Sexta-feira, 07.09.12

Arranca a fase de qualificação para o Mundial de 2014 na zona europeia. Com o resto do mundo em etapas mais avançadas, os europeus começam o sprint maratoniano que abre as portas a um torneio que ninguém quer perder. Portugal repete como cabeça de série e como máximo favorito a marcar um lugar antes de tempo nesse reencontro lusófono com Vera Cruz. Um caminho traiçoeiro e que procura saber se a equipa das Quinas aprendeu a meter-se por desvios perigosos.

 

Desde 2006 que Portugal não consegue vencer o seu grupo de apuramento e nas últimas duas ocasiões falhou mesmo a qualificação directa para um grande torneio internacional.

No entanto, nas provas em que acaba sempre por chegar, a performance acaba por superar a maioria das equipas que manejam com mais tranquilidade e eficácia a fase de qualificação. Dirão os adeptos que preferem sofrer antes para desfrutar depois, mas o problema não está nem na prestação final nem na angústia que significa decidir um ano de trabalho num jogo de ida e volta. Se em 2008 o segundo lugar do grupo, ganho pela Polónia, serviu pelas contas que evitaram que os segundos fossem forçados a mergulhar num play-off, a partir daí Portugal por duas vezes encontrou a Bósnia no caminho para a África do Sul e Ucrânia. 

Sempre partindo como cabeça de série, consequência da brilhante trajectória da última década e meia, o conjunto das Quinas encontra sérios problemas em exibir-se de acordo com o prestigio acumulado em fases de apuramento. É uma velha doença do futebol português que durante 32 anos marcou presença apenas em quatro provas internacionais tropeçando sempre na fase prévia por este ou aquele motivo. Desde o França 98, e dessa maldita expulsão de Rui Costa na Alemanha, a equipa das Quinas nunca falhou um grande torneio mas isso não significa que não tenha deixado para os últimos dias a confirmação do bilhete de avião. 

Paulo Bento mostrou no último Europeu que é capaz, num microcosmos particular, de criar um grupo motivado, disciplinado tacticamente e preparado para saber sofrer. A prestação de Portugal superou todas as expectativas e o terceiro posto, medalha de bronze merecidíssima, foi um prémio a essa postura profissional que tantas vezes falhou no passado. No entanto, os problemas crónicos do futebol português não desaparecem por um bom torneio de Verão, e notam-se sempre mais nas longas viagens por esse continente fora e nesse pulso com os clubes mais poderosos do continente do que propriamente em Mundiais e Europeus.

 

Bento sabe que tem um grupo traiçoeiro. 

Na teoria o apuramento directo tem de ser assumido desde o primeiro dia, sob pena de Portugal continuar a cair nesse eterno fado de vitimização que tão bem cai na pele lusa. Portugal não é só a melhor equipa entre as seis do grupo como é também aquela que parece mais preparada para chegar comodamente ao Brasil.

Está a anos-luz do futebol duro e intenso dos irlandeses de Belfast e arredores, dos homens de Israel e, evidentemente, de luxamburgueses e azerbeijanos. No duelo directo com a Rússia, uma potência por direito próprio, Portugal tem a vantagem de ser um projecto em desenvolvimento avançado enquanto que os russos apostam forte não em 2014 mas sim no seu próprio torneio de 2018. Para isso contrataram Fabio Capello, um homem duro que fará progressivamente a triagem da geração que falhou na Polónia estrepitosamente e que dará passo a uma nova vaga de promessas que estão ainda a dar os primeiros passos como internacionais. 

Portugal, pelo contrário, não apresentará mudanças face aos últimos anos. Por um lado é um aspecto positivo porque garante ao técnico que a sua "família", como sucedeu com Scolari, lhe dará tranquilidade e confiança, seguro que os seus conceitos tácticos e posturas serão bem assimilados. Ninguém espera que em dois anos o papel de Cristiano Ronaldo, Nani, Raul Meireles, João Moutinho, Pepe, João Pereira, Fábio Coentrão e Bruno Alves seja questionado e com Rui Patricio como homem de confiança nas redes, só o eterno debate do dianteiro e do médio mais defensivo podem levar Bento a fazer alterações a médio prazo.

Nelson Oliveira terá em Espanha a oportunidade e os minutos que não teve na Luz para justificar a aposta que o técnico tem feito e Miguel Veloso, na Ucrânia, passará um curso intensivo que não lhe dará espaço para erros. Não se vêm caras novas no horizonte para um primeiro plano que nos planos do seleccionador é fundamental. O técnico utilizou apenas 16 jogadores no último torneio e salvo lesões, é dificil pensar que aumente em demasia o leque nos jogos a eliminar. 

