Sábado, 7 de Dezembro de 2013

Ficar satisfeito com um sorteio meio ano antes de ele ganhar forma no relvado é complicado. A insatisfação é sempre um sentimento mais proclive nestes momentos. Fazem-se contas, julgam-se potenciais, especula-se com a forma alheia e cruzam-se os dedos. Portugal é um puzzle nas grandes competições. Historicamente rende mais em grupos complicados mas cada torneio é algo concreto e no Brasil a equipa das quinas voltará a confrontar-se com fantasmas do seu passado. Todos sabemos que Portugal não é candidata ao título mas, até onde pode ir esta geração?

Na cabeça de Paulo Bento provavelmente não esteja agora mesmo Ozil, Bradley ou Ayew.

O seleccionador português estará, seguramente, a pensar nos mais de 5000 kms que a sua equipa terá de fazer em duas semanas. Talvez o grande inimigo de Portugal seja, a esta altura, o destino a que foi vetado por cair num grupo que se move pelas cidades que a maioria das selecções queria evitar. Portugal não passará pelo Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo, os pontos fortes deste torneio. A equipa lusa jogará na Bahia o primeiro jogo e depois passará por dois infernos particulares, o coração da Amazónia - Manaus - e a capital brasileira, a árida Brasília. Pelo meio três viagens largas desde a base até aos recintos. Cansaço antes e depois dos jogos que pode passar factura. Não é por acaso que as equipas europeias se dão mal nos Mundiais fora do seu continente.

No Brasil Portugal terá vários rivais. O Outono tropical - húmido, asfixiante, imprevisível - será talvez o maior deles. Ao contrário de outro dos possíveis "Grupos da Morte", o B, onde os jogos serão disputados na costa sul, Portugal jogará a norte. Até aí perde uma das poucas bases de apoio a que podia acudir. As colónias de emigrantes portugueses estão nas grandes urbes. Jogar no meio do Amazonas, no coração de Goiás é jogar longe de qualquer apoio sentimental dos locais. A selecção vai ser estranha num país que viu nascer das suas entranhas. Ironias do destino.

 

No aspecto meramente desportivo, a sorte é um conceito difícil de julgar.

Claro que Portugal não é a França ou a Argentina - com as vantagens que isso habitualmente inclui - e não teve a oportunidade de jogar a meio gás contra rivais como Equador, Suíça, Honduras ou Irão, Nigéria e Bósnia-Herzegovina. São os grupos mais débeis do torneio e propiciaram a criação de três super-grupos. Portugal pode sentir-se parte de um deles. Afinal terá de jogar contra a grande favorita europeia - a Alemanha - a campeã da CONCACAF, os Estados Unidos, e talvez a mais organizada das selecções africanas, o Gana.

São três rivais de respeito, a níveis distintos. Da Alemanha pouco se pode dizer que não se tem visto nos últimos cinco anos. São a sombra dos espanhóis e procuram desesperadamente o momento de tornarem-se protagonistas. Contam com o melhor plantel europeu - entre Bayern e Borussia podiam montar dois onzes ultra-competitivos - têm um excelente treinador e conhecem bem as fraquezas portuguesas, que exploraram no último Europeu. Como aí será o primeiro jogo e não decidirá absolutamente nada. Há margem de manobra para um arranque tremido.

Os jogos a sério vêm depois. Contra o Gana decide-se tudo e a vitória parece ser o único resultado possível equaciando um possível triunfo dos africanos aliado a uma vitória dos germânicos na ronda inaugural. O Gana não tem as figuras individuais de costa-marfilenses e camaroneses, mas prima pela sua excelente organização táctica. Num jogo no meio do Amazonas, com um clima parecido ao que os ganeses têm na "costa do ouro", à uma da tarde, será um choque de titãs. Quando aos Estados Unidos, uma icnógnita constante nestes torneios, nunca se sabe bem o que se esperar. Não têm grandes figuras mas são uma selecção organizada - que para Portugal habitualmente é um problema - e nos últimos três torneios só por uma vez falhou a passagem à fase a eliminar. Sabem competir.

