou à perfeição!

 

Antonio Di Natali

(Udinese)

 

Marcar tantos golos como os que logrou o dianteiro da Udinese não é para todos. O problema é que Di Natale é já um reincidente, um avançado com faro de golo compulsivo. Não é um virtuoso, nem um killer. Herdeiro da escola de Schillachi, é o tipico avançado com que ninguém conta até que a bola já entrou. Esta época entrou mais de 25 vezes, números altos para uma prova que continua a ser pouco apta aos amantes de golos de todas as cores e feitios. Na África do Sul é um dos nomes a seguir.

 

Diego Milito

(Inter)

 

Ganhou com Etoo e Pandev a trabalhar ao seu lado. Ganhou com a ajuda indispensável de Sneijder. Ganhou com a confiança que lhe deu Mourinho. Mas a patologia de Milito com o golo é antiga e vem desde os dias da Argentina. Na época passada já o tinha demonstrado no Genoa, mas este ano foi um pouco mais longe e transformou-se no homem determinante de um Inter há muito necessitado de um goleador fiável depois dos intermitentes mandatos de Ibrahimovic, Julio Cruz, Recoba e afins.

 

Giampaolo Pazzini

(Sampdoria)

 

Com os seus golos afundou a Roma. Com os seus golos ajudou a Samp a trepar na classificação. Com os seus golos deslumbrou e confirmou todas as suspeitas que há muito se formavam a seu respeito. Pazzini foi o goleador da moda na Serie A. Superou em mediatismo os populares Borriello, Iaquinta e Gillardino e convenceu até o exigente Lippi. 20 golos em 25 jogos são números de uma eficácia à italiana. À Pazzini. 

 

José Mourinho

(Inter)

 

O técnico português voltou a dar uma licção a um futebol que aprendeu a detestá-lo desde o principio. Criticado por tudo e todos, num país determinado em seguir a Roma de Ranieri, técnico local e ainda por consagrar, Mourinho aguentou a pressão ao seu estilo. Montou uma equipa repleta de jogadores descartados por tudo e todos e fez um verdadeiro upgrade do seu Inter 2008/2009. Continua a ter problemas em relacionar-se com as equipas de formação (em dois anos apenas lançou Santon à primeira equipa), mas os seus legionários acabaram por aguentar o acosso e venceram a dura guerra.



Miguel Lourenço Pereira às 20:56 | link do post | comentar | ver comentários (5)

Segunda-feira, 17.05.10

Talvez o campeonato mais impressionante em largos anos. O Barcelona exibiu-se uns furos abaixo da época transacta. O Real Madrid uns furos acima. O choque de titãs tornou-se inevitável e os números a que ambas as equipas chegaram foram escandalosos. É normal, portanto, que o onze da época se divida entre uns e outros. Com algumas surpresas, como o jovem Felipe Luis, o veterano português Nunes e o surpreendente Banega. Uma equipa orientada pelo milagreiro Gregorio Manzano. O que fez este técnico andaluz ao longo do ano está para lá da razão.

 

Victor Valdés

(Barcelona)

 

Em Espanha vive-se o eterno debate sobre quem é melhor. Para Del Bosque o guardião catalão nem tem sido opção entre três, mas a verdade é que a vitória em mais um Zamora não deixa margem para dúvidas. Hoje por hoje, Valdés é o número um da La Liga. Uma época espantosa, com defesas prodigiosas que ajudaram o Pep Team 2.0 a manter o título de campeão nos momentos mais complicados. Um guarda-redes de excepção que cresceu muito nos últimos três anos.

 

Sergio Ramos

(Real Madrid)

 

Em Espanha é tarefa complicada encontrar um grande lateral direito. Estrangeiro ou local. Especialmente quando um jogador como Dani Alves passa a época em valores medianos. No meio de tudo isso destaca-se Sérgio Ramos. O andaluz até rende mais como central, mas na corrida pelo Real Madrid rumo ao titulo foi um elemento fulcral em muitos dos obstáculos. Perito em incorporações pelo flanco, Ramos tornou-se num falso extremo de grande utilidade para Pellegrini. Ao mesmo tempo comprometeu menos do que lhe vimos noutras épocas. Chega em boa forma ao Mundial.

 

Felipe Luis

(Deportivo la Coruña)

 

Jogou quase meia época, mas foi suficiente. Em Dezembro o Deportivo de la Coruña era a equipa sensação de Espanha e militava no terceiro posto de forma inesperada. Os méritos colectivos podiam reduzir-se à acção de um homem. Felipe Luis fez do carril esquerdo uma segunda casa. A defender e a atacar fez lembrar o melhor Roberto Carlos. Marcou, deu a marcar e evitou golos. Mais do que se lhe podia pedir. A gravíssima lesão que sofreu, num lance onde até marcou golo, ditou o final da época do Depor.

 

Gerard Pique

(Barcelona)

 

Se hoje Pique não é o melhor central do Mundo, não lhe faltará muito. Tem os traços de liderança que nos últimos quarenta anos só se apreciaram da mesma forma em Franz Beckanbauer e Franco Baresi. O que já é dizer muito sobre o espantoso rendimento do central que Guardiola repescou no Man Utd. Pique já o patrão da defesa e, ao mesmo tempo, acaba sempre por ser o primeiro jogador de toque do carrousell ofensivo blaugrana. Letal diante das redes rivais, já assumiu dotes de goleador surpresa. Um dos jogadores do ano, sem dúvida.

