Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Cumprem-se sete jornadas da Liga Sagres e temos já cinco destituições. Quase um terço dos técnicos que arrancaram a época entram agora na dinâmica do telefone que não toca. A substituição de técnicos nem sempre resulta num melhoramento classificativo mas espelha bem a falta de preparação dos projectos das equipas portuguesas, a começar pelos dirigentes. Despedir o treinador é sempre mais fácil do que montar um projecto com pés e cabeça. Assim é o país do chicote!

 

No arranque da época celebrou-se o técnico nacional. Pela primeira vez todos os técnicos dos clubes da Liga Sagres e Liga Vitalis eram portugueses. Celebrava-se o génio de uma profissão que teima em espelhar as debilidades do nosso futebol. A nível internacional José Mourinho é um caso à parte. O técnico português é visto fora de portas como defensivo, pouco preparado tacticamente e com uma incrivel incapacidade para pensar o jogo no banco. Dizia-se que não, que esta fornada de imensos talentos ia provar que não há área do futebol português que tenha melhorado tanto na última década. Sete jogos depois - apenas um mês e meio depois do arranque - há já cinco treinadores despedidos. Numa liga de 16 equipas é um número verdadeiramente significativo. Mais, há vários técnicos que já estão na corda bamba. Tão cedo, tão inevitável.

 

O despedimento é sempre a solução mais fácil num país que se habituou sempre à lei do chicote. Longe dos exemplos saxónicos onde um técnico logra ficar décadas à frente de um clube, por estes lados é a primeira (e única) opção. Os dirigentes - esse cancro sem salvação - nunca ponderam demitir-se eles próprios, por exemplo. Eles, que escolheram o técnico. Eles, que definiram o orçamento. Eles que contrataram ou deixaram de contratar. Eles que falam mais do que qualquer outro agente futebolistico em Portugal (salvo os comentadores especializados). Não, o técnico tem sempre a culpa. E agora há cinco técnicos que o sabem na pele. A magnifica geração destroçado à primeira brisa de vento em contra. O Setúbal goleado de Azenha, o técnico que pediu reforços e recebeu juniores. A Académica de Gonçalves, incapaz de chegar aos calcanhares da versão de Domingos, curiosamente o lider da prova. O Maritimo do salvador Carvalhal que no ano passado nem melhorou o registo do seu antecessor e que nesta época não acompanha os "grandes" como devia. A Naval de Ulisses Morais, um homem que manteve sólido um projecto instável desde o primeiro instante. E agora o Vitória de Vingada, entrado já a barca navegava no rio túrbio e que herda todos os problemas vimaranenses do presente e passado.

 

Olhando cruamente para o labor de cada um dos cinco técnicos fica a pergunta clara: o chicote é a solução?

Com planteis repletos de lacunas - algumas deles apontadas pelos próprios técnicos - e numa liga onde todos jogam primeiro para não perder, é dificil perspectivar uma mudança radical no destino de cada uma das equipas. Os sucessores terão a dificil missão de fazer melhor com a mesma matéria prima e com o fantasma da demissão desde o primeiro instante. Porque uma vez activado o chicote, raras são as vezes em que não se volta a manifestar. Uma mudança técnica devia operar uma mudança de postura, atitude e de dinamismo táctico. Sem isso é inconsequente. Os criticos de Paulo Bento no Sporting defendem isso mesmo para o clube de Alvalade, mas qualquer que seja o técnico elegido, caso Bento acabe o seu ciclo permaturamente, terá de lidar com o mesmo plantel que o técnico actual. E é aí que está o problema. Como quase sempre as equipas portuguesas planearam mal a época. Exceptuando o líder, Braga, e o directo perseguidor, Benfica, todos os planteamentos prévios estão repletos de erros. Uns mais grosseiros que outros, uns mais facilmente corrigidos que outros. Mas estão ai.

 

O chicote não faz milagre. Mas espelha bem a pobreza de espirito do futebol português e a falta de rigor e paciência de quem realmente detém o poder. O adepto comum limita-se a calar e comer porque se há país onde os dirigentes são eternos, acima de tudo e todos, esse país é Portugal.


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Miguel Lourenço Pereira às 00:56 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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