No entanto esta realidade, como já sucedeu no final dos dias de Scolari, esconde sobretudo a incapacidade do futebol português de produzir ao mesmo ritmo de sempre novas esperanças para o futuro. Os projectos das equipas B podem ser uma opção mas demorarão até se afirmarem definitivamente como alternativas e só a crise económica dos clubes os poderá forçar a apostar no producto nacional, quase sempre mais barato, e na sua própria formação. Os fracos desempenhos das selecções de sub-21 e sub-19 no entanto não escondem uma realidade difícil para um futuro próximo e até bem depois de 2014 ninguém espera uma mudança de cromos substancial nos planos da equipa das Quinas.

 

A fase de qualificação arranca com um jogo fácil. Desses em que Portugal se maneja francamente mal. 

Portugal ensinou o mundo a preparar-se para uma equipa que rende muito bem com nomes consagrados e sofre em demasia com selecções sem perfil competitivo. As viagens ao leste da Europa tornaram-se, na última década, num problema sério e lidar com o kick-and-rush das Irlandas sempre foi um problema no esquema de jogo dos lusos. E serão esses os jogos fundamentais da fase.

Portugal poderá ter um duplo duelo com os russos - que em 2005 foram presas fáceis, eles que viviam então também uma fase de profunda reestruturação que resultou no excelente Euro 2008 - mas se não somar a totalidade dos pontos contra os restantes rivais, acabará por ser forçada a jogar demasiado em pouco tempo. Os oito confrontos com israelitas, irlandeses, luxemburgueses e azerbeijanos não podem saldar-se com menos do que 22 pontos conquistados, vantagem que permitirá um tropeção ou uma má noite em Moscovo ou na recepção a uma selecção russa que está orientada por um homem especialista em duelos de elevada pressão psicológica e que terá também a oportunidade de limpar a imagem depois de um período à frente da selecção inglesa cheia de interrogantes.

Bento, que fez parte como jogador de muitos desses jogos onde se perderam pontos infantilmente no passado, sabe perfeitamente que a margem de manobra é reduzida. Estar no Mundial de 2014 mais do que uma obrigatoriedade, é uma profunda necessidade.

Portugal tem vivido de um ranking favorável que lhe tem permitido escapar a confrontos com rivais mais poderosos. Se não há uma geração de futuro capaz de pegar na herança deixada por Cristiano Ronaldo e companhia, a selecção tem de pelo menos manter as performances desportivas em alta quando ainda dispõe de jogadores de elite como o extremo do Real Madrid, para garantir que ao longo desta década, as fases de qualificação que venham sejam igualmente caminhos com rosas mas sem espinhos.

Depois de falhar um Mundial, em França, que podia ter significado o arranque precoce da "Geração de Ouro" junto de uma imensa comunidade emigrante que ficou sem ver os seus heróis, falhar um torneio num país com quem Portugal partilha mais do que a língua seria um desastre não só futebolístico mas também sociocultural. 

 

Uma das principais vantagens do calendário que esperam os homens de Bento está no facto de que nenhum dos duelos com os russos ficam reservados para o sprint final. Em Outubro e Junho os mano a manos entre eslavos e ibéricos deixaram pistas mas não serão determinantes. Portugal tem espaço para progredir com tranquilidade e conseguir assim o feito histórico de somar a sua oitava fase final consecutiva, um feito reservado apenas às grandes selecções mundiais.  



Miguel Lourenço Pereira às 12:24 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Quarta-feira, 28.03.12

Quando era jogador nunca foi um exemplo fora do campo e nunca deixou de ser um génio dentro dele. Negou-se a treinar com a anuência de Cruyff, chegou de helicópetro ás concentrações, disputou a soco o titulo de "bad boy" do futebol brasileiro com Edmundo e passou tantas horas no ginásio como em festas em favelas e hotéis de luxo de Copacabana. Com todo esse historial nas costas era dificil imaginar o que viria a passar mas Romário está decidido a salvar o futebol brasileiro.

Era dificil de acreditar mas Ricardo Teixeira encontrou finalmente a sua nemésis.

O enteado de João Havelange, talvez o pior dos directivos de quem falava Juca Kfouri quando dizia que Deus deu ao Brasil os melhores jogadores e piores dirigentes do Mundo, foi forçado a sair finalmente do seu trono sagrado na CBF. A pressão da investigação jornalista da equipa de Andrew Jennings e do próprio Kfouri, a inimistade com Dilma Roussef foram elementos fundamentais na sua saida. Mas quem deu o tiro de graça foi Romário. 