No entanto, como é normal, que se pode esperar de selecções a quem lhes espera meio ano de temporada? Muito pouco. Uma praga de lesões dificilmente faria a Alemanha uma selecção mais acessível mas Low falhou o assalto à final do último Europeu talvez porque confiou em excesso em jogadores fisicamente desgastados por uma época difícil (os do Real Madrid e do Bayern Munchen). Quanto aos africanos e norte-americanos, como vivem mais do colectivo que das individualidades, dificilmente se poderá prever como estão sem saber como a época passará factura aos seus onzes-tipos. Um raciocínio que se pode adaptar perfeitamente à realidade portuguesa, não fosse por Cristiano Ronaldo. O capitão das quinas colocou a selecção no Mundial no play-off e é a única esperança credível de Portugal para dar um salto qualitativo fundamental para não ser outra vez a equipa da fase de apuramento. O desgaste de Ronaldo durante a época - ao contrário de um Messi que chegará muito mais fresco e poupado - pode ser um handicaap difícil de gerir por Paulo Bento. Talvez o maior de todos.

 

Olhando para os restantes grupos, aplica-se o mesmo raciocínio. Até Maio tudo são incógnitas. É certo que entre o grupo B (Espanha, Chile e Holanda) e D (Itália, Uruguai, Inglaterra) um candidato aos quartos-de-final ficará cedo pelo caminho, e que há grupos equilibrados como o C (Costa do Marfim, Colombia e Japão), o H (Bélgica, Rússia, Coreia do Sul) e A (Brasil, Cróacia, Camarões e México) onde tudo pode suceder. Mas nada muito diferente do que se poderia esperar com tantos condicionantes inventados pela FIFA para controlar o sorteio. Isso sim, mais curioso e talvez, mais importante, do que os grupos são, sem dúvidas, os cruzamentos seguintes. Entre Brasil, Espanha e Holanda - três candidatos - pelo menos uma das equipas ficará pelo caminho nos oitavos-de-final. Portugal, se passar em segundo lugar, poderá ter de medir-se aos já conhecidos russos, à sensação Bélgica ou aos imprevisíveis sul-coreanos. E um passo mais, a argentinos primeiro e (hipoteticamente) a brasileiros/holandeses/espanhóis ou italianos/ingleses/colombianos. Ganhando o grupo ganha, portanto, outra importância porque permite desbloquear um caminho mais tranquilo até a umas hipotéticas meias-finais com o Brasil. Mas quem acredita, verdadeiramente, que poderemos lá chegar? O futebol, esse, tratará de nos contar a verdade...daqui a meio-ano!



Miguel Lourenço Pereira às 11:54 | link do post | comentar

29 comentários:
De Miguel Antunes a 8 de Dezembro de 2013 às 00:40
Excelente texto como de costume

Queria só rectificar que Portugal, só pode apanhar o Brasil na Final e não nas meias como vocês frisaram no fim do post (isto claro que partindo do pressuposto que não haverá surpresas e o Brasil ficará em primeiro no seu grupo e Portugal em 2º lugar no seu grupo)

Caso não hajam surpresas de maior:

- 8ºs de final contra Bélgica ou Rússia
- 4ºs de final contra Argentina
- Meias finais contra Itália ou Espanha
- Final contra Brasil ou Alemanha

Destaque neste sorteio para a possibilidade (caso Argentina e Brasil vençam os respectivos grupos) de uma final Brasil-Argentina, em pleno Maracanâ, o que seria o topo dos topos da final de sonho do futebol Mundial (despindo-nos do lado sentimental e patriótico), pois são os 2 Países do Mundo onde o futebol se vive mais intensamente no limite dos limites e onde existe maior rivalidade entre selecções...

No entanto, apesar de o Brasil ser o grande favorito (não que tenha a melhor equipa, mas sim porque joga em casa e já não perde um jogo oficial em casa desde 1975), acho que vencerá o melhor e como tal será a Alemanha a vencedora do Mundial


De Miguel Antunes a 8 de Dezembro de 2013 às 00:44
Queria acrescentar ainda, que o Brasil para além de não perder um jogo oficial em casa desde 1975, não perde um jogo para o Mundial no Continente Americano desde precisamente 1950 na "trágica" final contra o Uruguay...desde aí até ao dia de hoje, sempre que o Mundial se disputou no Continente Americano, o Brasil ou foi campeão Mundial sem derrotas, ou foi eliminado mas sem nunca perder um jogo que fosse nos 90 ou 120 minutos...


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Dezembro de 2013 às 23:33
Certo Miguel,

Em 1978, zero derrotas. Em 1986 eliminado nos penalties!


