Domingo, 10 de Maio de 2009

O brasileiro é safado por natureza, dirão muitos. Mas uns são mais que outros. A fama que tem o futebolista brasileiro, fora das quatro linhas onde o talento, muitas vezes é suficiente para decidir um encontro, é bastante má. Afinal, basta fazer as contas. Não há nenhum pais que tenha tantos jogadores a alinhar por outras seleções. Mas esta história não vai por aí. Vai num avião de Milão ao Rio de Janeiro. Uma história com nome próprio, um nome que não deixará muitas saudades em Milão mas que desperta paixões junto ao Corcovado. Mourinho tinha um problema. Gordo. Tinha uma linha avançada pouco sólida, onde o génio de Zlatan por vezes não chegava. As alternativas eram mais um problema que uma solução. Mas nenhum lhe dava tantas dores de cabeça como o Imperador.

 

Adriano de seu nome, de alcunha imperial mas de jogo plebeu. Fez a fama na terra natal e deu o salto para a Europa onde se tornou uma referencia. Mas nunca chegou a outro nivel. O fraco caracter destruía casa possibilidade que tinha de ir mais longe na carreira. O alcool, as mulheres, as birras...houve de tudo durante a sua passagem por S. Siro. Até que chegou Mourinho e lhe deu uma, duas, tres oportunidades...até a sua própria casa o levou, para jogar Playstation com o filho. Enfim, houve de tudo. E Adriano em vez de procurar essa redenção que enche páginas na história, foi desperdiçando cada oportunidade.

Até que chegou mais uma convocatória de Dunga, com problemas suficientes para ignorar o craque milanes. Adriano saiu de Milão...para não mais voltar. Durante dias especulou-se sobre o que se passava. Falava-se que tinha morrido, que tinha sido a sua mulher a deixa-lo numa crise desesperante, que a familia tinha um grave problema financeiro com um traficante de droga na favela onde vive...enfim, o vitimismo tratou de fazer de Adriano o que não era...Mourinho nem acreditava, Moratti menos. E, subitamente, apareceu Adriano, com olhar cansado, bramando aos quatro ventos que ia abandonar o futebol, pelo menos de forma temporária, porque precisava de dar uma volta á sua vida. Um futuro monge carioca diga-mos. Mourinho resignou-se e Moratti até o deixou ir sem lhe cobrar um centimo...para começar a boa obra. Os adeptos em Milão perderam um craque mas ganharam noites de sono descansado, sem ter de esperar que a ovelha negra chegasse a casa, sóbrio, são e salvo.

E eis que agora o vemos de novo, poucas semanas depois do anuncio do seu retiro espiritual. Agora senta-se na sala de imprensa do Maracana com a camisola do Flamengo, o seu clube de pequeno. Já não pensa em descansar ou retirar-se. Quer voltar rapidamente ao "gramado" jogando pelo "Fla". Ou seja, voltar ás origens. Safadeza pura e dura de um verdadeiro artista que conseguiu o impossivel. Voltou ao Brasil, como sempre quis e onde sabe que ninguém controla as suas multiplas adições, e sem ter de perder um centavo. O Flamengo conseguiu o craque que precisava para rivalizar com a nova estrela do Corinthians (um tal de Ronaldo que esteve com um pé também no Flamengo) e no meio disto tudo quem ficou a ver navios foi o Inter, que acabou por não receber nada depois de tantos anos a aturar as birras do brasileiro. Adriano é o exemplo da má formação moral que abunda no futebol. Infelizmente não é caso único e a esquadra brasileira perde com a má fama que jogadores como este trazem aos clubes.

 

Em Portugal já vimos bons exemplos do genero, de Mário Jardel a Doriva, de Paulo Nunes a Leandro, fomos descubrindo estes jogadores de moral duvidosa e espirito matreiro incapazes de perceber que o futebol mais do que 90 minutos num relvado é também respeito, lealdade e profissionalidade. No final o Inter acabará por sair a ganhar porque se livrou de um cancro complicado de extirpar. E tarde ou cedo veremos um desses artigos sobre jogadores a viver no limbo e a queixarem-se de que podiam ter sido algo mais se não fosse o desgraçado fado da vida. E então sorriremos...matreiramente!



Miguel Lourenço Pereira às 14:15 | link do post | comentar

2 comentários:
De Ricardo a 11 de Maio de 2009 às 02:34
Acho que a Europa viveu décadas de deslumbre pelos jogadores brasileiros. Um menino com quinze anos dava uns toques na bola, marcava uns golitos e passava logo a futura promessa ou substituto de Pelé. Depois os grandes clubes europeus iam logo a correr oferecer contractos chorudos a esses miúdos e depois não davam em nada p.e . veja-se o caso de Carlos Alberto). Talvez estejamos a viver uma fase em que os clubes estejam a virar-se mais "para dentro" e, simultaneamente, (talvez), para o mercado Argentino onde existe uma maior cultura táctica , disciplina e disponibilidade, aliada à magia sul americana que estamos habituados a ver nos jogadores brasileiros. Os jogadores brasileiros necessitam de muito trabalho de polimento e a maior parte dos clubes não está disposta a comprometer a coesão de um balneário para educar vedetas. Por outro lado existem, jogadores que são o estereotipo do jogador brasileiro ideal como Roberto Carlos, Kaká ou Diego, e são esses os que merecem, verdadeiramente, jogar na Europa .


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Maio de 2009 às 10:10
O Brasil continua a ser o maior viveiro de talentos mundiais e os clubes grandes continuam de olho nos novos talentinhos brasileiros (Guilherme, Douglas Costa, Neymar, Alipio, Keirrison) e isso nunca vai acabar.

Em Portugal opta-se pelo mercado argentino (e Italia tambem mas por questoes de passaportes) porque o brasileiro tem aqui ja uma certa fama negativa que deriva do facto de serem tantos. Nos outros paises sao colonias muito mais pequenas e nao causam tantos estragos como os rodizios de fim de semana em qualquer clube nacional.

Pedroto dizia que um brasileiro era bom, dois melhor e tres ja era uma escola de samba. Portugal ja tem o sambodromo repleto, é necessario replantear a estrategia. Mas nem todos sao como Adriano. Este é o exemplo perfeito do jogador egoista, sem cabeça e atitude capaz de levantar um estadio para o aplaudir de pe. Pode ter muito talento, quando está sobrio como diz o presidente do S. Paulo, mas isso é muito pouco para um futebolista profissional.

Um abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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