 

Nunes

(RCD Mallorca)

 

Aos 33 anos o central português é o exemplo perfeito de como um jogador pode passar debaixo de muitos radares e, mesmo assim, fazer uma época espantoso. No maravilhoso Mallorca, Nunes é o fiel da balança. Uma época de uma enorme segurança do central vimaranense, comandante em chefe de uma das defesas menos batidas da prova. A isso junta um faro de golo que poucos centrais cultivam. E acaba por ser um dos nomes próprios deste projecto que tinha tudo para acabar na II Liga e que acaba por saber de novo o que é viver a Europa.

 

Ever Banega

(Valencia)

 

Depois de uma época cinzenta no Atlético de Madrid o Valencia decidiu repescar o argentino Banega. Em boa hora. A equipa Che terminou a época no terceiro lugar e muito deve-o ao jogo do médio. Nem Villa, nem Silva, nem Mata, nem Pablo. Foi a destreza do seu pé esquerdo, a segurança do seu pé direito que permitiram à equipa de Emery manter-se num campeonato à parte de todas as outras 19 equipas ao longo da temporada. Uma temporada de luxo para Maradona ver.

 

Xavi Hernandez

(Barcelona)

 

Continua a ser o melhor jogador do Mundo. Um ano mais voltou a ser ele a alma do Barcelona de Guardiola. Com a baixa constante de Iniesta (em ano para esquecer), o trabalho de Xavi duplicou. A falta de apoio de Alves e a movimentação táctica de Messi também tiraram espaço de manobra ao número 6. E no entanto Xavi voltou a ser o rei das assistências, o rei do futebol de toque e o lider espiritual de uma equipa que continua a encadilar a Europa, apesar de se apresentar numa versão mais soft da que acompanhamos no ano passado. As capas dos jornais podem preferir o duelo Ronaldo-Messi, mas o argentino só é quem é porque tem o catalão atrás. E o português não é mais porque, não tem ninguém que faça o mesmo papel. Os três sabem isso. E o mundo?

 

Lionel Messi

(Barcelona)

 

A imprensa mundial empenhou-se em fazer de Messi a séptima maravilha da história. O argentino esteve, realmente, endiabrado. Guardiola moveu-o para o meio, criando-lhe o posto de falso número 10, e a sua faceta goleadora disparou a números históricos. O número 10 foi o interprete do futebol de toque de Xavi e companhia e ajudou a levar o Barça ás costas em duelos complicados. Mas continua a ser mais o espelho da filosofia de Can Barça do que um fenómeno isolado. Basta ver a sua performance com a albiceleste. É no entanto inevitável colocá-lo no top 3 do ano da Liga. Até porque aos 22 anos, Messi tem uma década para provar se aqueles que hoje querem dele fazer um Dios, têm realmente razão.

 

Cristiano Ronaldo

(Real Madrid)

 

O extremo português conseguiu o que muito poucos jogadores são capazes de lograr. Depois de cinco anos em Inglaterra, adaptar-se a um campeonato diametralmente oposto como o espanhol e emergir como um dos jogadores da liga foi algo que nem Zidane ou Ronaldinho lograram. Sem tempo para adaptar-se, a pressão dos 100 milhões de euros e do jogo de Messi começaram cedo a pesar nos ombros de Ronaldo. Notável até Outubro, a lesão cortou-lhe a margem de progressão. Depois demorou em encontrar-se numa equipa em eterna convulsão, sem modelo de jogo e sem espirito de iniciativa. Mas quando o sonho do titulo tornou-se real, Ronaldo emergiu como o lider que o Real Madrid não teve nos últimos anos e pegou literalmente na equipa às costas com assistências, golos e muita raiva acumulada. Merecia o título pelo esforço, apesar da equipa no seu todo ter sido sempre inferior ao rival de Barcelona. E mostrou que a diferença com Messi é apenas coisa de jornais. Só lhe falta o Xavi perfeito ao lado. 

 

Pedro Rodriguez

(Barcelona)

 

Foi a grande revelação do ano na Europa. Já na época passada tinha entrado, algumas vezes, como uma opção para Guardiola. Mas este ano, Pedro tornou-se na arma secreta perfeita do Barcelona. Tornou-se no único jogador da história em marcar em todas as competições em que participou. Deu a Supertaça Europeia no Monaco, ajudou a conquistar o Mundial de Clubes e marcou golos decisivos na Liga e na Champions. No campeonato espanhol rendeu definitivamente Henry e Iniesta no lado esquerdo do ataque. Determinado, vertical e ambidextro, Pedro Rodriguez foi a aposta mais certeira da Masia e um espelho perfeito de qual é a filosofia blaugrna.