De Miguel Antunes a 9 de Dezembro de 2013 às 16:16
Exacto, dai ter dito que não perdem um jogo no Continente Americano para um Mundial, à 64 anos, ou seja, desde 1950


De Miguel Lourenço Pereira a 8 de Dezembro de 2013 às 23:32
Miguel,

O Brasil aparece com esse condicionante. Raramente os torneios correm como esperado, muito menos seis meses antes. Haverá seguramente surpresas, desilusões e uma final diferente ao que a maioria espera!


De Miguel Antunes a 9 de Dezembro de 2013 às 16:24
Sim sim, plenamente de acordo, o cenário que eu perspectivei, era um cenário "perfeito" sem uma única surpresa, o que num Mundial nunca sucede, principalmente num Mundial fora do Continente Europeu, pois fora da Europa os Mundiais têm sempre uma condicionante muito forte que é o Tempo e respectiva temperatura/humidade que condiciona e muito as selecções europeias..portanto o cenário que perspectivei muito dificilmente acontecerá...se bem que continuo a apostar que Alemanha (porque é a melhor Selecção do Mundo), Brasil (porque joga em casa) e Argentina (porque tem a oportunidade única na história de vencer um Mundial em casa do rival eterno e isso por si só é uma motivação tremenda) são os principais favoritos à vitória final

PS: Não me esqueci da Espanha, mas a noto a Espanha um pouco "cansada" de ganhar..


De Miguel Lourenço Pereira a 9 de Dezembro de 2013 às 19:22
Basta ver que o último Mundial, fora da Europa, teve 3 semi-finalistas europeus. O mesmo sucedeu em 1986 e em 1994.


De Charles a 10 de Dezembro de 2013 às 12:50
A vantagem da Argentina foi ter sido 1ª no seu dificílimo grupo com Uruguai, Chile ou Equador. Ao contrário de nós que ficamos em 2º num grupo miserável com Azerbaijão, Israel ou uma Rússia que vai ao Mundial ser degolada.

Querer meter a Argentina no mesmo saco da França demonstra azia em relação à questão do costume. Não gostas do Messi, tudo bem. Querer associar a Argentina a favorecimentos por causa disso é estupidez. Ganhassemos o grupo e tínhamos sido cabeças de série e estávamos num grupo fácil também.


De Charles a 10 de Dezembro de 2013 às 12:53
E também é engraçado que a mais de 6 meses do mundial já se saiba que o Messi vai estar fresco e descansado e o Cristiano vai estar desgastado.
Como se o Real não pudesse cair cedo na Champions ou na Taça, como se o Cristiano não pudesse lesionar-se outra vez (a coxa já anda a dar o berro), como se o Ancelotti não pudesse poupá-lo se bem entender.


De Miguel Lourenço Pereira a 10 de Dezembro de 2013 às 18:40
Charles,

Eu não sei se o Ronaldo vai chegar fresco ou descansado. Sei que nos últimos três anos tanto ele como o Messi quiseram jogar todos os minutos na sua disputa particular pelos recordes e na hora dos jogos mais importantes o seu estado físico não era o melhor. Passou em 2012, passou em 2013, tanto no campeonato como nas provas europeias. Uma consequência normal de um acumular de minutos sem descanso e um rendimento de alto nível.

Naturalmente o Messi, podendo estar a repousar e a recuperar bem da sua lesão, não chegerá a Maio na mesma condição que qualquer futebolist,a seja o Ronaldo ou o van Persie, que dispute toda a temporada. Em 1988 passou o mesmo com van Basten, lesionado durante quatro meses sem jogar com o Milan, fresco para o Euro 88. Em 2002 também passou com o Ronaldo, no Mundial. É pura ciência física.

Agora, tanto o Messi pode recair da sua lesão como o Ronaldo ter uma lesão igual, pior ou por vontade própria (e do treinador) dosificar-se no último terço da temporada e chegar em óptimas condições. Não sei o que sucederá, não leio o futuro!


De Miguel Lourenço Pereira a 10 de Dezembro de 2013 às 18:36
Charles,

O comentário faria sentido se estivesse dentro da realidade. Não está. Precisa de um pouco de informação complementar. Os cabeças-de-serie são decididos pelo ranking da FIFA. O ranking, não a classificação final nas fases de apuramento, coisas completamente distintas.