O "Baixinho" foi o herói de um futebol brasileiro orfão de lideres depois da debacle emocional do Mundial de 90 quando a nostalgia do futebol arte da geração de Telé Santana já era um longo adeus. O país perdoou-lhe tudo. A sua indisciplina crónica, a sua falta de profissionalismo absoluta, os casos com as mulheres, as discussões com os colegas e os rivais, as suas amizades com alguns dos traficantes mais perigosos do Rio de Janeiro e, sobretudo, do seu ódio crónico á imagem sagrada de Pelé. Em troca Romário deu-lhes o melhor futebol que o país viu nas eras entre Zico e Ronaldo. Terminou com a seca de 24 anos sem vencer um Mundial de Futebol, nuclear na campanha dos Estados Unidos em campo e fora dele. Tornou-se no terceiro maior goleador da história do país, apenas atrás do "Rei" e de Friedenreich, por muito que muitos dos golos fossem abertamente questionados por todos. Passou pela Europa onde se doutorou com Cruyff e enimistou com Robson, Ranieri e Aragonés voltou ao Brasil como semi-deus. Depois fez-se politico. As más linguas, e no Brasil a má lingua é um desporto nacional como jogador futvoléi nas suas praias perfeitas, diziam que a sua carreira politica, como a de muitos nomes ligados ao futebol, era apenas uma forma de se proteger face aos problemas fiscais que há anos o enfrentavam a Brasilia. Provavelmente teriam razão mas na capital artificial do gigante sul-americano Romário transformou-se, como Pelé, no rosto mais claro de oposição á CBF. O histórico avançado do Santos não teve o poder politico e mediático para vencer a luta com Teixeira e num último acto de desprezo o ex-presidente da Confederação recusou-se a convidá-lo para a cerimónia de apresentação da fase de apuramento para o Mundial de 2014. Mas com Romário, o homem que viveu com ele um dos episódios mais tristes da história da CBF na ressaca do Mundial dos EUA, não encontrou forma de vencer.

 

As criticas do "Baixinho" começaram por centrar-se na organização do Mundial.

Romário utilizou o seu lugar em Brasilia e o seu poder nas redes sociais para atacar violentamente a organização do torneio. Um torneio onde todos, incluido o próprio Sepp Blatter (que aprovou em 2000 a rotatividade de continentes também a pedido expresso de Teixeira),  começam a termais dúvidas do que certezas. As obras levam um atraso histórico, há ainda sérios problemas de financiação com estádios e infra-estruturas, aeroportos e estradas por construir e um pais com uma tremenda pujança financeira que começa a questionar-se, na pessoa da sua nova presidente, se gastar tanto dinheiro para enriquecer a FIFA - da qual Teixeira continua a ser membro honorário - é realmente um bom investimento. 

Das criticas ao torneio - que a imprensa brasileira apoia entusiasticamente- o ex-dianteiro apontou baterias a Teixeira. Criticou a sua gestão de mais de duas décadas, a profunda desorganização do futebol nacional no Brasil, o mitico e polémico contrato com a empresa americana Nike e, sobretudo, o investimento paralelo que pode fazer valer a Teixeira e alguns dos seus principais colaboradores contratos milionários com a própria FIFA. O mano a mano durou meses e inicialmente Teixeira, habituado a ser desafiado por tudo e todos, se mostrou condescendente. Aceitou colaborar com o avançado na sua campanha a fazer dos que padecem de sindrome de Down (como uma das filhas de Romário), declarando um investimento de 32 milhões de reais e uma série de bilhetes gratuitos para as organizações patrocinadas pelo deputado. Mas não chegou. No final o cerco mediático organizado por Romário deu ainda mais destaque ás revelações da Folha de São Paulo sobre os seus negócios paralelos. A má performance do Brasil em campo, as queixas de corrupção secundadas pela procuradoria geral e a perda de apoio na FIFA obrigou Teixeira a ceder o seu posto ao seu braço-direito, José Maria Marin. O novo dirigente não só garantiu que a filha do seu antecessor, directiva na CBF, iria manter-se no cargo onde foi colocada pelo pai, como garantiria uma reforma milionário para o ex-presidente até 2030.

Os que pensavam que a luta de Romário era apenas com Teixeira ficaram surpreendidos quando o homen do PSB-RJ anunciou que continuaria o seu combate até limpar a CBF de todo o rastro de "teixeirismo", declarando publicamente o apoio a Ronaldo Nazário como eventual candidato presidencial para a federação brasileira de futebol, no próximo ano.