 

Gonzalo Higuain

(Real Madrid)

 

Higuain foi decisivo nos titulos de Schuster e Capello. E no entanto sempre teve a imprensa de Madrid contra o seu estilo de jogo, bem argentino. Este ano, face ao flop que foi Benzema, o número 20 merengue tornou-se no novo santo e senha do ataque madridista. E respondeu com mais golos do que nunca. Nos dois meses em que Cristiano Ronaldo esteve fora, foi ele quem manteve a equipa no rumo certo com golos determinantes. Egoista em muitos lances, é um avançado de dificil convivência na área, mas não deixa de ser uma arma importante numa equipa que vive do futebol de choque, mais do que do jogo de associação.

 

Gregorio Manzano

(RCD Mallorca)

 

Foi o técnico milagreiro do ano. Em Espanha e qualquer liga europeia. O que conseguiu atingir com o Mallorca é algo que está ao alcance de muito poucos. A equipa das Baleares começou o ano com o espectro da descida. Sem dinheiro, com meses de salários em atraso e a iminência de fechar portas. A mudança de proprietários não melhorou a situação e há muito dinheiro ainda por pagar. A isso juntam-se os casos em tribunais por falta de liquidez e dividas. No meio de toda a tempestade, o andaluz montou uma equipa. Que sabe jogar futebol. Uma equipa sem estrelas, sem nomes sonantes. Mas com toda a ilusão do Mundo. E assim se manteve durante todo o ano, trepando na classificação até sonhar com a Europa. Falhou a Champions por segundos mas a viagem á Europe League é um prémio mais do que justo para os peregrinos do ano.



Miguel Lourenço Pereira às 20:38 | link do post | comentar

Domingo, 16.05.10

Foi uma das edições mais disputadas dos últimos anos. No entanto as principais equipas fizeram-se valer mais pelo valor dos colectivos do que pelas individualidades. Jogadores habitualmente desiquilibrantes como Bruno Alves, Liedson, Raul Meireles, Moutinho e companhia exibiram-se uns furos abaixo do esperado. Braga e Benfica dominam um onze onde há espaço para os dois revulsivos do FC Porto, numa equipa obrigatoriamente orientada por Jorge Jesus.

 

Quim

(SL Benfica)

 

Calou os criticos mais severos com a sua melhor época em largos anos. Jesus confiava pouco nele e pediu a contratação de Julio César mas o pequeno grande guarda-redes manteve-se constante durante toda a temporada. Muitas vezes foi a sua segurança e algum par de intervenções que salvaram a equipa virada para o ataque de algum que outro tropeção embaraçoso. Merecia o Mundial.

 

João Pereira

(SC Braga/Sporting)

 

Começou a época na máxima forma dando razão aos criticos do seleccionador que nunca o contemplava nas suas escolhas para render Bosingwa. Em Braga foi um dos nomes próprios da espantosa primeira volta e acabou por ser a única venda no mercado de Inverno. Chegou a Alvalade e rapidamente se impôs no onze titular. Perdeu espectacularidade (pela fragilidade da defesa leonina), mas continuou a dar muito boa conta do recado.

 

Evaldo

(SC Braga)

 

Tal como o colega do lado oposto, Evaldo arrancou a época montado numa moto. Com a subtil diferença de que nunca baixou o ritmo. Foi constante durante 30 jornadas, dando uma segurança a Domingos que nunca Jesus ou Jesualdo tiveram nesse lado do campo. Faltou-lhe talvez mais ambição nas subidas de flanco para colmatar uma época perfeita de um jogador dispensado pelo FC Porto há alguns anos.

 

David Luiz

(SL Benfica)

 

Época primorosa do central, actualmente um dos melhores a actuar no Velho Continente. David Luiz foi seguro, eficaz e soube assumir-se como lider quando necessário. Cada vez que Jesus o deslocou para a esquerda sofreu do mesmo mal a que lhe vetou Quique Flores na época passada. No eixo central foi imperial, apesar de ser ainda um central com alguma propensão para agressões infantis que acabaram por não lhe passar demasiada factura.

 

Moisés

(SC Braga)

 

A segurança do Braga começou na defesa e no eixo central a dupla Rodriguez-Moisés foi sublime. O brasileiro chegou, aos 30 anos, ao ponto mais alto da sua carreira. Uma época que começou discreta mas que foi ganhando força à medida que os jogos se lhe acumulavam nas pernas. Titular absoluto, fez parte do quarteto em grande parte responsável pela corrida ao titulo dos arcebispos.

 

Vandinho

(SC Braga)

 

A Liga Sagres ficou decidida em Janeiro quando o Conselho Disciplinar vetou Hulk e Vandinho para largos e tortuosos castigos, que mais tarde se revelariam, como se sabe, injustos. No caso do portista, o efeito pode ser discutido, já que não estava na sua melhor forma nessa fase da época. Mas com Vandinho não há dúvidas. O médio centro do Braga estava a ser o melhor dos arsenalistas e a sua baixa notou-se claramente no modelo de jogo de Domingos. Sem Vandinho a equipa perdeu equilibrio para a segunda volta. Imaginar como teria sido o campeonato com o brasileiro no onze durante a segunda volta é algo que forçosamente ficará como uma das manchas desta edição.