O ranking da Argentina é bom não só porque a Argentina venceu o grupo sul-americano mas também porque venceu praticamente todos os jogos amigáveis disputados nos últimos anos o que lhe permitiu acumular pontos para estar no top oito do ranking entre os classificados para o Mundial. Como sucedeu com a Colombia ou a Suiça, para por um exemplo. A Argentina poderia ter perdido o seu grupo, ter-se apurado em terceiro lugar e mesmo assim estar nesse top do ranking. Portugal - que actualmente está em 5º lugar do ranking, depois do play-off, que não contou para este sorteio - supera largamente a Rússia no ranking e perdeu o grupo.

Toda a distribuição de cabeças-de-serie nas fases finais utiliza esse critério. Por isso a Holanda ou a Itália não chegaram a cabeça-de-serie e a Suiça e a Bélgica sim, porque o seu ranking foi inferior aos helvéticos, não porque tiveram piores números na fase de qualificação.

Portanto não, Portugal não teria sido cabeça-de-serie por ganhar o grupo, poderia tê-lo sido sim, caso tivesse ganho pontos suficientes em dois jogos (ponhamos Israel) para ser cabeça de série, independentemente de ir ao play-off ou não.

PS: Jornalistas argentinos - não eu - afirmaram no dia do sorteio que um alto cargo da FIFA lhes confirmou que a Argentina estaria no grupo F, cuja sede principal, Belo Horizonte, é onde a AFA já tinha reservado o seu centro de estágio. Um mês antes do sorteio. É só consultar online, não sou eu que o afirmo!


De Charles a 11 de Dezembro de 2013 às 01:00
Conclusão: A enorme culpa da Argentina é ter ganho os seus jogos e ter feito o que lhe competia para subir no ranking?
Que conspiração a favor da Argentina, que escândalo! E nós a empatar jogos com a poderosa Irlanda do Norte ou Israel mas merecemos tanto ser cabeça-de-série. É uma conspiração mundial contra Portugal e a favor da Argentina obviamente. E logo a Argentina que tem todo esse dinheiro para esbanjar em subornos.

E a história dos jornalistas argentinos também é fabulosa. Porque, como todos sabemos, alguém quando faz um crime ou neste caso uma adulteração dum sorteio, a primeira coisa que faz é ir contar aos jornalistas. Porque toda a gente sabe que se alguém sabe guardar um segredo é um jornalista.

Essa constante tentativa de arranjar suspeitas é tão ridícula como aqueles vídeos a afirmar que num sorteio onde estavam presentes dezenas, senão centenas de pessoas na sala, o apresentador estava a trocar os papéis mesmo em frente a todos eles.
Dá ideia que algumas pessoas pensam que toda a gente é idiota e acredita em tudo o que lhes dizem sem pensar um bocadinho.


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Dezembro de 2013 às 11:15
Charles,

Cada um acredita no que quer. Não acredito que exista uma norma comum a todos e obrigatório para descartar qualquer eventual caso de corrupção onde quer que seja, sendo que aliás não há nada mais comum na sociedade humana, em diferentes niveis, do que a própria corrupção. A FIFA nunca foi nem nunca será uma organização transparente, portanto, como dizem os ingleses, the ods are against them.

Quanto à Argentina, esse discurso faz parecer crer que eu tenho algum problema com os argentinos serem cabeça de série. Nenhum. A Argentina merece ser cabeça-de-serie. A Argentina é uma genuina e fortissima candidata a ganhar o Mundial. Fez o seu trabalho e fê-lo muito bem. Se não fosse cabeça-de-serie, seria um escândalo. Da mesma forma que acho que Portugal não merece ser cabeça-de-serie nem o mereceria sê-lo mesmo tendo ganho o seu grupo de qualificação com um tropeção da Rússia no último jogo, porque fez uma fase de apuramento lamentável.

Que eu saiba, não há nada no que eu tenha dito ou escrito que contraria isso. Simplesmente quis elucidar o Charles, que me parecia muito mal informado sobre como se elaboram os rankings, de qual é a prática habitual e porque é que a Bélgica e a Suiça, por exemplo, são cabeças-de-serie e a Itália e Holanda (tudo vencedores de grupos) não o são.

Ainda que, pessoalmente, para mim o formato de cabeças-de-serie tinha uma fácil resolução e não incluia o critério do ranking nem da fase de apuramento. Deveria ser dividido entre os seis campeões continentais (CONCACAF, CONEMBOL, AFC, ACF, UEFA e OFC), o organizador do torneio e o vencedor do Mundial anterior. Mais fácil e equitativo impossível!


