Segunda-feira, 15 de Julho de 2013

Era o título que faltava ao futebol francês. Nem no apogeu da formação gaulesa, esse processo revolucionário que se começou a gestar na década de noventa, os Bleus conseguiram vencer o Mundial sub20. Com uma geração promissora mas longe de ser espectacular, venceram o mais cinzento torneio da última década. Uma prova que deixou claro que continuava a haver um número de países demasiado grande preocupados com os resultados, esquecendo-se de que a formação é algo para o futuro, não para o presente.

Não houve emoção nem grande futebol.

As suspeitas dos problemas de idades adulteradas foram mais evidentes do que nunca. As equipas africanas continuam a enviar futebolistas que, a todas as evidências, superam bastante o requisito legal. Tem sido assim desde meados da década de noventa e parece que a FIFA continua sem controlar bem este grave assunto. Quando o Gana venceu o torneio há alguns anos, fê-lo com jogadores que hoje estão desaparecidos, precisamente porque não eram quem diziam ser. Adiyah, Inkoom e companhia têm os seus sucessores no futebol actual, dentro da própria equipa ganesa mas também no futebol europeu. Os treinadores das selecções do Velho Continente continuam sem aprender a lição do futebol espanhol. Querem a vitória a qualquer custo, querem títulos e prestigio, não o desenvolvimento dos seus futebolistas com uma ideia de futebol que lhes permita singrar-se nas equipas principais. Olhar para o plantel de França, Portugal ou Inglaterra é reconhecer em vários rostos jogadores que estão ali pelo seu físico, apenas e só. Muitos terão também idades adulteradas, os de ascendência africana. Dificil de provar, fácil de perceber. São os que não vão dar em nada, os que cometem erro atrás erro, de técnica e táctica. Mas os mesmos que continuam a jogar porque a força e resistência que exibem supera, naturalmente, a dos seus rivais adolescentes.

 

A ausência de selecções históricas como a Alemanha, Holanda, Argentina e Brasil abria caminho a um torneio descafeinado.

Esperava-se a consagração da Espanha, depois de mais um período de sonho. Ou a afirmação definitiva do futebol sul-americano, alternativo ao duo Brasil-Argentina, através do talento dos colombianos e da resiliência dos uruguaios. Entre todos, só os "charruas" não desiludiram, mas também eles ficaram a anos luz do que se podia e exigia esperar. Perderam na final, caindo de pé, mas nunca deram a sensação de serem uma selecção que vai deixar marcas nos anos que aí vêm, quando metade destes futebolistas seja promovido à Celeste (e a outra metade desapareça do mapa).

O bom futebol dos colombianos, assente sobretudo no génio de Quintero, o futebolista individual mais marcante do torneio, morreu de forma inglória contra a Coreia do Sul. Os asiáticos foram a revelação do torneio. Por um lado é um sinal evidente de que as coisas estão a mudar no gigante adormecido. O sucesso nos Jogos Olímpicos de Londres, o excelente futebol de coreanos e japoneses no último Mundial abrem as portas a pensar em algo diferente para um futuro não muito distante. Mas se os coreanos estiveram bem, a grande surpresa surgiu da meseta central, onde iraquianos e uzbequistaneses surpreenderam os mais desatentos com bom futebol, audácia e resultados. Os jogadores do Iraque - país sobre o qual também paira a velha suspeita de jogadores com falso passaporte - são uns desconhecidos no Ocidente mas desde o final do conflito armado com os Estados Unidos começa-se a recuperar o tempo perdido em Bagdad. O Uzbequistão também, há muito tempo que tem vindo a desenhar uma estratégia de futuro que lhe permita afirmar-se como a grande potência da Ásia central. As sensações são boas mas o trabalho pela frente imenso.

No meio deste circuito de equipas ambiciosas mas sem grandes estrelas individuais e futebol de alto quilate, surgiram os franceses. A equipa gaulesa acabou por ser derrotada na fase de grupos pela Espanha mas dos três países qualificados nesse grupo, os espanhóis acabaram por ser os últimos. Começaram bem o torneio, com a conexão Deulofeu-Jesé a funcionar e o talento de Oliver e Suso a pautar o ritmo de jogo mas à medida que a chama dos dianteiros se apagava, os velhos problemas de eficácia reapareciam. Diferente da sua versão dos sub21 e mais ainda da absoluta, esta Espanha é mais vulgar, previsível e dependente das genialidades das suas figuras. Quando estas se apagaram, prevaleceu a organização dos uruguaios. Os franceses foram o oposto. Não havia estrelas. Pogba, o jogador do torneio para a organização, é um médio forte, com sentido táctico e resistente, mas não é um marechal de campo. Lucas Digne, Zouma, Kondogbia e Thivaut são futebolistas esforçados, com potencial, mas nenhum deles será uma estrela. Sanogo, novo jogador do Arsenal, segue o reconhecível padrão do avançado tipo gaulês. E não há mais. Mas com estes foi suficiente. França soube lamber as feridas da derrota com os franceses e seguiu o seu caminho à espera de uma desforra que não chegou a ter lugar. Nos penalties resolveu a contenda com o Uruguai, atrás tinha ficado o Gana e o sonho africano. O título era a consequência natural de tudo aquilo que foi um torneio que devia ser radicalmente diferente.

 

Bancadas vazios, uma excessiva preocupação táctica, poucos nomes para reter num futuro imediato e alguns jogadores que levam um gigantesco ponto de interrogação que só o tempo pode resolver. Começa a ser cada vez mais evidente que torneios como o Mundial sub20 se afastam do seu modelo original. Sempre tiveram os seus flops, os seus fracassos pontuais, mas a cada edição nascia a sensação de haver pelo menos um onze de jogadores que poderia marcar presença entre a elite a curto espaço de tempo. Hoje é difícil confeccionar esse onze com os jogadores em prova. Os talentos mais inatos estão crus, os jogadores mais trabalhados nunca terão talento e a edição de 2013 da competição dificilmente passará para a história como uma das suas provas vintage.

 

PS: Portugal terá, no final da semana, um artigo à parte!



Miguel Lourenço Pereira às 13:02 | link do post | comentar

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