 

Ruben Micael

(Nacional/FC Porto)

 

Já o ano passado tinhamos alertado para o talento deste pensador da Madeira. O arranque do ano deu-nos a razão. O Nacional começou bem a época, partircularmente na Europe League, muito graças ao futebol incisivo e de toque rápido de Ruben Micael. Em Janeiro a sua chegada ao Dragão despertou um conjunto azul e branco adormecido e durante alguns jogos, o médio foi o revulsivo necessário para o Porto acalentar o sonho do título. Problemas fisicos e uma lesão inoportuna afastaram-no dos jogos finais e do Mundial. Para o ano espera-se a confirmação definitiva do melhor pensador português do tapete verde actual.

 

Alan

(SC Braga)

 

Descartado pelo FC Porto, o extremo brasileiro andou alguns anos por Guimarães até que acabou repescado pelo eterno rival. Em Braga o médio soltou-se dos medos e exibiu-se de uma forma absolutamente fantástica durante grande parte da época. Rápido, bom no toque, corajoso diante das redes, Alan foi o elemento do sector ofensivo que mais se destacou no conjunto bracarense. A chegada de Luis Aguiar potenciou ainda mais o seu estilo de jogo e ajudou a esquecer que os bracarenses passaram o ano sem um grande avançado no onze.

 

Javier Saviola

(SL Benfica)

 

Foi, a par de Vandinho, o melhor jogador da primeira volta. O argentino deu o toque de classe que o conjunto encarnado precisava. Depois de falhar em Espanha, o menos exigente campeonato português provou ser remédio santo. A associação com o amigo Aimar ajudou, mas foi o posicionamento táctico que Jesus lhe destinou quem fez de Saviola o mentor do bom jogo ofensivo do Benfica na primeira volta. Com a segunda parte do campeonato foi-se o fisico e a equipa da Luz perdeu fulgor e imaginação.

 

Angel Di Maria

(SL Benfica)

 

Nos últimos dois anos parecia que Di Maria seria mais um flop, dos muitos que têm chegado e partido da Luz sem pena nem glória. Mas com Jesus, o extremo argentino cresceu. Mentalmente ganhou outro estofo e isso percebeu-se de imediato no terreno de jogo. Fantasista, atrevido e pícaro, Di Maria foi a arma secreta do Benfica nos momentos mais complicados. A sua saída de Portugal é inevitável, resta saber se terá a fortaleza mental para desafios mais exigentes.

 

Falcao

(FC Porto)

 

Foi o melhor jogador da época. O mais regular. O mais atrevido. O eterno contra-corrente. Quando o FC Porto viveu os seus piores meses, Falcao respondeu com golos. Quando a equipa encarrilou na sua melhor série, o colombiano disse presente. Fustigado por uma táctica que não terminava de encaixar com o seu modelo de jogo, Falcao provou ser mais completo do que o rival na lista de goleadores, o paraguaio Cardozo. Se este foi o producto do sistema encarnado, Falcao existiu contra o modelo portista. Ao contrário de Saviola, Vandinho e Di Maria, manteve-se constante ao largo de todo o ano e merecia outra recompensa depois de um primeiro ano que não se via desde a chegada de Liedson a Portugal. Merecia, como minimo, que Shakira não fosse a única voz colombiana a ouvir-se na África do Sul.

 

Jorge Jesus

(SL Benfica)

 

O mérito de Domingos Paciência é espantoso. Montou uma equipa pequena mas repleta de ambição. E lutou até ao fim. Poderia ser dele o banco. Mas Jorge Jesus aproveitou este ano para calar os criticos que o destinavam eternamente a equipas pequenas. Acabou por ser o estratega da Amadora a fazer grande o Benfica, e não o contrário. Prometeu muito e cumpriu quase tudo. Fez esquecer os erros de casting de Koeman, Fernando Santos e Quique e tornou-se no único técnico em cinco anos a rentabilizar um plantel de muitos milhões que passou os últimos anos a sofrer até ao fim para lograr objectivos minimos. Defensor de um futebol ofensivo, montou um esquema táctico equilibrado, suficiente para o campeonato luso. Soube onde apertar com os mais pequenos, mas deixa no ar a ideia de que nos confrontos contra os rivais directos precisa de algo mais de punch. Viu-se em Braga, em Alvalade, em Liverpool e no Dragão. O próximo ano demonstrará se este é o principio de um ciclo ou só um parentesis de uma longa doença.



Miguel Lourenço Pereira às 03:27 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Segunda-feira, 10.05.10

Duelo até aos segundos finais entre londrinos e mancunianos num ano marcado pela definitiva queda do Liverpool e a ascensão de três equipas na máxima forma. Um ano onde a juventude ganhou o pulso à veterania dando a Fabio Capello muito por onde escolher para a sua viagem à África do Sul.

 

 

Joe Hart

(Birmingham)

 

Numa liga onde os guarda-redes continuam a deambular como fantasmas (basta ver as pobres épocas de Cech, Reina, Almunia, Gomes ou Given), encontrar um bom número 1, e inglês ainda por cima, é tarefa hérculea. Joe Hart é esse homem. Joga num clube modesto e no entanto corre o risco de ser titular no Mundial. Apresentou as suas credenciais ao longo do ano. Não foi excepcional, mas a sua concorrência também facilitou a tarefa. Tem muito potencial mas no entanto há pontos fracos que deve corrigir o mais rápido possivel para dar o salto a um grande.