De Charles a 11 de Dezembro de 2013 às 12:21
Se não tem problemas com a Argentina tudo bem.
Já o meu problema foi você ter escrito isto:

"Portugal não é a França OU A ARGENTINA - com as vantagens que isso habitualmente inclui"

Se não quis lançar suspeitas para cima dos argentinos, garanto-lhe que falhou redondamente.
E se as suas vantagens tiverem a ver com arbitragens ou grupos fáceis, muito mais ajuda têm tido selecções como o Brasil. O Mundial ganho por Scolari foi ganho à custa de arbitragens. Eu, sinceramente, não me recordo de ver a Argentina a ganhar jogos com polémica em Mundiais, nos últimos 20 anos pelo menos.


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Dezembro de 2013 às 13:24
Charles,

Não ter nada contra a Argentina, o seu status de cabeça-de-serie e o seu favoritismo não tem nada a ver com as suspeitas que me gera uma AFA gerida por Julio Grondona, com o maior acordo do planeta futebol, depois da Alemanha, com a empresa que mais associada está ao circuito de poder da FIFA desde os anos 70, a alemã ADIDAS.

Não tenho muitas duvidas sobre o que aconteceu no sorteio, nem que influências se movem nos circulos das grandes competições. Também não acredito em coincidências, muito menos quando está em jogo tanto dinheiro. Mas acho piada quando alguns pensam que não há corrupção nem problemas nos Mundiais de futebol organizados pela FIFA - que se podem "cozinhar" em sorteios, em cruzamentos ou em campo - e depois a primeira coisa que citam é que o último Mundial ganho pelo Brasil foi à custa das arbitragens.

Coerência?


De Charles a 11 de Dezembro de 2013 às 16:37
Coerência sim, porque um penalty contra a Turquia 3 metros fora da área é uma coisa evidente.
Já uma teoria da conspiração é isso mesmo, uma teoria.
Você próprio afirma que a Alemanha tem um contrato ainda mais vantajoso com a ADIDAS mas sobre eles nada fala.

Para cada uma das selecções que lhe dá jeito, você tem uma teoria da conspiração. A Argentina é por causa da ADIDAS mas da ADIDAS são a França, a Espanha, a Alemanha e mais umas quantas. Mas de repente, a ADIDAS lembrou-se de favorecer a Argentina.

Já quando lhe dá jeito falar de teorias da conspiração em clubes já não fala de ADIDAS porque lhe dá mais jeito atirar-se ao Barcelona da NIKE e aí já tem outra teoria completamente diferente. Aí já entra a UNICEF e mais umas quantas. Arranja-se sempre uma conspiraçãozinha aqui e ali.
Assim, caso a Argentina vença o Mundial, já está um texto preparado a dizer que foi graças a um sorteio condicionado.

Você tem claramente gosto em procurar as polémicas e valorizá-las. Aliás o ter referido o ridículo boato sobre os jornalistas argentinos demonstra bem isso. Boatos como esses eu arranjo-lhe 30 pelo twitter e pelo facebook. Só acredita neles quem quer.

Já agora, quando Maradona foi afastado do mundial por doping foi a ADIDAS, foi o Havelange ou foi ele que mandou para a veia?


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Dezembro de 2013 às 18:05
Charles,

A sua ignorância sobre futebol assusta-me verdadeiramente. É capaz de escrever um longo comentário repleto de erros factuais como se não fossem relevantes.

A saber, por exemplo, a Nike tem contrato com a selecção gaulesa, não a Adidas. O Maradona foi suspenso por uso de comprimidos, não de seringas. Aliás, o Maradona era viciado em cocaina, não heroina, a diferença existe.

O Charles, e qualquer outra pessoa, pode acreditar no que quiser. Não estou aqui para converter ninguém a absolutamente nada. Aliás, é por pessoas como o Charles que muitas das realidades do mundo, e não só do desporto, estão aí, encobertas, e quando alguém as saca cá para fora ouvem murmúrios de espanto.

