Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Foi um dos melhores jogadores escoseses da história. E um dos seus mais brilhantes técnicos. Durante 25 anos viveu as mais distintas experiências mas sempre deixando o seu selo pessoal. Thomas "Tommy" Docherty foi um dos primeiros managers trotamundos numa era onde os técnicos se fidelizavam para a vida num só ninho.

 

Nasceu a 24 de Abril de 1928 e ainda hoje vive na sua Glasgow natal. Desde sempre que sonhou com uma bola de futebol e depois de sobreviver ao temivel desembarque de Anzio voltou a casa com vontade de começar uma carreira profissional depois de se ter revelado como uma das estrelas da selecção militar. Começou no Celtic, o clube dos seus amores, em 1947 mas rapidamente foi transferido para o histórico Preston North End. Aí esteve durante 10 largos anos onde apontou 10 golos em mais de 300 jogos. Disputou em 1954 a final da FA Cup e durante a sua estadia em Inglaterra tornou-se internacional pelo seu país. Chegou às 25 internacionalizações, sendo a última no Mundial de 1958 na Suécia onde foi um dos elementos mais destacados do Scotish Army. Depois de passar três épocas no Arsenal, Tommy Doc, como carinhosamente lhe chamavam, mudou-se para o Chelsea para assumir a função de treinador-jogador. Começou assim uma longa carreira repleta de inesperados desafios. Em Stanford Bridge o técnico herdou uma equipa de primeiro nível mas envelhecida e não evitou a despromoção. No entanto a direcção continuar a confiar nele e durante o ano que passou na Second Division o técnico montou um onze repleto de vários talentos futuros como Terry Venables, Peter Bonetti e Barry Bridges. A equipa subiu de divisão e no primeiro ano de volta aos grandes terminou no quinto posto. Na época seguinte fechou a classificação em terceiro lugar e venceu a League Cup diante do Leicester. A derrota diante do Manchester United, num jogo em que Docherty não contou com os seus melhores jogadores por motivos disciplinares marcou um antes e um depois na sua carreira. A direcção tentou despedi-lo mas os adeptos não o permitiram. O técnico ficou um ano mais onde terminou nas meias-finais da Taça das Feiras e a FA Cup mas acabou a liga a 10 pontos do campeão. Docherty partiu de Stanford Bridge. O seu sucessor, Dave Sexton, aproveitou o labor dos Docherty Diamonds e nesse ano venceu a FA Cup e a Taça das Taças.

 

Depois de rápidas passagens pelo Rochester, Queen`s Park Rangers e Aston Villa onde nunca durou vários meses por problemas com as sucessivas direcções, Tommy Docherty aceitou um desafio pouco habitual nos treinadores britânicos da sua geração: rumar ao estrangeiro.

O seu destino acabou por ser Portugal e mais concretamente o FC Porto. A equipa azul e branca vivia em guerra interna depois da exclusão de José Maria Pedroto pelo presidente Pinto de Magalhães. O técnico aceitou o desafio mas viveu apenas cinco meses na Invicta. Tempo suficiente para reparar em Pavão e deixar saudades entre os jogadores. O problema era, essencialmente, que nessa época o clube azul-e-branco vivia uma grave crise institucional e os técnicos sucediam-se a velocidade de cruzeiro. Rapidamente voltou às ilhas onde assumiu o posto de seleccionador escocês. Em 1972 o Manchester United vivia a crise do final dos Busby Babes e os dirigentes procuravam um sucessor para o mitico técnico depois da má experiência com Frank O´Farrell. A sua escolha foi polémica mas revelou-se acertada. Na primeira época a equipa garantiu a manutenção a duas jornadas do fim mas no ano seguinte acabou despromovida graças a um golo no último minuto de Dennis Law, entretanto ao serviço do rival Manchester City. Foi a oportunidade de ouro para Docherty renovar o envelhecido conjunto de Old Trafford. Gorada a transferência de Pavão, o técnico contratou para o clube vários jovens jogadores como Steve Coppell, Brian Greenhoff e Lou Macari. A equipa subiu rapidamente de divisão e chegou à final da FA Cup, sendo surpreendentemente derrotada pelo Southampton. No ano seguinte voltou a Wembley para desta feita derrotar o todo poderoso Liverpool. 

 

Em 1977 Docherty anunciou que a sua equipa estava disposta a lutar pelo titulo contra o Liverpool. Os red devils tinham amadurecido e apresentavam um conjunto sólido. Mas a divulgação na imprensa de que o técnico mantinha há um ano uma relação extra-conjugal com a mulher de um dos directivos provocou o seu despedimento imediato. Os adeptos protestaram mas a decisão foi irrevogável. Apesar de apenas ter logrado um título, Tommy Doc tornou-se na grande referência em Old Trafford até ao ano da chegada de Alex Ferguson. Depois do abrupto despedimento o técnico tomou o lugar de David Mackay no Derby County onde fez duas épocas tranquilas. Em 1979 aceitou o desafio de voltar ao Queens Park Rangers mas acabou despedido na pré-época por problemas com a mulher de um dos jogadores. Nove dias depois foi readmitido e o jogador que o denunciou dispensado. No final do ano voltou a ser despedido o que levou a sair de novo de Inglaterra, orientando durante dois anos o Sydney Olympic na Austrália. Depois da bem sucedida experiência volta a casa para orientar o Preston North End por um breve periodo, antes de voltar à Austrália. A polémica carreira terminaria quatro anos depois, numa era onde os seus problemas com os directivos impediam os grandes clubes de o contratarem.

 

Docherty era um motivador nato e perito em descobrir jovens jogadores. Apesar dos seus problemas fora dos relvados o terem impedido de atingir outros patamares, as suas largas etapas no Chelsea e Manchester United permitiram analisar o trabalho de um criador de equipas a partir do nada. Curiosamente os louros acabariam recolhidos pelo homem que lhe sucedeu nos dois casos, Dave Sexton. Mas para a história ficou Docherty, um desses técnicos que só podia ter nascido nas verdes ilhas britânicas. 



Miguel Lourenço Pereira às 15:38 | link do post | comentar

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