 

Com a reeleição praticamente garantida, Romário emulou Pelé em campo e fora dele. Nos anos 90 o histórico jogador brasileiro desafiou os poderes da CBF com a lei que levou o seu nome e que tinha como objectivo reformular totalmente o mais caótico campeonato do Mundo. O poder do lobby da CBF no Senado destroçou uma lei prometedora. Passados quase 15 anos outro homem de 1000 golos prepara-se para continuar a luta para salvar o seu futebol. Entre festas, jogos de futvolei em Copacabana e sessões do Senado, o "Baixinho" revelou-se ser maior que a sua própria lenda. Os cartolas do futebol brasileiro que se cuidem...



Miguel Lourenço Pereira às 23:38 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 02.10.11

Analizando friamente os números é fácil chegar à conclusão que há poucos países capazes de provocar tantas desilusões futebolisticas como o México. E no entanto escasseiam as nações com tanto potencial para aspirar ao ceptro mundial. O futebol azteca vive nesta contradição andante e continua a viver numa eterna depressão entre extasiantes promessas e constantes desilusões. Poderão os heróis de 2005 e 2011 formar a equipa capaz de contrariar as evidências?

Duas vezes o México logrou alcançar os Quartos de Final de um Mundial de Futebol.

As duas foram nas provas que organizou, as duas deixaram poucas saudades nos adeptos. Os mexicanos estão habituados a vir cedo para casa neste tipo de torneios. E isso, num país com 115 milhões de habitantes onde o fanatismo do futebol é uma religião alternativa ao profundo catolicismo e ao misticismo tribal, deixa muito que pensar. Pode um país com tamanhas condições desportivas, com um longo historial, repetir, ano após ano, prova após prova, os mesmos erros? No papel parece impossível. Na realidade está o caso mexicano.

Esquecendo gigantes como China, India ou Estados Unidos, o México é um dos poucos países que superam os 100 milhões de habitantes onde o futebol é sagrado. Desporto nacional quase em estado puro, para os mexicanos a obsessão com uma bola só é comparável à sua paixão pela Coca-Cola ou pelo picante da sua maravilhosa cozinha tradicional. Na rua os miudos mexicanos não se distinguem dos potreros argentinos ou dos malandros brasileiros. Como gotas de água ensaiam regates, experimentam fintas, desafiam a gravidade e viciam-se no golo. Ainda não mergulharam no pecado capital da Europa, esse vicio pelos jogos de consola que transformou o jogador de rua no jogador de comando, e por isso a rua ainda é deles. E para bola qualquer coisa serve.

Esses miudos são hoje a grande esperança de um país que, juntando tradição com população, pode ser considerado como a maior potência desportiva que não consegue ser potência desportiva. O México conta, até hoje, com um paupérrimo historial. Nos Mundiais eliminações precoces. Na Copa América, onde participa há vinte anos, o segundo lugar, por duas vezes, foi o máximo que conseguiu. Uma Taça das Confederações (em 1999) e nove campeonatos regionais são um balanço humilde para quem pode aspirar a tanto. Afinal não é a liga mexicana uma das mais exitantes do futebol internacional? E não é, sobretudo, o seu sistema de formação, um dos mais elogiados do Mundo?

A resposta é afirmativa em ambos os casos mas o México que se tornou na última década numa potência juvenil comete os mesmos pecados que outros casos pretéritos como Portugal, Gana ou Nigéria, países com bons resultados nas camadas de formação que falham a dar o salto para a equipa principal. Um problema que pode ter fim à vista.

 

Em 2005 o México surpreendeu o mundo ao bater o Brasil na final do Mundial de sub-17 disputado no Peru.

Um torneio a que muito poucos davam real importância até então mas que nos últimos anos tem ganho admiradores incontestáveis, entre os quais homens como Arsene Wenger, Pep Guardiola ou Louis van Gaal. Nessa equipa estavam verdadeiras pérolas aztecas como Giovanni dos Santos, Carlos Vela, Effrain Juarez, Sergio Arias ou Hector Moreno. Jogadores que rapidamente deram o salto para a Europa. Talvez cedo demais. Estrelas locais nos seus clubes, na Europa não aguentaram nem a exigência táctica nem a pressão mediática que se lhes exigia. Vela e dos Santos, os simbolos desta geração, foram o exemplo do salto falhado. Arsenal e Barcelona fizeram-se com os serviços de ambos jogadores e depois de algumas oportunidades na primeira equipa ambos desapareceram do mapa. Dos Santos, a quem muitos comparavam com Messi nos seus principios, perdeu-se entre Tottenham e Galatasaray para despontar no Racing Santander no final da época passada. Vela andou por Salamanca, Osasuna e agora milita, por empréstimo sempre, na Real Sociedad. Na selecção ambos tornaram-se espelho desse falhanço habitual dos nomes mais mediáticos do futebol mexicano.

