Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

Da última vez que vi, o futebol continuava a ser um jogo decidido por quem marca mais golos. Como qualquer outro desporto, o golo resume a essência do jogo. No entanto, nos últimos anos, graças ao sucesso espantoso do projecto de Pep Guardiola, surgiu uma legião de puristas que tentou transformar as regras do jogo a seu belo prazer. O golo, esse momento estranho, quase pecaminoso, passou a um segundo plano. O importante era a possessão, os largos minutos de posse de bola, aquilo que verdadeiramente definia, qual Star Wars, os brancos e os negros, os bons e os maus. Em Milão, como já sucedeu no passado, o golo voltou a por as coisas no seu lugar. Aquele onde o futebol realmente gosta de estar.

 

É possível uma equipa ser dona e senhora da possessão e, ao mesmo tempo, ser absolutamente inconsequente?

Ser inofensiva, tímida, sem coragem de enfrentar o jogo de frente, de procurar transformar a sua superioridade teórica, reconhecida por próprios e estranhos, em algo palpável? Seria fácil dizer que não, que nunca se chega a esse extremo, mas jogos como o que opôs o AC Milan ao Barcelona em San Siro diz-nos que há sempre espaço no futebol para o ridículo. Quando uma ideia se começa a levar demasiado a sério, cai no fundamentalismo absoluto e perde toda a sua relevância. Foi o que passou ao Barça.

Guardiola, provavelmente o treinador mais importante do futebol europeu da última década, partiu sempre do conceito da possessão para algo mais profundo, mais palpável. O seu primeiro esboço, o forjar do Pep Team que venceu num ano natural seis títulos, era uma equipa que queria a bola para atacar, para marcar. Superou o registo goleador, desmontou os rivais com tremenda facilidade e ganhou, por mérito próprio, o direito a ser considerada como uma equipa superlativa, um fiel sucessor do Milan de Sacchi ou do Ajax de Kovacs e Michels. Nos três anos seguintes, quase sempre com os mesmos protagonistas, a equipa continuou a aplicar os ensinamentos do técnico mas foi, progressivamente, levando demasiado a sério o santo e senha da possessão. Foi perdendo eficácia, finura, exactidão. Caiu por duas vezes em meias-finais da Champions League por ser incapaz, a todos os níveis, de gerar um plano alternativo, um esquema que desse a tanta posse um sentido claro, o do golo. Ao contrário de Cruyff, um técnico que partia para cada jogo com três planos, o Barcelona de Guardiola foi tornando-se plano e previsível para os seus rivais. Não deixava de ser, tecnicamente, a melhor equipa com diferença, aquela que melhor sabia manejar a bola e os tempos. Mas para rivais mais aguerridos, eficazes, capazes de abdicar de ter a bola para controlar o espaço, os seus pontos frágeis tornavam-se evidentes. Por isso perdeu uma Copa del Rey, uma liga e duas Champions League que, à partida, pareciam suas por direito divino. Por isso perdeu ontem em Milão. Por não saber jogar a outra coisa.

 

Ouvindo os profetas da seita da possessão, génios da bola como Xavi Hernandez, jornalistas conhecidos e bloggers desejosos de ter um pouco de atenção e afecto, parece que o futebol é um jogo que foi disputado erradamente por todos nos últimos 100 anos. E que, do nada, a luz desceu à terra e iluminou um conjunto de apóstolos, transmissores da verdade absoluta, destinados a evangelizar o mundo.

No final dos jogos começou a debater-se mais a equipa que mais possessão tinha do que aquela que realmente tinha sido mais perigosa. Aquela que tinha procurado fazer das suas armas algo concreto. Porque a posse é uma arma ou, pelo menos, foi assim concebida desde os dias de Hogan, Meisl ou Sebes. Uma arma de ataque. A forma de ter a bola impedia o rival de a ter e, portanto, tornava a equipa mais ofensiva por natureza. Mas com a bola nos pés era preciso depois partir para o ataque. As equipas que defenderam a posse sempre foram incisivas. Se por um lado génios como Chapman se preocupavam mais com os espaços do que com a bola - e a corrente do cattenaccio de Rocco e Herrera levou a ideia ao extremo - na Holanda a posse voltou a ser o santo e senha, mas como disse um dia o brilhante Muhren, um dos integrantes do Ajax de Michels e Kovacs, a posse só servia se a equipa fosse vertical. Tanto passo horizontal, dizia, irritava-o profundamente porque tirava sentido ao jogo. E assim era.

Na final do Mundial de 1974, em Munique, a Holanda perdeu porque, depois de marcar o golo inaugural, dedicou-se a praticar sucessivos rondos pelo campo, sem causar o mais mínimo perigo a Sepp Maier. Os alemães, uma equipa tecnicamente inteligente mas mais hábil ainda em velocidade, marcaram dois golos e depois asfixiaram a possessão estéril dos holandeses. Essa capacidade de acção e reacção faz de todas as equipas capazes de manobrar distintas realidades verdadeiros colectivos. Entendem que o futebol se adapta às circunstâncias e quando é necessário operar um inesperado roque, estão dispostos a fazê-lo para salvar o rei e ganhar o jogo. O Barcelona vive no mutismo intelectual de acreditar que a sua fórmula resulta por inércia, independente do rival. Tem a ideia e, sobretudo, as individualidades para isso. O génio de Messi, Iniesta, Xavi, Busquets, Puyol, Piqué, Alves, Alba, Fabregas, Pedro e Valdés resume uma geração irrepetível, verdadeiros maestros a entender a mensagem. Mas não é eterna e quando o génio individual, sobretudo do argentino, tem um mau dia, fica a nu a fragilidade do planeamento colectivo. Em San Siro o Barcelona não teve uma só ideia futebolística que não passava por trocas sucessivas de bola em zonas inofensivas, oferecidas à consciência por Allegri ciente que a equipa só é perigosa quando troca a bola comodamente na linha da grande área. Espaços fechados, imaginação zero, a derrota tornou-se inevitável. Em Barcelona a equipa da casa até pode vencer por 5-0, tem jogadores, adeptos e talento para isso. É a melhor equipa do mundo em individualidades e sentido colectivo. Mas também é um projecto que começa a deixar demasiado evidente as suas falhas estruturais. Golos sofridos com qualquer rival, imprecisão no passe, ausência de goleadores alternativos, avançados que continuam a penar no banco para não fazer sombra à estrela da companhia e uma possessão cada vez maior em zonas recuadas e menos asfixiante onde realmente importa, na cara do rival. Em Milão não houve desculpas, não houve remates, não houve rondos, não houve futebol.

