Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013

Um clube corre o risco de perder o seu melhor jogador sem receber um só cêntimo em troca no mês de Julho. Recebe uma oferta de 6 milhões de euros para antecipar a saída em meio ano. O jogador não é opção do técnico e recebe mais dinheiro do que qualquer outro jogador fora do leque de futebolistas das duas gigantes multinacionais do pais. E no entanto, não o vende. É isso e muito mais o que lhe passa a Fernando Llorente.

 

Llorente queria sair em Junho. O clube não o deixou.

Tinha uma cláusula de rescisão de 40 milhões. E um ano mais de contrato. O clube ofereceu a renovação fazendo dele o jogador mais bem pago da liga. De todos os que não são do Barcelona ou Real Madrid, claro. Mais bem pago do que Falcao, mais bem pago do que Soldado, do que Isco, Joaquin ou Adrian. E Llorente disse que não. O clube tentou fazer o mesmo com Javi Martinez e este também lhes disse que não. Apareceu o Bayern Munchen com 40 milhões de euros na mão para pagar a cláusula de rescisão e mesmo assim, com o maior encaixe de sempre da história do futebol espanhol (salvo dos grandes), o Bilbao foi queixar-se à UEFA de que as coisas não tinham sido bem feitas. Llorente sabia o que o esperava.

Quando Bielsa soube que o avançado riojano não queria renovar, decidiu mandá-lo ao banco de suplentes.

Ele que tinha sido fundamental na época espantosa dos bascos, com duas finais perdidas em Bucareste e Madrid, mas com performances memoráveis, agora era suplente descartado. O clube voltou a contratar Aduriz - isto de só jogar com bascos obriga a vender e voltar a comprar bastante gente - e Llorente passou a primeira volta mais tempo no banco do que em campo. Em Agosto apresentou ao clube uma oferta de Juventus. Eram 10 milhões de euros em dinheiro vivo pagos imediatamente. O clube disse que não. A honra valia mais do que o dinheiro.

 

Se a postura do Bilbao, reforçado pelo dinheiro para pelo Bayern, podia fazer sentido em Agosto, agora não o faz.

O clube tentou voltar a convencer Llorente a renovar. Mas este recusou-se sempre. Está no seu direito. Os seus argumentos são mais do que lógicos. Conhece as limitações de um clube especial e quer provar outras realidades, ouvir o hino da Champions League, manter-se nas opções de Vicente del Bosque para o Mundial do Brasil. Mas o autoritarismo absoluto do Bilbao transformou-se numa gestão negativa para o próprio clube.

Llorente sairá, queira o clube ou não.

Pode sair a zero ou pode sair por seis milhões. Dinheiro que podia ser utilizado, entre outras coisas, para pagar o empréstimo para a reconstrução do novo estádio. Para perdoar as quotas aos muitos sócios no desemprego, um mal que afecta o Pais Basco como o resto de Espanha onde há 5 milhões de desempregados. Melhorar a ficha salarial de outros jogadores. Baixar o preço das bebidas no novo estádio. O que quiserem.

Ao rejeitar esses seis milhões agora, o clube quer mostrar que está por cima do bem e do mal, do dinheiro e das comodidades que ele traz. Continuarão a não utilizar Llorente, salvo em momentos pontuais (já só estão na liga, eliminados precocemente de Taça e Europe League), nos vinte e dois jogos que faltam disputar até Junho. A Juventus continuará sem um avançado de referência. E no final os adeptos serão confrontados com uma realidade curiosa. Uma directiva que saca peito de uma negociação que perdeu no primeiro dia, fazendo valer a sua lei autista. E um buraco nas contas que ficou por tapar por pura teimosia. É também assim o futebol quando gerido apenas no coração e não na cabeça. O Bilbao pode dar-se a este tipo de luxos. É um clube que não gasta muito no mercado porque tem um critério exclusivo de profissionais. É um clube que sempre teve as contas mais perto do verde, está no coração da zona mais rica de Espanha depois de Barcelona e Madrid. E está associado ao movimento independentista basco, o que lhe dota de muito prestigio na sociedade local.

 

Llorente tornou-se vitima dessa tripla realidade. Perdeu um ano da sua carreira desportiva por uma birra desportiva. O Athletic Bilbao perdeu entre 10 a 6 milhões de euros. No final de contas, o clube consegue o que quer. Provoca mais dano ao jogador mal amado, à antiga estrela de San Mamés do que a si mesmo. Uma birra infantil que custa dinheiro e momentos de prazer a um profissional que, enquanto lá esteve, deu tudo pela camisola. Quando dizem que aos jogadores lhes falta gratidão com os clubes muitas vezes é verdade. Mas nem sempre é um mal que percorre a auto-estrada do futebol na mesma direcção. Há clubes com muito passado mas com muito pouca memória!


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Miguel Lourenço Pereira às 14:30 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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