Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Depois dos gloriosos anos de Herbert Chapman e antes do longo consulado de Arsene Wenger o Arsenal foi sempre uma equipa à procura da sua identidade. Consegui-o durante uma larga década, altura em que um modesto técnico que só queria ser preparador-fisico ajudou a acabar com uma longa seca de titulos. E deu inicio a outra com a sua partida.

Bertie Mee é um nome desconhecido para a maioria dos adeptos europeus mas para os fãs do Arsenal é uma lenda que ombreia taco a taco com Champan e Wenger no altar dos grandes técnicos da formação londrina. Ao contrário de muitos dos seus rivais da época, Mee era tudo menos o que se podia esperar de um manager de sucesso. Extremamente humilde e desligado do universo das estrelas que começava a dar forma ao futebol inglês, Mee tornou-se treinador do Arsenal por acaso e contra a sua vontade. Obrigou mesmo a direcção a adiccionar uma cláusula ao seu contrato que especificava que podia voltar ao seu posto de fisioterapeuta no final da época se o clube encontrasse um técnico substituto. Mas não, não encontrou. E Mee ficou no banco de Highbury Park durante 10 anos.

 

O técnico tinha sido um modesto jogador do Derby County nos anos 40 e a II Guerra Mundial precipitou o final da sua carreira desportiva. No exército tornou-se fisioterapeuta, posição em que entrou no Arsenal em 1960 depois de breves passagens por outros clubes londrinos. Seis anos depois de chegar a equipa vivia os seus piores momentos. Sem titulos desde 1953 e longe da celebre era de Chapman, a direcção queria sangue novo no banco. Surpreendentemente elegeu o modesto preparado fisico. Mee rejeitou. A direcção insistiu e este acabou por aceitar, exigindo no entanto que Dave Sexton e Don Howie se tornassem nos seus adjuntos. Bertie Mee sabia que tacticamente era um técnico mediano, mas era perito em descobrir e polir novos jogadores. O balneário adorava-o e os adeptos rapidamente se renderam ao seu estilo. O "boring Arsenal" tornou-se numa equipa viva e divertida, especialmente após a sucessiva aposta na formação do clube. Como antes. Como depois.

Com Pat Rice, George Graham, Ray Kennedy, Charlie George e mais tarde Liam Brady, o Arsenal tornou-se numa equipa atractiva, apesar de pouco eficaz. Entre 1968 e 1969 esteve em duas finais da Taça da Liga e em 1970 ganhou a sua única prova europeia até hoje, a Taça das Cidades Com Feiras ao Anderlecth belga. Uma vitória que devolveu o orgulho aos adeptos gunners e que seria a ante-camara da época gloriosa de 1970-1971. Com os seus soldados a postos, Mee apostou numa equipa rejuvenescida e mais eficaz. Durante todo o ano esteve nos postos cimeiros da classificação, ao contrário de épocas anteriores. E, subitamente, saiu disparado em Março ultrapassando Leeds e Liverpool e ganhando o primeiro título em 18 anos. Uma vitória histórica que teve o sabor especial de ter sido lograda em White Hart Lane, nos últimos minutos da derradeira jornada frente ao Tottenham. Uma semana depois, para dar forma à festa, a mesma equipa deu a volta a um marcador desfavorável e bateu por 2-1 o Liverpool em Wembley. O técnico que não queria sê-lo conseguiu um feito ao alcance de muito poucos. Tornou-se imediatamente o idolo de Highbury.

 

O ano seguinte acabou por não corresponder às expectativas. Eliminado precocemente na Taça dos Campeões Europeus, a equipa desde bem cedo perdeu o comboio do título e apesar de ter logrado uma presença na final da FA Cup, acabou por sair derrotada pelo Leeds de Don Revie. A derrota marcou também o fim da era de Mee. Os seus jogadores chave começaram a abandonar a equipa e em 1976 o técnico também decidiu colocar o lugar à disposição depois de ter voltado a falhar o ataque ao titulo. Levava no entanto um recorde de 241 vitórias (algo que só em 2006 Wenger lograria bater) e o coração dos adeptos do Arsenal. A equipa já não apresentava o seu melhor futebol, aquele que tinha perfumado os relvados ingleses desde finais da década de 60, e Mee estava desencantado com a politica da direcção que teimava em não apostar forte no mercado como o técnico solicitava ano atrás ano. A sua saída do Arsenal significou igualmente o final da sua carreira. Ainda colaborou como ajdunto para o seu amigo Graham Taylor no Watford, tendo lançado então o desconhecido John Barnes, mas a sua paixão pelo jogo tinha-se esmorecido e rapidamente decidiu optar pelo tranquilo caminho da reforma. Acabaria por falecer em 2001, depois de ver o seu clube voltar a apresentar o seu mais belo rosto.

Hoje técnicos como Bertie Mee são uma raridade. Homem de um clube só, pôde manter o seu estilo apostando constantemente no futebol de formação, uma realidade que desde então se tornou escola em Highbury Park e que lançou as bases do sucesso de hoje. Sem a genialidade táctica de outros rivais da mesma era, Mee era mais um pastor de homens tranquilo e da mesma forma como chegou ao futebol, assim se despediu. Mas sempre deixando saudades juntos daqueles que vibraram com aquelas tardes debaixo da bancada do relógio. 



Miguel Lourenço Pereira às 15:30 | link do post | comentar

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