 

É interessante ver a ultra dependência que toda a ideia de jogo do Barcelona tem dos golos de Messi. Uma equipa que faz da posse de bola uma obrigação divina mas que depois depende apenas de um indivíduo é um projecto condenado a fracassar no momento em que esse jogador individual falhe ou desapareça. O Ajax de Michels e Kovacs brilhou sobretudo porque, apesar do génio e liderança de Cruyff, todos defendiam, todos atacavam e todos marcavam. A verticalidade do jogo dos holandeses desconcertava os rivais mais do que as suas largas possessões. Em Barcelona, a necessidade de trocar a bola até à pequena área para La Pulga empurrar para mais um recorde é um filme que os rivais já conhecem. As equipas mais humildes da liga espanhola pouco podem fazer para o contrariar, mas na Europa são cada vez mais os clubes que entendem o modelo que o ausente Vilanova tem aplicado. Pode não ser bonito, especialmente quando as pessoas vivem bombardeadas com a ideia pregada até à exaustão que defende, imagine-se, que só existe uma forma de jogar bem ao futebol (contrariando 100 anos de história, apenas porque sim), e que tudo o demais devia ser castigado com o purgatório, inferno e um fim-de-semana numa favela de Monróvia. Mas sem ser esteticamente interessante, é o que melhor representa a essência do futebol. Eu tenho a bola quando quero ter, eu remato quando quero, eu marco quando remato: eu ganho. Mais de um século de grandes treinadores, equipas e jogadores não nos dizem que a posse é mais importante que o golo. E o presente só acaba por confirmar que, sem uma ideia mais ousada e uma flexibilidade emocional necessária, a posse de bola pode ser algo profundamente estéril.



Miguel Lourenço Pereira às 16:26 | link do post | comentar

25 comentários:
De António Teixeira a 21 de Fevereiro de 2013 às 17:59
Caro Miguel,

Com todo o respeito que lhe é devido, até pelo seu domínio sobre este tema, discordo do seu texto.

Então o último parágrafo não tem muito sentido. NENHUMA, e estes 5 anos provam-no, NENHUMA equipa "tem a bola quando quer, remata quando quer.." contra este Barcelona. Remata quando pode, sendo que o grau de modalidade do verbo tem mais probabilidade de ser maior no caso do Barcelona.

Não sejamos fundamentalistas: existem outros modelos, outras ideias, outras tácticas, umas melhores outras piores, todas elas futebol.
Mas, um campo naquele estado não tem a ver nem com modelos nem com méritos, um campo naquele estado é mera contigência, que não pode de modo algum servir para argumentar a favor do modelo do Milan nem contra o modelo do Barça.

Ainda assim, o Barcelona jogou mal, não teve intensidade e jogou à lá Espanha, e digo isto com a consciência de que o relvado condicionou todo o jogo dos catalães.

De qualquer dos modos, o modelo de Vilanova não depende de Messi. Pode argumentar como quiser, e dizer que é ele quem marca x % dos golos da equipa, que rompe basculações, que o Barca sem ele não é a mesma coisa, etc. Tudo isso é verdade. Todavia, o Barça sem Messi continuava a ser superior a vasta maioria das equipas.

Foi um jogo que o Barça perdeu BEM, não por mérito de um adversário que pouco fez para ganhar, mas sim por demérito deles mesmos e pelas condicionantes (viz. relvado/árbitro: estranho não ter desta feita falado da arbitragem).

Cumprimentos


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Fevereiro de 2013 às 18:44
António,

Partir do principio que as equipas só jogam e rematem como podem é assumir, implicitamente, que o Barcelona não só controla o seu jogo como o do rival. Não é certo.
Pode levar a equipa contrária a procurar uma alternativa ao seu plano de jogo, mas o Milan escolheu os momentos que quis ter a bola, e quando a quis ter, o Barça não a soube recuperar. Escolheu os momentos em que quis criar perigo, e quando não marcou, criou três ou quatro oportunidades. Escolheu o posicionamento no relvado, subindo e baixando linhas, abrindo e fechando o campo, conforme quis, e o Barcelona não soube dar a volta. Dizer o contrário é, pura e simplesmente, dizer que o Milan teve sorte e o jogo de ontem teve muito pouco a ver com sorte.

Quanto a Messi, não preciso de dizer eu, a estatística fala de um jogador avassalador, sem o qual o Barcelona nem teria ganho os títulos que ganhou nem seria capaz de jogar da mesma forma. Porque quando é Fabregas, Alexis ou Villa a aparecer no espaço de Messi, o resultado nunca é o mesmo. O Barcelona tem uma geração brilhante com jogadores muito superiores à de muitos clubes, mas colectivo este modelo funciona porque tem um jogador como Messi, da mesma forma que o Ajax, quando deixou de ter Cruyff e o Real Madrid quando vendeu Di Stefano, perderam a sua identidade.

PS: O relvado não me parece desculpa nenhuma, não só porque é uma condicionante do jogo porque as grandes equipas sabem manejar-se em diferentes circunstâncias. O modelo do Barcelona peca por precisar de condicionantes "no ponto" para funcionar o que é um claro signo de fraqueza. Quanto ao árbitro, fez uma arbitragem regular, enganou-se no golo e num par de faltas de ambas as equipas. Mas se for por créditos, como num jogo de computador, o Milan ainda tem muitas vidas para gastar com este Barça!


De António Teixeira a 21 de Fevereiro de 2013 às 19:12
Caro Miguel,

A história não é bem essa. Você diz, e bem, que o Milan, e.g. rematou quando quis. Mas, qual a maior probabilidade: o Barcelona rematar quando quer ou o Milan rematar quando quer (e tomamos o termo rematar não no sentido de chutar a bola do meio campo)?
O que se passa com este Barça, e que demonstra a superioridade perante todas as outras equipas, é a imposição do seu modelo de tal modo que condiciona o jogo de toda e qualquer equipa. Até pode acontecer que, como aconteceu ontem, uma mão cheia de equipas consiga cumprir a sua estratégia contra o Barça e vencer, isto em 5 anos. Mas é, sempre, muito improvável, tal é o domínio do modelo. Você pode escolher criar uma zona de pressão, e.g. quando o Daniel Alves recebe no espaço da última linha e o Pedro desce ligeiramente, de modo a fechar o passe e a explorar um desposicionamento do Sergio. Pode faze-lo, e não é uma má estratégia. O problema é que nem sempre o Daniel Alves vai perder a bola, nem sempre os seus jogadores vão estar correctamente posicionados ( e quando não o estão vão, provavelmente, abrir espaços em zonas perigosas), nem sempre o Pedro vai ficar parado, e nem sempre o Sergio vai estar desposicionado, e nem sempre o central vai ser ultrapassado, e nem sempre o seu avançado/extremo vai dominar a bola, já para não falar de que quando recupere a bola, vai estar também em zona de pressão e com uma elevada dependência da qualidade de passe longo do seu jogador.
Este é um dos exemplos de hipóteses de condicionar o jogo do Barça, mas como lhe demonstrei, estão quase sempre dependentes de muitas variáveis.
Você poderia ter 11 robots perfeitos que executassem de modo perfeito cada tarefa que lhe fosse requerida, e ainda assim apenas estaria perto de ter uma estratégia realmente eficaz e independente, pois a criatividade ainda tem o seu papel.
È nisto que, e como foi falado aqui, o Nuno está correcto: o modelo do Barça condiciona de tal maneira que, até surgir um modelo que o condiciona e não seja por ele condicionado, será sempre o melhor. E quando perde, tenha a outra equipa mérito ou não, verifica-se um acontecimento improvável. È matemática simples Miguel. Que os modelos tenham cada um suas virtudes e defeitos, não o nego, agora que ha uns muito melhor que outros, é insofismável.

