Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Portugal ameaça tornar-se claramente numa ave rara no espectro do futebol europeu. Obviamente, não pelos melhores motivos. Há muito tempo que deixamos de ter verdadeiro motivo de orgulho do nosso futebol. As constantes suspeita de corrupção, as subidas e descidas administrativas, as sanções, os arquivamentos e toda a burocracia que mina o que se faz dentro das quatro linhas conseguiu destruir a pouca credibilidade que ainda tínhamos lá fora. Para dentro de portas as guerras entre clubes tapam a poeira e a falta de ideias e projectos capazes de fazer do nosso futebol algo respeitado no meio europeu.

 
Talvez a situação mais preocupante deste actual futebol português, a que mais choca aos olhos daqueles que ainda vem o futebol como algo sério, é a questão dos patrocínios. Os patrocínios aos chamados três grandes, para ser mais concreto.
É absolutamente impensável imaginar que o Real Madrid e Barcelona, ou Inter, AC Milan e Juventus para não falar dos grandes de Inglaterra, arranquem para o inicio de uma temporada desportiva exibindo o mesmo patrocínio nas camisolas. É mais, uma empresa aposta num clube quando o subvenciona e aposta forte, faz do seu projecto seu. Apostar nos únicos três reais candidatos (ou dois, ou quatro) a vencer o principal troféu é, já de si, sinal da falta de qualidade dessa própria competição. Porque, e deixemos as coisas bem claras, um cenário que não existe, nem sequer no terceiro mundo. Procurem vídeos no You Tube de jogos na Roménia, Bulgária, Chipre ou Israel e encontrem equipas com o mesmo patrocínio nas camisolas. Só por cá era possível viver-se uma situação de tamanha cumplicidade entre uma que outra instituição económica e as maiores instituições desportivas.
 
O patrocínio em Portugal chegou no final dos anos 70 princípios dos 80 com a Revigrés nas camisolas do FC Porto. Uma novidade que fez escola. O clube portuense manteve o seu patrocínio até ao seu período de glória europeia, tendo mesmo disputado uma época com um patrocinador (PT) para as provas nacionais e outro (Revigrés) nos jogos europeus. Acabou-se a nostalgia e ficou o (pouco) dinheiro de um nome com mais impacto a nível nacional. Os restantes grandes cedo copiaram o modelo azul e branco e tarde ou cedo chegamos aos patrocínios nas camisolas, nas costas, nos calções, nas meias, nas bancadas…o naming ainda é relativamente uma novidade, mas lá chegaremos a larga escala. Até aí, nada a dizer. Os clubes precisam de se sustentar economicamente e não há clube grande europeu que não tenha um importante contrato publicitário. Mas o que se passa em Portugal roça a vergonha pura e a impunidade moral e a falta de contestação das próprias massas adeptas é igualmente espelho deste povo para o qual nada nunca está verdadeiramente mal.
 
Imaginemos que amanha o Real Madrid sai ao campo com o mesmo patrocínio que o seu grande rival. O coro de assobios no Bernabeu seria de tal forma ensurdecedor que a direcção rapidamente teria de tomar uma decisão. Mas nunca o precisarão de fazer, porque quando existe uma cultura desportiva de competitividade, procura-se sempre elementos diferenciais. Por algum motivo os clubes tem as suas cores, o seu estádio, o seu bom nome a defender. No momento em que um patrocínio entra na camisola de um clube, passa a fazer para dessa mística, mesmo que só lá esteja para pagar os cheques no fim de cada mês. O que se passa actualmente com a TMN a dar cor ás camisolas dos três grandes é sintomático do país que temos. Em primeiro lugar da falta de iniciativa de empresas para apostar numa das poucas plataformas rentáveis que ainda tem Portugal: o futebol. Em segundo, a falta de moralidade e espírito de competitividade das próprias instituições, que se perdem nesta uniformização estética e moral. E claro, das próprias instituições que deviam ser as primeiras a estar atentas a este monopólio como o que tem a PT e o BES no futebol nacional.
A saída do banco do mundo dos patrocinios abriu uma porta para combater esta situação. Na passada semana o Sporting antecipou-se e anunciou um novo patrocinio com a Unicer - detentora das marcas SuperBock e Vitalis, que, curiosamente, já patrocina a II Liga (o que é, também um caso vergonhoso de promiscuidade empresarial com instituições desportivas) para a parte de trºas das camisolas e para os equipamentos das diferentes secções. Esta semana foi o FC Porto a seguir-lhe os passos. Mais uma vez, no próximo ano, num jogo de andebol FC Porto-Sporting, ambas as equipas jogarão com a marca Vitalis no peito. E o nome de Bruno Alves e de João Moutinho será acompanhado, centimetros acima, pela designação "SuperBock".
 
Imaginem agora isso suceder com Del Piero, Ibrahimovic ou Kaká. Não conseguem pois não? Isto é o futebol português. E não é preciso dizer mais nada...


Miguel Lourenço Pereira às 20:31 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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