Carbajal, o guarda-redes com mais torneios da história (cinco) nunca passou da primeira fase. Hugo Sanchez, herói do futebol mexicano dos anos 80, foi uma das grandes desilusões do Mundial de 1986. Chegou como estrela absoluta, marcou um golo e desapareceu do radar durante todo o torneio. Nunca mais voltou a pisar um Mundial na sua carreira. Em 2006 o México, já com alguns nomes da sua formação, a que se aliavam veteranos como Jesus Arellano, Guille Franco, o eterno Cauthemotec Blanco e companhia, caiu vergado pelo portentoso remate de Maxi Rodriguez nos Oitavos de Final. Quatro anos depois, na África do Sul, agora com Vela, dos Santos e Barrera, filhos da geração de 2005 (que no Mundial de sub-20, dois anos depois, ficou-se pelos Quartos) voltaram a ser derrotados pela Argentina de Messi. E a ferida tornou-se mais evidente.

Se a essa geração de 2005, agora na casa dos 20 baixos, se começa a exigir algo mais, que podem pedir os mexicanos aos heróis deste passado Verão. Depois do trabalho fenómenal do seleccionador Jesus Ramirez, o México conseguiu produzir uma nova geração de talentos para não esquecer. A vitória frente ao Uruguai no último torneio - aliada ao terceiro posto no Mundial de sub-20, meses depois - deixa uma vez mais a ideia de que há poucos paises tão bons na actualidade como o México na prospecção de jovens estrelas.

Ao futebol mexicano ajudou, sobretudo, a inclusão dos seus clubes nas provas da CONMEBOL. O México tornou-se presença assidua da Copa dos Libertadores e da Copa Sudamericana e por duas vezes equipas mexicanas (Cruz Azul e Chivas Guadalajara) chegaram à final do máximo torneio de clubes do continente. Esse crescimento sustentado e o desafio de competir contra clubes de ligas mais competitivas como a argentina, brasileira, colombiana ou uruguaia desportou ainda mais o México do seu isolamento.

Não estranha portanto que do nada surjam pequenos grandes génios como Enrique Flores, Carlos Fierro, Julio Gomez e, sobretudo, Jorge Espericueta. Ele é, aos seus 17 anos, a máxima promessa de um país que conta já com Javier Hernandez, como principal simbolo desta nova vaga.  A estes heróis, campeões do Mundo depois de dois jogos épicos com Alemanha e Uruguai, há que juntar os homens que viajaram até à Colombia para conquistar o terceiro posto. Erick Torres (também campeão do Mundo), Tauffic Guarch, Ulisses Dávila e Jorge Enriquez são hoje nomes obrigatórios nas listas de futuriveis de qualquer grande clube. E permitem aos mexicanos sonhar com uma possível fusão das gerações de 2005 e 2011 numa selecção que poderia ser verdadeiramente temivel no Mundial do Brasil.

 

No meio de todo este optimismo (e um onze com Torres, Chicharito, Enriquez, Espericueta, Fiero, Dos Santos, Vela, Juarez, Salcido, Moreno ou Ochoa permitem sonhar com isso mesmo) há episódios que nos continuam a relembrar que o México é um verdadeiro quebra-cabeças. A suspensão de vários jogadores da selecção B enviada à Copa América, onde se encontrava outra eterna promessa, Jonathan dos Santos, depois de várias festas organizadas no hotel da concentração permite entender que há ainda uma profunda diferença entre o talento genuino - onde o México tem poucos rivais, talvez nem sequer na Argentina e Brasil - e o profissionalismo exigido para a competição do mais alto nivel. Mesmo assim, tendo em conta o sucesso recente e as licções aprendidas, é fácil entender que há poucos países que possam oferecer tanto ao futebol nos próximos anos como a nação azteca. Conquistar as Américas, sonhar com o Mundo, tarefas hérculeas para um povo habituado às lágrimas da derrota. Mas não impossível, não quando ainda há sitios onde o futebol é um feitiço eterno.



Miguel Lourenço Pereira às 14:09 | link do post | comentar

Terça-feira, 14.06.11

Trinidad está em festa. Mesmo que a família FIFA esteja mais entretida com as lutas de poder nos corredores de Zurique. Quando a bola comece a rolar pelo relvado - ou algo parecido - do estádio Malabar, o Mundial de 2014 arrancará oficialmente. O primeiro de 832 jogos antes da fase final, a disputar no Brasil. No entanto os fantasmas que rodeiam a organização do evento não permitem grandes festejos. Trinidad está em festa mas provavelmente eles serão os únicos com algo que celebrar.