Quanto ao arbitro, eu ainda não entendi. Eu sei que o Barça foi beneficiado em Londres, mas porque não recordar o que se passou há tres anos em San Siro? Porque quando o Pepe é expulso por causa de uma entrada em que não toca no jogador, você reclama, e porque é que nos outros jogos todos em que o Pepe merece ser expulso (e deduzo, pela sua inteligência, que não o negue) você não diz nada? E por fim, limita-se a dizer o que disse, que o Barça tem sempre muitos créditos. Não terão esses créditos acabado já há algum tempo? Na temporada passada em Espanha?!

Cumprimentos,
António Teixeira


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Fevereiro de 2013 às 19:21
António,

Partimos uma vez mais da premissa que o Barça faz o que quer e os outros ficam com as sobras. Essa premissa só é válida se as duas equipas decidem jogar igual e uma bate a outra dentro do mesmo jogo. Mas ontem as equipas jogaram de forma diferente e o Milan triunfou porque, no seu modelo, impôs o seu critério.

Pelo seu modelo de jogo é normal que o Barça tenha mais posse, mais remates, mais livres a favor e mais cantos. Porque é assim que joga. Mas isso o Milan já sabia e dividiu o trabalho em reduzir ao minimo as oportunidades do rival (o que conseguiu) e aproveitar ao máximo as suas (o que também conseguiu). Não acredito que o Allegri em algum momento tenha pedido aos jogadores 50% de posse, 20 remates, 10 cantos e 20 livres. Não era esse o seu plano de jogo. E uma equipa só joga mal quando o seu plano não funciona, como passou com o Barça. Pode não jogar bonito, se o seu plano o exige, como sucedeu com o Chelsea ou Inter, mas isso não é jogar mal.

O Barça muda o estilo de jogo de certas equipas, como o Arsenal, mas o Milan de ontem não é um Milan muito diferente do que aquele que joga com o Napoli ou a Juventus. É um Milan consciente da sua eficácia defensiva e da importância de aproveitar as ocasiões. Além de que, historicamente, qualquer equipa que adopte uma política de possessão, forçosamente, impõe o seu modelo, mas isso não significa que a outra equipa seja inferior apenas porque opta por responder de uma forma radicalmente distinta. Esse é o erro dessa filosofia, acreditar que a superioridade do Barcelona - real - é algo que força a mudança do técnico contrário, por inércia.

Durante anos houve modelos muito menos influentes e bem executados que o do Barça e no entanto as equipas sempre se procuraram adaptar ao rival. Há adaptações mais ou menos evidentes. Na escolha do onze, no posicionamento em campo, nas substituições, no modelo adoptado. Mas quando se diz de uma equipa italiana que se adapta ao Barcelona por jogar aquilo que em Itália se joga há 50 anos, eu fico surpreendido. Uma coisa é o que fez o Arsenal, abdicou de ser quem é, outra é o que fez o Milan. Jogar assim é também parte - não exclusiva - do seu ADN competitivo.

PS: Falo do crédito contra o Milan, equipa que nos últimos confrontos com o Barça, saiu claramente prejudicado, desde o golo anulado a Shevchenko em 2006 à rídicula expulsão na segunda mão dos quartos do ano passado. Eu não escrevo crónicas regulares dos jogos de Pepe, quando o fizer, e se ele tiver motivos para ser expulso, assim o direi. Não tenho o mais mínimo problema e não muda a minha perspectiva de ser um dos melhores centrais da última década.


De António Teixeira a 22 de Fevereiro de 2013 às 14:53
Caro Miguel,

Não partimos dessa premissa, e não me viu afirmar tal coisa em lado algum. Apenas disse, e digo, que é muito mais provável o modelo do Barça ter sucesso do que o do Milan. Os resultados numa base consistente e no médio prazo (chame-lhe longo se quiser) provam-no.

Você pode dizer que há várias maneiras de jogar, e eu concordo. Pode também dizer que todas elas são legítimas, e eu também concordo. Agora não pode é negar a superioridade de umas perante outras. E a verdade é essa: o modelo do Barça é muito superior a todos os outros, por mais que você tente dizer que os outros também tem virtudes (o que é verdade).

È matemática simples, como num jogo como o Poker. Você pode jogar uma mão em que seja 80% favorito, e perde-la 9 em 10 vezes (ou seja, perdeu 90% quando deveria ganhar 80%). Mas você sabe, que se jogar exactamente dessa maneira sempre, quanto mais vezes jogar mais se vai aproximar dos 80% de vitórias. O que se passa no futebol é semelhante: os resultados do Barça numa amostra grande permitem-nos induzir que é muito favorito perante qualquer modelo, e que apenas perante "jogos perfeitos" aliados a certas condicionantes (arbitros, relvado, que podem funcionar contra ou a favor, mas que me lembre, nos jogos em que o Barça perdeu nas meias só estiveram ausentes no passado ano), perde, i.e. apenas perde perante eventos ocasionais.

E você pode dar-lhe, que o Barça depende do Messi, que o Barça é beneficiado, que o que o Milan e o Inter fizeram é que é bom, mas no fundo você sabe que está errado. E custa-me, muito sinceramente, que uma pessoa com uma cultura futebolística tão superior à média (e a minha) consiga insistir nesta espécie de ódios de estimação.

Por fim, você fala tanto das arbitragens da Uefa e do Barça, sem qualquer prova, mas alguma vez se perguntou se eu não o posso acusar de ser um anti apenas porque vive em Madrid?

Cumprimentos,
António Teixeira


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Fevereiro de 2013 às 15:14
António,

Você (ou qualquer um) pode acusar-me do que quer que seja, isso é perfeitamente irrelevante, não altera nem uma virgula do que eu escreva ou pense. As provas são públicas, estão aí, cada um pensa o que quer delas, estamos numa sociedade livre, felizmente.

Eu tenho a certeza de que não estou errado, se não corrigia o erro. Sei que este Barça sem Messi seria uma excelente equipa mas não esta maravilhosa equipa e teria ganho muito menos do que ganhou. Sei que o que o Inter e o Milan (e o Chelsea) fizeram é parte do futebol e fizeram-no bem feito, os resultados - que são parte importante nisto do desporto - deram-lhe razão.

É natural que o modelo do Barça tenha sucesso agora, quando reune esta constelação de estrelas fabulosa, isso não está em dúvida. O Barcelona tem sido a equipa mais consistente do futebol internacional, precisamente aquilo que não conseguiu ser com a equipa de Ronaldinho. Dentro do seu modelo é uma referência, dentro do espectro actual há poucas equipas que lhe possam jogar de igual para igual e os restantes modelos, por aceitarem que não vão ter a bola - e sentirem-se cómodos com isso - serão sempre avaliados sob outra bitola, mais critica. Já todos o sabemos.