 

Glen Johnsson

(Liverpool)

 

Começou e acabou a época da mesma forma, como uma verdadeira seta no lado direito do ataque do Liverpool. Fez esquecer facilmente o espanhol Arbeola voltando a demonstrar que, quando está fisicamente a 100%, é o melhor lateral direito inglês. O problema é que as lesões estiveram aí, ao longo do ano. Lesões que o afastaram de etapas chave na época e que afastaram também o "Pool" dos lugares cimeiros. Mesmo com todos os problemas, continua sem concorrência.

 

Thomas Vermaelen

(Arsenal)

 

Uma das confirmações do ano. Chegou de Amsterdam envolto em dúvidas e consagrou-se como o central do ano. Marcou vários golos, assistiu outros tantos e na sua área esteve imperial. Fez esquecer Gallas quando se lesionou, conseguiu tornar Campbell ainda mais velho aos olhos dos adeptos, e foi o baluarte da defesa de Wenger quando tudo à sua volta se desmoronava. Tem potencial para ser rapidamente um dos cinco melhores centrais do mundo.

 

Ledley King

(Tottenham)

 

Veterano, com problemas nos joelhos que não o deixam em paz. E no entanto aí está, rei de White Hart Lane. A época de King foi um mixto de dor e prazer. Várias pequenas lesões iam minando a sua posição no onze. No entanto a sua fibra e capacidade de antecipação acabaram por fazer do veterano central uma das armas chave para a histórica qualificação do Tottenham para a Champiosn League.

 

Leighton Baines

(Everton)

 

Com as lesões de Ashley Cole e os problemas extra-desportivos de Wayne Bridge abriu-se em Inglaterra um debate à volta do jogador que poderia tornar-se titular da selecção inglesa. Primeiro foi Stephen Warnock e depois Leighton Baines. Ambos poderiam ter chegado ao Onze do Ano, mas o lateral do Everton ganhou a corrida por consistência e revelação. Foi mais uma das habituais surpresas de David Moyes e funcionou. Manteve-se seguro nas acções defensivas e com o decorrer do ano foi ganhando consistências nas subidas pelo flanco esquerdo. Uma revelação. 

 

Frank Lampard

(Chelsea)

 

Mais do que nunca Lampard encarnou o espirito do Chelsea. Depois dos problemas que marcaram a época de Terry e com Drogba, Ballack, Essien, Cole, Cech, Carvalho e Anelka a viver de constantes altos e baixos, o médio centro foi o único jogador dos Blues constante ao longo de toda a temporada. Goleador como nunca na sua carreira, Lampard foi o eixo determinante no esquema de Ancelotti, recuperando o papel que este atribuía a Pirlo no AC Milan. O seu potente remate de meia distância e a frieza que o caracteriza fazem dele um jogador chave para qualquer equipa.

 

Darren Fletcher

(Manchester United)

 

No Man Utd pós-Cristiano Ronaldo o técnico Alex Ferguson teve de reorganizar o jogo da equipa. A lesão de Anderson e Hargreaves abriram as portas da titularidade a Fletcher. E o escocês não desiludiu. Sublime época de um lutador nato, que apesar de não ser um médio de recuperação por excelência, fez o trabalho sujo que se esperava de Carrick, possibilitando muitas vezes que os Red Devils actuassem com cinco jogadores ofensivos da linha de meio campo para a frente. Fulcral.

 

James Milner

(Aston Villa)

 

Aos 25 anos finalmente Milner ganha o reconhecimento que há muitos anos merece. O jovem da escola do Leeds viu todo o seu talento explodir em Villa Park numa temporada de altos e baixos e onde soube sempre manter-se ao mais alto nivel, ao contrário de Young e Agbonhalor, os seus colegas de ataque. Decisivo nos lances de bola parada, com um potente disparo, Milner encarnou a raça de O´Neill no terreno de jogo e o apuramento europeu do Aston Villa deve muito à sua forma constante.

 

Cesc Fabregas

(Arsenal)

 

A sua lesão no final da época significou o fim do sonho gunner do titulo. Se já a perda de van Persie tinha baixado o ritmo de rotações do Arsenal, ficar sem o seu capitão foi demasiado doloroso. Fabregas exibiu o seu melhor futebol ao longo de seis longos meses. Alma e coração da equipa, revelou uma insuspeita faceta goleadora, ao mesmo tempo que soltou finalmente Song e Nasri para aquilo que há muito deles se esperava. A sua saída pode significar um durissimo golpe nas aspirações dos londrinos.

 

Didier Drogba

(Chelsea)

 

Aos 32 anos continua igual a si próprio. O marfilenho voltou a exibir os seus melhores numeros e com alguns dos golos mais determinantes da temporada repetiu um sabor que só tinha provado ao lado do seu mentor, Mourinho. O tento em Anfield Road, a dois jogos do fim, define claramente o sentido de oportunismo e a raça de um dos melhores avançados da década que se tornou já, por direito próprio, parte da história centenária do Chelsea. Melhor marcador do torneio, beneficiou da máquina de fazer golos que foi o conjunto londrino e das lesões de Rooney. Mas acabou por ser, uma vez mais, intratável ao longo do ano.