 

Desta vez a figura omnipresente de Jack Warner, o homem mais corrupto do futebol caribenho e vice-presidente da FIFA suspenso de funções, não estará debaixo dos holofotes. Nem a do seu amigo, até à pouco, o presidente Sepp Blatter. Noutra ocasião os dois pesos pesados da organização que gere o futebol mundial estariam seguramente em Malabar para dar o pontapé de saída para o próximo Mundial. Não vai ser assim.

A FIFA quer esquecer, de momento, que a CONCACAF existe. A confederação de países que garantiu três eleições consecutivas para Blatter virou-lhe as costas e agora sofrerá as consequências, como sucedeu já com a UEFA no passado. O suiço não é homem de esquecer. A sua gestão - e a sua amizade com o presidente da CONCACAF e vice-presidente da FIFA, o tobaguenho Jack Warner - significou uma época de prosperidade para o futebol das Caraíbas. Mais dinheiro do que nunca, duas presenças num Mundial (Jamaica e Trinidad e Tobago), torneios juvenis e, sobretudo, um sério investimento nas infra-estruturas locais. Uma delas resultou no estádio Larry Gomes, construido de propósito para o polémico Mundial de sub-17, um torneio que funcionou como lavagem de dinheiro para a gestão de Jack Warner e que poucos paises participantes recordam com ilusão. O estádio recebe hoje um duelo sem qualquer importância no panorama internacional.

Montserrat, uma minuscula ilha caribenha que joga em "casa" por não ter ainda um estádio disponível no pequeno país com 40 kms de extensão que ainda pertence ao Reino Unido. E que é a 202º selecção do ranking FIFA. A antepenúltima. Dizemos que ainda não tem estádio , porque a FIFA já financiou a construção de um novo recinto, cujas obras estão por completar, cortesia do amigo Warner com ajuda do amigo Blatter, quando a amizade ainda fazia da CONCACAF um dos maiores recipientes do dinheiro gerado pela FIFA.  Belize, o país da América Central que surge como visitante, está um pouco melhor. É a selecção número 172. O jogo, aparentemente insignificante, reveste-se de importância porque significa que o Mundial de 2014 arrancará oficialmente. Claro que para o grande público o torneio em si só terá lugar em Junho de 2014. Mas até lá o mundo do futebol irá lutar até às últimas consequências para conseguir um bilhete milionário para o torneio. Há 32 vagas e 198 selecções que ambicionam participar (as selecções do Butão, Mauritânia, Guam e Brunei preferiram não inscrever-se). Claro que nenhuma delas estará amanhã em Trinidad.

O jogo significa que arranque a pré-eliminatória da fase de qualificação da CONCACAF, a confederação com a série de apuramento mais larga. Da qual resultarão apenas três participantes. O jogo de amanhã abre a série de pré-qualificação que seguirá durante os próximos dois meses entre as selecções que falharam o apuramento para a Golden Cup. A partir de 30 de Julho começa a segunda etapa da qualificação, já aberta a todas as confederações. CONCACAF, CAF e AFC contam com várias fases prévias até chegar à definitiva fase de grupos, a disputar entre o final de 2012 e todo o ano de 2013. A partir de Setembro de 2012 começam igualmente a jogar as selecções da UEFA, CONEMBOL e OFC. Só em Dezembro de 2013 serão conhecidos os 32 finalistas, 832 jogos depois.

 

Mas o ambiente não está para festas.

A FIFA nunca viveu dias tão negros e a percepção geral é que o organismo vive a maior crise de credibilidade da sua história. Desde a eleição de Sepp Blatter que os problemas se têm multiplicado. A compra de votos nas eleições presidenciais e votações para organizar o Campeonato do Mundo foram os temas mais debatidos nos Media. Mas havia muitos esqueletos guardados no armário do suiço que nos últimos anos têm visto a luz do dia. O escândalo financeiro da ISL, os contratos com as empresas Visa e Mastercard, a venda de bilhetes do organismo no mercado negro e os contratos televisivos foram, a pouco e pouco, deixando a nu todas as manobras que se cozem em Zurique à medida que as equipas vão disputando as eliminatórias de acesso ao torneio de maior apelo popular do mundo.