O Barça ganha e na esmagadora maioria das vezes, ganha muito bem. Mas o seu metodo de jogo não é moralmente superior a nenhum outro. Pode ser mais eficaz - e os números não mentem - mas isso resulta pela conjugação de diversos factores e a moral não entra num deles.


De André Leal a 22 de Fevereiro de 2013 às 17:12
O Barça sem Messi tem um nome: Selecção Espanhola e ganhou o que ganhou nestes últimos 5 anos. Já a Argentina...


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Fevereiro de 2013 às 17:23
André,

Confundir a forma de jogar do Barcelona, de Guardiola sobretudo, com o hermetismo calculado da selecção espanhola é algo atroz. O Barça de Guardiola, na sua melhor versão, usava a possessão para atacar, a selecção espanhola, de Del Bosque, usa a posse para defender-se.

Nunca houve uma selecção tão hegemonica na possessão na história e capaz de criar tão poucas oportunidades de golo. Nunca houve na história uma selecção que tivesse vencido um Mundial com resultados consecutivos de 1-0, nem as mais defensivas Itália, Brasil ou Argentina. Nunca houve uma selecção que tivesse ganho um Europeu chegando até uma final - onde foram brilhantes - criando apenas 3 oportunidades de golo claras nas rondas prévias.

Se há algo que o Barcelona sempre foi - até agora - é uma equipa que quando tem a bola procura o golo. O grande defeito dos últimos ano e meio foi, sobretudo, ter abdicado dessa verticalidade para cair na preguiça do jogo horizontal. Enquanto Guardiola confiava num plano com extremos velozes e directos como Tello e Cuenca, Vilanova/Roura insistem no jogo medular de Alexis, Fabregas, perdendo espaço e reduzindo o jogo a uma franja do terreno de jogo. Se não há espaço para os laterais subirem e desequilibrarem, como em San Siro, o modelo torna-se estanque.


De André Leal a 1 de Março de 2013 às 20:18
Caro, Miguel:

Sinceramente, a mim e a muita gente ficou a impressão de que o Barça e a Selecção Espanhola tinham muito mais semelhanças do que diferenças. Concordo com o que diz quando refere que o Barça é mais ofensivo que a selecção espanhola, mas também terá que concordar que nessa sua referência inclui o ponto principal da semelhança das duas equipas - a superioridade gritante na posse da bola relativamente aos adversários.

Não tenho argumentos técnicos para contrapor o que refere em seguida, porém, parecem-me pequenas diferenças para o essencial já referido em cima.

Encontro, sim, um exemplo concreto para o contrário do que diz no terceiro parágrafo relativamente ao jogo pelas alas do Barça de Guardiola, nomeadamente quando jogou contra o Inter de Mourinho em Camp Nou nas meias da Champions ganha pelo Inter em Madrid. O Inter não defendeu pelas alas porque sabia que o Barça queria atacar pelo centro. Lembro-me perfeitamente dos jogadores do Inter nem se preocuparem com os extremos de ocasião do Barça que apenas surgiam porque o Inter, pura e simplesmente, não usou laterais.


De Miguel Lourenço Pereira a 1 de Março de 2013 às 20:54
André,

Sem dúvida que o Barcelona e Roja compartem ADN, jogadores nucleares e uma aposta clara na posse. Mas enquanto a Espanha usa essa posse como arma defensiva, criando poucas oportunidades por jogo, mas com uma eficácia tremenda, o Barcelona com Guardiola usava-a como arma de ataque, tendo um ratio de oportunidades muito superior.

Quanto ao último ponto, no jogo contra o Inter os italianos acabaram com os dois avançados como falsos laterais para tapar esse espaço, mas essa versão de Guardiola, a de Ibrahimovic, era talvez a que mais utilizava o sector central e notou-se. No ano seguinte, com Villa e depois com o progressivo lançamento de Tello, Cuenca e a compra de Afellay, Guardiola foi cada vez mais ocupando os extremos. Vilanova, ao colocar Iniesta como extremo, renuncia a utilizar jogadores que explorem a linha.

um abraço


De Gil Von Doellinger a 21 de Fevereiro de 2013 às 18:01
Subscrevo totalmente o teu ponto de vista. Não sei se este post, entre outras coisas, terá como destinatário um ou outro profeta da mensagem de que o futebol só foi inventado pelo Guardiola, mas se não tem acabará por lá chegar.


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Fevereiro de 2013 às 18:45
Gil,

Os meus artigos não têm destinatários, mas que essa seita existe e, como todas as seitas, é composta por fanáticos que perderam a noção da realidade, isso é inequívoco!


De Ricardo Lourenço a 21 de Fevereiro de 2013 às 23:01
As repetições mostram que a bola, depois de rematada por um jogador do Milan , ressalta num jogador do Barça e bate na cabeça do jogador do Milan que se encontrava a 40cm dele, já com os braços no ar. Golo regular.
Também não me parece que o relvado sirva com desculpa porque os as duas equipas tiveram que jogar nele.


De Miguel Lourenço Pereira a 21 de Fevereiro de 2013 às 23:11
Ricardo,

Há idiotas por aí fora que acham que o futebol é um jogo que deve ser disputado em terrenos de seda, esquecendo-se não só as origens como a especificidade cultural do jogo, precisamente o único desporto que pode ser jogador em qualquer condição, em campos grandes e pequenos, por onde passaram todas as grandes equipas da história. A esses, adeptos de sofá e agua vichy, pouco mais há que dizer.

Quanto ao golo, aceito a decisão do árbitro precisamente pelo toque no Alba. Há mão mas haverá intencionalidade (que é o que exige a lei)? Dificil de dizer, entendo as críticas do Barcelona, entendo a decisão do árbitro, o que nunca entendi foi o fora de jogo ao Shevchenko em 2006 e o penalty do ano passado, mas isso são outras contas!


De PTM a 22 de Fevereiro de 2013 às 14:21
Miguel

Mais uma vez, no meu ponto de vista, uma avaliação spot on.

Messi é um jogador para qual faltam adjectivos, dizer que ele é o ponto fulcral deste Barcelona não é sacrilégio nenhum. É algo normal, o Barcelona vive da possessão e dos espaços que esta prolongada possessão cria. No entanto tudo está virado para Messi. Seria errado isso não acontecer.

Encontrar desculpas no estado do relvado é errado. Durante toda a transmissão televisiva o Pedro Henriques referiu, quase em jeito de lamento que o relvado e o seu mau estado é algo típico do Milan (que talvez seja a equipa que mais anticorpos produz nas minhas preferências). Esquece-se que em San Siro jogam duas equipas e que neva muito e habitualmente em Milão. O relvado é o que é para as duas equipas, outra coisa é ter a relva comprida ou regar antes e durante os jogos...

Talvez a discussão que mais me irrita no futebol moderno é que quando o Barcelona joga o seu estilo É o futebol e que o futebol TEM de ser jogado assim.

O Milan jogou, desde o inicio, para ganhar, fez mais do que suficiente para tal. Vamos a ver se na segunda mão com mais pressão em cima, se será capaz de manter esse nível organizativo.