 

Wayne Rooney

(Manchester United)

 

Poderia ter sido o Homem do Ano no futebol europeu. Em Março tudo o indicava. Mas veio a lesão e o afastamento da Champions. Uma lesão que o deixou atrás de Messi na corrida à Bota de Ouro e que prejudicou definitivamente o Tetracampeonato do Man Utd. Até lá Rooney tinha sido o jogador mais em forma da Europa (só Robben, Sneijder, Lloris, Messi e Cristiano Ronaldo podem dizer o mesmo) e os seus golos uma autêntica surpresa depois de quatro anos à sombra do extremo português. Solto, sem receios e no lugar certo, Rooney destacou pela frieza e sobriedade a que não nos tinha acustmado. Mesmo assim foi o jogador do ano na Premier, sem margem para dúvidas.

 

Harry Redknapp

(Tottenham Hotspurs)

 

O que logrou Redknapp esta época é absolutamente épico. Se Ferguson, Wenger e Ancelloti tinham mais do que armas para lutar pelo titulo (e apesar da vitória o italiano deixou um travo a desilusão), o veterano técnico tinha pouco em que trabalhar. E no entanto será a companhia do trio da frente na próxima edição da Champions. À frente do Liverpool de Benitez, dos milhões do Man City de Mancini e da raça e estabilidade do Aston Villa de O´Neill. Uma equipa de descartes e jovens a quem faltava dar o salto, o Tottenham de Redknapp foi uma das equipas mais atractivas da prova. Ofensiva, rápida e resistente, emulando o espirito do técnico. Depois deste sucesso será curioso ver como o conjunto londrino aguentará na próxima época a máxima exigência que se lhe espera.



Miguel Lourenço Pereira às 18:26 | link do post | comentar

Domingo, 09.05.10

Louis van Gaal demorou algumas semanas em olear a sua equipa. Mas foi suficiente para criar um novo Bayern campeão. Presença indiscutivel no onze do ano de vários dos seus jogadores, incluindo o MVP do ano, o holandês Arjen Robben. Destaque igualmente para a juventude de um campeonato rejuvenescido que já recuperou muito do prestigio perdido ao largo da última década.

 

 

Rene Adler

(Bayer Leverkusen)

 

É sem dúvida o melhor guardião alemão da actualidade e será uma baixa de vulto no Mundial. Foi um dos artifices da notável primeira volta do Leverkusen, equipa campeã de Inverno, e a sua lesão acabou por contribuir para o pobre final de época do conjunto de Heynckhes, que os atirou para fora da Champions League. Jovem, tem uma imensa margem de progressão.

 

Philip Lahm

(Bayern Munchen)

 

Continua a ser um dos laterais mais desiquilibrantes do Mundo. Tanto pela esquerda, como pela direita, Lahm é um perigo constante. Rápido nas subidas, certo nas marcações defensivas, a época de Lahm foi um constante vai e vem no carroussel ofensivo montado por van Gaal. Um jogador fulcral na estratégia do campeão.

 

Peer Meertzacker

(Werder Bremen)

 

Continua a confirmar-se como um dos mais eficazes centrais alemães da actualidade e a sua mais do que provável titularidade no Mundial é um sinal de garantia para Low. Alto, rápido a sair com a bola, Meertezacker foi um dos melhores jogadores do sector defensivo da equipa de Schaff, sempre balançada para o ataque. Também por isso o seu trabalho merece um destaque especial.

 

Heiko Weesterman

(Schalke 04)

 

Na equipa certa, sem entusiasmar, de Felix Magath, não é dificil perceber a importância que tem o sector defensivo. Weesterman foi o eixo fulcral da defesa do Schalke 04, a única equipa que aguentou o pulso do Bayern Munchen na corrida pelo título até aos momentos finais. A derrota em Bremen pode ter custado um título que seria histórico, mas Weesterman lembrar-se-á sempre desta época pelos melhores motivos.

 

Jerome Boateng

(Hamburg SV)

 

Provavelmente uma das mais sonantes revelações do ano nas ligas europeias. O jovem Boateng (junto com o igualmente imberbe Agogo) foi um verdadeiro click revolucionário na defesa do Hamburg SV. O técnico Bruno Labbadia confiou no jovem e Boateng não desiludiu, garantindo que grande parte do futuro da defesa da Mannschaft passa pelos seus pés. Apesar do descalabro final da época do clube do norte, Boateng foi uma das figuras da Bundesliga por direito próprio.

 

Mezut Ozil

(Werder Bremen)

 

Continua a ser o pensador por excelência do futebol germânico. Passou o ano da revelação e chegou a maturidade. Sem Diego ao lado, Ozil foi ele mesmo. Solto, rápido a pensar, decisivo em vários jogos. Pegou na equipa do Werder Bremen quando mais era necessário e foi escalando postos na tabela classificativa até chegar à luta pela Champions League. Um exercicio de maturidade espantoso num médio tão jovem.

 

Thomas Muller

(Bayern Munchen)

 

A revelação da época. O novo "bombardeiro" tem pouco a ver com o outro Muller que encandilou Munique, mas a rapidez e destreza do jovem Thomas tem de ser levada muito a sério. Irrompeu do nada no onze de van Gaal e nunca mais deixou de ser opção. Como falso ponta-de-lança ou até mesmo com médio mais avançado, Muller ganha no duelo fisico e táctico a jogadores com muito mais experiência. Um autêntico quebra-cabeças daquele que é o mais claro sucessor de Michael Ballack.