E no entanto os problemas de Blatter não se limitam à sua gestão presidencial. O seu "Mundial" no Brasil, uma aposta tão pessoal como a entrada no mercado asiático em 2002 ou a recompensa à fidelidade africana em 2010, está a dar-lhe mais dores de cabeça do que imaginava. A três anos de arrancar o torneio, Ricardo Teixeira, enteado de João Havelange, vice-presidente FIFA e eterno dono da CBF, continua sem ter uma estrutura organizativa hábil capaz de manejar os muitos problemas que lhe vão aparecendo. O mais grave de todos é a possível exclusão de São Paulo do torneio. A maior cidade da América Latina, sede de alguns dos clubes mais exitosos do Mundo, recusa-se a endividar-se para beneficio exclusivo da FIFA e o estado de deteriori em que sobrevivem alguns dos seus estádios mais emblemáticos pode significar que os paulistas terão de ver o seu Mundial através da rede Globo. Um problema de sensibilidade politica, de profundo endividamento autárquico e das guerras internas entre cariocas e paulistas dentro da própria CBF tem deixado o problema aumentar como uma bola de neve. Em vez de contribuir para o apaziguamento, tanto a FIFA como Ricardo Teixeira têm devotado os últimos meses a criticar a federação paulista e a sua eterna indecisão de avançar, ou não, para a construção de um novo estádio no estado. 

O problema de São Paulo é o mais mediático mas em nenhum outro estádio brasileiro as obras seguem de acordo com o previsto. E muitos têm encontrado sérios problemas de financiamento. E o pior nem está na construção dos recintos. Quinto maior país do mundo em extensão, o Mundial do Brasil depende fortemente da facilidade de deslocação de equipas, adeptos, imprensa, patrocinadores e directivos. E aí o drama é ainda mais significativo. A organização do certame já assumiu, de cabeça baixa, que a maior parte dos aeroportos não estarão preparados a tempo do torneio. E os que estejam funcionarão a meio gás. A revista Veja publicou no passado mês uma reportagem especial em que denuncia que só 7,5% das obras nas infra-estruturas estão completas e que a este ritmo o Brasil estará pronto para receber o Mundial...em 2038.

Entretanto o dinheiro investido pela FIFA e pelo governo de Dilma Roussef, que está pessoalmente empenhada em mudar o curso dos eventos, na organização começa a desaparecer e muitos olham já com severa suspeita para o próprio Ricardo Teixeira, homem já levado aos bancos dos tribunais várias vezes por desfalque financeiro com fundos do organismo que gere o futebol mundial. O Brasil há muito que solicitava o Mundial e Havelange e Teixeira forçaram Blatter a optar pelo país e assim romper com a habitual rotação de sedes entre a Europa e o resto do Mundo. Mas as suspeitas de que o país se iria transformar num possível pantanal para os interesses da organização (já para não falar do futebol em geral) começam a ganhar contornos de crua realidade. Não só o Brasil está muito atrasado para organizar um Mundial de alto nível como há uma série probabilidade de que não o consiga fazer dentro do prazo. O Mundial não estará em causa, mas a sua qualidade e o nome da FIFA sim.

Em Trinidad poucos se importarão com todos estes problemas, para eles o jogo de hoje é uma pequena festa que anuncia o Verão. O Belize é favorito, afinal o ranking da FIFA impõe uma significativa diferença de mais de 30 posições entre os centro-americanos e os homens de Montserrat, todos atletas amadores locais. Mas amanhã ninguém no mundo se importará com o resultado final ou sequer com o destino de ambos os países nesta corrida de loucos aos milhões e à glória que um Mundial oferece. A crueza do mundo do futebol é apenas um espelho da sociedade e enquanto Ricardo Teixeira e Sepp Blatter trocam emails preocupados, alguém em Trinidad estará feliz. Afinal, é através deles que o futebol, na sua vertente mais pura, sobrevive.


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Miguel Lourenço Pereira às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (4)

Domingo, 27.02.11

Enquanto os estádios na África do Sul começam a ser deixados ao abandono, a FIFA começa a olhar com séria preocupação para a próxima sede do seu cobiçado Mundial. Faltam três anos para o Brasil receber o mundo do futebol mas os problemas acumulam-se, as soluções escasseiam, os números não quadram e o fantasma de uma substituição de última hora é algo bastante real...

 

 

 

Primeiro foram os problemas com o mítico Maracanã. Depois a guerra entre a FIFA e a prefeitura de São Paulo que ameaça deixar a maior cidade da América Latina sem um único jogo do Mundial de 2014. Agora é tudo o resto. O Mundial do Brasil ainda não arrancou e já está nas bocas do Mundo. Pelo pior motivo. A FIFA aprendeu a lição da África do Sul e sabe que tem pouca margem de manobra. Os estádios sul-africanos que não foram vendidos a empresas privadas estão, como o Soccer City, ao abandono. Literalmente. Pode o mesmo cenário voltar a repetir-se?