Saliento a grande análise tactica deste jogo que foi feita aqui:
http://pdacquaviva.com/2013/02/21/milan-v-barcelona-post-match-comments/

PS já o ano passado, (se não me engano) o Barça foi a Milan e não ganhou, no ultimo minuto tem um livre que daria para bombear a bola para a área e criar uma ultima situação de perigo. Livre marcado, Busquets para Pique; Pique para Busquets e o jogo acaba. O barcelona com todos os suas virtudes e defeitos é isso, posse.


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Fevereiro de 2013 às 15:18
PTM,

Quando o digo, essa Messidependência, não o faço num plano critico porque seria ridiculo ter um dos melhores jogadores de sempre e não o aproveitar ao máximo. Mas os fundamentalistas do barcelonismo têm medo que isso signifique tirar ideia ao pensamento colectivo imposto por Cruyff mas que a esmagadora maioria nem sabe sequer de onde vem. Simplesmente fazem eco do que lhe contam, como um boomerang mediático.

Quanto aos relvados. Eu vi o Real Madrid de Di Stefano, o Ajax de Cruyff, o Liverpool de Dalglish, o Bayern de Beckenbauer, o Man Utd de Best, Cantona e Ronaldo, o Milan de van Basten, o Barça de Cruyff jogarem em campos mil vezes pior do que o San Siro e ganhar, porque o futebol é isso, um desporto que se joga a céu aberto, exposto à climatologia e ao estado circunstancial dos relvados. É uma arma para as equipas da mesma forma que é o público ser mais ou menos aguerrido.

Acho muita, mas muita piada aos que criticam o relvado e não aceitam que os rivais, no Camp Nou, se queixem de como está a relva. Imaginemos então que, para um futuro, tanto as especificidades da dimensão do relvado como o tamanho da relva sejam aprovados pelo International Board seguindo os padrões do Camp Nou porque, segundo a seita, são os únicos que permitem jogar bem à bola. Se a relva estiver 2 cm mais alta, ligeiramente mais molhada e o relvado tenha menos uns centimetros de largura, não se poderia jogar. Que vos parece?


De Nuno a 25 de Fevereiro de 2013 às 11:08
"Acho muita, mas muita piada aos que criticam o relvado e não aceitam que os rivais, no Camp Nou, se queixem de como está a relva."

Seria de facto, um excelente argumento: "Epá, nós perdemos porque não havia um único buraco no campo. Como é que se pode jogar assim? Assim eles não falham um passe, caramba! Isolam-se e não tropeçam em nenhum bocado de relva? Onde é que já se viu isso?"

"Imaginemos então que, para um futuro, tanto as especificidades da dimensão do relvado como o tamanho da relva sejam aprovados pelo International Board seguindo os padrões do Camp Nou porque, segundo a seita, são os únicos que permitem jogar bem à bola. Se a relva estiver 2 cm mais alta, ligeiramente mais molhada e o relvado tenha menos uns centimetros de largura, não se poderia jogar. Que vos parece?"

Parece-me exactamente o que acontece em qualquer outro desporto colectivo de bola. Não sei se costuma acompanhar desportos de pavilhão. Normalmente, quando um jogador cai, entra alguém para limpar a transpiração do atleta. A razão pela qual se faz isso é dupla: para prevenir escorradelas e para que o terreno de jogo influencie o mínimo possível a execução técnica dos jogadores. Em futebol haveria de ser diferente porquê? De resto, não é incomum que um jogo não se realize porque o relvado está impraticável. Ter demasiada água é em quê diferente de ter demasiados socalcos?

"Eu vi o Real Madrid de Di Stefano, o Ajax de Cruyff, o Liverpool de Dalglish, o Bayern de Beckenbauer, o Man Utd de Best, Cantona e Ronaldo, o Milan de van Basten, o Barça de Cruyff jogarem em campos mil vezes pior do que o San Siro e ganhar, porque o futebol é isso, um desporto que se joga a céu aberto, exposto à climatologia e ao estado circunstancial dos relvados. É uma arma para as equipas da mesma forma que é o público ser mais ou menos aguerrido."

O público, que eu saiba, não impede um jogador de acertar bem na bola. É um factor externo que não tem interferência directa na execução técnica dos lances. É por isso diferente do factor externo do estado do relvado. O argumento da tradição é altamente falacioso, como aliás qualquer argumento de tradição, a respeito de qualquer assunto. Eu não vi, mas sei que houve escravatura, há uns anitos. Se não fôssemos a alterar a tradição, não só ainda hoje haveria escravatura, como o Milan não teria marcado aqueles 2 golos, pois o Boateng e o Muntari seriam, quando muito, apanha-bolas. Claro que no passado se jogou em piores condições. Mas o futebol evoluiu. E evoluiu porque se melhoraram as condições. Se se continuasse a jogar em campos miseráveis, com bolas pesadíssimas, com chuteiras de há 60 anos, o futebol não seria o que é hoje. Para si, pelos vistos, isso não seria um problema. Para mim, e para qualquer pessoa que percebe alguma coisa de futebol, é uma sorte o futebol ter evoluído como evoluiu. E eu, como simpatizante de um desporto evoluidíssimo tal qual o futebol é hoje, tenho o direito de exigir que, nos dias que correm, não me dêem a ver o futebol de há 60 anos. Há 60 anos, também não havia lei do fora-de-jogo. Acha que o jogo evoluiria positivamente se essa lei não tivesse sido introduzida? Claro que não. O argumento da tradição não faz sentido nenhum. Nos dias que correm, porque é fácil fazê-lo, pelo menos ao mais alto nível, o tamanho e o estado do terreno deviam ser regulamentados. Assim como seria fácil e útil a ideia do "chip" na bola. Você acha que as pessoas que exigem um relvado perfeito exigem-no porque gostam do Barcelona e percebem que isso os favorece, e é por isso que acha legítimo exigir o contrário. É aqui que está o seu erro. As pessoas exigem que o relvado esteja em perfeitas condições porque gostam de futebol. E não gostam do Barcelona porque o acham melhor do que os outros; gostam do Barcelona porque gostam de futebol. Você, quando muito, gosta das raízes do futebol. Acha que se pode jogar em qualquer campo porque não gosta do jogo, gosta da História do jogo. O futebol evoluiu; é hoje jogado a níveis físicos, técnicos e tácticos sem precedentes. E isso é uma sorte, para quem gosta de futebol. Mas só pode ser jogado assim se as condições forem perto das ideais. É estúpido, portanto, que as equipas estejam mais evoluídas do que nunca e que sejam obrigadas a jogar em condições obsoletas.


De Miguel Lourenço Pereira a 25 de Fevereiro de 2013 às 13:43
Nuno,

Naturalmente, como adepto neutral do jogo, o meu desejo para qualquer encontro é que todas as circunstâncias do jogo sejam absolutamente perfeitas para a sua prática e isso inclui relvado, esférico (nem vou falar das constantes criticas às bolas de algumas provas oficiais), infra-estruturas, qualidade da equipa arbitral, qualidade da equipa técnica, ...