 

Marko Marin

(Werder Bremen)

 

No jovem Bremen todas as atenções estão voltadas para Mezut Ozil. Mas o génio de Marko Marin não deve ser ignorado. O rápido extremo é um relâmpago pelo lado esquerdo, uma flecha pelo lado direito, e uma autêntica caçadeira diante do golo. Foi um dos elos fulcrais na época do clube do norte, suprindo muitas vezes as noites desinspiradas do duo ofensivo Almeida-Pizarro.

 

Arjen Robben

(Bayern Munchen)

 

Não é que tenha sido o melhor jogador de toda a Bundesliga. É que Arjen Robben foi, este ano, provavelmente o melhor jogador de todas as ligas europeias. Uma época assombrosa, como só nos recordamos do seu primeiro ano em Stanford Bridge. O holandês encontrou no seu técnico compatriota uma alma gémea. Colocado no lado direito, para explorar o seu espantoso remate de meia distância, Robben dizimou todas as defesas da Alemanha e relegou para um segundo plano a estrela da companhia, o francês Ribery. Uma temporada a todos os titulos notável, onde as lesões apareceram pouco e a magia foi uma verdadeira constante.

 

Edin Dzeko

(Wolfsburg)

 

Com o seu parceiro de ataque, Grafite, num ano não, o bósnio Dzeko confirmou todas as boas sensações dadas na época passada e conquistou o seu primeiro prémio de melhor marcador da Bundesliga, com 22 golos. Uma época de altos e baixos, tal como a época do próprio Wolfsburg, que acaba o ano fora da Europa, mas que não deixaram margens para dúvidas sobre a eficácia goleadora de um dos nomes mais cobiçados do mercado europeu.

 

Stefan Kiesling

(Bayer Leverkusen)

 

Por um mero golo o titulo de melhor marcador teria sido justamente entregue a Kiesling. O jovem dianteiro que finalmente ultrapassou os criticos que dele diziam não ser avançado para a poderosa Mannschaftt. De grande promessa alemã, durante alguns anos na penumbra da fome de golos, Kiesling finalmente deu o salto para o estatuto de killer de plenos direitos. Um dos rostos mais alegres do Bayer Leverkusen, foi um dos avançados mais em forma das ligas europeias ao longo de toda a época.

 

Louis van Gaal

(Bayern Munchen)

 

Uma opção inevitável de um homem que revolucionou o estilo de jogo do eterno calculista Bayern Munchen. Demorou a van Gaal tomar as medidas para formar um onze à sua imagem e semelhança. Foi preciso limpar o balneário, recuperar jogadores esquecidos e lançar vários desconhecidos. Mas encontrou a fórmula. E a partir daí montou um onze alegre, ofensivo e tremendamente eficaz. Foi uma das equipas mais em forma da Europa e mereceu chegar a Madrid. E reconquistar a competição que é cada vez mais "sua" também!



Miguel Lourenço Pereira às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Terça-feira, 04.05.10

Com o final da Eredevise 2009/2010 o Em Jogo viaja até aos largos meses da primeira grande liga europeia que chega ao fim e elege o 11 ideal do torneio. Foram vários os jogadores de primeiro nível que ficaram de fora da corrida ao 11 do Ano. Poderiamos ter incluido Keisuke Honda, fulcral na primeira parte da época para o VV Venlo. Poderiamos ter escolhido o miolo do Ajax também com De Zeeuw, fulcral na recuperação da equipa. Ou os centrais mexicanos, Salcido e Moreno, dois jogadores a ter em atenção no Mundial. Sabendo que certamente erramos e cometemos alguma que outra injustiça, aqui fica a nossa proposta para o melhor da Liga Holandesa da última temporada.

 

Sergio Romero

(AZ Alkmaar)

 

É um dos grandes achados do ano. O guardião argentino, mais do que provável titular da selecção albiceleste no próximo Campeonato do Mundo, foi parte gorda do surpreendente sucesso do AZ na época passada. Este ano sofreu com a quebra de forma do conjunto de Alkmaar mas mesmo assim exibiu alguns dos melhores números das ligas europeias. Defesas impossíveis, uma segurança espantosa e um futuro brilhante. É um dos nomes próprios por excelência desta Eredevise.

 

Gregory van der Wiel

(Ajax)

 

Confirmou tudo o que dele se esperava. Já na época passada muito se falou sobre o potencial deste rapidíssimo lateral-direito. A espantosa época ao serviço dos ajaccied, apesar das lesões, confirmam-no como o melhor lateral do futebol holandês e o mais que merecido titular da Orange no próximo Mundial. Rápido a atacar, sério a defender, van der Wiel foi uma constante dor de cabeça para avançados e defesas rivais. Actualmente tem potencial para qualquer grande da Europa.