Eu não inventei nenhum boato argentino. Foi capa de jornais, abriu telejornais e isto num país que, em teoria, foi beneficiado pela natureza do sorteio. Imaginem os pobres, sem nada que fazer. Eu também não disse que a Argentina/Espanha/França/Brasil/Alemanha vão ganhar o Mundial pelos seus contratos publicitários. Não vejo isso escrito em lado nenhum. Ganharão pelo seu futebol.

Mas se ao Charles tanto lhe incomoda os meus textos, tem uma opção muito fácil que é não lê-los. São públicos, qualquer um pode ler e opinar, mas em caso de insatisfação essa é a solução porque os textos continuarão a ser aqueles que eu melhor entender!


De Charles a 12 de Dezembro de 2013 às 11:31
Mas você sacou o quê cá para fora? Boatos de sites duvidosos argentinos?
E deixe-me rir com essa do abrir telejornais. Você deve-os ter visto e tudo.
Deixe de inventar. Você leu a notícia num jornal duvidoso, como toda a gente a leu e leu muitas outras. Porque há gente, factos provados, que trabalha apenas no sentido de criar dúvida sobre este tipo de eventos e sorteios.

Se você pelo menos fosse coerente e tivesse o mesmo peso e a mesma medida para as mesmas balelas, a que alguns chamam de notícias, sobre FIFA, UEFA e companhia. Mas não, você tem e sempre teve alvos bem definidos.
Quem não o conhecer que o compre.


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Dezembro de 2013 às 13:15
Charles,

Sinceramente não sei se tem um problema mental sério ou é ignorante simplesmente por quer. Não sei também qual seria o mais grave. Há uma ferramenta que se chama google. Há um programa de armazenamento de videos que se chama YouTube. São reais, estão aí, acredite. E tanto num como noutro é fácil ver que qualquer palavra que tenha escrito nestes comentários soa absolutamente a ridiculo.

Acho que cada um tem o direito a expressar-se, mesmo que sempre que abra a boca/ou escreva, deixe claro o seu nível de know-how. Ignorar dados reais, informação contrastada e, pior de tudo, reduzir a boatos de sites obscuros materiais de primeira-página dos mais importantes jornais desportivos e generalistas na Europa e América do Sul fecha qualquer tipo de debate possível. Só pode haver debate quando de parte a parte há troca de informação. O Charles não tem informação para trocar e não acredita sequer que ela exista. É pena!


De Charles a 12 de Dezembro de 2013 às 16:45
Sim, porque você, além dos boatos publicou uma série de fontes, tanto no texto como nos comentários, não foi?

O único jornal a publicar essa suspeita, sem qualquer prova, foi o La Nacion. Todos os outros se limitaram a citá-la. E já fiz muito mais do que você porque apontei uma fonte.

Já você limita-se a falar de google e do youtube. São essas as suas fontes? Pesquisas aleatórias, diz-que-disse?
Não que eu tivesse grandes dúvidas disso, mas só demonstra a grande validade dos seus argumentos.


De Miguel Lourenço Pereira a 12 de Dezembro de 2013 às 23:11
Não, simplesmente não estou para fazer o trabalho de casa de crédulos que acreditam no Pai Natal.



De Charles a 16 de Dezembro de 2013 às 11:32
Já que gosta tanto de conspirações aqui tem mais uma. E esta eu vi ontem à noite o autor desta página a fazer este post. Na altura nem liguei mas hoje as coisas confirmaram-se.
Mas claro, tendo em conta que isto é contra o Barcelona e o Messi, provavelmente nem uma referência mínima merece. Vamos todos falar dos golos que o Ronaldo marcará ao pobre Schalke, tudo por mérito, claro.

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De Miguel Lourenço Pereira a 16 de Dezembro de 2013 às 14:48
Charles,

Tres coisas:
- acreditar que os sorteios de competições que envolvem milhões e milhões são limpos, é ingenuidade. Seja para que lado for. Já não são só os condicionantes criados, é a criatividade usada para garantir que tudo corre bem. Os grupos foram iguais aos da prova no dia anterior. Com 32 equipas em jogo é muita coincidência.

- não entendo essa obsessão com o Barcelona, Messi, Ronaldo, Madrid. Não deve ser comigo de certeza, a começar pelo facto de que eu já disse, aqui e noutros lados, recorrentemente aliás, que o Ribery deveria ganhar o Ballon D´Or. No arquivo encontrará aí seguramente muitas referencias ao Messi, nenhuma negativa (aliás, quando me dava ao trabalho de fazer os tops do melhor do ano quer me parecer que ele ganhou) e simplesmente acredito que quando há dois jogadores do mesmo nivel como o Messi e o Ronaldo o bom é desfrutar deles, não colocar um contra ou outro porque vende mais. Mas cada um sabe de si.