Isso não está absolutamente em causa. Mas, precisamente, o futebol não é um desporto de salão. Não é cricket, não é ténis nem sequer é rugby. É um fenómeno socio-cultural que ultrapassou, há muito, a mera condição de desporto e fê-lo, entre outra coisas, pela sua simplicidade e por ser um jogo que pode ser jogado por todos e em condições tão distintas como o espantoso Camp Nou e o Municipal de Condeixa. E ao contrário do que o Nuno diz, para mim, não deixa de ser futebol, se o relvado está com a erva mais alta ou mais baixa, se está em melhores ou piores condições, se está um sol tremendo ou se neva. É muito raro um jogo ser realmente interrompido, ainda ontem o PSG-Marseille foi disputado debaixo de uma imensa nevada, o AC Milan-Inter no mesmo relvado do jogo de quarta-feira, foram jogos de futebol intensos, dignos de um desporto que é - ao contrário do cricket - um desporto do Inverno e a céu aberto.

A minha ironia sobre o relvado e a dimensão do Camp Nou é isso mesmo, ironia. Vale qualquer estádio para o exemplo, mas como falamos do Barça, falamos do Camp Nou. Há equipas que gostam da relva ligeiramente mais alta e molhada, vem-lhes bem para o seu estilo de jogo. Há quem goste da relva mais seca e curta. Quem define qual é a condição ideal, a partir do momento em que há abordagens diferentes ao mesmo jogo que beneficiam com as condições que preferem e as aplicam em sua casa? Há equipas que vão ao Camp Nou, para dar um exemplo, e encontram a relva muito curta para o seu gosto da mesma forma que o Barça visita muitos campos onde deixam crescer, propositadamente, a relva para potenciar o seu modelo. Como ponderamos tudo isso? Um meio-termo democrático? Uma ditadura da decisão de que um modelo supera o outro e portanto tem primazia?

Dispenso as habituais provocações do não saber nada de futebol, da comparação com a escravatura, com a regra do fora de jogo (foi há quase 90 anos que a regra mudou, não há 60) porque não trazem nada de novo ao debate. Sou consciente da evolução do jogo e daqui a dez anos provavelmente o que hoje é novidade será standard, e vice-versa. Da mesma forma que um Fangio era capaz de sair do carro, concertar uma avaria, voltar a entrar e ganhar uma corrida e hoje um piloto tem 140 botões num volante e pouco mais pode fazer que cumprir a sua missão, o futebol evoluiu e o Barcelona é o exemplo mais perfeito da evolução de uma das suas escolas mais fascinantes, a danubiana.

Isso não está, em absoluto, em causa. O Barça é, por direito próprio, uma equipa incomparável no presente e membro do panteão dos mais inovadores e ambiciosos projectos desportivos do jogo. A mim, estou farto de o dizer, o que me irrita é a constante critica a tudo o resto, a tudo o que não segue essa corrente, e a incapacidade crónica dos seus admiradores mais apaixonados de não reconhecer que há aspectos no seu modelo que não são perfeitos. E que isso é a minha opinião pessoal, não a palavra litúrgica que define o bem do mal.

O Nuno é uma pessoa que entende muito de futebol, nunca me vai ouvir ou ler dizer que não simplesmente porque sim, e seguramente sabe que o futebol mais do que um desporto, é um fenómeno único na história sócio-cultural do século XX e que em San Siro os adeptos do Milan não queriam saber do relvado, porque não eram adeptos neutrais, da mesma forma que os bolivianos gostam de jogar em altitude para fazer valer a arma que têm. É o lado mais humano de um jogo que, regulado em excesso, perde parte do seu encanto para muitos adeptos neutrais.


De Carlos Santos a 25 de Fevereiro de 2013 às 14:30
Miguel este seu comentário é muito bonito mas aqui o único que criticou e tentou banalizar um modelo de jogo foi você.
A crítica que você fez ao estilo de jogo do Barcelona sem ser enquadrada com as condições em que esse jogo foi jogado, pura e simplesmente não faz sentido.

E todas essa questões que está a levantar também fazem muito pouco.
1º, o futebol não é o único desporto que pode ser jogado em qualquer lado, do Camp Nou ao Municipal da Condeixa. Eu vejo basquetebol no Madison Square Garden e também o vejo no polidesportivo da minha rua. E muitos outros existem que também podem ser jogados em qualquer lado. E o fenómeno socio-cultural do basquetebol é tão forte, no mínimo, como o do futebol.

2º Quanto ao tamanho da relva ou do campo, se o Nuno fala em padronizar essas questões qual é o seu problema? Se for padronizado para todas as equipas a altura da relva a que vão jogar obviamente estas equipas treinarão para jogar assim e não haverá diferenças sentidas pelas equipas e muito menos truques como os que houve em San Siro. Agora treinar em campos de batatas duvido que alguém treine.

Aqui a única questão é que o Miguel apresenta todo um teorema com base numa amostra sem o mínimo de significância. Se quer dizer que o estilo de jogo do Barcelona tem problemas apresente-os com base em jogos feitos em condições normais e não com base num único jogo feito num batatal.
Quer ser coerente, analise a época do Barcelona no seu todo e faça as suas comparações.
Querer fazer uma tese a defender a "esterilidade" do jogo do Barcelona, com base num único jogo (em que o Barcelona foi mesmo assim superior ao adversário) e em que existiram tantos condicionantes externos, não faz qualquer sentido.
Com textos assim é inevitável que o acusem de azia ao Barcelona e à Espanha já que você só "aparece" nestas raras derrotas.

Você pode ter


De Miguel Lourenço Pereira a 25 de Fevereiro de 2013 às 14:53
Carlos,

A mim dá-me exactamente igual o que pensem sobre o que eu escrevo, se tenho ou não tenho azia contra a equipa A, B ou C, se apareço em momentos pontuais ou realizo crónicas semanais. Há pessoas que gostam de escrever para ser elogiadas, para que alguém lhes dê uma palmadinha nas costas todas as semanas por repetir o óbvio, estão no seu direito. Eu, no meu blog, escrevo quando quero, como quero, sobre o que quero e o resto importa bem pouco. Isto não é um concurso de popularidade.

Em relação ao que está em discussão, eu sou absolutamente contra a padronização das dimensões do terreno de jogo precisamente porque aprecio e valorizo todo o ambiente que existe à volta do futebol. Se por um lado parece-me excessivo (para não dizer outra coisa) comparar o impacto socio-cultural do basket com o futebol, por outro é fácil de entender que desfruto com essa sensibilidade quase bélica em que se transforma o jogo de xadrez que é o futebol quando se enquadra num espaço comum. E o relvado, as dimensões, são uma das armas que as equipas têm ao seu dispor, a par do seu estilo de jogo. Gosto de todas as variantes apesar de saber reconhecer que umas propiciam o futebol mais técnico e outras o mais físico. O problema do Carlos, do Nuno e todos os que defendem a mecanização do futebol, é que querem excluir essa componente humana, padronizando tudo a partir do pressuposto que só um modelo é válido - são as mesmas pessoas que criticam os "autocarros", a arte de defender, as equipas de vertigem, as equipas mais físicas, como o "não-futebol", assumidamente que só existe um futebol - e que esse modelo acabará por ser adaptado a todos porque, como diz, todos acabarão por treinar e absorver esse modelo através da padronização das dimensões, do tamanho do relvado, etc...