Tudo indica que sim. O Brasil, histórico do futebol como nenhum outro país, é também um quebra-cabeças logístico e financeiro para a FIFA. Apesar de emergir de forma cada vez mais clara como uma nova potência mundial, a corrupção local e os graves problemas estruturais de um país que pisa o acelerador agora para recuperar o atraso de muitos anos complicam, e muito, a organização de um torneio tão complexo como um Campeonato do Mundo. E os problemas nem são as distâncias entre sedes nem mesmo a imensa criminalidade que abunda nos principais centros urbanos do país. Hoje em dia é o próprio esqueleto do torneio, as suas principais instalações, que se encontram no ponto de mira. E sem estádios não há jogos, sem jogos não há Mundial. A CBF, controlada pelo omnipresente Ricardo Teixeira - para muitos um forte candidato à sucessão de Sepp Blatter - distribuiu contratos, favores e dinheiro. Mas o retorno tem sido praticamente nulo. Os prazos já estão a ser largamente ultrapassados e actualmente, das 14 cidades-sede, só duas podem prometer ter tudo a tempo para o Mundial. A própria organização da Taça das Confederações - marcada para Junho de 2013 - está em equação já que nenhum dos dois estádios que parecem cumprir todos os requisitos (estar prontos até Janeiro do mesmo ano) têm dimensão suficiente para albergar os jogos entre os campeões continentais de selecções. Cuiabá (no Mato Grosso) e São Salvador da Baía são as únicas cidades que têm seguido à risca os prazos, mas até elas já apresentam significativas derrapagens nos orçamentos. Mas são cidades pequenas dentro do organigrama FIFA e isso levanta vários problemas.

 

Os casos mais sérios que a organização do torneio tem de resolver centram-se em São Paulo, Brasilia e Curitiba.

No caso paulista há uma real possibilidade da cidade ser retirada definitivamente do calendário. Nem o Morumbi, nem o Paceambu nem o Antárctica, os três estádios mais emblemáticos da cidade, têm condições para albergar um jogo do torneio e os seus donos não têm demonstrado o mínimo interesse em melhorar os recintos. A própria prefeitura - a câmara municipal local - não está disposto a fazer um esforço financeiro para trabalhar nas profundas reformas que todos os recintos necessitariam. Ricardo Teixeira anunciou em Junho que a cidade estava oficialmente fora dos seus planos mas nem a FIFA nem o governo estão interessados em perder uma cidade de 20 milhões de um torneio da magnitude de um Mundial. Será provável que em última análise a situação seja desbloqueada mas os prazos apertam e a cidade corre contra o relógio.

Já a capital vai receber, de longe, o maior investimento individual num recinto, o Mané Garrincha, que será ampliado a 70 mil espectadores. Mas as obras estão paradas por ordem do tribunal federal que detectou várias irregularidades nos contratos. Uma situação que se repete por todo o país e deixa a nu a corrupção omnipresente em todo o esquema organizativo do torneio. Curitiba, por outro lado, está em stand-by. Há um estádio - o Arena da Baixada, do clube local, o Atlético Paraneense - mas o dono está pouco interessado em estar dois anos sem casa e, ainda por cima, ter de desembolsar una quantia que triplica o seu orçamento anual. Os governos estaduais e locais estudam criar uma bolsa de apoio financeiro mas as obras são profundas e nunca estariam prontas antes de 2013.

Casos graves mas que não caminham sós. Em Manaus, no coração do Amazonas, nem o aeroporto local nem o estádio receberam ainda o investimento previsto porque o banco federal bloqueou o aval por falta de garantias. Situação em tudo similar ao que se vive em Fortaleza, Natal e Belo Horizonte - que ambiciona a receber o jogo inaugural caso São Paulo esteja oficialmente fora. Já o Rio de Janeiro - que com a Copa América em 2015 e as Olimpíadas em 2016 terá um triénio repleto de eventos - vive em suspenso as obras de melhora no mitico Maracanã. Mas os atrasos são evidentes e o dinheiro escasseia. A isso alia-se o problema dos acessos, com sucessivos atrasos nas melhoras dos aeroportos locais. Demasiados senãos para deixar boas perspectivas para o futuro.

 

 

 

A FIFA e a CBF têm dois anos para apresentar seis estádios (de 14) prontos para albergar a Taça das Confederações e um ano mais para ter tudo a postos para o Mundial. Se em casos anteriores a FIFA já foi forçada a correr contra o relógio, os problemas no Brasil são mais profundos e passam por estruturas locais, alojamento, transportes, segurança e, acima de tudo, tentar escapar de uma sombra de corrupção que pautou a candidatura desde o primeiro dia. 64 anos depois o Mundial pode voltar a visitar a terra de Vera Cruz. Mas muitos começam a perguntar-se se a visita valerá realmente a pena...


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Miguel Lourenço Pereira às 12:14 | link do post | comentar | ver comentários (4)

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