- Os artigos são feitos sem nenhuma ordem prevista, alguns correspondem a critérios do momento, outros a vontades pessoais minhas. Pensar que tudo aquilo que eu acho e sei sobre futebol se resume ao que escrevo aqui é pensar que eu faço 24 posts, um por hora, ao dia. Creio que já disse aqui, vezes, sem conta, que a melhor equipa do periodo 2009-2012 foi o FC Barcelona. Que o melhor treinador foi Guardiola. Que o jogador mais em forma foi Messi. Que Iniesta e Xavi deviam ter Ballon D´Ors vitalicios. Isso não invalida tantas outras coisas que escrevi sobre o Barça. Também critiquei Ronaldo, Mourinho, a politica de gestão do Real Madrid. Curiosamente, em comentários seus, a memória é selectiva. Lamento, o arquivo é de consulta pública, e não me deixará mentir!


De Charles a 16 de Dezembro de 2013 às 18:01
Não falei de desvalorização do nível de Messi ou Ronaldo, nem de Barcelona, Real ou Guardiola, mas sim das constantes referências a falcatruas e influências do Barcelona na UEFA: Já quanto ao Real, parece que não há nada...
Parece que não há uma campanha montada por Florentino há uns anos para moldar a opinião pública, parece que não existe "central lechera", parece que os sorteios sorriem sempre ao Barcelona e não ao Real. Acho estranho apenas.


De Miguel Lourenço Pereira a 16 de Dezembro de 2013 às 20:31
Charles,

Que a imprensa de Madrid trabalha ao serviço da directiva do Real Madrid em muitos dos casos mais polémicos dos últimos anos é inegável. Foi assim toda a história. Passa o mesmo com a de Barcelona. Estão altamente polarizadas.

O Real Madrid controlou vários gabinetes dentro da UEFA durante décadas. Décadas. Sempre foi um clube influente nos corredores de poder. Mas Perez cometeu um erro. Em 2000 juntou-se ao AC Milan na criação do chamado G14 e batalhou profundamente para minar o poder da UEFA. Foi contra essa sombra que Platini venceu, com o apoio dos paises mais modestos, as eleições. E Platini não se esqueceu. Desde então o Real Madrid na UEFA tem prestigio mas não tem poder. Culpa própria da megalomania do seu presidente. Até há meio ano, o Real Madrid nem um representante tinha nos vários gabinetes e comités da UEFA e FIFA, quando antes era habitual ter três ou quatro.

Com o Barcelona passou o oposto. Durante décadas gastou o que tinha e não tinha em jogadores mediáticos, abandonou a formação e não conseguiu entrar nas esferas de poder. A partir dos anos 90 a situação mudou. Alterou-se a política interna e externa do clube e o trabalho de Gaspart, dentro da UEFA, começou a marcar uma mudança de ciclo. Desde 2000 que é o Barcelona, não o Real, quem tem vários profissionais seus a trabalhar dentro da UEFA. Tem sido o Barcelona o protagonista dos mais polémicos casos de arbitragem e tem sido o Barcelona o clube beneficiado por situações como a do "mucho morro" do Busquets, para por apenas um exemplo, quando no mesmo ano houve jogadores de ambas as equipas - para dar um exemplo equatitativo - a forçar os amarelos na fase de grupos mas só se abriu expediente a uma. Ter Mourinho ao leme também não ajuda, claro.

Dito isto, a mim dá-me exactamente o que Barcelona e Madrid façam, quem os apoia ou deixe de apoiar. A mim não me paga ninguém para escrever o que penso, aliás, sou demasiado pequeno para essas coisas. Pura e simplesmente estamos numa era onde o prestigio e poder do Barça (muito bem ganho, dentro e fora do relvad) prima sobre o do rival!


De Charles a 17 de Dezembro de 2013 às 10:17
Aliás, como bem se viu no ano passado em Manchester com a expulsão do Nani ou em Bayern com os 3 golos irregulares marcados ao Barcelona.
É o que eu digo, a sua tendência é sempre para o mesmo lado.