Eu opino exactamente o contrário e perdi-me no caminho, na parte em que pensar o oposto é a) não perceber de futebol, b) não gostar de futebol, c) ter azia contra a b ou c, mas não me preocupo em excesso.

Quanto ao Barcelona, que já elogiei tantas vezes nestes últimos cinco anos, continuo a dizer o de sempre. É uma grande equipa naquilo que faz mas é uma equipa com limitações quando se trata de fazer outra coisa. Este jogo foi um exemplo perfeito dessa realidade. O jogo com o Chelsea e o Inter também. Na liga espanhola, onde a maior parte das equipas assume que parte derrotada desde inicio quando joga contra Barcelona e Real Madrid, é díficil encontrar quem procure fazer algo distinto que force o Barcelona a ter um plano B ou C e portanto seria redundante estar toda a semana a dizer que o plano A funcionou - e muito bem. Alerto apenas para os que acreditam em teorias de infalibilidade, que no futebol isso não existe e que sem a metamorfose, todas as grandes equipas acabam por definhar. O mérito principal deste projecto é, não só os titulos que tantos ganharam antes, mas a sua longevidade mas quando encontra-se com o mesmo problema de espaço, continua sem saber como o resolver. Portanto temos um modelo de jogo excelente mas sem alternativas. Quando são necessárias, por motivos x y e z, não aparecem e o modelo torna-se estanque, insuficiente. O Barça no Camp Nou pode encontrar a alternativa ou até triunfar sem o necessitar, dependendo do que faça o rival, mas isso não invalida que tem manifestado esse grande - e talvez único - problema.

Para o Carlos pode não fazer sentido nenhuma das minhas afirmações e está no seu pleno direito. A diferença, é que eu não parto do principio que o faz por ignorância, por azia ou por provocação, simplesmente acredito que está a ser fiel à forma como vê o jogo. O que já não entendo, é que seja incapaz de fazer o mesmo exercício sempre que escrevo algo com o qual não está de acordo. O debate seria muito mais lógico se não partisse da premissa maniqueísta de que há um certo e um errado, um bem e um mal, um superior e um inferior. No futebol, como em tudo!



De Carlos Santos a 25 de Fevereiro de 2013 às 17:11
"O problema do Carlos, do Nuno e todos os que defendem a mecanização do futebol, é que querem excluir essa componente humana, padronizando tudo a partir do pressuposto que só um modelo é válido - são as mesmas pessoas que criticam os "autocarros", a arte de defender, as equipas de vertigem, as equipas mais físicas, como o "não-futebol", assumidamente que só existe um futebol - e que esse modelo acabará por ser adaptado a todos porque, como diz, todos acabarão por treinar e absorver esse modelo através da padronização das dimensões, do tamanho do relvado, etc..."

Não Miguel, o problema é seu que está a colocar-me palavras na boca sem eu ter feito uma única consideração sobre outros estilos de jogo.
Eu não tenho problema nenhum com uma equipa que jogue com a defesa recuada, uma equipa que jogue em contra-ataque, etc. Saber defender bem é meritório como é saber atacar bem.
Agora uma equipa que tem que se servir dum terreno de jogo impraticável para conseguir defender é uma equipa que não sabe defender bem e que tem que aliar métodos externos ao jogo para o fazer.
Gostos são gostos e cada treinador joga como quer, agora métodos externos e possivelmente ilegais não têm nada a ver com táctica ou estratégia. Um grande treinador, ofensivo ou defensivo, apologista da posse ou do contra-ataque, não deixa a sua estratégia sujeita a factores externos como o árbitro ou o relvado. Um grande treinador prepara a sua equipa, analisa o adversário e não manda o jardineiro parar de regar o relvado durante 2 semanas e colocar-lhe areia em cima.

E já agora, que forma mais justa haverá de distinguir a capacidade dos treinadores e das equipas do que colocá-las em igualdade de circunstâncias, ou seja em relvados semelhantes e em bom estado? É que nem sequer se está a assumir que a padronização seria o relvado de Camp Nou, as entidades competentes até podiam regulamentar jogar num relvado mais pequeno. Mas toda a gente jogaria nele, toda a gente treinaria para jogar nele e não haveria a estupidez de alguém jogar em 10000m2 no sábado e em 5000 na 4ª feira seguinte.


"Na liga espanhola, onde a maior parte das equipas assume que parte derrotada desde inicio quando joga contra Barcelona e Real Madrid, é díficil encontrar quem procure fazer algo distinto que force o Barcelona a ter um plano B ou C e portanto seria redundante estar toda a semana a dizer que o plano A funcionou - e muito bem."

Já isto, ou é resultado de não ver a liga espanhola ou é mais uma desculpa esfarrapada para a supremacia do Barcelona. Qual foi a equipa que entrou derrotada contra o Barcelona ou o Real? O Depor por exemplo, a perder por 3-0 acabou por perder 5-4 e dar luta até ao fim ao Barcelona. E o Granada há 15 dias? E o Sevilha este fim-de-semana? E a Real Sociedad? E o Valência?
Eu não vejo nenhuma equipa a entrar derrotada em Espanha e o Real que o diga este ano!

O modelo do Barcelona tem problemas como têm todos e este ano os problemas até são quase todos de cariz defensivo e não relativos a alternativas de ataque.
Aliás os números astronómicos do Messi demonstram isso e é óbvio que ele não marcaria todos estes golos se não jogasse numa equipa com um potencial ofensivo tão bem trabalhado.
A questão é que, quando o Chelsea se espalha ao comprido na Champions, quando o Man City é humilhado no seu grupo, quando o Benfica é superado pelo Celtic ou o Milan fica atrás do Málaga, o Miguel não vem tentar encontrar defeitos nos modelos de jogo deles. O Miguel não vem elaborar teses apocalípticas sobre o futebol directo, defensivo ou físico.
Já sobre o futebol de posse do Barcelona e da Espanha está constantemente a tentar anunciar-lhe a morte, a apontar-lhe os defeitos, etc...
Ele tem defeitos sim, mas também tem muitas virtudes! E acima de tudo, esses defeitos não serão nunca extraídos dum jogo num batatal. Quer falar desses defeitos fale de alguns dos jogos com o Real, quem sabe até do desta terça. Agora apontar o que quer que seja por causa deste jogo em Milão era como dizer que o Royce Gracie tinha defeitos no seu jiu-jitsu porque um dia foi apanhado à traição com um soco enquanto dormia.

Alguém que realmente goste de futebol sabe apreciar uma boa equipa defensiva. Não pode é nunca apreciar uma equipa batoteira.


De Miguel Lourenço Pereira a 25 de Fevereiro de 2013 às 17:41
Carlos,

Parece que, de facto, é inato, terminar qualquer discurso, com o habitual juizo de valor do "alguém que realmente goste de futebol", partindo sempre do principio que o seu gosto modela o gosto alheio e que a sua definição de batota se estende à Humanidade. Ou isso é resultado de um grande ego, de um conhecimento incontestável ou deixa-me estupefacto a facilidade de falar sempre em nome de um colectivo.

