Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Desde há muito tempo que o obituário estava pronto nas redações dos principais jornais tal era a gravidade da doença que o consumia por dentro e por fora. Foram anos de luta como só o velho leão era capaz de realizar com aquele sorriso tão honesto. Aos 76 perdeu o último jogo da sua vida, depois de ter derrotado os quatro tumores anteriores que o tinham atacado desde 1991. Uma vida marcada a letras de ouro na história deste desporto. Uma vida épica daquele que foi o último grande Mister. Uma vida mágica de um verdadeiro Sir. Obrigado Mister Robson!

Foi provavelmente um dos maiores gentlemans da história do desporto-rei. Durante quase quarenta anos provou que o seu estilo, sempre correcto e educado, tinha lugar num desporto cada vez mais envolto em picardias e confrontos. Começou a brilhar numa era de treinadores guerreiros como Brian Clough ou Bob Pasley, herdeiros directos da escola de Bill Shankly. Eram os jogos psicológicos, tão de moda nas ilhas britànicas, que então atraiam o público. Mas não o jovem Robert "Bobby" Robson, chamado então a converter-se num dos mais bem sucedidos treinadores da história do futebol inglês. Foi jogador durante os anos 50 e 60 no West Bromwich Albion e mais tarde no Fulham londrino, tendo sido internacional pelos Pross por várias vezes, incluindo uma participação nos Mundiais de 1958 na Suécia e 1962 no Chile. No entanto foi como treinador que Bobby Robson começou a fazer-se notar . O seu primeiro grande projecto foi o Ipswich Town, um clube modesto da zona de East Anglia, que vivia uma época tranquila quando chegou o jovem treinador para dar inicio a uma nova era. Esteve em Ispwich 14 temporadas e no final da sua etapa como técnico chegou o seu triunfo mitico na F.A. Cup (1978), seguido quatro anos depois pela sua primeira vitória europeia, na Taça UEFA. Daí passou para o banco da selecção inglesa, orfã de triunfos há quase duas décadas.

Depois de falhar o apuramento para o Euro 1984 conseguiu levar a Inglaterra ao Mundial de 1986. Na prova azteca colocou a equipa da rosa a jogar o seu melhor futebol em vários anos logrando chegar aos quartos de final. Aí foi derrotado pelo golpe de Maradona, do qual diria mais tarde que era "a mão de um embusteiro. Deus não tem nada a ver com isto!". Depois de uma performance para esquecer no Euro88, dois anos depois conseguiu o segundo melhor resultado da história do futebol inglês ao lograr o quarto posto no Mundial de Itália, depois de ter caído nos penaltis diante da Alemanha. Finalizada a notável carreira como seleccionador saiu das ilhas para orientar o PSV Eindhoven onde esteve dois anos conquistando as duas ligas lançando para o estrelato o jovem Romário. Foi então quando trocou o país das tulipas por Portugal. Sousa Cintra foi buscá-lo para o seu Sporting mas uma derrota em Salzburg afastaram-no de uma das melhores equipas leoninas da história. Despedido de forma amarga acabou por ficar em Portugal, substituido a Ivic no FC Porto. Com ele levou parte do seu staff técnico onde estava já o seu inseparável traductor, José Mourinho. Nas Antas arrancou para um notável final de época -logrando ultrapassar os próprios leões de Carlos Queiroz - e montou a base da equipa que ia conquistar o primeiro Penta. Entre 1994 e 1995 venceu dois titulos de campeão e uma Taça de Portugal. Lançou as bases de uma era dourada para os dragões com uma geração única mas foi também na Invicta que viu a carreira ser interrompida pelo cancro que lhe tinham diagonesticado anos antes. Durante meses esteve em tratamento e foi Augusto Inácio que acabou por orientar os campeões rumo ao bicampeonato. No final da época foi seduzido por Josep Luis Nuñez e partiu para Barcelona.

Na cidade Condal esteve apenas uma época mas viveu-a repleta de titulos. Do Porto levou consigo Vitor Baía, Fernando Couto e José Mourinho. E com Figo, Ronaldo, Luis Enrique, Guardiola e companhia terminou a época no segundo posto, venceu a Taça do Rei e a Taça das Taças, diante do PSG. Titulos insuficientes para a direcção blaugrana que o substituiram por Louis van Gaal. O técnico voltou então para o PSV mas sem o mesmo sucesso da primeira etapa. A doença começava a miná-lo e depois de vários anos parado, acabou por tomar as rendas do seu Newcastle, onde treinou até 2004 passando posteriormente a director técnico. Até que a doença triunfou e abandonou definitivamente os relvados, passando os últimos anos numa luta inglória e épica.

 

De Bobby Robson ficam as miticas conferências de imprensa (incluindo a mitica conferência na Luz onde declarou que o derby, que então deu o titulo aos encarnados, tinha sido um "Mozer 2-0 Fernando Couto"), as sempre correctas palavras com os seus rivais e o seu estilo de general tranquilo. Foi o mentor desportivo de José Mourinho, do qual se queixou mais tarde que nunca o reconheceria, e o exemplo do futebolista gentleman britânico que nos bancos não deixou de ter o comportamento perfeito que exibiu em campo. Numa era onde os simbolos escasseiam cada vez mais, onde os técnicos se matam numa refrega constante, sir Bobby Robson ficará sempre na história como um dos maiores nomes que nos deu este desporto tão belo a que o próprio Bobby sempre se referia como "the beautiful game".



Miguel Lourenço Pereira às 14:38 | link do post | comentar

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