Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

poucos fins-de-semana com este ritmo. Três países, três ligas, três clássicos históricos. Três percepções bem distintas de como encarar a bola. O espaço. O jogo. A verticalidade espectacular confronto o futebol horizontal e pausado. Pelo meio o eterno confronto entre o individual e colectivo. O futebol redescobre-se a cada fim-de-semana e um clássico é sempre mais do que um simples desafio.

Sábado, 28 de Novembro. Noite chuvosa em Lisboa. Ambiente quente e intranquilo. Nas bancadas os crentes e os desanimados. Dois olhares secos e expectantes por um jogo que muitos desajariam que viesse noutro momento. Quase todos até. A baixa de forma da "onda vermelha" era um fantasma que fazia pensar duas vezes a mais do que um adepto. A metralhadora encarnada começava a perder balas e os últimos desafios davam a nota do que podia ser o Benfica de Jesus quando só ficasse a táctica e desaparecessem os jogadores. No espectro oposto, uma equipa sem nada a perder. Já dizia Sun Tzu, na sua arte da guerra que bem podia ter sido a arte do futebol, que quando se encurrala a um inimigo é sempre aconselhável deixar-lhe um pequeno espaço para fugir. Senão corre-se o risco de que eles lutem até à morte. Porque não há salvação possível. E assim foi. O Benfica tentou acabar com as esperanças do Sporting em reconquistar um ceptro há muito perdido. E devolver aos leões o velho fantasma natalicio. A isso a equipa verde e branca respondeu com atitude e sacrificio. Muito. Correu-se mais do que se jogou. Procurou-se sempre o homem e nunca o espaço. Um espaço atolado de pernas. Com o seu 4-2-3-1 Carvalhal deu uma lição ao homem dos amendoins. Adrien e Moutinho ataram a máquina ofensiva do meio campo encarnado. Aimar e Di Maria foram inexistentes e Miguel Veloso incomodou mais Ramires do que ao contrário. Os erros defensivos iam dando a falsa ilusão de golo. Mas a bola não quis comungar nessa noite. A diferença pontual mantém-se mas Jesus voltou a pecar. Que o Sporting já parecia arredado da luta pelo título, isso até os próprios sportinguistas sabiam. Que o técnico que acreditava ter em mãos a melhor máquina ofensiva do futebol europeu se contente com um facto, prova de que algo começa a tremer do outro lado da 2 Circular.

Domingo, 29 de Novembro. Diluvio inevitável em Londres. Se fosse o velho Highbury talvez a chuva se notasse mais. Com aquele habitual reflexo na bancada do relógio. Mas o Emirates é mais um centro comercial do que um belo estádio e o ambiente gunner não é o mesmo. Um estádio de milhões para coroar uma equipa de milhões face a um grupo de aguerridos guerreiros. 11 pontos separam (aqui com um jogo a menos em disputa pelo Arsenal) os rivais. Um derby que pode nem ser o mais histórico da capital inglesa. Mas é o mais marcante da era actual. Um derby vertical e corajoso, totalmente distinto do clássico latino. As equipas respeitam-se mas não se temem. É mais um encontro. Mais uma oportunidade de brilhar. Jogo ofensivo e rápido. A bola circula veloz sobre o relvado e as oportunidades sucedem-se. O marcador final é implacável. E injusto. Não há equipa de maior mérito no futebol inglês que os comandados por Arsene Wenger. Sem dinheiro para investir, o técnico continua a apostar na sólida formação. Ontem faltava-lhe quase meia equipa. E não se notou. Ao contrário, o Chelsea pode dar-se a esse luxo. Deco, Ballack, Kalou e Malouda. Todos no banco. Tranquilos e abrigados. Ao lado de Carlo Ancelloti. Um homem que trouxe coerência e inteligência ao jogo de uma equipa leal e veloz. Os dois tanques africanos a meio - Essien e Obi Mikel - destabilizam o jogo. Criam ao destruir e lançam as setas venenosas. Drogba, o chamã da equipa, encarna a ligeireza do demónio e com o olhar desvia a bola para dentro das redes. O Chelsea é o rosto mais implacável do futebol. Joga hoje como nenhuma outra equipa. E prova que é capaz de destroçar, sem piedade, a um onze repleto de rebeldes cheios da ilusão da juventude. Mas que muitas vezes é insuficiente.

Domingo, 29 de Novembro. Noite chuvosa também em Barcelona. Um sinal de união entre três embates. E pouco mais. Se em Londres a bola corre veloz ao chapinhar na água que cobre o tapete verde, em Barcelona ela tranquiliza-se. Sabe que tem tempo de dar a volta ao terreno de jogo. Mais do que os milhões em campo, o duelo entre os dois grandes do futebol espanhol disputou-se no banco. As individualidades desapareceram sob o manto do colectivo. E quando surgiram, pecaram por falta de audácia. Cristiano Ronaldo prometeu marcar "10, 20 golos". Falhou um, clamoroso. Ou terá sido Valdés a defender? O futebol é sempre injusto com o nùmero 1 e assim rezam as crónicas. Do outro lado o futuro Ballon D´Or, já com a cabeça na viagem que fará a Paris, esqueceu-se de que a baliza é grande e que Casillas não a cobre por completo. Messi remata à figura e aqui já se diz que é o guardião espanhol quem trava o remate. Não terá sido o oposto? No meio das dúvidas das estrelas a inteligência de Pique e a verticalidade de Dani Alves resolveram o clássico de los clássicos. Zlatan Ibrahimovic teve apenas de cumprir a sua missão. No banco, onde se disputava a verdadeira refrega, Pep Guardiola sorria. Não se tinha enganado ao substituir o apagado Henry pelo audaz sueco. Na primeira parte Manuel Pellegrini até tinha ganho o duelo ao campeão, com uma equipa que apostava no lançamento rápido para o trio da frente - com Kaká a exibir-se, pela primeira vez, ao seu real nível - ao contrário do jogo de toque que tanto encanta o  Camp Nou. Mas a segunda parte foi bem diferente e o Barcelona até com 10 soube controlar um Real Madrid a quem lhe faltou sempre a inteligência de jogo. Mas nunca o coração. Acreditou até ao fim. Só que, no futebol, nem sempre acreditar é suficiente. E o retrovisor de Casillas ficou ligeiramente nublado. Pode ter sido da chuva.   



Miguel Lourenço Pereira às 08:54 | link do post | comentar

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