O modelo do Barça tem muitos problemas defensivos e um problema ofensivo sério. Os números do Messi simplesmente espelham esse problema, a excessiva dependência do seu talento inesgotável para resolver os problemas que o colectivo, a partir do modelo base, não é capaz. Contra o Sevillo, o banco colocou Tello em campo e Villa na posição de 9, algo que é cada vez mais raro na equipa blaugrana, e abriu logo o campo e criou os espaços na defesa dos andaluzes para permitir a reviravolta no marcador. Isso é aplicar um plano alternativo ao original (com Alexis a deambular pelo meio e Iniesta e Messi, ou Thiago e Fabregas, a bascular pelo corredor central). E sim, eu vejo os jogos do futebol espanhol, há anos, e a minha percepção é que as equipas entram claramente derrotadas psicologicamente em muitos (não o 100% obviamente) dos jogos que disputam contra os dois gigantes, algo que a brutal diferença de orçamentos, plantel e qualidade de jogo explica.

Relativamente aos outros modelos, claro que todos têm erros e falhos e pontos débeis e as equipas de Mourinho não conseguem atacar em estático, e as equipas inglesas continuam sem conseguir elaborar jogo sem perder a eficácia defensiva, e os italianos deixam cada vez um espaço maior entre os homens adiantados e alinha defensiva, alargando muito o campo. Sou completamente consciente disso, mas como disse no comentário anterior, sou eu, não o Carlos nem ninguém, quem define o que escrevo ou não escrevo, o que opino ou não opino. Isto, que eu saiba, ainda é um blog de um autor aberto ao público para ler e comentar. Não é um diário mas também não é um projecto colectivo, pelo que entendo que existam pessoas que não lhes interessa o que escreve e que não o lêem da mesma forma que eu também não leio muitos outros blogs. Agora nunca me virá dizer ao dono do blog A, B, C ou D sobre o que é que ele tem de escrever.

Por fim, para rematar o tema inicial, Stan Cullis era um génio como treinador e recorreu a esses métodos "batoteiros". Bill Shankly também. Helenio Herrera também. Bela Guttman também. Ernst Happel também. Herbert Chapman também. Branko Zebec também. Osvaldo Zubeldia também. Carlos Billardo também. E assim podemos continuar todo o dia a enumerar treinadores "batoteiros" que cometeram o "erro" de achar que, jogando em casa, não podiam utilizar todas as armas possíveis para vencer. Qualquer equipa que jogue em sua casa tem a vantagem de poder dispor do relvado como deseja - a não ser que as autoridades digam o contrário - de criar o ambiente que desejem e de alargar ou fechar o campo como sentirem mais adequado para o seu plano. O futebol é a forma moderna mais honesta de guerrear e a destreza intelectual não está só na movimentação dos peões mas sim na escolha do melhor ângulo possível para saber como atacar e como defender. Um grande treinador tem todos esses factores em consideração e por saber ler perfeitamente todos os cenários possíveis, consegue reequlibrar, muitas vezes, desvantagens que não estão no relvado mas sim na conta bancária. Porque se vamos democratizar o futebol, porque não repartir equitativamente todos os grandes jogadores por todas as equipas, não permitir o mercado de transferências e assim, dessa forma, teremos a tal utopica igualdade que no futebol nunca existiu. Faz lembrar os apologistas da F1 que defendem que todos os carros devem ser desenhados por igual, todos os pneus exactamente iguais, todos os motores do mesmo provedor, todos os chasis do mesmo fabricante e a partir de aí que decidam os pilotos quando nem nos anos 30 e 40 essa realidade existia.

O futebol é um jogo que se disputa em planos muito diferentes, e saber manejar todos os seus registos não tem nada a ver com o termo "batota". O Carlos quer pensar de outra forma? Força, mas como diria Cruyff, eu pessoalmente prefiro enganar-me com as minhas ideias que errar com as de outros!


De Carlos Santos a 25 de Fevereiro de 2013 às 18:31
O Herrera, o Otto e companhia podem ter feito isso tudo mas não foi por isso que foram geniais.
Mourinho não é genial pelo dedo no olho, pela espera ao árbitro no parque de estacionamento ou pela camisola do Rui Jorge. É genial porque já mostrou ser capaz de ganhar aos melhores jogando futebol. Limpo, bonito, bom tacticamente.

Quanto ao resto, sei que é portista e só lhe desejo que este ano não perca o campeonato porque uma equipa se lembrou de destruir o relvado contra o Porto e contra o Benfica até lhe apeteceu abrir as pernas.
Se o meu Sporting para a semana se lembrar de colocar areia na relva, deixá-la crescer e não a regar se calhar vai repensar a sua opinião.

Quanto à última frase do meu último comentário, repito-a sem fazer juízos de valor sobre ninguém:
Alguém que goste de futebol não pode NUNCA gostar duma equipa batoteira.


De Miguel Lourenço Pereira a 25 de Fevereiro de 2013 às 18:44
Carlos,

Esses treinadores foram geniais porque fizeram muitas coisas, entre as quais essas, para vencer contra todas as circunstâncias negativas que encontraram. Misturar regar um relvado com meter um dedo no olho ou rasgar a camisola a um jogador, dois actos de imbecil, não faz nenhum sentido. Para mim o grave no futebol são as entradas para lesionar, o teatro dos jogadores, a corrupção nos organismos oficiais, a compra e venda de jogos e a progressiva falta de valores, muito mais sério que o estado de um relvado ou da relva.

Se este ano o FCP perder ou ganhar o campeonato pelo relvado do estádio A, B, C ou D para mim não fará a mais minima diferença. Pode guardar o link e voltar em Maio com ele se quiser. Como adepto do FCP critiquei o relvado do estádio do Dragão, mas não hipocritamente como já li, mas sim porque o FC Porto dos últimos anos procura ser uma réplica - com diferenças - do modelo do Barcelona e parece incompetente por parte de um clube quer jogar futebol de toque curto não cuidar o seu próprio relvado. Se o FC Porto quisesse jogar de outra forma e para esse jogo fosse potenciado um relvado mais descuidado não diria nada e respeito que o Moreirense, Nacional ou Olhanense façam o mesmo. Se o Sporting o quiser fazer está no seu direito, nunca me verá criticar uma equipa pelo o que quer que faça quando jogue em casa.

Quanto ao rematar, eu gosto muito de futebol e não gosto de equipas batoteiros, mas como o seu conceito de batota inclui realidades que para mim são estratégia, então está a mentir, porque eu sou um exemplo vivo que contradiz conscientemente a mesma frase que afirma tão taxativamente.


De Miguel Lourenço Pereira a 22 de Fevereiro de 2013 às 17:31
Aproveito para relembrar que o EJ nem é um espaço de divulgação de blogs alheios nem é um espaço que aceite comentários insultuosos ou que não acrescentem nada ao debate no post em questão!

Não se dêem ao trabalho, os comentários que não sigam esta orientação serão apagados imediatamente.


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