Sexta-feira, 5 de Julho de 2013

Não há Ferguson. Há Mourinho. Não há Mancini, há Pellegrini. Wenger sonha com gastar mais num Verão do que nos últimos anos em que sobreviveu ao assalto ao top 4 como um herói. Villas-Boas e Rodgers jogam mais do que o prestígio. Um leque de nomes próprios atrás dos bancos que abrem as portas para a mais interessante e enigmática edição da Premier League da última década.

 

É possível imaginar um jogo da Premier League sem o célebre "Fergie Time"? Sem aquele chiclet mascado vezes sem conta?

Será dificil, mas a realidade do futebol inglês é essa. Acabou a era Ferguson. O mais exitoso treinador da história do futebol britânico não estará em 2013/14 para assombrar os seus rivais. Saiu com mais um título e com o seu Manchester United preparado para liderar um novo assalto ao título. Mas a sua partida deixou um vazio emocional na competição e que pode prejudicar os próprios Red Devils. Os rivais do campeão sabem que essa aura mítica de Old Trafford será eterna mas menos intensa com David Moyes no banco.

Depois de um notável trabalho em Goodison Park, a Moyes espera-lhe um desafio imenso. Não se trata só de ganhar. Nem sequer de jogar bem. Sobreviver a um mito vivo como Ferguson é algo mais profundo do que isso. Só Bob Paisley conseguiu sobreviver num clube à sombra do seu treinador mais simbólico e fê-lo, entre outras coisas, porque Bill Shankly retirou-se voluntariamente cedo demais. Quando morreu, vitima de um ataque cardíaco, o seu Liverpool tinha ganho mais do dobro do que conquistara com ele mas ninguém duvida que com o Napoleão de Anfield no banco, o sucesso teria sido o mesmo ou talvez ainda maior. Moyes sucede a um Ferguson que venceu tudo o que havia para ganhar, mais do que uma vez, e com um método único.

Terá de se afirmar pela diferença mas o tempo corre contra ele. Particularmente porque José Mourinho, o único treinador que venceu mais duelos a Ferguson do que aqueles que perdeu. Na sua primeira etapa com o Chelsea, três anos, Mourinho venceu duas ligas e perdeu uma. Nos duelos directos, em toda a sua carreira, venceu bastante mais vezes do que aquelas que perdeu. E agora de novo em Stanford Bridge, a visita a Old Trafford será mais interessante do que nunca para os Blues. Com um plantel com um potencial imenso, um treinador mitico que conhece os cantos à casa e um Abramovich decidido a criar uma dinastia de sucesso com o regresso do "Happy One", ninguém duvida que a corrida pelo título será coisa de três, independentemente do sofrimento pelo que o clube londrino passou no último ano.

O terceiro em discórdia, o Manchester City, tem os jogadores e o dinheiro necessário para sonhar em recuperar o título que venceu em 2012. Mas o enigma à volta de Pellegrini joga contra os Citizens. Treinador de sucesso em clubes de perfil baixo mas com projectos fascinantes (Villareal, Málaga) a sua etapa em Madrid não foi bem sucedida. O clube azul de Manchester está decidido a emular o modelo de jogo de sucesso da escola espanhola. Conta com muitos homens fortes do Barça na direcção desportiva, um treinador com um gosto pelo jogo de posse e toque curto e um plantel capacitado para sonhar alto. Mas dois anos de falhanços europeus e uma prestação altamente irregular em 2013 permite levantar muitas dúvidas sobre o seu potencial real.

 

2013/14 será uma temporada repleta de momentos memoráveis e surpresas várias.

Um ano de comentário de futebol ao vivo, semana atrás semana, sempre à espera do evento inesperado seguinte.

Pode o Tottenham finalmente fazer valer em campo o que há anos vem anunciando? Será capaz o Liverpool de sentir-se, de novo, um grande no activo? É Roberto Martinez o homem certo para capitalizar a herança de Moyes em Goodison Park? São perguntas que a maioria dos adeptos, concentrado na luta pelo título, não se faz mas que serão parte do atractivo que tem esta edição da Premier League. Questões suficientemente interessantes para apostar online e deixar-se convencer pela imprevisibilidade que será a nota dominante de um torneio sem o fantasma eterno de Alex Ferguson como senhor eterno dos destinos do futebol inglês. Mourinho não é o mesmo treinador (e Abramovich o mesmo presidente). Wenger terá a sua derradeira oportunidade de acabar a carreira em grande e a Pellegrini ninguém dará uma segunda chance depois de ter falhado na sua etapa no Santiago Bernabeu.

Wenger terá neste ano um dos momentos mais importantes da sua carreira. Depois de quase uma década de contenção nos gastos, o Arsenal parece estar desejoso de reforçar o plantel com jogadores importantes, maduros e tacticamente preparados para a exigência do francês. Com poucos tostões, face aos rivais, os Gunners conseguiram o milagre de qualificar-se nos últimos cinco anos de forma consecutiva para a fase de grupos da Champions League. Agora o ataque o título tem de voltar a ser uma realidade. Para o Tottenham de Villas-Boas a Champions é a prioridade mas há dinheiro e jogadores suficientes para acreditar numa gesta histórica. Tudo dependerá de onde acaba Gareth Bale em Agosto.

Ele foi a alma dos Spurs na última época. O seu talento individual solucionou os problemas de jogo do português que necessita de um avançado de topo e um médio como pode ser Paulinho para o seu projecto como de pão para a boca. Sem eles o seu projecto está em risco.

Brendan Rogers e Roberto Martinez têm outros desafios. O primeiro tem de, finalmente, demonstrar que está capacitado para devolver os Reds ao seu lugar histórico, a luta pelos primeiros lugares. O plantel continua com problemas, o dinheiro não aparece por parte dos investidores norte-americanos mas Anfield Road está cansada de ver-se em Maio perdida no meio da tabela. Poucos metros ao lado, o Everton procurará sobreviver à saída do homem que manteve o clube numa linha estável na última década. Para o seu lugar o treinador que venceu a FA Cup com uma equipa que acabou por descer de divisão (mas cujo o milagre foi não ter descido antes) e com uma ideia de futebol que se enquadra na herança de Moyes e no espírito de técnicos que começam a singrar na Premier League como Michael Laudrup e o seu promissor Spanish Swansea.

 

Se a liga espanhola concentra mais estrelas internacionais por metro quadrado e a alemã é, não só a melhor organizada e mais recomendável das ligas (como também a que tem Guardiola e Klopp, o duelo de treinadores mais interessante do ano), a tradição do futebol inglês faz com que esse gigante negócio internacional que é a Premier League nunca perca o seu atractivo. Será um ano histórico, um ano forçosamente de transição e que pode tanto acabar tal como esta época como de uma forma absolutamente inesperada. Imaginam-se a um Manchester United fora da Champions League? A um Arsenal campeão, dez anos depois? Ao Liverpool de volta às noites de Champions? Nunca tantas perguntas fizeram tanto sentido. Falta menos para a bola começar a rolar nos tapetes verdes da memória inglesa.


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Miguel Lourenço Pereira às 11:02 | link do post | comentar

2 comentários:
De Miguel Antunes a 11 de Julho de 2013 às 01:52
Fantástico texto como sempre

Espero que continue, é dos melhores Blogs de desporto que conheço e que não dispenso de modo algum de ler, parabéns...


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Julho de 2013 às 13:53
Obrigado Miguel,

um abraço!


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Miguel Lourenço Pereira

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