 

Jan Vertoghen

(Ajax)

 

Depois da saída de Vermaleen, o Ajax voltou a recorrer à escola belga. E com juros. A dupla Vertoghen-Alderweireld foi um dos esteios da recuperação do conjunto de Amsterdam, depois de um titubenate arranque. O central titular da equipa nacional emergiu como o grande lider do sector defensivo, impondo uma autoridade anormal para um jogador tão novo. Uma margem de progresso significativa deixa antever que rapidamente também ele atravessará o canal da Mancha.

 

Douglas

(Twente)

 

Nesta lista poderiam estar Salcido do PSV ou Moreno do AZ. Mas a margem de progressão ao longo do ano do central brasileiro foi de primeiro nivel. Douglas, um jovem central da selecção sub-20 canarinha, chegou, viu e venceu na dificil liga holandesa. Especialmente para um defesa pouco habituado à rotina ofensiva europeia. O jovem central impôs-se rapidamente no onze e foi crescendo ao lado de Moreno a ponto de se tornar peça chave no estilo de jogo da equipa. Uma das revelações da época.

 

Sebastian Pocognoli

(Twente)

 

O potencial do futebol belga tem assombrado os mais desatentos olheiros. Entre as grandes promessas está o lateral esquerdo do Twente. Elemento fulcral no equilibrio defensivo do onze de Enschede, Pocognoli foi convencendo os mais cépticos e num só ano saltou do banco para a titularidade absoluta no clube e na selecção. Competente a subir, certo no posicionamento defensivo, é um dos elementos mais fiáveis do histórico Twente.

 

De Jong

(Ajax)

 

É tradição histórica que o Ajax tenha um pulmão no meio-campo dificil de bater em qualquer circunstância. Actualmente o herdeiro é De Jong. Médio de muito músculo e grande sentido táctico, ao bom estilo ajaccied, De Jong é igualmente um rematador de primeira e um primor técnico. O equilibrio com De Zeeuw foi chave para dar liberdade ao trio ofensivo de Pantelic-Suarez-Suljemani. Elemento chave na estratégia defensiva de Martin Jol, foi um dos obreiros do novo rosto positivo que deu o conjunto de Amsterdam esta época.

 

Miroslav Stoch

(Twente)

 

Foi o ano de confirmação da grande promessa do futebol eslovaco. Emprestado pelo Chelsea, o médio ofensivo foi o pendulo perfeito para as rápidas transições do onze do Twente, entre o batalhador meio-campo e o ataque de Ruiz, Perez e Osei. Letal nas bolas paradas, fulcral nas assistências, ganhou os galões de herói na épica campanha do modesto clube.

 

Ibrahim Afellay

(PSV)

 

Depois de três anos torna-se claro que a Holanda é já demasiado pequena para o genial extremo direito do PSV. O médio que em 2007 explodiu definitivamente confirma agora que é um dos jogadores mais rápidos e letais do futebol do país das tulipas. Os seus golos e assistências, e a forma como soube combinar bem com Dszudzak e Toivonen, garantiram que o clube de Eindhoven tivesse aguentado quase até ao fim na luta pelo titulo.

 

Balazs Dszudzak

(PSV)

 

Foi um dos anos mágicos para o jovem hungaro. Começou o ano de forma explosiva e chegou a soar como reforço de Inverno de vários grandes do "velho continente". Acabou por ficar e perdeu algo de gás à medida que a época se foi desenrolando mas entra no onze do ano especialmente porque Honda, a grande sensação da primeira volta, saiu em Janeiro para Moscovo.

 

Luis Suarez

(Ajax)

 

Sem dúvida o jogador do ano. Melhor marcador do torneio, um dos mais proliferos goleadores da Europa, o uruguaio confirmou que o Ajax é demasiado pequeno para o seu irrequieto talento. Provavelmente a melhor pérola a não actuar em nenhuma das cinco ligas principais, Suarez foi o porta-estandarte do Ajax desta época. Mas também da Eredevise. Não só se converteu em inesperado homem-golo, como continuou a trabalhar em assistências e jogo colectivo no carroussell de ataque montado por Martin Jol. Inimitável!

 

Bryan Ruiz

(Twente)

 

O costa-riquenho foi, por sua vez, a revelação do ano. Superou o fantasma que podia ter deixado em Enschende o genial Arnautovic e foi um dos goleadores da época sem nunca descurar a sua vertente colectiva. Bryan Ruiz foi um dos exemplos perfeitos da humilde e solidária formação do Twente. Os seus golos nos jogos decisivos mantiveram a equipa sempre na linha da frente e é mais do que provável de que no próximo ano esteja bem longe do futebol holandês.

 

Steve McClaren

(Twente)

 

Manager do ano sem dúvida. Depois do segundo lugar na época passada todos pensavam que o sonho do Twente tinha data de validade. Mas o ex-seleccionador inglês, literalmente expulsado do seu país depois do afastamento do Euro 2008, voltou a demonstrar sem um técnico de primeiro nível. Aguentou as baixas de Elia e Arnautovic, reforçou-se bem, manteve uma estrutura defensiva sólida e nem permitiu que o precoce afastamento da Champions afectasse a moral das tropas. Perdeu a liderança e soube recuperá-la. Foi fiel a si mesmo durante toda a liga. E aguentou a investida final do mais temivel rival. Um justo prémio para um treinador que mostrou o quão todos estavam errados.

 



Miguel Lourenço Pereira às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (3)

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