De Miguel Lourenço Pereira a 17 de Dezembro de 2013 às 12:15
Charles,

Eu não digo que o arquivo está para alguma coisa.

http://emjogo.blogs.sapo.pt/292363.html

Não conheço fanáticos de nenhum clube, treinador ou jogador que escrevam artigos com títulos como "A Champions "limpa" que Mourinho devia ter vergonha de ter".



De Charles a 17 de Dezembro de 2013 às 14:31
Ora lá está! O que custa a crer é que mesmo com todas essas evidências, que naturalmente o MLP não podia deixar de ver, continue a falar de influências do Barcelona na UEFA e da pouca influência do Real Madrid.
Acho que todos sabemos do enorme poder de bastidores de Florentino. Esta notícia sobre o pai de Messi, o próprio Messi e Mascherano associados ao tráfico de droga (já desmentida pela própria polícia), acja que nasce de onde? A fortíssima campanha anti-Blatter após uma piada infeliz mas inofensiva, foi patrocinada por quem?
A fortíssima campanha anti-Barcelona nos tempos do Mourinho foi patrocinada por quem?
As dúvidas sobre a transferência de Neymar e o enorme silêncio sobre o preço de Bale surgem de onde?
Será que sou eu que sou muito desconfiado ou será que há outros que parecem que preferem ignorar algumas coisas?


De Miguel Lourenço Pereira a 17 de Dezembro de 2013 às 14:50
Charles,

Eu não tenho nenhuma agenda.

Sobre a questão do Barcelona, do Real e da UEFA já me expliquei num comentário anterior. O Perez durante anos - e quando digo anos, é anos - foi persona non grata na UEFA por ter sido o principal impulsionador da Euroliga que mataria a galinha de ovos de ouros da UEFA. Ignorar isso é ignorar a história da última década e a decadência internacional (os tal 7 anos a cair nos oitavos) do Real. Nos últimos dois anos a situação tem-se alterado e o Real voltou a ter pessoas importantes em gabinetes. Naturalmente que em campo notou-se a diferença o ano passado (e pode perfeitamente notar-se este ano) da mesma forma que ao Barça calhar agora um City é talvez o espelho de um equilibrio de poder que não sucedeu durante os anos de Rijkaard e Guardiola - que para mim foram as melhores equipas, em campo, das suas respectivas épocas.

Quanto à influência do empresário/empreiteiro Perez em Espanha é de sobra conhecida e falo sobre isso profundamente no livro Noites Europeias. A troca de terrenos para comprar a Ciudad de Valdebebas (onde se está a criar um suburbio contruido exclusivamente pela sua empresa de obras públicas), a compra de terrenos públicos a troco de tostões para ampliar o Bernabeu, os negócios de crédito facilitado com o apoio dos governos populares e a sua influência no grupo Planeta (dono do El Mundo e Marca) é de sobra conhecida da mesma forma que o grupo Prisa (do El Pais) tem sido o principal denunciante desta realidade.

Quanto a Bale e Neymar e a história de Cristiano e Blatter, a conversa é diferente. Bale custou 100 milhões de euros, só não acredita quem não quer. Só a imprensa de Madrid insiste nos 91, são uma gota no oceano. Neymar não custou 50 milhões, nem nos melhores sonhos de Rossell e não é por acaso que tem várias investigações judiciais (ele sempre foi o homem forte da Nike no Brasil e Europa) sobre o mesmo negócio. Provavelmente ambos custaram o mesmo (ainda que Neymar valha muito mais, em campo) e ambos procuram negar a evidência.

Quanto ao caso de Blatter, sinceramente, é a coisa menos grave que Blatter já fez, ele que é responsável pela destruição progressiva deste desporto. Mas tocou na fibra emocional dos adeptos, que é a condição das estrelas. Se tivesse feito o mesmo a gozar com Messi, Rooney, Iniesta ou Neymar o backslash teria sido igual . No final de contas foi a melhor coisa que podia ter acontecido a Ronaldo. Ganhará com isso um Ballon D´Or e o apoio de muitos neutrais a seu favor. Um Maquiavel quase sugeriria que até podia ter sido um lance combinado, mas é apenas a imbecilidade de um velho ignorante que vive de chular o desporto que devia proteger e a sensação de virgem ofendida de um jogador que, quando lhe interessa, não tem problemas em citar Messi (Euro 2012), ou de acusar árbitros de roubo (Villareal, 2011)!


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Miguel Lourenço Pereira

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